quarta-feira, 25 de julho de 2012

NÃO SE ESQUEÇA DA RESSURREIÇÃO.



Em 1874, um ministro batista chamado Robert Lowry redigiu um dos mais comoventes hinos e que muito exaltou a ressurreição de Jesus Cristo – “Fundo, no túmulo, Ele deitou”. Note como estes versos contrastam a impotência da morte e do sofrimento com o poder da ressurreição de Cristo:
Fundo, no túmulo, Ele deitou, Jesus, meu Salvador;
À espera do dia seguinte, Jesus, meu Senhor!
Em vão observam o leito de Jesus, meu Salvador;
Em vão, eles selam o morto, Jesus, meu Senhor!
A morte não pode deter sua presa, Jesus, meu Salvador;
Ele rompeu as barreiras, Jesus, meu Senhor!
A morte, o mais terrível inimigo do homem, não tem poder para reinar sobre o Senhor da vida. Essa verdade tem significado para você e para mim, aqui e agora, no vigésimo primeiro século. Você pode ver isto na parte mais emocionante e comovente do hino de Lowry, o refrão que pontua cada estrofe.
Do túmulo, Ele ergueu-se,
Com um poderoso triunfo sobre seus inimigos,
Ele ergueu-se, como um conquistador,
Vencendo o domínio da escuridão
Ele vive para sempre, com seus santos a reinar.
Ele levantou-se! Ele levantou-se!
Aleluia! Cristo ressuscitou!
Você vê nestas linhas o que a ressurreição de Jesus significa para você? Se você é um cristão, pode se regozijar no fato de que Cristo levantou-se dos mortos como um conquistador, um campeão que vive para sempre, para reinar “com seus santos”. Isso se refere à promessa baseada em nosso batismo na morte e ressurreição em Cristo – é a nossa esperança e a razão e base de tudo o que cremos.
Mas, e se não houve a ressurreição? E, se a ressurreição de Jesus Cristo é apenas um mito do primeiro século a ser ignorado ou marginalizado como uma questão secundária? As implicações dessa abordagem são devastadoras para o cristianismo.
Chamo sua atenção ao que Paulo escreveu em 1 Coríntios 15.16-19, de modo que você possa ver o que acontece quando esquece a ressurreição.
Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.
Sem dúvida, se Jesus ainda está no túmulo, se Ele é perpetuamente o sofredor e nunca, o conquistador, então você e eu estamos desesperadamente perdidos. E, embora esse não seja o caso, quero focalizar no hipotético “e, se” que Paulo presume temporariamente, em 1 Coríntios 15. “E, se a ressurreição fosse um mito? E, se Jesus Cristo ainda estivesse morto e no túmulo?”
Em primeiro lugar, vocês ainda estariam em seus pecados, sob a tirania da morte, juntamente com o mais vil e incrédulo pagão. Se Jesus não ressuscitou dos mortos, então, o pecado ganhou a vitória sobre Ele e continua a ser vitorioso sobre você também. Se Jesus permaneceu no túmulo, então, quando você morrer haverá de permanecer morto. Além do mais, visto que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23), se você tivesse de permanecer morto, a morte e a punição eterna seriam o seu futuro.
A razão de confiarmos em Cristo é para perdão de pecados. Porque é do pecado que precisamos ser salvos. “Cristo morreu pelos nossos pecados” e “foi sepultado, e… ressuscitou ao terceiro dia” (1 Co 15.3-4). Se Cristo não ressuscitou, sua morte foi em vão, sua fé nEle seria sem sentido, e seus pecados ainda seriam contados contra você e não haveria nenhuma esperança de vida espiritual.
Segundo, se não há ressurreição, então, “ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram” (v. 18). Isso significa que todo santo do Antigo Testamento, todo santo do Novo Testamento, e todo santo desde que Paulo escreveu estaria sofrendo em tormento neste exato momento. Isso incluiria o próprio Paulo, os outros apóstolos, Agostinho, Lutero, Calvino, Wesley, Moody, e os santos de fé e oração que você conheceu – todo e qualquer crente, em todas as eras, também estaria no inferno. Sua fé teria sido em vão, seus pecados não teriam sido perdoados, e seu destino seria a condenação.
À luz das outras consequências, a última é bem óbvia: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos homens”. Sem a ressurreição de Cristo, a salvação e as bênçãos que ela traz, o cristianismo seria sem sentido e lamentável. Sem a ressurreição não teríamos o Salvador, o perdão e o evangelho, jamais teríamos a fé significativa, nem a vida, e nunca poderíamos ter esperança por alguma dessas coisas.
Esperar em Cristo somente nesta vida seria ensinar, pregar, sofrer, sacrificar-se, e trabalhar inteiramente por nada. Se Cristo ainda está morto, então Ele somente não tem habilidade de salvar você no futuro, mas Ele também não pode lhe ajudar agora. Se Ele não estivesse vivo, onde estaria sua fonte de paz, alegria ou satisfação hoje? A vida cristã seria uma galhofa, uma farsa, uma piada cruel e trágica. Os cristãos sofreriam e até morreriam porque a fé seria apenas tão cega e patética quanto a daqueles “crentes” que seguiram Jim Jones e o Templo do Povo, David Koresh e as Raízes Davídicas, e Marshall Applewhite e a seita do Portão do Céu.
Se o cristão não tem um Salvador, senão Cristo; um Redentor, senão Cristo; e um Senhor, senão Cristo; e, se Cristo não é ressurreto, Ele não está vivo; nesse caso, a nossa vida cristã é sem vida. Nós nada teríamos para justificar nossa fé, nosso estudo bíblico, nossa pregação ou testemunho, nossa adoração e serviço de culto a Ele, e nada para justificar nossa esperança nesta vida ou na próxima. Nós nada mereceríamos, senão a compaixão reservada para os tolos.
Mas, Deus sim ressuscitou “dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4.24-25). Porque Cristo vive, nós também viveremos (Jo 14.19). “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro. Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.30-31).
Não somos dignos de pena, pois Paulo imediatamente encerra a terrível seção “e, se”, dizendo: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1 Co 15.20). Como Paulo disse, no final de sua vida, “sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito [i.e. sua vida] até aquele Dia” (2 Tm 1.12).
Aqueles que não esperam somente em Cristo para salvação são verdadeiros tolos; eles são os que precisam ouvir seu testemunho compassivo sobre o triunfo da ressurreição de Cristo. Então, não esqueça a ressurreição; regozije-se nela e glorie-se nela, pois Ele ressuscitou de fato.
Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright: © John MacArthur Jr © Editora FIEL 2009.
Traduzido do original em inglês: Don’t forget the ressurrection. Com a permissão do ministério Grace to You.
Permissões da Editora Fiel: O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

EDIFICADA SEGUNDO O PLANO DO SENHOR.

 

John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master's College and Seminary e do ministério "Grace to You"; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.

Mateus 16.18, Atos 2.41, João 14.14

Em muitos aspectos, a igreja contemporânea se parece mais com um grande corporação do que com a igreja descrita no Novo Testamento. Às vezes, até os líderes de igreja são mais semelhantes a presidentes e executivos de grandes companhias do que a pastores humildes e amáveis. Infelizmente, as boas-novas – de que um pecador pode achar perdão para os pecados diante de um Deus santo, por colocar a sua confiança em e entregar toda a sua vida a Jesus Cristo – são freqüentemente ocultadas por programas orientados por "sucesso" e interesse em resultados.

Por conseqüência, muitas igrejas se tornaram nada mais do que centros de entretenimento, empregando táticas que atraem as pessoas à igreja, mas são incapazes de ministrar-lhes verdadeiramente, quando vêm à igreja.

Deus nunca tencionou que a igreja fosse assim. Em Mateus 16.18, Jesus diz: "Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Observe a única condição do Senhor nesta promessa: "Eu... edificarei a minha igreja" (ênfase acrescentada). A garantia do Senhor é válida somente quando Ele edifica a sua igreja à sua maneira. Quando seguimos a sua planta, podemos estar certos de que Ele está agindo por meio de nós e de que nada, nem mesmo as portas do inferno, O impedirá.

Então, qual é a planta? A igreja correta pela qual devemos começar é a primeira igreja – a de Jerusalém. Ele teve sua origem no Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo encheu os 120 crentes que se congregaram para uma reunião de oração. O Senhor acrescentou 3.000 almas naquele mesmo dia (At 2.41). Aqueles crentes novatos não sabiam nada a respeito de edificar uma igreja. Não tinha precedentes; não tinham um livro sobre a igreja; nem tinham o Novo Testamento. Apesar disso, a igreja foi edificada à maneira de Jesus, e, assim, ela é modelo para a igreja contemporânea.

De volta à planta: Estudo Bíblico, Comunhão e Oração

Atos 2.42 nos mostra a planta que eles seguiram: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações". Esses são os elementos vitais que constituem a função e a vida da igreja – e todos eles são citados em um único versículo.

Eis um ponto de partida óbvio: uma igreja edificada segundo o plano do Senhor começara com o correto material grosseiro – uma congregação salva. O versículo 41 revela que a igreja era constituída daqueles que "aceitaram a palavra" de Pedro e "perseveravam". Ou seja, a igreja de Jerusalém estava cheia de verdadeiros cristãos – aqueles que aderiam continuamente à doutrina dos apóstolos.

Se a igreja deve ser edificada à maneira de Cristo, ela tem de ser redimida e capacitada pelo Espírito Santo. Um membro de igreja não-salvo, destituído do Espírito Santo, não tem poder de vencer a vontade própria, interesses pessoais e o amor ao pecado. Somente os crentes têm o poder de Deus para despojarem-se dessas coisas e manifestarem o Espírito de Deus.

Embora a igreja primitiva não possuísse o Novo Testamento, ela tinha a Palavra de Deus na forma da "doutrina dos apóstolos". A igreja em Jerusalém era comprometida com o receber essa palavra. A doutrina é a base da igreja – você não pode viver o que não sabe e não entende. Essa foi a razão por que Paulo instruiu Timóteo nestes termos: "Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina" (2 Tm 4.2-3). Esse tempo chegou. Se a sua igreja não está pregando a verdade diretamente da Bíblia, como você reconhecerá o erro, quando ele surgir? Como você crescerá? Nunca permita que o púlpito da igreja seja ocupado por alguém que não guia a congregação por meio de um estudo profundo e penetrante da Palavra de Deus.

A principal ênfase da comunhão da igreja primitiva era o partir do pão – a Ceia do Senhor. Era o símbolo mais apropriado da comunhão deles, visto que lhes recordava o fundamento da sua unidade – a salvação em Cristo e a aceitação da doutrina dos apóstolos. Se você tem essas coisas como a base comum com outros crentes, a Ceia do Senhor – a comunhão – é, também, o símbolo mais adequado de sua comunhão.

Comemos e bebemos em memória do amor sacrificial de Cristo que O levou à cruz. Em nossa comunhão, devemos ter o hábito de praticar o mesmo tipo de amor que Cristo demonstrou para conosco. Em termos práticos, podemos sempre dar nossa vida por aqueles que Deus coloca em nossa jornada. Você ora habitualmente por seus irmãos em Cristo? Está encorajando-os, edificando-os, atendendo às suas necessidades físicas? Essas são as marcas da verdadeira comunhão cristã.

Atos 2.42 nos diz que os crentes se dedicavam à oração. Infelizmente, a mesma dedicação à oração é negligenciada em nossos dias. As igrejas podem encher os bancos por oferecerem entretenimento, mas, quando realizam a reunião de oração, somente alguns poucos fiéis vão à igreja. Os cristãos primitivos recordavam a promessa do Senhor: "Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (Jo 14.14). Enquanto eles demonstravam dependência do Senhor, os resultados (At 2.43-47) eram admiráveis.

Edificada de Acordo com a Escala: Temor, Amor e Alegria

O que acontece quando verdadeiros crentes permanecem sob a influência do ensino bíblico, em uma comunhão espiritual, dedicados à oração? Atos 2.43 diz: "Em cada alma havia temor". "Temor" fala-nos sobre um senso de reverência. É reservado para tempos especiais quando as pessoas são tomadas de admiração por causa de algo divino ou poderoso que desafia a explicação humana.

A nossa igreja deve ser capaz de instilar um senso de temor em nossa comunidade. A igreja primitiva fez isso. O versículo 43 diz que em todos havia temor, por causa dos "muitos prodígios e sinais... feitos por intermédio dos apóstolos". Embora os milagres e sinais da era apostólica não sejam mais necessários agora, quando a Palavra de Deus está completa, o poder de Deus continua se manifestando. O que poderia ser mais maravilhoso do que dar vida a pessoas que estão mortas no pecado? Deus cura as pessoas de suas feridas, une lares destroçados, liberta pessoas da escravidão ao pecado. Em resumo, Ele transforma vidas. Quando a igreja segue o plano de Deus, Ele fará coisas admiráveis e poderosas em vidas individuais diante de um mundo observador.

A igreja primitiva era cheia de amor – eles "tinham tudo em comum" (v. 44). Havia direito de propriedade na igreja primitiva – os crentes não viviam em uma comuna –, mas eles não possuíam nada em exclusão de alguém que tinha necessidade. Os verbos gregos traduzidos por "vendiam" e "distribuindo", no versículo 45, mostram que eles estavam continuamente vendendo e distribuindo os seus recursos conforme a necessidade. Esse tipo de amor sacrificial é o resultado da obra do Senhor em cristãos obedientes que seguem a planta do Senhor.

O Senhor abençoa aqueles que trabalham de acordo com seu plano. Ele enche de alegria (v. 46) e louvor (v. 47) a igreja obediente. Como não podemos ser felizes quando vemos Deus agir entre nós? Como podemos deixar de regozijar-nos quando vemos Deus usando a nossa igreja para causar um impacto eterno neste mundo? Segundo, o Senhor acrescenta almas à sua igreja. Atos 2.47 conclui dizendo que "acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos".

Desejo ver o crescimento da igreja. Sei que você compartilha desse desejo. Minha oração é que deixemos Deus edificar a igreja à sua maneira, enquanto aguardamos a volta do Senhor. Se você quer valorizar a sua igreja, siga a planta do Senhor e encoraje os líderes de sua igreja a fazerem o mesmo.


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Traduzido por: Francisco Wellington Ferreira

Copyright © John MacArthur & Grace to You

© Editora FIEL 2009.

Traduzido do original em inglês: Built to the Master’s Plan, com a permissão do ministério Grace to You.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

domingo, 8 de julho de 2012

PASTORADO, ERUDIÇÃO E AVIVAMENTO EM JONATHAN EDWARDS.


No começo do século dezoito, era visível nas treze colônias – que em breve seriam conhecidas como Estados Unidos – o declínio da fé evangélica, provocado pela influência do processo colonizador, com seu subseqüente aumento populacional, sucessão de guerras brutais e declínio da espiritualidade dos ministros. Em 1726, um avivamento começou a irromper nas congregações reformadas holandesas em New Jersey, com as pregações de Theodore Frelinghuysen. Pouco depois, este avivamento alcançou os presbiterianos escoceses, por meio das pregações de William Tennant, Gilbert Tennant e Samuel Davies.
A vinda do avivamento
Jonathan Edwards nasceu em 1703, único filho homem de Timothy Edwards, que era pastor congregacional em East Windsor, Connecticut. Pouco antes de completar 13 anos entrou no Yale College, em New Haven, Connecticut. Em 1720, recebeu o grau de bacharel, e aos 20 anos recebeu o grau de mestre em Artes. Em abril ou maio de 1721 experimentou a conversão: "A partir daquele tempo, comecei a ter um novo tipo de compreensão e ideias a respeito de Cristo, e da obra da redenção e do glorioso caminho da salvação através dele. Eu tinha um doce senso interior destas coisas, que às vezes vinham ao meu coração; e a minha alma era conduzida em agradáveis vistas e contemplações delas. E a minha mente estava grandemente engajada em gastar meu tempo em ler e meditar sobre Cristo; e a beleza e a excelência de Sua pessoa, e o amável caminho da salvação, pela livre graça nEle... Este senso que eu tinha das coisas divinas frequentemente e repentinamente se inflamava, como uma doce chama em meu coração; um ardor da alma, que eu não sei expressar".
Após servir numa pequena igreja presbiteriana em New York, voltou a Yale como tutor. E, em 1727, foi ordenado ao pastorado, servindo como auxiliar na congregação pastoreada por seu avô, Solomon Stoddart, no ministério de uma igreja congregacional em Northampton, Massachusetts. Ele diz de sua consagração: "Dediquei-me solenemente a Deus e o fiz por escrito, entregando a mim mesmo e tudo que me pertencia ao Senhor, para não ser mais meu em qualquer sentido, para não me comportar como quem tivesse direitos de forma alguma... travando, assim, uma batalha com o mundo, a carne e Satanás até o fim da vida". Ele se casou aos 24 anos, em 1728, com Sarah Pierrepont, filha de um pastor. Ela era uma mulher de rara intelectualidade, porém, como seu marido, totalmente devota à gloria de Deus, e a uma experiência de oração que a levava algumas vezes a quase falência física. Sempre acompanhava seu marido nos momentos de oração. Em seu momento devocional diário, ele ia de cavalo para um bosque, e caminhava sozinho, meditando. Ele anotava suas ideias em pedaços de papel e, para não perdê-los, os pendurava em seu casaco. Ao voltar para casa, era recebido por sua esposa, Sarah, que o ajudava a tirar suas notas. Eles tiveram onze filhos, todos cristãos, e sua vida familiar feliz foi um modelo para todos os que o visitaram. Após a morte do avô, cujo pastorado durou sessenta anos, ele assumiu a igreja, em 1729.
No período de 1734-1737, durante uma série de pregações sobre a justificação pela graça por meio da fé, começou um avivamento em sua congregação, que rapidamente se espalhou por Connecticut e New Jersey. Seus ouvintes sentiram as grandes verdades das Escrituras de que toda boca ficará fechada no dia do juízo e que "não há coisa alguma que, por um momento, evite que o pecador caia no inferno, senão o bel prazer de Deus". Em suas palavras, "o Espírito de Deus começou a trabalhar de maneira extraordinária. Muita gente estava correndo para receber Jesus. Esta cidade estava cheia de amor, cheia de alegria, e cheia de temor. Havia sinais notáveis da presença de Deus em quase cada casa". Edwards reconheceu que "mais de 300 almas foram salvas, trazidas para Cristo" em Northampton. Nesta época sua cidade tinha cerca de dois mil habitantes. "Não havia sequer uma pessoa na cidade, velha ou jovem que não estivesse interessada nas grandiosas coisas do mundo eterno (...). O trabalho de conversão era levado adiante da maneira mais surpreendente; as almas vinham, multidões delas, a Jesus Cristo". Nessa época ele escreveu uma obra intitulada Uma fiel narrativa da surpreendente obra de Deus, onde detalha como a conversão cristã ocorre.
Refletindo sobre o avivamento
Ao considerarmos seus escritos, temos um vislumbre de seus interesses e aptidões. Ele escreveu cerca de mil sermões, e seu alvo era levar os homens a entenderem, sentirem e responderem à verdade do evangelho. Seus sermões eram esboçados segundo o método puritano, que incluía a exposição do texto bíblico escolhido, apresentação da doutrina (que era apoiada por outros textos bíblicos) e aplicação às questões do dia-a-dia. Ele colocava sua erudição a serviço de uma clareza deliberadamente simples. Pecadores nas mãos de um Deus irado, pregado em Einfield, Connecticut, em 1741, baseado em Deuteronômio 32.35, é seu sermão mais famoso. Antes desse sermão, por três dias não se alimentara nem dormira; rogara a Deus sem cessar: "Dá-me a Nova Inglaterra!" O povo, ao entrar para o culto, se mostrava indiferente e mesmo desrespeitoso. Edwards iria pregar, e ao dirigir-se para o púlpito, alguém disse que tinha o semblante de quem estivera, por algum tempo, diante de Deus. Sem quaisquer gestos, encostado num braço sobre o púlpito, segurava o manuscrito numa mão, e o lia numa voz calma e penetrante. O resultado do sermão foi como se Deus arrancasse um véu dos olhos da multidão para contemplar a realidade e o horror em que estavam. Em certa altura do sermão, um homem correu para frente suplicando por oração, sendo interrompido pelos gemidos dos homens e mulheres; quase todos ficaram de pé ou prostrados no chão, alguns se agarrando às colunas da igreja, pensando que o juízo final havia chegado. Durante a noite inteira ouviu-se na cidade, em quase todas as casas, o clamor daqueles que, até àquela hora, confiavam em sua própria justiça.
O efeito foi duplo: "Primeiro,... eles abandonavam as suas práticas pecaminosas... Depois que o Espírito de Deus começou a ser derramado tão maravilhosamente de uma maneira geral sobre a vila, pessoas logo deixaram as suas velhas brigas, discussões, e interferências nos assuntos dos outros. A taverna logo foi deixada vazia, e as pessoas ficavam em casa; ninguém se afastava a não ser para negócios necessários ou por causa de algum motivo religioso, e todos os dias pareciam em muitos sentidos, como o dia de domingo. Segundo, eles começavam a aplicar os meios de salvação; leitura, oração, meditação, as ordenanças pessoais; seu clamor era, 'o que devo fazer para ser salvo?'" Na mesma época, entre 1739 e 1741, George Whitefield pregou em doze das treze colônias, e teve um papel central na continuação deste avivamento. Em 1740, chegou a pregar para multidões de até oito mil pessoas durante um mês, em quase todos os dias. Durante estes avivamentos entre 25.000 a 50.000 pessoas se converteram, entrando para as igrejas, sem contar os convertidos que já eram membros das igrejas – nessa época a população das treze colônias era de pouco mais de um milhão de pessoas. E Edwards se tornou um dos mais capazes instrumentos e defensores do avivamento.
Um sermão magistral é a exposição verso por verso de 1João 4, A verdadeira obra do Espírito, que ele pregou no Yale Collegeem 1741. Edwards sabia que problemas acompanham o avivamento, pois Satanás, o qual, segundo ele observou, foi "treinado no melhor seminário teológico do universo", segue a um passo de Deus, pervertendo ativamente e caricaturando tudo quanto o Criador está fazendo. Então, na primeira parte de seu sermão, ele passa a mostrar quais são os sinais que supostamente negam uma obra espiritual. Na segunda parte, então, ele demonstra os sinais bíblicos de uma obra do Espírito Santo. São elas: "Amor por Jesus, Filho de Deus e Salvador dos homens", "agir contra os interesses do reino de Satanás, que busca encorajar e firmar o pecado e fomentar as paixões mundanas nos homens", "profunda consideração pelas Sagradas Escrituras", revelação dos "caráteres opostos do Espírito de Deus e dos outros espíritos que falsificam suas obras" e "se o espírito que está em ação em meio a um povo opera como espírito de amor a Deus e ao homem, temos aí um sinal seguro de que este é o Espírito de Deus".
Seu interesse por temas teológicos se evidencia pela amplidão das suas obras, abordando quase todos os temas doutrinários, legando à cristandade um imenso acervo de livros. Às vezes ele tem sido considerado um teólogo-filósofo, por causa de alguns de seus escritos, mas jamais deixou que a filosofia lhe ensinasse a sua fé ou que o desviasse da Palavra de Deus. Ele extraía das Escrituras as suas convicções, e a verdadeira estatura dele deve ser aquilatada como um teólogo bíblico. Como disse J. I. Packer: "Por toda a sua vida, alimentou sua alma com a Bíblia; por toda a sua vida, alimentou seu rebanho com a Bíblia". Edwards é mais frequentemente estudado por causa da sua descrição agostiniana do pecado humano e da total suficiência da graça de Deus em Cristo por meio do Espírito. Mark Noll diz: "[Para Edwards,] a raiz da pecaminosidade humana era o antagonismo contra Deus; Deus era justificado ao condenar os pecadores que menosprezavam a obra de Cristo em favor deles; a conversão importava numa mudança radical do coração; o cristianismo verdadeiro envolvia não somente compreender algo de Deus e dos fatos das Escrituras, como também um novo 'senso' da beleza, santidade e verdade divinas. (...) Na mente de Edwards, as implicações para a conversão, que este conceito da natureza humana subentendia, ocupavam o lugar principal. Dizia que um pecador, por natureza, nunca escolheria glorificar a Deus, a não ser que o próprio Deus mudasse o caráter daquela pessoa ou – segundo a expressão do próprio Edwards – implantasse um novo 'senso do coração' para amar e servir a Deus. A regeneração, ato de Deus, era a base para o arrependimento e a conversão, que eram ações humanas". Ele cria que o Deus onipotente exigia arrependimento e fé das suas criaturas, então ele proclamava tanto a absoluta soberania de Deus quanto a responsabilidade dos homens em responder ao chamado evangelístico.
Ele também escreveu um livro clássico de psicologia da religião, o Tratado das Afeições Religiosas, de 1746, baseado em uma série de sermões em 1Pedro 1.8. Apesar de ter sido educado para ser lógico e racional, ele argumentava que a religião verdadeira reside no coração, no centro das afeições, emoções e inclinações. Ele detalhava de forma minuciosa os tipos de emoções religiosas que, em grande medida, são irrelevantes à espiritualidade verdadeira, terminando com uma descrição de doze marcas que indicam a presença da verdadeira espiritualidade cristã. Estas provêm de uma fonte divina e sobrenatural, o Espírito Santo, que irá gerar no fiel atração a Deus e seus caminhos por amor a ele, paixão pela beleza da santidade divina, novo conhecimento, convicção de que as verdades proclamadas pela fé cristã são concretas, humildade, regeneração, um espírito semelhante ao de Cristo, temor a Deus, equilíbrio entre as várias virtudes cristãs, anseio por Deus e comportamento guiado pela Escritura, em cumprimento à prática cristã. A análise cuidadosa de Edwards sobre a fé genuína enfatizava que não era a quantidade de emoções que indicava a presença da verdadeira espiritualidade, mas as origens de tais afeições em Deus, e a sua manifestação em obras que o glorifiquem. Como Beeke & Pederson escrevem, "esta tem sido, há muito, considerada por muitos historiadores como sua obra mais influente". Em 1749 ele publicou um livro de memórias intitulado A vida de David Brainerd, um evangelista que viveu durante um tempo com sua família e morreu em Northampton, em 1747. Ao elaborar seu ensino sobre a conversão, Edwards usou-o como um estudo de caso, pontuando extensas reflexões sobre a vida e o ministério de Brainerd.
Por causa da influência de seus escritos, ele é considerado o maior teólogo e filósofo surgido nos Estados Unidos. Lloyd-Jones, que devia muito aos escritos de Edwards, disse: "Eu sou tentado, talvez tolamente, a comparar os puritanos aos Alpes, Lutero e Calvino ao Himalaia e Jonathan Edwards ao Monte Everest". Ele dependia totalmente da graça de Deus, que dominava completamente sua peregrinação intelectual, sempre mantendo seu intelecto e estudos subordinados à Escritura.
O avivamento e as missões cristãs
Edwards também escreveu um livro intitulado Uma humilde tentativa de promover uma clara concordância e união visível do povo de Deus em extraordinária oração, pelo reavivamento da religião e o avanço do Reino de Cristo na terra (1748). Nesta obra ele faz um apelo: "muitas pessoas, em diferentes partes do mundo, por expressa concordância para se chegar a uma união visível em extraordinária,... fervente e constante oração, por aquelas grandes efusões do Espírito Santo, o qual trará o avanço da Igreja e do Reino de Cristo". Sua convicção era que "quando Deus tem algo muito grande a realizar por sua igreja, é de sua vontade que seja precedido pelas extraordinárias orações do seu povo". Neste tempo, a condição espiritual das igrejas batistas na Inglaterra era deplorável. John Sutcliff, pastor da igreja batista de Olney, Buckinghamshire, leu este livro, e propôs aos seus companheiros pastores na Associação Northampshire que separassem uma hora na primeira segunda-feira à noite de cada mês para orar para que "o Espírito Santo possa ser derramado em nossos ministérios e igrejas, para que os pecadores possam ser convertidos, os santos edificados, o interesse da religião revificado, e o nome de Deus glorificado". Um grande avivamento se seguiu a estas reuniões. A influência de Edwards sobre Sutcliff e seus amigos, que incluíam William Carey e Andrew Fuller, foi tal que este escreveu: "Alguns dizem que, 'se Sutcliff e alguns outros tivessem pregado mais de Cristo, e menos de Jonathan Edwards, eles teriam sido mais úteis'", replicando em seguida: "Se aqueles que falam assim, pregassem Cristo metade do que Edwards fazia, e fossem metade tão úteis como ele foi, sua utilidade seria o dobro do que ela é". Por causa da profunda impressão do livro de Edwards, estes homens fundaram a Sociedade Batista Particular para Propagação do Evangelho entre os Pagãos (que veio se tornar a Baptist Missionary Society), em 1792, sendo Fuller seu primeiro secretário.
Uma rica herança
Era costume de sua igreja conceder o privilégio a qualquer pessoa, mesmo sem ser membro da igreja, para participar da Ceia do Senhor. Por requerer uma base estrita para participar da Ceia foi demitido de sua igreja em 1750. Como Lloyd-Jones disse: "Essa foi uma das coisas mais espantosas que já aconteceu, e deve servir como uma palavra de encorajamento para os ministros e pregadores. Lá estava esse altaneiro gênio, esse poderoso pregador, esse homem que estava no centro do grande avivamento – e, todavia, foi derrotado na votação da sua igreja por 230 votos a 23. Não se surpreendam, portanto, irmãos, quanto ao que possa acontecer com vocês em suas igrejas". Então, ele foi ser missionário aos índios Mohawk e Housatonic, num posto na fronteira, em Stockbridge, Massachusetts. Foi lá que ele escreveu alguns de seus tratados teológicos mais importantes, tais como A liberdade da vontade, O pecado original, O fim da criação e A verdadeira virtude. Em 1757 aceitou a presidência do College of New Jersey, que atualmente é a Universidade de Princeton, em New Jersey, e, em 1758, ao receber uma vacina contra varíola, que estava sendo testada, ele morreu. Sua última obra, inacabada, foi Uma história da obra da redenção, uma obra ambiciosa, onde ele argumenta que toda a história, desde a criação até a consumação, é subserviente à obra de redenção de Cristo. Edwards e Sarah eram profundamente dedicados um ao outro, e entre suas últimas palavras, estavam algumas para sua esposa, que ainda estava em Stockbridge. Ele disse: "Dê o meu mais bondoso amor para minha esposa, e diga a ela, que a excepcional união, que tem subsistido entre nós por tanto tempo, tem sido de tal natureza, que eu creio ser espiritual, e, portanto, continuará para sempre". Pouco antes de falecer, ele disse: "Confiai em Deus, e não precisareis temer".
Há pelo menos duas aplicações que podemos destacar. Uma diz respeito à necessidade de avivamento, em nossa época. Nós devemos temer e combater os excessos que ocorrem nestes avivamentos (que mesmo em Atos aconteceram), mas não eles. Como Edwards disse: "Pode-se observar que, desde a queda do homem até os nossos dias, a obra de redenção, em seus feitos, tem sido realizada principalmente por extraordinárias comunicações do Espírito Santo".  As Escrituras nos exortam a ser cheios do Espírito (Ef 5.18), a provar os espíritos (1Jo 4.1) e a não extinguir o Espírito (1Ts 5.19). Edwards nos ensina que avivamentos, à semelhança dos dons, são dádivas de Deus (1Co 12.11), que não podem ser fabricadas ou manipuladas pelo homem, mas esperadas na misericórdia e soberania de Deus.
A pobreza da reflexão moderna sobre Deus é evidente. Somos uma geração que perdeu a consciência da beleza da glória do Senhor, quando comparada com aquilo que podemos aprender daquilo que Edwards compartilha conosco: "Deus é um Deus glorioso. Não há ninguém como Ele, que é infinito em glória e excelência. Ele é o Altíssimo Deus, glorioso em santidade, temível em louvores, que faz maravilhas. Seu nome é excelente em toda a terra, e sua glória está acima dos céus. Entre todos os deuses não há nenhum como Ele... Deus é a fonte de todo o bem e uma fonte inextinguível; ele é um Deus todo suficiente, capaz de proteger e defender... e fazer todas as coisas... Ele é o Rei da glória, o Senhor poderoso na batalha: uma rocha forte, e uma torre alta. Não há nenhum como o Deus ... que cavalga no céu...: o eterno Deus é um refúgio, e sob Ele estão braços eternos. Ele é um Deus que tem todas as coisas em suas mãos, e faz tudo aquilo que Lhe agrada: ele mata e faz viver; ele leva ao túmulo e ergue de lá; ele faz o pobre e o rico: os pilares da terra são do Senhor... Deus é um Deus infinitamente santo; não há nenhum santo como o Senhor. E Ele é infinitamente bom e misericordioso. Muitos outros adoram e servem como deuses, são seres cruéis, espíritos que procuram a ruína das almas; mas este é um Deus que se deleita na misericórdia; Sua graça é infinita, e permanece para sempre. Ele é o próprio amor, uma infinita fonte e um oceano dele".
Bibliografia:
Jonathan Edwards, A verdadeira obra do Espírito: sinais de autenticidade. São Paulo: Vida Nova, 1992.
Gerald R. McDermott, O Deus visível; doze sinais da verdadeira espiritualidade. São Paulo: Vida Nova, 1997.
D.M. Lloyd-Jones, Os puritanos; suas origens e sucessores. São Paulo: PES, 1993.
Michael A. G. Haykin, "Jonathan Edwards: seu legado" em Jornal Os PuritanosAno 1, nº 3 (Agosto 1992), p. 11-14. 
Michael A. G. Haykin, "Jonathan Edwards: seu legado (continuação)" em Jornal Os Puritanos Ano 1, nº 4 (Outubro 1992), p. 18-20.
George M. Mardsen, "Edwards e a revolução científico-tecnológica" em Jornal Os Puritanos Ano 1, nº 3 (Agosto 1992), p. 17-18.
Mark A. Noll, "Edwards, Jonathan" em Walter A. Elwell (ed.), Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã [vol. 2]. São Paulo: Nova Vida, 2009, p. 7-11.
J. I. Packer, Entre os gigantes de Deus; uma visão puritana da vida cristã. São José dos Campos: Fiel, 1996.
Joel R. Beeke & Randall J. Pederson, Paixão pela pureza; conheça os puritanos. São Paulo: PES, 2010.
John Piper, Supremacia de Deus na pregação; teologia, estratégia e espiritualidade do ministério de púlpito. São Paulo: Shedd, 2003.

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Escritor: Franklim Ferreira.

domingo, 1 de julho de 2012

O SEGREDO DA ENCARNAÇÃO!


No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. João 1:1 e 14.
A nossa fé não é baseada em ensinamentos, ou doutrinas, ou formas, ou sistemas ou rituais ou cerimônias. A nossa fé é e tem por base uma Pessoa, o Cristo vivo. Toda a nossa vida cristã não é senão o conhecimento vivo de Cristo Jesus. Portanto, é essencial que cada um de nós O conheça realmente, não apenas conhecê-lO em nossa mente, mas sim experimentalmente. Essa era a paixão que havia no apóstolo Paulo. Vamos ler Filipenses 3:9-10 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte.
Que essa paixão não seja apenas do apóstolo Paulo, mas que seja a nossa paixão também: conhecê-lO. Na verdade conhecer a Cristo é tudo. O cerne do cristianismo não é encontrado nos ensinamentos  ou em outras coisas, mas é todo centrado sobre uma Pessoa, o nosso Senhor Jesus. Estamos vivendo em direção ao final desta era, e ela está chegando muito rápido a seu fim e, no nosso tempo, há muitos tipos de ensinamentos estranhos que levam as pessoas de um lado para o outro. E o plano do inimigo é tirar nossa atenção de Cristo, ocupando-nos com muitas outras coisas. Marta irmã de Maria era um exemplo clássico disto, mas Jesus a repreendeu:Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.  Lucas 10:41-42.
A nossa vida neste mundo começa quando nascemos, ou para ser mais exato, com a nossa concepção. Quando somos concebidos no ventre de nossa mãe, a vida se inicia. Antes disso, éramos inexistentes; mas isso não é verdade com respeito ao nosso Senhor Jesus. O Seu nascimento, de certa forma, é o começo da Sua vida na Terra, mas, o nascimento do Senhor é totalmente diferente do nosso. O Seu nascimento é na realidade, uma encarnação. Veja o que o Anjo disse a Maria:Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. Lucas 1:35.
O que é a encarnação do Senhor? A encarnação de Cristo é a manifestação de Deus numa forma humana, na forma de Jesus Cristo. Em outras palavras, antes de nascer, Jesus já existia como diz a Bíblia: “No princípio era o Verbo”. Este Verbo estava com Deus, co-existindo com Deus no princípio e, ainda, esta Palavra era Deus. Ele era um com Deus. Mas, um dia, esta Palavra se tornou carne, ou seja, se tornou um Homem, isto é encarnação. Esta Palavra tomou sobre Si a forma humana, e o Seu nome é Jesus. Jesus nasceu de uma mulher, Ele nasceu sob a lei a fim de que pudesse nos libertar e nos redimir da maldição da lei para que pudéssemos receber a filiação. Isto é encarnação, o nascimento de nosso Senhor Jesus.Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Gálatas 4:4-5.
Irmãos saibam que o conceito da encarnação foi concebido na mente de Deus mesmo antes da fundação do mundo. Podemos dizer que, no princípio, era o Deus triuno. Não havia qualquer outra coisa, não havia o Universo, nada além de Deus. Ele é Aquele que existe por Si mesmo, e sempre existiu, Ele é o princípio. Ainda não havia o tempo, mas é como se um dia, no passado remoto, houvesse um conselho entre a Deidade. Deus o Pai amava tato a Deus o Filho que Ele quis expressar o Seu amor por Ele. O amor sempre procura um meio de fazer alguma coisa, dar algo ao objeto do seu amor. Deus é amor, e Deus o Pai amou tanto a Seu Filho que Ele quis Lhe dar todas as coisas. Ele quis criar os céus e a terra. Ele quis criar todas as coisas e dá-las ao Seu Filho como Seu presente, como um ato expresso do Seu amor por Seu filho. Entre todos os presentes que Deus deu ao Seu Filho, não houve um mais excelente do que o homem. Deus fez o homem perfeito e sem pecado, mas o homem pecou e por isso Deus desceu. Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana. Filipenses 2:6-7.
Deus quis dar o homem a Seu Filho como Sua companhia, como Seu ajudador a fim de junto com Ele compartilhar em glória como também em responsabilidade. Deus tinha isso em mente de acordo com o Seu aprazimento. Ele ama o Seu Filho, e agradou a Ele quando começou a pensar em realizar estas coisas, em fazer assim! Então, tudo deve gravitar em torno do Filho. De fazer convergir nEle, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra. Efésios 1:10.
Mas o segredo dessa maravilhosa encarnação de Cristo se deu quando este Deus Onisciente, sendo Aquele que conhece o fim desde o princípio, Ele sabia de antemão que, após criar o Universo, depois de ter criado o homem, o homem iria cair em tentação, iria se rebelar contra Ele, e assim seria enganado trazendo “frustração” ao Seu presente, ao Seu amado Filho. O que Deus então deveria fazer? Não deveria fazer nada? Naquele momento é como se o Filho desse um passo à frente e dissesse: “Pai, se isso é o que Tu queres, Eu quero o que Tu queres”. O Filho não queria outra coisa senão fazer a vontade do Pai. Então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Hebreus 10:9a.
Sendo assim, é como se o Filho dissesse: “Estou desejoso de um dia ir até a este mundo que Tu criaste, e de ir até este mundo caído e Me entregar para redimir o homem e todo o Universo para que Eu possa devolver tudo a Ti, a fim de expressar o Meu amor por Ti.” Foi decidido, então, na eternidade passada, que isso deveria ser feito. Então, agora podemos entender a Encarnação de Senhor Jesus Cristo, o porquê o Verbo se fez carne.Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.  Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos. 1 Timóteo 3:16 e 2 Timóteo 1:9.Um Homem veio a este mundo, um Homem segundo o próprio coração de Deus. Ele é o Homem que estava na mente de Deus desde o princípio. É o Homem que Deus deseja, o Homem a quem Deus iria dar o domínio de todas as coisas. Mas Ele não veio para ficar só. Não veio a este mundo apenas para nos demonstrar que tipo de Homem Deus deseja, mas com o objetivo de trazer muitos filhos à glória. Por meio dEle, foi possível recriar uma nova raça. Este Homem para fazer isto morreu numa cruz e nos levou a morrer nEle quando nos atraiu a Si. Fomos crucificados e mortos e juntamente com Ele nos ressuscitou e nos deu uma verdadeira identidade de filiação divina. Hoje pela graça de Deus e porque houve a encarnação de Cristo somos filhos do Deus Altíssimo. Cristo não veio a este mundo somente para procurar e salvar o perdido, mas veio a este mundo para nos recriar e nos conformar à Sua própria imagem para que Ele nos receba como semelhantes a Ele, Sua contraparte, e para que a vontade de Deus concernente ao homem possa ser plenamente realizada. Este é o segredo da encarnação. Amém. Graça e paz. 

Escritor: Pastor Claudio Morandi.