quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O TEÓLOGO DO AVIVAMENTO.


 


Assim como Martinho Lutero permanece como o marco de uma nova época na História da Igreja, assim também Jonathan Edwards permanece como o limiar de um novo mundo evangélico, caracterizado por avivamentos. Entre Lutero e Edwards encontra-se John Owen, o Príncipe dos Puritanos, que representa três gerações de puritanos ingleses, que desdobraram a fé reformada em uma admirável combinação de doutrina, experiência e prática. Seguindo essa tradição, mas enfrentando diferentes pressões, Jonathan Edwards escreveu o clássico Religious Affections (Afeições Religiosas), no qual ele mostrou o que constitui e o que não constitui os elementos da conversão autêntica.
Jonathan Edwards ministrou como pastor em uma nação jovem que estava em desenvolvimento. Ele trabalhou arduamente nas fronteiras de perigo e conflito constantes, entre os índios, franceses, católicos e protestantes ingleses. Edwards foi um pensador arguto e um filósofo cristão que viveu no clímax do conflito espiritual contra o deísmo e o racionalismo. B. B. Warfield o descreveu como uma figura de verdadeira grandeza na vida intelectual da América colonial.1



O Teólogo do Avivamento
Jonathan Edwards foi o mais perspicaz dos primeiros filósofos da América, o mais brilhante e original de todos os teólogos da América. De modo contrário a George Whitefield, que pregava de improviso e, conforme os seus contemporâneos, nunca titubeava, Edwards escrevia todos os seus sermões; e, se tivesse de pregar utilizando breves anotações, teria dificuldade em fazê-lo. Até hoje o seu sermão Pecadores nas Mãos de um Deus Irado é um dos mais famosos na América.
Os batistas são fascinados pelo esforço de Edwards em direção a uma igreja pura, evidenciado na controvérsia sobre a Ceia do Senhor (Aliança Parcial), que foi uma das causas de sua demissão de Northampton, em 1750. Alguns são fascinados pelas obras-primas de Edwards, Freedom of the Will (Liberdade da Vontade) e The Nature of True Virtue (A Natureza da Verdadeira Virtude).
Embora estes assuntos sejam importantes, meu ponto de vista é que as principais contribuições de Edwards para a Igreja de Cristo, em todos os lugares, são os seus pensamentos e os seus livros sobre avivamento. Ele é digno do título “O Teólogo do Avivamento”. Os puritanos ingleses nunca utilizaram a palavra avivamento, embora a teologia deles fosse tendente ao avivamento.
Meu propósito é delinear o progresso do interesse e dos escritos de Edwards sobre avivamento.

Em 1734/35, um poderoso avivamento espiritual sobreveio a Northampton. Edwards o descreveu em um livro intitulado A Narrative of Surprising Conversions (Uma Narrativa de Conversões Surpreendentes).As definições de avivamento são diversas. A descrição de Edwards é, em si mesma, uma definição.
Nos últimos dias de dezembro de 1734, o Espírito de Deus começou a agir de modo extraordinário e a operar maravilhosamente entre nós. E houve, inesperadamente, cinco ou seis pessoas que, de acordo com todas as aparências, foram convertidas para a salvação, uma após outra... Nas primeiras semanas de 1735, uma preocupação sincera a respeito das grandes coisas do cristianismo e do mundo eterno envolveu, de modo abrangente, todas as pessoas de todas as idades e posições, bem como de todos os lugares da cidade. Todas as outras conversas, exceto as conversas sobre as coisas eternas e espirituais, eram logo deixadas de lado. Todas as conversas, em todos os lugares, entre todas as pessoas, em todas as ocasiões, se referiam apenas a estas coisas, a menos que fosse necessário as pessoas realizarem suas atividades seculares... As mentes das pessoas estavam admiravelmente desprendidas deste mundo, que, entre nós, era considerado algo de pouca importância. Tal mudança de convicção produziu rapidamente uma diferença visível na vida da cidade.
A maior de todas as mudanças ocorreu no próprio templo da igreja. Naquele tempo, as nossas reuniões eram lindas: a igreja se mostrava viva na adoração a Deus; todos estavam sinceramente atentos na adoração pública; todos os ouvintes anelavam ouvir as palavras do pastor, conforme estas saíam de seus lábios; a congregação geralmente derramava lágrimas, quando a Palavra de Deus era pregada. Alguns choravam de tristeza e consternação; outros, de alegria e amor; outros, de piedade e compaixão pelas almas de seus vizinhos.
Em 1739, com 36 anos de idade, Edwards pregou uma extensa série de sermões na qual ele examinou toda a história da raça humana, desde a Criação até à segunda vinda de Cristo. Esta série de sermões foi publicada como A History of the Work of Redemption (Uma História da Obra de Redenção). Edwards antecipava que através de derramamentos do Espírito Santo todos os inimigos de Cristo serão finalmente derrotados, em especial o Anti-cristo (que Edwards, assim como todos os reformadores e puritanos ingleses, considerava ser o papado) e o falso profeta. De acordo com Romanos 11, Edwards acreditava que os judeus serão convertidos e que isso será o prenúncio de um crescimento massivo da Igreja, em todo o mundo. O evangelho será, então, pregado com mais clareza e será mais eficaz em sua aplicação, levando à paz. Distorções do evangelho serão removidas, e as seitas, reduzidas a nada. Tudo isto será realizado não por príncipes, ou seja, não por poderes humanos ou líderes políticos, e sim por intermédio do Espírito Santo, utilizando os meios da graça (Zacarias 4.6). Toda a Criação, argumentava Edwards, é apenas o palco da grande obra de redenção. Todas as coisas trabalham juntas em direção ao objetivo de tudo, que é a glória do Deus Triúno, na redenção e na formação da nova terra e dos novos céus.
O avivamento ocorrido em Northampton, que se espalhou por outras cidades, inspirou aquela série de sermões. Ora, um avivamento ainda mais abrangente sobreveio à Nova Inglaterra. Em 1740/41, o Grande Despertamento “irrompeu nas igrejas dormentes da Nova Inglaterra, como um trovão e relâmpago surgindo de um céu límpido”. De modo diferente de 1735, este avivamento alcançou todo o país. O principal instrumento deste aviva-mento foi George Whitefield, que tinha apenas 25 anos de idade. O caráter deste avivamento pode ser vislumbrado nas palavras seguintes.
O agricultor Natan Cole relatou sua experiência. Ele estava trabalhando quando um vizinho lhe contou que George Whitefield estava chegando.
Eu estava trabalhando em minha lavoura. Trouxe as ferramentas e o arado para casa, ordenei à esposa que se aprontasse para ouvirmos o Sr. Whitefield, em Middletown. Corri com todas as minhas forças para apanhar o cavalo no pasto, temendo que chegaria atrasado para ouvir o Sr. Whitefield. Trouxe o cavalo até a casa, montei rapidamente, bem como a minha esposa, e fomos com tanta rapidez quanto o cavalo podia agüentar... Eu desceria, correria e diria à esposa que cavalgasse tão rápido quanto pudesse; e correria... até que ficasse quase sem fôlego... fiz isso várias vezes, para favorecer o cavalo, pois tínhamos quase 19 quilômetros para percorrer em pouco mais do que uma hora. Em terras mais altas, vi diante de mim uma nuvem ou nevoeiro surgindo e ouvi um barulho semelhante ao estrondo de cascos de cavalos vindo pela estrada... Quando cheguei a 100 metros da estrada, pude ver uma torrente de cavalos, com seus cavaleiros... Chegamos até eles, e não ouvi nenhum homem falando palavra alguma, durante todo o caminho. Todos seguiam com grande pressa; e, quando chegamos à velha casa de reuniões, ali havia uma grande multidão — disseram que três ou quatro mil pessoas estavam reunidas. Descemos de nossos cavalos e sacudimos a poeira, e os pastores estavam vindo à casa de reuniões. Virei-me, olhei em direção ao grande rio e vi barcos navegando rapidamente, para lá e para cá, trazendo grande número de pessoas, que pareciam lutar pela vida. Em um raio de 19 quilômetros, não vi ninguém trabalhando nos campos.
Nos lugares em que George Whitefield pregava na Nova Inglaterra, o Espírito Santo era derramado e grandes multidões se reuniam. Em determinado lugar, 25.000 pessoas se reuniram para ouvir Whitefield. Este número representa a maior concentração de pessoas daquela época.

Jonathan Edwards defendia, em especial, o avivamento, resguardando-o dos seus críticos. Em 1746, depois de pregar uma série de sermões sobre este assunto e depois de muita revisão, ele publicou o seu Treatise on Religious Affections (Tratado sobre Afeições Religiosas), que é o seu livro mais lido.

Em 1747, ele publicou um tratado sobre Zacarias 8.20-22, que saiu da imprensa com o longo e descritivo título
Uma Tentativa Humilde de Promover Harmonia Explícita e União Visível do Povo de Deus na Oração Extraordinária, em Favor do Avivamento do Cristianismo e do Avanço do Reino de Cristo na Terra, conforme as Escrituras — Promessas e Profecias Sobre os Últimos Dias.
Este livro, de 180 páginas, formato pequeno e acabamento em brochura, foi enviado pelos correios a John Erskine (1721-1803), na Escócia. Nesse tempo, John Ryland Jr. estava se correspondendo com Erskine; e foi através deste que Jonhn Ryland Jr. recebeu uma cópia de Uma Tentativa Humilde. John Ryland compartilhou o tratado com John Sutcliff (1752-1814). O interesse se espalhou, e foram organizadas reuniões de oração mensais suplicando avivamento. A oração especial em favor de avivamento se espalhou por todas as denominações. A atividade de intercessão foi o início de uma época notável de despertamento espiritual nas ilhas britânicas. Também é digno de nota o fato de que esse tempo de oração especialmente intercessória marca o início do Grande Despertamento Missionário, no qual William Carey foi o pioneiro.
O que serviu de excepcional encorajamento para Edwards foi a entrada de David Brainerd em sua vida —um assunto sobre o qual se expressou mais tarde. Em uma terça-feira, 28 de maio de 1747 (na época em que Edwards preparava-se para a publicação de um tratado que convocava os crentes a um pacto de oração), David Brainerd entrou no jardim da casa pastoral, em Northampton. Edwards, cujos pensamentos estavam engajados na visão de uma obra missionária de alcance mundial, havia se encontrado com Brainerd apenas uma vez. Agora, por meio de um contato mais achegado, eles conversariam mais profundamente sobre a experiência de trabalhar entre os índios e, em particular, sobre um conhecimento detalhado do despertamento espiritual entre eles. A história de David Brainerd nos comove profundamente: suas lutas com a total depravação e rejeição do evangelho por parte dos índios, seu desespero íntimo por causa dessa rejeição e, acima de tudo, sua piedade transparente.
Embora limitado em vigor físico, Brainerd se entregou, de modo incansável e sacrificial, aos índios entre os quais ele testemunharia um maravilhoso despertamento espiritual. Ele morreu de tuberculose, na casa de Edwards, com a idade de 29 anos, deixando seu diário na posse de Edwards. Este diário constituiu a base de sua biografia, escrita por Jonathan Edwards, que, no devido tempo, se tornou seu livro mais popular. Este livro foi reconhecido como a primeira biografia de um missionário impressa nos Estados Unidos e causou grande impacto na causa de missões, mais do que qualquer outro livro. Foi o avivamento entre os índios que deu poder à biografia de Brainerd e que tanto nos prende o interesse.
James I. Packer, em uma palestra apresentada na Conferência Puritana de Londres, em 1961, resumiu de modo proveitoso o ensino de Edwards sobre o avivamento, empregando três tópicos:
1. O avivamento é uma obra extraordinária de Deus, o Espírito Santo, revigorando e propagando a piedade cristã em uma comunidade.
O avivamento é uma obra extraordinária porque marca uma reversão abrupta de uma tendência arraigada e um estado de coisas entre aqueles que professam ser o povo de Deus. Contemplar Deus revigorando sua igreja significa pressupor que a igreja estivera, anteriormente, moribunda e se tornara dormente.
2. Os avivamentos têm um lugar central nos propósitos revelados de Deus.
“O objetivo de Deus em criar o mundo”, declarou Jonathan Edwards, “era preparar um reino para o seu Filho (pois Ele foi designado o herdeiro do mundo)”. Este objetivo tem de se cumprir, primeiramente por intermédio da realização da obra redentora da parte de Cristo, no Calvário; depois, por intermédio do triunfo do seu reino. “Todas as dispensações da providência divina, desde a ascensão de Cristo até à consumação final de todas as coisas, têm o propósito de outorgar a Cristo a sua recompensa e cumprir seu objetivo naquilo que Ele fez e sofreu na terra.” Um domínio universal está prometido a Cristo e, nesse ínterim, antes da consumação final, o Pai implementa esta promessa, em parte, por meio de derramamentos sucessivos do Espírito, os quais comprovam a realidade do reino de Cristo para um mundo céptico e servem para estender seus limites entre seus antigos inimigos.
3. Os avivamentos são as mais gloriosas obras de Deus no mundo.
Edwards insistia nisto, para envergonhar todos aqueles que não professavam qualquer interesse no avivamento divino que sobreviera à Nova Inglaterra e insinuavam, por sua atitude, que a mente de um crente deveria se ocupar mais proveitosamente com outros assuntos.
“Em sua natureza e realização, esta obra é a mais gloriosa de qualquer das obras de Deus” — Edwards protestou. “É a obra da redenção (o grande objetivo de todas as outras obras de Deus e da qual a obra de criação foi apenas uma sombra). É a obra da nova criação, que é infinitamente mais gloriosa do que a velha criação. Ouso dizer que a obra de Deus na conversão de uma alma... é uma obra mais gloriosa do que a criação de todo o universo material.”
Conclusão
A igreja universal possui dimensões tão amplas, que não sabemos quantos dos seus membros sentem este mesmo fardo de Jonathan Edwards. O Espírito Santo é o Espírito de graça e de súplicas. Ele impulsiona o seu povo a orar. A intercessão é quase sempre o precursor de um avivamento espiritual. É impossível pensarmos em qualquer outra maneira pela qual o mundo será ganho para Cristo.

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A SABEDORIA DE DEUS NA MORTE SUBSTITUTIVA DE CRISTO.















"Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais"

Efésios 3.10

A sabedoria revelada na salvação por meio de Jesus Cristo está muito além da sabedoria dos anjos. Nesse texto, ela é citada como um meio de revelar o plano Deus para a nossa salvação, a fim de que os anjos possam ver e conhecer o quão grande e multiforme é a sabedoria de Deus; de forma que a sabedoria divina seja exposta diante dos olhos dos anjos para que eles a admirem. Essa sabedoria é mencionada como um tipo de sabedoria que eles jamais haviam visto, nem sequer em Deus, muito menos neles mesmos. Afim de que, agora, quatro mil anos após a criação, a multiforme sabedoria de Deus pudesse se fazer conhecida. Durante todo esse tempo, os anjos haviam observado a face de Deus e estudado as obras de Sua criação. Apesar disso, até esse dia, eles jamais haviam visto algo semelhante. Jamais haviam compreendido o quanto a sabedoria de Deus é multiforme, da forma como eles a compreendem agora, por meio da igreja!...

1. Consideremos a escolha da pessoa DO nosso Redentor. Quando Deus designou a redenção da humanidade, Sua grande sabedoria revelou-se no fato de que Ele mesmo determinou que o Seu Único Filho fosse a pessoa que executaria essa tarefa. Ele era o redentor escolhido pelo próprio Deus e, por essa razão, é chamado nas Escrituras de "O Escolhido de Deus" (Is 42.1). A sabedoria na escolha dessa Pessoa se manifesta no fato dEle ser, em todos os aspectos, a pessoa mais apropriada para executar essa tarefa. Era necessário que a pessoa do redentor fosse uma pessoa divina. Ninguém, senão um ser divino era competente o suficiente para essa grande obra. Ela era totalmente inadequada para qualquer outra criatura. Era imprescindível que o redentor dos pecadores fosse infinitamente santo em si mesmo. Ninguém poderia remover a infinita maldade do pecado, senão alguém que fosse infinitamente separado do pecado e contra o pecado. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Para que a pessoa fosse competente o suficiente para realizar essa tarefa, era imprescindível que ela fosse uma pessoa infinitamente digna e excelente e pudesse ser merecedora de infinitas bênçãos. E em relação a esse aspecto, o Filho de Deus é pessoa mais adequada. Era necessário que essa pessoa fosse alguém com sabedoria e poder infinitos, pois essa era uma obra tão difícil que exigia alguém com esses atributos. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Era imprescindível que essa pessoa fosse muito amada por Deus Pai para que Ele concedesse um valor infinito ao acordo feito entre os dois, devido a Sua estima por essa pessoa, de modo que o amor do Pai por essa pessoa pudesse equilibrar a ofensa e a provocação causada pelos nossos pecados. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor. Somos aceitos pelo Pai, "no Amado" (Ef 1.6).

Era imprescindível que essa pessoa fosse alguém com autoridade absoluta para agir por si mesmo; alguém que não fosse um sevo ou um súdito, pois alguém que não pudesse agir por sua própria autoridade não teria valor algum. Aquele que fosse um servo e não pudesse fazer nada além do que aquilo que era obrigado a fazer não seria digno para essa tarefa. E aquele que não possuía coisa alguma que não fosse absolutamente sua não poderia pagar o preço da redenção de outro. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor. Ninguém, senão um ser divino poderia ser adequado para ser esse redentor. Essa pessoa deveria ser alguém que possuísse misericórdia e graça infinitas, pois nenhuma outra pessoa, senão alguém como Ele, poderia realizar uma obra tão difícil em prol de uma criatura tão indigna quanto o homem. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Era imprescindível que essa pessoa possuísse verdade e fidelidade perfeitas e imutáveis. Caso contrário, não seria uma pessoa adequada, de quem poderíamos depender para realizar tamanha tarefa. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

A sabedoria de Deus em escolher Seu Filho Eterno se manifesta não somente no fato dEle ser a pessoa mais adequada, mas também no fato dEle ser aúnica Pessoa adequada dentre todas, quer criadas ou não. Nenhum ser criado – quer fosse homem, quer fosse anjo – era adequado para realizar essa tarefa... Isso revela a sabedoria divina em saber que Cristo era a pessoa adequada. Nenhum outro, senão Aquele que possui a sabedoria divina poderia conhecer esse fato. Nenhum outro, senão Aquele que possui a sabedoria divina poderia pensar em Cristo para ser o redentor dos pecadores. Pois, visto que Cristo também é Deus, Ele é uma das Pessoas contra Quem o homem pecou e que foi ofendida pelo pecado de rebelião do homem. Quem, senão o Deus infinitamente sábio poderia pensar em Cristo para ser o redentor de pecadores que haviam pecado contra Ele, os quais eram Seus inimigos e mereciam o mal infinito de Suas mãos? Quem poderia pensar nEle como Aquele que colocaria o Seu coração no homem e teria amor e compaixão infinitos por ele, exibindo sabedoria, poder e merecimento infinitos pela redenção do homem? Mas podemos ir além disso.

2. Consideremos a mANEIRA COMO essa Pessoa IRIA NOS SubstituIR. Após escolher a pessoa para ser o nosso Redentor, o passo seguinte da sabedoria divina seria escolher a maneira pela qual essa pessoa realizaria a obra da redenção. Se Deus tivesse revelado quem realizaria essa obra e não tivesse revelado nada além disso, nenhuma outra criatura poderia imaginar a maneira pela qual essa pessoa realizaria essa obra. E se Deus tivesse dito a elas que o Seu Filho Unigênito seria o Redentor, e que somente Ele era pessoa adequada e suficientemente competente para essa tarefa, mas tivesse pedido às Suas criaturas que planejassem a maneira como essa Pessoa, adequada e competente, deveria proceder, poderíamos imaginar que toda a sabedoria humana criada seria considerada um esforço inútil para fazer tal suposição.

A primeira coisa que deveria ser feita seria transformar esse Filho de Deus em nosso Representante e Fiador, de modo que Ele fosse um substituto no lugar do pecador. Mas qual das inteligências criadas poderia conceber algo como: o Filho de Deus, eterno e infinitamente amado, sendo o substituto no lugar dos pecadores? O Filho de Deus no lugar de um pecador, de um rebelde, de um objeto da ira de Deus? Quem poderia pensar numa pessoa que possui glória infinita representando vermes pecadores, os quais se tornaram infinitamente provocadores e abomináveis por causa de seu pecado? Pois se o Filho de Deus fosse o substituto do pecador, conseqüentemente, o pecado do pecador deveria ser lançado sobre Ele. Ele precisaria levar a culpa do pecador sobre Si. Teria de submeter-Se à mesma Lei à qual o homem estava sujeito, tanto no que se refere aos mandamentos, quanto no se refere às punições. Quem poderia pensar em semelhante coisa com relação ao Filho de Deus? Mas podemos ir além disso.

3. Consideremos a encarnação de Jesus Cristo. O passo seguinte da sabedoria de Deus para planejar a forma como Cristo realizaria a obra da redenção dos pecadores seria determinar a Sua encarnação. Imagine se Deus tivesse revelado para as mentes criadas que Seu Filho Unigênito seria a Pessoa escolhida para realizar a obra da redenção; que Ele havia sido designado para ser o Substituto do pecador e levar suas as dívidas e a sua culpa sobre Si mesmo, e não houvesse revelado nada além disso; mas deixasse que essas mentes criadas adivinhassem o restante do plano. Não haveria probabilidade alguma de que, mesmo após essa revelação, elas pudessem imaginar a maneira pela qual essa Pessoa realizaria a obra da redenção. Pois, para que o Filho de Deus fosse o substituto no lugar do pecador, Ele teria de tomar para Si a dívida que pertencia ao pecador e viver aqui, em perfeita obediência à Lei de Deus. Mas seria pouco provável que alguma criatura conseguisse imaginar uma forma de tornar isso possível. Como uma Pessoa que é o próprio Jeová eterno poderia se tornar um servo, ficar sujeito à Lei e viver em perfeita obediência, inclusive no que se refere às leis dos homens?

Além disso, se o Filho de Deus fosse o substituto no lugar do pecador, Ele teria de se sujeitar a receber a punição que o pecado do homem merecia, pois essa era a obrigação do pecador. Quem imaginaria que isso seria possível? Pois, como uma Pessoa divina, que é infinitamente feliz e imutável em Sua essência, poderia sofrer dor e tormentos? Como Alguém que é o objeto do amor precioso e infinito de Deus poderia sofrer a ira de Seu próprio Pai? Não podemos imaginar que a sabedoria criada pudesse encontrar uma maneira de superar essas dificuldades. Entretanto, a sabedoria divina descobriu um meio, a saber, pela encarnação do Filho de Deus. O Verbo deveria tornar-se carne; ser Deus e homem em uma única Pessoa. Mas qual mente criada poderia conceber isso como possível?...

Mas, e se Deus tivesse revelado que isso seria possível, e que isso realmente aconteceria, mas deixasse que elas descobrissem o modo como isso seria feito. Podemos imaginar que elas ficariam embaraçadas e confusas para pensar em um modo de unir um homem ao eterno Filho de Deus, de forma que Eles fossem uma só Pessoa; pois essa Pessoa teria de ser verdadeiramente homem em todos os aspectos e, ao mesmo tempo, ser o mesmo Filho de Deus, que estava com Deus desde a eternidade. Esse é um grande mistério para nós. Por meio da encarnação, Aquele que é infinito, onipotente e imutável tornou-se, até certo ponto, um homem finito, frágil; sujeito às nossas fraquezas, emoções e calamidades, mas sem pecado! Desse modo, o grande Deus, o soberano dos céus e da terra, passou a ser um verme da terra. "Mas eu sou verme e não homem" (Sl 22.6). Por meio dessa união, Aquele que é eterno e auto-existente nasceu de uma mulher! Aquele que é o Espírito não criado vestiu-se de carne e sangue como um de nós! Aquele que é independente, auto-suficiente e todo-suficiente passou a ter necessidade de alimento e de roupas. Ele fez-se pobre e não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20); chegou a ter necessidade da caridade dos homens e foi mantido por ela! Conceber como isso poderia acontecer é algo que está muito além de nossa capacidade mental! Isso é um grande milagre e um mistério para nós, mas não é um mistério para a sabedoria divina.

4. O próximo Aspecto a ser considerado é a vida de Cristo neste mundo. A sabedoria de Deus se manifesta na condição de vida, na obra e nos interesses de Cristo.

(1) Sua condição de vida. Se Deus tivesse revelado que Seu próprio Filho se encarnaria e viveria neste mundo com uma natureza humana; e se Ele tivesse deixado que o homem designasse a condição de vida mais adequada a Ele; a sabedoria humana teria designado que Ele se manifestasse ao mundo da forma mais magnífica, com uma aparência exterior extraordinária, cheio de honra, autoridade e com um poder muito superior aos dos reis da terra; reinando sobre todas as Nações, com esplendor e pompa visíveis. Isso foi o que a sabedoria humana havia concluído antes de Cristo vir ao mundo. Os sábios, os grandes dentre os judeus, os escribas e fariseus, os quais são chamados de "poderosos deste século" (1 Co 2.6-8), esperavam que o Messias se manifestasse dessa maneira. Mas a sabedoria de Deus escolheu exatamente o contrário. Ela determinou que, quando o Filho de Deus fosse se tornar homem, Ele deveria começar Sua vida em uma estrebaria; habitar neste mundo como um anônimo, durante muitos anos, com uma família de classe baixa, e ter uma condição de vida simples; que fosse pobre e não tivesse onde reclinar a cabeça; que vivesse da caridade de alguns de Seus discípulos; que crescesse como um "renovo perante ele e como raiz de uma terra seca" (Is 53.2); que não clamasse, nem gritasse, nem fizesse ouvir a sua voz na praça (Is 42.2); que fosse para Sião de modo humilde, montado em um jumento, num jumentinho, cria de jumenta (Zc 9.9; Mt 21.5); que fosse desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabia o que era padecer (Is 53.3).

E agora que a determinação divina se fez conhecida, podemos concluir, com segurança, que essa era a maneira mais adequada, e que não seria apropriado que Deus se manifestasse em carne com pompa terrena, riquezas e majestade. Não! Essas coisas são infinitamente inferiores e desprezíveis para que o Filho de Deus as desejasse ou valorizasse. Se os homens tivessem recebido uma proposta como essa, eles prontamente a rejeitariam, considerando-a tola e inadequada para o Filho de Deus. Mas "a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens" (1 Co 1.25). Deus resolveu reduzir a nada a sabedoria deste mundo, bem como a sabedoria dos poderosos desta época (1 Co 2.6). E assim, Cristo, por manifestar-Se visivelmente ao mundo em uma condição de vida simples e pobre, desprezou todas as riquezas e glórias humanas e nos ensinou a desprezá-las. E se convém a homens insignificantes desprezar essas coisas, quanto mais convinha ao Filho de Deus! Pela encarnação, Cristo nos ensinou a sermos humildes de coração. Se Ele, que é infinitamente sublime e magnífico, foi tão humilde, quanto mais nós, que somos tão desprezíveis, deveríamos ser humildes.

(2) A sabedoria de Deus se manifesta na obra de Cristo e nos interesses que Ele tinha. Essa sabedoria se manifesta principalmente no fato de que Ele deveria obedecer a Lei de Deus com perfeição, mesmo diante de tentações tão grandes; precisaria passar por conflitos contra os poderes da terra e do inferno e superá-los no caminho da obediência, por nossa causa; e teria de sujeitar-Se não somente à Lei Moral, mas também às leis cerimoniais, que eram um jugo pesado de servidão. Cristo cumpriu o Seu ministério público até o fim, entregando-nos as instruções e as doutrinas divinas. A sabedoria de Deus se manifesta no fato de Ele ter nos dado uma Pessoa divina para ser o nosso Profeta e Mestre. Aquele que é a própria sabedoria e Palavra de Deus; que existia desde a eternidade no seio do Pai. Sua palavra possui maior autoridade e influência do que do que a palavra pronunciada pela boca de um profeta comum. E como foi sábio determinar que uma mesma pessoa fosse o nosso Mestre e Redentor, de modo que Sua relação conosco e Seus ofícios como Redentor pudessem tornar Suas instruções mais valiosas e agradáveis para nós. Estamos sempre dispostos a prestar atenção àquilo que as pessoas que nos são preciosas nos dizem. O nosso amor por elas faz com que nos deleitemos com sua conversa. Por essa razão, foi sábio da parte de Deus determinar que Aquele que fez muito para se tornar estimado por nós fosse apontado como o nosso grande Profeta, para nos entregar as doutrinas divinas.

5. O próximo ASPECTO a ser considerado é a morte de Cristo. Esse meio para salvar pobres pecadores não poderia ser escolhido de outra maneira, senão pela sabedoria divina. Quando esse meio de salvação foi revelado, sem dúvida foi uma grande surpresa para todas as hostes celestiais; e elas nunca se cansarão de se maravilhar com isso. Quão espantoso é o fato de que Aquele que é eternamente bendito e infinitamente feliz em Sua essência tenha suportado os maiores sofrimentos que jamais foram suportados na terra! Que Alguém que é o Supremo Senhor e Juiz tenha sido levado a um tribunal de vermes mortais e condenado! Que Alguém que é o Deus Vivo e a fonte da vida tenha sido levado à morte! Que Alguém que criou o mundo e deu vida a todas as Suas criaturas tenha sido morto por suas próprias criaturas! Que Alguém com infinita majestade e glória – o objeto do amor, dos louvores e da adoração dos anjos – tenha sido escarnecido e desprezado pelos homens mais perversos. Que Alguém que é infinitamente bom e é amor em Si mesmo tenha sofrido a maior de todas as crueldades. Que Alguém que é infinitamente amado pelo Pai tenha sido deixado em agonia indizível sob a ira de Seu próprio Pai. Que Aquele que é o Rei dos céus, que tem os céus por Seu trono e a terra por estrado de Seus pés, tenha sido encerrado na prisão de um sepulcro. Como tudo isso é espantoso! Apesar disso, esse foi o meio que a sabedoria de Deus determinou como o meio de salvação dos pecadores; o qual não é inadequado, nem desonroso para Cristo.

6. A última OBRA realizada para obter salvação para os pecadores FOI a exaltação de Cristo. A sabedoria de Deus considerou necessário, ou melhor, mais propício que a mesma Pessoa que morreu na cruz se sentasse à destra de Deus, no Seu próprio trono, como o supremo governador do mundo; e que tivesse poder absoluto sobre todas as coisas concernentes à salvação do homem; e que fosse o Juiz do mundo. Isso era necessário porque era imprescindível que a mesma Pessoa que adquiriu a salvação pudesse concedê-la gratuitamente; pois não era adequado que Deus tratasse com as criaturas caídas de um outro modo misericordioso que não fosse por meio de um mediador. Isto é extraordinário para o fortalecimento da fé e conforto dos santos: que todas as coisas, nos céus e na terra, fossem entregues nas mãos Daquele que suportou tantas adversidades para adquirir a salvação dos pecadores; que Aquele que lhes adquiriu a vida eterna pudesse concedê-la a eles; que a mesma Pessoa que os amou tanto, ao ponto de derramar Seu precioso sangue por eles, fosse o seu Juiz no dia final.

Este é um outro fato espantoso: que Aquele que era homem e também Deus, que foi um servo e morreu como um malfeitor, viesse a ser o Soberano Senhor dos céus e da terra, dos anjos e dos homens; o absoluto doador da vida e da morte eterna; o supremo Juiz de todos os seres inteligentes criados, por toda a eternidade; e que Lhe tenha sido entregue todo o poder de governo de Deus Pai, não somente como Deus, nem somente como alguém que possui a natureza humana, mas como Deus-homem.

E assim como é espantoso que Alguém que é verdadeiramente divino tenha se humilhado de tal maneira, ao ponto de tornar-se um servo e sofrer como um malfeitor. E como também é espantoso que Aquele que é Deus-homem, não unicamente humano, seja exaltado com o poder e a honra do grande Deus dos céus e da terra. No entanto, milagres como esses revelam a infinita sabedoria divina, planejada e executada, a fim de nos conceder a salvação.

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Extraído de "The Wisdom of God Displayed in the Way of Salvation" (A Sabedoria de Deus Demonstrada no Meio de Salvação) in The Works of Jonathan Edwards (A Obra de Jonathan Edwards), V. 2, reeditado por Banner of Thuth Trust.

Traduzido por: Waléria Coicev

Copyright© Editora FIEL 2009.



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UMA APRECIAÇÃO DE JONATHAN EDWARS.






Tom. E. Nettles

Em outubro de 2003, aconteceu o aniversário de 300 anos de nascimento de Jonathan Edwards. Devemos expressar gratidão coletiva a Deus pelo impacto positivo deste servo tão dotado em favor da obra do evangelho, em geral, e pelo seu impacto positivo sobre os batistas, em particular.

Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703. Ele era o quinto filho e o primeiro homem dos sete filhos de Timothy e Esther Edwards. Seu pai viera ministrar na igreja de East Windsor (Estado de Massachusetts), em 1694, quando tinha 25 anos de idade. E ali permaneceu durante todo o resto de sua vida. Timothy Edwards era zeloso pela causa do evangelho, bem como pela espiritualidade e educação de seus filhos. Jonathan foi o recipiente mais feliz deste zelo. Ele nunca se ressentiu desse cuidado de seu pai; em vez disso, considerou uma das maiores graças o ter sido criado e educado nessa atmosfera. Jonathan aprendeu a encorajar a si mesmo e a esforçar-se mais do que seu pai poderia ter sonhado em fazê-lo.

Ele realizou seus estudos universitários entre 1716-1720, em Yale, e concluiu seu mestrado em 1722. De 1722 até 1724, ele serviu como pastor interino em duas igrejas, permanecendo menos do que um ano em cada uma delas, em Nova Iorque e Bolton (Estado de Connecticut). Um dos períodos espiritualmente mais traumáticos de sua vida ocorreu nos três anos em que ele serviu como tutor em Yale, num tempo de muita incerteza na faculdade, quando a sua administração se mostrava bastante instável. Em 1726, Jonathan viajou a Northampton, para ajudar seu avô, Solomon Stoddard, no ministério da igreja. Em 1727, ele se casou com Sarah Pierpont, o amor de sua vida. Seu avô faleceu em 1729; assim, Jonathan se tornou o pastor da igreja de Northampton. Ele permaneceu ali até que foi demitido em 1750, em meio a uma controvérsia a respeito de quem deveria receber a Ceia do Senhor.

Uma poderosa e inesperada intervenção do Espírito de Deus sobreveio a Northampton em 1735; pro- pagou-se em direção ao norte, até Northfield, e ao sul, alcançando as distantes cidades de Stratford, Guilford, Lyme e Groton, no Estado de Connecticut. Jonatahn Edwards se encontrava no meio de uma rigorosa defesa da justificação pela fé, experimentando criticismo por causa de seu biblicismo ousado e reformado, quando ocorreu a poderosa obra de conversão e avivamento. Ele relatou o fenômeno e analisou as diversas experiências espirituais em sua obra Faithful Narrative of the Surprising Work of God in the Conversion of Many Hundred Souls. A princípio, Jonathan confirmou a morfologia puritana da conversão, ao mesmo tempo que a modificou, por descrever a variedade nas experiências e por advertir contra a confiança carnal que todos os traumas produziam na conversão genuína. O alicerce que ele estabeleceu neste livro determinou o curso da obra de sua vida. Todos os seus escritos, daquela época até à sua morte, exploraram algum aspecto da experiência espiritual genuína. O caráter da liberdade humana, visto que está relacionada com as duas grandes realidades: a absoluta soberania de Deus e os abrangentes efeitos do pecado do homem, constitui a matriz de acordo com a qual a experiência cristã tem de ser gerada (ou regenerada). Ninguém falou a respeito deste assunto com tanta profundidade e perspicácia quanto Jonathan Edwards.

A grande obra de Edwards, que é também o mais completo exame das afeições humanas e, talvez, o livro mais importante escrito nos Estados Unidos é Religious Affections (Afeições Religiosas). Todo crente, especialmente todo ministro do evan- gelho, deveria ler este livro de Edwards e sentir-se desafiado a possuir maior zelo espiritual pela honra de Deus e um coração de pastor repleto de discernimento e compaixão.

Entretanto, ninguém deve esquecer que Jonathan Edwards foi, antes de tudo, um evangelista pastoral. Ele gastou toda a sua mente e todo impulso criativo para gravar no coração e mente de seu povo a necessidade, infinitamente importante, de arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Além de Jonathan Edwards, nenhuma outra pessoa foi capaz de retratar, de maneira tão desoladora, a condição humana, e de mostrar, de modo tão alarmante, o seu completo desespero; ninguém foi capaz de revelar a atratividade e a beleza constrangedora do Senhor Jesus, com maior seriedade e liberdade do que o fez Jonathan Edwards. Também, nenhum outro autor conseguiu incutir na mente de seus leitores a realidade e os propósitos da eternidade, tão bem como o fez Edwards. Ele procurou dispor cada elemento do evangelho e sua manifestação histórica no contexto de seu propósito crucial e de sua razão para ser justo como realmente é. Às vezes, parece que Edwards foi levado às portas do inferno, a fim de perceber o que significa estar sob uma ilimitada torrente da ira de Deus, e, em seguida, comissionado a relatar sua percepção. Subseqüentemente, parece que Edwards foi levado ao céu, a fim de contemplar o Senhor Jesus Cristo, em sua glória, bem como o incessante fluir do amor divino, entre o Pai e o Redentor res- suscitado e exaltado; após o que ele foi comissionado não a dizer a qualquer pessoa, e sim a expandir a linguagem humana, de modo que descrevesse a amabilidade do que tinha visto. O evangelismo de Jonathan Edwards possuía esse tipo de urgência imediata.

Que tipo de apelo ele apresentava aos seus ouvintes? Como poderia ele, um fiel calvinista, fazer exigências urgentes a uma assembléia de pecadores, escravizados a suas afeições hostis e sujeitos aos decretos da justiça e da misericórdia de Deus? Que teologia estava por trás deste coerente e sincero aspecto dos sermões de Edwards?
Jonathan Edwards cativa a mente e o coração. Aqueles que, com simpatia, estudam completamente os escritos de Edwards, acham difícil conceber a verdade bíblica em uma disposição melhor do que a apresentada por ele. Edwards consegue captar a maneira de expressão e a estrutura na qual eles percebem a importância da mensagem do evangelho. Talvez isso não seja sempre bom. Visto que não possuem a facilidade de argumentação filosófica de Edwards, disciplinada por seu coerente e amplo conhecimento das Escrituras no contexto de uma imersão na história da teologia cristã, os imitadores de Edwards podem se tornar obscuros e mais metafísicos, em vez de expositores que falam com clareza. Edwards não tinha essa característica; todavia, alguns de seus seguidores a têm demonstrado e, ao fazerem isso, revertem completamente o interesse teológico de Edwards. Ao mesmo tempo, uma apreciação moderada de Jonathan Edwards, no contexto de uma orientação rigorosamente bíblica, no que diz respeito à pregação, é capaz de produzir uma pregação edificante e convincente. Uma leitura meditativa nos sermões de Edwards pode alimentar a mente e resultar em um desejo sincero por ter mais de Deus, um desejo que permanecerá meses e anos.

Os batistas foram afetados dessa maneira. Com raras exceções, eles resistiram aos anelos metafísicos e se deleitaram com os escritos de Edwards, no contexto de sua inalterável devoção aos ditames da revelação bíblica. No entanto, os batistas desfrutaram realmente de Jonathan Edwards e se beneficiaram de seu poder espiritual e de sua peculiar estruturação da ortodoxia reformada. Os batistas de nossos dias não podem ser entendidos sem estarem cônscios da poderosa influência que Edwards exerceu. No que diz respeito à teologia, podemos argumentar com segurança que a Convenção dos Batistas do Sul nasceu da firmeza dos escritos de Jonathan Edwards. A obra missionária, bem como a defesa da liberdade religiosa, possui o aroma de Edwards.

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