quarta-feira, 30 de maio de 2012

APOLOGIA DE UM LADRÃO.

Apologia de um ladrão
Autor :Prof. Paulo CristianoPublicado em :Segunda, 06/08/2007






Também, com ele, crucificaram dois salteadores, um à sua direita, e outro à esquerda.” (Marcos 15:27)
O título pode parecer um tanto estranho, mas é isto mesmo, houve na história um ladrão que através de seus sôfregos últimos minutos de vida, demonstrou que o evangelho de Cristo é realmente o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A sua passagem pela história é deveras efêmera, no entanto, possui um poder devastador com capacidade de desmantelar uma vasta quantidade de ensinos errôneos por demonstrar a maravilhosa realidade da graça de Deus através de sua vida. 


O que é o evangelho de Cristo?

O evangelho é as Boas Novas que Cristo veio trazer ao pecador. É o sim de Deus a humanidade. É o anúncio da salvação oferecida gratuitamente por Deus ao homem através de Jesus Cristo. Outrossim, é o único meio pelo qual o homem pode herdar a vida eterna.

A salvação envolveu o oferecimento do sacrifício de Cristo na cruz a fim de fazer a propiciação pelos nossos pecados e pagar o preço pelo nosso resgate. Desta maneira Deus aceita-nos na base do sacrifício de seu filho e não de nossos méritos. O pecador cooperando neste plano de salvação responde através de seu livre arbítrio, fé e arrependimento tomando a decisão de ir ao encontro dessa dádiva. Como conseqüência desta provisão feita por Deus através de Cristo, o homem experiência os efeitos que ela proporciona em sua vida, tais como justificação, regeneração, adoção e santificação, sendo preenchido pela paz de Deus que excede todo entendimento.

Isto é o que chamamos de salvação. É simples e descomplicado. Todavia, o homem em sua mente carnal não consegue compreender a maravilhosa dádiva de Deus e tentam justificar-se perante Ele com seus próprios esforços. Forja para si filosofias floreadas de sofismas tendo como meio a observância de dogmas inventados pela religiosidade, fruto de sua mente carnal. Sendo que para Deus tudo isto não passa de trapos sujos (Isaías 64:6).


Salvo pela fé


Talvez aquele pobre homem tenha crescido no meio da religiosidade de Israel, tendo como espelho a religião farisaica que naqueles tempos havia ser tornado uma religião vazia e sem propósitos, incapaz de ligar o homem novamente a Deus. Existiam ali inúmeras seitas como a dos Essênios, Saduceus, Zelotes e tantos outros tipos de cultos apocalíptico e místico, cada qual oferecendo alternativas para se alcançar o favor divino. Mas nada disto satisfez o anseio e o clamor da alma daquele homem que não tendo outra alternativa, a não ser a de se entregar ao pecado, debandou para a vida de crimes. A religião dos homens não conseguiu preencher o vazio de sua alma. A religião procura agradar a Deus com seus próprios esforços levando assim, cada vez mais, o ser humano para longe do seu criador. No entanto, naquela sexta-feira, debaixo do escaldante sol das três horas da tarde, aquele homem encontrou o que havia almejado a vida inteira – a salvação de sua alma. Todos os sermões que Cristo pregou foram convergidos na prática para aquele momento. A grande verdade central do evangelho ficou demonstrada ali de modo insofismável, qual seja: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8,9) 


Um Ladrão Contra as Heresias

Se aquele ex-ladrão pudesse voltar, acredito que ele faria uma apologia de sua salvação perante as heresias dos religiosos de sua época. O que você acha que ele diria aos... 

Saduceus:
 Com certeza ele diria à religião dos saduceus, acostumados a negar a existência da alma e da ressurreição, que ele mesmo havia experimentado a plena consciência depois da morte, pois Jesus havia dito que não deveríamos temer “os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.” (Mateus 10:28)

Ainda defenderia a doutrina bíblica do inferno de fogo, pois em detrimento do que ensinava a doutrina de certas religiões, Jesus por sua vez havia advertido incansavelmente contra esta dura realidade dizendo: “Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mateus 25:41,46) Sim, o inferno é um fato e não um mito pagão! É um truque de Satanás querer remover o temor do inferno do coração dos homens.

Fariseus:
 Ao fariseu apegado à vida religiosa, entorpecido pela teologia legalística da salvação pelas obras ele diria que nunca havia guardado os dez mandamentos ou lei alguma, mas mesmo assim foi salvo no último instante pois o novo nascimento é instantâneo como disse Jesus: “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:8-16) Somos salvos para as boas obras e não por elas!

Cabala:
 Aos judeus místicos adeptos da metempsicose ou reencarnação, ele diria que não havia necessidade de tal coisa, pois o sangue de Jesus o havia purificado de todos os pecados (I João 1:9), portanto, o sacrifício perfeito de Cristo na cruz dispensa qualquer tipo de purificação em vidas sucessivas. E também não necessitava de códigos secretos ou dogmas misteriosos para contemplar a divindade, já que quem olha para Jesus pela fé vê o Pai (João 10:30 – 14:9).

Zelotes:
 A estes, acostumados a fazer justiça com suas próprias mãos, o ladrão argumentaria que o reino de Deus não é deste mundo (João 18:36), mas do céu (Romanos 14:17). A revolução através de um evangelho social estribado numa teologia da libertação nunca irá suprir a verdadeira necessidade humana a não ser pela transformação espiritual de dentro para fora (João 3:7). O que a Bíblia chama de novo nascimento. 

Essênios:
 Aquele homem diria aos ascetas essênios que ainda esperavam um messias para libertar Israel, que este messias é Jesus, mas primeiro era mister que Ele viesse como o servo sofredor de Isaias 53 para nos libertar primeiro de nossos pecados e só depois então viria como o Rei dos reis e Senhor dos senhores do livro de Daniel a fim de cumprir a promessa de um reino a Israel.


Uma Palavra aos Heréticos Modernos

Se pudesse, abriria a sua boca aos líderes heréticos modernos que subverteram e ainda subvertem o evangelho de Cristo com mentiras, que confia mais em seus credos e esforços para a salvação do que na graça de Deus; diria a eles que não há necessidade de nada disso, pois Jesus é o único sacrifício por nossos pecados, agora o que nos cabe a fazer é aceitar pela fé esta dádiva de Deus que está em Cristo Jesus.

E diria mais: diria aos mórmons e aos católicos que não há necessidade de batismos para a salvação, pois ele não teve tempo de descer da cruz e se batizar, mesmo assim foi salvo, provando que o batismo não é vital para a salvação de ninguém!

Diria aos adventistas e aos católicos que seus credos estão errados quando fazem depender a salvação da guarda dos dez mandamentos ou do sábado, pois ele mesmo nunca os guardou, contudo foi salvo mesmo assim. 

Diria aos espíritas que eles estão enganados quando afirmam que “fora da caridade não há salvação” pois ele mesmo nunca havia feito uma boa obra para seu próximo e mesmo assim foi salvo. E que a reencarnação é invencionice humana, pois no seu caso haveria necessidade de expurgar seus pecados proveniente de seu carma passado e que a dívida que ele contraiu aqui, deveria, segundo diz o espiritismo, ser paga em outras reencarnações. Mas não precisou nada disso, pois Jesus garantiu a purificação de seus pecados naquele instante e como conseqüência ganhou o céu. 

Diria às Testemunhas de Jeová que não há necessidade de pertencer a organizações nenhuma para receber a dádiva da vida eterna, pois ele nunca havia pertencido a nenhuma delas e mesmo assim foi salvo. E que não precisou esperar o paraíso num futuro incerto depois do armagedom, pois Jesus havia garantido o paraíso para ele naquele instante (Lucas 23:43).

Mais do que ninguém aquele ex-ladrão, agora convertido e salvo através da fé pela graça divina, rejeitaria todos estes falsos evangelhos por não condizer com a santa palavra de Deus!

“Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” (Gálatas 1:6-9).



Presbitero da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, professor de religiões, vice-presidente do CACP e escritor. * Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo assinado por ele.

Autor: Presbitero e Professor Paulo Cristiano.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

OCUPANTES DE UMA OCUPAÇÃO OCA!



Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Eclesiastes 1:2
Todas as evidências indicam que Salomão é o autor deste livro bíblico. O seu título vem do grego ekklesiastes, que, em português, significa “pregador”. Esse termo, por sua vez, deriva da palavra ekklesia, podendo ser traduzida por “assembleia”, “congregação” ou o nosso verbete mais familiar, “igreja”.
O vocábulo ekklesiastes, na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento, foi uma versão da palavra hebraicaQoheleth, que quer dizer: “alguém que chama ou reúne” o povo. Assim, Salomão procurou reunir o povo para falar de uma vida oca de significado, usando, cerca de 38 vezes, a palavra vaidade ou vacuidade, isto é: vazio.
Vivemos num mundo frívolo em desvanecimento. Tudo aqui é passageiro. Além do que, a vida do ego se carateriza pela futilidade de suas ambições extravagantes. Foi com esta luneta que Salomão considerou os astros vaidosos da constelação do egoísmo.
Ele escreveu este livro no final de sua jornada, depois de ter experimentado todas as facetas da vaidade em seu estilo de viver como estrela cadente. Ele foi um homem picado pelo vazio existencial, mas, parece que no final da picada, achou o sentido real da vida.
O ser humano destituído de uma intimidade relacional profunda com Deus é um  ser  sem significado eterno e vazio. Salomão procurou mostrar aqui, em seu canto de cisne ou em sua última cartada, que nada neste mundo escapa ao conceito da insignificância. O fazer, o ter, o saber, o poder e até mesmo o ser, sem Deus, é pura vaidade.
Somos uma raça oca investindo em nada, embora alucinada por um significado real. Vivemos em busca do preenchimento de todo espaço vazio com coisas insignificantes.
Veja bem como o rei Salomão avalia toda essa labuta humana: Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento. Eclesiastes 1:14. Não sobrou nada. Toda a nossa ocupação parece vã. É perda de tempo nos preocupar com aquilo que não nos proporciona algo de valor eterno.
A pessoa que se ocupa em buscar o sentido da vida apenas em sua ocupação, quando esta lhe for tirada e tal pessoa ficar desocupada, com certeza, acabará perdendo todo o seu sentido de viver. Muitos aposentados morrem logo depois que se aposentam. Outros procuram preencher esse vazio com algo, seja lá o que for, a fim de encontrar um sentido para a sua vida, que subsiste desmotivada.
Eu creio que o trabalho seja uma das bênçãos da criação, bem como um atributo da natureza divina. Mas a realização pessoal adquirida pelo seu esforço cheia de cansaço em tudo o que faz, é consequência do pecado. Não me venha com apologia por aqui.
Por favor, não pensem, também, que estou defendendo uma vida ociosa, inútil, sem propósito; conquanto eu mesmo admire, de coração, esse ócio criativo, por vê-lo muito  produtivo. Acredito muito mais numa existência liberta dessa tirania executiva, quando eu mesmo entro no descanso acolhedor da aceitação incondicional do meu Abba. Para mim é muito gratificante viver e agir a partir da minha aposentadoria no amor de Cristo.
Deixe-me tentar explicar este ponto de vista singular. A semana velha do Antigo Pacto começava com seis dias de trabalho árduo, para depois encontrar o descanso, no final das contas, como um resultado do seu esforço estafante. O descanso era uma remuneração do desempenho bem sucedido. Isto vinha como o resultado do suor que caiu do rosto laborioso. Neste caso, era o mérito quem determinava as férias.
O modelo que Salomão apresentava de desempenho exaustivo, mas repleto de nonada, tinha como matriz esse velho esquema da “troca de favores”, em que a moeda circulante dependia do valor pessoal e da meritocracia dos excelentes. Isso, não só exibia sua nulidade essencial, isto é, o que eu fazia não valia nada, pois é efêmero; como ainda mostrava a vaidade existencial ou a arrogância do meu pobre eu, um executivo mortal.
Esse investimento insistente naquilo que está destinado ao fogo e patrocinado por uma glória em que o trono encontra-se numa lápide, lamento dizer: é lastimável. Gastar a nossa existência na terra só realizando coisas que vão perecer, ou esperando uma honra que fica sepultada, constitui-se numa maratona inatingível, correndo atrás do vento.
Sou, sim, a favor do labor proativo que visa os valores eternos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.João 6:27.
Trabalhar por uma subsistência que nos é dada graciosamente me parece muito, mas muito melhor que tentar conquistar por esforço aquilo que é inconquistável. Ninguém pode ser possuidor de qualquer bem aqui na terra. No máximo, pode ser mordomo.
Se a antiga semana propunha o descanso como um salário do trabalho concluído, a nova semana da graça faz com que o descanso seja a causa do trabalho, por eterna gratidão. Essa mudança de mentalidade entre a sexta-feira da paixão e o domingo da ressurreição torna o tempo sabático como causa de um trabalho radiante.
Na lei, o ser humano deveria desempenhar bem o seu encargo para poder depois descansar. Na graça, o filho descansa por causa do amor do Pai revelado no Calvário e sai para trabalhar com alegria, em razão de sua aceitação incondicional.
Aqui temos a diferença entre o odre velho e o novo; o judaísmo e o cristianismo. Para a religião judaica o êxito é fruto da obediência do praticante que o executou com o seu empenho. No evangelho, por outro lado, o sucesso é consequência de uma herança.
A religião faz do fiel vigoroso um executivo diligente, exigindo dele uma sujeição obtusa e cruel. O evangelho faz do indigente infiel, desse mendigo indigno que vive catando sentido no lixo do pecado, um filho legítimo do Pai celestial e promove a sua obediência voluntária pela subvenção do amor incondicional. Nenhum dos filhos de Abba vive instigado pelo ferrão do dever ou assustado com as exigências do medo.
Entre o trigal na igreja de Cristo Jesus, existe uma plantação de joio transplantado do judaísmo que é denominado de joio judaizante. Essa turminha se parece com cristão, mas, na verdade, é religiosa ao extremo. Tem uma linguagem semelhante, contudo, sua ênfase é a conduta moral do humanismo legalista. É uma tribo zelosa da aparência, mas sem entendimento. Tem cara de piedade, embora viva numa prisão do medo.
Na casa do Amor não há pancadaria nem pânico. Apesar da lida e de sua fadiga, não  há estafa. A condição de filho e, portanto, de herdeiro de Deus, remove a pressão da mentalidade de gerente. A motivação do serviço cristão é diferente dos requisitos da religião. Todos os vossos atos sejam feitos com amor. 1 Coríntios 16:14.
Quem for filho do Deus amoroso agirá sempre com a natureza herdada do seu Pai. Veja esse velho ditado: “filho de peixe, peixinho é”. Nunca ouvi dizer que uma piaba tivesse se matriculado numa escola de natação para aprender a nadar. Tudo faz crer que o amor nos filhos de Deus é também uma expressão natural de sua natureza regenerada.
O modelo religioso requer metas úteis de execução. Para você poder ser aprovado é forçosa a satisfação de certas tarefas. Mas a postura de filho é uma questão familiar. Os descendentes não preenchem funções para serem herdeiros. A filiação é uma questão de origem genética e a intimidade é relacional. Abba não tem funcionários, nem escravos, mas filhos legítimos que são amados e amam legitimamente.
Para responder logo àqueles que costumam contestar, os filhos do Pai são servos, sim, do Irmão mais velho. No modelo bíblico, o primogênito é o senhor e os irmãos, seus servos. No caso de Cristo, nós também somos seus servos, mas voluntariamente, pois foi para isto que ele nos libertou. No reino de Deus não há serviço sob pressão.
Há muitos empresários da religião querendo se passar por filhos de Deus. Mas eles apenas são ocupantes de uma ocupação oca de qualquer sentido. Como disse o filósofo e matemático Blaise Pascal, “que vaidade constitui a pintura! Ela recebe aplausos apenas por representar coisas, enquanto que os originais nem mesmo são admirados”.
Como uma pessoa vazia de amor poderá querer viver a plenitude da filiação divina, quando ela é tão somente uma mera caricatura da realidade? Escravo não é filho, nem pode ter essa condição. Ora, se Deus for amor de verdade e um Pai amoroso, com toda a certeza, os seus filhos, no mínimo, manifestam essa natureza no que fazem.
Não me falem em amadurecimento neste caso. Amor é amor. Talvez a piaba não possa nadar tão bem como um dourado de 8 kg, mas ela nada com desenvoltura. Você e eu, como filhos de Deus, podemos não amar plenamente como Deus nos ama, mas amamos com uma porção da plenitude do seu amor derramado em nossos corações.
A religião tenta identificar sua espécie pela conduta externa, pela “santidade” de fachada, pelo conhecimento armazenado, enquanto o evangelho da graça revela o amor do alto como a identidade singular dos filhos de Deus. Jesus afirmou com precisão que os seus discípulos seriam identificados apenas pelo amor. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. João 13:35. Aqui não há vaidade, pois esse amor não é dele, foi derramado em seu novo ser.
A vida cristã autêntica começa com o Pai nos fazendo morrer com Cristo crucificado, para, em seguida, sermos substituídos pela vida de Cristo ressurrecto. Cristo em nós é a essência do evangelho e a consciência de que o amor do Pai se manifesta através de cada um de nós. Assim, ninguém pode se envaidecer desta vida doada imerecidamente.
Não há vaidade em quem é nada, embora, Aquele que viva nele seja o tudo. Nunca se ouviu falar de um morto vaidoso. A vida cristã dispensa o ego por causa da sua morte na cruz com Cristo, sendo substituído pela vida suficiente de Cristo na ressurreição.
Todo aquele que tenta viver a sua vida por conta própria, encontra-se ocupado numa ocupação oca. Mas aquele que foi substituído pela vida de Cristo tem o seu vazio interior  ocupado por Aquele que é o significado de uma humanidade aceita no amor eterno.
Glória a Deus pela suficiência da graça e pela nossa aceitação furiosa no amor do Pai. Glória a Deus pela evaporação de qualquer vaidade nesse processo de identidade como filhos de Deus, sem a menor exigência de mérito. Glória a Deus porque podemos viver tranquilamente no descanso como aposentados pela suficiência de Cristo.
Aleluia.
Autor: Pastor Glenio Fonseca Paranaguá; Pastor da Primeira Igreja Batista de Londrina PR.

CRISTO É O TUDO DO QUE TODOS PRECISAM!



Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14:6
Todos nós nascemos com uma doença universal que é humanamente incurável e irreversível: o pecado. Esta doença podería ser representada por um acróstico que chamaríamos de “h i v” espiritual. A letra representaria a herança do pecado Eis que em iniqüidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe. Salmo 51:5. Esta é a herança que atinje em cheio toda a raça humana, contaminando-a com o pecado de Adão.
A letra sería a inclinação para o pecado Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras. Salmo 58:3. A inclinação das pessoas é voltada inteiramente para a maldade. É uma conseqüência direta do pecado de Adão. Toda a humanidade possui uma inclinação herdada para o pecado, que se manifesta na indiferença para com a vontade e “o caminho” de Deus. Esta tendência nos acompanha desde o nascimento. As crianças não precisam ser ensinadas para praticar o mal até a morte.
E, por fim, o v significaría a vontade de pecar Anteriormente, todos nós também vivia entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da iraEfésios 2:3. Não somos pecadores porque cometemos pecados; pecamos porque somos pecadores.
A vontade é aquilo que queremos por nossa própria escolha aprisionada e escravizada. Nossa vontade é escrava de uma rebeldia que nos separa do Pai Celestial. A natureza humana é caída e a sua rebeldia contra Deus é pessoal, mesmo que na maioria das vezes não seja declarada. A vontade do ser humano determina o que vai falarpensar e fazer. Enquanto esta vontade não for gerada e controlada por Deus nunca e de nenhuma maneira poderemos agradá-Lo para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado Efésios 1:6.
O pecado é o princípio que move as pessoas que ainda não sofreram os impactos da obra de Deus em Cristo. O pecado de Adão tornou impossível à humanidade ter acesso ao caminho da vida por seus próprios feitos E, havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida Gênesis 3:24.
Desde então, o ser humano se tornou alguém que vive uma separação natural de Deus. À partir do nosso nascimento natural já estamos em “rota de colisão” com a vontade Divina. Nascemos e vivemos numa estrada contrária àquele caminhopretendido e proposto por Deus ao nos criar porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus Romanos 3:23.
Mas, mesmo que as pessoas nasçam em rebeldia contra Deus, porque ainda persiste a intenção humana de ir ao encontro, forjando seus próprios caminhos para alcançar a um ser superior? E o que dizer do desejo íntimo e não satisfeito que a humanidade tem de se aproximar de alguma divindade?
No momento em que O Criador expulsou Adam (homem e mulher) do Éden, toda a busca do sentido da vida e o consequente vazio existencial gerado por esta busca só podem ser plenamente satisfeitos pela ação redentora de Deus, na suficiência da obra de Cristo e pela ministação do Espírito Santo que traz o convencimento da realidade da separação de Deus do pecado proque não crêem em mim João 16:9!
É no contexto desta encruzilhada de cegueira existencial humana que a afirmação cristocêntrica do Mestre em João 14:6 faz todo o sentido! A única capacidade que o ser humano tem, na tentativa de se re-aproximar de Deus, é a de criar sistemas teológicos e rituais religiosos que revelam somente a sua fuga e a distância do amor do seu Criador.
Disse-lhe Jesus é uma afirmação que remete a autoridade de Cristo. Fala também da origem e de quem é a posse desta autoridade. Disse-lhe é uma ação verbal presente, contínua e durativa que demonstra a certeza da afirmação que será feita. Este tipo de declaração de Jesus é sempre um pronunciamento que pode até ser rejeitado mas, não aceita a contestação ou o descrédito das avaliações humanas.
Sempre que nos reportamos a uma declaração revelada pelo Pai nas Escrituras, não devemos considerar somente o peso da autoridade de Quem fala, mas, a origem e as intenções redentoras contidas em Suas declarações. O maior beneficiário da revelação do Pai em Cristo é a nossa raça caída (separada de Deus) e humana (sem possibilidades de chegar até Ele).
Quando Jesus diz algo sobre a sua Pessoa e Obra, o benefício sempre recai sobre as pessoas que dão crédito às suas declarações. Quando o Mestre fala é para ser ouvido, crido e experimentado. Em nenhuma das declarações de Jesus cabe a dúvida ou mesmo o relativismo próprios do ser humano. Afinal, estas palavras só podem fazer efeito na vida daqueles que foram convencidos da sua absoluta impotência e carência humanas e se vêm necessitados da mensagem e da obra de Cristo na cruz!
Eu sou o caminho aponta para a centralidade de Cristo. O Eu sou é um jogo de palavras que enfatiza e centraliza todas as atenções de seus ouvintes, convergindo-as para uma só Pessoa. É o sujeito da ação chamando a atenção para Si mesmo. Esta declaração só pode ser feita por Quem tem totais condições de assumir a responsabilidade da centralidade em relação ao projeto redentor da Divindade.
A obra de Cristo, através da sua morte, ressurreição e ascenssão, abre o caminho para aqueles que crêem Nele. Está sendo apontanda aqui uma estrada ou caminhada única que levam a humanidade à restauração da comunhão com o Seu Criador, por causa daquilo que O Filho já realizou em Sua obra. Tem também o sentido de um “estado” ou uma “condição” na qual somos inseridos por uma única operação Divina: a obra da cruz!
Não se trata apenas de viver um estilo de vida diferente das demais pessoas. Neste caminho só podemos ser colocados por Deus, jamais poderíamos achá-Lo por nós mesmos. Seguir por este caminho proposto pelo Senhor é trilhar na contra-mão da história humana em sua fuga de Deus e sempre enclausurada na mesma tentação feita no Éden e sereis como DeusGênesis 3:5. Estar no caminho é andar pela estrada sem volta que leva a Deus. Esta estrada de mão única que nos conduz ao paraiso calestial, sempre apontou (Antigo Testamento), aponta e apontará (Novo Testamento) para a bendita Pessoa de Cristo!
E a verdade diz respeito ao conteúdo ensinado pela Pessoa de Cristo sobre Si mesmo. Por esta razão, a verdade revelada por Deus em Cristo é a não-ocultação de Sua intenção redentora na esfera da eternidade. A verdade revelada pelo Pai é o Seu tema teológico principal: o ensino do Seu Filho Amado!
A experiência do conhecimento da verdade de Deus em Cristo, exige uma relação harmônica e pactual entre Aquele que a revela e o que a recebe com conteúdo revelado. Cristo é a verdade que converge a Pessoa Daquele que está em nós com aquilo que somos, isto é, com aquilo que queremos, sentimos, pensamos e fazemos.
Só conhecemos a verdade quando somos levados a experimentar a realidade, autenticidade, confiabilidade e dependência total da Pessoa que se auto-personifica ou se diz ser a verdade em Pessoa: Cristo!
E a vida nos remete a essência da obra de Cristo. É o dom que Deus dá possibilitando a comunhão com Ele. Viver a vida de Cristo significa participar de uma realidade imperecível e plenamente triunfante sobre a nosssa morte. É viver através de uma vida que não é e nem pode vir de nós mesmos. Uma das coisas mais significativas da teologia de João é o fato de situar a possibilidade da vida, que é o próprio Cristo e tem dimensões eternas, à partir da realidade presente de quem conhece o Filho E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verddeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste João 17:3.
Ninguém vem ao Pai senão por mim diz respeito ao acesso ao Pai pela obra do Filho. O verbo vem enfatiza uma ação que acessa a humanidade ao Pai pela obra de Cristo. Também chama a atenção para o fato de que o maior beneficiário nesta obra de Deus em Cristo é a humanidade. É impossível irmos até Deus por nós mesmos porque a intenção redentora Divina é fazer o caminho contrário.
Não existe nada que possamos fazer para nos achegar a Deus. O máximo que conseguimos por esforço próprio é forjar sistemas religiosos, oriúndos da religiosidade humana desde o Éden. A única coisa que podemos e devemos fazer é “crer” que Cristo já fez tudo em Sua obra, proporcionando o caminho de retorno à comunhão com o Criador! “Todo o que vê a Cristo pela fé, vê ao Pai Nele” Matthew Henry.
A suficiência do método redentor Divino está no fato de Ele vir até mim e não em minha tentativa de ir até Ele! Cada pessoa que nasceu, nasce ou nascerá neste planeta é objeto exclusivo de um amor Divino que não desiste da raça humana “Deus ama tanto a cada um como se não existisse ninguém mais a quem pudesse dedicar seu amor” Santo Agostinho. Somente a Sua vinda até nós pode fazer com que nos acheguemos a Ele!
Porém, apesar de sermos uma humanidade amada pelo Seu Criador, ninguém pode ser incluido neste projeto redentor de Deus, enquanto não for levado a confessar que é somente pela fé Dele gerada em nós, que temos acesso à Sua gloriosa presença!
Nunca existiu, existe ou existirá uma só pessoa que não precise passar pela obra da cruz. Não há nada que eu possa ou deva fazer para contrariar a esta intenção eterna do Pai. Mas, para que a obra de Cristo seja reveladaa nós, precisamosdesistir de viver tentando conquistá-Lo e agradá-Lo por nós mesmos. O Pai não se deixa levar a não ser pelo Seu próprio amor expressado em Cristo na obra da cruz.
A obra de Deus em Cristo é demarcada pela dinâmica da morte. O Pai só tem relacionamento e comunhão com pessoasmortas-vivas, ou seja, aqueles que já foram mortos para o pecado em e através da Sua obra no calvário e vivificados pela ressurreição do Filho, revelada pelo Espírito. Deus não tem relacionamento com pessoas vivas-mortas que ainda tentam fazer a sua lição de casa religiosa para obterem acesso ao Pai. São os que ainda estão mortos em seu pecado e pensam que podem viver ou se aproximar de Deus por si mesmos.
crer na obra de Cristo só acontece quando o Pai, pelo Espírito, nos revela que é somente pelo desempenho redentor doFilho que temos acesso a Ele! Que o Senhor nos revele que este fato universal centralizado em Cristo, a obra da cruz, pornós, em nós e para a Sua glória!
Autor: Pastor Mauricio Mantovani; Pastor da Primeira Igreja Batista de Londrina PR.

VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS!



Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 1 Coríntios 10:31
“Um dos maiores empecilhos à paz interior, que o crente encontra em sua carreira cristã, é o hábito bastante comum de dividirmos nossa vida em duas áreas, a sagrada e a secular. Se aceitamos que essas áreas existem à parte uma da outra, e que são moral e espiritualmente incompatíveis, e se, a despeito disso, somos obrigados, pelas necessidades da própria existência, a cruzarmos e entrecruzarmos constantemente uma área com a outra, nossa unidade interior tende a se desfazer, e passamos a ter uma vida dividida, em lugar de uma vida unificada.” A. W. Tozer.
Todos nós nascemos pecadores, mortos espiritualmente de modo que passamos a viver sob o jugo das hostes espirituais da maldade, e, portanto, separados de Deus - mortos para Ele. Até aí, pelo fato de sermos escravos e consequentemente dominados pelo pecado, somente temos uma opção de vida: vida no pecado. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:4-10.
Assim, é a ação direta, misericordiosa, graciosa e contundente do Pai em nós, que meio de Cristo Jesus, nos dá uma nova vida – vida no espírito, e o que estava morto passa a viver. “Viver para Deus.” VIVER PARA DEUS?
Você, nascido de novo, vive para Deus? Vive para agradar ao Pai? Tudo o que você faz, é para a glória de Deus?
Jesus, falando aos judeus lhes disse: E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada. João 8:29. Paulo, preocupado com a experiência dos irmãos que viviam em Éfeso, os escreveu assim: Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. Efésios 4:17-19.
Todavia, podemos agir aparentemente de forma correta, parecendo que estamos buscando a presença do Senhor, mas, interiormente, em nossos corações, temos intenções incorretas e então podemos cometer um grave erro, qual seja: achar que estamos vivendo a vida espiritual, na intimidade com Cristo, quando, na verdade, esse comportamento pode ser estritamente religioso. Em Isaías 29:13 o Senhor dá o diagnóstico desse comportamento: Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina. Em resumo, podemos estar convencidos em nossa alma que estamos agradando a Deus, orando, lendo a Bíblia, entoando louvores, ou indo à igreja, quando na realidade, essas atitudes estariam sendo manifestadas na carne.
Como vimos acima, o nascido de novo, pela fé em Cristo, possui comunhão com Deus que é a vida espiritual, mas ainda encontrando-se no mundo, em um corpo carnal, continua portador da natureza terrena, suscetível a todos os tipos de ataques mundanos. Ou seja, como descendentes de Adão vivemos sujeitos às limitações da carne e às fraquezas e males herdados pela natureza humana, como afirma Tozer.
Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras. Tito 2:11-14.
O processo de purificação, que também chamamos de santificação, que é o mesmo onde Paulo usa a expressão “educando-nos”, inclui o despojar-se do velho homem que se corrompe e o revestir-se do novo homem, com todo um aprendizado de Cristo, com quebras de paradigmas, renovação da mente no espírito e mudanças radicais de comportamentos advindos da parte de Deus, conforme está escrito: Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Efésios 4:20-24.
Despojar-se do velho homem e revestir-se do novo homem é o processo de validação e reconhecimento da importância da obra redentora e santificadora realizada na Cruz em nosso favor antes da fundação do mundo pelo Cordeiro Santo de Deus.Pois todos vos sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Gálatas 3:26-27. Como? Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. 2 Coríntios 4:10-11.
Levar uma vida para a glória de Deus consiste em um caminhar em direção à integridade, ou seja, sermos inteiros e não divididos, significa viver na terra na presença de Deus Pai no Espírito. Romanos 8:13: Pois se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Não há distinção entre: falar de negócios e pregar o evangelho. Você pode trabalhar pregando ou pregar trabalhando. Tudo é para a glória de Deus. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências. Romanos 13:12b-14.
Toda essência da vida cristã esta nas intenções do nosso coração e é ali que estão os olhos do nosso Pai celestial. 2 Crônicas 16:9a: Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele, e Ele anseia pela conquista do nosso coração. Mateus 6:21: Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. O cristão é chamado para viver de maneira estupendamente à contramão do mundo. Deus propõe o comportamento, e providencia o recurso, que é a presença do Espírito em nós manifestando a vida do Filho. Revista-se do Filho, permaneça Nele e dareis fruto! João 15:5: Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; sem mim nada podeis fazer.
Se permanecermos em Cristo e nos revestirmos Dele, Ele nos “empoderará” para viver como filhos da luz, o que está proposto no restante do texto de Efésios 4:25-32: Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Nele, em Cristo, podemos não mentir mais, mas falar a verdade, não falarmos coisas que fazem mal ao outro, mas o que edifica o necessitado, transmitindo graça. A presença de Cristo na vida do novo nascido o desprende das coisas terrenas, porque o Senhor Jesus Cristo, que é o governo, pensa nas coisas celestiais e nós que estamos no corpo, Igreja, nos movemos segundo o cabeça! Atos 17:28a: Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos.
Viver para a glória de Deus é viver totalmente em Cristo e completamente envolvidos com os interesses do reino celestial. As boas obras vão aparecer porque são consequência do propósito de Deus para o Seu povo. Efésios 2:10: Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.Deus queria desde a libertação do povo do Egito por meio de Moisés, que este povo o representasse diante dos outros povos. Deuteronômio 4:5-6: Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente.
Viver para a glória de Deus é viver pela fé! Somente em Deus podemos confiar cegamente! Se Ele diz: faça! Façamos por amor a Ele, ao seu Filho, ao Espírito Santo e aos seus interesses. Em Tiago 2:14-17: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
Viver para glória de Deus é viver amando o próximo. João13:35 diz: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
Amém.
Autor: Irmão, Mario Rocha Filho.

sábado, 5 de maio de 2012

O EVANGELHO ESCANDALOSO!

"Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego." (Romanos 1:16) A carne de Paulo tinha todas as razões para se envergonhar do Evangelho que ele pregava, pois este contradizia absolutamente tudo que havia sido mantido como verdadeiro e sagrado entre seus contemporâneos. Para o Judeu, era o pior tipo de blasfêmia, pois alegava que o Nazareno que morreu amaldiçoado no Calvário era o Messias. Para os Gregos, era o pior tipo de absurdo, pois alegava que este Messias Judeu era Deus em carne. Assim, Paulo sabia que sempre que abrisse a boca para falar do Evangelho seria totalmente rejeitado e ridicularizado ao desprezo, a menos que o Espírito Santo interviesse e movesse os corações e mentes de seus ouvintes. Em nossos dias, o Evangelho primitivo não é menos ofensivo, pois ele ainda contradiz cada princípio ou "ismo" da cultura contemporânea – relativismo, pluralismo e humanismo. Nem Tudo é Relativo Vivemos numa era de Relativismo – um sistema de crenças baseado na absoluta certeza de que não existem absolutos. Hipocritamente aplaudimos homens por buscarem a verdade, mas clamamos pela execução pública de qualquer um que seja arrogante o bastante para dizer que a encontrou. Vivemos numa alto-imposta Idade das Trevas, e a razão para isto é clara. O homem natural é uma criatura caída, moralmente corrupta e determinada em sua busca por autonomia (i. é. auto-governo). Ele odeia Deus porque Ele é justo e odeia Suas leis porque censuram e restringem sua maldade. Ele odeia a verdade porque ela expõe quem ele é e os problemas que ainda permanecem em sua consciência. Portanto, o homem caído procura empurrar a verdade, especialmente a verdade acerca de Deus, para o mais distante possível de si. Ele irá a qualquer nível para suprimir a verdade; até ao ponto de fingir que tais coisas não existem ou que se existirem, não podem ser conhecidas ou ter qualquer influência sobre nossas vidas. O caso nunca é o de um Deus que se esconde, mas o de um homem que se esconde. O problema não é o intelecto, mas a vontade. Como um homem que enfia a cabeça na areia para evitar uma cobrança do tamanho de um rinoceronte, o homem moderno nega a verdade de um Deus justo e Seus valores morais absolutos na esperança de aquietar sua consciência e colocar para fora de sua mente o julgamento que ele sabe ser inevitável. O Evangelho Cristão é um escândalo para o homem e sua cultura porque ele faz aquilo que o homem mais deseja evitar – Ele o desperta de seu sono alto-imposto para a realidade de sua queda e rebelião, e o chama a rejeitar a autonomia e se submeter a Deus através de arrependimento e fé em Jesus Cristo. Nem Todo Mundo Está Certo Vivemos em uma era de Pluralismo – um sistema de crenças que põe um fim à verdade ao declarar que tudo é verdade, especialmente no que diz respeito a religião. Pode ser difícil para o Cristão contemporâneo compreender, mas os Cristãos que viveram nos primeiros séculos da fé foram verdadeiramente marcados e perseguidos como ateus. A cultura que os circundava estava imersa no teísmo. O mundo estava cheio de imagens de divindades, e a religião era um negócio florescente. Os homens não apenas toleravam as deidades uns dos outros, mas as trocavam e compartilhavam. O mundo religioso inteiro estava indo muito bem até que os Cristãos apareceram e declararam que, "deuses feitos pelas mãos humanas não são deuses de maneira alguma." Eles negaram aos Césares a homenagem que eles exigiam, recusaram-se a dobrar os joelhos a todos os outros, assim chamados, deuses, e confessaram Jesus somente como Senhor de todos. O mundo inteiro olhou de queixo caído para tal arrogância e reagiu com fúria contra a intolerável intolerância Cristã em não tolerar. Este mesmo cenário é abundante em nosso mundo hoje. Contra toda lógica, dizem-nos que todas as visões concernentes a religião e moralidade são verdadeiras, não importa quão radicalmente diferentes e contraditórias elas possam ser. O aspecto mais impressionante nisto tudo é que através dos incansáveis esforços da mídia e do mundo acadêmico, esta se tornou rapidamente a visão majoritária. No entanto, o pluralismo não resolve a questão nem cura a doença. Ele apenas anestesia o paciente de modo que ele já não sente ou pensa. O Evangelho é um escândalo porque desperta o homem de seu sono e se recusa a deixá-lo descansar em tal posição ilógica. Ele o força a chegar a uma conclusão – "Até quando você hesitará entre duas opiniões? Se o SENHOR é Deus, segui-O; mas se é Baal, segui-o." O verdadeiro Evangelho é radicalmente exclusivo. Jesus não é "um" caminho, mas "o" caminho, e todos os outros caminhos não são caminho algum. Se o Cristianismo apenas movesse um pequeno passo em direção a um ecumenismo mais tolerante e trocasse o artigo definido "o" pelo artigo indefinido "um", o escândalo seria removido, e o mundo e o Cristianismo poderiam ser amigos. Em todo o caso, sempre que isso ocorrer, o Cristianismo deixa de ser Cristianismo, Cristo é negado, e o mundo fica sem um Salvador. O Homem não é a Medida Vivemos numa era de Humanismo. Ao longo das últimas várias décadas, o homem tem lutado para expurgar Deus de sua consciência e cultura. Ele tem demolido cada altar visível ao "Único Deus Verdadeiro" e erigido monumentos a si mesmo, com o zelo de um fanático religioso. Ele tem administrado de modo a fazer de si mesmo o centro, a medida e o fim de todas as coisas. Ele louva sua dignidade inerente, demanda homenagem a sua auto-estima, e promove sua auto-satisfação e auto-realização como o bem supremo. Ele justifica sua consciência atormentada como o remanescente de uma religião de culpa antiquada, e desculpa a si mesmo de qualquer responsabilidade pelo caos moral a sua volta, culpando a sociedade, ou pelo menos aquela parte da sociedade que ainda não alcançou sua iluminação. Qualquer sugestão de que sua consciência possa estar certa em seu testemunho contra ele ou que ele possa ser responsável pelas variações quase infinitas de doenças no mundo é impensável. Por essa razão, o Evangelho é um escândalo para o homem caído, porque ele expõe sua ilusão acerca de si mesmo e o convence de sua queda e culpa. Esta é a essencial "primeira obra" do Evangelho, e este é o motivo pelo qual o mundo detesta tanto a pregação do verdadeiro Evangelho. Ele arruína a festa do homem, chove sobre seu desfile, expõe seu faz-de-conta, e aponta para o fato de que o rei não tem roupas1. As Escrituras reconhecem que o Evangelho de Jesus Cristo é uma "pedra de tropeço" e "loucura" para todos os homens de todas as épocas e culturas. Portanto, para remover o escândalo da mensagem é preciso anular a cruz de Cristo e seu poder salvífico. Devemos entender que o Evangelho não é apenas escandaloso, mas ele presume ser! Através da loucura do Evangelho, Deus ordenou destruir a sabedoria dos sábios, frustrar a inteligência das maiores mentes, e humilhar o orgulho de todos os homens. A fim de que nenhuma carne possa se gloriar em Sua presença, mas como está escrito, "Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor." O Evangelho de Paulo não apenas contradisse a religião, filosofia e cultura da época, mas declarou guerra a elas. Ele se recusou a fazer uma trégua ou tratado com o mundo e não aceitaria nada menos que a absoluta rendição da cultura ao Senhorio de Jesus Cristo. Faríamos bem em seguir o exemplo de Paulo. Devemos ter cuidado para evitar qualquer tentação de conformar nosso Evangelho às tendências da época ou aos desejos de homens carnais. Não temos o direito de diluir sua ofensa ou civilizar suas exigências radicais, a fim de torná-lo mais apelativo a um mundo caído ou membros de igrejas carnais. Nossas igrejas estão cheias de estratégias para torná-las mais amigáveis por meio de uma reembalagem do Evangelho, removendo a pedra de tropeço, e suavizando a navalha, de modo que possa ser mais aceitável aos homens carnais. Devemos ser pessoas amigáveis2, mas devemos perceber isto – há um só que busca e Ele é Deus. Se estamos nos empenhando para tornar nossa igreja e mensagem mais acomodáveis, que as acomodemos a Ele. Se estamos nos esforçando para construir uma igreja ou ministério, que o construamos sobre uma paixão por glorificar a Deus, e um desejo por não ofender Sua majestade. Para o espaço com o que o mundo pensa de nós. Não estamos buscando as honras da terra, mas as honras do céu devem ser o nosso desejo. Tradução: Nelson Ávila [Aluno da Escola Charles Spurgeon]. Notas: 1 Referência ao conto do alfaiate que disse ter feito para o rei uma roupa com um tecido que somente poderia ser visto por pessoas inteligentes [N. do T.]. 2 A palavra traduzida aqui por "pessoas amigáveis" é "seeker-friendly", dando a idéia de alguém que busca ("seek") amigavelmente ("friendly"). Paul Washer faz um trocadilho ao referir-se a Deus como o único que "busca" ("seeker") [N. do T.]. Por Paul Washer