segunda-feira, 23 de abril de 2012

O LUCRO DE UM INVESTIMENTO NÃO LUCRATIVO!

No mundo financeiro só se sobrevive se de alguma forma houver lucro. Nenhuma operação econômica, de verdade, pode ter êxito se não tiver no balanço um resultado positivo. A ausência de lucro significa falência empresarial. Nada pode ser de fato mais desastroso para quaisquer que forem os negócios comerciais, do que a falta de alguma lucratividade. Parece que está bem claro, não? Esse mundo é dominado pelo poder do dinheiro, que se evidencia, basicamente, no quanto deu de lucro para poder gastá-lo. No final das contas, esse é o poder que paga as contas. Se no meu negócio não houver vantagem e não sobrar nem um centavo de superávit, como eu vou suprir as minhas necessidades e superar meus débitos? Esse é outro lado perverso do dinheiro. Leva-me ao endividamento para adquirir aquilo que desejo, e, muitas vezes não preciso, a fim de mostrar aos outros aquilo que eu não sou, de fato; mas preciso ser aceito. A dívida é a ilusão de ter algo que não sou proprietário; no máximo, sou um mero mordomo de uma posse que não me pertence. Aliás, diga-se de passagem, nunca conheci um proprietário permanente de qualquer bem na terra. Pelas leis do mercado econômico, ninguém consegue levar nada do que adquiriu aqui na terra, para o outro lado dessa vida. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. 1 Timóteo 6:7. Todavia, mais adiante, vamos ver que é possível uma transferência daqui para o céu, pelas leis da graça. O dinheiro é um poder e não se trata apenas de uma potência impessoal. Jesus, em seu discurso na montanha, o denominou de Mamon, nome de um deus pagão posto em oposição ao Senhor da Criação. Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Mateus 6:24. Riqueza aqui é a versão do termo Mamon, no grego. Portanto, para Jesus, esta entidade não é tão somente um ídolo vazio, oco, mas um ser com identidade de senhor. Na verdade, ele está sendo apresentado como o déspota que domina as raias da cobiça, que governa os sentimentos da inveja sob a ambição da posse. O dinheiro é um deusinho minúsculo com ambições maiúsculas fomentando as fogueiras “santas” da insaciabilidade egoísta. Dinheiro não é uma realidade neutra, nem um santinho do pau oco, embora, muitas vezes, seja um conteúdo demoníaco a encher o vazio de um “cara de pau” que pensa que sua vida vale pela soma do dinheiro que tenha conseguido armazenar em sua conta bancária. Ainda que vivamos neste mundo em que o dinheiro é fundamental para o exercício das relações comerciais e sociais, uma vez que é o meio pelo qual exercemos os negócios, permitindo a troca que mantém o nosso sustento, todavia, ele precisa de cuidados especiais em relação ao seu uso. Não se engane; dinheiro não é uma mera coisa. Não é neutro. Não é alguma coisa despersonalizada, pois há um “espirito” de ganância e avareza por trás. O que estamos afirmando aqui é o que Jesus disse. O dinheiro pode ser um senhor em nossas vidas. Neste caso, nós não podemos servir a Deus. Aquele que, por alguma razão não razoável, venha a ser escravo do dinheiro, não pode ser um servo de Cristo. Não é possível haver dois senhores opostos e oponentes governando a mesma pessoa, ao mesmo tempo. Com certeza, também é inconcebível para qualquer um, que o Senhor da graça faça o menor acordo que seja com o senhor do mérito. O Deus gracioso nunca combinará com o deus ganancioso. Deus sendo, de fato, o Senhor de uma pessoa, Ele jamais irá compactuar com as intenções do senhor dinheiro na vida desta pessoa. Quando o dinheiro for o “Senhor “ do sujeito, Deus não será o servo. Os dois não convivem como Senhores ao mesmo tempo, numa mesma vida. Como Deus, o Criador, sendo, quem Ele é, o Senhor absoluto do universo, neste caso, não poderá ser um servo de ninguém, e, deste modo, Ele não será coisa alguma na vida de alguém em que o dinheiro for o seu senhor. Quando o dinheiro for o senhor da minha vida, Deus não será o servo do dinheiro a serviço do meu poder de compra, barganha, status ou de qualquer das minhas ambições que buscam a minha identidade através da posse. Por essa razão, a questão do dinheiro em nossas vidas é um assunto vital para a saúde espiritual de cada um. Se não soubermos mexer com equilíbrio com este poder que se esconde nas entranhas do dinheiro, seremos dominados por ele. Sendo assim, nos tornamos seus servos e Deus ficará de fora de nossas vidas, ainda que possamos afirmar que estamos com Ele e que somos seus filhos. O apóstolo Paulo mostra claramente que o amor ao dinheiro é a causa primaria de todas as encrencas de nossa existência. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. 1 Timóteo 6:10. (Veja o que ele disse: o amor “do” ou “ao” dinheiro). Muitos que se diziam crentes quando eram pobres, assim que se tornaram mais bem aquinhoados, descartaram a confiança em Deus e passaram a acreditar no dinheiro. Eles não negam a existência de Deus, simplesmente Deus fica apenas como um coadjuvante. O desvio da fé não acontece somente quando a pessoa se ausenta do convívio da igreja e passa a viver de suas relações seculares. Muitos dos que permanecem no seio da congregação, também já se desviaram da fé e são mundanos, pois têm como deus o seu ventre e só se preocupam com as coisas do aqui e agora. Paulo via essa turma astuta como sendo os inimigos da cruz de Cristo e, assim, os descrevia: O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. Filipenses 3:19. Todo aquele que só investe em coisas perecíveis é alguém que desconhece a graça. O investimento mais lucrativo que existe neste mundo é aquele que tem rendimentos eternos. Uma aplicação cujo prazo de validade termina na sepultura é muito limitado. É neste contexto que Jesus nos assessora: Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Mateus 6:19-21. Este é um assunto muito instigante, em que alguns picaretas tentam levar vantagem. Como podemos transferir dividendos da terra para o céu? O comércio da fé tem sido bem explorado pelos negociantes expertos da religião exploradora. Não podemos negar este fato, mas, também, não podemos ocultar a importância desta aplicação, quando investimos nas atividades sérias que estão envolvidas na luta pelo resgate das vidas prisioneiras do pecado e escravas da religião. É aqui neste ponto que precisamos de luz, no sentido de fazermos uma operação de crédito bem feita. As doações na obra de Deus não são obrigatórias, nem Deus precisa de dinheiro. A contribuição tem, em primeiro lugar, um fator terapêutico, quando nos liberta, de um modo prático, de sermos possuídos pela tirania da posse. Depois, nos torna praticantes da arte do amor e do “jogo” positivo de lançar bênçãos sobre os outros mais carentes. A produtividade, por excelência, e a ética relacional de valor eterno da vida cristã podem ser assim descritas: Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber. Atos 20:35. A questão da verdadeira felicidade, para Jesus, está relacionada com a doação. De acordo com a Sua escala de valores, felizes são aqueles que ajuntam para distribuir e não aqueles que armazenam para reter. Há uma fonte de alegria na possibilidade de doar. Quem doa sempre um pouco mais do que tem conseguido ajuntar é mais contente do que aquele vive na expectativa de ter mais, e se sobrar alguma coisa, dar as quireras. Os miseráveis vivem sempre indispostos, críticos, azedos e murmurantes na fila da ginástica de um pseudo exercício de generosidade. As vezes que contribuem é de má vontade. Abrem suas carteiras com o seus corações fechados e pegam o trocado como se fosse o máximo de liberalidade, mas suas faces acabam denunciando o espirito de usura que consome o íntimo de pão duríssimo desse pão durismo. Segundo a leitura bíblica mais precisa, as pessoas podem ser divididas, do ponto de vista espiritual, em dois grupos distintos. As que são filhas do Diabo e as que são filhas de Deus. Mas, como eu posso saber se alguém é filho de Deus ou não? Todos nós nascemos com uma natureza perversa e precisamos nascer de novo. Por isso a cruz tem que fazer um divisor de águas. O velho homem tem que ser crucificado com Cristo e a vida de Adão deve ser substituída pela vida de Cristo ressuscitado. O amor do Pai precisa se manifestar no modo de ser da nova criatura. Uma das principais características de que uma pessoa nasceu de novo é o amor. Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. 1 João 3:14. A marca distintiva de um filho de Deus é a demonstração concreta do amor do seu Pai em seu modo de agir. E uma das evidências deste amor é o investimento nas pessoas que Deus ama incondicionalmente. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? 1 João 3:17. Creio que o maior investimento que se pode fazer em favor das pessoas que Deus ama é aplicar coerentemente os recursos deste mundo no processo adequado de libertar os prisioneiros do maligno e torná-los amigos de Deus por excelência. Veja como Jesus foi categórico neste assunto crucial: E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos. Lucas 16:9. O ministério de Jesus aqui na terra pode ser resumido de modo sumário nesses termos: Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. João 15:15. Fazer amigos para o Reino de Deus é o maior investimento que um filho de Deus pode fazer aqui na terra. Aplicar na salvação eterna de alguém é salvar essa aplicação. Todos os recursos que nós aplicamos para a conquista da salvação dos perdidos e a libertação dos oprimidos, tem retorno certo, além do que, é transferido diretamente para o banco celestial, onde a traça não corrói, nem a ferrugem consome. Esse investimento financeiro pode não ter nenhum lucro aqui na terra, mas promove um patrimônio eterno no céu. Então, examine onde você está investindo. Autor: Pastor Glenio Fonseca Paranaguá; Pastor da Primenira Igreja Batista em Londrina PR.

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