domingo, 2 de dezembro de 2012

ODRES NOVOS NO CURSO DA HISTÓRIA.



Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos [e ambos se conservam]. Lucas 5:38.
Jesus explicou, claramente aqui, diante das criticas que foi alvo em razão da ausência de jejum na experiência dos seus discípulos, que os odres velhos não têm qualquer serventia para a preservação do vinho jovem. Esses odres gastos não serviam para essa alegria estonteante que precisa se atualizar dia a dia. O sistema judaico estaria falido?
A nova comunidade em gestação, na Galiléia dos gentios, tinha uma fermentação intensa e vigorosa de júbilo, enquanto os vasos judaicos já estavam velhos, murchos, encolhidos e rotos. Estavam imprestáveis para abrigar o mosto efervescente desse lagar inédito.
O judaísmo havia se tornado esclerosado, duro, seco e sem qualquer mobilidade para a nova realidade inaugurada pela encarnação do Verbo Divino. Javé em pele, osso, carne e sangue é um assombro para essa mentalidade governada pelas franjas do talit, ou pelos rituais das sinagogas advindas da Babilônia infestada de paganismo. O Deus encarnado no Jesus histórico é uma profanação violenta de algo sagrado e distante.
O vinho, aqui, no texto, está no singular e os odres no plural. Nesse contexto o vinho novo é único. Não existem vinhos novos. Só há um vinho novo, já que o Evangelho da graça é excepcional e exclusivo. Fiquem sabendo, de antemão: a Graça não se encontra em qualquer sistema de religião na face da terra; mesmo que seja uma graça genérica ou, algo semelhante ao favor imerecido de Deus. Apenas no Evangelho de Cristo Jesus há Graça e Graça plena e incondicional.
A religião pós-exílica era um odre curtido na fumaça e cheio de fuligem. Os lideres haviam transformado as 613 letras hebraicas do Decálogo, os dez mandamentos, em 613 mandamentos retirados do Pentateuco, isto é, dos cinco primeiros livros do Antigo Pacto.
Eles converteram o relacionamento saudável com Deus num código congestionado de regras complicadas e tomadas de detalhes. Para essa turma de solidéu ou kipá, e de véu na cuca, o que vale é a conduta externa promovida por normas ao pé da letra.
Segundo Eric Geiger, dos 613 mitzvot da Torá, "havia 248 mandamentos afirmativos, um para cada parte do corpo humano, como eles assim entendiam e, 365 mandamentos negativos, um para cada dia do ano. Depois, eles dividiram a lista em mandamentos compulsórios e não compulsórios. Então, passavam os seus dias discutindo se aquela divisão e a classificação dos mandamentos dentro de cada divisão era “adequada".
Foi com este pano de fundo tricotado com nós cegos e com o casuísmo legalista das minúcias em miçangas, que Jesus descomplicou radicalmente o formato enredado daquele odre que vinha embutido na pergunta: qual é o maior mandamento? A tropa de elite do Sinédrio queria colocar Jesus numa sinuca de bico e mostrar a fraqueza das boas novas que brotavam viçosas na proclamação de uma alforria permanente.
Mas, para Jesus a nova comunidade teria apenas dois pilares de apoio. Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. Mateus 22:37-40.
O Senhor da graça, reduzindo 611 mandamentos da lei, sem restringir uma vírgula sequer do seu valor ético; e, ao simplificar as linhas e alíneas do regulamento, tornou regular a única base que sustenta os relacionamentos sadios: o amor.
O Evangelho é simples. Além disso, é positivo. É a boa notícia de que fomos aceitos integral e incondicionalmente no amor do Amado. Não existem cláusulas. Por exemplo: eu te amo uma vez que... ou, eu te amo quando... contanto que... se... Nada disso. Deus nos ama independentemente de qualquer condição. Como disse Dr. David Seamands, "nós podemos rejeitar o amor de Deus, mas não podemos impedir que Ele nos ame".
O vinho novo é sempre o mesmo e sempre novo. Não há boas novas velhas. O gosto do Evangelho nunca muda. É surpreendente a sua novidade histórica, pois, após dois mil anos, o seu aroma e o seu sabor são como o do beaujolaisnouveau da safra atual.
O amor não envelhece. A graça não caduca. A boa notícia de que Cristo me aceitou de modo incondicional na cruz se atualiza a cada dia, assim como a minha morte e ressurreição com ele nunca perdem validade. O Evangelho é original e único.
Contudo, há um grande perigo quando se trata de misturas em termos de vida espiritual. Nesse instante se pode dizer: "hoc opus, hic labor est". Tradução bem vulgar - "é aqui onde a porca torce o rabo". Que tragédia: tentar misturar o Evangelho com o humanismo!
Para os enólogos, os blends, ou misturas de uvas, podem ser uma boa opção. No mercado encontrarmos grandes vinhos decorrentes desta junção de castas diferentes. Mas, nunca, mistura-se a graça de Deus com o mérito humano. É preciso avaliar com cuidado as motivações e objetivos da bondade que está por trás de cada ato humano.
Só Deus é o Bem Supremo e Bom por essência. Mas, a humanidade tem uma bondade relativa que se propõe ser comparada com a Bondade Divina. É o altruísmo subordinado ao interesse.
Como podemos discernir a diferença entre a bondade Divina e a humana, uma vez que, há atos bondosos nos dois modelos? Talvez essa pista de Jesus nos ajude um pouco: Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem? Mateus 7:11.
A bondade humanista encontra-se vinculada aos interesses da preservação de sua própria espécie, enquanto a distinta Bondade Divina se volta para qualquer um que a quiser. Deus é sempre favorável a todos que o pedirem. Além disso, a nossa bondade constantemente requer um reconhecimento pessoal e exige sua glória nas entrelinhas; porém, a benevolência Divina nunca cobra reciprocidade. Por favor, analise isto com muito cuidado: agradecimento não é penhor. A gratidão jamais pode ser obrigatória.
Nós temos, também, que examinar os frutos com muita acuidade, pois é pelos frutos que se conhecem as árvores. Todavia, não podemos julgar apenas pelas aparências, assim corremos riscos de injustiça. "Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança, cai".
Você sabe a diferença entre um talento e um dom? Então, o dom é uma dádiva Divina. Não vem naturalmente com o ser humano, uma vez que não viemos ao mundo com ele. É um carisma do próprio Deus. É uma capacidade Divina dada aos Seus filhos. O talento, entretanto, é uma competência que Deus criou no ser humano. Nós já nascemos com a tal habilidade, que deve ser desenvolvida e que, habitualmente, exige aplauso da plateia.
O dom nunca sobe em palco. O talento não pode viver sem alguma plataforma. Por isso, os odres construídos a talentos costumam exibir suas qualidades, enquanto esses talentosos exigem a glória pelos seus feitos. É aqui que precisamos de uma avaliação mais criteriosa. O talento quando não recebe a honra, magoa-se. O dom, todavia, faz a festa no ostracismo. Para quem foi só usado por Deus, o contentamento é tudo.
Vejamos um pouco mais essa questão. Um dos grandes enganos que cometemos na avaliação da história da Igreja, é quando confundimos o continente com o conteúdo. Quantas vezes nós damos mais valor aos odres do que ao vinho, principalmente quando os odres são costurados com as tiras tiradas do humanismo talentoso?
Mas, substituir os dons de Deus pelos talentos humanos no seio da Igreja é um prejuízo atroz que deixa atrás sequelas devastadoras. Todo tipo de disputa de poder ou ciúmes por cargos e posições são criados e fomentados pelos hormônios da carne transpirando habilidades sob os auspícios da louvação. A carne talentosa dispensa os dons de Deus.
É no contexto da vaidade humana e da troca de favores que os odres acabam por serem pervertidos, corrompidos; envelhecendo-se. Nesse caso, o velho odre deve ser trocado ou substituído por um atual, para que o vinho novo não se perca. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos. Marcos 2:22.
O Evangelho, contudo, é como pão saído do forno na hora; encontra-se quentinho. É a boa nova espiritual sempre recente. Como já vimos, não há Evangelho antigo, obsoleto, superado. O vinho novo continua permanentemente jovem. O que envelhece com o tempo, é o odre, que carece de renovação constante. As estruturas da Igreja ficam velhas e precisam ser substituídas pela revitalização do nosso entendimento.
Uma das características da novidade do Evangelho da graça plena é a incessante contemporanização de sua arquitetura. De acordo com Martinho Lutero, o reformador do século XVI: "ecclesia reformat semper reformanda secundum verbum Dei", ou seja, "igreja reformada sempre sendo reformada segundo a palavra de Deus", ou ainda bem mais adequado: Eis que faço novas todas as coisas. Apocalipse 21:5.
De um modo geral, o ser humano costuma complicar as suas estruturas. Como podemos nós simplificar aquilo que temos complicado através da história? Parece que precisamos rever a nossa eclesiologia. Quero finalizar hoje este questionamento, com um texto bem descomplicado: Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. Atos 2:46-47.
Abba, querido, abre os nossos olhos para que vejamos a singeleza do teu Evangelho, e assim, vivamos na simplicidade do teu amor incondicional. No nome de Jesus. Amém.

Pastor Glênio Fonseca Paranaguá. 

O CÁLICE DE AMARGURA.




Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. Mateus 26:39b.
Jesus estava no Getsêmani; e essa palavra tem duas partes. A primeira é “GET” que significa “pressão”. E em todos os lugares onde se produz oliveiras, existe um lagar onde uma prensa de pedra é colocada sobre as azeitonas e o óleo é extraído delas. “Prensa” é a palavra que serve de raiz às palavras “pressão” e “Stresse”. Todos nós encontramos tremendas pressões na vida que vêm sobre nós para nos desesperar, fazer desistir ou mesmo matar. Todo homem e toda mulher uma vez renascidos em Cristo Jesus estará em constante pressão para que não confiem em si mesmos, mas no Deus que ressuscita os mortos. Na vida cristã jamais podemos ignorar isto. Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos. 2 Coríntios 1:8-9.
A segunda parte da palavra Getsêmani é “SEMANI” que significa “óleo”, “perfume” ou “frutificação”. Onde há “Get” também existe “semani”. Por isso óleo, doçura, unção e muito fruto são alguns produtos resultantes de espremer as azeitonas. Em nossa vida diária sempre teremos pressão, mas também o óleo derramado. Nós sempre evitamos o quebrantamento e gritamos para sair da prensa. Queremos sempre alcançar o nível seguinte em Deus através de conhecimentos, estratégias e manipulações. Mas não é assim que funciona. Deus quer nos levar a prensa porque é onde poderemos verdadeiramente permitir que Ele controle as nossas vidas. Caso contrário a carne assumirá o controle conforme está escrito em Lucas 22:50 Um deles feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha direita.
No Getsêmani a vontade de Jesus não foi feita, as a vontade de Deus seu Pai. Ninguém poderia comprar com sangue a nossa salvação. Só alguém como Ele, sem pecado, sem mancha. Jamais alguém destruiria o poder do pecado e da morte como Ele o fez. A humanidade de Cristo implorou para ser livrado daquilo que sua divindade poderia ver. Mas Deus nos queria para Si a qualquer custo. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. 2 Coríntios 5:21.
Desde a eternidade, o Senhor Jesus e o Pai sempre foram um. Havia tal harmonia, tal unidade, tal amor, tal pureza. Nunca tinha havido uma nuvem, uma sombra. Mesmo quando nosso Senhor Jesus veio para ser homem, por trinta e três anos da Sua vida na Terra, não houve sombra, nuvem, nenhuma distância entre Ele e o Pai porque Ele agradava a Deus em todas as coisas. Ele sempre fez a vontade do Pai e o Pai estava sempre com Ele. Jesus disse em João 16:32b.  Contudo, não estou só, porque o Pai está comigo.
O Senhor Jesus agradou ao Pai em toda a Sua vida. Desde a eternidade, nunca houve uma separação entre Eles, mas sempre uma doce comunhão e união. Entretanto, o Senhor sabia que, se Ele bebesse daquele cálice, seria separado de Seu Pai. Isso é morte eterna; isso é inferno. Por amor ao Seu Pai, Ele recuou desse pensamento. Ele não queria ser separado de Seu Pai, mas era a vontade do Pai que Ele bebesse do cálice. Portanto, a batalha no jardim do Getsêmani foi sobre esta questão do cálice. Com relação à Sua vontade humana, Ele queria que este cálice fosse passado, não queria ser contaminado, separado. Esse era o clamor do coração do nosso Senhor Jesus. Mas vemos Jesus dizendo ao Pai emLucas 22:42: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.
Jesus entregou a Sua perfeita vontade humana à vontade de Seu Pai e a batalha foi vencida. Quando a salvação nos alcança, é de graça e, algumas vezes, temos a impressão de que a salvação é barata porque nós não pagamos nada. Ela é dada a nós gratuitamente, mas Deus deseja que saibamos quanto custou a Ele, quanto custou ao Seu amado Filho. Para que não nos esqueçamos do Getsêmani, da Sua agonia e do quanto Ele nos ama, vamos ao Calvário. Podemos crer realmente que a razão pela qual esta cena indescritível nos foi revelada, é para nos mostrar o profundo amor de Deus, o amor do nosso Senhor Jesus Cristo para conosco, para que nunca possamos nos esquecer do quanto Ele nos ama. Este é o fundamento da nossa salvação. Lemos em Hebreus 5:7-9 Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
Nosso Senhor é como a oliveira, cheio de óleo, nascido do Espírito, enchido com o Espírito, ungido com o Espírito. Durante toda a Sua vida, Ele foi como uma oliveira, tão perfeita, tão completa, tão bonita; no entanto, essa oliveira deve ser prensada, deve ser quebrada para que o óleo possa fluir para a cura do homem. Ali, naquele jardim, nosso Senhor Jesus foi esmagado. Aquele Homem visivelmente perfeito foi quebrado para que a vida pudesse fluir dEle para a cura das nações. Isto é Getsêmani. Vejamos o que houve com o Nosso Senhor Jesus naquela cruz. A Bíblia diz em Isaías 53:5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Irmãos, o propósito de Deus para as nossas vidas não é a salvação, mas sim reunir em Cristo todas as coisas e que a vida divina seja manifestada em nossas vidas. A salvação é só porque Adão e Eva comeram do fruto proibido, com isso se alienaram de Deus e tornaram-se independentes de Deus, assim como nós. É por isso que precisamos ser reconciliados com Deus para que o propósito de Deus se cumpra em nossas vidas. Como podemos pensar que o propósito de Deus é a salvação? Se pensarmos assim, parece que Deus nos fez para o pecado, para que Ele cumpra o Seu propósito nos salvando. Será que Deus nos fez para o pecado só para Ele vir nos salvar? A Bíblia não diz que todos pecaram e por isso precisam de perdão, mas sim que todos pecaram e carecem da glória de Deus conforme Romanos 3:23  pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.
Todos pecaram e com isso a glória de Deus não pode ser manifestada mais em nossas vidas. O pecado é o impedimento à manifestação da glória de Deus em nós. Somente através do novo nascimento, ou seja, da nossa morte e ressurreição em Cristo, que somos libertos plenamente do pecado, a fim de que a glória de Deus possa ser manifestada e revelada em nossas vidas. É por isso que Jesus bebeu o cálice da maldição de Deus sozinho para que nós pudéssemos beber o cálice da sua benção. Gálatas 3:13  Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro).
Ele foi feito maldição em nosso lugar e bebeu o cálice de amargura e porque nosso Senhor bebeu daquele cálice de amargura e de maldição, Ele nos deixou com o cálice de bênçãos. Quando participamos da mesa do Senhor é o cálice de benção que nós abençoamos, e a razão é que nosso Senhor bebeu o cálice de maldição para que nós agora tenhamos o cálice da benção. Este é um cálice que devemos oferecer aos nossos inimigos a fim de poder reconcilia-los com Deus, como disse Davi no Salmos 23:5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.Amém. Graça e paz.

Pastor Claudio Morandi.