domingo, 30 de dezembro de 2012

DESVENTURADO HOMEM QUE SOU! ARTHUR W. PINK.



Arthur W. Pink (1886-1952) foi um dos autores evangélicos mais influentes da segunda metade do século XX. Erudito bíblico de persuasão reformada e puritana, Pink escreveu várias obras literárias e pastoreou diversas igrejas nos EUA, além de ter servido como ministro na Inglaterra e Austrália.
No sétimo capítulo da carta aos Romanos, o apóstolo Paulo se referiu a dois assuntos: primeiramente, ele mostrou qual é a relação do crente para com a lei de Deus — judicialmente, o crente está emancipado da maldição e da penalidade da lei (vv. 1-6); moralmente, o crente está sob laços de obediência à lei (vv. 22, 25). Em segundo, Paulo nos protegeu da falsa inferência que poderia ser deduzida daquilo que ele havia ensinado no capítulo 6.
No capítulo 6, versículos 1 a 11, Paulo havia apresentado a união do crente com Cristo, retratando o crente como alguém “morto para o pecado” (vv. 2, 7, etc.). Em seguida, do versículo 11 em diante, ele mostrou o efeito que essa verdade deve ter sobre o viver do crente. No capítulo 7, o apóstolo Paulo seguiu a mesma ordem de pensamento. Em Romanos 7.1-6, ele falou sobre a identificação do crente com Cristo, apresentado-o como “morto para a lei” (vv. 4 a 6). Em seguida, do versículo 7 em diante, Paulo descreveu as experiências do crente. Assim, nos capítulos 6 e 7 de Romanos, na primeira metade de ambos, Paulo aborda a posição do crente, enquanto na segunda metade de ambos os capítulos ele fala sobre o estado do crente, mas com a seguinte diferença: a segunda metade de Romanos 6 revela qual deve ser o nosso estado, enquanto a segunda metade do capítulo 7 (vv. 13-25) mostra qual é, na realidade, o nosso estado.
A presente controvérsia suscitada sobre Romanos 7 é amplamente um fruto do perfeccionismo de John Wesley e seus seguidores. O fato de que esses irmãos, dos quais temos motivo para reverenciar, adotaram este erro de forma modificada apenas nos mostra quão abrangente em nossos dias é o espírito do laodiceísmo. A segunda metade de Romanos 7 descreve o conflito das duas naturezas que o crente possui; simplesmente apresenta em detalhes o que está sumariado em Gálatas 5.17. As afirmações de Romanos 7. 14,15,18,19 e 21 são verdadeiras a respeito de todos os crentes que vivem nesse mundo. Todo crente fica aquém, muito aquém do padrão colocado diante dele; estamos nos referindo ao padrão de Deus, e não ao padrão dos ensinadores da suposta “vida vitoriosa”. Se qual- quer leitor crente disser que Romanos 7 não descreve a sua vida, afirmamos com toda a bondade que ele se encontra terrivelmente enganado. Não estamos dizendo que todo crente quebra a lei dos homens ou que ele é um ousado transgressor da lei de Deus. Estamos afirmando que a vida de todo crente está muito aquém do nível de vida que nosso Senhor vivenciou, quando esteve neste mundo. Estamos dizendo que muito da “carne” ainda se evidencia em todo crente, inclusive naqueles que se vangloriam, em voz alta, de suas conquistas espirituais. Estamos dizendo que todo crente tem necessidade urgente de orar suplicando perdão por seus pecados diários (Lc 11.4), pois “todos tropeçamos em muitas coisas” (Tg 3.2).

Nos próximos parágrafos, consideraremos os dois últimos versículos de Romanos 7, que dizem: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (vv. 24-25).
Essa é a linguagem de uma alma regenerada e resume o conteúdo dos versículos imediatamente anteriores. O homem incrédulo é realmente desventurado, mas ele não conhece a “desventurança” que evoca a lamentação expressada nessa passagem. Todo o contexto se dedica a descrever o conflito entre as duas naturezas do filho de Deus. “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (v. 22) — isso é verdade apenas sobre a pessoa nascida de novo. Todavia, aquele que tem prazer na lei de Deus encontra, em seus “membros, outra lei”. Isso não pode estar limitado aos membros do corpo físico, mas tem de ser entendido como algo que inclui todas as várias partes de sua personalidade carnal — a memória, a imaginação, a vontade, o coração, etc.
Essa “outra lei”, disse o apóstolo, guerreava contra a lei de sua mente (a nova natureza); e não somente isso, ela também o fazia “prisioneiro da lei do pecado” (v. 23). Ele não definiu em que extensão se expressava essa servidão. Mas ele estava em servidão à lei do pecado, assim como todo crente também o está. A vagueação da mente, na hora de ler a Palavra de Deus, os maus pensamentos que brotam do coração (Mc 7.21), quando estamos envolvidos na oração, as más figuras que, às vezes, aparecem quando estamos em estado de sonolência — citando apenas alguns — são exemplos de ha- vermos sido feitos prisioneiros “da lei do pecado”. “Se o princípio mau de nossa natureza prevalece, a ponto de despertar em nós apenas um pensamento mau, ele nos tomou como cativos. Visto que ele nos conquistou, estamos vencidos e feitos prisioneiros” (Robert Haldane).
O reconhecimento dessa guerra em seu íntimo e o fato de que se tornou cativo ao pecado levam o crente a exclamar: “Desventurado homem que sou!” Esse é um clamor produzido por uma profunda compreensão da habitação do pecado. É a confissão de alguém que reconhece não haver bem algum em seu homem natural. É o lamento melancólico de alguém que descobriu algo a respeito da horrível profundeza de iniqüidade que existe em seu próprio coração. É o gemido de uma pessoa iluminada por Deus, uma pessoa que odeia a si mesma — ou seja, o homem natural — e anela por libertação.
Esse gemido — “Desventurado homem que sou!” — expressa a experiência normal do crente; e qualquer crente que não geme dessa maneira está em um estado de anormalidade e falta de saúde espiritual. O homem que não profere diariamente esse clamor se encontra tão ausente da comunhão com Cristo, ou tão ignorante dos ensinos das Escrituras, ou tão enganado a respeito de sua condição atual, que não conhece as corrupções de seu coração e a desprezível imperfeição de sua própria vida.
Aquele que se curva diante do solene e perscrutador ensino da Palavra de Deus, aquele que nela aprende a terrível ruína que o pecado tem realizado na constituição do ser humano, aquele que percebe o padrão elevado que Deus nos tem proposto não falhará em descobrir que é um ser maligno e vil. Se ele se esforça para perceber o quanto tem falhado em alcançar o padrão de Deus; se, na luz do santuário divino, ele descobre quão pouco se parece com o Cristo de Deus, então, reconhecerá que essa linguagem de Romanos 7 é muito apropriada para descrever sua tristeza espiritual. Se Deus lhe revela a frieza de seu amor, o orgulho de seu coração, as vagueações de sua mente, o mal que contamina suas atitudes piedosas, o crente haverá de clamar: “Desventurado homem que sou!” Se o crente estiver consciente de sua ingratidão e de quão pouco ele tem apreciado as misericórdias diárias de Deus; se o crente percebe a ausência daquele fervor profundo e genuíno que tem de caracterizar seus louvores e sua adoração Àquele que é “glorificado em santidade” (Êx 15.11); se o crente reconhece o espírito pecaminoso de rebeldia que, com freqüência, o faz murmurar ou irrita-o contra as realizações dEle em sua vida cotidiana; se o crente admite que está ciente não apenas de seus pecados de comissão, mas também daqueles de omissão, dos quais ele é culpado todos os dias, ele realmente clamará: “Desventurado homem que sou!”
Esse clamor não será proferido apenas por aquele crente que se acha afastado do Senhor. Aquele que está em comunhão verdadeira com o Senhor Jesus também emitirá esse gemi- do, todos os dias e todas as horas. Sim, quanto mais o crente se achega a Cristo, tanto mais ele descobrirá as corrupções de sua velha natureza, e tanto mais ardentemente desejará ser liberto de tal natureza. É somente quando a luz do sol inunda um cômodo que a poeira e a sujeira são completamente revelados. Quando estamos realmente na presença dAquele que é luz, ficamos conscientes da impureza e impiedade que habita em nós e contamina cada parte de nosso ser. E essa descoberta nos levará a clamar: “Desventurado homem que sou!”
“Mas”, talvez alguns perguntem, “a comunhão com Cristo não produz regozijo, ao invés de gemidos?” Respondemos que a comunhão com Cristo produz ambas as coisas. Isso aconteceu com Paulo. Em Romanos 7.22, ele afirmou: “Tenho prazer na lei de Deus”. Logo em seguida, porém, ele clamou: “Desventurado homem que sou!” Outras passagens também nos mostram isso. Em 2 Coríntios 6, Paulo disse: “Entristecidos, mas sempre alegres” (v. 10) — entristecido por causa de suas falhas, por causa de seus pecados diários; alegre por causa da graça que ainda permanecia com ele e por causa da bendita provisão que Deus fizera até para os pecados de seus santos. Também em Romanos 8, depois de haver declarado: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (v. 1); “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (vv. 16-17), o apóstolo Paulo acrescentou: “Também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente geme- mos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (v. 23). O ensino do apóstolo Pedro é semelhante ao de Paulo — “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações” (1 Pe 1.6). Tristeza e gemido não se encontram ausentes no mais elevado nível de espiritualidade.
Nestes dias de complacência e orgulho laodicense, existe considerável parola e muita exaltação a res- peito da comunhão com Cristo; porém, quão pouca manifestação dessa comunhão nós contemplamos! Onde não existe qualquer senso de completa indignidade; onde não existe qualquer lamentação pela depravação total de nossa natureza; onde não existe qualquer entristecimento por nossa falta de conformidade com Cristo; onde não existe qualquer gemido por havermos sido feitos “prisioneiros” do pecado; em resumo, onde não existe o clamor: “Desventurado homem que sou!”, deve haver um grande temor de que ali não existe, de maneira alguma, comunhão com Cristo.
Quando estava andando com o Senhor, Abraão exclamou: “Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gn 18.27). Estando face a face com Deus, Jó declarou: “Por isso, me abomino” (Jó 42.6). Ao entrar na presença de Deus, Isaías clamou: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros” (Is 6.5). Quando teve aquela maravilhosa visão de Cristo, Daniel confessou: “Não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma” (Dn 10.8). Em uma das últimas epístolas do apóstolo dos gentios, lemos: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Tm 1.15). Essas declarações não procederam de pessoas não-regeneradas, e sim dos lábios de santos de Deus. Elas não foram confissões de crentes relaxados; pelo contrário, elas foram proferidas pelos mais eminentes membros do povo de Deus. Em nossos dias, onde encontramos crentes que podem ser colocados lado a lado com Abraão, Jó, Isaías, Daniel e Paulo? Onde, realmente?! Mas eles foram homens que estavam conscientes de sua vileza e indignidade!
“Desventurado homem que sou!” Essa é a linguagem de uma alma nascida de novo; é a confissão de um crente normal (não-iludido, não-enganado). A essência dessa afirmativa pode ser encontrada não somente nas declarações dos santos do Antigo e do Novo Testamento, mas também nos escritos de muitos dos eminentes servos de Cristo que viveram nos últimos séculos. As afirmações e o testemunho pronunciado pelos eminentes santos do passado eram muito diferentes da ignorância e da arrogante jactância dos laodicences modernos! É um refrigério volver-nos das biografias de nossos dias para aquelas biografias escritas há muito tempo. Medite nos trechos de biografias que apresentamos em seguida.
Bradford, que foi martirizado no reinado de Maria, a sanguinária, em uma carta dirigida a um amigo que estava em outra prisão, subscreveu-se com as seguintes palavras: “O pecaminoso John Bradford, um hipócrita notável, o pecador mais miserável, de coração endurecido e ingrato — John Bradford” (1555).
O piedoso Samuel Rutherford escreveu: “Este corpo de pecado e de corrupção torna amargo e envenena nosso regozijo. Oh! Se eu estivesse onde nunca mais pecarei!” (1650).
O bispo Berkeley disse: “Não posso orar, mas cometo pecados. Não posso pregar, mas cometo pecados. Não posso ministrar, nem receber a Ceia do Senhor, mas cometo pecados. Preciso arrepender-me de meu próprio arrependimento; e as lágrimas que derramei necessitam da lavagem do sangue de Cristo” (1670).
Jonathan Edwards, em sua obra A Vida de David Brainerd (o primeiro missionário entre os índios, cuja devoção a Cristo foi testemunhada por todos os que o conheciam), afirmou a respeito de Brainerd: “Sua iluminação, suas afeições e seu conforto espiritual parecem ter sido, em grande medida, acompanhadas por humildade evangélica; consistiam em um senso de sua completa insuficiência, de sua vileza e de sua própria abominação; com uma disposição correspondente e uma propensão do coração. Quão profundamente Brainerd foi afetado quase continuamente por seus grandes defeitos na vida cristã; por sua ampla distância daquela espiritualidade e daquela disposição mental que convém a um filho de Deus; por sua ignorância, seu orgulho, sua apatia e sua esterilidade! Ele não foi somente afetado pela recordação dos pecados cometidos antes de sua conversão, mas também pelo sentimento de sua presente vileza e corrupção. Brainerd não se mostrava apenas disposto a considerar os outros crentes melhores do que ele mesmo e a olhar para si mesmo como o pior e o menor de todos os crentes, mas também, com muita freqüência, a ver a si mesmo como o mais vil e o pior de todos os homens”.
O próprio Jonathan Edwards, que entre muitos foi mais honrado por Deus (quer em suas realizações espirituais, quer na extensão em que Deus o usou para abençoar outros), escreveu nos últimos dias de sua vida: “Quando olho para meu coração e vejo a sua impiedade, ele parece um abismo infinitamente mais profundo do que o inferno. E parece-me que, se não fosse a graça de Deus, exaltada e elevada à infinita sublimidade de toda a plenitude e glória do grande Jeová, eu deveria comparecer, mergulhado em meus pecados, nas profundezas do próprio inferno, muito distante da contemplação de todas as coisas, exceto do olhar da graça soberana, que pode destruir tal profundeza. É comovente pensar o quanto eu ignorava, quando era um crente novo (infelizmente, muitos crentes velhos ainda o ignoram — A. W. Pink), a profunda impiedade, orgulho, hipocrisia e engano deixados em meu coração” (1743).
Augustus Toplady, autor do hino “Rocha Eterna”, escreveu as seguintes palavras em seu diário no dia 31 de dezembro de 1767: “Ao fazer uma retrospectiva deste ano, desejo confessar que minha infidelidade tem sido excessivamente grande, e meus pecados, ainda maiores. Todavia, as misericórdias de Deus têm sido maiores do que ambos”. E mais: “Minhas falhas, meus pecados, minha incredulidade e minha falta de amor me afundariam no mais profundo do inferno, se Jesus não fosse minha justiça e meu Redentor”.
Observem estas palavras de uma piedosa mulher, a esposa do eminente missionário Adoniran Judson: “Oh! Como eu me regozijo porque estou fora do redemoinho! Sou gaiata e fútil demais, para ser a esposa de um missionário! Talvez a gaiatice seja o meu mais leve pecado. Não são os atrativos do mundo que me tornam um simples bebê na causa de Cristo; pelo contrário, é a minha frieza de coração, a minha insignificância, a minha falta de fé, a minha ineficiência e inércia espiritual, por amor do meu próprio ‘eu’, e a minha pecaminosidade abundante e inerente de minha natureza”.
John Newton, o escritor do bendito hino “Graça Admirável” (que afirma: “Graça admirável, quão doce é o som que salvou um ímpio como eu; estava perdido, mas fui achado; era cego, agora vejo”), quando se referia às expectativas que ele nutria no final de sua vida cristã, escreveu o seguinte: “Infelizmente, essas minhas preciosas expectativas se tornaram como sonhos dos mares do Sul. Vivi neste mundo como um pecador e creio que assim morrerei. Eu ganhei alguma coisa? Sim, ganhei aquilo com o que antes eu preferia não viver! Essas provas acumuladas do engano e da terrível impiedade do meu coração me ensinaram, pela bênção do Senhor, a compreender o que significa dizer: vejam, eu sou um homem vil… Eu me envergonhava de mim mesmo, quando comecei a procurar a bênção do Senhor; agora, eu me envergonho mais ainda”.
James Ingliss (editor de “Marcos no Deserto”), no final de sua vida, escreveu: “Visto que fui trazido a uma nova opinião sobre o fim, a minha vida parece ser constituída de tantas oportunidades desperdiçadas e de tanta escassez de resultados, que às vezes isso é muito doloroso. A graça, porém, se apresenta para satisfazer todas essas deficiências; e o Senhor Jesus também será glorificado em minha humilhação” (1872). J. H. Brookers, o biógrafo de James Ingliss, observou sobre essas palavras: “Quão semelhante a Cristo e quão diferente daqueles que estão se gloriando em suas supostas realizações!”
Apresentamos mais uma citação, proveniente de um sermão de Charles H. Spurgeon. O Príncipe dos Pregadores disse: “Existem alguns crentes professos que falam sobre si mesmos em termos de admiração. Todavia, em meu íntimo, detesto mais e mais esses discursos, a cada dia que eu vivo. Aqueles que falam dessa maneira arrogante devem possuir uma natureza muito diferente da minha. Enquanto eles estão congratulando a si mesmos, tenho de me prostrar aos pés da cruz de Cristo e admirar-me de que estou salvo, pois sei que fui salvo. Tenho de admirar-me de não crer mais pro- fundamente em Cristo e de que sou privilegiado por crer nEle. Tenho de admirar-me de não amá-Lo mais profundamente, mas igualmente devo admirar-me até de que O amo de alguma maneira. Devo admirar-me de não possuir mais santidade e admirar-me, igualmente, de que eu tenho algum desejo de ser santo, levando em conta quão corrompida, degenerada e depravada natureza eu ainda encontro em minha alma, apesar de tudo o que a graça de Deus tem feito em mim. Se Deus permitisse que as fontes do grande abismo da depravação se rompessem nos melhores homens que vivem neste mundo, eles se tornariam demônios tão maus como o próprio diabo. Não me importo com o que dizem esses van- gloriosos a respeito de suas próprias perfeições. Estou certo de que eles não conhecem a si mesmos; se conhecessem, não falariam como freqüentemente o fazem. Mesmo no crente que está mais próximo do céu existe combustível suficiente para acender outro inferno, se Deus tão-somente permitisse que uma chama caísse sobre ele. Alguns crentes parecem que nunca descobrem isto. Eu quase desejo que eles nunca o descubram, pois esta é uma descoberta dolorosa para qualquer um fazer; mas ela tem o efeito benéfico de fazer que paremos de confiar em nós mesmos e de nos levar a nos gloriarmos somente no Senhor”.
Poderíamos apresentar outros testemunhos dos lábios e dos escritos de homens igualmente piedosos e eminentes, porém citamos o suficiente para mostrar que os santos de todas as épocas tinham motivo para fazerem suas essas palavras do apóstolo Paulo: “Desventurado homem que sou!” Faremos mais algumas poucas observações sobre essas palavras finais de Romanos 7.
“Quem me livrará do corpo desta morte?” “Quem me livrará?” Esta não é uma linguagem de desespero, e sim de um desejo ardente de ajuda de fora e do alto. Aquilo do que o apóstolo desejava ser livre é chamado de “o corpo desta morte”. Esta é uma expressão figurada, pois a natureza carnal é chamada de “o corpo do pecado” e vista como algo que tem “membros” (Rm 7.23). Portanto, entendemos que as palavras do apóstolo significam: “Quem me livrará desse fardo mortal e pernicioso — meu eu pecaminoso?!”
No versículo seguinte, o apóstolo responde essa pergunta: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 7.25). Deve ser óbvio para qualquer mente imparcial que isso aponta para o futuro. Paulo havia perguntado: “Quem me livrará?” A sua resposta foi: Jesus Cristo me livrará. Isso expõe o erro daqueles que ensinam uma libertação presente da natureza carnal, por intermédio do poder do Espírito Santo. Em sua resposta, o apóstolo não falou nada sobre o Espírito Santo; ao invés disso, ele mencionou apenas “Jesus Cristo, nosso Senhor”. Não é por meio da obra presente do Espírito Santo em nós que os crentes serão libertados “do corpo desta morte”, e sim por meio da vinda futura do Senhor Jesus Cristo para nós. Naquele tempo, esse corpo mortal será revestido de imortalidade, e a nossa corrupção, de incorrupção.
Como se estivesse pensando em remover toda dúvida a respeito de que essa libertação ocorrerá no futuro, o apóstolo concluiu dizendo: “De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado”. O leitor deve observar cuidadosamente que Paulo havia agradecido a Deus pelo fato de que ele seria libertado. A última parte do versículo 25 resume o que ele havia dito na segunda parte de Romanos 7; descreve a vida dupla do crente. A nova natureza serve a lei de Deus; a velha natureza, até ao final da História, servirá à “lei do pecado”. Que isso aconteceu com o apóstolo Paulo é evidente das palavras que ele escreveu no final de sua vida, quando chamou a si mesmo de “o principal” dos pecadores (1 Tm 1.15). Essa afirmativa não era um exagero de fervor evangelístico, nem mesmo um motejo de modesta hipocrisia. Era uma convicção segura, uma experiência vivenciada, uma conscientização firme de alguém que viu com amplitude as profundezas da corrupção que havia em seu próprio íntimo e que sabia o quanto ficava aquém de atingir o padrão de santidade que Deus havia colocado diante dele. Essa também é a convicção e a confissão de todo crente que não se encontra cativo ao preconceito. E o resultado dessa convicção fará o crente desejar mais intensamente o livramento e agradecer a Deus com mais fervor pela promessa do livramento, na vinda de nosso Senhor, “o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Fp 3.20). E, havendo feito isso, o Senhor Jesus nos apresentará, “com exultação, imaculados diante da sua glória” (Jd 24). Aleluia! Que grande Salvador!
É admirável que somente mais uma vez a palavra “desventurado” é utilizada no Novo Testamento (no texto grego). Essa outra ocorrência está em Apocalipse 3.17, onde Cristo disse à igreja de Laodicéia: “Nem sabes que tu és infeliz”. A arrogância dos membros dessa igreja era que eles não precisavam “de coisa alguma”. Eles estavam tão inchados com a soberba, tão satisfeitos com o que haviam atingido, que não tinham consciência de sua própria miséria. E não é isso mesmo que testemunhamos em nossos dias? Não é evidente que estamos vivendo no período laodiceiano da história da Igreja? Muitos estavam cônscios da “necessidade”, mas a- gora imaginam que receberam a “segunda bênção”, ou que 

obtiveram o “batismo do Espírito Santo”, ou que entraram na “vitória”. E, imaginando isso, pensam que sua necessidade foi satisfeita. E a prova disso é que eles vivem em uma atmosfera de tal superioridade espiritual, que nos dirão haverem saído de Romanos 7 e entrado na experiência de Romanos 8. Com desprezível complacência, eles nos dirão que Romanos 7 não descreve mais a experiência deles. Com presunçosa satisfação, eles olharão com piedade para o crente que clama: “Desventurado homem que sou!” e como o fariseu, no templo, agradecerão a Deus porque a situação deles é diferente. Pobres almas cegas! É exatamente o que o Filho de Deus afirma nessa passagem de Apocalipse: “Nem sabes que tu és infeliz”. Nós dissemos: “Almas cegas”, porque observamos que é para os crentes laodicenses que Jesus declara: “Aconselho-te que de mim compres... colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas” (Ap 3.19).
Devemos observar que na segunda parte de Romanos 7 o apóstolo Paulo fala no singular. Isso é admirável e bastante abençoador. O Espírito Santo desejava transmitir-nos a verdade de que mesmo as mais elevadas realizações na graça não isentam o crente da dolorosa experiência ali descrita. Com o pincel de um artista, o apóstolo retratou — utilizando a si mesmo como o objeto da pintura — a luta espiritual do filho de Deus. Ele ilustrou, por re- ferir-se à sua própria experiência, o conflito incessante que se realiza entre duas naturezas antagonistas naquele que nasceu de novo.
Que, em sua misericórdia, Deus nos liberte do espírito de orgulho que agora corrompe o ambiente do evangelicalismo moderno e nos conceda um humilde ponto de vista a respeito de nossa própria impureza; fazendo-o de tal modo que nos unamos ao apóstolo Paulo em clamar com um fervor cada vez mais profundo: “Desventurado homem que sou!” Sim, que Deus outorgue tanto ao autor dessas linhas quanto ao seu leitor uma tão grande percepção de sua própria depravação e indignidade, que eles realmente se prostrem no pó, diante de Deus, e O adorem por sua maravilhosa graça para com esses pecadores que merecem o inferno.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

QUAL A FUNÇÃO E ESTRATEGIAS QUE TEM UMA SEITA NO MEIO DO POVO, PRINCIPALMENTE NAS DENOMINAÇÕES.


                            

Irmãos, este primeiro estudo sobre seitas, iremos ler primeiramente a Palavra do Senhor em Atos 26.4-5, que diz: Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o principio entre o meu povo e em Jerusalém, todos os judeus a conhecem; pois, na verdade, eu era conhecido desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.
O significado da palavra Seita no Latim (< latim secta = "seguidor", proveniente de sequire = "seguir") 
O significado do conceito seita, ela é preocupante, pois ela influencia a massa, com pensamentos e ideologias do ponto de vista do seu líder, seja na igreja, política, escola etc; Vejam que este mal (seitas), elas entram disfarçadas em palavras e argumentos que até parecem bons, mas no fundo querem que o seu idealismo, ou melhor suas ideias sejam bem aceitas no meio das pessoas.
Vemos no texto, que o Apostolo Paulo, era um homem, versado nas letras, nas articulações para influenciar o povo, poderia ate dizer, um teólogo liberal, pois como Paulo mesmo disse neste versículo, que ele viveu fariseu conforme a seita mais severa da religião que ele tinha anteriormente, e poderia destacar ate com o rei Agripa pois no versículo 3 parteb diz Paulo: porque és versado em todos os costumes e questões que há entre os judeus; vemos que o rei Agripa também era um homem eloquente, ele também seguia os costumes da seita que sua religião impunha sobre eles.
Lendo irmãos o capitulo 8 de Atos, vemos que a seita na qual Saulo praticava junto com outras pessoas era a de que eles tinham muita raiva do povo de Deus que pregava o Evangelho de Jesus Cristo, e Saulo com outras pessoas assolavam as casas das pessoas, matavam, prendiam, fazia um alvoroço, por causa do CAMINHO ( JESUS CRISTO).
Ele, Paulo e seus compatriotas, tinham em mente, a sua ideologia, que tinha que exterminar o povo de Deus, pois quanto mais perseguia o povo, mais o Evangelho da Graça de Deus ia se expandindo; Graças a Deus.
Irmãos, que possamos chegar até o trono de Graça de Deus nosso Pai, e pedir a Ele: Para que o  DEUS de nossos SENHOR JESUS CRISTO, o PAI da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele. Efésisos 1.17.
Para discernirmos todas as coisas, que vem ate nos como flores lindas, mas nestas flores há espinhos; Tomemos cuidado irmãos e prestemos muita atenção a essas seitas que estão entrando sorrateiramente em nossas igrejas.
Deus seja louvado, Deus o abençoe irmãos.
Seminarista e Apologista: Marcos Antonio Leite Biazoli.
(Obs: Na próxima ediçõe, iremos estudar sobre a seita do Zoroastrismo). 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

UM CRISTIANISMO CUJO LOUVOR É ANTROPOCÊNTRICO.



Ultimamente tenho pensado nas canções cantadas em nossas igrejas. Aliais, vale a pena ressaltar que a esmagadora maioria dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa.
Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais. Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos a conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus.
Pois é, numa liturgia preponderantemente hedonista, os evangélicos são extravagantes, querem de volta o que é seu, necessitam de restituição, determinam a prosperidade, tocam no altar, pedem chuva, cantam mantras repetitivos erotizando sua relação com Deus, desejando da parte do Criador, beijos, abraços e colo.
Caro leitor, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens. Da mesma maneira, necessitamos clamar ao Pai pedindo-o que nos liberte do louvor engessado, feito de cabeças baixas e bocas carrancudas, de letras difíceis, de músicas duras, sejam elas importadas ou brasileiras.
Por favor, pare, pense e responda: Para onde a igreja está indo? Será que não está caminhando a largos passos a uma nova “constatinização”? Ah que saudade da boa música, ministrada, cantada, com unção, cujo interesse era simplesmente engrandecer o nome de Deus!
Pois é, parece que nos últimos anos, a igreja se perdeu no caminho em direção ao trono do Altíssimo, Isto porque, as letras de algumas das suas composições, são empobrecidas teologicamente, simplistas e sem óleo. Além disso, falta oração, busca de Deus, consagração e compromisso com a Palavra.
Definitivamente a coisa está feia! Minha oração é que o Senhor nosso Deus nos reconduza a sala do trono e que lá possamos adorá-lo integralmente entendendo assim, que a glória, o louvor, a soberania pertence exclusivamente a Ele.
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domingo, 2 de dezembro de 2012

ODRES NOVOS NO CURSO DA HISTÓRIA.



Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos [e ambos se conservam]. Lucas 5:38.
Jesus explicou, claramente aqui, diante das criticas que foi alvo em razão da ausência de jejum na experiência dos seus discípulos, que os odres velhos não têm qualquer serventia para a preservação do vinho jovem. Esses odres gastos não serviam para essa alegria estonteante que precisa se atualizar dia a dia. O sistema judaico estaria falido?
A nova comunidade em gestação, na Galiléia dos gentios, tinha uma fermentação intensa e vigorosa de júbilo, enquanto os vasos judaicos já estavam velhos, murchos, encolhidos e rotos. Estavam imprestáveis para abrigar o mosto efervescente desse lagar inédito.
O judaísmo havia se tornado esclerosado, duro, seco e sem qualquer mobilidade para a nova realidade inaugurada pela encarnação do Verbo Divino. Javé em pele, osso, carne e sangue é um assombro para essa mentalidade governada pelas franjas do talit, ou pelos rituais das sinagogas advindas da Babilônia infestada de paganismo. O Deus encarnado no Jesus histórico é uma profanação violenta de algo sagrado e distante.
O vinho, aqui, no texto, está no singular e os odres no plural. Nesse contexto o vinho novo é único. Não existem vinhos novos. Só há um vinho novo, já que o Evangelho da graça é excepcional e exclusivo. Fiquem sabendo, de antemão: a Graça não se encontra em qualquer sistema de religião na face da terra; mesmo que seja uma graça genérica ou, algo semelhante ao favor imerecido de Deus. Apenas no Evangelho de Cristo Jesus há Graça e Graça plena e incondicional.
A religião pós-exílica era um odre curtido na fumaça e cheio de fuligem. Os lideres haviam transformado as 613 letras hebraicas do Decálogo, os dez mandamentos, em 613 mandamentos retirados do Pentateuco, isto é, dos cinco primeiros livros do Antigo Pacto.
Eles converteram o relacionamento saudável com Deus num código congestionado de regras complicadas e tomadas de detalhes. Para essa turma de solidéu ou kipá, e de véu na cuca, o que vale é a conduta externa promovida por normas ao pé da letra.
Segundo Eric Geiger, dos 613 mitzvot da Torá, "havia 248 mandamentos afirmativos, um para cada parte do corpo humano, como eles assim entendiam e, 365 mandamentos negativos, um para cada dia do ano. Depois, eles dividiram a lista em mandamentos compulsórios e não compulsórios. Então, passavam os seus dias discutindo se aquela divisão e a classificação dos mandamentos dentro de cada divisão era “adequada".
Foi com este pano de fundo tricotado com nós cegos e com o casuísmo legalista das minúcias em miçangas, que Jesus descomplicou radicalmente o formato enredado daquele odre que vinha embutido na pergunta: qual é o maior mandamento? A tropa de elite do Sinédrio queria colocar Jesus numa sinuca de bico e mostrar a fraqueza das boas novas que brotavam viçosas na proclamação de uma alforria permanente.
Mas, para Jesus a nova comunidade teria apenas dois pilares de apoio. Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. Mateus 22:37-40.
O Senhor da graça, reduzindo 611 mandamentos da lei, sem restringir uma vírgula sequer do seu valor ético; e, ao simplificar as linhas e alíneas do regulamento, tornou regular a única base que sustenta os relacionamentos sadios: o amor.
O Evangelho é simples. Além disso, é positivo. É a boa notícia de que fomos aceitos integral e incondicionalmente no amor do Amado. Não existem cláusulas. Por exemplo: eu te amo uma vez que... ou, eu te amo quando... contanto que... se... Nada disso. Deus nos ama independentemente de qualquer condição. Como disse Dr. David Seamands, "nós podemos rejeitar o amor de Deus, mas não podemos impedir que Ele nos ame".
O vinho novo é sempre o mesmo e sempre novo. Não há boas novas velhas. O gosto do Evangelho nunca muda. É surpreendente a sua novidade histórica, pois, após dois mil anos, o seu aroma e o seu sabor são como o do beaujolaisnouveau da safra atual.
O amor não envelhece. A graça não caduca. A boa notícia de que Cristo me aceitou de modo incondicional na cruz se atualiza a cada dia, assim como a minha morte e ressurreição com ele nunca perdem validade. O Evangelho é original e único.
Contudo, há um grande perigo quando se trata de misturas em termos de vida espiritual. Nesse instante se pode dizer: "hoc opus, hic labor est". Tradução bem vulgar - "é aqui onde a porca torce o rabo". Que tragédia: tentar misturar o Evangelho com o humanismo!
Para os enólogos, os blends, ou misturas de uvas, podem ser uma boa opção. No mercado encontrarmos grandes vinhos decorrentes desta junção de castas diferentes. Mas, nunca, mistura-se a graça de Deus com o mérito humano. É preciso avaliar com cuidado as motivações e objetivos da bondade que está por trás de cada ato humano.
Só Deus é o Bem Supremo e Bom por essência. Mas, a humanidade tem uma bondade relativa que se propõe ser comparada com a Bondade Divina. É o altruísmo subordinado ao interesse.
Como podemos discernir a diferença entre a bondade Divina e a humana, uma vez que, há atos bondosos nos dois modelos? Talvez essa pista de Jesus nos ajude um pouco: Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem? Mateus 7:11.
A bondade humanista encontra-se vinculada aos interesses da preservação de sua própria espécie, enquanto a distinta Bondade Divina se volta para qualquer um que a quiser. Deus é sempre favorável a todos que o pedirem. Além disso, a nossa bondade constantemente requer um reconhecimento pessoal e exige sua glória nas entrelinhas; porém, a benevolência Divina nunca cobra reciprocidade. Por favor, analise isto com muito cuidado: agradecimento não é penhor. A gratidão jamais pode ser obrigatória.
Nós temos, também, que examinar os frutos com muita acuidade, pois é pelos frutos que se conhecem as árvores. Todavia, não podemos julgar apenas pelas aparências, assim corremos riscos de injustiça. "Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança, cai".
Você sabe a diferença entre um talento e um dom? Então, o dom é uma dádiva Divina. Não vem naturalmente com o ser humano, uma vez que não viemos ao mundo com ele. É um carisma do próprio Deus. É uma capacidade Divina dada aos Seus filhos. O talento, entretanto, é uma competência que Deus criou no ser humano. Nós já nascemos com a tal habilidade, que deve ser desenvolvida e que, habitualmente, exige aplauso da plateia.
O dom nunca sobe em palco. O talento não pode viver sem alguma plataforma. Por isso, os odres construídos a talentos costumam exibir suas qualidades, enquanto esses talentosos exigem a glória pelos seus feitos. É aqui que precisamos de uma avaliação mais criteriosa. O talento quando não recebe a honra, magoa-se. O dom, todavia, faz a festa no ostracismo. Para quem foi só usado por Deus, o contentamento é tudo.
Vejamos um pouco mais essa questão. Um dos grandes enganos que cometemos na avaliação da história da Igreja, é quando confundimos o continente com o conteúdo. Quantas vezes nós damos mais valor aos odres do que ao vinho, principalmente quando os odres são costurados com as tiras tiradas do humanismo talentoso?
Mas, substituir os dons de Deus pelos talentos humanos no seio da Igreja é um prejuízo atroz que deixa atrás sequelas devastadoras. Todo tipo de disputa de poder ou ciúmes por cargos e posições são criados e fomentados pelos hormônios da carne transpirando habilidades sob os auspícios da louvação. A carne talentosa dispensa os dons de Deus.
É no contexto da vaidade humana e da troca de favores que os odres acabam por serem pervertidos, corrompidos; envelhecendo-se. Nesse caso, o velho odre deve ser trocado ou substituído por um atual, para que o vinho novo não se perca. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos. Marcos 2:22.
O Evangelho, contudo, é como pão saído do forno na hora; encontra-se quentinho. É a boa nova espiritual sempre recente. Como já vimos, não há Evangelho antigo, obsoleto, superado. O vinho novo continua permanentemente jovem. O que envelhece com o tempo, é o odre, que carece de renovação constante. As estruturas da Igreja ficam velhas e precisam ser substituídas pela revitalização do nosso entendimento.
Uma das características da novidade do Evangelho da graça plena é a incessante contemporanização de sua arquitetura. De acordo com Martinho Lutero, o reformador do século XVI: "ecclesia reformat semper reformanda secundum verbum Dei", ou seja, "igreja reformada sempre sendo reformada segundo a palavra de Deus", ou ainda bem mais adequado: Eis que faço novas todas as coisas. Apocalipse 21:5.
De um modo geral, o ser humano costuma complicar as suas estruturas. Como podemos nós simplificar aquilo que temos complicado através da história? Parece que precisamos rever a nossa eclesiologia. Quero finalizar hoje este questionamento, com um texto bem descomplicado: Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. Atos 2:46-47.
Abba, querido, abre os nossos olhos para que vejamos a singeleza do teu Evangelho, e assim, vivamos na simplicidade do teu amor incondicional. No nome de Jesus. Amém.

Pastor Glênio Fonseca Paranaguá. 

O CÁLICE DE AMARGURA.




Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. Mateus 26:39b.
Jesus estava no Getsêmani; e essa palavra tem duas partes. A primeira é “GET” que significa “pressão”. E em todos os lugares onde se produz oliveiras, existe um lagar onde uma prensa de pedra é colocada sobre as azeitonas e o óleo é extraído delas. “Prensa” é a palavra que serve de raiz às palavras “pressão” e “Stresse”. Todos nós encontramos tremendas pressões na vida que vêm sobre nós para nos desesperar, fazer desistir ou mesmo matar. Todo homem e toda mulher uma vez renascidos em Cristo Jesus estará em constante pressão para que não confiem em si mesmos, mas no Deus que ressuscita os mortos. Na vida cristã jamais podemos ignorar isto. Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos. 2 Coríntios 1:8-9.
A segunda parte da palavra Getsêmani é “SEMANI” que significa “óleo”, “perfume” ou “frutificação”. Onde há “Get” também existe “semani”. Por isso óleo, doçura, unção e muito fruto são alguns produtos resultantes de espremer as azeitonas. Em nossa vida diária sempre teremos pressão, mas também o óleo derramado. Nós sempre evitamos o quebrantamento e gritamos para sair da prensa. Queremos sempre alcançar o nível seguinte em Deus através de conhecimentos, estratégias e manipulações. Mas não é assim que funciona. Deus quer nos levar a prensa porque é onde poderemos verdadeiramente permitir que Ele controle as nossas vidas. Caso contrário a carne assumirá o controle conforme está escrito em Lucas 22:50 Um deles feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha direita.
No Getsêmani a vontade de Jesus não foi feita, as a vontade de Deus seu Pai. Ninguém poderia comprar com sangue a nossa salvação. Só alguém como Ele, sem pecado, sem mancha. Jamais alguém destruiria o poder do pecado e da morte como Ele o fez. A humanidade de Cristo implorou para ser livrado daquilo que sua divindade poderia ver. Mas Deus nos queria para Si a qualquer custo. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. 2 Coríntios 5:21.
Desde a eternidade, o Senhor Jesus e o Pai sempre foram um. Havia tal harmonia, tal unidade, tal amor, tal pureza. Nunca tinha havido uma nuvem, uma sombra. Mesmo quando nosso Senhor Jesus veio para ser homem, por trinta e três anos da Sua vida na Terra, não houve sombra, nuvem, nenhuma distância entre Ele e o Pai porque Ele agradava a Deus em todas as coisas. Ele sempre fez a vontade do Pai e o Pai estava sempre com Ele. Jesus disse em João 16:32b.  Contudo, não estou só, porque o Pai está comigo.
O Senhor Jesus agradou ao Pai em toda a Sua vida. Desde a eternidade, nunca houve uma separação entre Eles, mas sempre uma doce comunhão e união. Entretanto, o Senhor sabia que, se Ele bebesse daquele cálice, seria separado de Seu Pai. Isso é morte eterna; isso é inferno. Por amor ao Seu Pai, Ele recuou desse pensamento. Ele não queria ser separado de Seu Pai, mas era a vontade do Pai que Ele bebesse do cálice. Portanto, a batalha no jardim do Getsêmani foi sobre esta questão do cálice. Com relação à Sua vontade humana, Ele queria que este cálice fosse passado, não queria ser contaminado, separado. Esse era o clamor do coração do nosso Senhor Jesus. Mas vemos Jesus dizendo ao Pai emLucas 22:42: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.
Jesus entregou a Sua perfeita vontade humana à vontade de Seu Pai e a batalha foi vencida. Quando a salvação nos alcança, é de graça e, algumas vezes, temos a impressão de que a salvação é barata porque nós não pagamos nada. Ela é dada a nós gratuitamente, mas Deus deseja que saibamos quanto custou a Ele, quanto custou ao Seu amado Filho. Para que não nos esqueçamos do Getsêmani, da Sua agonia e do quanto Ele nos ama, vamos ao Calvário. Podemos crer realmente que a razão pela qual esta cena indescritível nos foi revelada, é para nos mostrar o profundo amor de Deus, o amor do nosso Senhor Jesus Cristo para conosco, para que nunca possamos nos esquecer do quanto Ele nos ama. Este é o fundamento da nossa salvação. Lemos em Hebreus 5:7-9 Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
Nosso Senhor é como a oliveira, cheio de óleo, nascido do Espírito, enchido com o Espírito, ungido com o Espírito. Durante toda a Sua vida, Ele foi como uma oliveira, tão perfeita, tão completa, tão bonita; no entanto, essa oliveira deve ser prensada, deve ser quebrada para que o óleo possa fluir para a cura do homem. Ali, naquele jardim, nosso Senhor Jesus foi esmagado. Aquele Homem visivelmente perfeito foi quebrado para que a vida pudesse fluir dEle para a cura das nações. Isto é Getsêmani. Vejamos o que houve com o Nosso Senhor Jesus naquela cruz. A Bíblia diz em Isaías 53:5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Irmãos, o propósito de Deus para as nossas vidas não é a salvação, mas sim reunir em Cristo todas as coisas e que a vida divina seja manifestada em nossas vidas. A salvação é só porque Adão e Eva comeram do fruto proibido, com isso se alienaram de Deus e tornaram-se independentes de Deus, assim como nós. É por isso que precisamos ser reconciliados com Deus para que o propósito de Deus se cumpra em nossas vidas. Como podemos pensar que o propósito de Deus é a salvação? Se pensarmos assim, parece que Deus nos fez para o pecado, para que Ele cumpra o Seu propósito nos salvando. Será que Deus nos fez para o pecado só para Ele vir nos salvar? A Bíblia não diz que todos pecaram e por isso precisam de perdão, mas sim que todos pecaram e carecem da glória de Deus conforme Romanos 3:23  pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.
Todos pecaram e com isso a glória de Deus não pode ser manifestada mais em nossas vidas. O pecado é o impedimento à manifestação da glória de Deus em nós. Somente através do novo nascimento, ou seja, da nossa morte e ressurreição em Cristo, que somos libertos plenamente do pecado, a fim de que a glória de Deus possa ser manifestada e revelada em nossas vidas. É por isso que Jesus bebeu o cálice da maldição de Deus sozinho para que nós pudéssemos beber o cálice da sua benção. Gálatas 3:13  Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro).
Ele foi feito maldição em nosso lugar e bebeu o cálice de amargura e porque nosso Senhor bebeu daquele cálice de amargura e de maldição, Ele nos deixou com o cálice de bênçãos. Quando participamos da mesa do Senhor é o cálice de benção que nós abençoamos, e a razão é que nosso Senhor bebeu o cálice de maldição para que nós agora tenhamos o cálice da benção. Este é um cálice que devemos oferecer aos nossos inimigos a fim de poder reconcilia-los com Deus, como disse Davi no Salmos 23:5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.Amém. Graça e paz.

Pastor Claudio Morandi.