quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

UMA APRECIAÇÃO DE JONATHAN EDWARS.






Tom. E. Nettles

Em outubro de 2003, aconteceu o aniversário de 300 anos de nascimento de Jonathan Edwards. Devemos expressar gratidão coletiva a Deus pelo impacto positivo deste servo tão dotado em favor da obra do evangelho, em geral, e pelo seu impacto positivo sobre os batistas, em particular.

Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703. Ele era o quinto filho e o primeiro homem dos sete filhos de Timothy e Esther Edwards. Seu pai viera ministrar na igreja de East Windsor (Estado de Massachusetts), em 1694, quando tinha 25 anos de idade. E ali permaneceu durante todo o resto de sua vida. Timothy Edwards era zeloso pela causa do evangelho, bem como pela espiritualidade e educação de seus filhos. Jonathan foi o recipiente mais feliz deste zelo. Ele nunca se ressentiu desse cuidado de seu pai; em vez disso, considerou uma das maiores graças o ter sido criado e educado nessa atmosfera. Jonathan aprendeu a encorajar a si mesmo e a esforçar-se mais do que seu pai poderia ter sonhado em fazê-lo.

Ele realizou seus estudos universitários entre 1716-1720, em Yale, e concluiu seu mestrado em 1722. De 1722 até 1724, ele serviu como pastor interino em duas igrejas, permanecendo menos do que um ano em cada uma delas, em Nova Iorque e Bolton (Estado de Connecticut). Um dos períodos espiritualmente mais traumáticos de sua vida ocorreu nos três anos em que ele serviu como tutor em Yale, num tempo de muita incerteza na faculdade, quando a sua administração se mostrava bastante instável. Em 1726, Jonathan viajou a Northampton, para ajudar seu avô, Solomon Stoddard, no ministério da igreja. Em 1727, ele se casou com Sarah Pierpont, o amor de sua vida. Seu avô faleceu em 1729; assim, Jonathan se tornou o pastor da igreja de Northampton. Ele permaneceu ali até que foi demitido em 1750, em meio a uma controvérsia a respeito de quem deveria receber a Ceia do Senhor.

Uma poderosa e inesperada intervenção do Espírito de Deus sobreveio a Northampton em 1735; pro- pagou-se em direção ao norte, até Northfield, e ao sul, alcançando as distantes cidades de Stratford, Guilford, Lyme e Groton, no Estado de Connecticut. Jonatahn Edwards se encontrava no meio de uma rigorosa defesa da justificação pela fé, experimentando criticismo por causa de seu biblicismo ousado e reformado, quando ocorreu a poderosa obra de conversão e avivamento. Ele relatou o fenômeno e analisou as diversas experiências espirituais em sua obra Faithful Narrative of the Surprising Work of God in the Conversion of Many Hundred Souls. A princípio, Jonathan confirmou a morfologia puritana da conversão, ao mesmo tempo que a modificou, por descrever a variedade nas experiências e por advertir contra a confiança carnal que todos os traumas produziam na conversão genuína. O alicerce que ele estabeleceu neste livro determinou o curso da obra de sua vida. Todos os seus escritos, daquela época até à sua morte, exploraram algum aspecto da experiência espiritual genuína. O caráter da liberdade humana, visto que está relacionada com as duas grandes realidades: a absoluta soberania de Deus e os abrangentes efeitos do pecado do homem, constitui a matriz de acordo com a qual a experiência cristã tem de ser gerada (ou regenerada). Ninguém falou a respeito deste assunto com tanta profundidade e perspicácia quanto Jonathan Edwards.

A grande obra de Edwards, que é também o mais completo exame das afeições humanas e, talvez, o livro mais importante escrito nos Estados Unidos é Religious Affections (Afeições Religiosas). Todo crente, especialmente todo ministro do evan- gelho, deveria ler este livro de Edwards e sentir-se desafiado a possuir maior zelo espiritual pela honra de Deus e um coração de pastor repleto de discernimento e compaixão.

Entretanto, ninguém deve esquecer que Jonathan Edwards foi, antes de tudo, um evangelista pastoral. Ele gastou toda a sua mente e todo impulso criativo para gravar no coração e mente de seu povo a necessidade, infinitamente importante, de arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Além de Jonathan Edwards, nenhuma outra pessoa foi capaz de retratar, de maneira tão desoladora, a condição humana, e de mostrar, de modo tão alarmante, o seu completo desespero; ninguém foi capaz de revelar a atratividade e a beleza constrangedora do Senhor Jesus, com maior seriedade e liberdade do que o fez Jonathan Edwards. Também, nenhum outro autor conseguiu incutir na mente de seus leitores a realidade e os propósitos da eternidade, tão bem como o fez Edwards. Ele procurou dispor cada elemento do evangelho e sua manifestação histórica no contexto de seu propósito crucial e de sua razão para ser justo como realmente é. Às vezes, parece que Edwards foi levado às portas do inferno, a fim de perceber o que significa estar sob uma ilimitada torrente da ira de Deus, e, em seguida, comissionado a relatar sua percepção. Subseqüentemente, parece que Edwards foi levado ao céu, a fim de contemplar o Senhor Jesus Cristo, em sua glória, bem como o incessante fluir do amor divino, entre o Pai e o Redentor res- suscitado e exaltado; após o que ele foi comissionado não a dizer a qualquer pessoa, e sim a expandir a linguagem humana, de modo que descrevesse a amabilidade do que tinha visto. O evangelismo de Jonathan Edwards possuía esse tipo de urgência imediata.

Que tipo de apelo ele apresentava aos seus ouvintes? Como poderia ele, um fiel calvinista, fazer exigências urgentes a uma assembléia de pecadores, escravizados a suas afeições hostis e sujeitos aos decretos da justiça e da misericórdia de Deus? Que teologia estava por trás deste coerente e sincero aspecto dos sermões de Edwards?
Jonathan Edwards cativa a mente e o coração. Aqueles que, com simpatia, estudam completamente os escritos de Edwards, acham difícil conceber a verdade bíblica em uma disposição melhor do que a apresentada por ele. Edwards consegue captar a maneira de expressão e a estrutura na qual eles percebem a importância da mensagem do evangelho. Talvez isso não seja sempre bom. Visto que não possuem a facilidade de argumentação filosófica de Edwards, disciplinada por seu coerente e amplo conhecimento das Escrituras no contexto de uma imersão na história da teologia cristã, os imitadores de Edwards podem se tornar obscuros e mais metafísicos, em vez de expositores que falam com clareza. Edwards não tinha essa característica; todavia, alguns de seus seguidores a têm demonstrado e, ao fazerem isso, revertem completamente o interesse teológico de Edwards. Ao mesmo tempo, uma apreciação moderada de Jonathan Edwards, no contexto de uma orientação rigorosamente bíblica, no que diz respeito à pregação, é capaz de produzir uma pregação edificante e convincente. Uma leitura meditativa nos sermões de Edwards pode alimentar a mente e resultar em um desejo sincero por ter mais de Deus, um desejo que permanecerá meses e anos.

Os batistas foram afetados dessa maneira. Com raras exceções, eles resistiram aos anelos metafísicos e se deleitaram com os escritos de Edwards, no contexto de sua inalterável devoção aos ditames da revelação bíblica. No entanto, os batistas desfrutaram realmente de Jonathan Edwards e se beneficiaram de seu poder espiritual e de sua peculiar estruturação da ortodoxia reformada. Os batistas de nossos dias não podem ser entendidos sem estarem cônscios da poderosa influência que Edwards exerceu. No que diz respeito à teologia, podemos argumentar com segurança que a Convenção dos Batistas do Sul nasceu da firmeza dos escritos de Jonathan Edwards. A obra missionária, bem como a defesa da liberdade religiosa, possui o aroma de Edwards.

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