segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O MINISTÉRIO DO REINO DOS CÉUS.

Então, se aproximaram os discípulos e lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas? Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido. Mateus 13:10-11. No capítulo treze de Mateus encontram-se sete parábolas narradas pelo nosso Senhor Jesus. Parábola é uma narração alegórica que evoca elementos do cotidiano para ilustrar verdades espirituais. Mistério é tudo aquilo que a sabedoria humana é incapaz de compreender ou explicar o “mistério” que permaneceu oculto ao longo dos anos, foi revelado aos “pequeninos”: Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Mateus 11:25. O mistério que esteve oculto, e que agora, nos foi revelado é: A boa nova do evangelho: Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém! Romanos 16:25-27. A revelação deste “mistério” é inicialmente indicada por João Batista, quando disse: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Mateus 3:2. Em seguida, o nosso Senhor confirma esse fato: Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Mateus 4:17. O Reino dos céus está aqui! O Reino dos céus chegou! Esse foi o mistério que esteve guardado ao longo das eras, o Reino dos céus desceu até nós e está entre nós e, o Reino dos céus é Deus entre os homens: e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco). Mateus 1:23. O Reino dos céus está ativo entre os homens. Deus-homem está, de fato, aqui - o Deus que desce para buscar e salvar os perdidos. Deus-Homem, entre os homens, esse o grande mistério da piedade: Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória. 1 Timóteo 3:16. Deus entre os homens é uma estupenda notícia; é Deus dentro do homem! Como explicar isso? Esse fato é um mistério que não pode ser entendido pela racionalidade dos sábios e instruídos, mas somente pela fé. Por isso o pai o revelou aos pequeninos. E, o que é fé? Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. Hebreus 11:1. A primeira bem-aventurança anunciada no sermão do monte pelo nosso Senhor Jesus é: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Mateus 5:3. Quem são os humildes de espírito? São os pequeninos. E quem são estes pequeninos? Os mendigos. E, quem são os mendigos? São todos aqueles que podem dizer: Miserável homem que sou! E, quem são estes miseráveis? São todos aqueles que descobriram que nada podem fazer por si mesmos. Veem-se falidos interiormente, sem forças, sedentos por Deus e, que sabem que não há outra fonte para mitigar a sua sede, a não ser o próprio Deus: Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. João 4:14. Por isso, Deus, em Sua graça, enviou Seu Filho entre os homens, para que estes ao recebê-Lo se tornassem Seus Filhos. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. João 1:11-13. Observe que a decisão de sermos feitos Seus filhos é de Deus. “Não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” Como não há nenhuma participação do homem, o que ele deve fazer? Ouça o profeta: Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos. Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes. Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis. Ezequiel 37:1-5. Essa é uma visão triste de um “mundo” sem Deus: são simplesmente “ossos secos”, isto é, sem vida. Alguém fez a seguinte analogia: O planeta terra como um grande caixão e a tampa deste caixão é este céu azul, Jesus desce, abre a tampa, e diz: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? João 11:25-26. Eis o mistério que a mente caída não pode explicar - o Deus-Homem - Aquele que habitou entre os homens, Cristo Jesus, agora, vivendo em nós: o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória. Colossenses 1:26-27. Se houve uma manifestação de grande alegria pela presença de Emanuel entre nós, como explicar essa alegria em vê-Lo dentro de nós! O Reino dos céus está dentro de vós ou dentro em vós: Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós. Lucas 17:20-21. Quais são as características do Reino de Deus? Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Romanos 14:17. Será que já nos demos conta de que a própria vida do céu habita em nosso interior, aqui e agora? Isto equivale a dizer que, em qualquer lugar que estivermos é céu na terra porque, Cristo em nós, é céu na terra. É imperativo entendermos que, para Deus não há nada além de Cristo. O que Deus deu aos homens foi o Seu Filho. Esperamos ter pelo menos um raio de luz brilhando em nós, nos levando a concluir que o Senhor é Tudo. O mistério do reino dos céus já nos foi revelado - Cristo vivendo em nós. Como ter certeza da Sua presença em meu interior? Porque está escrito: Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:19-20. Portanto, não há nada mais, além disto: o nosso eu pecaminoso foi crucificado. Deus nos substituiu. Ele tirou a nossa vida pecaminosa, e colocou em seu lugar o próprio Cristo. Esse é o mistério que nos foi revelado: Cristo habitando em nós. Este é o mistério do Reino dos céus. Agora, nos perguntamos, por que Reino? Observe: O Rei que vive em nós, já o identificamos: É Cristo. Também entendemos que um Reino é constituído de súditos e, quem são os súditos? Todos os filhos de Deus, aqueles que foram comprados pelo sangue do Cordeiro. Então, por que Reino? Reino significa domínio, e isto significa que estamos sob o comando de um Rei. O que significa ser súditos de um reino onde o Rei é Jesus? Nenhuma resposta poderá expressar plenamente o que significa ser governado por um Rei que é extremamente amoroso. Toda a atmosfera desse reino é de paz e amor. O amor Dele é terno, sábio e forte. “Oh mistério dos mistérios, Calvário, negro Calvário! Os sofrimentos de Cristo e... as glórias que os seguiram” são “coisas que os anjos anelam perscrutar”, no entanto, criaturas caídas desprezam e rejeitam o Cordeiro, o objeto de toda a adoração do Céu. Somente na eternidade, purificados e livres das restrições do corpo de barro, é que os redimidos dentre os homens serão capazes de entender o pleno significado da Sua Cruz de Vergonha, e cantar com a mais profunda adoração: “Digno és tu... pois foste imolado.” (Jessie Penn Lewis). O mistério do Reino dos céus nos foi revelado – Cristo vivendo em nós. Nossa nova vida deriva inteiramente de Cristo. A nova vida é governada pela vontade de Cristo, ela busca os alvos de Cristo, ela respira o Espírito de Cristo. “Para mim o viver é Cristo”. Amém! Autor: Pastor Humberto Xavier Rodrigues - Pastor da 1 Igreja Batista em Londrina PR.

COMISSIONADOS.

Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; instruindo-os a observar todas as coisas que vos tenho mandado. Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo. Mateus 28:19-20 Este texto é geralmente conhecido pelo nome de “a grande comissão”. Mas, qual é o sentido do termo comissão? Sejam quais forem os muitos conceitos que a missiologia (estudo sobre a missão cristã) traz sobre a palavra comissão, há um princípio que jamais poderá e deverá ser esquecido: toda missão cristã não pode ser outra coisa senão o reflexo da ação de Deus em e através do Seu povo adquirido! Quem são os comissionados? Comissionados são as pessoas conquistadas pelo amor do Pai presente na obra do Seu Filho e revelada pelo Seu Espírito! São pessoas chamadas para viver, proclamar e ensinar em nome Daquele que as chamou para partilhar da Sua glória. É por esta razão que na igreja de Cristo não existem voluntários predispostos a “tapar brechas” ou “cargos eclesiásticos” mas, chamados a exercer e suportar as cargas de ministérios que foram dados e capacitados pelo Pai. Através do texto bíblico em questão, podemos constatar que os comissionados são toda a Sua igreja e em todas as épocas! A missão destes comissionados consiste em glorificar a Deus, vivenciando, proclamando e ensinando sobre a revelação da Pessoa e Obra de Deus em Cristo e capacitados pela ação do Seu Espírito! Logo, na comissão dada pelo Pai Celestial não há nada que possamos fazer por nós mesmos! Nossa nova vida (regeneração) e comissão (ministérios) são somente e inteiramente o reflexo da ação de Deus em Cristo! Mergulhando neste texto bíblico podemos observar que o verso 19 traz uma forma verbal que sinaliza um tipo de ação inequívoca e certeira que deveria ser praticada pelos discípulos de Cristo. É um modo verbal definido pela realidade de um fato crido e praticado. Expressa a maneira como o “ide” deveria ser praticado: eles deveriam “indo sempre”. É um sentido imperativo (uma ordem) para se praticar uma ação de modo dinâmico e jamais estático. Aqui o ide de Jesus é uma ação que não transmite a ideia de término ou cessação de atividade. Fazer discípulos a maneira de Deus em Cristo deve ser encarado como atividade constante da igreja cristã e sem se preocupar com a limitação de tempos na cronologia da história humana. O pronunciamento de Jesus é direcionado àquelas pessoas que praticariam ação do “ide” durante toda a trajetória terrena da igreja de Cristo. A conjunção portanto nos dá uma ideia de continuidade daquilo que Jesus havia falado com o ensinamento que virá a seguir. Aqui, a palavra portanto tem a função de ligar enfaticamente a ordem inicial do ide a outra ação subsequente, dando-lhe a conotação de continuidade dos propósitos de Deus na e para a vida de Seus discípulos. O verbo fazei discípulos também pode ser traduzido como “façam com que sejam Meus discípulos”. Na verdade os discípulos são feitos pala ação Divina e o mandado é dado aos discípulos no sentido de serem os pregadores e ensinadores de um discipulado que só O Senhor pode fazer! Só Deus faz discípulos em Cristo e pela ação do Seu Espírito. Neste caso a função da Sua igreja é “sair a campo” com esta comissão. Também é importante ressaltar que nos primórdios do cristianismo não havia “classes de discipulado” por tempo determinado e com direito a certificados de conclusão. Existiam discípulos e discípulas sendo “moldados” à imagem do Filho de Deus! Muitas vezes importamos modelos criados pela pedagogia humana e os incorporamos às atividades da igreja de Cristo sem muito critério bíblico. É imprescindível que examinemos a essência, a sequência e a maneira de Deus fazer Seus discípulos, para que não façamos nada que não seja orientado pela Sua palavra revelada. O discipulado é uma atividade que também envolve o treinamento de pessoas por tempo “indeterminado”. Discipular é um imperativo ou uma ordem a ser cumprida por toda a “era da evangelização” sem que haja a preocupação com a sua cessação por parte da igreja. Ninguém faz de ninguém um discípulo de Cristo. Também ninguém nasce discípulo. Discípulos são feitos exclusivamente pela ação do Pai! O discipulado de Cristo é um trabalho que enfatiza a extensão grandiosa e sem fronteiras desta ação de Deus em alcançar e moldar pessoas de todas as nações e povos do mundo. Por isso, é impossível à igreja medir ou determinar o número de pessoas a serem alcançadas pelo evangelho e os limites geográficos da sua comissão. Fica evidente que neste texto bíblico não existe a ideia de que O Pai faça alguma distinção entre pessoas de qualquer nação organizada ou grupo étnico isolado da suposta “civilização humana”. O verbo batizando-os, também pode ser traduzido como batizando esses seguidores. Isto dá uma ideia muito interessante sobre a ordem das coisas. O batismo seria uma ordenança para tornar pública a experiência de uma pessoa já conquistada pelo Espírito Santo! Ou seja, o batismo seria ministrado somente aos que já eram discípulos de Cristo! O batismo era uma cerimônia celebrada e repetida cada vez que novos discípulos eram ganhos para Cristo. É como se fosse um ato de obediência para com aqueles que já haviam respondido positivamente ao “ide” e ao “fazei discípulos”. Batizando-os é um verbo particípio presente ativo, denota uma ação de natureza contínua, devendo ser praticada sempre e em obediência à comissão dada pelo Mestre. O jogo de palavras em o nome traz-nos uma ideia que salienta a instrumentalidade do “nome” ou da pessoa de Jesus como o fundamento e agente do ato batismal mencionado acima. Todas estas ações anteriores (ide, fazei discípulos e batizando-os) seriam legitimadas pela participação da Trindade Santa: em o nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. O batismo bíblico é uma ação da Trindade! A sequência formada pela preposição, pelos artigos e substantivos que identificam a Trindade enfatiza claramente de quem vem a autoridade de quem comissiona a igreja para ir, fazer discípulos e batizá-los. É importante deixar claro que a primeira palavra desta sequência, a preposição em, dá-nos um sentido de “inclusão” numa nova realidade. Tal batismo simbolizaria externamente uma realidade espiritual interna de inclusão da pessoa discipulada e batizada na obra de Deus em Cristo e pela ação do Espírito. Inclusão legitimada com a participação ativa de toda a Trindade. O verso 20 começa com o verbo instruindo-os que possui também uma força “imperativa” em relação aos seus futuros seguidores, ou seja, trata-se de outra ordem ou mandado expresso e enfático da parte de Jesus. A ordem agora é que os Seus discípulos sejam encarregados da continuidade do projeto evangelístico de Deus: instruir pessoas vivas para Deus que irão viver a nova vida que receberam. É gente viva ensinando pessoas vivas a viverem a vida de Cristo! É uma “classe de gente que tem a vida do Filho”. Esta é a instrução bíblica relacionada somente aos viventes seguidores, aptos a receber o ensino sobre o evangelho de Cristo. A ação deveria ser contínua por causa do modo particípio e do tempo presente. Também, fica claro que a ação de ensinar deveria ser da responsabilidade dos que já fossem discípulos de Cristo. Aqui temos também a ideia da obediência como forma de resposta da parte da turma de novos discípulos de Cristo. Estes novos discípulos deveriam refletir uma postura de contrapartida ativa àquilo que lhes fora ensinado sobre as verdades concernentes ao evangelho. É uma questão de compartilhar do evangelho através da vida de Cristo gerada nestes novos discípulos. Instruindo-os a observar significa que a verdadeira vida só se transmite através da Vida de Cristo. Observar não tem o sentido de mera transmissão de conceitos sobre Deus. A expressão pode ser traduzida como instruindo-os a conservar ou manter aquilo querendo ressaltar a vida que já lhes foi implantada: a vida de Cristo!O tempo presente e a voz ativa aplicada definem que a ação de discipular pessoas deveria ser uma prática constante da parte dos discípulos. A palavra toda ou todos significa que o ensino do evangelho deveria ser observado em todas as suas implicações da vida humana. O ensino de Cristo deveria invadir todas as dimensões da vida de Seus discípulos. A expressão que é uma forma enfática de se falar de todas as coisas que deveriam ser ensinadas, em outras palavras, os ensinos de Jesus deveria ser transmitidos em sua “integralidade”. A revelação bíblica sobre o evangelho de Cristo não aceita as fragmentações teológicas que somos capazes de produzir. O verbo eu ordenei ou tenho ordenado nos dá a ideia de uma ação sem tempo definido para acabar, ou melhor, de uma prática ininterrupta até segunda ordem, de forma certeira e de uma maneira que implicaria em benefício aos Seus discípulos. Ou seja, é como se Jesus estivesse dizendo assim: “Eu ordeno que vocês certamente transmitam o Meu ensino, por tempo indeterminado, como forma de benefício para vocês mesmos”. E, por fim, o verbo eu estarei sempre convosco ou estou sempre vocês menciona uma ação inerrante, certeira, constante e ativa que tão logo estará sendo praticada por Jesus Cristo. Estou ou estarei, são as possibilidades de se traduzir para a nossa língua uma realidade (ação) constante da parte do nosso Mestre. As palavras todos os dias já nos trazem uma dimensão temporal até o cumprimento previsto pelo Pai e uma ênfase na segurança em relação à presença de Cristo em Seus discípulos. A última palavra desta série merece uma atenção especial pelo fato de ser um elemento determinante, indicando um tempo futuro e indefinido, sendo traduzida por até e que tem a função de fechar o pronunciamento de Jesus como últimas instruções aos Seus discípulos. Ressalta que a soberania sobre o “tempo” pertence em última instância a Deus. Podemos traduzir este jogo de palavras assim: o fim dos tempos ou até que os tempos sejam completados. Por aquilo que esse conjunto de palavras representa, temos a nítida ideia de que o tempo de Deus está além da sequência e da medição da cronologia humana. O tempo de Deus é um tempo sem tempo. É a eternidade invadindo a finitude da história humana. Mais do que as dimensões de tempo, de espaço e de matéria, Jesus se apresenta “a garantia da presença de sua Pessoa e Obra” naqueles que foram conquistados pelo Seu amor e são reproduzidos através da Sua vida! Amém! Autor: Pastor Mauricio Mantovani - Pastor da 1 Igreja Batista de Londrina PR.

DO LUGAR RASO PARA AS PROFUNDEZAS.

Enquanto você lê este livro, pode sentir que simplesmente não é uma daquelas pessoas capazes de uma profunda experiência com Jesus Cristo. A maioria dos cristãos não percebe que é chamada para uma relação mais profunda, interior, com o seu Senhor. Mas todos nós fomos chamados às profundezas de Cristo, tão certo como fomos chamados para a salvação. Que quero dizer quando falo desta profunda e interior relação com Cristo Jesus? De fato, é algo muito simples. É apenas voltar-se e render seu coração ao Senhor. É a expressão de amor por Ele, dentro do seu coração. Você há de estar lembrado de que Paulo nos encoraja a “orar sem cessar’ (1 Ts 5.17). O Senhor também nos convida a “vigiar e orar” (Mc 13.33, 37). É claro, por estes dois versículos, bem como por muitos outros, que todos nós vivemos desta espécie de experiência, esta oração, assim como vivemos pelo amor. Certa vez, o Senhor disse: “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres” (Ap 3.18). Querido leitor, há ouro disponível para você. Este ouro é muito mais facilmente obtido do que você jamais poderia imaginar. Esta à sua disposição. O propósito deste livro é lançar você nesta exploração e nesta descoberta. Faço-lhe um convite: se você tem sede, venha às águas vivas. Não gaste seu precioso tempo cavando poços que não têm águas (Jo 7.37; Jr 2.13). Se você está faminto e nada pode achar para satisfazer a sua fome, então venha. Venha e ficará satisfeito. Você que é pobre, venha! Você que está aflito, venha! Você que está abatido com seu fardo de miséria e de dor, venha! Você será confortado! Você que está enfermo e precisa de um médico, venha! Não hesite por causa das suas enfermidades. Venha ao seu Senhor e mostre-Lhe todas as suas doenças, e elas serão curadas! Querido filho de Deus, seu Pai tem Seus braços de amor, largamente, abertos para você. Atire-se em Seus braços. Você que tem andado errante e desgarrado como uma ovelha, volte-se ao seu Pastor. Vocês que andam em pecado, venham ao seu Salvador. Dirijo-me, especialmente, àqueles que são muito simples e incultos, mesmo a você que não pode ler e escrever. Você pode pensar que é a pessoa mais incapaz para esta experiência permanente de Cristo, para esta oração de simplicidade. Você pode pensar de si mesmo como o mais distante de uma profunda experiência com o Senhor; mas, de fato, o Senhor tem escolhido especialmente você! Você é o mais ajustado para conhecê-Lo bem. Que ninguém se sinta deixado de fora. Jesus Cristo chama a todos. Oh, suponho que há um grupo que é deixado de fora! Não venha, se você não tem um coração. Veja: antes de vir, há uma coisa que você precisa fazer. Primeiro, precisa dar seu coração ao Senhor. “Mas não sei como dar meu coração ao Senhor!” Bem, neste livrinho você aprenderá o que significa dar seu coração ao Senhor, e como fazer esta dádiva a Ele. Deixe-me perguntar-lhe, então: você deseja conhecer o Senhor de uma maneira profunda? Deus fez que tal experiência, tal caminhar, seja possível para você. Fez com que isso fosse possível, através da graça que tem dado a todos os Seus filhos remidos. Ele o fez por meio de Seu Santo Espírito. Como, então, você irá ao Senhor para conhecê-Lo de um modo profundo? A oração é a chave. Mas tenho em mente certo tipo de oração. É um tipo de oração que é muito simples e, contudo, assegura a chave para a perfeição e para a bondade – coisas que são achadas somente em Deus mesmo. O tipo de oração que tenho em mente libertará você da escravidão de todo o pecado. É uma oração que o libertará para cada virtude da piedade. Você vê: o único caminho para ser perfeito e andar na presença de Deus. O único modo pelo qual você pode viver na Sua presença, em comunhão ininterrupta, é por meio da oração, mas um tipo muito especial de oração. É uma oração que o leva à presença de Deus e o conserva aí por todo o tempo; é uma oração que pode ser experimentada sob qualquer condição, em qualquer lugar, a qualquer tempo. Há mesmo tal tipo de oração? Existe realmente tal experiência com Cristo? Sim, há tal oração! É uma oração que não interfere nas atividades exteriores de sua rotina diária, que pode ser praticada por reis, sacerdotes, soldados, operários, crianças, mulheres e também pelos enfermos. Permita-me apressar-me em dizer que esta espécie de oração a que me refiro não é uma oração que vem da mente. É uma oração que começa no coração. Não vem do seu entendimento ou de seus pensamentos. Oração oferecida ao Senhor, que sai da sua mente, simplesmente não será adequada. Por quê? Porque sua mente é muito limitada. A mente pode dar atenção a somente uma coisa de cada vez. A oração que brota do coração não é interrompida pelo pensamento! Vou tão longe, a ponto de dizer que nada pode interromper a oração! É a oração da simplicidade. Oh, sim, há uma coisa que a pode interromper. Desejos egoístas podem fazer com que esta oração cesse. Mas, mesmo assim, há encorajamento, pois uma vez que você começa a se alegrar no seu Senhor e a provar a doçura de Seu amor, verá que mesmo seus desejos egoístas não terão qualquer poder. Você verá que é impossível ter prazer em qualquer outra coisa, exceto Nele! Compreendo que alguns de vocês podem sentir que são muito vagarosos, que têm uma compreensão pobre e que são pouco espirituais. Caro leitor, nada há neste universo que seja mais fácil de obter do que o gozo de Cristo Jesus! Seu Senhor é mais presente a você do que você mesmo! Mais ainda, Seu desejo de dar-Se a você é maior do que seu desejo de assegurar-se Dele. Como, então, você começa? Precisa somente de uma coisa. Precisa somente saber como procurá-Lo. Quando achar o modo de buscá-Lo, descobrirá que este caminho para Deus é mais natural e mais fácil do que aspirar o ar. Por esta oração de simplicidade, este experimentar de Cristo, profundamente, você poderá viver pelo próprio Deus, com menor dificuldade e com menos interrupção do que viver pelo ar que respira. Se isto é verdade, então pergunto: não será pecado não orar? Sim, seria um pecado. Mas uma vez que você tenha aprendido como buscar Jesus Cristo e como assegurar-se Dele, você O achará tão facilmente que não mais negligenciará esta relação com seu Senhor. Vamos adiante, portanto, e aprendamos esse modo simples de orar. Extraído do Livro Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo Através da Oração ( Livro disponível no Filho Varão). Autora: Madame Guyon

O NOVO NASCIMENTO.

O NOVO NASCIMENTO O novo nascimento é o primeiro estágio da vida cristã. Como disse Jesus, é necessário um pecador ser regenerado ou nascido de novo para ver e entrar no Reino de Deus: “Disse Jesus: Se alguém não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. Se alguém não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” João 3.3, 5. Nascer de novo não é batismo nas águas, ou sair por milagre de algum perigo de morte, mas ser feito por Deus uma nova criatura em Cristo Jesus: " Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura" Gálatas 6.15. Tudo começa pelo nascimento, assim também a vida espiritual começa pelo novo nascimento. Todo homem nasce numa geração corrupta e perversa e não há como melhorar essa raça, só criando novamente: " Ninguém cose remendo de pano novo em vestido velho; do contrário o remendo novo tira parte do velho, e torna-se maior a rotura" Marcos 2.21.. O novo nascimento também não é uma obra que o homem pode produzir. Como no nascimento natural nada fizemos para nascer, mas foi uma vontade de nossos pais, no novo nascimento não podemos fazer nada, pois ela foi uma obra exclusiva da vontade soberana de Deus: "Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da decisão humana (versão internacional), mas da vontade de Deus" João 1.13. "Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas" Tiago 1.18. Muitos esperam que Deus faça neles esse novo nascimento, mas o novo nascimento não é algo que Deus irá fazer agora, Ele já realizou esta obra em Cristo. O novo nascimento é realizado pelo Espírito e pela Palavra de Deus mediante a fé na obra realizada por Cristo na cruz. Ninguém pode nascer, sem primeiro morrer: “Insensato! o que tu semeias não nasce, se primeiro não morrer” I Coríntios 15.36. Na Sua morte morremos juntamente com Ele e na Sua ressurreição, Deus nos fez nascer de novo para uma viva esperança: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos (fez nascer de novo) regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” I Pedro 1.3. Vamos ver verso a verso o que Jesus fala do novo nascimento na passagem de João 3 do verso 3 ao verso 15 a Nicodemus: “Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode ser isto? Respondeu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto; e não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna”. Devemos entender que Jesus quando fala a Nicodemus, Ele fala antes de sua morte e ressurreição, por isso, a Nicodemus ele lhe fala de algo que ainda iria acontecer, mas a nós, Deus nos revela algo consumado. Jesus no verso 14 não nos deixa duvidas quando diz aonde iria realizar o nosso novo nascimento, quando ele fosse levantado da terra: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer” João 12.32-33. Jesus no verso 3 estava não cobrando de nós algo que fosse necessário nós fazermos, mas de algo que Ele iria realizar. Quando Ele diz: “Se alguém não nascer de novo”, não está dizendo que isto é uma obra humana, algo que o homem deva fazer para ver o Reino de Deus, mas uma obra que se Ele não realiza-se, ninguém poderia ver o Reino de Deus: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” João 12.24. Jesus sabia que se Ele não morresse, ficaria só, mas se morresse, muitos iriam nascer dEle. Ele era só, o Filho unigênito. Na sua morte o Filho unigênito morreu, Deus ficou sem nenhum filho por três dias, mas na ressurreição de Jesus, Deus declarou Jesus filho de Deus em poder (Romanos 1.4), e o gerou de novo como o Filho primogênito, agora não só, mas com muitos irmãos (Romanos 8.30-31). Jesus tinha que se entregar para ser sacrificado para levar muitos filhos à glória: “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e por meio de quem tudo existe, em trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelos sofrimentos o autor da salvação deles” Hebreus 2.10. No verso 4 de João 3, Nicodemus não podia entender esse nascimento espiritual, tanto é assim que ele só via uma possibilidade, voltar ao ventre materno e nascer de novo, mas Jesus lhe disse no verso 6, que se seu nascimento fosse novamente na carne, não mudaria nada, ele continuaria sendo carne, ele continuaria trazendo a imagem do que é terreno, mas o que nasce do Espírito é espiritual, uma nova criatura, nascido não da carne, mas do alto, de Deus, de um mundo celestial, à imagem do celestial: “Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial” I Coríntios 15.45-49. Não é possível nascer primeiro espiritual, mas sim natural, depois espiritual, e assim foi. Nascemos primeiramente em Adão e trouxemos a sua natureza, mas morremos no último Adão, Cristo. Agora nascemos de novo no espiritual e trazemos neste novo nascimento a sua vida, a sua natureza divina. No verso 8 Jesus ensina que o novo nascimento na sua morte e ressurreição iria se consumar, mas o nascimento da Palavra e do Espírito não pode ser explicado, não pode ser ensinado, não há métodos para se chegar a ele, porque é um mistério de Deus. O novo nascimento é o mistério inexplicável de Cristo em nós, e que nos traz por Ele, uma esperança da glória (Colossenses 1.26-27): “Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente a terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como” Marcos 4.26-27. Quem abre a madre de nossa mãe, a Jerusalém que é de cima, e que gera filhos da promessa é Deus. Ele é o único que pode fazer nascer (Isaías 66.9, Gálatas 4.25). Esse nascimento do Espírito é para os herdeiros da promessa, os filhos de Deus: “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência” Romanos 9.8. “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus” Gálatas 4.6-7. Podemos saber do nosso novo nascimento em Cristo, mas a letra mata é o Espírito que vivifica (II Coríntios 3.6. Se não houver o nascimento pela Palavra e pelo Espírito ninguém pode entrar no Reino de Deus. O Reino de Deus é Cristo em nós. Cristo em nós é a nova vida. O novo nascimento nos faz ver o Reino de Deus que é a própria pessoa de Jesus Cristo em nós: “Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós” Lucas 17.20-21. É somente através dEle que podemos entrar no seu Reino. Este Reino como pudemos ver em Lucas 17.21, não é um lugar, mas o próprio Jesus, e quem está em Cristo é uma nova criatura, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se faz novo (II Cor 5.17). O novo nascimento é realizado em nós como Jesus explica, pela água que é o símbolo da Palavra, e pelo Espírito que é o agente do novo nascimento. Tudo foi criado pela Palavra de Deus (Hebreus 11.3), também o novo nascido é gerado pela Palavra de Deus: "tendo renascido não de semente corruptível (sêmen do homem), mas de incorruptível (sêmen de Deus), pela Palavra de Deus, que é viva e que permanece para sempre" I Pedro 1.23. “Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” Tiago 1.18. Uma vez lançada a Palavra de Deus, ela é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, penetra até a divisão de alma e de espírito, sendo apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração (Hebreus 4.12). É aqui que o Espírito entra agindo sobre a Palavra de Deus, efetuando o que apraz a Deus, e efetuando cheiro de morte para morte, ou cheiro de vida para vida (II Cor 2.16) e para essas coisas ninguém é idôneo. Isto confirma o que disse Jesus em João 6.63: "O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita (não há nada no homem carnal que possa ser usado no seu novo nascimento, nem mesmo a sua vontade, pois a sua vontade está ligada a sua natureza perversa); as palavras que eu vos tenho dito são Espírito e são vida". No verso 9 Nicodemus, um homem instruído na lei, que sempre ouviu em sua religião que o homem tem que fazer alguma coisa para ser salvo, perguntou novamente o que ele poderia fazer para nascer de novo. Então Jesus lhe ensina sobre o novo nascimento nos versos 14 e 15, por uma passagem que ele conhecia muito bem, o de Números 21.4-9, sobre as serpentes abrasadoras. O povo naquela ocasião murmurou contra Deus e Ele enviou serpentes abrasadoras que morderam o povo e foram envenenados. O povo se arrependeu e pediu a Moisés que intercedesse por eles. Moisés foi e orou a Deus, e Ele mandou fazer uma serpente de bronze e coloca-la numa haste para que todo aquele que olhasse para a serpente de bronze vivesse. Moisés fez a serpente e levantou-a numa haste e todo aquele que olhou para a serpente viveu. Jesus estava comparando ele com a serpente de bronze. Ele seria levantado da terra e Ele foi colocado por Deus naquela cruz para que todo aquele que olhar para Ele viva. O povo judeu tinha o veneno da serpente neles, e o homem também: “quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” I João 3.8, mas Deus proveu para eles uma serpente de bronze levantada numa haste, e para nós Deus proveu o Seu Filho Jesus levantado-o da terra naquela cruz. Em Cristo crucificado vemos a nossa morte, a morte do pecador, e tragada foi a morte na vitória porque Jesus ressuscitou. Ele ficou livre dos aguilhões da morte e nos libertou também. Nascemos de novo pela sua ressurreição para a vida eterna. O novo nascimento se dá em três fases como diz Deus: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o mostrei; e deus estranho não houve entre vós; portanto vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor” Isaías 43.11-12. A primeira fase do novo nascimento foi quando Deus anunciou esta salvação, tanto é assim, que os fiéis que creram antes da vinda de Jesus, criam no seu novo nascimento na promessa de Deus em Cristo: “Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” Hebreus 11.13. Deus tinha anunciado essa salvação. Jesus era a promessa de Deus aos homens e esta promessa se fez carne: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” João 1.14. A segunda fase se deu na vinda de Jesus, pois Deus disse: “Eu salvei”. Ele realizou essa salvação, esse novo nascimento erguendo Jesus da terra naquela cruz. Jesus nos atraiu a si nos fazendo morrer com Ele e Deus nos fez nascer de novo para uma viva esperança pela ressurreição de Jesus dentre os mortos (I Pedro 1.3). A terceira fase é: “eu os fiz ouvir”. Deus agora nos gera de novo pela água e pelo Espírito como disse Jesus em João 3.5. Hoje, como Deus nos diz, é o dia da salvação: “E nós, cooperando com ele, também vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão; porque diz: No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” II Coríntios 6.1-2. Hoje Ele nos faz ouvir a Sua Palavra, a água purificadora e nos vivifica pelo seu Espírito: “Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador” Tito 3.4-6. “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis” Ezequiel 36.25-27. Deus anunciou esta salvação, Ele realizou-a e agora Ele nos faz ouvir que nascemos de novo em Jesus Cristo pela Sua Palavra: “Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” Tiago 1.17. “tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece” I Pedro 1.23. “Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo” Romanos 10.17, e quem vivifica esta Palavra é o Espírito: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” João 6.63. Uma vez que Deus faz ouvir a sua salvação, Ele a torna vida em nós pelo seu Espírito: “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida... Porque esta palavra não vos é vã, mas é a vossa vida” Deuteronômio 30.19-20; 32.47. A Palavra sem o Espírito mata, mas o ministério do Espírito pela Palavra é a regeneração de pecadores: “o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica... Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo, como não será de maior glória o ministério do espírito?” II Coríntios 3.6-8. “Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” João 1.12-13. Deus compara a pregação sem a vivificação do Espírito como um vale de ossos secos em Ezequiel 37. "Veio sobre mim a mão do Senhor; e ele me levou no Espírito do Senhor, e me pôs no meio do vale que estava cheio de ossos; e me fez andar ao redor deles. E eis que eram muito numerosos sobre a face do vale; e eis que estavam sequíssimos. Ele me perguntou: Filho do homem, poderão viver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que vou fazer entrar em vós o espírito da vida, e vivereis. E porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vos estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis. Então sabereis que eu sou o Senhor. Profetizei, pois, como se me deu ordem. Ora enquanto eu profetizava, houve um ruído; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. Então ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. Profetizei, pois, como ele me ordenara; então o espírito entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo” Ezequiel 37.1-10. O novo nascimento é uma mudança radical, realizada pelo Espírito de Deus no interior de um pecador, retirando o homem velho, a natureza pecaminosa, o coração de pedra, e gerando Cristo em seu interior, com uma natureza divina, santa, e irrepreensível. Todas estas promessas estão na Palavra de Deus, e é por elas e pelo Espírito que nos tornamos co-participante desta natureza divina em Cristo Jesus: "pelas quais Ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, que pela concupiscência há no mundo" II Pedro 1.3. O nascimento do Espírito nos livra da escravidão do pecado, para a glória dos filhos de Deus em santidade: “Aquele que é nascido de Deus não peca; porque a divina semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus” I João 3.9. Tudo o que se conhece de novo nascimento e que exclui uma vida de santidade pela Pessoa de Cristo no interior do homem é falso. Um exemplo: Se novo nascimento fosse batismo nas águas, Jesus não precisava vir a este mundo e sofrer a pena do pecador, pois, era só batizar as pessoas de todo mundo nas águas e elas seriam salvas. Novo nascimento é o Espírito gerando em nós a divina semente, a Palavra viva, Cristo: “Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” Gálatas 2.19-20. Temos encontrado muitas pessoas enganadas com seu novo nascimento, achando que participar de uma igreja, ser batizada, ter algum cargo é o suficiente. Alguns até conhecem a letra da Palavra da cruz, mas como Jesus disse, é necessário nascer da água e do Espírito. Novo nascimento não é concordância com a doutrina, mas uma experiência real com a Pessoa de Jesus: "não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim" Gálatas 2.20. Novo nascimento é a mudança de uma vida escrava do pecado, de imagem e semelhança maligna, para uma vida espiritual e santa, isenta do domínio e do amor ao pecado, e que produz frutos pacíficos de justiça, operados pelo amor de Deus e à santidade procedentes da verdade por Jesus Cristo, executado pelo Espírito de Deus. Sem a presença de Cristo, ninguém é nascido do Espírito: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” Romanos 8.9. “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” II Coríntios 13.5. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” I João 5.11-12. Novo nascimento é uma obra totalmente de Deus. O homem não tem participação nesse novo nascimento. Deus é quem anunciou, Ele é quem salvou e é Ele quem nos faz ouvir, fora dEle não há salvação: “O ouvido que ouve, e o olho que vê, o Senhor os fez a ambos” Provérbios 20.12. “Fui achado pelos que não me buscavam, manifestei-me aos que por mim não perguntavam” Romanos 10.20. A palavra "transformar" de II Coríntios 3.18, vem do verbo grego "METAMORFÓS". "META" significa mudança, e "MORFÓS" forma interior ou de moral. O verbo está no indicativo e na voz passiva, isto é, o homem não pode efetuar esta mudança, pois, esta mudança, não se refere a uma mudança de estética, mas de conteúdo e de moral. Em suma, se alguém verdadeiramente nasceu de novo, este novo nascimento se deu pela santificação do Espírito e fé na verdade: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” II Coríntios 3.18. “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade” II Tessalonicenses 2.13. Como vimos, o novo nascimento é uma obra de Deus executada pela Sua Palavra e pelo Seu Espírito: "Ora, Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé" Romanos 16.25-26, e aqueles que crêem nela, embora tenham sidos servos do pecado por toda a vida, obedecem de coração à forma de doutrina a que são entregues (Romanos 6.17). A regeneração não vem pelo conhecimento da doutrina do novo nascimento, e nem é algo que leva tempo para acontecer. Hoje é o dia como Deus disse. O exemplo disso é a serpente levantada no deserto. Todo aquele que olhava para a serpente ficava curado imediatamente, em Jesus Cristo é assim também. Todo aquele que olhar para Ele verá o seu novo nascimento consumado: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” Isaías 45.22. O que Deus nos faz conhecer em primeiro lugar, é que não há novo nascimento sem morte, e não pode haver morte sem a Pessoa de Jesus. A maior dificuldade que temos encontrado nas pessoas, é que elas olham para o seu novo nascimento agora. Esperam e até oram que Deus os façam nascer de novo, sendo que ele já aconteceu a quase 2.000 anos atrás, até mesmo antes da fundação do mundo pela promessa de Deus. Já morremos e ressuscitamos em Jesus Cristo. A obra não irá acontecer, ela já aconteceu, está no passado, e é assim que a Palavra de Deus nos apresenta: "sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de que não servíssemos ao pecado como escravos" Romanos 6.6. "Assim também vós meus irmãos, fostes mortos para à lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos frutos para Deus" Romanos 7.4. "porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" Colossenses 3.3. "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte?" Romanos 6.3. Esta morte já se deu quando Jesus morreu naquela cruz. Deus não tem obra nenhuma para fazer em nós, tudo o que Ele nos deu está em Cristo, está consumado. É maravilhoso que este Deus misericordioso já tenha feito esta obra por nós. É pela graça que somos salvos, por meio da fé, e isto não vem de nós, é dom de Deus; não vem de obras humanas para que ninguém se glorie (Efésios 2.8-9). Jesus disse: "Tudo está consumado" (João 19.30). Sabe o que isto significa, que não há mais nada a ser feito, tudo está feito, tudo está pronto, é só crer. Até mesmo a fé nos é dada por Deus, devemos apenas fazer como aquele pai do menino epiléptico: "Creio! Ajuda a minha incredulidade" Marcos 9.24. Quem nEle crer não será confundido (Romanos 10.11). Agora esta Palavra de Deus vez nos lavar de toda a nossa iniqüidade, e o Espírito vem nos gerar em uma nova criatura, a imagem de Jesus, com a Sua presença em nós: “Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” Romanos 8.26-30. “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” II Coríntios 5.17. A nova criatura é feitura de Jesus, criado em Cristo Jesus para as boas obras, e não mais a feitura de Adão: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” Efésios 2.10. A característica principal de uma nova criatura, daquele que nasceu da água e do Espírito é a libertação do pecado. Quem continua no pecado, nunca viu nem conheceu Jesus Cristo (I João 3.6). O novo nascimento restitui ao homem a glória de Deus perdida com o pecado: “Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte” II Coríntios 4.6-7. O novo nascimento é a entrada para a vida espiritual e no Reino de Deus. Ele é o início de tudo. Sem este novo nascimento ninguém pode ver o Reino de Deus e sem o nascimento no Espírito não pode entrar nesse Reino. Ele é o primeiro estágio da vida cristã, depois vem o crescimento. Lembremos da parábola da semente em Marcos 4.26-29. Primeiro foi o plantio da semente, da Palavra, depois o nascimento, depois o crescimento e por ultimo o fruto cheio de grãos, porque sem nascer ninguém pode crescer. A entrada no Reino Celestial de Jesus, como vimos anteriormente, não pode ser alcançada por força humana, mas somente pelo poder de Deus, bem como o crescimento espiritual. O novo nascimento é um ato e o crescimento é um processo de Deus até o seu complemento: "Até que todos cheguemos a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo" Efésios 4.13. “tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” Filipenses 1.6. “E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, e ele também o fará” I Tessalonicenses 5.23-24. Autor: Irmão Edward Burke Junior

É PRECISO RENASCER.

A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. João 3:3,7. O novo nascimento não é uma mera mudança exterior, não é uma simples mudança de vida, nem esforçar-se para ter uma vida melhor. O novo nascimento é muito mais que caminhar até o pastor e apertar-lhe a mão. É uma obra sobrenatural de Deus no espírito do homem, é uma maravilha transcendente. Todas as obras de Deus são maravilhosas. O mundo em que vivemos está cheio de coisas que nos surpreendem. O nascimento físico é uma maravilha; mas, de vários pontos de vista, o novo nascimento é mais extraordinário. É uma maravilha da graça, da sabedoria, do poder e da beleza divina. É um milagre realizado em nós, sobre o qual podemos estar pessoalmente conscientes. É uma maravilha interna e eterna. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Ezequiel 36:26-27. O novo nascimento é a linha divisória entre o céu e o inferno. Aos olhos de Deus há somente dois tipos de pessoas nesta terra: aquelas que estão mortas em pecados e aquelas que andam em novidade de vida, ou seja, renascidas em Cristo. No âmbito físico, não há um estado entre a vida e a morte. Um homem ou está morto ou está vivo. A faísca de vida pode estar muito fraca, mas enquanto ela existe, a vida está presente. Se a faísca se apaga por completo, ainda que você vista o corpo com roupas bonitas, este não passa de um cadáver. Isso também acontece no âmbito espiritual. Ou somos santos ou pecadores, espiritualmente vivos ou espiritualmente mortos, filhos de Deus ou filhos do diabo. Em vista deste fato solene, quão significativa é a pergunta: Eu já cri em meu novo nascimento em Cristo? Se a resposta é não, e se você morrer nesta condição desejará nunca haver nascido. O perverso será arrancado da sua tenda, onde está confiado, e será levado ao rei dos terrores. Jó 18:14. Muitos pensam que o novo nascimento é ser batizado, ou ser membro da igreja, ou líder, ou elogiado! Mas isso não é o novo nascimento. Se não houver certeza evite evasivas, mas peça ao Senhor que lhe dê a certeza do novo nascimento. “Todo o que pede recebe”. O Senhor Jesus Cristo apresenta muitos obreiros sensacionais que naquele dia serão condenados por não terem nascido de novo. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. Mateus 7:22-23. Que adianta práticas fantásticas de religião e não entrar no Reino de Deus? O importante é ter a certeza plena do seu novo nascimento em Cristo. Foi o próprio Senhor quem declarou que o novo nascimento é o único meio de ver o Reino de Deus e entrar nele. Então, o importante é renascer e entrar no Seu Reino. Qualquer religião que não resulte a entrada no Reino de Deus é uma fraude. E quantas pessoas estão iludidas, embora sinceras, com tanta religiosidade, sem entrar no Reino de Deus tendo que ir inapelavelmente para o inferno. Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus. Salmos 9:17. Há somente duas condições, e cada homem está incluído numa delas: a condição de vida espiritual e a de morte espiritual. Uma é a condição de justiça, a outra, de pecado; uma é salvação, a outra, condenação. Uma é inimizade, na qual o homem tem inclinações contrárias a Deus; a outra é amizade e comunhão, pelas quais os homens andam com Deus em obediência, não desejando ter intenções opostas à vontade dEle. Uma condição é chamada trevas, a outra, luz. Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor. Efésios 5:8-10. Na Queda, o homem se tornou desqualificado para aquilo que é bom. Nascido em iniqüidade e concebido em pecado, o homem é um “transgressor desde o ventre materno”. O homem pode ser civilizado, educado, sofisticado e religioso, mas no coração ele é “desesperadamente corrupto”. Tudo o que ele faz é desprezível aos olhos de Deus, porque nada que o homem faz procede do amor de Deus e do propósito de glorificá-lO. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Mateus 7:18. Enquanto o homem não passar pelo novo nascimento em Cristo, ele é “reprovado para toda boa obra”. Na Queda, o homem adquiriu uma indisposição para o que é bom. Todas as ações da sua vontade caída, por causa da ausência de um principio correto do qual elas poderiam fluir e da ausência de um propósito correto para o qual elas se dirigiriam, são nada mais do que maldade e pecaminosidade. Se deixarmos uma pessoa entregue a si mesma, e retirar dela todas as restrições impostas pela lei e pela ordem, verá que rapidamente ela descerá a um nível mais baixo do que o dos animais. Os homens vivem debaixo de uma camuflagem de boa gente, mas nós sabemos que não há ninguém bom. O pecado contaminou tanto o homem que suas afeições estão tão corrompidas que ele ama o que Deus odeia, e odeia o que Deus ama. A condição do homem é deplorável, e seu caso, desesperador. O homem não pode melhorar a si mesmo, porque é fraco. Ele não pode produzir a sua própria salvação, pois nele não habita bem nenhum. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Romanos 7:18. São bem poucos os que crêem que isso é verdade a respeito de si mesmos. Pelo contrário, dezenas de milhares de crentes professos enchem-se de vã e presunçosa confiança de que está tudo bem com eles. Enganam-se com esperanças de misericórdia, enquanto vivem fazendo sua própria vontade e agradando a si mesmos. Imaginam que estão aptos para o céu, enquanto a cada dia estão mais preparados para o inferno. O homem é uma criatura caída. Isto não significa que apenas algumas poucas folhas murcharam, mas sim que toda árvore apodreceu, da raiz até aos ramos. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo. Isaías 1:6. A despeito das amáveis exortações dos amigos, as fiéis advertências dos servos de Cristo, os exemplos solenes de sofrimento, tristeza, enfermidade e morte, os quais vemos em toda parte, e a resolução da própria consciência, os homens ainda se rendem ao mal. O Senhor viu isso: E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Gênesis 6:5 Dessa forma fica evidente a necessidade de uma mudança radical e revolucionária no homem caído, antes que ele possa desfrutar da comunhão com o Deus três vezes santo. Irmãos, como alguém pode voltar-se para Deus sem um fundamento de mudança espiritual? Como alguém de natureza abominável e diabólica pode ser digno do Reino de Deus? A resposta é muito simples: nascendo de novo! E o novo nascimento é Deus por Sua graça pelo Espírito Santo, em Cristo, tirando a nossa natureza perversa e velha e crucificando-a na cruz no corpo de Jesus Cristo conforme diz as Escrituras em Romanos 6:6 sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado. As igrejas do Senhor estão muito prejudicadas por pessoas não renascidas. Sem remover a natureza podre do interior, ninguém deveria ser membro da igreja, pois o resultado é negativo e prejudicial. No Novo Testamento há uma figura para indicar o novo nascimento que é despir-se do velho homem, e revestir-se do novo. E nós só podemos nos despir do velho quando ganharmos a experiência de nossa morte com Cristo. Se você creu que foi morto na cruz com Cristo, você poderá se despir do velho e se revestir do novo. Efésios 4:22-24 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Temos certeza que o novo nascimento é obra divina na experiência humana; Deus pode fazer isto em qualquer pessoa. Ore com interesse para que o Senhor realize este milagre em seu interior. Amém. Autor: Pastor Claudio Morandi. Igreja Batista Palavra da Cruz em Rio Preto.