domingo, 5 de junho de 2011

VENHO COM AS NUVENS - IRMÃO GINO IANFRANCESCO.



“Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o
traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente.
Amém!”. Ap1:7




O Pantocrator (Pan creator= criador de todas as coisas) ou “ O Todo Poderoso”

Vamos nesta noite, irmãos, continuar com a ajuda do Senhor, o estudo que temos começando do livro do Apocalipse; estamos no primeiro capítulo. Apocalipse capítulo 1; desta vez chegamos ao versículo 7. Da vez passada vimos a apresentação de Deus por Cristo, por Seu anjo a João, às igrejas; e então vimos como João louvava ao que nos amou e nos fez reino e sacerdotes para Deus seu Pai; e por isso é que diz ali no final do verso 6: “a ele a glória e o domínio”; aqui vemos claramente, poderíamos dizer, com todo descaramento dando glória ao Filho naquele tempo, onde Israel somente conhecia a Deus no Pai, mas não havia conhecido a Deus no Filho; e aqui João é um dos que mais claramente confessa a divindade do Filho. Assim começa seu evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Em sua primeira carta diz: “Mas sabemos que o Filho de Deus têm vindo, e nos têm dado entendimento para conhecer ao que é verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5:20); ou seja, o Deus verdadeiro, o único Deus verdadeiro, o Pai, é conhecido por meio do Filho; no Filho conhecemos ao Pai; não se pode conhecer o Pai sem o Filho; e aqui também em Apocalipse, assim como no evangelho e na epístola, agora diz: “A Ele seja a glória, (vem falando do Filho) e domínio pelos séculos dos séculos. Amém”.

E então, tendo nossa atenção nele, confessa o seguinte; antes de explicar o que lhe passava na ilha de Patmos, que vai a começar a dizer desde o verso 9, ele esta tão embebido Naquele a quem viu e em cujo nome está falando e a quem está glorificando, que diz: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!”. Então Deus o Pai fala por João e diz: “Eu sou o Alfa e o Omega, diz o Senhor Deus, o que é e que era e que há de vir, (Pantocrator) o Todo poderoso”.
Aqui, como vimos na vez passada no exame textual dos distintos manuscritos, a versão mais fiel, mais pura e mais antiga é a que lhes acabo de mencionar, que algumas Bíblias o dizem assim: “Eu sou o Alfa e o Omega, diz o Senhor Deus, o que é e que era e que há de vir, o Todo poderoso”; isso já o vimos com detalhe uma vez passada, portanto, agora vamos nos concentrar, mais que no comentário textual, na exegese.

Sobre o tempo do arrebatamento

Me perdoem o que vou a falar esta noite; e digo assim pelo seguinte: Eu sei, e vocês também sabem, que na história da Igreja, a respeito da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, têm havido muitas considerações, muitos pontos de vista; e ainda na história da Igreja não pudemos por em acordo todos os irmãos a respeito da segunda vinda do Senhor; de maneira que sabendo que isso é assim, de nenhuma maneira pretendo dar o ponto final; mas não posso deixar de ser responsável, posto que o Senhor me ordenou a ensinar o Apocalipse, ensinar o melhor que o entenda; assim que rogo que vocês não me sigam, senão que siga a Bíblia mesmo; o que eu lhe digo, você não coma inteiro, senão julgue por meio do Espírito Santo a ver se é assim ou não é assim; porque neste ponto em que estou por entrar, eu sei que na história da Igreja têm havido o ponto de vista que fala que a segunda vinda do Senhor está dividida em duas partes: uma secreta e outra pública e que haverá um arrebatamento secreto antes da vinda gloriosa e manifesta do Senhor Jesus.

Pré-tribulacionismo. Esse é um ponto de vista que é popular em um setor do povo de Deus; esse ponto de vista foi pela primeira vez observado na era patrística por Efraim o Sírio, como no ano 374, a maneira como ele via os assuntos; mas em seus escritos ele não dá uma prova muito profunda; ele simplesmente da conclusão sem fazer a demonstração, pelo menos no que têm chegado a nós de seus escritos; é ele que na história da Igreja no século IV, que pela primeira vez mencionou este assunto de um arrebatamento antes da grande tribulação. Depois, já pelo ano 1754, um pastor batista chamado John Gill foi o segundo que expressou esse ponto de vista de um arrebatamento antes da tribulação, em um comentário extenso que ele fez sobre todo o Novo Testamento; era raro porque entre os batistas esse não era o ponto de vista tradicional; mas este irmão, John Gill, o viu assim, o ensinou assim. Depois, em 1810, um jesuíta no Chile de apelido Lacunsa, também ensinou esse ponto de vista de um arrebatamento antes da grande tribulação; alguns têm acusado a Lacunsa de que para tratar de evitar a interpretação protestante que dizia que o Papa era o anticristo, ele tratou de mudar a escatologia e entrou por esse caminho. Eu não o acuso dessa maneira porque eu diretamente não tenho lido a documentos de Lacunsa, mas acerca dele; então somente lhes conto o que alguns dizem, mas sem referendá-lo.
Uns poucos anos depois dele, outro irmão chamado Edward Irving, como em 1812 mais ou menos, também ensinou o ponto de vista pré-tribulacional, ou seja, uma vinda do Senhor em duas partes: uma parte secreta tomando um arrebatamento, o arrebatamento de seus escolhidos. Há distintos pontos de vista. Depois uma mulher chamada Margaret McDonald, em 1816, ensinou a mesma coisa e parece que ela teve umas experiências místicas onde ela o interpretou assim. Por fim, em 1820, chegou um irmão muito sério, um precioso irmão, o irmão John Nelson Darby, da linha dos Brethren ou dos irmãos de Plymouth; ele havia sido anglicano, cria que até um arcebispo anglicano; renunciou o ponto de vista anglicano e à organização anglicana porque começou a ver um pouco melhor o corpo de Cristo, e ele ensinou já pela primeira vez de maneira sistemática, de maneira documentada, porque as anteriores menções eram pontos de vista rápidos sem muita sustentação; quem primeiro elaborou uma sustentação profunda, digamos que foi o esquematizador do dispensacionalismo, foi o irmão John Nelson Darby; ele foi um dos anciãos dos Brethren em Plymouth, uma cidade ao sul da Inglaterra; entretanto, durante a mesma época do irmão Darby, que foi o primeiro que sistematizou o dispensacionalismo e o pré-tribulacionismo, outro dos anciãos que pertencia á mesma igreja em Plymouth com Darby, o irmão Benjamin Newton, não concordou com o irmão Darby em seu ponto de vista de um arrebatamento antes da tribulação, senão que ele demonstrou também com uma argumentação bastante séria, que o arrebatamento seria depois da grande tribulação; isso não o fez pela primeira vez o irmão Benjamin Newton porque esse foi realmente o ponto de vista que existiu entre os chamados Pais da Igreja na era patrística, antes de Efraim o Sírio r depois de Efraim o Sírio; foi o ponto de vista que prevaleceu na era medieval e escolástica, foi o ponto de vista que continuou com os reformadores, inclusive quando já se introduziu este ponto de vista do pré-tribulacionismo com o irmão Darby; o irmão Benjamin Newton o teve que encarar e dizer-lhe que estava equivocado. George Muller também era pós-tribulacionista, e a igreja em Bristol.

Os dois arrebatamentos. Hoje em dia, a teologia do pacto, ou seja, a linha que seguem os reformados, é pós-tribulacionista; e a linha dispensacionalista é pré-tribulacionista. Sucedeu que ante os argumentos sérios que apresentavam o irmão Darby, pré-tribulacionista, e o irmão Benjamin Newton, pós-tribulacionista, outros homens de Deus, mestres também constituídos pelo Senhor, começaram a estudar seriamente estes argumentos a ver qual dos dois tinha razão e surgiu uma equipo de mestres pela época do irmão Carlos Spurgeon, mas não Spurgeon, senão um irmão chamado Robert Govett, de quem Spurgeon disse que havia nascido cem anos adiantado à história da Igreja, um irmão muito profundo, um irmão ao que apenas agora se lhe está entendendo e se lhe está dando muita razão em muitas coisas. O irmão Robert Govett, junto com o irmão G. H. Pember, junto com eles o irmão D. M. Panton e o último dos teólogos dessa escola, o irmão Lang, eles, ante os argumentos de uns e outros, concluíram que havia dois arrebatamentos: um antes da tribulação e outro depois da tribulação; um para as primícias ou vencedores e outro para o resto dos cristãos salvos, que não alcançaram a ser vencedores, como os primeiros; esse ponto de vista surgiu ao redor do século XIX a XX. Os irmãos Govett, Pember, Panton e Lang, este último já entrado o século XX, apresentaram um terceiro ponto de vista.

O primeiro, que é o pós-tribulacionista, que é o que aparece nos documentos da igreja primitiva desde a Didachê no primeiro século, como interpretação do Novo Testamento, e também a patrística, os escolásticos, os reformadores e várias denominações, especialmente a linha reformada, e alguns presbiterianos, têm tomado o ponto de vista pós-tribulacionista; logo, o ponto de vista pré-tribulacionista desde Darby para cá, mas com as raízes não muito profundas que havia mencionado de Efrain o Sírio, John Gill, Lacunsa, Edward Irwing, Margaret McDonald e John Nelson Darby. O ponto de vista de Darby passou a Scofield; então Scofield escreveu umas anotações à Bíblia que foram muito populares e dessa maneira o ponto de vista pré-tribulacionista passou a muitas denominações. Logo, quando morreu Scofield, lhe sucedeu o irmão Lewis Sperry Chafer, quem fundou o seminário fundamentalista de Dallas e escreveu uma teologia sistemática e outros vários livros com o ponto de vista dispensacionalista que havia estabelecido Darby e depois Scotfield; e assim nesse Seminário de Dallas se formaram muitos pastores de denominações, e então o ponto de vista dispensacionalista no século XX começou a estender-se.

A Lewis Sperry Chafer sucedeu John F. Walwoord que seguiu com o mesmo ponto de vista pré-tribulacionista e ai as Assembléias de Deus tomaram esse ponto de vista. Depois, outros professores famosos ultimamente como o irmão Charles Ryrie e o irmão J. Dwight Pentecost, são os mais caracterizados expositores do ponto de vista pré-tribulacionista; alguns destes autores os tenho lido com cuidado; a outros somente os conheço de maneira mais leviana. Creio que a obra de onde melhor se expressa o ponto de vista pré-tribulacionista é “Eventos do Por vir” de J. Dwight Pentecost; o estudei minuciosamente, com sinceridade; claro que tenho que ser sincero; em alguns pontos não tenho paz do Espírito Santo em meu espírito para concordar em tudo com eles, e por isso tenho que contar-lhes esta história, estas distintas escolas, para que vocês saibam que isso existe entre os filhos de Deus. Somos irmãos; todos temos o direito de examinar a Palavra, expor o que vemos, e fazê-lo em amor, fazê-lo sem má discussão, fazê-lo com sinceridade, ouvirmos mutuamente, examinar os argumentos de uns e de outros.

O ponto de vista de Darby passou para a China, ao sul da China de onde estava o irmão Watchman Nee, no século XX; ele em sua juventude adotou o ponto de vista pré-tribulacionista de Darby; ele tinha em grande estima ao irmão Darby. Nee escreveu em sua juventude um estudo sobre o Apocalipse chamado “Vem, Senhor Jesus”, que a editorial CLIE o têm publicado; e nele apresenta um ponto de vista pré-tribulacionista; depois, com o tempo, ele modificou seu ponto de vista e em um livro posterior que se chama “A Igreja Gloriosa”, ele passou do ponto de vista de Darby ao ponto de vista dos dois arrebatamentos; ou seja, ao ponto de vista de Govett, Pember, Panton e Lang; este ponto de vista o adotaram os irmãos que tem comunhão com o irmão Watchman Nee. Ao Norte da China havia outro irmão chamado Lee Chan Choo, que no ocidente é conhecido como Witness Lee; ele foi discipulado por Burnet, que foi um discípulo do irmão Benjamin Newton. Benjamin Newton era pós-tribulacionista; então o irmão Burnet foi pós-tribulacionista; mas logo a escola dos dois arrebatamentos de Panton, Pember, Govett e Lang foi a que os ajudou a se porem de acordo; de maneira que Watchman Nee e Witness Lee ensinaram o ponto de vista dos dois raptos, e esse ponto de vista têm entrado no Ocidente, e está também, na mesa das discussões escatológicas.

Tive que dizer tudo isto porque acabamos de entrar em um versículo que nos fala da segunda vinda do Senhor; e posto que existe esse fundo histórico na história da Igreja, eu prefiro respeitar a convicção de cada irmão; não vou impor a nenhum ponto de vista; vou simplesmente cumprir minha responsabilidade, mas deixo a vocês que examinem as coisas; no que possam concordar concordem, e no que não podem concordar, tranquilamente não concordem; seguimos sendo irmãos; o corpo de Cristo é um só e todos os que nascemos de novo, aos que nos comprou com Seu sangue e nos regenerou Seu Espírito, somos irmãos, e nenhum têm chegado ao final, e todos temos o direito de investigar.


Todo olho o verá

Com este preâmbulo é que me vou arriscar a ler este verso. Amém, irmãos? Como havíamos visto antes, o Apocalipse contém as terminais de toda a Bíblia; ou seja que todo o que se tratou na Bíblia se culmina no Apocalipse; por isso há frases no Apocalipse que são a síntese de muitos assuntos na Bíblia; e este verso que acabamos de ler é também uma síntese de muitas coisas que são tratadas na Bíblia; voltemos, pois, a ler essa síntese: “Eis que vem com as nuvens”; isso o diz em várias partes; “y todo olho o verá”; isso aparece também em outros lugares; “e os que lhe traspassaram, e todos as tribos da terra farão lamentação por ele.” Aqui temos algo de Daniel, algo de Zacarias, algo de Mateus, de Marcos, de Lucas, sintetizado nesta expressão. Permita-me, por minha parte, de maneira particular, não falo em nome da igreja, senão como um membro do corpo de Cristo, que me chama muito a atenção que quando os apóstolos, como neste primeiro caso aqui e nos demais que vou mostrar, mencionam a vinda do Senhor de uma maneira simples, eles não entram em tantas separações nem divisões como os teólogos modernos; eles simplesmente têm essa expectativa. Aqui João está falando às sete igrejas que estão na Ásia, e por meio delas está falando a todas as igrejas, porque o Espírito disse: “O que tem ouvido, ouça o que o Espírito diz às igrejas”; assim que esta mensagem a estas sete igrejas que estavam na Ásia, é uma mensagem do Espírito Santo a todas as igrejas, também a nós; e aqui a expectativa que apresenta o apóstolo João da vinda do Senhor, entrando de golpe é esta: ele não entra em uma coisa secreta e em uma coisa pública posterior, não; ele simplesmente entra assim; essa é a expectativa que ele tinha, que ele compartilhou com as igrejas para que as igrejas tenham essa expectativa; e é esta:

“Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!”.

Essa é a vinda como a vê João nestes versículos; a vê assim; ele não faz divisões, senão que apresenta no globo e apresenta essa expectativa às igrejas; cremos que isto é da parte do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Outro detalhe mais. Vamos fazer a associação dos versículos cujas terminais estão neste verso. Comecemos pelo da vinda nas nuvens do Senhor. Comecemos primeiro por Atos dos Apóstolos capítulo 1; ali o Senhor apareceu depois de ressuscitado aos apóstolos, esteve quarenta dias ensinando-lhes, logo os tirou a Betânia e ascendeu. Diz o versículo 9: “Ditas estas palavras (as instruções finais que lhes deu antes da ascensão) à vista deles, (e me chama a atenção o “à vista deles”) foi Jesus elevado às alturas, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos. 10 E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles11 e lhes disseram: Varões Galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.”. Desde este ensinamento angélico acerca de como seria avinda do Senhor, aqui diz: Assim como haveis visto ir, assim virá; então Ele, ascendeu, vendo eles e foi encoberto pelas nuvens, e daí em diante continua subindo até o Pai; o que diz Daniel.

Vamos ao Livro de Daniel para ver até onde foi, porque diz que ele ascendeu até as nuvens e a nuvem o cobriu; mas Ele ia à destra do Pai. Vejamos a continuação de esse evento na profecia de Daniel capítulo 7:13: “Meditava eu na visão da noite”, quando haviam passado as bestas e o chifre, e os dez chifres, tudo e a culminação de toda essa história, porque no verso 12 é onde se diz que já se lhe havia quitado o poder a essas bestas, etc.; e nele 7:13 diz: “13 Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.14 Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.”. Finge-se em que aqui aparece o Filho do Homem nas nuvens mas não vindo até nós, senão apresentando-se ao Pai; ou seja, Quando o Senhor ascendeu o ocultou uma nuvens porque Ele ia; mas onde ia? à destra do Pai; aqui vemos que o Filho do Homem veio nas nuvens e chegou até o Ancião de dias, ou seja o Pai, e ali foi onde foi dado domínio; depois consideraremos mais detalhes, quando ele chega ao trono e nada podia abrir o livro e Ele abre o livro e no livro está a maneira como se vai ter todos os reinos da terra, porque assim culmina esse livro dos selos, onde está o programa Dele quando se senta à destra do Pai para que todos Seus Inimigos lhe sejam postos por estrado de Seus pés; todo esse programa, esse plano, estava em um livro selado que nada podia abrir-lo, mas Ele ascendeu à destra do Pai, o único digno de abrir o livro, e no livro estava escrito o programa de Deus para que culminasse com o reino de Deus e de Seu Cristo. Depois consideraremos isto em mais detalhe, mas isto era somente para o aspecto das nuvens; já aparecerá Ele vindo com as nuvens pra tomar o reino com o Pai. Quando Ele ascendeu, ascendeu e foi a receber o reino, a sentar-se à destra até que tudo lhe seja posto por estrado de seus pés; e já Ele está reinando à direita do Pai, e toda potestade lhe é dada nos céus e na terra, e Ele tem controle de tudo o que sucede no mundo, e Ele está levando adiante Seu programa; não importa o que tu vejas, deves crer que Ele tem o senhorio e Ele está fazendo o apropriado; nada se escapa de seu controle.

Nos encontraremos com Ele nas nuvens

Voltamos a outras passagens onde aparece a vinda do Senhor nas nuvens; e a primeira passagem está em Mateus 24, porque estamos vendo os versos que se relacionam com aquele de Apocalipse 1:7.

Inicialmente vou ler o verso 30, mas depois vamos ter que ver algumas coisas; o verso 30 é para ver a concordância com Apocalipses 1:7; mas esse verso há de se tê-lo em todo seu contexto: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão., (Se dão conta de como se assemelha ao que diz Apocalipse 1:7?) e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória”.

Ele disse que assim viria. Voltaremos um pouquinho a Mateus 24. Pelo pronto, sigamos em Mateus e vamos ver a confissão de Jesus ante o Concílio Quando o estavam julgando; isso está em Mateus capítulo 26; leiamos desde o verso 62, quando Caifás, Anás e os outros estavam julgado a Jesus: “62 E, levantando-se o sumo sacerdote, perguntou a Jesus: Nada respondes ao que estes depõem contra ti?63 Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.64 Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.”. A respeito disso, da lamentação das tribos, vamos a Zacarias capítulo 12; está falando já do tempo do fim e diz o versículo 10: “10 E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito.11 Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom, no vale de Megido.12 A terra pranteará, cada família à parte; a família da casa de Davi à parte, e suas mulheres à parte; a família da casa de Natã à parte, e suas mulheres à parte;13 a família da casa de Levi à parte, e suas mulheres à parte; a família dos simeítas à parte, e suas mulheres à parte.14 Todas as mais famílias, cada família à parte, e suas mulheres à parte.”. O que diz aqui em muitos detalhes está resumido ali em Apocalipses 1:7 onde diz: “E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.”

Também Marcos e Lucas nos apresentam a vinda do Senhor nas nuvens; no capítulo 13 de Marcos diz o versículo 26: “Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória”. Podemos passar a Lucas capítulo 21 onde também no verso 27 diz: “Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.”. Tanto Mateus, Marcos, como Lucas registram diferentes aspectos das palavras do Senhor Jesus. Se tu vês em Marcos, também aparece a mesma confissão de Jesus ante o concílio, como lemos em Mateus, e também se vê em Lucas; assim que por agora não vamos ler o de Marcos nem o de Lucas, mas vocês podem depois revisar. Isto é o que se nos diz aqui da vinda do Senhor nas nuvens.

Outra passagem onde se fala da vinda do Senhor nas nuvens, já nos apóstolos, está em 1 Tessalonicenses 4:14 em diante: “14 Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem.15 Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem.16 Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;17 depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.”. Então vemos que o Senhor vem nas nuvens e que os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e logo os demais que estiverem vivos na vinda do Senhor, juntamente com eles seremos arrebatados para receber o Senhor nas nuvens. Vocês não vêem a palavra “nuvens” ali? Olhem outra vez: “Seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens para receber o Senhor nos ares”; porque o Senhor vem nas nuvens e no arrebatamento receberemos o Senhor nas nuvens.

Vinda ou hora secreta do Senhor?

Agora vou ter que entrar um pouco mais profundo; aqui vimos o relativo à vinda do Senhor nas nuvens; as vezes se diz que a vinda secreta é como ladrão, e a segunda parte da segunda vinda é a vinda pública e gloriosa, visível nas nuvens; mas que antes dessa houve ema vinda secreta; claro que em outras as passagens que lemos, que falam da vinda nas nuvens, em nenhum se nos fala de uma vinda anterior secreta. Há cinco ou seis versículos na Bíblia que falam da vinda do Senhor como ladrão na noite; essa expressão de “vinda como ladrão na noite”, que nada sabe o dia e a hora, tem sido tomada como para dizer que há uma vinda secreta antes da vinda pública, e se diz que a vinda secreta é como ladrão na noite. Se tu examinares com cuidado aos versos, verás que Eles não falam da vinda secreta, senão de hora secreta; si tu voltar a ler os versos, são cinco ou seis somente, e os vamos a ler esta noite, si tu vês os versos que falam da vinda como ladrão, todos esses cinco ou seis versos falam no contexto da vinda pública e visível; esses versos estão em Mateus 24, em Lucas 12, no 1 Tessalonicenses 5, 2 Pedro 3 e em Apocalipse 3 e 16; esses são os versos que veremos que falam da vinda do Senhor como ladrão na noite, que alguns irmãos, os respeito, têm dito que essa é a vinda secreta; mas eu vou mostrar pela Bíblia, vocês examinem a ver se parece ou não, não vou impor, que todos os cinco ou seis versos que falam da vinda como ladrão na noite, todos os cinco ou seis, se lês o contexto, se referem à vinda pública e gloriosa, incluído este de Apocalipse 1:7: “Eis que vem com as nuvens”. Essa vinda com as nuvens é como ladrão na noite, ou a vinda como ladrão na noite é outra? Vamos ver se a vinda como ladrão na noite é outra ou é esta mesma em que vem nas nuvens visíveis.

Comecemos com a primeira, em Mateus 24. As cinco passagens são: Mateus 24, anotem por favor para que voltem a ler em todo o seu contexto, Lucas 12, 1 Tessalonicenses 5, 2 Pedro 3 e Apocalipse 3 e 16. Veremos os versículos um por um. Comecemos por Mateus 24; aqui tenho o texto grego para que os irmãos possam revisar depois em o grego; Mateus 24, comecemos desde o versículo 3, porque temos que ler o que diz o Senhor em seu contexto: “3 No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.”. Ele acaba de dizer sobre Jerusalém, aquele muro que eles lhe diziam: Olhe que pedras! e Ele contestou: não ficará aqui pedra sobre pedra; isso era uma das coisas que sucederiam, mas não só isso, e lhe dizem: “Quando serão estas coisas, (ou seja a destruição de Jerusalém e do templo) e que sinal haverá de tua vinda?”. Podem revisar no grego a ver se a palavra é parousia ou epifanía porque alguns tem dito que a palavra parousia se refere à vinda secreta e a palavra epifanía se refere à vinda pública, mas se tu leres o grego vais ver que parousia é usada na vinda pública; nesta vinda se fala da vinda do Senhor nas nuvens, gloriosa, diz parousia; então o argumento de que parousia se refere à vinda secreta não se pode sustentar à luz do grego. No contexto grego todas as vezes que fala de parousia se refere à vinda do Senhor, inclusive pública e visível.

“e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.4 E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane.5 Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.6 E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.7 Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; 8 porém tudo isto é o princípio das dores.9 Então...”. A quem esta falando o Senhor aqui? Aos cristãos, á Igreja; quando um está em Cristo já não é judeu nem gentio; antes era judeu ou gentil, mas quando Cristo morreu já não há judeu, nem gentio, nem bárbaro, nem cita, nem varão, nem mulher, senão que Cristo é tudo em todos. Por favor sigam suas Bíblias, não me sigam, para que não seja que eu me equivoque e vocês comigo; assim que vigiem-me.

A Igreja e a tribulação

“9Então (está falando o Senhor Jesus aos cristãos, aos seus) os entregarão a tribulação, (ah! muitos dizem: tranqüilo, irmão, vocês não vão passar por isso, vocês não vão sofrer nada; mas quantos têm sofrido tribulação já nestes 21 séculos?) Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.
10 Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros;11 levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.12 E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.13 Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.14 E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.15 Quando...”. Ah! por tanto quer dizer que isto que vai dizer a continuação está relacionado com o que vinha dizendo até aqui, e está falando aos cristãos; alguns dizem: ele está falando aos judeus; não, ele está falando aos cristãos que crêem em Cristo; já não há judeu nem gentio. “15 Quando, pois, virdes o abominável da desolação...”. Ah! assim é que o Senhor está dizendo a Seus discípulos que no fim viria a abominação desoladora; alguns pensariam que não a iam a ver, mas aqui o Senhor não diz que alguns não; aqui diz “quando vires”; está falando a instrução normal, Ele não está querendo enganar nem ensinar distorcidamente, nem dar uma imagem equivocada; porque é que o Senhor não ensina segundo Darby, nem segundo Newton; não, o Senhor ensina como é; então temos que seguir a Ele. “15 Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), (por isso eu disse aos irmãos que leram esse trabalho sobre Daniel) 16 então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes;17 quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa;18 e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.19 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!20 Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado;”.

No ano 70 quando chegou Tito e tomou a cidade, começou o cumprimento destas coisas; não se cumpriu tudo, mas começou o cumprimento, porque Daniel dizia no capítulo 9, depois da profecia das 70 semanas, dizia que quando tirassem a vida do Messias, o príncipe de um povo que viria destruiria a cidade e o santuário, e isso foi Roma, esse é esse príncipe; quando Vespasiano era imperador, Tito veio e tomou Jerusalém e começou a se cumprir esta profecia, mas não se cumpriu tudo; o Senhor falou de várias coisas que teriam que acontecer, mas não falou do momento exato, da hora e dia; isso nada pode falar porque Jesus disse: nem os anjos sabem, só o Pai. Então diz: “21 porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais.”. Quando diz: “nem haverá”, já se está dando conta um de que não se está referindo somente ao ano 70, senão à grande tribulação final, à última grande tribulação; claro, no ano 70 algo se cumpriu, mas Ele não estava falando só para o ano 70, porque ele estava falando não só de quando seriam aquelas coisas, senão quando será Sua vinda e o fim do século; como eles não sabiam, lhe perguntaram tudo junto e Ele contestou tudo junto, mas uma parte corresponde à queda de Jerusalém e a outra parte corresponde ao anticristo, à abominação desoladora, e por isso fala aqui da “grande tribulação” que no haverá outra; ou seja, que aquela do ano 70 não é essa, ainda que aquele é um início, um princípio, mas a definitiva é a última que já não haverá outra.

Segue dizendo: “22 Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados.
23 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;24 porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.25 Vede que vo-lo tenho predito.26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis.27 Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem.28 Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.29 Logo em seguida (fixem-se por favor nesta frase aqui) depois da tribulação daqueles dias, (não antes da tribulação, por favor) o sol escurecerá, e a lua não dará sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
30 Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.”.

Vejam como o Senhor responde o assunto de Sua vinda; assim é que a responde e não têm terminado de responder; segue falando o Senhor neste contexto; não tome o versículo isolado do contexto. “31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.”. Não só na terra, senão do céu, porque os santos que haviam morrido com Cristo, estavam esperando a ressurreição e virem com Ele, por isso diz: “de uma a outra extremidade dos céus.” E nesse contexto diz: “32 Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão.
33 Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, (incluída a abominação desoladora, a perseguição dos santos, a tribulação daqueles dias) sabei que está próximo, às portas.”. Todavia não têm vindo, e diz: depois da tribulação segue dizendo mais:

“34 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.”. A primeira geração viu a queda de Jerusalém e a geração que verá o final será uma só também. “35 Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.36 Mas a respeito daquele dia e hora (este pero quer dizer que está todavia falando dessa vinda gloriosa e visível, mas é a respeito daquela, ou se não, não diria: mas) ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.37 Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem.38 Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,39 e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.”

Notem que está falando de juízo, da vinda pública, depois da tribulação daqueles dias: “40 Então (vejam o verso, não antes) dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro...”. Esse é o arrebatamento; fixem-se em que contexto aparece o arrebatamento; não leiam este versículo isolado, leia no contexto do ensinamento integral. “40 Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro;41 duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra.



42 Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.”.
De que vinda está falando aqui? Da que tem vindo falando durante todo o capítulo, e nesse contexto diz: “43 Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.”; ou seja que o contexto da vinda como ladrão é no contexto todo do capítulo 24 da vinda gloriosa; eu estou lendo assim; não sei você como o lê; o deixo ler como queira, mas lhes agradeço que me permitam lê-lo. “44 Por isso, ficai também vós apercebidos”. Ah! vós, a igreja, os cristãos, os seus, seus discípulos, seus apóstolos. “Por isso”, está relacionando tudo com tudo. “44 Por isso, ficai também vós (não só os de fora, também vós, os próximos) porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?46 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.47 Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens.48 Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se,49 e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios,50 virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe51 e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.”. Este é o contexto da primeira menção da vinda como ladrão. Se tomamos o verso isolado podemos por em qualquer parte, mas se tomas no contexto geral tens que deixá-lo nesse contexto.

A vinda como ladrão em Lucas e Tessalonicenses

A segunda menção aparece em outro contexto em Lucas 12:35-40; ali há outra citação em que o Senhor fala da vinda como ladrão; estamos lendo todos os versículos bíblicos que falam da vinda como ladrão para que vejam o contexto e para que o interpretemos em seu contexto; Lucas 12:35: “35 Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias.36 Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.”. Quem são estes vós? Os apóstolos; Ele está falando aos seus e diz: “37 Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá.38 Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar.39 Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.40 Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá.”. A hora é secreta, mas a vinda se notará. Esse é o segundo versículo em seu contexto onde aparece a vinda como ladrão, e vocês vêem que é parecido ao que lemos em Mateus ainda que neste contexto.

Vamos à terceira menção da vinda como ladrão agora em 1 Tessalonicenses capítulo 5. Notemos que no 4 que já lemos a respeito de Sua vinda nas nuvens e do arrebatamento, mas que não precederíamos à ressurreição dos mortos, vinha falando daquela vinda e que o receberíamos nos ares para estar sempre com Ele. Então Paulo nesta carta tem uma expectativa conforme o ensinamento de Jesus; e vejam uma coisa: a expectativa de Paulo deve ser também a expectativa nossa. Ele disse: Os digo isto em palavra do Senhor. Paulo está falando à igreja dos Tessalonicenses; ele não está falando aos derrotados, ele não está se pondo entre os derrotados, não fala de outros especiais que se vão antes, mas nós os derrotados, não, ele está falando à igreja; ele não tinha esses problemas, porque essas discussões não se haviam dado ainda no tempo de Paulo; ele tinha a tradição fresca de Jesus. Então em 1 Tessalonicenses 3:12-13, vejam o que Paulo diz á igreja, aos mesmos que fala no capítulo 4 do arrebatamento, no 5 da vinda do Senhor como ladrão, aos mesmos lhes diz no capítulo 3, o que diz nos versos 12 e 13; notem que Paulo às mesmas pessoas fala tudo; ele não está falando a uns uma coisa e a outros outra coisa, senão aos santos diz a mesma coisa. vejam o que Paulo diz em 1 Tessalonicenses 3:12-13: “12 e o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco,13 a fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.”. Paulo não está criando uma expectativa diferente à vinda com todos os santos.

Dessa vinda é que Paulo está falando aqui, dessa vinda com todos os santos; e para explicar como será essa vinda com todos os santos então diz agora no capítulo 4:13: “13 Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.14 Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus (essa é a vinda do Senhor Jesus com todos os santos) trará, em sua companhia, os que dormem.


15 Ora, ainda vos declaramos (referindo-se a isso) por palavra do Senhor (ou seja, não são minhas palavras, disse Paulo, isso se vos digo porque assim disse o Senhor) isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda (e essa palavra é parousia) do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem.16 Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;”. Por favor, vejam estes ensinamentos de Paulo pelo Espírito Santo. “Ressuscitarão primeiro”; primeiro é a ressurreição dos santos que morreram em Cristo e então a transformação e reunião com eles. E diz: “17 depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares (porque Ele vem entre as nuvens) e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. (fixem-se em que vem falando do mesmo; o que diz no capítulo 3 está presente no 4, e o que diz no 4 está presente no 5) 18 Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.. 5: Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva;



2 pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor...”. De quê vinha falando Paulo? Da vinda do Senhor Jesus Cristo com todos os santos, e que Deus trará com Jesus aos que dormiram Nele e virá nas nuvens e com voz de trombeta, e com voz de comando, e com voz de arcanjo, e os mortos ressuscitarão primeiro; nesse contexto diz: “vem como ladrão de noite”; e fixem-se em que não é algo secreto; a hora sim, mas da vinda diz: “3 Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão.



4 Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa;5 porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas.6 Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.7 Ora, os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam é de noite que se embriagam.8 Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação;9 porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo,”. E então esse “não nos há posto Deus para ira” é no contexto de Sua vinda. Agora fixem-se em que o versículo 3 se relaciona com o 2; no 2 fala da vinda como ladrão e no 3 diz que quando disserem: paz e segurança, virá sobre eles destruição repentina. Então, a vinda do Senhor como ladrão trará destruição repentina aos que não sejam Dele; ou seja, que não podemos por a destruição repentina por um lado e a vinda como ladrão por outro, porque aqui Paulo as junta; Paulo junta o capítulo 3, a vinda do Senhor com seus santos, o capítulo 4, Deus trará com Jesus aos que dormiram nele, o Senhor com voz de arcanjo, com trombeta de Deus, etc. e haverá a ressurreição, e a transformação, e o arrebatamento, e nos encontraremos nas nuvens; mas como será isso? É como ladrão, inesperado, a hora é secreta, mas quando suceder a destruição repentina. Agora, isto não o diz só Paulo, o diz também Pedro.

A vinda do Senhor relatada por Pedro e Apocalipse 16

Vamos a 2 Pedro capítulo 3; estamos lendo todos os versículos que falam da vinda como ladrão para que não o digamos em outro contexto, senão no contexto em que o falou o Senhor e seus apóstolos.

2 Pedro 3:9-10 fala da vinda como ladrão, e vejam como é a vinda como ladrão; não é uma vinda secreta; o que é secreto é a hora, isso é a surpresa, isso é o que quer dizer como ladrão, o inesperado, mas a vinda mesma vejam como será: versos 9 e 10: “9 Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.10 Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor (o dia, diz o Senhor) como ladrão na noite; no qual (notem, no dia quando o Senhor vier como ladrão na noite) os céus passarão com estrepitoso estrondo, (isso não será secreto, a hora sim) e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.”. Irmãos, esse é o contexto da vinda como ladrão, “no qual, (no dia quando o Senhor vier como ladrão) os céus passarão com estrepitoso estrondo”; por isso dizia: as potencias dos céus serão comovidas.

O último versículo de hoje que menciona a vinda como ladrão está em Apocalipse 16. Eu não sei se vocês depois desta leitura têm visto um arrebatamento diferente; eu não sei, eu respeito, eu não quero burlar, guarde-me o Senhor, mas é que estes versículos me fazem pensar muito sério; não sei como pensa você; há muitos outros versículos. Notem de que trata o capítulo 16; trata das taças da ira. A primeira taça de que trata? De úlceras. A segunda copa de que trata? Do mar como sangue. A terceira taça de que trata? Das fontes das águas como sangue; e a quarta taça? Um grande calor; e a quinta taça? Fixem-se, fala do anticristo, da besta; ou seja, que estamos em plena grande tribulação na quinta taça, verdade? Vejam a quinta taça, verso 10: “10 Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta (está falando do trono da besta) cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam11 e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras.”. Ou seja que já na quinta taça se está na grande tribulação; agora vem a sexta taça; se é a sexta, não vai ser antes da quinta; diz a sexta: “12 Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol.”. Recordem-se o que dizia Daniel? Que quando vier esse anticristo, noticias do oriente e do norte o atemorizariam? Pois, fixem-se, em pleno governo do anticristo quando vem aqueles reis do oriente.

Estamos na sexta taça: “13 Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs;14 porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso.15 (Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha.)”. Está falando em pleno contexto da besta, em pleno contexto do Armagedom, la sexta taça, a taça da ira; as primeiras taças são pura tribulação; isso é pura tribulação, e ainda o Senhor diz: “Eis que venho como vem o ladrão”; ou seja que não veio ainda durante a sexta taça como ladrão; esses são cinco versículos que falam da vinda como ladrão na noite; e entretanto, vejam em que contexto fala da vinda como ladrão; se deram conta do contexto?

O trigo e a joio e a vinda do Senhor

Vamos a Mateus capítulo 13 onde ao Senhor perguntam acerca de uma parábola que Ele disse. Mateus 13:24; a parábola do trigo e o joio.

“24 Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; (esse campo é o mundo, o explicou depois) 25 mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se.26 E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.27 Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: (Ele interpretou logo que eram os anjos) Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? (os filhos do reino) Donde vem, pois, o joio? (os filhos do mal) 28 Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio?29 Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo”. Não importa quanto joio haja, o trigo pode crescer a seu lado, deixe-lo crescer junto, mas por favor, fixem-se no que diz a continuação: “30 Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio” (ah! não era que o trigo se ia primeiro? Primeiro o joio; e não disse: recolhei o joio, senão: “ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes (esse é o globalismo, a abertura econômica, a integração econômica) para queimá-la”. Essa é a grande tribulação. Primeiro se deve recolher o joio, atá-lo em feixes para queimá-lo: “mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.”.

Irmãos, eu as vezes escuto que primeiro recolhiam o trigo e deixavam o joio, mas aqui se recolhe primeiro o joio; “atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.”. E Ele logo explicou isso, nos versículos 36 até o 43; vou a saltar os outros versos porque ele explicou que esse era o Filho do Homem. Diz o verso 39: “39 o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa (vamos ver também esta sega em Apocalipse) é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.40 Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século.”. Se arranca o joio e se queima no fogo. “41 Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino (eu pensei que aos santos, mas diz:) todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade.



42 e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.43 Então, os justos resplandecerão como o sol”. Isso é quando são transformados e glorificados, e vão se reunir com o Senhor nos ares para vir a reinar com ele no reino de seu Pai. “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. Então, irmãos, aqui o Senhor fala primeiro de recolher o joio em feixes. Quando fala em Apocalipse 1:7: “Eis que vem entre as nuvens”, se refere a todos esses versículos que lemos. “E todo olho o verá”; aquilo era o que dizia no contexto de Mateus 24, que é depois da tribulação daqueles dias, Ele começou a falar da vinda como ladrão; e quase todos os versos que falam da vinda como ladrão já os temos lido. Logo veremos Apocalipse 3.

O arrebatamento da última trombeta

Agora este versículo de 1 Tessalonicenses que fala da ressurreição e o arrebatamento, se refere ao que diz 1 Coríntios 15; vamos a este capítulo, leiamos desde o versículo 50; notem que esta passagem se corresponde com o de 1 Tessalonicenses capítulo 4, onde explica o do capítulo 3, a vinda do Senhor com os santos e o arrebatamento dos santos a receber ao Senhor nas nuvens, mas que primeiro ressuscitarão os mortos e logo nós seremos transformados. Isso mesmo é em 1 Coríntios 15:50, que diz assim: “50 Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos,52 num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, (não o dizia também Tessalonicenses? “os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” Não creio que Paulo ia ensinar uma coisa aos Tessalonicenses e outra distinta aos Coríntios; ele está ensinando o mesmo; mas Paulo aqui nos dá uma chave: quando será isso? na última trombeta; por que diz na última? Porque há outras trombetas, mas há uma última. Agora onde aparecem na Bíblia as outras trombetas? Aparecem em Apocalipse. Em Apocalipse aparecem as sete trombetas; vejamos que é na sétima trombeta, no final, o momento de dar o galardão que é quando o Senhor vier.

Vamos a Apocalipse 11; notem que é a sétima trombeta, porque quantas são as trombetas? São sete e a última é a sétima. Todas as trombetas são de tribulações e a sétima diz o seguinte no verso 15: “15 O sétimo anjo (que era o último) tocou a trombeta, (que era a última) e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos; (esse é o momento, quando o Senhor toma os reinos) 16 E os vinte e quatro anciãos que se encontram sentados no seu trono, diante de Deus, prostraram-se sobre o seu rosto e adoraram a Deus,17 dizendo: (vejam o que dizem os vinte e quatro anciãos) Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar.



18 Na verdade, as nações se enfureceram;”. Ah! aí está resumido toda essa guerra do final: dos reis do norte, do oriente, do anticristo, etc. “18 Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, (ah! menciona a fúria das nações primeiro, então a ira do Senhor, que são as taças, além disso disse:) e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra.19 Abriu-se, então, o santuário de Deus (agora sim, depois da sétima) que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada.”. Então fixem-se, irmãos, em que o tempo de dar o galardão é a sétima trombeta, e o galardão é a vinda do Senhor. Vamos ver isso em Apocalipse 22:12; o Senhor vem falando de Sua vinda: “12 E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.”; então quando é o tempo da vinda para dar o galardão? A sétima ou última trombeta; por isso diz ali em Apocalipse 11:18: “Tua ira têm vindo, e o tempo de julgar aos mortos, e dar o galardão”.

A hora de dar o galardão é a vinda do Senhor, e na vinda do Senhor haverá ressurreição de mortos, haverá transformação de vivos fiéis em Cristo, haverá arrebatamento para receber a Ele que vem nas nuvens com voz de trombeta, com voz de comando; e sabem o que mais diz da vinda do Senhor em 2 Tessalonicenses? Não diz que vem em secreto; diz que vem em chama de fogo e com anjos de Seu poder.



A Igreja e o sofrimento

2 Tessalonicenses. Não se pode ver tudo, mas vemos o que podemos. Aos mesmos que escreveu a primeira escreveu a segunda e não se vai contradizer no que disse na primeira vez, senão que os vai esclarecer, porque alguns podiam ter entendido mal. 2 Tes. 1:3. Por favor irmãos, não me sigam, sigam suas Bíblias: “3 Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros (eram os mesmos de antes, os tessalonicenses) como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando,4 a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais,”. Ouça, desde o princípio, o normal para a igreja são os sofrimentos, as perseguições e as tribulações; isso é o normal. Sabem o que ensina Pedro? Que nos armemos do pensamento de sofrer; diz Pedro: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento;” (1 Pe. 4:1).

O que passa aos que ensina que não vai sofrer? O está desarmando, porque o que Pedro diz é que nos armemos do mesmo pensamento, a disposição a sofrer. O normal em toda a história da Igreja, é o sofrimento da Igreja, a perseguição contra a Igreja, a Igreja em tribulação; e diz o verso 5: “sinal (ou seja as tribulações e perseguições que suporta a Igreja) evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo;



6 se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam,
(por que o mundo vai ser atribulado? Porque o mundo atribula à Igreja; a Igreja é atribulada pelo mundo; por isso o mundo é atribulado por Deus) 7 e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco (quando? Quando nos vai a dar o Senhor repouso da tribulação, quando?) quando do céu se manifestar (não é secreto o Senhor Jesus com os anjos do seu poder,8 em chama de fogo, tomando vingança (ao mesmo tempo que nos faz descansar da tribulação, a eles lhes retribui ao mesmo tempo; quando? quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu, em chama de fogo) contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus.9 Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, ( quando? Note esse quando outra vez; é o mesmo tempo; vem falando do juízo, da retribuição contra os ímpios, e nesse mesmo quando) 10 quando vier (para retribuir a maldade a uns e recompensar a outros) para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia. (essa é a transformação do corpo) (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho).

11 Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé,12 a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.”

Isso vinha dizendo Paulo; mas ele não pôs capítulos em seus escritos; ele seguiu dizendo: “2:1Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (a palavra aqui é parousia), e à nossa reunião com ele, (Quando seremos reunidos com Ele? Quando formos arrebatados para recebê-lo nos ares; então de que vem falando? Ouçam, irmãos, com respeito à vinda do Senhor, a parousia, e nossa reunião com Ele [a palavra é episinagogia, ou seja, reunião no alto] esse é o arrebatamento; nossa reunião com ele no alto é o arrebatamento, quando o receberemos nos ares) nós vos exortamos


2 a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, (o que tinha a igreja primitiva, que tinha ele) nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor. (Que já chegou, segundo o grego) 3 Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá (vem falando da vinda do Senhor e de nossa reunião com ele no alto) sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição,4 o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.”.

O que detém a aparição do anticristo

Isto era o que dizia Daniel; em Daniel capítulo 11, se fala desde o versículo 35 até p final desse período desse governo ditatorial, desse anticristo que se assenta no templo de Deus como Deus; ou seja que Paulo quando está escrevendo esta carta, tem em mente a Daniel, os capítulos de Daniel 7, 8, 9, 10, 11 que falam deste anticristo; e nesse contexto com o fundo de Daniel em sua mente, Paulo segue dizendo: “5 Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?” Isso nos diz que o ensinamento oral de Paulo se baseava em Daniel também, e é com o contexto de Daniel e com o contexto cuidadoso de Paulo em meio do sistema romano que Paulo fala as seguintes palavras misteriosas que alguns têm entendido mal. “6 E, agora, sabeis o que o detém”. Note que não é o “quem”, e sim o “que”; não é o Espírito Santo, pois o Espírito Santo não é um “o”, alem do mais é o Deus onipresente, e mesmo quando estiverem alguns sendo atormentados 5 meses, os que tem o selo do Deus vivo não vão ser atormentados; o selo do Deus vivo é o Espírito Santo; ou seja que o Espírito Santo estará ali quando forem atormentados os homens; não é o Espírito Santo o que será tirado; Ele não pode ser tirado, Ele é onipresente; diz o Salmo 139 que nem sequer no Seol pode ser tirado o Espírito Santo.

“7 Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?8 Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também;”. O Espírito Santo não é retirado; Ele não vai falar de maneira irreverente, “o que o detém,” não vai falar assim do Espírito Santo. Mas fixem-se de quem está falando; veja que ele tem em conta o transfundo de Daniel. “6 E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria.7 Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém;8 então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda” isto é, depois de que se manifeste o iníquo.

A respeito da vinda do Senhor, e nossa reunião com Ele, não vos deixeis demover facilmente, porque não virá sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho de perdição, se sente no templo de Deus. Paulo aprendeu isso de Daniel também.

Agora, irmãos, o que era o que detinha a presença do anticristo? Fixem-se em uma coisa: ele fala de quando “a seu devido tempo se manifeste”; ou seja que o anticristo, este homem iníquo, este filho da perdição, tem um tempo devido; ou seja, não pode vir antes de seu tempo, porque o Senhor em Daniel mostrou a ordem dos tempos: Ele lhe deu um tempo a Babilônia. Enquanto isso Babilônia estava em pé não podia vir Medo-Pérsia; Quando foi tirada Babilônia veio Medo-Pérsia. Quando estava Medo-Pérsia, não podia vir Grécia, mas quando foi tirada Medo-Pérsia, então o anjo lhe disse: Agora vou a pelejar com o príncipe da Pérsia, mas logo vai vir o da Grécia; não podia vir o de Grécia porque estava o da Pérsia. Quando foi tirado o império persa, então se manifestou o império grego.

Enquanto estava o império Grego em seu devido tempo, não podia vir o império Romano porque estava o tempo da Grécia. Quando se acabou o tempo da Grécia veio Roma, e agora Paulo está escrevendo em Atenas, no império Romano; mas ele não pode dizer às claras que o império Romano vai a cair, porque depois vem os dez chifres que vão dar o poder ao anticristo. Ele tem que ficar calado; em forma oral ele podia dizer: Não vos recordeis do que vos ensinei a respeito de Daniel? Mas agora diz: mas vós sabeis o que agora o detém, porque agora está o império romano; enquanto está Roma não pode vir o anticristo, mas quando a seu devido tempo se manifeste, quando isto que o detém seja tirado do meio, porque a esta besta que é como de ferro, lhe vão a sair dez chifres e vai sair um chifre pequeno que se vai fazer grande, mas ele não pode sair antes que se termine o tempo da besta de ferro, que é Roma. Quando este for tirado do meio, quando cair o império Romano, então se manifestará aquele iníquo; não é o Espírito Santo o que detém o anticristo; é o mesmo Espírito Santo o que dá permissão ao anticristo. Diz: se lhe deu autoridade para atuar 42 meses e fazer guerra contra os santos; ou seja que os santos estarão sendo perseguidos pelo anticristo. Quando Roma for tirada do governo, então se manifestará aquele iníquo.

Termino com um verso, Apocalipse 20:4 em diante; aqui vai começar o reino milenar. “4 Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar; (quem se sentarão a reinar com Cristo mil anos?) Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, (e quem mais?) tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; (ressuscitaram) e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. 5 Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.”. Então, irmãos, a primeira ressurreição são aqueles mártires que foram decapitados, inclusive os que no tempo da besta, resistiram à besta, não adoraram sua imagem; estes são os que reinarão mil anos, e essa é a primeira ressurreição. Então como vai a haver uma ressurreição anterior se esta é a primeira? Paulo dizia: não precederemos aos que dormem. ¿Quem são os que dormiram? Todos os Cristãos; ressuscitaram primeiro e logo nós; é o arrebatamento; junto com eles receberemos ao Senhor nos ares; mas aqui diz que a primeira ressurreição são estes mártires de Cristo, e os que venceram à besta, que não receberam sua marca, nem adoraram sua imagem. Então, irmãos, se esta é a primeira ressurreição, como haverá um arrebatamento anterior? porque não pode haver um arrebatamento sem primeiro haver uma ressurreição porque não precederemos aos que dormem; os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, logo nós que vivemos, juntamente com eles seremos arrebatados para receber ao Senhor nos ares. Eu pessoalmente não encontro lugar para um arrebatamento ou uma ressurreição anterior porque esta é a primeira, se não, não diria a primeira. Diz: “protos”, a primeira. Vamos encomendar-nos ao Senhor.


(Extraído do livro “Aproximacion Al Libro de Apocalipsis)

A ORAÇÃO É A BUSCA DA GLÓRIA DE DEUS E A BUSCA DA NOSSA ALEGRIA - IRMÃO JOHN PIPER



"Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra" - Sl. 73.25





A oração é a admissão pública de que sem Cristo não podemos fazer nada. Orar é desviar-se de si mesmo para Deus, na confiança de que Ele providenciará a ajuda de que precisamos. A oração nos humilha, como necessitados, e exalta a Deus, como rico.



Aqueles que pedem, fazem-no, porque vêem que Deus é um grande doador.




Mas há um tipo de oração que é errada - a egocêntrica - Tg. 4. 3-5. Se estamos apenas apaixonados pelos breves prazeres mundanos, estamos cometendo a idolatria.



Se podemos orar por um cônjuge, um emprego, por cura física, comida ou abrigo por amor a Deus, então mesmo nisto, estamos centrados em Deus e não nos revelamos egocêntricos. Estamos concordando com o salmista: "Não há nada na terra que eu deseje mais do que o Senhor, e não há nada do que eu quero que não me mostre mais do Senhor”.



Glorificamos a Deus quando confiamos em sua resposta, de que Ele suprirá as nossas necessidades.



Nós somos chamados para sermos servos e devemos fazer o que nos é mandado, mas o que é diferente aqui, é que o nosso Senhor, insiste em nos servir - Is. 64.4



Todos os outros ditos deuses tentam conquistar exaltação fazendo as pessoas trabalhar por eles. Apenas demonstram sua fraqueza. Nosso Deus é diferente destes, porque ele se propõe a trabalhar por nós. Nosso trabalho é esperar nele.



Esperar! Isso significa parar e conscientizar-se com sobriedade da nossa incompetência e da completa suficiência de Deus, buscar conselho e ajuda do Senhor, e esperar nele - Sl.33.20-22.
A estupidez de não esperar em Deus está em perdermos a bênção de ter Deus trabalhando por nós. A malignidade de não esperar por Deus está em nos opormos à vontade de Deus exaltar-se em misericórdia.



Deus pretende exaltar-se a si mesmo trabalhando por aqueles que nele esperam. A oração é a atividade essencial da espera por Deus: o reconhecimento da nossa incapacidade e do seu poder, o pedido por sua ajuda, a busca do seu conselho. Assim, fica evidente porque Deus manda tantas vezes que oremos: seu propósito no mundo é ser exaltado por sua misericórdia. A oração é o antídoto para a doença da autoconfiança, que se opõe ao objetivo de Deus de obter glória ao trabalhar por aqueles que esperam nele.




John Piper - Teologia da Alegria, cap 6.








A Conversão
A criação de um Cristão que busca o prazer.




Nem todas as pessoas estão destinadas a entrar no reino dos céus (Mt. 7.14). Se estivessem, não precisaríamos falar sobre conversão.



Deus tem o objetivo de ser glorificado com o nosso louvor. Nós buscamos prazer nele. Ambas as coisas são iguais. Ambas estão interligadas, pois a mesma motivação que leva Deus a querer receber sua glória o leva também a satisfazer o coração dos que buscam sua alegria nele. A conversão não é nada menos que a criação de um cristão que busca o prazer.




1. Por que não dizer simplesmente crer? Por duas razões:



a. Estamos cercados de pessoas não convertidas que acham que crêem em Jesus – são os freqüentadores mornos e mundanos, que dizem que crêem. O mundo está cheio de pessoas não convertidas que dizem crer em Jesus. Dizer a estas pessoas que creiam soa vazio, pois a verdade bíblica ainda não traspassou seus corações.



b. Dar atenção aos outros mandamentos bíblicos diretos, que nos conduzem ao prazer cristão.








Seis verdades cruciais para resumir nossa necessidade e a provisão de Deus.




Porque a conversão é tão crucial? O que a torna necessária? O que temos que fazer para aproveitá-la?





1. Como falhamos?



Deus nos criou pra sua glória, portanto é nossa obrigação viver pra sua glória (Is. 43.6,7).



Ninguém jamais entenderá a necessidade da conversão se não souber por que Deus nos criou. Fomos feitos para sermos prismas que retratam a luz da glória de Deus em tudo na vida. O motivo disto é um grande mistério. Chame-o de graça, misericórdia ou amor. Antes não éramos. Passamos a existir – para a glória de Deus.



Nosso dever vem do desígnio de Deus. Glorificar a Deus não é torná-lo mais glorioso, mas significa reconhecer sua glória. Implica gratidão de coração (Sl. 50.23) e confiança (Rm 4.20).









2. Quão desesperadora é nossa condição?



Todos deixamos de dar glórias a Deus; portanto, estamos sujeitos à condenação eterna. (Rm. 3.23).



Carecer da glória de Deus é explicado em Rm 1.23, onde se afirma que aqueles que não glorificaram a Deus tornam-se loucos. Todo pecado resulta de não darmos valor supremo à gloria de Deus.




Ninguém sentiu a profundidade e a coerência da gratidão que lhe devemos. Trocamos, desprezamos e desonramos sua glória, vez após vez.



A Bíblia afirma que nós não escolhemos pecar, mas que somos pecadores. Nosso coração é cego (2 Co. 4.4), duro (Ez.11.19), morto (Ef. 2.1, 5) e incapaz de submeter-se à lei de Deus (Rm.8. 7, 8).



Por tudo isto estamos sujeitos à condenação eterna de Deus. A penalidade de destruição eterna, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder (2 Ts. 1.9). Nossa sentença é a eterna desgraça do inferno. O inferno não é um lugar terapêutico. É um lugar justo.



Quando todo ser humano enfrentar a Deus no dia do juízo, ele não precisará usar nenhuma frase da Bíblia para nos mostrar nossa culpa e como nossa condenação é apropriada. Ele precisará apenas fazer 3 perguntas:




1. Não estava claro na natureza que tudo que você tinha era uma dádiva e que você dependia de quem o fez quanto à vida, respiração e tudo mais?



2. O sentimento judicial em seu próprio coração não considerava as outras pessoas culpadas quando não manifestavam a gratidão que deveriam ter em resposta a um gesto de bondade de sua parte?



3. Sua vida foi cheia de gratidão e confiança para comigo, proporcionais à minha autoridade e generosidade?




Caso encerrado!








3. O que Deus Fez para nos salvar da sua ira?



Jesus Cristo veio ao mundo para salvar pecadores (1Tm. 1.15).



A boa nova é que o próprio Deus decretou uma maneira de satisfazer as exigências da sua justiça sem condenar toda a raça humana. O inferno é uma maneira de acertar as contas com os pecadores e fazer prevalecer a justiça de Deus.



A morte de Cristo é a sabedoria de Deus, pela qual o amor dele salva pecadores da ira divina, sem deixar de preservar e mostrar Sua justiça (Rm. 3.25,26).



O que temos que fazer para sermos salvos? Dar as costas ao pecado e confiar no Salvador. Os benefícios comprados pela morte de Cristo pertencem àqueles que se arrependem e confiam nele (At. 3.19).



Nem todo mundo é salvo da ira de Deus só porque Cristo morreu pelos pecadores. Há uma condição: é a conversão. Conversão é nada menos que a criação de um cristão que busca o prazer.











4. Que é conversão?



É arrependimento e fé. É dar as costas ao pecado e à incredulidade e confiar apenas em Cristo, para sua salvação. Não é possível ter um sem o outro.



A fé salvadora inclui uma profunda mudança do coração. Não é só concordar com uma verdade, mas é algo muito mais profundo que isto. Jamais entenderemos isto completamente, enquanto não nos dermos conta de que ela é um milagre. Deus primeiramente efetua em nós o milagre da regeneração.



A fé é ação nossa, mas ela é possível, por causa da ação de Deus. As Escrituras nos mostram que Deus tem se dedicado a este trabalho, a fim de criar para si um povo fiel (Jr. 24.7).



Somos chamados do mesmo modo que Jesus chamou Lázaro da morte para a vida. A regeneração precede e possibilita a fé. A fé é a evidência do novo nascimento, não a causa dele.



A conversão é uma condição da salvação e um milagre de Deus. A salvação não é o novo nascimento. O novo nascimento vem primeiro e possibilita a fé e a conversão. Antes do novo nascimento, estávamos mortos e pessoas mortas não preenchem condições. A regeneração é incondicional. Todo crédito dela é dado apenas a Deus.



Salvação é portanto, a nossa libertação futura da ira de Deus, do julgamento e é a entrada na vida eterna. Conversão é então uma condição para a salvação. Quer ser salvo? A resposta é: converta-se. A conversão é mais que uma decisão humana. Ela é um milagre imenso! É a respiração de uma nova criatura em Cristo.








A fé salvadora contém várias dimensões. Veja o que uma pessoa tem que fazer para ser salvo:




a. Crer – At. 16.31
b. Receber a Cristo – Jô. 1.12
c. Arrepender e converter – At. 3.19
d. Obedecer a Cristo – Hb. 5.9 – Jô. 3.36
e. Ser semelhante a uma criança – Mt 18.3
f. Autonegação – Mc 8.34, 35
g. Amar a Jesus, mais que a qualquer outra pessoa – Mt 10.37
h. Não ser materialista – Lc. 14.33



Estas condições têm de ser preenchidas para herdarmos a salvação final. Este é o único caminho para a vida eterna. Isso é o que significa converter-se a Cristo.



A conversão é então, de uma forma mais ampla, o que acontece no coração quando Cristo se torna pra nós uma arca do tesouro de alegria santa. A fé salvadora é a convicção do coração de que Cristo é totalmente confiável e plenamente desejável. O que há de novo em um convertido ao cristianismo é o novo gosto espiritual pela glória de Cristo.



Para entrarmos no Reino dos Céus nossa conversão deve ser profunda, e convertemo-nos quando Cristo se torna pra nós uma arca do tesouro de alegria santa.








5. A criação de um novo gosto



Existe uma relação entre a chegada da alegria e a fé salvadora. A alegria é fruto da fé. Crendo, somos cheios de alegria. A confiança nas promessas de Deus supera a ansiedade e nos enche de paz e alegria (Rm 15.13, Fp. 1.25).



Há mais uma maneira também de ver relação entre alegria e fé. A fé que agrada a Deus é a certeza de que, se nos voltarmos pra Ele, encontramos o tesouro que a tudo satisfaz. Achamos o prazer eterno do nosso coração. Isto implica em que tenha acontecido algo em nosso coração antes do ato de fé.



Por trás do ato de fé que agrada a Deus foi criado um novo gosto. Um gosto pela glória de Deus e pela beleza de Cristo. Eis que nasceu a alegria! O que é novo na nova criatura é que ela tem um novo gosto. A árvore da fé cresce apenas no coração que anseia pelo dom supremo, que levou Cristo a morrer para poder concedê-lo a nós. Este dom não é saúde, nem riqueza, nem prestígio, mas é Deus!









6. Uma nova paixão pelo prazer da presença de Deus



O despertar de uma sede irresistível por Cristo é a criação de um cristão que busca o prazer. A busca da alegria em Deus não é apenas inocente, ela é essencial. O nascimento desta busca é o nascimento da vida cristã.



A busca da alegria em Deus não é opcional. Enquanto seu coração não tiver atingido esta busca, sua fé não pode agradar a Deus. Não é a fé que salva. A fé salvadora é a confiança de que o tesouro oculto da alegria santa satisfará seus desejos mais profundos. A fé salvadora é a convicção de que Cristo não é somente confiável, como também desejável. É a confiança de que Ele cumprirá suas promessas e de que aquilo que ele promete vale mais à pena ser desejado do que todo o mundo.



Na conversão encontramos o tesouro e comprovamos repetidamente seu valor. Assim a alegria da fé cresce. O resultado é mais fé, mais alegria. Mais profunda do que antes. Esta é a criação de um cristão que busca o prazer.







Teologia da Alegria, John Piper, cap. 2.







É permitido baixar, copiar, imprimir e distribuir este arquivo, desde que se explicite a autoria do mesmo e preserve o seu conteúdo.


Exaltando o Senhor“Todo-Poderoso , aquele que era , que é, e que há de vir.”
“Ora, vem, Senhor Jesus!”

REBECA, FIGURA DA IGREJA - IRMÃO CHARLES HENRY MACHINTOSH.



- Gênesis 24

O Servo (imagem do Espírito Santo) Busca uma Esposa para Isaque

A ligação deste capítulo com os dois que o precedem é digna de nota. No capítulo 22 Isaque é oferecido; no capítulo 23 Sara é posta ao lado; e no capítulo 24 o servo é enviado em procura de uma noiva para aquele que foi, com efeito, em figura, recobrado dos mortos. Esta ligação coincide de uma maneira notável com a ordem dos acontecimentos referentes à chamada da Igreja. A questão de esta coincidência ser de origem divina pode talvez levantar-se na mente de alguns; mas deve, pelo menos, ser considerada como digna de observação

O Chamado da Igreja

Quando nos voltamos para o Novo Testamento, os grandes acontecimentos que chamam a nossa atenção são em primeiro lugar, a rejeição e morte de Cristo; em segundo lugar, Israel é posto de parte; e, por último, dá-se a chamada da Igreja para ocupar a elevada posição de noiva do Cordeiro

Ora tudo isto corresponde exatamente com este e os dois capítulos precedentes. A morte de Cristo necessitava ser um fato consumado, antes que a Igreja, propriamente dita, pudesse ser chamada. “A parede de separação” que estava no meio tinha que ser derrubada (Ef 2.14) antes que “o novo homem” pudesse ser criado. É bom compreendermos isto para podermos conhecer o lugar que a Igreja ocupa nos caminhos de Deus. Enquanto a dispensação judaica durasse havia a mais estrita separação entre judeus e gentios, e por isso a idéia de ambos serem unidos num novo homem estava longe da idéia de um judeu. Os judeus consideravam-se a si próprios numa posição de inteira superioridade à que tinham os gentios, e consideravam-nos completamente impuros, e com os quais não era lícito juntarem-se (At 10.28)

Se Israel tivesse andado com Deus segundo a verdade do parentesco para o qual Ele graciosamente os havia trazido, teriam continuado no seu lugar peculiar de separação e superioridade; mas eles não fizeram isto; e, portanto, quando tinham enchido a medida da sua iniqüidade, crucificando o Senhor da vida e glória, e rejeitando o testemunho do Espírito Santo, vemos como Paulo foi levantado para ser ministro de uma nova coisa, a qual era retida nos desígnios de Deus, ao mesmo tempo que o testemunho a Israel continuava. “Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada: como me foi este mistério manifestado..., o qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” (profetas do Novo Testamento); “a saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho” (Ef 3.1-6). Isto é conclusivo. O mistério da Igreja, composta de judeus e gentios, batizada pelo Espírito para um corpo, unida à Cabeça gloriosa no céu, nunca havia sido revelado até aos dias de Paulo. O apóstolo continua a dizer acerca deste mistério, “do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder” (versículo 7). Os apóstolos e profetas do Novo Testamento formaram, com efeito, o primeiro lanço deste edifício glorioso (vede Ef 2.20). Sendo isto assim, segue-se, como conseqüência, que o edifício não podia ter sido começado antes. Se o edifício tivesse existido desde os dias de Abel, o apóstolo teria dito “revelado aos santos do Velho Testamento”. Porém ele não disse isso, e portanto nós concluímos que, seja qual for a posição atribuída aos santos do Velho Testamento, eles não podem possivelmente pertencer ao corpo que não tinha existência, salvo nos propósitos de Deus, até à morte e ressurreição de Cristo, e a descida subseqüente do Espírito Santo. Salvos eles estavam, bendito seja Deus – salvos pelo sangue de Cristo e destinados a gozar a glória celestial com a Igreja; porém eles não podiam fazer parte daquilo que não existiu até séculos depois do seu tempo

Era fácil entrarmos numa maior discussão acerca desta verdade importante, se fosse este o lugar para o fazer; porém, quero continuar com o estudo do nosso capítulo, depois de ter apenas tocado numa questão de grande interesse, por ser sugerida pela posição que ocupa o capítulo 24 de Gênesis

Pode perguntar-se se devemos encarar esta parte interessante da Escritura Sagrada como figura da chamada da Igreja pelo Espírito Santo. Quanto a mim, sinto-me feliz por a tratar apenas como, uma ilustração dessa gloriosa obra. Não podemos supor que o Espírito de Deus ocupasse um capítulo todo simplesmente com os pormenores de uma família, se essa família não fosse uma exemplificação de alguma grande verdade.
“Porque tudo o que dantes foi escrito para o nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4). Isto é enfático. Portanto, o que devemos aprender com este capítulo? Creio que nos dá uma linda ilustração ou símbolo do grande mistério da Igreja. É importante vermos que, ao mesmo tempo que não há revelação direta deste mistério no Velho Testamento, há, todavia, cenas e circunstâncias as quais o manifestam de uma maneira notável. Como, por exemplo, este capítulo. Como já foi observado, tendo o filho sido oferecido, em figura, e recobrado de entre os mortos, e o tronco do qual havia saído este filho paternal posto de parte, Sara, o mensageiro é enviado pelo pai para procurar uma noiva para o filho

Uma Esposa para o Filho

Para a boa compreensão de todo o capítulo, devemos considerar os seguintes pontos: 1. – o pacto; 2. – o testemunho; 3. – os resultados. É encantador notarmos como a chamada e exaltação de Rebeca foram fundadas sobre o pacto entre Abraão e o seu servo. Ela não sabia nada a esse respeito, embora fosse, nos desígnios de Deus, o objetivo de tudo isso. Assim é com a Igreja de Deus como um todo, e cada parte constituinte: “... no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Sl 139.16). “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (Ef 1.3,4). “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito de entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou, e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8. 29,30)

Estas passagens estão todas de harmonia com o assunto que passamos imediatamente a considerar. A chamada, a justificação, e a glória da Igreja são fundadas no propósito eterno de Deus – a Sua Palavra e juramento ratificados pela morte, ressurreição e exaltação de Seu Filho. Muito antes, antes de raiar o tempo, nos profundos recessos da mente eterna de Deus, acha-se este maravilhoso propósito a respeito da Igreja, o qual não pode, de nenhum modo, ser separado do pensamento divino quanto à glória do Filho. O juramento entre Abraão e o servo tinha como seu objetivo a procura de uma noiva para o filho. Foi o desejo do pai acerca do filho que levou a toda a dignidade posterior de Rebeca

É agradável vermos isto. Agradável ver como a segurança e bênção da Igreja estão inseparavelmente ligadas com Cristo e a Sua glória: “Porque o varão não provém da mulher, mas sim a mulher, do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher, por causa do varão” (1Co 11.8,9). O mesmo acontece com a parábola da ceia: “O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho” (Mt 22.2). O FILHO é o grande objeto de todos os desígnios de Deus: e se alguém é trazido para a bênção, ou glória, ou dignidade, só o pode ser por ligação com Ele. O direito a estas coisas, e até mesmo à própria vida, foi perdido pelo pecado; porém Cristo cumpriu a pena do pecado; Ele responsabilizou-Se por tudo a favor do Seu corpo, a Igreja: foi pregado na cruz como seu substituto, levou os seus pecados no Seu corpo sobre a cruz, e baixou à sepultura sob o peso deles. Por isso nada pode ser mais completo do que a libertação da Igreja de tudo que era contra ela. Ela é vivificada da sepultura de Cristo, onde todos os seus pecados foram deixados. A vida que ela tem é uma vida tomada do outro lado da morte, depois de todas as exigências possíveis terem sido satisfeitas. Por isso, esta vida é ligada e fundada sobre a justiça divina, tanto mais que o direito de Cristo à vida é baseado sobre o fato de ter esgotado inteiramente o poder da morte; e Ele é a vida da Igreja. Desta maneira a Igreja goza de vida divina; ele encontra-se em justiça divina; e a esperança que a anima é a esperança de justiça (vede entre outras, as passagens seguintes, Jo 3.16,36; 5.39,40; 6.27,40,47,68; 11.25; 17.2; Rm 5.21; 6.23; 1Tm 1.16; 1Jo 2.25; 5.20; Judas 21; Ef 2.1 a 6.14,15; Cl 1.12-22; 10-15; Rm 1.17; 3.21-26; 4.5,23-25; 2Co 5.21; Gl 5.5)

A Igreja, o Complemento de Cristo

Estas passagens estabeleceram plenamente os três pontos seguintes: a vida, a justiça e a esperança da Igreja, todos os quais emanam do fato de ela ser um com Aquele que ressuscitou de entre os mortos. Ora nada pode dar tanta segurança ao coração como a convicção que a existência da Igreja é essencial para a glória de Cristo: “... a mulher é a glória do varão (1Co 11.7). Outro tanto, a Igreja é chamada “a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Ef 1.23). Esta última expressão é notável. A palavra traduzida “plenitude” quer dizer o complemento, aquilo que, sendo acrescentado a alguma coisa mais, faz um todo. É assim que cristo, a Cabeça, e a Igreja, o corpo, formam “um novo homem” (Ef 2.15). Encarando o assunto sob este ponto de vista não é de admirar que a Igreja tivesse sido o objeto dos pensamentos eternos de Deus. Quando a contemplamos como o corpo, a noiva, a companheira, a outra metade do Seu Filho unigênito, vemos que houve, pela graça, uma razão maravilhosa para Deus ter assim pensado nela antes da fundação do mundo

Rebeca era necessária para Isaque, e, portanto, ele era o assunto do conselho secreto, enquanto estava ainda em absoluta ignorância quanto ao seu destino. Todo o pensamento de Abraão era acerca de Isaque. “Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho, mulher das filhas dos cananeus, no meio dos quais habito”. Aqui vemos que o ponto importante era: mulher para meu filho. “Não é bom que o homem esteja só”. Isto descobre uma profunda e bem-aventurada vista da Igreja. Nos desígnios de Deus ela é necessária para Cristo; e na obra consumada de Cristo foi feita provisão divina para a sua chamada à existência. A ocupação com esta verdade de lado a questão de saber se Deus pode salvar pobres pecadores; Deus quer “fazer as bodas de Seu Filho”, e a noiva escolhida – ele é o objeto do propósito do Pai, o objeto do amor do Filho e do testemunho do Espírito Santo. Ela vai ser participante de toda a dignidade e glória do Filho, assim como é participante de todo esse amor de que Ele tem sido o objeto eterno. Escutai as Suas Palavras: “E Eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles como tens amado a mim” (Jo 17.22,23)

Isto resolve toda a questão. As palavras que acabo de reproduzir dão-nos os pensamentos do coração de Cristo a respeito da Igreja. Ela está destinada a ser como Ele é, e não somente isto, mas ela é-o agora; como o apóstolo João nos diz: “Nisto é perfeita a caridade para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” (1Jo 4.17). Isto dá plena confiança à alma “... no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu filho Jesus Cristo” (1Jo 5.20). Não existe aqui fundamento para a incerteza. Tudo está seguro para a noiva no Noivo. Tudo que pertencia a Isaque ficou sendo de Rebeca, porque Isaque era dela; e do mesmo modo que é de Cristo é facultado à Igreja: “... tudo é vosso: seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós, de Cristo, e Cristo de Deus” (1Co 3.21-23)

Cristo é Cabeça da Igreja sobre todas as coisas (Ef 1.22). Será Seu gozo, em toda a eternidade, exibir a Igreja na glória e beleza com que Ele a dotou, pois a sua glória e beleza serão apenas o Seu reflexo. Os anjos e os principados verão na Igreja a manifestação maravilhosa da sabedoria, do poder, e da graça de Deus em Cristo

O Testemunho do Espírito Santo

Mas consideremos agora o segundo ponto, a saber, o testemunho. O servo de Abraão levou consigo um grande testemunho: “Então, disse: Eu sou o servo de Abraão. O Senhor abençoou muito o meu senhor, de maneira que foi engrandecido, e deu-lhe ovelhas e vacas, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos. E Sara, a mulher do meu senhor, gerou um filho a meu senhor depois da sua velhice; e ele deu-lhe tudo quanto tem” (versículos 34 a 36). O servo revela o pai e o filho. Tal é o seu testemunho: fala da abundância de meios do pai, e de o filho ter sido dotado com todos estes bens em virtude de ser “o unigênito” e objeto do amor do pai. Com este testemunho ele procura conseguir uma noiva para o filho

Tudo isto, desnecessário se torna acentuá-lo, é elucidativo do testemunho com que o Espírito Santo foi enviado do céu no dia de Pentecostes. “Mas, quando vier o Consolador, que Eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim” (Jo 15.26). “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso, vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.13-15). A coincidência destas palavras com o testemunho do servo de Abraão é instrutiva e interessante. Foi falando de Isaque que o servo procurou atrair o coração de Rebeca, e é, como sabemos, falando de Jesus que o Espírito Santo procura afastar os pobres pecadores do mundo de pecado e loucura para a bem-aventurada e santa unidade do corpo de Cristo.
“Ele... há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”. O Espírito de Deus nunca guiará alguém a olhar para si ou para o seu trabalho, mas só e sempre para Cristo. Por isso, quanto mais espiritual se é, mais se estará ocupado com Cristo

Alguns consideram uma prova de espiritualidade estarem sempre ocupados com os seus corações, e ocupando-se com o que neles encontram, embora isso seja a obra do Espírito. Mas isto é um grande erro. Longe de ser uma prova de espiritualidade, é uma prova do contrário, pois está dito expressamente do Espírito Santo que “Ele há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”. Portanto, sempre que alguém está olhando no íntimo e edificando sobre a evidência da operação do Espírito nele, pode estar certo de que não é guiado pelo Espírito de Deus nisso. É apegando-se a Cristo que o Espírito atrai almas a Deus. Isto é muito importante. O conhecimento de Cristo é vida eterna; e é a revelação que o Pai faz de Cristo, por intermédio do Espírito Santo, que constitui a base da Igreja. Quando Pedro confessou Cristo como o Filho do Deus vivo, a resposta de Cristo foi: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.17-18)

Que pedra? Pedro? Longe disso. “Esta pedra” quer dizer simplesmente a revelação do Pai acerca de Cristo, como o Filho do Deus vivo – o único meio mediante o qual alguém é agregado à Assembléia de Cristo. Ora isto abre-nos o verdadeiro caráter do evangelho. É uma revelação por excelência – uma revelação não apenas de uma doutrina, mas de uma Pessoa – a Pessoa do Filho. Esta revelação, sendo recebida pela fé, atrai o coração para Cristo, e torna-se a origem de vida e poder – o terreno de confraternidade; o poder de comunhão. “Quando aprouve a Deus... revelar seu Filho em mim” (Gl 1.15,16). Aqui temos o verdadeiro princípio da “pedra”, a saber, Deus revelando o Seu Filho. É desta maneira que a superestrutura é levantada; e repousa sobre este fundamento sólido, segundo o propósito eterno de Deus

O Servo Fala de Isaque

É portanto especialmente instrutivo encontrar neste capítulo 24 de Gênesis uma tão notável e encantadora figura da missão e do testemunho especial do Espírito Santo. O servo de Abraão, buscando uma noiva para Isaque, mostra toda a dignidade e riqueza com que o pai o havia dotado; o amor de que ele era alvo; e, em suma, tudo que era calculado para enternecer o coração e afastá-lo das coisas temporais. Ele mostrou a Rebeca um objetivo à distância, e pôs diante dela a bem-aventurança de ser tornada em um com aquele ente amado e altamente favorecido. Tudo o que pertencia a Isaque viria a pertencer também a rebeca, quando ela se tornasse parte dele. Este foi o seu testemunho. Este é, também, o testemunho do Espírito Santo. Ele fala de Cristo, da glória de cristo, da beleza de Cristo, da plenitude de Cristo, da graça de cristo, das “riquezas incompreensíveis de Cristo”, da dignidade da Sua Pessoa e da perfeição da Sua obra

Além disso Ele foca a bem-aventurança espantosa de sermos um com Cristo, “membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos”. Tal é o testemunho do Espírito; e nele temos a pedra de toque por meio da qual podemos provar todas as espécies de ensino e pregação

O ensino mais espiritual será sempre caracterizado por completa e constante apresentação de Cristo; Ele será sempre o motivo de tal ensino. O Espírito não pode fixar a atenção em coisa alguma senão Jesus. Deleita-Se em falar d’Ele. Compraz-Se em mostrar os Seus atrativos e as Suas perfeições. Por isso, quando alguém fala do poder do Espírito de Deus haverá sempre mais de Cristo do que qualquer outra coisa no seu ministério. Numa tal pregação haverá pouco lugar para a lógica e a razão. Estas coisas podem ser muito boas quando alguém deseja mostrar-se, porém o único objetivo do Espírito – notem bem todos os que exercem o ministério – será sempre o de revelar Cristo.

Rebeca Vai ao Encontro do Esposo

Pensemos, agora, por último, nos resultados de tudo isto. A verdade e a aplicação prática da verdade são duas coisas muito diferentes. Uma coisa é falar das glórias da Igreja, e outra inteiramente diferente ser-se praticamente influenciado por essas glórias. No caso de Rebeca o efeito foi notável e decisivo. O testemunho do servo de Abraão ecoou aos seus ouvidos e penetrou fundo no seu coração e desligou inteiramente as afeições de seu coração das coisas que a rodeavam. Estava pronta a deixar tudo e abalar, a fim de conhecer tudo que lhe havia sido contado. Era normalmente impossível que ela pudesse ser o alvo de um tão elevado destino e continuasse todavia no meio das circunstâncias da natureza. Se aquilo que lhe era dito quanto ao futuro era verdadeiro, prender-se com o presente seria a pior de todas as loucuras. Se a esperança de ser a esposa de Isaque, co-herdeira com ele de toda a sua dignidade e glória, era uma realidade, continuar a apascentar as ovelhas de Labão equivaleria a desprezar tudo quanto Deus, em graça, havia posto diante de si

Mas não, as perspectivas eram brilhantes demais para serem desprezadas. Verdade é que ela não havia ainda visto Isaque, nem a herança, mas acreditou no testemunho dado a seu respeito, e recebeu, com efeito, o penhor desse testemunho; e estas duas coisas eram suficientes para o seu coração; e por isso ela levantou-se sem hesitação e mostrou o seu desembaraço em partir na sua decisão memorável: “irei”. Ela estava inteiramente pronta a fazer uma jornada desconhecida na companhia de um que lhe havia falado de um objetivo distante e de glória ligada com ele, à qual ela estava preste a ser elevada. “Irei”, disse ela, e, esquecendo as coisas que atrás ficavam, e avançando para as que estavam diante dela, prosseguiu... pelo prêmio da vocação de Deus (Fp 3.13,14). Exemplificação bela e tocante esta da Igreja sob a condução do Espírito Santo de viagem para ir ao encontro do Noivo celestial. Isto é o que a Igreja deveria ser; mas, infelizmente, existe nisto fracasso triste. Há muito pouco daquela alegria santa em pôr de lado todo o peso e embaraço no poder da comunhão com o Guia Santo e Companheiro do nosso caminho, cuja missão e deleite é receber do que é de trazer-nos saber, precisamente como o servo de Abraão recebeu as coisas de Isaque e deu-as a Rebeca. Sem dúvida, ele achou gozo em lhe dar mais pormenores acerca do filho de seu senhor, à medida que avançavam para o cumprimento de toda a sua alegria e glória. É assim, pelo menos, com o nosso guia e companheiro celestial. Ele deleita-Se em falar de Jesus, “Ele... há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” e, “vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13,14)

E é isto precisamente que nós necessitamos, este ministério do Espírito de Deus, mostrando Cristo às nossas almas, produzindo em nós desejo ardente de O ver como Ele é, e sermos semelhantes a Ele para sempre. Nada senão isto jamais desligará os nossos corações da terra e da natureza. O quê, a não ser a esperança de se ligar a Isaque, poderia ter levado Rebeca a dizer “irei”, quando o seu irmão e sua mãe disseram “fique a donzela conosco alguns dias, ou pelo menos dez dias”? Assim é conosco: nada, senão a esperança de vermos Jesus como Ele é, e de sermos semelhantes a Ele, nos poderá habilitar ou levar a purificarmo-nos a nós próprios, assim como Ele é puro (1Jo 3.3)



Fonte: Capítulo 24 do livro “Estudos sobre o livro de Gêneses” da coleção “PENTATEUCO”

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