quarta-feira, 23 de maio de 2012

OCUPANTES DE UMA OCUPAÇÃO OCA!



Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Eclesiastes 1:2
Todas as evidências indicam que Salomão é o autor deste livro bíblico. O seu título vem do grego ekklesiastes, que, em português, significa “pregador”. Esse termo, por sua vez, deriva da palavra ekklesia, podendo ser traduzida por “assembleia”, “congregação” ou o nosso verbete mais familiar, “igreja”.
O vocábulo ekklesiastes, na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento, foi uma versão da palavra hebraicaQoheleth, que quer dizer: “alguém que chama ou reúne” o povo. Assim, Salomão procurou reunir o povo para falar de uma vida oca de significado, usando, cerca de 38 vezes, a palavra vaidade ou vacuidade, isto é: vazio.
Vivemos num mundo frívolo em desvanecimento. Tudo aqui é passageiro. Além do que, a vida do ego se carateriza pela futilidade de suas ambições extravagantes. Foi com esta luneta que Salomão considerou os astros vaidosos da constelação do egoísmo.
Ele escreveu este livro no final de sua jornada, depois de ter experimentado todas as facetas da vaidade em seu estilo de viver como estrela cadente. Ele foi um homem picado pelo vazio existencial, mas, parece que no final da picada, achou o sentido real da vida.
O ser humano destituído de uma intimidade relacional profunda com Deus é um  ser  sem significado eterno e vazio. Salomão procurou mostrar aqui, em seu canto de cisne ou em sua última cartada, que nada neste mundo escapa ao conceito da insignificância. O fazer, o ter, o saber, o poder e até mesmo o ser, sem Deus, é pura vaidade.
Somos uma raça oca investindo em nada, embora alucinada por um significado real. Vivemos em busca do preenchimento de todo espaço vazio com coisas insignificantes.
Veja bem como o rei Salomão avalia toda essa labuta humana: Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento. Eclesiastes 1:14. Não sobrou nada. Toda a nossa ocupação parece vã. É perda de tempo nos preocupar com aquilo que não nos proporciona algo de valor eterno.
A pessoa que se ocupa em buscar o sentido da vida apenas em sua ocupação, quando esta lhe for tirada e tal pessoa ficar desocupada, com certeza, acabará perdendo todo o seu sentido de viver. Muitos aposentados morrem logo depois que se aposentam. Outros procuram preencher esse vazio com algo, seja lá o que for, a fim de encontrar um sentido para a sua vida, que subsiste desmotivada.
Eu creio que o trabalho seja uma das bênçãos da criação, bem como um atributo da natureza divina. Mas a realização pessoal adquirida pelo seu esforço cheia de cansaço em tudo o que faz, é consequência do pecado. Não me venha com apologia por aqui.
Por favor, não pensem, também, que estou defendendo uma vida ociosa, inútil, sem propósito; conquanto eu mesmo admire, de coração, esse ócio criativo, por vê-lo muito  produtivo. Acredito muito mais numa existência liberta dessa tirania executiva, quando eu mesmo entro no descanso acolhedor da aceitação incondicional do meu Abba. Para mim é muito gratificante viver e agir a partir da minha aposentadoria no amor de Cristo.
Deixe-me tentar explicar este ponto de vista singular. A semana velha do Antigo Pacto começava com seis dias de trabalho árduo, para depois encontrar o descanso, no final das contas, como um resultado do seu esforço estafante. O descanso era uma remuneração do desempenho bem sucedido. Isto vinha como o resultado do suor que caiu do rosto laborioso. Neste caso, era o mérito quem determinava as férias.
O modelo que Salomão apresentava de desempenho exaustivo, mas repleto de nonada, tinha como matriz esse velho esquema da “troca de favores”, em que a moeda circulante dependia do valor pessoal e da meritocracia dos excelentes. Isso, não só exibia sua nulidade essencial, isto é, o que eu fazia não valia nada, pois é efêmero; como ainda mostrava a vaidade existencial ou a arrogância do meu pobre eu, um executivo mortal.
Esse investimento insistente naquilo que está destinado ao fogo e patrocinado por uma glória em que o trono encontra-se numa lápide, lamento dizer: é lastimável. Gastar a nossa existência na terra só realizando coisas que vão perecer, ou esperando uma honra que fica sepultada, constitui-se numa maratona inatingível, correndo atrás do vento.
Sou, sim, a favor do labor proativo que visa os valores eternos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.João 6:27.
Trabalhar por uma subsistência que nos é dada graciosamente me parece muito, mas muito melhor que tentar conquistar por esforço aquilo que é inconquistável. Ninguém pode ser possuidor de qualquer bem aqui na terra. No máximo, pode ser mordomo.
Se a antiga semana propunha o descanso como um salário do trabalho concluído, a nova semana da graça faz com que o descanso seja a causa do trabalho, por eterna gratidão. Essa mudança de mentalidade entre a sexta-feira da paixão e o domingo da ressurreição torna o tempo sabático como causa de um trabalho radiante.
Na lei, o ser humano deveria desempenhar bem o seu encargo para poder depois descansar. Na graça, o filho descansa por causa do amor do Pai revelado no Calvário e sai para trabalhar com alegria, em razão de sua aceitação incondicional.
Aqui temos a diferença entre o odre velho e o novo; o judaísmo e o cristianismo. Para a religião judaica o êxito é fruto da obediência do praticante que o executou com o seu empenho. No evangelho, por outro lado, o sucesso é consequência de uma herança.
A religião faz do fiel vigoroso um executivo diligente, exigindo dele uma sujeição obtusa e cruel. O evangelho faz do indigente infiel, desse mendigo indigno que vive catando sentido no lixo do pecado, um filho legítimo do Pai celestial e promove a sua obediência voluntária pela subvenção do amor incondicional. Nenhum dos filhos de Abba vive instigado pelo ferrão do dever ou assustado com as exigências do medo.
Entre o trigal na igreja de Cristo Jesus, existe uma plantação de joio transplantado do judaísmo que é denominado de joio judaizante. Essa turminha se parece com cristão, mas, na verdade, é religiosa ao extremo. Tem uma linguagem semelhante, contudo, sua ênfase é a conduta moral do humanismo legalista. É uma tribo zelosa da aparência, mas sem entendimento. Tem cara de piedade, embora viva numa prisão do medo.
Na casa do Amor não há pancadaria nem pânico. Apesar da lida e de sua fadiga, não  há estafa. A condição de filho e, portanto, de herdeiro de Deus, remove a pressão da mentalidade de gerente. A motivação do serviço cristão é diferente dos requisitos da religião. Todos os vossos atos sejam feitos com amor. 1 Coríntios 16:14.
Quem for filho do Deus amoroso agirá sempre com a natureza herdada do seu Pai. Veja esse velho ditado: “filho de peixe, peixinho é”. Nunca ouvi dizer que uma piaba tivesse se matriculado numa escola de natação para aprender a nadar. Tudo faz crer que o amor nos filhos de Deus é também uma expressão natural de sua natureza regenerada.
O modelo religioso requer metas úteis de execução. Para você poder ser aprovado é forçosa a satisfação de certas tarefas. Mas a postura de filho é uma questão familiar. Os descendentes não preenchem funções para serem herdeiros. A filiação é uma questão de origem genética e a intimidade é relacional. Abba não tem funcionários, nem escravos, mas filhos legítimos que são amados e amam legitimamente.
Para responder logo àqueles que costumam contestar, os filhos do Pai são servos, sim, do Irmão mais velho. No modelo bíblico, o primogênito é o senhor e os irmãos, seus servos. No caso de Cristo, nós também somos seus servos, mas voluntariamente, pois foi para isto que ele nos libertou. No reino de Deus não há serviço sob pressão.
Há muitos empresários da religião querendo se passar por filhos de Deus. Mas eles apenas são ocupantes de uma ocupação oca de qualquer sentido. Como disse o filósofo e matemático Blaise Pascal, “que vaidade constitui a pintura! Ela recebe aplausos apenas por representar coisas, enquanto que os originais nem mesmo são admirados”.
Como uma pessoa vazia de amor poderá querer viver a plenitude da filiação divina, quando ela é tão somente uma mera caricatura da realidade? Escravo não é filho, nem pode ter essa condição. Ora, se Deus for amor de verdade e um Pai amoroso, com toda a certeza, os seus filhos, no mínimo, manifestam essa natureza no que fazem.
Não me falem em amadurecimento neste caso. Amor é amor. Talvez a piaba não possa nadar tão bem como um dourado de 8 kg, mas ela nada com desenvoltura. Você e eu, como filhos de Deus, podemos não amar plenamente como Deus nos ama, mas amamos com uma porção da plenitude do seu amor derramado em nossos corações.
A religião tenta identificar sua espécie pela conduta externa, pela “santidade” de fachada, pelo conhecimento armazenado, enquanto o evangelho da graça revela o amor do alto como a identidade singular dos filhos de Deus. Jesus afirmou com precisão que os seus discípulos seriam identificados apenas pelo amor. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. João 13:35. Aqui não há vaidade, pois esse amor não é dele, foi derramado em seu novo ser.
A vida cristã autêntica começa com o Pai nos fazendo morrer com Cristo crucificado, para, em seguida, sermos substituídos pela vida de Cristo ressurrecto. Cristo em nós é a essência do evangelho e a consciência de que o amor do Pai se manifesta através de cada um de nós. Assim, ninguém pode se envaidecer desta vida doada imerecidamente.
Não há vaidade em quem é nada, embora, Aquele que viva nele seja o tudo. Nunca se ouviu falar de um morto vaidoso. A vida cristã dispensa o ego por causa da sua morte na cruz com Cristo, sendo substituído pela vida suficiente de Cristo na ressurreição.
Todo aquele que tenta viver a sua vida por conta própria, encontra-se ocupado numa ocupação oca. Mas aquele que foi substituído pela vida de Cristo tem o seu vazio interior  ocupado por Aquele que é o significado de uma humanidade aceita no amor eterno.
Glória a Deus pela suficiência da graça e pela nossa aceitação furiosa no amor do Pai. Glória a Deus pela evaporação de qualquer vaidade nesse processo de identidade como filhos de Deus, sem a menor exigência de mérito. Glória a Deus porque podemos viver tranquilamente no descanso como aposentados pela suficiência de Cristo.
Aleluia.
Autor: Pastor Glenio Fonseca Paranaguá; Pastor da Primeira Igreja Batista de Londrina PR.

CRISTO É O TUDO DO QUE TODOS PRECISAM!



Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14:6
Todos nós nascemos com uma doença universal que é humanamente incurável e irreversível: o pecado. Esta doença podería ser representada por um acróstico que chamaríamos de “h i v” espiritual. A letra representaria a herança do pecado Eis que em iniqüidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe. Salmo 51:5. Esta é a herança que atinje em cheio toda a raça humana, contaminando-a com o pecado de Adão.
A letra sería a inclinação para o pecado Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras. Salmo 58:3. A inclinação das pessoas é voltada inteiramente para a maldade. É uma conseqüência direta do pecado de Adão. Toda a humanidade possui uma inclinação herdada para o pecado, que se manifesta na indiferença para com a vontade e “o caminho” de Deus. Esta tendência nos acompanha desde o nascimento. As crianças não precisam ser ensinadas para praticar o mal até a morte.
E, por fim, o v significaría a vontade de pecar Anteriormente, todos nós também vivia entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da iraEfésios 2:3. Não somos pecadores porque cometemos pecados; pecamos porque somos pecadores.
A vontade é aquilo que queremos por nossa própria escolha aprisionada e escravizada. Nossa vontade é escrava de uma rebeldia que nos separa do Pai Celestial. A natureza humana é caída e a sua rebeldia contra Deus é pessoal, mesmo que na maioria das vezes não seja declarada. A vontade do ser humano determina o que vai falarpensar e fazer. Enquanto esta vontade não for gerada e controlada por Deus nunca e de nenhuma maneira poderemos agradá-Lo para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado Efésios 1:6.
O pecado é o princípio que move as pessoas que ainda não sofreram os impactos da obra de Deus em Cristo. O pecado de Adão tornou impossível à humanidade ter acesso ao caminho da vida por seus próprios feitos E, havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida Gênesis 3:24.
Desde então, o ser humano se tornou alguém que vive uma separação natural de Deus. À partir do nosso nascimento natural já estamos em “rota de colisão” com a vontade Divina. Nascemos e vivemos numa estrada contrária àquele caminhopretendido e proposto por Deus ao nos criar porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus Romanos 3:23.
Mas, mesmo que as pessoas nasçam em rebeldia contra Deus, porque ainda persiste a intenção humana de ir ao encontro, forjando seus próprios caminhos para alcançar a um ser superior? E o que dizer do desejo íntimo e não satisfeito que a humanidade tem de se aproximar de alguma divindade?
No momento em que O Criador expulsou Adam (homem e mulher) do Éden, toda a busca do sentido da vida e o consequente vazio existencial gerado por esta busca só podem ser plenamente satisfeitos pela ação redentora de Deus, na suficiência da obra de Cristo e pela ministação do Espírito Santo que traz o convencimento da realidade da separação de Deus do pecado proque não crêem em mim João 16:9!
É no contexto desta encruzilhada de cegueira existencial humana que a afirmação cristocêntrica do Mestre em João 14:6 faz todo o sentido! A única capacidade que o ser humano tem, na tentativa de se re-aproximar de Deus, é a de criar sistemas teológicos e rituais religiosos que revelam somente a sua fuga e a distância do amor do seu Criador.
Disse-lhe Jesus é uma afirmação que remete a autoridade de Cristo. Fala também da origem e de quem é a posse desta autoridade. Disse-lhe é uma ação verbal presente, contínua e durativa que demonstra a certeza da afirmação que será feita. Este tipo de declaração de Jesus é sempre um pronunciamento que pode até ser rejeitado mas, não aceita a contestação ou o descrédito das avaliações humanas.
Sempre que nos reportamos a uma declaração revelada pelo Pai nas Escrituras, não devemos considerar somente o peso da autoridade de Quem fala, mas, a origem e as intenções redentoras contidas em Suas declarações. O maior beneficiário da revelação do Pai em Cristo é a nossa raça caída (separada de Deus) e humana (sem possibilidades de chegar até Ele).
Quando Jesus diz algo sobre a sua Pessoa e Obra, o benefício sempre recai sobre as pessoas que dão crédito às suas declarações. Quando o Mestre fala é para ser ouvido, crido e experimentado. Em nenhuma das declarações de Jesus cabe a dúvida ou mesmo o relativismo próprios do ser humano. Afinal, estas palavras só podem fazer efeito na vida daqueles que foram convencidos da sua absoluta impotência e carência humanas e se vêm necessitados da mensagem e da obra de Cristo na cruz!
Eu sou o caminho aponta para a centralidade de Cristo. O Eu sou é um jogo de palavras que enfatiza e centraliza todas as atenções de seus ouvintes, convergindo-as para uma só Pessoa. É o sujeito da ação chamando a atenção para Si mesmo. Esta declaração só pode ser feita por Quem tem totais condições de assumir a responsabilidade da centralidade em relação ao projeto redentor da Divindade.
A obra de Cristo, através da sua morte, ressurreição e ascenssão, abre o caminho para aqueles que crêem Nele. Está sendo apontanda aqui uma estrada ou caminhada única que levam a humanidade à restauração da comunhão com o Seu Criador, por causa daquilo que O Filho já realizou em Sua obra. Tem também o sentido de um “estado” ou uma “condição” na qual somos inseridos por uma única operação Divina: a obra da cruz!
Não se trata apenas de viver um estilo de vida diferente das demais pessoas. Neste caminho só podemos ser colocados por Deus, jamais poderíamos achá-Lo por nós mesmos. Seguir por este caminho proposto pelo Senhor é trilhar na contra-mão da história humana em sua fuga de Deus e sempre enclausurada na mesma tentação feita no Éden e sereis como DeusGênesis 3:5. Estar no caminho é andar pela estrada sem volta que leva a Deus. Esta estrada de mão única que nos conduz ao paraiso calestial, sempre apontou (Antigo Testamento), aponta e apontará (Novo Testamento) para a bendita Pessoa de Cristo!
E a verdade diz respeito ao conteúdo ensinado pela Pessoa de Cristo sobre Si mesmo. Por esta razão, a verdade revelada por Deus em Cristo é a não-ocultação de Sua intenção redentora na esfera da eternidade. A verdade revelada pelo Pai é o Seu tema teológico principal: o ensino do Seu Filho Amado!
A experiência do conhecimento da verdade de Deus em Cristo, exige uma relação harmônica e pactual entre Aquele que a revela e o que a recebe com conteúdo revelado. Cristo é a verdade que converge a Pessoa Daquele que está em nós com aquilo que somos, isto é, com aquilo que queremos, sentimos, pensamos e fazemos.
Só conhecemos a verdade quando somos levados a experimentar a realidade, autenticidade, confiabilidade e dependência total da Pessoa que se auto-personifica ou se diz ser a verdade em Pessoa: Cristo!
E a vida nos remete a essência da obra de Cristo. É o dom que Deus dá possibilitando a comunhão com Ele. Viver a vida de Cristo significa participar de uma realidade imperecível e plenamente triunfante sobre a nosssa morte. É viver através de uma vida que não é e nem pode vir de nós mesmos. Uma das coisas mais significativas da teologia de João é o fato de situar a possibilidade da vida, que é o próprio Cristo e tem dimensões eternas, à partir da realidade presente de quem conhece o Filho E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verddeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste João 17:3.
Ninguém vem ao Pai senão por mim diz respeito ao acesso ao Pai pela obra do Filho. O verbo vem enfatiza uma ação que acessa a humanidade ao Pai pela obra de Cristo. Também chama a atenção para o fato de que o maior beneficiário nesta obra de Deus em Cristo é a humanidade. É impossível irmos até Deus por nós mesmos porque a intenção redentora Divina é fazer o caminho contrário.
Não existe nada que possamos fazer para nos achegar a Deus. O máximo que conseguimos por esforço próprio é forjar sistemas religiosos, oriúndos da religiosidade humana desde o Éden. A única coisa que podemos e devemos fazer é “crer” que Cristo já fez tudo em Sua obra, proporcionando o caminho de retorno à comunhão com o Criador! “Todo o que vê a Cristo pela fé, vê ao Pai Nele” Matthew Henry.
A suficiência do método redentor Divino está no fato de Ele vir até mim e não em minha tentativa de ir até Ele! Cada pessoa que nasceu, nasce ou nascerá neste planeta é objeto exclusivo de um amor Divino que não desiste da raça humana “Deus ama tanto a cada um como se não existisse ninguém mais a quem pudesse dedicar seu amor” Santo Agostinho. Somente a Sua vinda até nós pode fazer com que nos acheguemos a Ele!
Porém, apesar de sermos uma humanidade amada pelo Seu Criador, ninguém pode ser incluido neste projeto redentor de Deus, enquanto não for levado a confessar que é somente pela fé Dele gerada em nós, que temos acesso à Sua gloriosa presença!
Nunca existiu, existe ou existirá uma só pessoa que não precise passar pela obra da cruz. Não há nada que eu possa ou deva fazer para contrariar a esta intenção eterna do Pai. Mas, para que a obra de Cristo seja reveladaa nós, precisamosdesistir de viver tentando conquistá-Lo e agradá-Lo por nós mesmos. O Pai não se deixa levar a não ser pelo Seu próprio amor expressado em Cristo na obra da cruz.
A obra de Deus em Cristo é demarcada pela dinâmica da morte. O Pai só tem relacionamento e comunhão com pessoasmortas-vivas, ou seja, aqueles que já foram mortos para o pecado em e através da Sua obra no calvário e vivificados pela ressurreição do Filho, revelada pelo Espírito. Deus não tem relacionamento com pessoas vivas-mortas que ainda tentam fazer a sua lição de casa religiosa para obterem acesso ao Pai. São os que ainda estão mortos em seu pecado e pensam que podem viver ou se aproximar de Deus por si mesmos.
crer na obra de Cristo só acontece quando o Pai, pelo Espírito, nos revela que é somente pelo desempenho redentor doFilho que temos acesso a Ele! Que o Senhor nos revele que este fato universal centralizado em Cristo, a obra da cruz, pornós, em nós e para a Sua glória!
Autor: Pastor Mauricio Mantovani; Pastor da Primeira Igreja Batista de Londrina PR.

VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS!



Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 1 Coríntios 10:31
“Um dos maiores empecilhos à paz interior, que o crente encontra em sua carreira cristã, é o hábito bastante comum de dividirmos nossa vida em duas áreas, a sagrada e a secular. Se aceitamos que essas áreas existem à parte uma da outra, e que são moral e espiritualmente incompatíveis, e se, a despeito disso, somos obrigados, pelas necessidades da própria existência, a cruzarmos e entrecruzarmos constantemente uma área com a outra, nossa unidade interior tende a se desfazer, e passamos a ter uma vida dividida, em lugar de uma vida unificada.” A. W. Tozer.
Todos nós nascemos pecadores, mortos espiritualmente de modo que passamos a viver sob o jugo das hostes espirituais da maldade, e, portanto, separados de Deus - mortos para Ele. Até aí, pelo fato de sermos escravos e consequentemente dominados pelo pecado, somente temos uma opção de vida: vida no pecado. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:4-10.
Assim, é a ação direta, misericordiosa, graciosa e contundente do Pai em nós, que meio de Cristo Jesus, nos dá uma nova vida – vida no espírito, e o que estava morto passa a viver. “Viver para Deus.” VIVER PARA DEUS?
Você, nascido de novo, vive para Deus? Vive para agradar ao Pai? Tudo o que você faz, é para a glória de Deus?
Jesus, falando aos judeus lhes disse: E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada. João 8:29. Paulo, preocupado com a experiência dos irmãos que viviam em Éfeso, os escreveu assim: Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. Efésios 4:17-19.
Todavia, podemos agir aparentemente de forma correta, parecendo que estamos buscando a presença do Senhor, mas, interiormente, em nossos corações, temos intenções incorretas e então podemos cometer um grave erro, qual seja: achar que estamos vivendo a vida espiritual, na intimidade com Cristo, quando, na verdade, esse comportamento pode ser estritamente religioso. Em Isaías 29:13 o Senhor dá o diagnóstico desse comportamento: Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina. Em resumo, podemos estar convencidos em nossa alma que estamos agradando a Deus, orando, lendo a Bíblia, entoando louvores, ou indo à igreja, quando na realidade, essas atitudes estariam sendo manifestadas na carne.
Como vimos acima, o nascido de novo, pela fé em Cristo, possui comunhão com Deus que é a vida espiritual, mas ainda encontrando-se no mundo, em um corpo carnal, continua portador da natureza terrena, suscetível a todos os tipos de ataques mundanos. Ou seja, como descendentes de Adão vivemos sujeitos às limitações da carne e às fraquezas e males herdados pela natureza humana, como afirma Tozer.
Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras. Tito 2:11-14.
O processo de purificação, que também chamamos de santificação, que é o mesmo onde Paulo usa a expressão “educando-nos”, inclui o despojar-se do velho homem que se corrompe e o revestir-se do novo homem, com todo um aprendizado de Cristo, com quebras de paradigmas, renovação da mente no espírito e mudanças radicais de comportamentos advindos da parte de Deus, conforme está escrito: Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Efésios 4:20-24.
Despojar-se do velho homem e revestir-se do novo homem é o processo de validação e reconhecimento da importância da obra redentora e santificadora realizada na Cruz em nosso favor antes da fundação do mundo pelo Cordeiro Santo de Deus.Pois todos vos sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Gálatas 3:26-27. Como? Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. 2 Coríntios 4:10-11.
Levar uma vida para a glória de Deus consiste em um caminhar em direção à integridade, ou seja, sermos inteiros e não divididos, significa viver na terra na presença de Deus Pai no Espírito. Romanos 8:13: Pois se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Não há distinção entre: falar de negócios e pregar o evangelho. Você pode trabalhar pregando ou pregar trabalhando. Tudo é para a glória de Deus. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências. Romanos 13:12b-14.
Toda essência da vida cristã esta nas intenções do nosso coração e é ali que estão os olhos do nosso Pai celestial. 2 Crônicas 16:9a: Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele, e Ele anseia pela conquista do nosso coração. Mateus 6:21: Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. O cristão é chamado para viver de maneira estupendamente à contramão do mundo. Deus propõe o comportamento, e providencia o recurso, que é a presença do Espírito em nós manifestando a vida do Filho. Revista-se do Filho, permaneça Nele e dareis fruto! João 15:5: Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; sem mim nada podeis fazer.
Se permanecermos em Cristo e nos revestirmos Dele, Ele nos “empoderará” para viver como filhos da luz, o que está proposto no restante do texto de Efésios 4:25-32: Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Nele, em Cristo, podemos não mentir mais, mas falar a verdade, não falarmos coisas que fazem mal ao outro, mas o que edifica o necessitado, transmitindo graça. A presença de Cristo na vida do novo nascido o desprende das coisas terrenas, porque o Senhor Jesus Cristo, que é o governo, pensa nas coisas celestiais e nós que estamos no corpo, Igreja, nos movemos segundo o cabeça! Atos 17:28a: Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos.
Viver para a glória de Deus é viver totalmente em Cristo e completamente envolvidos com os interesses do reino celestial. As boas obras vão aparecer porque são consequência do propósito de Deus para o Seu povo. Efésios 2:10: Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.Deus queria desde a libertação do povo do Egito por meio de Moisés, que este povo o representasse diante dos outros povos. Deuteronômio 4:5-6: Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente.
Viver para a glória de Deus é viver pela fé! Somente em Deus podemos confiar cegamente! Se Ele diz: faça! Façamos por amor a Ele, ao seu Filho, ao Espírito Santo e aos seus interesses. Em Tiago 2:14-17: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
Viver para glória de Deus é viver amando o próximo. João13:35 diz: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
Amém.
Autor: Irmão, Mario Rocha Filho.