quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O LEILÃO - DEVERN FROMKE.



Alguns anos atrás em visita
a Inglaterra, tomei
conhecimento da seguinte
história. Ela me
impressionou tanto que passei a verificar
sua veracidade. Recentemente
descobri que os fatos aconteceram da
seguinte maneira: Nos idos tempos
da Segunda Grande Guerra, uns dos
homens mais ricos do Reino Unido
e seu filho nutriam uma paixão para
colecionar obras de arte. Os dois viajavam
ao redor do mundo, agregando
à coleção somente os mais finos tesouros.
Aquele pai viúvo deleitava-se
grandemente em seu filho por ter ele
desenvolvido tamanha habilidade
como colecionador.
Quando o seu país foi totalmente
tomado pela guerra, aquele jovem
sentiu a necessidade de servir seu país
alistando-se no exército. Ele, porém,
serviu por poucos meses. O jovem
foi morto enquanto levava apressadamente
um companheiro ferido ao
médico. Angústia e tristeza se apoderaram
do coração daquele pai até que
em uma manhã atendeu uma campainha.
Ali, na soleira da porta, estava
um soldado segurando um grande
embrulho. O soldado cumprimentou
o pai solitário dizendo: “Eu era amigo
Desvendando-nos o mistério
da sua vontade, segundo o seu
beneplácito que propusera em
Cristo, de fazer convergir nele,
na dispensação da plenitude dos
tempos, todas as coisas, tanto as
do céu, como as da terra. Efésios
1:9,10
34 RIQUEZA DA GRAÇA Revista Betel
de seu filho, na verdade, era eu quem
ele resgatava quando foi morto. Tenho
algo que gostaria de mostrar ao
senhor, posso entrar?”
Ele contou àquele pai como o filho
costumava relatar o amor que compartilhava
com o pai pelas caras obras
de arte que colecionavam. O soldado,
de pé diante daquele homem, disse:
“Sou um artista e gostaria de presenteá-
lo com este retrato que pintei de
seu filho em apreciação por sua coragem
em salvar-me a vida”.
Tomado de emoção, o pai agradeceu
ao soldado pelo retrato e
prometeu dependurá-lo acima da
lareira, onde teria especial destaque.
Certamente, ninguém consideraria
aquele quadro uma obra à altura das
demais obras da sua coleção de arte.
Entretanto, nas semanas e meses que
se seguiram o pai descobriria que,
graças à bravura e coragem de seu
filho, dezenas de outros soldados feridos
foram resgatados por ele antes
que uma bala silenciasse seu coração
compassivo.
À medida que aquele pai tomava
conhecimento das historias de coragem
de seu filho, orgulho e a satisfação
começaram a tomar o lugar do
sentimento de perda. Além disso, o
retrato do filho tornou-se a maior
relíquia daquele homem, ultrapassando
até mesmo os muitos objetos
de arte que eram tão cobiçados por
museus ao redor do mundo.
Pouco tempo depois aquele homem
faleceu e o círculo das artes
ficou em polvorosa. Sem conhecer a
história do filho, toda a coleção de artes
seria levada a leilão no dia de Natal,
por ter sido aquele o dia em que
o pai recebera seu mais precioso presente:
o retrato de seu único filho.
Quando o dia do leilão finalmente
chegou e os colecionadores de arte de
todos os cantos do mundo compareceram
para dar lances nas mais espetaculares
e variadas peças de arte, o
leilão começou com uma pintura que
não constava de nenhuma lista de
nenhum museu.
Era a pintura do filho daquele homem.
Era a única condição dada pelo
pai! O leiloeiro, então, pediu por um
lance inicial. A sala estava em silêncio.
“Quem fará o lance inicial?” O
recinto permanecia em silêncio, até
que uma voz do fundo exclamou:
“Quem se importa com tal retrato?
Ande logo e vamos ao que interessa!”
Outras vozes se ajuntaram em coro.
“Não, devemos vender este quadro
primeiro”, foi a resposta do leiloeiro.
Lá estava o retrato sobre um cavalete
para que todos vissem. “Quem
levará o retrato do filho?”, continuou
o leiloeiro.
Ninguém da platéia conhecia o fiRevista
Betel RIQUEZA DA GRAÇA 35
lho, ou mesmo se importava, pois a
pintura havia sido feita por um artista
desconhecido. Para aquelas pessoas,
tal retrato era sem qualquer valor
- algo do qual era necessário ficar livre
para que se pudesse prosseguir com
as negociações mais importantes.
Porém, naquele dia, estava na platéia,
uma pessoa que havia sido empregado
da família por toda a vida,
que conhecera e vira crescer o filho
quando ainda era menino. Aquela
pessoa lembrou-se dos idos dias em
que cuidara daquele menino e pensou:
como seria bom ter esse quadro
como lembrança. Ele então perguntou:
“Você aceitaria dez dólares pelo
quadro? É tudo que tenho. Conheci
o menino e gostaria, portanto, de
comprar o quadro”.
“Tenho aqui uma oferta de dez
dólares. Alguém dá mais?”, gritou o
leiloeiro. Depois de mais silêncio, o
leiloeiro disse: “Dou-lhe uma, doulhe
duas, vendido ao cavalheiro”.
Bateu o martelo. Gritos de satisfação
encheram a sala à medida que a
expectativa pelas outras peças do leilão
aumentava. Ao invés, o leiloeiro
anunciou com voz serena: “Senhoras
e senhores, o leilão está terminado!”
Todos ficaram estupefatos! O que
estava acontecendo? O leiloeiro prosseguiu
lendo: “O testamento estipula
que aquele que comprar o retrato do
filho leva também todas as demais
peças. A coleção inteira vai para esse
homem”, disse apontando para o
idoso servo que, ao lado, admirava o
quadro que acabara de comprar.
A multidão retirou-se irada! Mas
cada um deles devia admitir que teve
a mesma oportunidade que aquele
fiel servo. Qual é o real significado
daquele acontecimento singular?
Aquele pai estava demonstrando a
mais profunda honra e afeto pelo seu
único filho.
Há outro Pai que tem semelhante
afeição por Seu Filho. Você sabe
que me refiro à afeição do nosso Pai
celestial por Seu Filho, o Senhor
Jesus. Desde aquele dia singular no
Calvário, nosso Pai considera central
a seguinte pergunta: o quanto você
aprecia Meu Filho?
Ainda mais importante é o que o
Pai acha (não o que nós achamos) de
seu Filho. A fim de realmente compreendermos
essa questão, devemos
considerar a explicação de Paulo sobre
o plano e o propósito que Deus
tinha antes mesmo de começar a Sua
criação:
Desvendando-nos o mistério da sua
vontade, segundo o seu beneplácito que
propusera em Cristo, de fazer convergir
nele, na dispensação da plenitude dos
tempos, todas as coisas, tanto as do céu,
como as da terra; nele, digo, no qual
36 RIQUEZA DA GRAÇA Revista Betel
fomos também feitos herança, predestinados
segundo o propósito daquele que
fez todas as coisas conforme o conselho
da sua vontade, a fim de sermos para
louvor da sua glória, nós, os que de
antemão esperamos em Cristo. Efésios
1:9-12
Imagine! Desde o princípio, nosso
Pai planejara que Seu Filho fosse
a peça central do Universo. Esse
foi o plano original antes da criação
e antes da queda do homem, que
Seu Filho - e aqueles que compõem
o Seu corpo - tivesse esse lugar de
proeminência!... Sim, e Paulo continua:
“para que se torne conhecida dos
principados e potestades nos lugares
celestiais, a multiforme sabedoria de
Deus, pela Igreja, em conformidade
com o eterno Propósito que ESTABELECEU
EM CRISTO JESUS,
NOSSO SENHOR”.
Pai, é possível que, como aquelas
pessoas no leilão, milhões se surpreendam
no último dia... quando a cortina
for aberta... e descobrirem que
o Pai planejou que Seu Filho, Cristo
Jesus, seja honrado por ter a proeminência
em todas as coisas. Oro para
que nenhum leitor fique irado ou
mesmo surpreso como aquelas pessoas
no leilão!
Fonte:
Livro: A Janela mais Ampla
Autor: Devern Fromke
Editora Tesouro Aberto
www.tesouroaberto.com.br

O DEUS DOS LOUCOS - PR ALEXANDRE CHAVES.



Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. 1 Coríntios 1:23


Depois do Renascentismo, o Iluminismo, movimento cultural surgido na Inglaterra, Holanda e França nos séculos XVII e XVIII, que teve como precursor o matemático francês René Descartes (1596-1650), tem sido um dos movimentos que mais influenciou e continua influenciando a formação do pensamento ocidental em nossos dias. Este movimento traz entre suas características primordiais, o conceito segundo o qual a razão é o principal meio para se adquirir conhecimento em todas as áreas.

Tal movimento trouxe muitos avanços para humanidade na área do conhecimento, criando as condições para a revolução industrial e a produção das tecnologias que hoje conhecemos. Associado à revolução francesa, este movimento também deu causa a um significativo impacto político à sociedade.

Porém, como tudo que é produzido pelo homem, e que busca no homem sua identidade e origem, acabou frutificando em morte. Isto porque, o homem separado de Deus, com sua pretensão de sustentar a si, está morto, tornando-se ao mesmo tempo, produtor de morte. “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” Romanos 5:12.

Assim como um Midas às avessas, tudo o que o homem toca e cria, produz morte. Isto acontece como reflexo de sua própria essência, contaminada pela morte, como consequência natural de uma existência sem Deus, pautada pela ciência do bem e do mal. “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”Gênesis 2:17.

O homem depois da queda é alguém que tem poder para começar uma história, mas não tem poder sobre seus desdobramentos. É como o trabalhador que acende um fósforo para aquecer sua refeição e acaba por incendiar uma floresta inteira. Por ter poder para começar algo, tem a ilusão de que é livre, mas como diz Jacques Ellul: “ o conceito de liberdade deve ser substituído pelo conceito de autonomia.”

Esta sua condição criativa, dá a ele uma sensação de poder. Mais do que isso, uma pretensão de ser como Deus; uma teomania, ou seja, o pecado em sua forma mais pura, o qual o impede de dar crédito à palavra de Deus; uma cegueira que não lhe deixa perceber o seu fracasso. Assim procedendo, está dando crédito à palavra do diabo: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal.” Genesis 3:5.Cego pelo pecado de querer ser Deus, o homem segue sua saga histórica repleta de evolução cientifica, desigualdade e morte.

O Iluminismo, com sua proposta de racionalizar tudo, surge como uma reação a meu ver legítima, porém desequilibrada, trazendo em si uma crítica à Idade Média - período histórico marcado pelo monopólio da igreja. Neste período, a igreja institucional católica, obliterava toda forma de conhecimento que punha em perigo sua hegemonia política, sua credibilidade como detentora da verdade, seu lucro e seu controle sobre a sociedade e a vida das pessoas, período este que passou a ser conhecido, a partir de então, como a idade das trevas.

Porém, fazer da razão o meio para alcançar todo tipo de conhecimento, a ponto de Descartes afirmar em sua obra “Discurso do método” que: “A partir da dúvida racional pode-se alcançar a compreensão do mundo, e mesmo de Deus” é uma pretensão própria da soberba humana. Além do que, as pessoas que difundiam essas idéias, julgavam-se propagadores da luz e do conhecimento, sendo por isso chamadas de iluministas. Entretanto, a Bíblia, falando de Jesus Cristo diz o seguinte: “Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.” João 1:9.

Alguém poderia argumentar. Por que a razão não pode ser o instrumento adequado para a compreensão do mundo, e mesmo de Deus? A crítica que apenas se propõe a dizer o que está errado, mas não diz o porquê é vazia e infantil. Usemos a própria razão neste caso. Pode um copo conter toda a grandeza do mar, sua biodiversidade, profundeza e mistérios? Pode o finito conter o infinito? Tampouco poderá o homem explicar Deus. “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” Romanos 11:33.

Só o fato de estarmos argumentando sobre isto, mostra o quanto somos pequenos e infantis. Tendo em vista se tratar de um argumento que deveria estar ultrapassado, pois fere até mesmo a lógica da razão. Mas, como a Bíblia sagrada afirma que, “A ciência incha, mas o amor edifica”. 1 Corintios 8:1, a humanidade ensoberbecida pelo conhecimento e desprovida de amor, ao invés de negar a si mesma, reconhecendo sua finitude e incompetência diante de questões espirituais, prefere antes, negar a Deus e suas obras. “Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus”.Salmos 10:4.

Quando olhamos para a fé cristã em tempos de pós-modernidade, percebemos que este conceito de querer que Deus seja contido por neurônios humanos, tem migrado para o campo da fé. Abraçamos muitas vezes a sabedoria deste mundo, rejeitando assim a loucura de Deus, mas a Bíblia nos ensina que. “... a loucura de Deus é mais sábia do que os homens”. 1Corintios 1:25a.E também, que Deus chama a sabedoria deste mundo de loucura. “...Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? 1 Corintios 1:20.

Permita-me dizer algo: nós não precisamos de mais lógica, conhecimento e cultura. Nós precisamos de uma dose cavalar de loucura; da maravilhosa loucura de Deus. Do tipo de loucura de alguém que levanta a cabeça e de forma confiante, atravessa a largura da praia em direção ao mar, sabendo que o mar se abrirá, porque Deus o disse. Ou como aquele que sai do barco e pisa sobre as águas como quem pisa em terra firme, mesmo que isto contrarie sua lógica e cultura aprendidas durante toda sua vida, expressando assim uma fé simples no seu salvador que diz: Vem.

Vejo irmãos sofrendo porque querem fazer da vida cristã uma ciência. Porque estão viciados em uma lógica explicativa para tudo. Querem compreender para depois crer. Querem compreender o mecanismo funcional das coisas espirituais para, quem sabe, mudá-las, aperfeiçoá-las e depois comercializá-las - como muitos fazem hoje em dia.

Este pensamento é estimulado por alguns que se acham detentores dos conhecimentos secretos de Deus, abrindo um pressuposto de que talvez Deus possa ser contido pela mente humana, como um ser previsível e limitado. Depois, cobram um alto preço por estas informações, disfarçados de homens de Deus e cheios de supostas intenções espirituais.

São estes os pajés imantados, os xamãs que julgam confinar Deus aos seus conhecimentos, e que determinam a Deus que satisfaça suas vontades egoístas, simplesmente porque pensam que descobriram a lógica manipulatória da divindade, da qual Deus não pode escapar.

Tornam-se com isto senhores da divindade. São eles que agendam a hora em que este pseudo deus ira atuar - normalmente na sexta-feira, que é o dia do milagre. Querem obrigar Deus a encher seus bolsos de dinheiro – posto que o deus deles é o ventre – assim como os bolsos de seus ouvintes, mesmo que isto signifique mantê-los escravizados ao mais tirano dos ídolos que é Mamom; o qual exigirá deles sacrifícios dos mais terríveis como: sua saúde, relacionamentos e família, não obstante estejam sendo levadas para o inferno. Manipular o divino como se a dimensão espiritual fosse refém da lógica humana é coisa das religiões animistas, e não da fé cristã verdadeira.

Tentar conter Deus e as coisas de Deus na mente humana não é algo novo. Nos dias em que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o filho de Deus, andou entre nós como homem, isto acontecia. Podemos tomar como exemplo, um sábio de Seu tempo, como Nicodemos, querendo saber o mecanismo lógico para a loucura do novo nascimento. Disse-lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?”João 3:4.

Jesus então se detém a explicar na lógica do céu, na lógica do vento, na esperança de que Nicodemos pudesse entender, tendo em vista, ser ele considerado mestre em Israel, familiarizado com a maravilhosa e sábia loucura de Deus; perpassado pela cultura e pela história do seu povo profundamente envolvida pelo agir de Deus; história esta cheia de fatos inexplicáveis e, além disso, vivendo cercado pela dimensão do sagrado, em meio a templos, sacrifícios e sacerdotes.

Jesus, então, passa a dizer-lhe: “Em verdade, em verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito. Não te maravilhes de eu te dizer:Necessário voz é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, e nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”João 3:5-8. Porém, o questionamento persiste.“...como pode ser isto?”João 3:9b.

O aparente espanto de Jesus é notório: “...tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas? João 3:10. Muitas pessoas que são mestres em suas comunidades cristãs, familiarizadas com as escrituras e até mesmo com milagres, que nasceram em lares cristão, tendo em sua formação cultural uma ligação histórica com a religião cristã, também sofram do mesmo problema: não conseguem ver o reino de Deus.

Vivem um vida angustiada, preocupada com o dia de amanhã, como se o reino de Deus não tivesse chegado até elas, ainda que afirmem: é chegado a nós o reino de Deus. Vivem assim porque procuram racionalizar a fé cristã. Não quero dizer com isto que a fé cristã é irracional, mais sim, que transcende nossa razão, está acima da nossa capacidade racional.

Sofrem porque estão buscando em si mesmos, a prova dos nove, algo que lhes proporcione a certeza de que são novas criaturas. Porém, em face de sua finitude não conseguem chegar, racionalmente, à conclusão de que são novos nascidos. Então, se desesperam, ou buscam o gabarito da religião, ou um certificado de batismo, que possa lhes conferir o título de nova criatura, mas no fundo, se vêem incapazes de amar ou perdoar.

Diante disto, essas pessoas poderão tomar dois caminhos possíveis. Primeiro, se entregam a sua realidade histórica de pecado e a sua natureza carnal. Neste caso, a Vida Nova estará sempre condicionada a padrões inatingíveis, fazendo da existência, um morrer contínuo, sem esperança de vitória sobre o pecado e a morte. Segundo, se acomodam a um personagem proposto pela religião, e a uma existência de mentira, buscando esconder seu pecado e fracasso, perdendo a sua identidade, na tentativa de ganhar a aceitação do mundo, ainda que seja o mundo religioso, sem atentarem que para isto perdem também as suas almas.

Vivem em um estado de bipolaridade terrível. Dependendo da geografia e das circunstâncias, passam de crentes carolas, a pessoas capazes de pecados inimagináveis. Jamais usufruem da síntese e do poder do evangelho que, pela fé, é capaz de fazer nova todas as coisas: da morte suscitar vida, transformando pecadores em santos, filhos do diabo em filhos e filhas de Deus.

Não conseguem ganhar a dimensão da Nova Vida porque são sábios aos seus próprios olhos, porque no fundo, ainda que pertencentes a alguma esfera religiosa, acham infantil o argumento bíblico. Rejeitam a cruz porque lhes parece loucura, e não sabem que ela é o poder de Deus. “Pois a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” 1 Coríntios 1:18. Esta Palavra é o único poder capaz de nos libertar desta vida claustrofóbica, medíocre e sem sentido, e nos transportar para a dimensão do eterno, da vida e da liberdade, onde as crianças é que são sábias, e os sábios é que são loucos. Lugar onde Deus, ainda que não se possa explicar, faz todo sentido. Talvez seja sensato, ouvirmos a sugestão do poeta em sua canção,“É este o vírus que eu sugiro que você contraia, na procura pela cura da loucura quem tiver a cabeça dura vai morrer na praia”.


NA BALANÇA E NO PRUMO - PR HUMBERTO X RODRIGUES.





Pesado foste na balança e achado em falta. Aquilo que é torto não se pode endireitar; e o que falta não se pode calcular. Daniel 5:27, Ecl.1:15.

É de fundamental importância para todos os descendentes de Adão, o conhecimento desta grande verdade: o homem tem sido pesado na balança e achado em falta; o prumo foi-lhe aplicado e ele foi achado torto.

Isto significa que reformar o homem é algo absolutamente impossível. Por isso, Deus fechou a história do homem, dizendo: Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá. Ezequiel 18:4. Assim sendo, não há outra solução para o homem a não ser a morte.

O primeiro grande fato que o Espírito Santo insiste em imprimir na consciência humana é este: que Deus pronunciou o Seu solene veredicto sobre a natureza humana e que esse veredicto seja aceito por cada um de nós: “a alma que pecar, essa morrerá”.

Não é uma questão de opinião ou de sentimento. Ainda que você diga: “Eu não sou tão ruim assim”, a sua opinião não vai fazer Deus mudar de ideia, relevar ou dar um “jeitinho”. O veredicto de Deus é imutável: você precisa morrer!

Esta é a verdade. A pena do pecado é a morte. Mas o Senhor dos Exércitos se declara aos meus ouvidos, dizendo: Certamente, esta maldade não será perdoada, até que morrais, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos. Isaías 22:14. Portanto, todo o homem deve saber que, a “morte” e o “julgamento” estão na sua frente como “a justa recompensa da sua herança e dos seus feitos”. E também, tomar conhecimento que nada pode fazer por si mesmo para mudar ou alterar este destino.

Você pode fazer votos; pode alterar o seu modo de vida; pode reformar o seu caráter; pode se tornar mais moderado, moral, reto e, na aceitação da palavra, religioso. Pode produzir uma “oferta” de caráter “santo”, participar da ceia, contribuir financeiramente com os trabalhos, orar, jejuar, ouvir sermões. Enfim, pode fazer qualquer coisa, ou tudo o que estiver ao alcance da competência humana, não obstante tudo isso, “a morte e o juízo” estão na sua frente.

Então, poderia o esforço humano remover a mancha do pecado? Poderia satisfazer as justas exigências de Deus? Poderia tirar o aguilhão da morte? Impossível. Visto que: Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados. Hebreus 9:22.

É impossível ao pecador, por suas próprias obras, livrar-se da morte e do juízo, colocando-se se a si mesmo na vida em triunfo. É nesse ponto, na completa impossibilidade do pecador, que a cruz se apresenta. Nessa cruz o pecador convicto pode ver a provisão divina necessária para toda a sua culpa.

Ali na cruz, o pecador pode ver a morte e o julgamento retirados inteiramente de cena, e a vida e a glória estabelecidas em seu lugar: Agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho. 2 Timóteo 1:10.

O Senhor nos trouxe luz e vida. A verdade é que, não há uma centelha de vida fora de Cristo. Fora de Cristo só há morte. Somos informados pelo próprio Senhor, que se não comermos de Sua carne e bebermos de Seu sangue, não temos vida em nós mesmos: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. João 6:53.

O ponto central do capítulo 6 do evangelho de João é a revelação do Deus-Homem. O Senhor descido dos Céus, humilhado e entregue à morte. Aquele que, sendo o Eterno, e ao mesmo tempo profeta e Rei, tomará o caráter de vítima e de Sacerdote no Céu.

Jesus tomou o lugar de Filho do homem em humilhação. Ele deu a Sua vida. O Seu sangue foi tirado do Seu corpo. A Sua morte foi a morte de todos os homens, porque para a vida “natural” só há uma solução, a morte. A alma que pecar, essa morrerá.

Com efeito, é num Salvador morto que vemos o pecado tirado, pecado que Ele levou sobre Si, por amor de nós. E a morte, para nós, é a morte da natureza pecadora, pela qual estávamos separados de Deus.

O Senhor Jesus tomou sobre Si o pecado. Ele foi feito pecado sobre a Cruz por nós. Portanto, a Sua morte é a nossa morte. E, aquele que está unido a Cristo naquela morte está justificado do pecado. Por esta razão, nós nos alimentamos da morte de Jesus: Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:10.

A nossa vitória sobre o pecado, sobre a carne e o diabo não está no que fazemos, isto é, porque oramos ou porque temos uma porção da palavra de Deus. A nossa vitória está fundamentada na redenção efetuada pelo nosso Senhor Jesus Cristo.

Nascemos espiritualmente em “falta” e essencialmente “tortos”. Nada podíamos fazer por nós mesmos. Mas, Ele deu a Sua vida na cruz. E, a essa vida o pecado foi ligado, por imputação, quando o bendito Salvador foi levantado naquela cruz. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. João 12:32-33.

Ao oferecer a SuaprópriaVida, juntamente com ela foi o pecado. Deste modo, o pecado foi eficientemente tirado, tendo sido deixado na sepultura, da qual o Senhor ressuscitou triunfante, no poder de uma nova vida. A esta nova vida, a justiça está claramente e inseparavelmente vinculada, tal como o pecado estava à vida que Ele deu naquela cruz. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. 2 Coríntios 5:21.

O Senhor Jesus não cometeu nenhum pecado, mas Ele tomou sobre Si o pecado de cada um de nós. Ele foi feito pecado sobre a cruz por nós e, aquele que está morto, justificado está do pecado. Portanto, nós nos alimentamos da morte de Cristo. A Sua morte é a nossa morte.

O pecado e a morte ali na cruz encontraram o seu fim. E, agora, estamos ligados em graça, na Pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo. Agora, estamos livres e nos alimentando da graça infinita Daquele que realizou a nossa redenção.

A expiação foi perfeita, o Seu amor é infinito e a expiação é total, absoluta. O que nos separava de Deus já não existe mais. Agora algo maravilhosamente bendito podemos dizer: “Encontrei Alguém que satisfaz perfeitamente meu coração – encontrei a Cristo”.

O sangue derramado e apresentado ao Deus santo como perfeita expiação pelo pecado. Este fato, quando simplesmente aceito pela fé, traz alívio à consciência, removendo todo sentimento de culpa e todo temor da condenação.

Nada há diante de Deus senão a perfeição da obra expiatória de Cristo. O pecado foi julgado e os pecados foram tirados. Foram completamente apagados pelo precioso sangue de Cristo. Crer nisto é entrar no perfeito repouso da consciência.

Por essa razão, precisamos sim, da graciosa ajuda do Espírito Santo para nos levar à Pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo. E, assim dizer como Filipe disse a Natanael: Achamos Aquele: Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José. João 1:45.

Se lermos as Escrituras e não encontrarmos a Pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo, a nossa leitura não nos trará nenhum benefício. Tudo será meras letras, e as letras são mortas.

Se tratarmos esses assuntos simplesmente como doutrina, eles serão mortos. Alguns podem dizer que encontraram na Bíblia a Palavra de Deus, mas são desprovidos de vida. O nosso fracasso é simplesmente porque não tocamos no fato. Não tocamos em Cristo.

Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos Aquele. Então, o que estamos procurando quando lemos a Bíblia ou nos reunimos? O fundamento da nossa reunião é divino, o centro em volta do qual nos reunimos é Cristo. Se não for Cristo, podemos afirmar que somos os mais miseráveis dos homens!

Somente por meio da revelação do Espírito Santo seremos conduzidos para dentro de Cristo. E, sabermos que Ele é o grande “Eu Sou” e que Nele, encontraremos tudo, porque tudo que está Nele é cheio de vida.

“Eu Sou” significa: Nele tudo é eterno. Cristo é o Senhor do hoje; Nele não há passado. Tudo o que está em Cristo é para sempre. Ele é um eterno presente.

A cruz de Cristo é presente, a ressurreição de Cristo é presente, a ascensão é presente, a presença do Espírito Santo é presente. O que quer que Deus tenha nos dado em Cristo é presente.

Definitivamente precisamos saber que o nosso alimento é Cristo. Cristo é a verdadeira comida. Toda satisfação se encontra em Cristo. Cristo é o pão da vida. Cristo é a nossa justiça. Cristo é a nossa santificação.

Quem ousaria subir na balança e se submeter ao prumo? Só tem um que pode fazer isto por mim e por você. Aquele que morreu e ressuscitou e nos fez morrer e ressuscitar com Ele.

Que Deus abra os nossos olhos para vermos que em Cristo encontramos o tudo de Deus. Amém!