quarta-feira, 22 de maio de 2013

IGREJA - ORGANISMO OU ORGANIZAÇÃO?


Quando Cristo instituiu sua igreja, Ele tinha em mente um organismo vivo, um corpo que seria o Seu Corpo, formado por todos nós que somos os membros, sendo Ele próprio a Cabeça. Esse corpo foi criado à sua imagem e semelhança, com o objetivo de se desenvolver, atingir a maturidade e chegar à “estatura de varão perfeito, à medida da plenitude de Cristo…” (Efésios 4:13).
Como organismo é que a igreja local nasce, cresce e se multiplica em outras igrejas, assim como uma célula fecundada se transforma em embrião, em feto e depois em recém-nascido pronto para encarar a vida.
Como organismo, cada membro é um discípulo que gera outros discípulos, cada um fazendo a sua parte, seja pregando, ensinando, acompanhando, exortando, orando e corrigindo quando necessário.
Como organismo é que existe comunhão e relacionamento entre os membros, exigindo mutualidade de sentimentos e atitudes. É assim que os membros devem amar uns aos outros, suportar uns aos outros, levar as cargas uns dos outros, ajudar uns aos outros, enfim edificar uns aos outros, pois nesse corpo somos membros uns dos outros.
Como organismo, a igreja é a noiva, a lavoura e o edifício santo.
A igreja primitiva retratada em Atos 2-6 é o exemplo perfeito de um organismo vivo. Os irmãos socorriam os mais necessitados, repartindo bens e alimentos, ninguém considerando como seu aquilo que possuísse. É pena que aquele modelo não se perpetuou através dos tempos, mas foi imprescindível para aquela época e ficou registrado para as futuras gerações.
Mas a igreja também é uma organização, uma vez que, perante a lei dos homens tem que ser organizada em pessoa jurídica, com estatutos, sede, diretoria e outras exigências legais. Tem uma denominação, patrimônio, regimento interno e existência física.
Como organização é visível, local, humana, imperfeita (tem defeitos, problemas e pode até cometer erros), é temporária (pode vir a desaparecer).
Como organismo é invisível, universal, divina, perfeita (sem ruga, sem mácula) e nunca poderá desaparecer nem ser vencida pelas portas do inferno. Só desaparecerá da face da Terra quando for arrebatada na volta de Cristo.
Alguns pensam que o aspecto organizacional é um mal necessário. Na realidade, é uma condição sine qua non para existir e sobreviver no contexto onde está inserida. Por outro lado, Jesus não fundou sua igreja para ser um império político-financeiro, com poder temporal. Não estava em seus planos que um líder cristão se transformasse em chefe político, magnata gospel ou missionário milionário, como alguns pastores, nossos conhecidos, que até figuram na lista dos 10 mais da Forbes.
Mas é como organismo que Jesus deseja que sua igreja se destaque. Lá no céu não haverá organizações, denominações, templos, nem eleição de diretoria. Somente uma família na festa das bodas do Cordeiro.
Pedro Carbone Filho – Profº Seminário CACP
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O DEUS DA HISTÓRIA.


Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus para todo sempre, porque dele é a soberania e a força é ele quem muda os tempos e as horas, remove os reis e estabelece os reis…
Todos os moradores da terra são reputados em nada segundo, a sua vontade ele opera no exército do céus e nos moradores da terra. Não há quem lhe possa deter a mão e nem lhe dizer: que fazes?”  Daniel 2.20,21;4.35
Seu nome era Flávius Claudius Julianus (331-363 a.D). Imperador romano desde 361 a.D., seu sonho era devolver à Roma seu brilho pagão, agora ofuscado pela glória do Cristianismo. Desde Constantino o César, diante do qual os homens se curvaram e adoravam, adorava ao Cristo. A cruz do Galileo, tornara-se maior que o trono do rei de Roma. Aquele que sob Roma morrera, sobre Roma agora reinava.
Juliano, que entraria para a história com o título de Juliano, o apóstata conhecia o cristianismo, pois toda a sua educação fora cristã. Entre seus companheiros estava o célebre Gregório de Nazianzo.
Em seu íntimo porem, Juliano contemplava o declínio do império. Quanto tempo este ainda estaria de pé? Onde estava agora a glória inigualável daquele reino que dominava todas as terras mediterrâneas e além? Os deuses de Roma, seus suntuosos templos, o culto ao imperador- tudo isto fora desarraigado pela força do cristianismo. Não seria este o motivo de sua decadência? Não seria a solução banir o cristianismo e restabelecer o paganismo romano?
Foi com estes pensamentos em mente que Juliano, no dia 19 de Julho de 362 A.D., entra em Antioquia e oferece sacrifícios no templo pagão. Logo novas medidas seriam tomadas contra os cristãos : proibição dos mesmos em ter cargos públicos, aumento de imposto, proibição aos bispos  de ensinar nas escolas. Em contrapartida esforça-se para reorganizar o paganismo, estabelecendo sacerdotes criando regras, buscando formar uma organização tão grande e firme como o cristianismo. Intentava ele livrar Roma de sua queda.
Mas poderia ele, ou qualquer outro seu sucessor alcançar êxito? Seria possível a Juliano mudar o rumo da história ? É o homem  o único artífice da história, dependendo unicamente dele os caminhos que esta vai tomar? Ou haverão outras forças por trás da cortina do palco histórico? Contende o homem somente  com seus semelhantes ou  existem outras forças além e maiores do que a dele? Além da vontade humana, existirão outras vontades que se inserem nos caminhos do homem no tempo?
Fato ou não, conta-se que no dia  26 de Junho de 363 A.D., durante  uma escaramuçada, Juliano, o apóstata, foi imortalmente ferido. Caindo então de joelhos, ergue mãos e olhos aos céus dizendo “Venceste, ó Galileo” para em seguida tombar sem vida. O sonho de suplantar o Cristianismo com o esplendor de Roma tombava com ele 113 anos depois o império receberia o golpe mortal e Juliano entra para a história como um daqueles que iludidos pensam ter em sua mão o leme do destino humano.
Quem possui, então, o leme? Há mesmo um leme? Há, sequer, um destino, um desfecho, um clímax? Há um “porque” dos acontecimentos? Há um motivo porque o mundo, a história, o tempo seguram em uma direção e não em outra? Há um sentido supra-histórico para cada evento significativo? Será possível encontrar um centro comum  que coadune todas as coisas? É a história um feixe de retas paralelas que prosseguem infinitamente sem se encontrar, ou seria ela como os raios de aro de uma bicicleta, a se cruzarem e se encontrarem no eixo?
Com certeza a maioria dos historiadores modernos protestaria veementemente contra tais possibilidades e taxariam de misticismo qualquer resposta afirmativa a estas perguntas! Há muito que a historiografia se divorciou da teologia, e desde então caminha sozinha como uma orça a recolher objetos diversos no meio-fio do tempo, mas incapaz de criar com eles qualquer coisa que faça sentido. Por mais fios que recolhe nada é tecido com ele.
Reconhecer algo mais do que a existência humana dentro dos eventos seria reconhecer Deus. E colocar Deus dentro da história é algo  que o homem definitivamente não deseja fazer. Ele se recusa a dividir seus planos com aquele. Julga poder, através de seus conhecimentos moldar todos os seus caminhos.
Deus é o Senhor da História. Homens poderosos como Mao, Hitler e Stálin se julgaram donos dos destinos. Os homens podem ir bem longe em sua rebeldia à Deus, mas só irão tão longe quanto Ele permitir. Como o mar, os homens, as nações e os reinos podem se agitar, podem com fúria destruir tudo em seu caminho. Ainda assim, jamais irão além dos limites impostos pelo Deus da história.
Ou quem encerrou o mar com portas, quando trasbordou e saiu da madre, quando eu pus as nuvens por sua vestidura e, a escuridão, por envoltório? 
Quando passei sobre ele o meu decreto, e lhe pus portas e ferrolhos, e disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrarão as tuas orgulhosas ondas? (Jó 38.8-11)
PASTOR EGUINALDO HELIO DE SOUZA
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A LAVOURA DE DEUS.


Foi o apóstolo Paulo quem usou essa figura com relação à igreja, em I Coríntios. 3:5-9 (“Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus… Nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus…”). Nessa passagem ele quis dizer que a igreja é fruto da semeadura da Palavra, e esse é um trabalho de equipe – uns anunciam, outros ministram, outros cuidam, ensinam e edificam, enfim todos são trabalhadores na tarefa da evangelização. Cada um de nós é uma nova planta dessa lavoura, resultado da obra de evangelistas, pastores ou simplesmente de servos de Deus do passado e do presente.
Mas foi Jesus quem primeiro explicou o processo da semeadura. Na parábola do semeador (Mateus 13), ele nos ensinou que a igreja tem o dever de semear a Palavra em todos os corações, sem nenhuma preocupação com escolha de lugar, hora e público-alvo. Nem todos aceitarão e receberão a mensagem – o próprio Cristo reconheceu que existem corações duros, solos pedregosos e muitos obstáculos espinhosos para que a semente germine, se desenvolva e produza frutos. Humanamente falando, existem grandes possibilidades de insucesso na evangelização, mas a obra da salvação, do convencimento do pecado, não é humana – é obra do Espírito Santo. É Ele quem vocaciona, envia, direciona e completa a obra em cada coração. Portanto não há que se falar em sucesso ou insucesso, quem dá o crescimento (tanto numérico como espiritual) é o Deus, o Senhor da Seara.
A figura da lavoura também está presente em João 15, quando Jesus nos diz: “Eu sou a Videira Verdadeira, meu Pai é o Agricultor”. Nós somos apenas os ramos e, portanto, inteiramente dependentes do tronco, que é Cristo. Jesus é o Cabeça da igreja, tudo procede dEle, por Ele e para Ele. Dele vem nosso sustento. Ele é o centro da igreja. Se estivermos ligados nEle, seremos alimentados e produziremos frutos. Quando e se não produzirmos frutos, seremos disciplinados, purificados, podados e tratados para que a lavoura produza mais. Isso nem sempre é agradável para nós, mas devemos entender que a vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita”.
Lavoura nos remete a trabalho árduo, mas também à colheita e à recompensa. Uns plantam, outros colhem, mas o fruto não pertence ao homem, e sim ao Reino de Deus. O Senhor não está só interessando em quantidade, mas também em qualidade. O crescimento da igreja deve ser horizontal e vertical ao mesmo tempo. Assim, a igreja local deve crescer em número, em santidade, em maturidade, em graça, amor e comunhão. Desta forma, somos lavoura e sementeira, mas também semeadores e, um dia, receberemos o nosso galardão das mãos do Supremo Agricultor.
Pedro Carbone Filho, profº Seminário CACP
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