quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O TEÓLOGO DO AVIVAMENTO.


 


Assim como Martinho Lutero permanece como o marco de uma nova época na História da Igreja, assim também Jonathan Edwards permanece como o limiar de um novo mundo evangélico, caracterizado por avivamentos. Entre Lutero e Edwards encontra-se John Owen, o Príncipe dos Puritanos, que representa três gerações de puritanos ingleses, que desdobraram a fé reformada em uma admirável combinação de doutrina, experiência e prática. Seguindo essa tradição, mas enfrentando diferentes pressões, Jonathan Edwards escreveu o clássico Religious Affections (Afeições Religiosas), no qual ele mostrou o que constitui e o que não constitui os elementos da conversão autêntica.
Jonathan Edwards ministrou como pastor em uma nação jovem que estava em desenvolvimento. Ele trabalhou arduamente nas fronteiras de perigo e conflito constantes, entre os índios, franceses, católicos e protestantes ingleses. Edwards foi um pensador arguto e um filósofo cristão que viveu no clímax do conflito espiritual contra o deísmo e o racionalismo. B. B. Warfield o descreveu como uma figura de verdadeira grandeza na vida intelectual da América colonial.1



O Teólogo do Avivamento
Jonathan Edwards foi o mais perspicaz dos primeiros filósofos da América, o mais brilhante e original de todos os teólogos da América. De modo contrário a George Whitefield, que pregava de improviso e, conforme os seus contemporâneos, nunca titubeava, Edwards escrevia todos os seus sermões; e, se tivesse de pregar utilizando breves anotações, teria dificuldade em fazê-lo. Até hoje o seu sermão Pecadores nas Mãos de um Deus Irado é um dos mais famosos na América.
Os batistas são fascinados pelo esforço de Edwards em direção a uma igreja pura, evidenciado na controvérsia sobre a Ceia do Senhor (Aliança Parcial), que foi uma das causas de sua demissão de Northampton, em 1750. Alguns são fascinados pelas obras-primas de Edwards, Freedom of the Will (Liberdade da Vontade) e The Nature of True Virtue (A Natureza da Verdadeira Virtude).
Embora estes assuntos sejam importantes, meu ponto de vista é que as principais contribuições de Edwards para a Igreja de Cristo, em todos os lugares, são os seus pensamentos e os seus livros sobre avivamento. Ele é digno do título “O Teólogo do Avivamento”. Os puritanos ingleses nunca utilizaram a palavra avivamento, embora a teologia deles fosse tendente ao avivamento.
Meu propósito é delinear o progresso do interesse e dos escritos de Edwards sobre avivamento.

Em 1734/35, um poderoso avivamento espiritual sobreveio a Northampton. Edwards o descreveu em um livro intitulado A Narrative of Surprising Conversions (Uma Narrativa de Conversões Surpreendentes).As definições de avivamento são diversas. A descrição de Edwards é, em si mesma, uma definição.
Nos últimos dias de dezembro de 1734, o Espírito de Deus começou a agir de modo extraordinário e a operar maravilhosamente entre nós. E houve, inesperadamente, cinco ou seis pessoas que, de acordo com todas as aparências, foram convertidas para a salvação, uma após outra... Nas primeiras semanas de 1735, uma preocupação sincera a respeito das grandes coisas do cristianismo e do mundo eterno envolveu, de modo abrangente, todas as pessoas de todas as idades e posições, bem como de todos os lugares da cidade. Todas as outras conversas, exceto as conversas sobre as coisas eternas e espirituais, eram logo deixadas de lado. Todas as conversas, em todos os lugares, entre todas as pessoas, em todas as ocasiões, se referiam apenas a estas coisas, a menos que fosse necessário as pessoas realizarem suas atividades seculares... As mentes das pessoas estavam admiravelmente desprendidas deste mundo, que, entre nós, era considerado algo de pouca importância. Tal mudança de convicção produziu rapidamente uma diferença visível na vida da cidade.
A maior de todas as mudanças ocorreu no próprio templo da igreja. Naquele tempo, as nossas reuniões eram lindas: a igreja se mostrava viva na adoração a Deus; todos estavam sinceramente atentos na adoração pública; todos os ouvintes anelavam ouvir as palavras do pastor, conforme estas saíam de seus lábios; a congregação geralmente derramava lágrimas, quando a Palavra de Deus era pregada. Alguns choravam de tristeza e consternação; outros, de alegria e amor; outros, de piedade e compaixão pelas almas de seus vizinhos.
Em 1739, com 36 anos de idade, Edwards pregou uma extensa série de sermões na qual ele examinou toda a história da raça humana, desde a Criação até à segunda vinda de Cristo. Esta série de sermões foi publicada como A History of the Work of Redemption (Uma História da Obra de Redenção). Edwards antecipava que através de derramamentos do Espírito Santo todos os inimigos de Cristo serão finalmente derrotados, em especial o Anti-cristo (que Edwards, assim como todos os reformadores e puritanos ingleses, considerava ser o papado) e o falso profeta. De acordo com Romanos 11, Edwards acreditava que os judeus serão convertidos e que isso será o prenúncio de um crescimento massivo da Igreja, em todo o mundo. O evangelho será, então, pregado com mais clareza e será mais eficaz em sua aplicação, levando à paz. Distorções do evangelho serão removidas, e as seitas, reduzidas a nada. Tudo isto será realizado não por príncipes, ou seja, não por poderes humanos ou líderes políticos, e sim por intermédio do Espírito Santo, utilizando os meios da graça (Zacarias 4.6). Toda a Criação, argumentava Edwards, é apenas o palco da grande obra de redenção. Todas as coisas trabalham juntas em direção ao objetivo de tudo, que é a glória do Deus Triúno, na redenção e na formação da nova terra e dos novos céus.
O avivamento ocorrido em Northampton, que se espalhou por outras cidades, inspirou aquela série de sermões. Ora, um avivamento ainda mais abrangente sobreveio à Nova Inglaterra. Em 1740/41, o Grande Despertamento “irrompeu nas igrejas dormentes da Nova Inglaterra, como um trovão e relâmpago surgindo de um céu límpido”. De modo diferente de 1735, este avivamento alcançou todo o país. O principal instrumento deste aviva-mento foi George Whitefield, que tinha apenas 25 anos de idade. O caráter deste avivamento pode ser vislumbrado nas palavras seguintes.
O agricultor Natan Cole relatou sua experiência. Ele estava trabalhando quando um vizinho lhe contou que George Whitefield estava chegando.
Eu estava trabalhando em minha lavoura. Trouxe as ferramentas e o arado para casa, ordenei à esposa que se aprontasse para ouvirmos o Sr. Whitefield, em Middletown. Corri com todas as minhas forças para apanhar o cavalo no pasto, temendo que chegaria atrasado para ouvir o Sr. Whitefield. Trouxe o cavalo até a casa, montei rapidamente, bem como a minha esposa, e fomos com tanta rapidez quanto o cavalo podia agüentar... Eu desceria, correria e diria à esposa que cavalgasse tão rápido quanto pudesse; e correria... até que ficasse quase sem fôlego... fiz isso várias vezes, para favorecer o cavalo, pois tínhamos quase 19 quilômetros para percorrer em pouco mais do que uma hora. Em terras mais altas, vi diante de mim uma nuvem ou nevoeiro surgindo e ouvi um barulho semelhante ao estrondo de cascos de cavalos vindo pela estrada... Quando cheguei a 100 metros da estrada, pude ver uma torrente de cavalos, com seus cavaleiros... Chegamos até eles, e não ouvi nenhum homem falando palavra alguma, durante todo o caminho. Todos seguiam com grande pressa; e, quando chegamos à velha casa de reuniões, ali havia uma grande multidão — disseram que três ou quatro mil pessoas estavam reunidas. Descemos de nossos cavalos e sacudimos a poeira, e os pastores estavam vindo à casa de reuniões. Virei-me, olhei em direção ao grande rio e vi barcos navegando rapidamente, para lá e para cá, trazendo grande número de pessoas, que pareciam lutar pela vida. Em um raio de 19 quilômetros, não vi ninguém trabalhando nos campos.
Nos lugares em que George Whitefield pregava na Nova Inglaterra, o Espírito Santo era derramado e grandes multidões se reuniam. Em determinado lugar, 25.000 pessoas se reuniram para ouvir Whitefield. Este número representa a maior concentração de pessoas daquela época.

Jonathan Edwards defendia, em especial, o avivamento, resguardando-o dos seus críticos. Em 1746, depois de pregar uma série de sermões sobre este assunto e depois de muita revisão, ele publicou o seu Treatise on Religious Affections (Tratado sobre Afeições Religiosas), que é o seu livro mais lido.

Em 1747, ele publicou um tratado sobre Zacarias 8.20-22, que saiu da imprensa com o longo e descritivo título
Uma Tentativa Humilde de Promover Harmonia Explícita e União Visível do Povo de Deus na Oração Extraordinária, em Favor do Avivamento do Cristianismo e do Avanço do Reino de Cristo na Terra, conforme as Escrituras — Promessas e Profecias Sobre os Últimos Dias.
Este livro, de 180 páginas, formato pequeno e acabamento em brochura, foi enviado pelos correios a John Erskine (1721-1803), na Escócia. Nesse tempo, John Ryland Jr. estava se correspondendo com Erskine; e foi através deste que Jonhn Ryland Jr. recebeu uma cópia de Uma Tentativa Humilde. John Ryland compartilhou o tratado com John Sutcliff (1752-1814). O interesse se espalhou, e foram organizadas reuniões de oração mensais suplicando avivamento. A oração especial em favor de avivamento se espalhou por todas as denominações. A atividade de intercessão foi o início de uma época notável de despertamento espiritual nas ilhas britânicas. Também é digno de nota o fato de que esse tempo de oração especialmente intercessória marca o início do Grande Despertamento Missionário, no qual William Carey foi o pioneiro.
O que serviu de excepcional encorajamento para Edwards foi a entrada de David Brainerd em sua vida —um assunto sobre o qual se expressou mais tarde. Em uma terça-feira, 28 de maio de 1747 (na época em que Edwards preparava-se para a publicação de um tratado que convocava os crentes a um pacto de oração), David Brainerd entrou no jardim da casa pastoral, em Northampton. Edwards, cujos pensamentos estavam engajados na visão de uma obra missionária de alcance mundial, havia se encontrado com Brainerd apenas uma vez. Agora, por meio de um contato mais achegado, eles conversariam mais profundamente sobre a experiência de trabalhar entre os índios e, em particular, sobre um conhecimento detalhado do despertamento espiritual entre eles. A história de David Brainerd nos comove profundamente: suas lutas com a total depravação e rejeição do evangelho por parte dos índios, seu desespero íntimo por causa dessa rejeição e, acima de tudo, sua piedade transparente.
Embora limitado em vigor físico, Brainerd se entregou, de modo incansável e sacrificial, aos índios entre os quais ele testemunharia um maravilhoso despertamento espiritual. Ele morreu de tuberculose, na casa de Edwards, com a idade de 29 anos, deixando seu diário na posse de Edwards. Este diário constituiu a base de sua biografia, escrita por Jonathan Edwards, que, no devido tempo, se tornou seu livro mais popular. Este livro foi reconhecido como a primeira biografia de um missionário impressa nos Estados Unidos e causou grande impacto na causa de missões, mais do que qualquer outro livro. Foi o avivamento entre os índios que deu poder à biografia de Brainerd e que tanto nos prende o interesse.
James I. Packer, em uma palestra apresentada na Conferência Puritana de Londres, em 1961, resumiu de modo proveitoso o ensino de Edwards sobre o avivamento, empregando três tópicos:
1. O avivamento é uma obra extraordinária de Deus, o Espírito Santo, revigorando e propagando a piedade cristã em uma comunidade.
O avivamento é uma obra extraordinária porque marca uma reversão abrupta de uma tendência arraigada e um estado de coisas entre aqueles que professam ser o povo de Deus. Contemplar Deus revigorando sua igreja significa pressupor que a igreja estivera, anteriormente, moribunda e se tornara dormente.
2. Os avivamentos têm um lugar central nos propósitos revelados de Deus.
“O objetivo de Deus em criar o mundo”, declarou Jonathan Edwards, “era preparar um reino para o seu Filho (pois Ele foi designado o herdeiro do mundo)”. Este objetivo tem de se cumprir, primeiramente por intermédio da realização da obra redentora da parte de Cristo, no Calvário; depois, por intermédio do triunfo do seu reino. “Todas as dispensações da providência divina, desde a ascensão de Cristo até à consumação final de todas as coisas, têm o propósito de outorgar a Cristo a sua recompensa e cumprir seu objetivo naquilo que Ele fez e sofreu na terra.” Um domínio universal está prometido a Cristo e, nesse ínterim, antes da consumação final, o Pai implementa esta promessa, em parte, por meio de derramamentos sucessivos do Espírito, os quais comprovam a realidade do reino de Cristo para um mundo céptico e servem para estender seus limites entre seus antigos inimigos.
3. Os avivamentos são as mais gloriosas obras de Deus no mundo.
Edwards insistia nisto, para envergonhar todos aqueles que não professavam qualquer interesse no avivamento divino que sobreviera à Nova Inglaterra e insinuavam, por sua atitude, que a mente de um crente deveria se ocupar mais proveitosamente com outros assuntos.
“Em sua natureza e realização, esta obra é a mais gloriosa de qualquer das obras de Deus” — Edwards protestou. “É a obra da redenção (o grande objetivo de todas as outras obras de Deus e da qual a obra de criação foi apenas uma sombra). É a obra da nova criação, que é infinitamente mais gloriosa do que a velha criação. Ouso dizer que a obra de Deus na conversão de uma alma... é uma obra mais gloriosa do que a criação de todo o universo material.”
Conclusão
A igreja universal possui dimensões tão amplas, que não sabemos quantos dos seus membros sentem este mesmo fardo de Jonathan Edwards. O Espírito Santo é o Espírito de graça e de súplicas. Ele impulsiona o seu povo a orar. A intercessão é quase sempre o precursor de um avivamento espiritual. É impossível pensarmos em qualquer outra maneira pela qual o mundo será ganho para Cristo.

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A SABEDORIA DE DEUS NA MORTE SUBSTITUTIVA DE CRISTO.















"Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais"

Efésios 3.10

A sabedoria revelada na salvação por meio de Jesus Cristo está muito além da sabedoria dos anjos. Nesse texto, ela é citada como um meio de revelar o plano Deus para a nossa salvação, a fim de que os anjos possam ver e conhecer o quão grande e multiforme é a sabedoria de Deus; de forma que a sabedoria divina seja exposta diante dos olhos dos anjos para que eles a admirem. Essa sabedoria é mencionada como um tipo de sabedoria que eles jamais haviam visto, nem sequer em Deus, muito menos neles mesmos. Afim de que, agora, quatro mil anos após a criação, a multiforme sabedoria de Deus pudesse se fazer conhecida. Durante todo esse tempo, os anjos haviam observado a face de Deus e estudado as obras de Sua criação. Apesar disso, até esse dia, eles jamais haviam visto algo semelhante. Jamais haviam compreendido o quanto a sabedoria de Deus é multiforme, da forma como eles a compreendem agora, por meio da igreja!...

1. Consideremos a escolha da pessoa DO nosso Redentor. Quando Deus designou a redenção da humanidade, Sua grande sabedoria revelou-se no fato de que Ele mesmo determinou que o Seu Único Filho fosse a pessoa que executaria essa tarefa. Ele era o redentor escolhido pelo próprio Deus e, por essa razão, é chamado nas Escrituras de "O Escolhido de Deus" (Is 42.1). A sabedoria na escolha dessa Pessoa se manifesta no fato dEle ser, em todos os aspectos, a pessoa mais apropriada para executar essa tarefa. Era necessário que a pessoa do redentor fosse uma pessoa divina. Ninguém, senão um ser divino era competente o suficiente para essa grande obra. Ela era totalmente inadequada para qualquer outra criatura. Era imprescindível que o redentor dos pecadores fosse infinitamente santo em si mesmo. Ninguém poderia remover a infinita maldade do pecado, senão alguém que fosse infinitamente separado do pecado e contra o pecado. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Para que a pessoa fosse competente o suficiente para realizar essa tarefa, era imprescindível que ela fosse uma pessoa infinitamente digna e excelente e pudesse ser merecedora de infinitas bênçãos. E em relação a esse aspecto, o Filho de Deus é pessoa mais adequada. Era necessário que essa pessoa fosse alguém com sabedoria e poder infinitos, pois essa era uma obra tão difícil que exigia alguém com esses atributos. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Era imprescindível que essa pessoa fosse muito amada por Deus Pai para que Ele concedesse um valor infinito ao acordo feito entre os dois, devido a Sua estima por essa pessoa, de modo que o amor do Pai por essa pessoa pudesse equilibrar a ofensa e a provocação causada pelos nossos pecados. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor. Somos aceitos pelo Pai, "no Amado" (Ef 1.6).

Era imprescindível que essa pessoa fosse alguém com autoridade absoluta para agir por si mesmo; alguém que não fosse um sevo ou um súdito, pois alguém que não pudesse agir por sua própria autoridade não teria valor algum. Aquele que fosse um servo e não pudesse fazer nada além do que aquilo que era obrigado a fazer não seria digno para essa tarefa. E aquele que não possuía coisa alguma que não fosse absolutamente sua não poderia pagar o preço da redenção de outro. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor. Ninguém, senão um ser divino poderia ser adequado para ser esse redentor. Essa pessoa deveria ser alguém que possuísse misericórdia e graça infinitas, pois nenhuma outra pessoa, senão alguém como Ele, poderia realizar uma obra tão difícil em prol de uma criatura tão indigna quanto o homem. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

Era imprescindível que essa pessoa possuísse verdade e fidelidade perfeitas e imutáveis. Caso contrário, não seria uma pessoa adequada, de quem poderíamos depender para realizar tamanha tarefa. E em relação a esse aspecto, Cristo é a pessoa mais adequada para ser o redentor.

A sabedoria de Deus em escolher Seu Filho Eterno se manifesta não somente no fato dEle ser a pessoa mais adequada, mas também no fato dEle ser aúnica Pessoa adequada dentre todas, quer criadas ou não. Nenhum ser criado – quer fosse homem, quer fosse anjo – era adequado para realizar essa tarefa... Isso revela a sabedoria divina em saber que Cristo era a pessoa adequada. Nenhum outro, senão Aquele que possui a sabedoria divina poderia conhecer esse fato. Nenhum outro, senão Aquele que possui a sabedoria divina poderia pensar em Cristo para ser o redentor dos pecadores. Pois, visto que Cristo também é Deus, Ele é uma das Pessoas contra Quem o homem pecou e que foi ofendida pelo pecado de rebelião do homem. Quem, senão o Deus infinitamente sábio poderia pensar em Cristo para ser o redentor de pecadores que haviam pecado contra Ele, os quais eram Seus inimigos e mereciam o mal infinito de Suas mãos? Quem poderia pensar nEle como Aquele que colocaria o Seu coração no homem e teria amor e compaixão infinitos por ele, exibindo sabedoria, poder e merecimento infinitos pela redenção do homem? Mas podemos ir além disso.

2. Consideremos a mANEIRA COMO essa Pessoa IRIA NOS SubstituIR. Após escolher a pessoa para ser o nosso Redentor, o passo seguinte da sabedoria divina seria escolher a maneira pela qual essa pessoa realizaria a obra da redenção. Se Deus tivesse revelado quem realizaria essa obra e não tivesse revelado nada além disso, nenhuma outra criatura poderia imaginar a maneira pela qual essa pessoa realizaria essa obra. E se Deus tivesse dito a elas que o Seu Filho Unigênito seria o Redentor, e que somente Ele era pessoa adequada e suficientemente competente para essa tarefa, mas tivesse pedido às Suas criaturas que planejassem a maneira como essa Pessoa, adequada e competente, deveria proceder, poderíamos imaginar que toda a sabedoria humana criada seria considerada um esforço inútil para fazer tal suposição.

A primeira coisa que deveria ser feita seria transformar esse Filho de Deus em nosso Representante e Fiador, de modo que Ele fosse um substituto no lugar do pecador. Mas qual das inteligências criadas poderia conceber algo como: o Filho de Deus, eterno e infinitamente amado, sendo o substituto no lugar dos pecadores? O Filho de Deus no lugar de um pecador, de um rebelde, de um objeto da ira de Deus? Quem poderia pensar numa pessoa que possui glória infinita representando vermes pecadores, os quais se tornaram infinitamente provocadores e abomináveis por causa de seu pecado? Pois se o Filho de Deus fosse o substituto do pecador, conseqüentemente, o pecado do pecador deveria ser lançado sobre Ele. Ele precisaria levar a culpa do pecador sobre Si. Teria de submeter-Se à mesma Lei à qual o homem estava sujeito, tanto no que se refere aos mandamentos, quanto no se refere às punições. Quem poderia pensar em semelhante coisa com relação ao Filho de Deus? Mas podemos ir além disso.

3. Consideremos a encarnação de Jesus Cristo. O passo seguinte da sabedoria de Deus para planejar a forma como Cristo realizaria a obra da redenção dos pecadores seria determinar a Sua encarnação. Imagine se Deus tivesse revelado para as mentes criadas que Seu Filho Unigênito seria a Pessoa escolhida para realizar a obra da redenção; que Ele havia sido designado para ser o Substituto do pecador e levar suas as dívidas e a sua culpa sobre Si mesmo, e não houvesse revelado nada além disso; mas deixasse que essas mentes criadas adivinhassem o restante do plano. Não haveria probabilidade alguma de que, mesmo após essa revelação, elas pudessem imaginar a maneira pela qual essa Pessoa realizaria a obra da redenção. Pois, para que o Filho de Deus fosse o substituto no lugar do pecador, Ele teria de tomar para Si a dívida que pertencia ao pecador e viver aqui, em perfeita obediência à Lei de Deus. Mas seria pouco provável que alguma criatura conseguisse imaginar uma forma de tornar isso possível. Como uma Pessoa que é o próprio Jeová eterno poderia se tornar um servo, ficar sujeito à Lei e viver em perfeita obediência, inclusive no que se refere às leis dos homens?

Além disso, se o Filho de Deus fosse o substituto no lugar do pecador, Ele teria de se sujeitar a receber a punição que o pecado do homem merecia, pois essa era a obrigação do pecador. Quem imaginaria que isso seria possível? Pois, como uma Pessoa divina, que é infinitamente feliz e imutável em Sua essência, poderia sofrer dor e tormentos? Como Alguém que é o objeto do amor precioso e infinito de Deus poderia sofrer a ira de Seu próprio Pai? Não podemos imaginar que a sabedoria criada pudesse encontrar uma maneira de superar essas dificuldades. Entretanto, a sabedoria divina descobriu um meio, a saber, pela encarnação do Filho de Deus. O Verbo deveria tornar-se carne; ser Deus e homem em uma única Pessoa. Mas qual mente criada poderia conceber isso como possível?...

Mas, e se Deus tivesse revelado que isso seria possível, e que isso realmente aconteceria, mas deixasse que elas descobrissem o modo como isso seria feito. Podemos imaginar que elas ficariam embaraçadas e confusas para pensar em um modo de unir um homem ao eterno Filho de Deus, de forma que Eles fossem uma só Pessoa; pois essa Pessoa teria de ser verdadeiramente homem em todos os aspectos e, ao mesmo tempo, ser o mesmo Filho de Deus, que estava com Deus desde a eternidade. Esse é um grande mistério para nós. Por meio da encarnação, Aquele que é infinito, onipotente e imutável tornou-se, até certo ponto, um homem finito, frágil; sujeito às nossas fraquezas, emoções e calamidades, mas sem pecado! Desse modo, o grande Deus, o soberano dos céus e da terra, passou a ser um verme da terra. "Mas eu sou verme e não homem" (Sl 22.6). Por meio dessa união, Aquele que é eterno e auto-existente nasceu de uma mulher! Aquele que é o Espírito não criado vestiu-se de carne e sangue como um de nós! Aquele que é independente, auto-suficiente e todo-suficiente passou a ter necessidade de alimento e de roupas. Ele fez-se pobre e não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20); chegou a ter necessidade da caridade dos homens e foi mantido por ela! Conceber como isso poderia acontecer é algo que está muito além de nossa capacidade mental! Isso é um grande milagre e um mistério para nós, mas não é um mistério para a sabedoria divina.

4. O próximo Aspecto a ser considerado é a vida de Cristo neste mundo. A sabedoria de Deus se manifesta na condição de vida, na obra e nos interesses de Cristo.

(1) Sua condição de vida. Se Deus tivesse revelado que Seu próprio Filho se encarnaria e viveria neste mundo com uma natureza humana; e se Ele tivesse deixado que o homem designasse a condição de vida mais adequada a Ele; a sabedoria humana teria designado que Ele se manifestasse ao mundo da forma mais magnífica, com uma aparência exterior extraordinária, cheio de honra, autoridade e com um poder muito superior aos dos reis da terra; reinando sobre todas as Nações, com esplendor e pompa visíveis. Isso foi o que a sabedoria humana havia concluído antes de Cristo vir ao mundo. Os sábios, os grandes dentre os judeus, os escribas e fariseus, os quais são chamados de "poderosos deste século" (1 Co 2.6-8), esperavam que o Messias se manifestasse dessa maneira. Mas a sabedoria de Deus escolheu exatamente o contrário. Ela determinou que, quando o Filho de Deus fosse se tornar homem, Ele deveria começar Sua vida em uma estrebaria; habitar neste mundo como um anônimo, durante muitos anos, com uma família de classe baixa, e ter uma condição de vida simples; que fosse pobre e não tivesse onde reclinar a cabeça; que vivesse da caridade de alguns de Seus discípulos; que crescesse como um "renovo perante ele e como raiz de uma terra seca" (Is 53.2); que não clamasse, nem gritasse, nem fizesse ouvir a sua voz na praça (Is 42.2); que fosse para Sião de modo humilde, montado em um jumento, num jumentinho, cria de jumenta (Zc 9.9; Mt 21.5); que fosse desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabia o que era padecer (Is 53.3).

E agora que a determinação divina se fez conhecida, podemos concluir, com segurança, que essa era a maneira mais adequada, e que não seria apropriado que Deus se manifestasse em carne com pompa terrena, riquezas e majestade. Não! Essas coisas são infinitamente inferiores e desprezíveis para que o Filho de Deus as desejasse ou valorizasse. Se os homens tivessem recebido uma proposta como essa, eles prontamente a rejeitariam, considerando-a tola e inadequada para o Filho de Deus. Mas "a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens" (1 Co 1.25). Deus resolveu reduzir a nada a sabedoria deste mundo, bem como a sabedoria dos poderosos desta época (1 Co 2.6). E assim, Cristo, por manifestar-Se visivelmente ao mundo em uma condição de vida simples e pobre, desprezou todas as riquezas e glórias humanas e nos ensinou a desprezá-las. E se convém a homens insignificantes desprezar essas coisas, quanto mais convinha ao Filho de Deus! Pela encarnação, Cristo nos ensinou a sermos humildes de coração. Se Ele, que é infinitamente sublime e magnífico, foi tão humilde, quanto mais nós, que somos tão desprezíveis, deveríamos ser humildes.

(2) A sabedoria de Deus se manifesta na obra de Cristo e nos interesses que Ele tinha. Essa sabedoria se manifesta principalmente no fato de que Ele deveria obedecer a Lei de Deus com perfeição, mesmo diante de tentações tão grandes; precisaria passar por conflitos contra os poderes da terra e do inferno e superá-los no caminho da obediência, por nossa causa; e teria de sujeitar-Se não somente à Lei Moral, mas também às leis cerimoniais, que eram um jugo pesado de servidão. Cristo cumpriu o Seu ministério público até o fim, entregando-nos as instruções e as doutrinas divinas. A sabedoria de Deus se manifesta no fato de Ele ter nos dado uma Pessoa divina para ser o nosso Profeta e Mestre. Aquele que é a própria sabedoria e Palavra de Deus; que existia desde a eternidade no seio do Pai. Sua palavra possui maior autoridade e influência do que do que a palavra pronunciada pela boca de um profeta comum. E como foi sábio determinar que uma mesma pessoa fosse o nosso Mestre e Redentor, de modo que Sua relação conosco e Seus ofícios como Redentor pudessem tornar Suas instruções mais valiosas e agradáveis para nós. Estamos sempre dispostos a prestar atenção àquilo que as pessoas que nos são preciosas nos dizem. O nosso amor por elas faz com que nos deleitemos com sua conversa. Por essa razão, foi sábio da parte de Deus determinar que Aquele que fez muito para se tornar estimado por nós fosse apontado como o nosso grande Profeta, para nos entregar as doutrinas divinas.

5. O próximo ASPECTO a ser considerado é a morte de Cristo. Esse meio para salvar pobres pecadores não poderia ser escolhido de outra maneira, senão pela sabedoria divina. Quando esse meio de salvação foi revelado, sem dúvida foi uma grande surpresa para todas as hostes celestiais; e elas nunca se cansarão de se maravilhar com isso. Quão espantoso é o fato de que Aquele que é eternamente bendito e infinitamente feliz em Sua essência tenha suportado os maiores sofrimentos que jamais foram suportados na terra! Que Alguém que é o Supremo Senhor e Juiz tenha sido levado a um tribunal de vermes mortais e condenado! Que Alguém que é o Deus Vivo e a fonte da vida tenha sido levado à morte! Que Alguém que criou o mundo e deu vida a todas as Suas criaturas tenha sido morto por suas próprias criaturas! Que Alguém com infinita majestade e glória – o objeto do amor, dos louvores e da adoração dos anjos – tenha sido escarnecido e desprezado pelos homens mais perversos. Que Alguém que é infinitamente bom e é amor em Si mesmo tenha sofrido a maior de todas as crueldades. Que Alguém que é infinitamente amado pelo Pai tenha sido deixado em agonia indizível sob a ira de Seu próprio Pai. Que Aquele que é o Rei dos céus, que tem os céus por Seu trono e a terra por estrado de Seus pés, tenha sido encerrado na prisão de um sepulcro. Como tudo isso é espantoso! Apesar disso, esse foi o meio que a sabedoria de Deus determinou como o meio de salvação dos pecadores; o qual não é inadequado, nem desonroso para Cristo.

6. A última OBRA realizada para obter salvação para os pecadores FOI a exaltação de Cristo. A sabedoria de Deus considerou necessário, ou melhor, mais propício que a mesma Pessoa que morreu na cruz se sentasse à destra de Deus, no Seu próprio trono, como o supremo governador do mundo; e que tivesse poder absoluto sobre todas as coisas concernentes à salvação do homem; e que fosse o Juiz do mundo. Isso era necessário porque era imprescindível que a mesma Pessoa que adquiriu a salvação pudesse concedê-la gratuitamente; pois não era adequado que Deus tratasse com as criaturas caídas de um outro modo misericordioso que não fosse por meio de um mediador. Isto é extraordinário para o fortalecimento da fé e conforto dos santos: que todas as coisas, nos céus e na terra, fossem entregues nas mãos Daquele que suportou tantas adversidades para adquirir a salvação dos pecadores; que Aquele que lhes adquiriu a vida eterna pudesse concedê-la a eles; que a mesma Pessoa que os amou tanto, ao ponto de derramar Seu precioso sangue por eles, fosse o seu Juiz no dia final.

Este é um outro fato espantoso: que Aquele que era homem e também Deus, que foi um servo e morreu como um malfeitor, viesse a ser o Soberano Senhor dos céus e da terra, dos anjos e dos homens; o absoluto doador da vida e da morte eterna; o supremo Juiz de todos os seres inteligentes criados, por toda a eternidade; e que Lhe tenha sido entregue todo o poder de governo de Deus Pai, não somente como Deus, nem somente como alguém que possui a natureza humana, mas como Deus-homem.

E assim como é espantoso que Alguém que é verdadeiramente divino tenha se humilhado de tal maneira, ao ponto de tornar-se um servo e sofrer como um malfeitor. E como também é espantoso que Aquele que é Deus-homem, não unicamente humano, seja exaltado com o poder e a honra do grande Deus dos céus e da terra. No entanto, milagres como esses revelam a infinita sabedoria divina, planejada e executada, a fim de nos conceder a salvação.

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Extraído de "The Wisdom of God Displayed in the Way of Salvation" (A Sabedoria de Deus Demonstrada no Meio de Salvação) in The Works of Jonathan Edwards (A Obra de Jonathan Edwards), V. 2, reeditado por Banner of Thuth Trust.

Traduzido por: Waléria Coicev

Copyright© Editora FIEL 2009.



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UMA APRECIAÇÃO DE JONATHAN EDWARS.






Tom. E. Nettles

Em outubro de 2003, aconteceu o aniversário de 300 anos de nascimento de Jonathan Edwards. Devemos expressar gratidão coletiva a Deus pelo impacto positivo deste servo tão dotado em favor da obra do evangelho, em geral, e pelo seu impacto positivo sobre os batistas, em particular.

Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703. Ele era o quinto filho e o primeiro homem dos sete filhos de Timothy e Esther Edwards. Seu pai viera ministrar na igreja de East Windsor (Estado de Massachusetts), em 1694, quando tinha 25 anos de idade. E ali permaneceu durante todo o resto de sua vida. Timothy Edwards era zeloso pela causa do evangelho, bem como pela espiritualidade e educação de seus filhos. Jonathan foi o recipiente mais feliz deste zelo. Ele nunca se ressentiu desse cuidado de seu pai; em vez disso, considerou uma das maiores graças o ter sido criado e educado nessa atmosfera. Jonathan aprendeu a encorajar a si mesmo e a esforçar-se mais do que seu pai poderia ter sonhado em fazê-lo.

Ele realizou seus estudos universitários entre 1716-1720, em Yale, e concluiu seu mestrado em 1722. De 1722 até 1724, ele serviu como pastor interino em duas igrejas, permanecendo menos do que um ano em cada uma delas, em Nova Iorque e Bolton (Estado de Connecticut). Um dos períodos espiritualmente mais traumáticos de sua vida ocorreu nos três anos em que ele serviu como tutor em Yale, num tempo de muita incerteza na faculdade, quando a sua administração se mostrava bastante instável. Em 1726, Jonathan viajou a Northampton, para ajudar seu avô, Solomon Stoddard, no ministério da igreja. Em 1727, ele se casou com Sarah Pierpont, o amor de sua vida. Seu avô faleceu em 1729; assim, Jonathan se tornou o pastor da igreja de Northampton. Ele permaneceu ali até que foi demitido em 1750, em meio a uma controvérsia a respeito de quem deveria receber a Ceia do Senhor.

Uma poderosa e inesperada intervenção do Espírito de Deus sobreveio a Northampton em 1735; pro- pagou-se em direção ao norte, até Northfield, e ao sul, alcançando as distantes cidades de Stratford, Guilford, Lyme e Groton, no Estado de Connecticut. Jonatahn Edwards se encontrava no meio de uma rigorosa defesa da justificação pela fé, experimentando criticismo por causa de seu biblicismo ousado e reformado, quando ocorreu a poderosa obra de conversão e avivamento. Ele relatou o fenômeno e analisou as diversas experiências espirituais em sua obra Faithful Narrative of the Surprising Work of God in the Conversion of Many Hundred Souls. A princípio, Jonathan confirmou a morfologia puritana da conversão, ao mesmo tempo que a modificou, por descrever a variedade nas experiências e por advertir contra a confiança carnal que todos os traumas produziam na conversão genuína. O alicerce que ele estabeleceu neste livro determinou o curso da obra de sua vida. Todos os seus escritos, daquela época até à sua morte, exploraram algum aspecto da experiência espiritual genuína. O caráter da liberdade humana, visto que está relacionada com as duas grandes realidades: a absoluta soberania de Deus e os abrangentes efeitos do pecado do homem, constitui a matriz de acordo com a qual a experiência cristã tem de ser gerada (ou regenerada). Ninguém falou a respeito deste assunto com tanta profundidade e perspicácia quanto Jonathan Edwards.

A grande obra de Edwards, que é também o mais completo exame das afeições humanas e, talvez, o livro mais importante escrito nos Estados Unidos é Religious Affections (Afeições Religiosas). Todo crente, especialmente todo ministro do evan- gelho, deveria ler este livro de Edwards e sentir-se desafiado a possuir maior zelo espiritual pela honra de Deus e um coração de pastor repleto de discernimento e compaixão.

Entretanto, ninguém deve esquecer que Jonathan Edwards foi, antes de tudo, um evangelista pastoral. Ele gastou toda a sua mente e todo impulso criativo para gravar no coração e mente de seu povo a necessidade, infinitamente importante, de arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Além de Jonathan Edwards, nenhuma outra pessoa foi capaz de retratar, de maneira tão desoladora, a condição humana, e de mostrar, de modo tão alarmante, o seu completo desespero; ninguém foi capaz de revelar a atratividade e a beleza constrangedora do Senhor Jesus, com maior seriedade e liberdade do que o fez Jonathan Edwards. Também, nenhum outro autor conseguiu incutir na mente de seus leitores a realidade e os propósitos da eternidade, tão bem como o fez Edwards. Ele procurou dispor cada elemento do evangelho e sua manifestação histórica no contexto de seu propósito crucial e de sua razão para ser justo como realmente é. Às vezes, parece que Edwards foi levado às portas do inferno, a fim de perceber o que significa estar sob uma ilimitada torrente da ira de Deus, e, em seguida, comissionado a relatar sua percepção. Subseqüentemente, parece que Edwards foi levado ao céu, a fim de contemplar o Senhor Jesus Cristo, em sua glória, bem como o incessante fluir do amor divino, entre o Pai e o Redentor res- suscitado e exaltado; após o que ele foi comissionado não a dizer a qualquer pessoa, e sim a expandir a linguagem humana, de modo que descrevesse a amabilidade do que tinha visto. O evangelismo de Jonathan Edwards possuía esse tipo de urgência imediata.

Que tipo de apelo ele apresentava aos seus ouvintes? Como poderia ele, um fiel calvinista, fazer exigências urgentes a uma assembléia de pecadores, escravizados a suas afeições hostis e sujeitos aos decretos da justiça e da misericórdia de Deus? Que teologia estava por trás deste coerente e sincero aspecto dos sermões de Edwards?
Jonathan Edwards cativa a mente e o coração. Aqueles que, com simpatia, estudam completamente os escritos de Edwards, acham difícil conceber a verdade bíblica em uma disposição melhor do que a apresentada por ele. Edwards consegue captar a maneira de expressão e a estrutura na qual eles percebem a importância da mensagem do evangelho. Talvez isso não seja sempre bom. Visto que não possuem a facilidade de argumentação filosófica de Edwards, disciplinada por seu coerente e amplo conhecimento das Escrituras no contexto de uma imersão na história da teologia cristã, os imitadores de Edwards podem se tornar obscuros e mais metafísicos, em vez de expositores que falam com clareza. Edwards não tinha essa característica; todavia, alguns de seus seguidores a têm demonstrado e, ao fazerem isso, revertem completamente o interesse teológico de Edwards. Ao mesmo tempo, uma apreciação moderada de Jonathan Edwards, no contexto de uma orientação rigorosamente bíblica, no que diz respeito à pregação, é capaz de produzir uma pregação edificante e convincente. Uma leitura meditativa nos sermões de Edwards pode alimentar a mente e resultar em um desejo sincero por ter mais de Deus, um desejo que permanecerá meses e anos.

Os batistas foram afetados dessa maneira. Com raras exceções, eles resistiram aos anelos metafísicos e se deleitaram com os escritos de Edwards, no contexto de sua inalterável devoção aos ditames da revelação bíblica. No entanto, os batistas desfrutaram realmente de Jonathan Edwards e se beneficiaram de seu poder espiritual e de sua peculiar estruturação da ortodoxia reformada. Os batistas de nossos dias não podem ser entendidos sem estarem cônscios da poderosa influência que Edwards exerceu. No que diz respeito à teologia, podemos argumentar com segurança que a Convenção dos Batistas do Sul nasceu da firmeza dos escritos de Jonathan Edwards. A obra missionária, bem como a defesa da liberdade religiosa, possui o aroma de Edwards.

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domingo, 10 de fevereiro de 2013

DEUS NÃO DESISTE DE AMAR VOCÊ.



Referência: Marcos 16.7
INTRODUÇÃO
Deus não abre mão da sua vida. Deus não desiste do direito que tem de ter você. Ele não abdica do seu amor por você. Ele sempre vai ao seu encontro, no seu encalço.
Pedro, melhor do que ninguém nos revela esta verdade. Quem era Pedro? 1) Filho de Jonas (Mc 16.17); 2) Casado (1 Co 9.5); 3) Natural de Betsaida; 4) Residia em Cafarnaum, às margens do Mar da Galiléia; 5) Pescador; 6) Irmão de André; 7) Um dos discípulos que mais tinha intimidade com Jesus; 8) Assumiu a liderança do grupo apostólico antes e depois do Pentescotes; 9) Recebeu poder para realizar grandes milagres (At 5.15); 10) Primeiro apóstolo a pregar aos gentios.
Pedro era um homem de profundas contradições e de grandes ambigüidades na vida:
1) Lucas 5 – Incredulidade e quebrantamento; consciência de pecado e indignidade. Ali Jesus o chama. Deixa tudo: empresa, negócios e segue a Jesus.
2) Mateus 16 – Proclama a messianidade de Cristo e se deixa usar por Satanás em seguida.
3) Mateus 17 – Por falar sem pensar, não deu a Jesus a primazia que ele merece. Ele vê a glória do Rei, mas não exalta o Rei da glória.
4) Mateus 26 – Coragem e covardia.
5) Mateus 26 – Negação e lágrimas de arrependimento.
6) João 21 – Fuga e declaração de amor.
I. AS CAUSAS DA QUEDA DE PEDRO 
1. Exagerada confiança em si mesmo 
a) Mateus 26.35 – “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei”.
b) Marcos 14.31 – “Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei”.
c) Lucas 22.23 – “Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão, como para a morte”.
Pedro se achava forte. Ele achava que era uma rocha, mas era pó. Ele negou seu nome, seu apostolado, suas convicções, porque confiou exageradamente em si mesmo em vez de ser humilde.
2. Considerou-se melhor do que os outros 
a) Marcos 14.29 – “Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!”
b) Mateus 26.33 – “…ainda que venhas a ser tropeço para todos, nunca o serás para mim”.
Pedro estava dizendo: Olha Jesus, os teus discípulos não são tão confiáveis, mas eu sou um homem batuta. A corda não rói do meu lado. Eu não vou te decepcionar. Eu aguento a parada. Eu não sou homem de fraquejar. Pode contar comigo para o que der e vier, quando os outros se acovardarem. A Bíblia diz que a soberba precede a ruína.
3. Foi incapaz de orar e vigiar na hora crucial da vida 
a) Mateus 26.40,41 – “E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.
Quando deixamos de vigiar e orar, caímos em ciladas, em tentação e fraquejamos. Quando a igreja deixa de orar, ela se torna fraca e vulnerável.
Alguém já disse que quando o homem trabalha, o homem trabalha, mas quando o homem ora, Deus trabalha.
Aquela era a maior batalha do universo, o destino da humanidade estava sendo decidida, e Pedro estava dormindo (Mt 26.40,43,45). Foi a única vez que Jesus pediu solidariedade e os discípulos fracassaram.
4. Perdeu o controle emocional 
a) João 18.10 – “Então Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco”.
Pedro perdeu o controle emocional, o equilíbrio e não discerniu a natureza da batalha que estava travando. Não teve domínio próprio. Jesus mostra para Pedro que seu caminho era a cruz (Jo 18.11). Nada de humanismo! Muitas vezes, damos lugar à ira. Agredimos as pessoas com palavras, com gestos, atitudes e fracassamos no testemunho.
5. Seguiu a Jesus de longe 
a) Mateus 26.58 – “Mas Pedro o seguia de longe…”.
Pedro vai fraquejando, vai perdendo seus absolutos. Pedro vai se tornando vulnerável, vai se acovardando. O mesmo Pedro autoconfiante, já não cumpre suas palavras. Ele foge na hora que Jesus é preso. Ele não desiste de Jesus, mas o segue de longe. Ele se acovarda e se enche de medo.
Muitos ainda hoje seguem a Jesus de longe. Não querem perder Jesus de vista, vêm à igreja, leem a Bíblia, mas não assumem compromisso com Jesus. Não querem os riscos do discipulado. Outros não chegam a perder suas convicções, mas abandonam a igreja, ficam perto do Egito; ficam na janela.
6. Assentou na roda dos escarnecedores 
a) Lucas 22.54,55 – “Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe. E quando acenderam fogo no meio do pátio, e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles”.
Pedro dá mais um passo na direção da sua queda. Ele vai se assentar na roda dos inimigos de Jesus. Ele vai se associar com aqueles que zombam de Jesus (Sl 1.1).
Muitos estão caindo ainda hoje porque se unem com companhias erradas. Muitos estão deixando a igreja e indo para o mundo porque se associaram com pessoas que não querem saber nada de Jesus.
7. Negou a Jesus três vezes 
a) Mateus 26.70,72,74 – “Pedro negou. Negou outra vez com juramento. Negou a terceira vez praguejando e jurando: Não conheço esse homem”.
Ninguém nega Jesus de uma hora para outra. Tem um histórico, um abismo chama outro abismo. Pedro não se lembrou das palavras de Jesus, fez pouco caso delas (Mt 26.75).
Pedro caiu, fraquejou e negou: 1) Seu nome; 2) Sua fé; 3) Seu apostolado; 4) Suas convicções; 5) Suas promessas a Jesus.
II. AS CAUSAS DA RESTAURAÇÃO DE PEDRO 
1. O olhar compassivo de Jesus 
a) Lucas 22.60-62 – “Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o
Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente”.
O olhar de Jesus é de ternura e amor. É um olhar que penetra na alma para trazer Pedro ao arrependimento. Jesus não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega.
Olhar de Jesus nos restaura.
Uma luz brilhou em meu caminho
Quando eu ia triste e sozinho
Foi seu divino olhar, que me ensinou a amar
Foi um minuto só do seu olhar.

Foi um minuto só, um minuto só
Foi um minuto só, do seu olhar
Tudo em mim mudou, tudo em mim cantou
Foi um minuto só do seu olhar.

Jesus mudou a minha vida
Nunca mais eu serei o mesmo
Quando eu olhei pra cruz, nela eu vi Jesus
Foi um minuto só do seu olhar.

Jesus está olhando para você hoje. Ele está vendo suas palavras, sua vida, seu testemunho, os lugares onde você está indo, o que você está fazendo. Mas hoje mesmo Jesus pode ser restaurado pelo divino olhar do Senhor Jesus:

Vivi tão longe do Senhor, assim eu quis andar
Até que eu encontrei a luz no seu divino olhar
Seu maravilhoso olhar, seu maravilhoso olhar
Transformou o meu ser, todo o meu viver
Seu maravilhoso olhar!

2. As lágrimas de arrependimento
a) Marcos 14.72 – “Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera…e caindo em si, desatou a chorar”.
b) Mateus 26.75 – “…e saindo dali, chorou amargamente”.
Pedro considerou que havia negado ao seu Senhor. Naquela noite fatídica, Pedro saiu da casa do sumo sacerdote chutando as pedras por entre os olivais. Ele foi para casa com sua consciência em brasa, arrebentado, quebrado e sem parar de soluçar. Passou a noite sem dormir. Alagou seu leito. Virava de um lado para o outro sem poder conciliar o sono.
Pedro refletiu sobre a excelência do seu Senhor, a quem negara.
Pedro se lembrou do tratamento especial que havia recebido como um dos primeiros com Tiago e João.
Pedro recordou que havia sido solenemente advertido pelo Senhor.
Pedro se recordou dos seus próprios votos de fidelidade (Mc 14.29).
Pensemos em nós: 1) O nosso pequeno progresso na vida espiritual; 2) A nossa negligência com as almas dos outros; 3) A nossa pouca comunhão com o Senhor; 4) A pequena glória que estamos trazendo ao grande nome do Senhor. Tudo isso deveria nos levar às lágrimas de arrependimento.
Pedro chorou amargamente (água podre).
Pedro diferente de Judas, não engoliu o veneno.
3. A procura de Jesus 
a) Marcos 16.7 – “Ide, dizei aos meus discípulos e a Pedro”.
Jesus não desiste de Pedro. Pedro desistiu de ser apóstolo. Mas Jesus não desistiu de Pedro.
Pedro disse para os seus colegas: “Eu vou pescar” (Jo 20.3). Eu vou voltar para minha velha vida. Ele exerceu uma liderança negativa. Mas, Jesus não abriu de Pedro. Ele também não desiste de amar você.
4. A pergunta de Jesus 
a) João 21.15-17
Em primeiro lugar, Jesus curou Pedro do seu orgulho. Ele perguntou três vezes, pois três vezes Pedro o negou. Da última vez mudou a pergunta.
Em segundo lugar, Jesus curou a memória de Pedro. Montando o mesmo cenário da queda.
A única exigência que Jesus faz a Pedro para ser discípulo e para pastorear o seu rebanho é amá-lo.
5. A restauração de Jesus 
a) João 21.17b – “… apascenta as minhas ovelhas”.
Jesus restaurou a mente de Pedro.
Jesus restaurou a memória de Pedro.
Jesus restaurou os sentimentos de Pedro.
Jesus restaurou a vida de Pedro.
Jesus restaurou o ministério de Pedro.
Agora, Pedro volta a ser um grande líder. Agora ele ora. Agora ele aguarda o Pentecostes. Agora ele é cheio do Espírito Santo. Agora ele se torna o grande pregador da igreja apostólica.
Você pode ser restaurado, pois Jesus jamais desistiu de você!
Reverendo Hernades Dias Lopes.
www.hernandesdiaslopes.com.br

A GRAÇA DE DEUS NOS CAPACITA A LIDAR COM O SOFRIMENTO.



A vida não é indolor. Nossa jornada neste mundo não é feita por caminhos atapetados, mas por estradas juncadas de espinhos. Palmilhamos desertos tórridos, descemos a vales escuros e atravessamos pinguelas estreitas, sobre pântanos perigosos. Aqui, muitas vezes, alimentamo-nos de nossas próprias lágrimas. A dor cruel nos açoita com rigor desmesurado. A dor das perdas, do luto e da saudade dói mais do que a dor que fustiga nosso corpo. A dor das lembranças amargas, das doenças crônicas e do pecado que tenazmente nos assediam, acicatam nossa mente, nosso corpo e nossa alma.
O sofrimento mostrou sua carranca de forma dolorosa no segundo mais trágico incêndio ocorrido no Brasil. Nos albores do dia 28 de janeiro de 2013, uma tragédia aconteceu em Santa Maria, cidade universitária do próspero estado do Rio Grande do Sul. A boate Kiss pegou fogo e mais de duzentos e trinta jovens e adolescentes pereceram, asfixiados pela fumaça tóxica. Sonhos foram interrompidos. Carreiras brilhantes terminaram abruptamente. Casamentos marcados não puderam se concretizar. Pais que esperavam seus filhos voltar ao lar, acordaram sobressaltados pela amarga notícia, de que seus filhos haviam morrido naquela fatídica noite. O sofrimento foi tão grande que a nação inteira chorou diante dessa tragédia. Ninguém, por mais forte, consegue lidar com esse sofrimento, estribado em suas próprias forças. Somente a graça de Deus pode nos assistir nessas horas. Somente a graça de Deus pode nos dar ânimo para prosseguir.
O apóstolo Paulo, depois de um passado sombrio, quando perseguiu, prendeu e deu seu voto para matar muitos discípulos de Cristo, foi convertido no caminho de Damasco. Tornou-se o maior missionário e plantador de igrejas da história do Cristianismo. Sua vida, porém, foi timbrada pelo sofrimento. Foi perseguido, preso, açoitado, apedrejado e fustigado com varas. Por onde passou, enfrentou pressões e ameaças. O fato de ser um homem cheio do Espírito não o isentou de sofrer. Em sua última carta, despedindo-se de seu filho Timóteo, preso numa masmorra romana, cônscio de que enfrentaria o martírio, abriu seu coração para dizer que estava enfrentando solidão, abandono, privações, traição e ingratidão. Apesar de tão severo sofrimento, sabia que não caminhava para um fim trágico, mas avançava rumo à glória para receber do reto Juiz, sua recompensa. Foi a graça de Deus que o manteve de pé nas renhidas batalhas da vida. Foi a graça de Deus que o capacitou a cantar na prisão. Foi a graça de Deus que o consolou nas amargas provações da vida. Foi a graça de Deus que o revestiu de forças para cumprir cabalmente seu ministério. Foi a graça de Deus que o encheu de doçura e esperança mesmo em face da morte.
Nenhum homem tem capacidade de lidar com o sofrimento à parte da graça de Deus. Somos frágeis vasos de barro. Não podemos ficar de pé escorados no bordão da autoconfiança. Sem a graça a Deus e sem o Deus de toda a graça sucumbimos à dor. Mas, pela graça somos consolados no sofrimento para sermos consoladores. Tornamo-nos receptáculos do conforto divino para sermos canais dessas ternas consolações. Nem sempre, porém, Deus nos poupa do sofrimento. Nem sempre temos alívio da dor. Nem sempre a cura se torna uma realidade. Mas a graça de Deus jamais nos falta. A graça de Deus é melhor do que a vida. A graça de Deus nos basta. Nessas horas, o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza. Como Jó, podemos gritar, mesmo no torvelinho da nossa dor: “Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará. Vê-lo-ei por mim mesmo”. Podemos dizer como Pedro: “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar”. Podemos, dizer como Paulo: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação”. Oh, bendita graça! Graça sublime! Graça que nos salva, nos fortalece e nos capacita e lidar vitoriosamente com o sofrimento.
Reverendo Hernandes Dias Lopes.
http://hernandesdiaslopes.com.br/

sábado, 2 de fevereiro de 2013

ISRAEL, ISLAM E ARMAGEDOM - DAVE HUNT - VÍDEO.


Em inglês.

PROFECIAS QUE ESTÃO SE CUMPRINDO HOJE - DAVE HUNT. VÍDEO.

MAPA DO CAMINHO PARA O ARMAGEDOM - DAVE HUNT . VÍDEO.

Paul Washer - Vídeo.

A FINALIDADE DA CRUZ - DAVE HUNT




Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...” (Gl 2.19b-20).

A ilusão do "símbolo" do cristianismo
Os elementos anticristãos do mundo secular dariam tudo para conseguir eliminar manifestações públicas da cruz. Ainda assim, ela é vista no topo das torres de dezenas de milhares de igrejas, nas procissões, sendo freqüentemente feita de ouro e até ornada com pedras preciosas. A cruz, entretanto, é exibida mais como uma peça de bijuteria ao redor do pescoço ou pendurada numa orelha do que qualquer outra coisa. É preciso perguntarmos através de que tipo estranho de alquimia a rude cruz, manchada do sangue de Cristo, sobre a qual Ele sofreu e morreu pelos nossos pecados se tornou tão limpa, tão glamourizada.
Não importa como ela for exibida, seja até mesmo como joalheria ou como pichação, a cruz é universalmente reconhecida como símbolo do cristianismo – e é aí que reside o grave problema. A própria cruz, em lugar do que nela aconteceu há 19 séculos, se tornou o centro da atenção, resultando em vários erros graves. O próprio formato, embora concebido por pagãos cruéis para punir criminosos, tem se tornado sacro e misteriosamente imbuído de propriedades mágicas, alimentando a ilusão de que a própria exibição da cruz, de alguma forma, garante proteção divina. Milhões, por superstição, levam uma cruz pendurada ao pescoço ou a tem em suas casas, ou fazem "o sinal da cruz" para repelir o mal e afugentar demônios. Os demônios temem a Cristo, não uma cruz; e qualquer um que não foi crucificado juntamente com Ele, exibe a cruz em vão.

A "palavra da cruz": poder de Deus
Paulo afirmou que a “palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1 Co 1.18). Assim sendo, o poder da cruz não reside na sua exibição, mas sim na sua pregação; e essa mensagem nada tem a ver com o formato peculiar da cruz, e sim com a morte de Cristo sobre ela, como declara o evangelho. O evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16), e não para aqueles que usam ou exibem, ou até fazem o sinal da cruz.
O que é esse evangelho que salva? Paulo afirma explicitamente: “venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei... por ele também sois salvos... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15.1-4). Para muitos, choca o fato do evangelho não incluir a menção de uma cruz. Por quê? Porque a cruz não era essencial à nossa salvação. Cristo tinha que ser crucificado para cumprir a profecia relacionada à forma de morte do Messias (Sl 22), não porque a cruz em si tinha alguma ligação com nossa redenção. O imprescindível era o derramamento do sangue de Cristo em Sua morte como prenunciado nos sacrifícios do Antigo Testamento, pois "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22); “é o sangue que fará expiação em virtude da vida” (Lv 17.11).
Não dizemos isso para afirmar que a cruz em si é insignificante. O fato de Cristo ter sido pregado numa cruz revela a horripilante intensidade da maldade inata ao coração de cada ser humano. Ser pregado despido numa cruz e ser exibido publicamente, morrer lentamente entre zombarias e escárnios, era a morte mais torturantemente dolorosa e humilhante que poderia ser imaginada. E foi exatamente isso que o insignificante ser humano fez ao seu Criador! Nós precisamos cair com o rosto em terra, tomados de horror, em profundo arrependimento, dominados pela vergonha, pois não foram somente a turba sedenta de sangue e os soldados zombeteiros que O pregaram à cruz, mas sim nossos pecados!

A cruz revela a malignidade do homem e o amor de Deus
Assim sendo, a cruz revela, pela eternidade adentro, a terrível verdade de que, abaixo da bonita fachada de cultura e educação, o coração humano é “enganoso... mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto” (Jr 17.9), capaz de executar o mal muito além de nossa compreensão, até mesmo contra o Deus que o criou e amou, e que pacientemente o supre. Será que alguém duvida da corrupção, da maldade de seu próprio coração? Que tal pessoa olhe para a cruz e recue dando uma reviravolta, a partir de seu ser mais interior! Não é à toa que o humanista orgulhoso odeia a cruz!
Ao mesmo tempo que a cruz revela a malignidade do coração humano, entretanto, ela revela a bondade, a misericórdia e o amor de Deus de uma maneira que nenhuma outra coisa seria capaz. Em contraste com esse mal indescritível, com esse ódio diabólico a Ele dirigido, o Senhor da glória, que poderia destruir a terra e tudo o que nela há com uma simples palavra, permitiu-se ser zombado, injuriado, açoitado e pregado àquela cruz! Cristo “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Enquanto o homem fazia o pior, Deus respondia com amor, não apenas Se entregando a Seus carrascos, mas carregando nossos pecados e recebendo o castigo que nós justamente merecíamos.

A cruz prova que existe perdão para o pior dos pecados
Existe, ainda, um outro sério problema com o símbolo, e especialmente o crucifixo católico que exibe um Cristo perpetuamente pendurado na cruz, assim como o faz a missa. A ênfase está sobre o sofrimento físico de Cristo como se isso tivesse pago os nossos pecados. Pelo contrário, isso foi o que o homem fez a Ele e só podia nos condenar a todos. Nossa redenção aconteceu através do fato de que Ele foi ferido por Jeová e “sua alma [foi dada] como oferta pelo pecado” (Is 53.10); Deus fez “cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53.6); e “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24).
A morte de Cristo é uma evidência irrefutável de que Deus precisa, em Sua justiça, punir o pecado, que a penalidade precisa ser paga, caso contrário não pode haver perdão. O fato de que o Filho de Deus teve que suportar a cruz, mesmo depois de ter clamado a Seu Pai ao contemplar em agonia o carregar de nossos pecados [“Se possível, passe de mim este cálice!” (Mt 26.39)], é prova de que não havia outra forma de o ser humano ser redimido. Quando Cristo, o perfeito homem, sem pecado e amado de Seu Pai, tomou nosso lugar, o juízo de Deus caiu sobre Ele em toda sua fúria. Qual deve ser, então, o juízo sobre os que rejeitam a Cristo e se recusam a receber o perdão oferecido por Ele! Precisamos preveni-los!
Ao mesmo tempo e no mesmo fôlego que fazemos soar o alarme quanto ao julgamento que está por vir, precisamos também proclamar as boas notícias de que a redenção já foi providenciada e que o perdão de Deus é oferecido ao mais vil dos pecadores. Nada mais perverso poderia ser concebido do que crucificar o próprio Deus! E ainda assim, foi estando na cruz que Cristo, em seu infinito amor e misericórdia, orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Assim sendo, a cruz também prova que existe perdão para o pior dos pecados, e para o pior dos pecadores.

Cuidado: não anule a cruz de Cristo!
A grande maioria da humanidade, entretanto, tragicamente rejeita a Cristo. E é aqui que enfrentamos outro perigo: é que em nosso sincero desejo de vermos almas salvas, acabamos adaptando a mensagem da cruz para evitar ofender o mundo. Paulo nos alertou para tomarmos cuidado no sentido de não pregar a cruz “com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo” (1 Co 1.17). Muitos pensam: “É claro que o evangelho pode ser apresentado de uma forma nova, mais atraente do que o fizeram os pregadores de antigamente. Quem sabe, as técnicas modernas de embalagem e vendas poderiam ser usadas para vestir a cruz numa música ou num ritmo, ou numa apresentação atraente assim como o mundo comumente faz, de forma a dar ao evangelho uma nova relevância ou, pelo menos, um sentido de familiaridade. Quem sabe poder-se-ia lançar mão da psicologia, também, para que a abordagem fosse mais positiva. Não confrontemos pecadores com seu pecado e com o lado sombrio da condenação do juízo vindouro, mas expliquemos a eles que o comportamento deles não é, na verdade, culpa deles tanto quanto é resultante dos abusos dos quais eles têm sido vitimados. Não somos todos nós vítimas? E Cristo não teria vindo para nos resgatar desse ato de sermos vitimados e de nossa baixa perspectiva de nós mesmos e para restaurar nossa auto-estima e auto-confiança? Mescle a cruz com psicologia e o mundo abrirá um caminho para nossas igrejas, enchendo-as de membros!” Assim é o neo-evangelicalismo de nossos dias.
Ao confrontar tal perversão, A. W. Tozer escreveu: “Se enxergo corretamente, a cruz do evangelicalismo popular não é a mesma cruz que a do Novo Testamento. É, sim, um ornamento novo e chamativo a ser pendurado no colo de um cristianismo seguro de si e carnal... a velha cruz matou todos os homens; a nova cruz os entretêm. A velha cruz condenou; a nova cruz diverte. A velha cruz destruiu a confiança na carne; a nova cruz promove a confiança na carne... A carne, sorridente e confiante, prega e canta a respeito da cruz; perante a cruz ela se curva e para a cruz ela aponta através de um melodrama cuidadosamente encenado – mas sobre a cruz ela não haverá de morrer, e teimosamente se recusa a carregar a reprovação da cruz”.

A cruz é o lugar onde nós morremos em Cristo
Eis o “x” da questão. O evangelho foi concebido para fazer com o eu aquilo que a cruz fazia com aqueles que nela eram postos: matar completamente. Essa é a boa notícia na qual Paulo exultava: “Estou crucificado com Cristo”. A cruz não é uma saída de incêndio pela qual escapamos do inferno para o céu, mas é um lugar onde nós morremos em Cristo. É só então que podemos experimentar “o poder da sua ressurreição” (Fp 3.10), pois apenas mortos podem ser ressuscitados. Que alegria isso traz para aqueles que há tempo anelam escapar do mal de seus próprios corações e vidas; e que fanatismo isso aparenta ser para aqueles que desejam se apegar ao eu e que, portanto, pregam o evangelho que Tozer chamou de “nova cruz”.
Paulo declarou que, em Cristo, o crente está crucificado para o mundo e o mundo para ele (Gl 6.14). É linguagem bem forte! Este mundo odiou e crucificou o Senhor a quem nós amamos – e, através desse ato, crucificou a nós também. Nós assumimos uma posição com Cristo. Que o mundo faça conosco o que fez com Ele, se assim quiser, mas fato é que jamais nos associaremos ao mundo em suas concupiscências e ambições egoístas, em seus padrões perversos, em sua determinação orgulhosa de construir uma utopia sem Deus e em seu desprezo pela eternidade.
Crer em Cristo pressupõe admitir que a morte que Ele suportou em nosso lugar era exatamente o que merecíamos. Quando Cristo morreu, portanto, nós morremos nEle: “...julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.14-15).
“Mas eu não estou morto”, é a reação veemente. “O eu ainda está bem vivo”. Paulo também reconheceu isso: “...não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.19). Então, o que é que “estou crucificado com Cristo” realmente significa na vida diária? Não significa que estamos automaticamente “mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus” (Rm 6.11). Ainda possuímos uma vontade e ainda temos escolhas a fazer.

O poder sobre o pecado
Então, qual é o poder que o cristão tem sobre o pecado que o budista ou o bom moralista não possui? Primeiramente, temos paz com Deus “pelo sangue da sua cruz” (Cl 1.20). A penalidade foi paga por completo; assim sendo, nós não tentamos mais viver uma vida reta por causa do medo de, de outra sorte, sermos condenados, mas sim por amor Àquele que nos salvou. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19); e o amor leva quem ama a agradar o Amado, não importa o preço. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (Jo 14.23), disse o nosso Senhor. Quanto mais contemplamos a cruz e meditamos acerca do preço que nosso Senhor pagou por nossa redenção, mais haveremos de amá-lO; e quanto mais O amarmos, mais desejaremos agradá-lO.
Em segundo lugar, ao invés de “dar duro” para vencer o pecado, aceitamos pela fé que morremos em Cristo. Homens mortos não podem ser tentados. Nossa fé não está colocada em nossa capacidade de agirmos como pessoas crucificadas mas sim no fato de que Cristo foi crucificado de uma vez por todas, em pagamento completo por nossos pecados.
Em terceiro lugar, depois de declarar que estava “crucificado com Cristo”, Paulo acrescentou:  “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20). O justo “viverá por fé” (Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38) em Cristo; mas o não-crente só pode colocar sua fé em si mesmo ou em algum programa de auto-ajuda, ou ainda num guru desses bem esquisitos.

A missa: negação da suficiência da obra de Cristo na cruz
Tristemente, a fé católica não está posta na redenção realizada por Cristo de uma vez para sempre na cruz, mas na missa, que, alegadamente, é o mesmo sacrifício como o que foi feito na cruz, e confere perdão e nova vida cada vez que é repetida. Reivindica-se que o sacerdote transforma a hóstia e o vinho no corpo literal e no sangue literal de Cristo, fazendo com que o sacrifício de Cristo esteja perpetuamente presente. Mas não há como trazer um evento passado ao presente. Além do mais, se o evento passado cumpriu seu propósito, não há motivo para querer perpetuá-lo no presente, mesmo que pudesse ser feito. Se um benfeitor, por exemplo, paga ao credor uma dívida que alguém tem, a dívida sumiu para sempre. Seria sem sentido falar-se em reapresentá-la ou reordená-la ou perpetuar seu pagamento no presente. Poder-se-ia lembrar com gratidão que o pagamento já foi feito, mas a reapresentação da dívida não teria valor ou sentido uma vez que já não existe dívida a ser paga.
Quando Cristo morreu, Ele exclamou em triunfo: “Está consumado” (Jo 19.30), usando uma expressão que, no grego, significa que a dívida havia sido quitada totalmente. Entretanto, o novo Catecismo da Igreja Católica diz: “Como sacrifício, a Eucaristia é oferecida como reparação pelos pecados dos vivos e dos mortos, e para obter benefícios espirituais e temporais de Deus” (parágrafo 1414, p. 356). Isso equivale a continuar a pagar prestações de uma dívida que já foi plenamente quitada. A missa é uma negação da suficiência do pagamento que Cristo fez pelo pecado sobre a cruz! O católico vive na incerteza de quantas missas ainda serão necessárias para fazê-lo chegar ao céu.

Segurança para o presente e para toda a eternidade
Muitos protestantes vivem em incerteza semelhante, com medo de que tudo será perdido se eles falharem em viver uma vida suficientemente boa, ou se perderem sua fé, ou se voltarem as costas a Cristo. Existe uma finalidade abençoada da cruz que nos livra dessa insegurança. Cristo jamais precisará ser novamente crucificado; nem os que “foram crucificados com Cristo” ser “descrucificados” e aí “recrucificados”! Paulo declarou: “porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Cl 3.3). Que segurança para o presente e para toda a eternidade!

Traduzido por: Eros Pasquini Jr.


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Dave Hunt: Devido a suas profundas pesquisas e sua experiência em áreas como profecias, misticismo oriental, fenômenos psíquicos, seitas e ocultismo, realiza muitas conferências nos EUA e eme outros países, também sendo entrevistado frequentemente no rádio e na televisão. Começou a escrever em tempo integral após trabalhar por 20 anos como consultor em Administração e na direção de várias empresas. Dave Hunt escreveu mais de 20 livros com vendas totais que passam dos 3.000.000 de exemplares.