sábado, 24 de dezembro de 2011

PARA DEUS, SER FELIZ É... MAURICIO MANTOVANI.

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Mateus 5:3 O conceito de felicidade, segundo os padrões impostos pelo sistema humano e que governa o modo de vida das pessoas sem Cristo, se resume na satisfação do próprio ego. O que mais importa às pessoas absorvidas pela rede da inimizade com Deus e a amizade com o mundo é o quanto elas podem ser contentadas ou beneficiadas em qualquer situação, e, se for possível, receber os aplausos de outras pessoas. Mas, o que é felicidade segundo a ótica de Deus? Do ponto de vista da verdade revelada pelo evangelho, que é a Pessoa de Cristo, o enfoque muda radicalmente! Para Deus, felizes são aquelas pessoas que não encontram felicidade em si mesmas, nas coisas que as rodeiam ou no sistema cultural predominante. Sua felicidade vem diretamente da fonte celestial e que se encontra somente na Pessoa do Filho Amado enviado pelo Pai! Como são felizes as pessoas que aprenderam que não são nada e nada possuem sem que a vida de Cristo seja gerada em seus interiores! Felizes, segundo o ensino de Cristo, são as pessoas convencidas de sua própria miséria espiritual diante do Único Senhor e Salvador da vida humana! O sermão do monte contém a essência dos ensinamentos do reino celestial revelado por e em Cristo! Apresenta um padrão de vida e comprometimento com os princípios Divinos que só uma pessoa pertencente ao reino dos céus pode vivenciar. Este ensino foi dirigido primeiramente aos discípulos, mas também ouvido e crido por muitas outras pessoas na ocasião em que foi pregado. É a vida vivida na base da desistência, da desconstrução e da dependência que só a graça de Deus em Cristo pode proporcionar! O ensino que Jesus Cristo proferiu naquela montanha procura apresentar aos súditos do Seu reino a maneira de viver que agrada ao Seu Pai, revelada e possibilitada somente pela ação do Seu Espírito! Segundo o critério de Deus ensinado nas bem-aventuranças, não podemos ser felizes pelas nossas próprias “pernas espirituais”. A revelação do reino dos céus deve nortear quaisquer valores ou práticas cristãs e em quaisquer âmbitos da vida terrena. É o ensino para uma vida nova e completamente distinta daqueles que não vivem a vida de Cristo. Nunca por méritos ou esforços pessoais, mas por meio da vida implantada Daquele que vive em nós logo, não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:20. Portanto, as pessoas bem-aventuradas ou altamente favorecidas pela graça Divina, jamais dependerão de outra pessoa que não seja a bendita Pessoa do Pai revelado no Filho para serem felizes! A ética, isto é, o modo de vida ensinado pelo sermão do monte não é um credo morto, um sistema religioso estático ou uma doutrina sem sentido, é antes uma expressão vivencial. Trata-se de um padrão de vida baseado na perfeição de Cristo, que reflete o caráter do Pai e se manifesta naqueles que possuem a vida que vem Dele. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Romanos 8:16. O traço característico da cidadania espiritual do reino dos céus está presente na ênfase dada à palavra makárioi que pode ser traduzida por “abençoados, altamente favorecidos ou felicitados” pela ação graciosa e perdoadora do Pai Celestial em Cristo. Somente a suficiência de Cristo nos proporciona uma felicidade produzida pela ação do Seu Espírito em nosso cotidiano, nos fazendo reproduzir o Seu caráter! Os makárioi são pessoas privilegiadas por receberem o favor Divino. São pessoas muito ricas por terem recebido o “tesouro celestial” da graça que há em Cristo para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Efésios 1:6. De acordo com esta constatação bíblica, as pessoas felizes são as que possuem uma alegria gerada no íntimo, vinda do Senhor e que faz com que possam celebrar o triunfo do Cordeiro em meio às circunstâncias desfavoráveis a si mesmas. Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3. Descreve exatamente o “estado ou condição” das pessoas que experimentam a suficiência da Pessoa e Obra de Deus em Cristo e não se ancoram nas circunstâncias negativas ou positivas em que se encontram. Nunca será uma felicidade caracterizada pelos prazeres superficiais e passageiros produzidos pelo espírito humano ou pela falsa sensação de êxito gerada pelas conquistas tributadas às nossas capacidades de realização. O termo “pobres” era conhecido entre os judeus e descrevia aquelas pessoas humildes, que viviam na inteira dependência de Deus. Na verdade o termo já era conhecido no Antigo Testamento, referindo-se àquela gente vitimizada pelas opressões, explorações, sofrimentos, misérias e humilhações que lhes eram impostas por pessoas ou sistemas. O conceito bíblico de intimidade com Deus traz em seu bojo a ideia de um “estado interior de felicidade”, fruto de uma intervenção específica da graça Divina, nas pessoas que passam por situações de adversidade extrema. No entanto esta situação só poderia ser experimentada por aqueles que se viam “totalmente” impotentes e dependentes da ação do Pai Celeste. Somente as pessoas que realmente chegam ao fim de si mesmas podem experimentar a riqueza da presença Divina em meio à pobreza do espírito humano. Há também outro sentido para os “pobres segundo Deus” que indica uma ausência de orgulho pessoal ou segurança própria, vista numa postura de quem assume a sua total carência da vida e da ação de Deus. É a total dependência humana da misericórdia de Deus, totalmente declarada e experimentada. O evangelho do reino dos céus começa com a total desistência de nós mesmos, os pobres de espírito! O reconhecimento de nossa pobreza e miserabilidade espirituais, da necessidade de que o perdão do Pai nos seja outorgado e o consequente arrependimento pela condição depravada e pecaminosa são as “credenciais” para que desfrutemos da cidadania celestial. A renúncia de nossas próprias capacidades salvíficas humanizadas e a rejeição de nos submetermos ao “espírito” que rege o mundo são as condições necessárias de acesso e herança do reino celestial porque deles é o reino dos céus. Será que estamos plenamente identificados com a posição de “pobres segundo Deus” descrita em Mateus 5:3? Temos sido convencidos pelo Senhor sobre da nossa “pobreza espiritual”? Será que estamos refletindo esta realidade espiritual em nossos relacionamentos pessoais, familiares ou ministeriais de maneira intensa e inequívoca? Embora não seja uma declaração completa e exaustiva de todo o ensino de Jesus Cristo, o sermão do monte sintetiza a essência do ensino sobre o Seu reino. Apresenta o padrão ético do reino do Pai, que só pode ser alcançado por Aquele a quem Ele nos enviou. O ensino de Jesus Cristo apresenta como deveria ser a maneira de viver de Seus imitadores ou discípulos. A ética do reino dos céus presente no ensino do sermão do monte deve nortear qualquer princípio que leve o nome de cristão e em quaisquer âmbitos da vida humana. É o ensino para uma vida completa e radicalmente diferente do espírito que impera neste mundo anticristão, que hoje é chamado pós-moderno. O conteúdo teológico do sermão do monte é o estabelecimento do padrão divino do reino celestial, invadindo todas as dimensões da vida e ação humanas. Éa transformação produzida pela vida Divina claramente vistas no caráter e na postura das pessoas que pertencem ao Senhor deste reino. A ética do sermão do monte não é um credo morto, um sistema religioso estático ou uma doutrina que não produz transformação de vidas. Trata-se de um padrão de vida que apresenta a suficiência e a perfeição de Cristo como reflexo do caráter do Seu Pai e visíveis na vida de Seus filhos e filhas. Alguém já chamou o sermão da montanha de “carta magna do reino dos céus” e “código de conduta de seus cidadãos”. Descreve antes o estado daqueles que são felicitados pelo Pai em seu íntimo e as atitudes naturais que identificam os justificados por Ele. Há também outro elemento da primeira bem-aventurança que aponta para uma completa ausência de orgulho pessoal ou segurança própria, em relação à dependência de Deus. É a total dependência da misericórdia de Deus, totalmente declarada e vivida. Nada é mais revolucionário no mundo moral. O evangelho do reino dos céus começa com o espírito da renúncia gerado por Deus nos corações de pessoas que se veem pobres e fracassadas diante do Criador e Redentor do universo. O reino dos céus pode ser caracterizado como o reinado de Cristo na vida de cada pessoa que é convertida pela Sua Obra! A ética de Jesus é a ética deste reino e, a nós, só nos cabe sermos e vivermos pela manifestação da Sua vida em nós! Como somos felizes quando reconhecemos a nossa própria miséria espiritual! A convicção de que nosso Pai é a Pessoa mais rica que existe e de que somos paupérrimos espirituais tira todo o peso de nossas costas. Muitas vezes ainda tentamos carregar este peso, mesmo tendo uma vida de intimidade e relacionamento com Ele. A verdadeira felicidade, segundo o projeto redentor de Deus, só pode ser alcançada por intermédio da Sua graça manifestada na Pessoa e Obra de Seu Filho! Alguém já disse que o discípulo de Cristo é aquele que recebe e pratica aquilo que é ensinado em Seu evangelho. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. João 14:21. O evangelho de Cristo é sempre um ensino e uma realidade em andamento, dinâmica e que não pode ser esgotada por mais que se fale sobre o assunto. A felicidade gerada por Deus é alegria íntima que sobrevive às situações externas. Expressa uma situação existencial ancorada na ação graciosa do Pai Celestial. É demonstrada pela ausência de orgulho pessoal e de segurança ou justiça próprias, caracterizada por uma relação de dependência incondicional do Pai! A consciência da insuficiência humana é a primeira atitude que agrada a Deus! Esta primeira bem-aventurança decreta, logo de início, a total falência e impossibilidade de sermos felizes pela suficiência humana. Somente quando reconhecemos a nossa insuficiência, poderemos ser satisfeitos com a suficiência Divina. Por esta razão, todas as outras bem-aventuranças são decorrentes desta desconstrução Celestial!