domingo, 15 de maio de 2011

A IGREJA NO TEMPO DO FIM - IRMÃO JESSIE PENN-LEWIS.




Esta é uma hora de grandes movimentos. O mundo todo está num estado de revolta, e “visões mundiais” de todos os tipos estão prendendo a muitos. A grande questão é: estão essas “visões mundiais” em harmonia com a Palavra de Deus? O diabo pode dar “visão mundial” (Mt 4.8), e por essa razão é necessário que tenhamos nossa visão ajustada às condições que a Bíblia revela como as que caracterizariam os últimos dias.

Vamos primeiramente olhar, de maneira breve, a mensagem do Senhor glorificado para Filadélfia, conforme registrado em Apocalipse 3.7-13, pois esta é a primeira referência à Sua “vinda breve” que encontramos nestas cartas às Igrejas.

1. A verdadeira Igreja no tempo do fim

Note que (1) será um tempo em que tudo ao redor dos cristãos será tão antagônico para todo serviço do evangelho que somente o próprio Senhor estará apto a abrir portas para Sua mensagem e Seus mensageiros e mantê-las abertas (vv. 7,8); (2) um tempo em que Seu povo terá apenas “pouca força” comparado às forças contra ele; (3) um tempo em que o máximo que é possível será vitória negativa, isto é, a vitória do que eles não farão, e não do que eles são capazes de cumprir — “não negaste o Meu nome” (v. 8).

No mundo religioso (4) será um tempo de confissão (v. 9) sem verdadeira comunhão com Deus, e (5) um tempo em que a única palavra que o Senhor falará ao Seu povo será “paciência”: “guardar a palavra da Minha paciência” (v. 10). Nada mais será possível. Nada de “progresso” ou “faça grandes coisas”, mas paciência. Nessa condição, da paciência de Deus trabalhada em Seus santos, Ele será capaz de mantê-los no “recôndito do Seu tabernáculo” durante as trevas que precedem a hora terrível que está por vir sobre a terra habitada (v. 10). Se o Seu povo é impaciente, eles não podem ser guardados de ser envolvidos nas tribulações e sofrimentos, pois a impaciência leva o crente para fora do cuidado poderoso de Deus, provavelmente mais do que qualquer coisa.

O Senhor, portanto, fala: “como guardaste a palavra da Minha paciência, também Eu te guardarei”. Para os santos será também (6) um tempo de conflito, no qual o preço da coroa está em risco. “Guarda o que tens para que ninguém tome a tua coroa” (v. 11).

2. A condição do mundo no tempo do anticristo

Agora vamos passar a ver as condições do mundo nos últimos dias, quando o anticristo tiver sido revelado, conforme registrado em Apocalipse 13.1-18. Aqui temos uma figura completa do reino do anticristo em dois aspectos: civil e religioso.

Quando a “besta”, o anticristo, obtém o trono do mundo, e “grande autoridade”, a condição das coisas, como descrita em Apocalipse 13, não terá chegado àquele ponto repentinamente, mas será o resultado climático de trabalhos forjados previamente por espíritos do anticristo (ver 1Jo 2.18). Conseqüentemente, quanto mais perto chegamos da volta do Senhor, mais os crentes descritos na mensagem à Filadélfia se encontrarão à negra sombra do reinado vindouro da besta e serão capazes, à luz da Palavra de Deus, de ver progressivamente as evidentes características marcantes do terror por vir.

Vamos ver brevemente algumas das linhas centrais do que é descrito em Apocalipse 13 e nos perguntar se já não vimos alguns dos sinais daquilo que está à frente. Note primeiramente que toda situação será resultado direto dos planos e do poder do dragão. “O dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono e grande autoridade” (v. 2). Diz claramente que o dragão governará o mundo através de dois instrumentos: a besta — o anticristo —, como cabeça de toda autoridade civil, e o falso profeta, como cabeça de todos os movimentos religiosos da época (vv. 11,12).

Observe algumas das características fundamentais da besta:

1) ela recebe adoração, reverência de todo o mundo, e, através desta reverência à besta, o dragão obtém adoração mundial, pela qual havia anelado desde o momento em que disse, em eras remotas: “serei como Deus” (Is 14.14). Sua grande ambição é obter a adoração devida apenas ao Mais Elevado, e ele obtém isso por um breve período antes do Senhor retornar em glória.

2) Observe as descrições impressionantes dadas das características principais da besta, pelas quais “toda a terra se maravilhou” dela e rendeu-lhe adoração. Ela teve uma “chaga mortal” que foi curada.

A besta foi1 alguém miraculosamente curado. E curado tão assombrosamente que “toda a terra se maravilhou” e se curvou diante de tal evidência de poder sobrenatural. Isso mostra claramente que o dragão é capaz de “curar” e falsificar a ressurreição do Senhor, e que o anticristo e o falso profeta obterão seu poder sobre “todos os que habitam sobre a terra” inteiramente pelo poder satânico. (3) A influência da besta foi exercida principalmente através do discurso; “falando grandes coisas e blasfêmias”; ela blasfemou contra Deus, contra Seu nome, contra Seu tabernáculo, contra os céus e os redimidos que habitam no céu. Que terrível descrição do estado do mundo sob o governo do arcanjo caído, Satanás! Blasfêmias abertas contra Deus e contra todos os que Lhe pertencem, penetrando através de “toda a tribo, e língua, e nação”. (4) À besta foi permitido fazer guerra aos santos, para vencê-los e matá-los e, ao fazê-lo, ele aparentemente se torna o mestre de toda terra habitada (v. 7).

3. O cordeiro falsificado e seus milagres

Na segunda besta, vemos uma descrição extraordinária de uma imitação sobrenatural da verdadeira obra do Espírito Santo de Deus. Parece que o anticristo pode apenas obter e manter seu poder sobre toda a terra por meio de uma falsa religião, com sinais dos céus para provar que ela veio de Deus. A figura toda (vv. 11-18) é de uma imitação sobrenatural de realidades divinas — não de apostasia intelectual — e de uma forma de divindade sem o poder.

A segunda besta ressuscita na forma de um cordeiro, imitando Cristo, o verdadeiro Cordeiro de Deus, apenas distinguível do verdadeiro por seu discurso, por seus ensinamentos e doutrinas. Ele se parecia com um cordeiro, mas falava como um dragão (v. 11). Ele tinha poder equivalente ao da primeira besta, com semelhante influência (v. 12), e foi totalmente devotado a induzir todos os habitantes da terra a adorar o anticristo e, não vamos nos esquecer, tudo isto por trás do anticristo, o dragão (v. 4).

Como o falso cordeiro obtém a “adoração”? (1) Ele fez “grandes sinais” (v. 13). (2) Ele fez descer fogo do céu, não de baixo, mas do céu, no qual o príncipe do poder do ar vagueia à vontade (v. 13). (3) Ele engana os habitantes da terra por meio de milagres (v. 14). (4) Ele estava apto a dar vida a uma imagem da besta e induzi-la a falar (v. 15), mas tudo será forjado pelo “poder” suprido pelo dragão.

4. Os santos vencedores no tempo do anticristo

E os cristãos verdadeiros? Não há exceções para esta reverência mundial à besta e para o dragão por trás dela? Sim! Os santos do Calvário viram o poder por trás dos fatos, e recusaram-se a adorar (v. 8). E qual foi o resultado? A besta tinha “poder para fazer com que todos os que não adorassem (…) fossem mortos” (v. 15).

Aqui há um vislumbre do poder do dragão para matar os santos que se recusam a reverenciá-lo. E posteriormente, “faz que a todos (…) lhes seja posto um sinal (…) para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal” (vv. 16, 17). Isso foi para subjugar pela fome aqueles que não adorassem. No mundo ímpio, podemos ver o crescente trabalho de espíritos anticristãos blasfemando contra Deus, e no mundo religioso, espíritos anticristãos imitando Cristo e fazendo grandes maravilhas.

Diante deste quadro panorâmico dos dias vindouros, e do inegável fato de que já estamos na preparação mundial para sua plena manifestação, a grande questão para a Igreja agora é: “O que esperamos de Deus em tal tempo?” As Escrituras nos mostram Deus fazendo “sinais e prodígios” em competição com as “imitações” que o espírito do anticristo e do falso profeta já está fazendo na terra? Ou a figura enfatiza que o único poder que capacitará os santos a permanecer nos dias maus é o conhecimento da cruz, e que o único caminho para eles é o caminho da cruz?

5. Os santos do Calvário antes e durante o reinado da besta

“Todos (…) adoraram-na, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida, do Cordeiro morto desde a fundação do mundo” (v. 8). O quadro é de todos os habitantes da terra dando ao dragão adoração, exceto, em toda a terra, dos santos do Calvário, aqueles que sustiveram a única verdade do Cordeiro morto, e aqueles que preferem morrer por Ele a render um ato sequer de adoração ao dragão (Ap 12.11). Isso não se parece com Deus vindo com sinais e prodígios para combater os imitações de Satanás.

Antes, isto está na linha dos princípios da obra de Deus descritos pelo Senhor. “E nenhum sinal lhes será dado, senão o sinal do profeta Jonas” (Mt 16.1-4). “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e noites no seio da terra” (12.38-40). O único sinal que Deus deu aos judeus que pediram a Cristo um “sinal do céu” foi sua morte no Calvário, e o grande sinal que haverá Dele nos dias do anticristo será Seu testemunho da morte resgatadora de Seu Filho por meio daqueles que partilham do Espírito de Cristo, sacrificando a própria vida por Ele.

Isso parece confirmado também em Apocalipse 20.4-6. Aqueles que “viveram e reinaram com Cristo durante mil anos” eram aqueles que tinham sido mortos por seu testemunho do Cordeiro morto e por manter a Palavra de Deus, e eram estes os que não adoraram a besta nem receberam sua marca para poder comprar e vender e, então, viver. Pelo fato de todas essas condições estarem presentes na terra, parece claro que não há promessa para os últimos dias de movimentos de “sinais e prodígios” dados por Deus, nem mesmo de um ajuntamento rápido de multidões de almas para Cristo. Mas haverá movimentos mundiais permitidos pelo príncipe do poder do ar quando o evangelho da cruz será omitido ou obras fraudulentas de espíritos do anticristo visando a encobrir a mensagem da cruz em seu pleno poder. Tampouco há base alguma para esperar por um triunfo visível dos santos vencedores, pois “foi-lhe [à besta] permitido fazer guerra contra os santos e vencê-los” (Ap 13.7).

6. O conhecimento da cruz é necessário nos últimos dias

“O Cordeiro morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8). É surpreendente encontrar essa declaração no meio do manifestado reinado do anticristo sobre o mundo. A expressão engloba toda a obra de Cristo no Calvário, como o Cordeiro que morreu por aqueles cujo nome está no Seu livro da vida. A única necessidade para os filhos de Deus no tempo do fim é conhecer, em toda a sua plenitude, o significado da cruz, para usar isso como uma arma de vitória sobre o dragão em todos os seus vários ataques contra o povo de Deus.

7. Como distinguir o verdadeiro poder do falso

Não há também “obras elevadas”, “curas” de Deus e “milagres” feitos por Ele? Seguramente há, mas a diferença entre as obras forjadas do anticristo e a obra do Espírito Santo é que o verdadeiro poder de Deus invariavelmente alcança a alma via Calvário, não por meio de espetacular “competição” com os prodígios prenunciados dos espíritos de Satanás, de modo que o mundo espectador dos homens não pode distinguir o falso do verdadeiro, mas numa profunda aplicação trabalhada interiormente, pela palavra da cruz como o poder de Deus, pelo Espírito de Deus, por meio do qual o crente é liberto, não apenas do poder do pecado, mas também é-lhe dado conhecer, em sua carne mortal, a vida pela qual Jesus venceu a morte em toda a força do seu poder.

Os “milagres” de Deus não são sempre externamente cumpridos, mas trabalhados no íntimo do espírito do homem via Calvário. Mais profundo e mais pleno do que qualquer cura do corpo é a maravilhosa obra de Deus, pela qual “aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos” vivifica o corpo mortal (Rm 8.11) do crente, tanto que ele é “entregue à morte diariamente por causa de Jesus” (2Co 4.10-12).

“Por seus frutos o conhecereis”, disse o Senhor a seus discípulos, pois o fruto, como resultado da vida interior, revela a origem oculta de ação. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus (…) muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” (Mt 7.15-23). Os feiticeiros no Egito, trabalhando pelo poder de Satanás, puderam produzir “sangue” falso (Êx 7.22) e o inimigo sutil é capaz de introduzir seus “prodígios” sob uma imitação do “sangue do Cordeiro”, como visões do “sangue” cobrindo a alma, e “rios de sangue” enchendo uma sala. Mas o sangue do Senhor Jesus Cristo fala nos céus no trono de misericórdia, e não tem forma material em sua aplicação para o crente.

“Os discípulos chegaram-se a Ele, em particular, e lhe pediram: Dize-nos (…) que sinal haverá (…) da consumação do século. E ele lhes respondeu, dizendo: porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24.3,24). Ele não diz que enganar os eleitos não é possível, mas, sim, que o propósito do impostor é alcançá-los.

“Vede que vo-lo tenho predito”, disse o Mestre, mostrando claramente que é através de “sinais e prodígios” que o perigo virá aos sinceros filhos de Deus, num tempo em que anormalidades serão abundantes, e em que o amor esfriará de muitos. Nestes dias perigosos vamos vigiar e ser sóbrios (1Ts 5.6; 1Pe 4.7).

1No original, o verbo está no passado, provavelmente para concordar com os verbos em Apocalipse, todos sempre no passado. (N.E.)

Jessie Penn-Lewis

(Extraído da extinta revista O Chamamento Celestial 4, publicada por CCC Edições, abril de 2002)

Site Campos de Boaz


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Exaltando o Senhor“Todo-Poderoso , aquele que era , que é, e que há de vir.”
“Ora, vem, Senhor Jesus!”

A IGREJA E AS IGREJAS - IRMÃO WATCHAMAN NEE.




A Palavra de Deus nos ensina que a Igreja é uma só. Por que então os apóstolos fundaram igrejas em cada lugar que visitaram? Se a Igreja é o Corpo de Cristo, Ela só pode ser uma. Assim, como podemos falar de igrejas?

O vocábulo igreja quer dizer os chamados para fora . Esse termo é usado duas vezes nos Evangelhos: uma vez em Mateus 16:18 e outra em 18:17. Além disso, achamos esse vocábulo freqüentemente em Atos e nas Epístolas. Nos Evangelhos o termo é usado pelo Senhor nas duas ocasiões, mas é empregado em sentido diferente em cada vez.

“Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre essa rocha edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Que igreja é essa? Pedro confessara que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo, e o nosso Senhor declarou que edificaria a Sua Igreja sobre essa confissão, a de que, quanto à Sua Pessoa, Ele é o Filho de Deus, e, quanto à Sua obra, Ele é o Cristo de Deus. Essa Igreja compreende todos os salvos, sem referência a tempo ou a espaço, a saber, todos os que são redimidos no propósito de Deus por meio do sangue derramado do Senhor Jesus, e nasceram de novo mediante a operação do Seu Espírito. Essa é a Igreja universal, a Igreja de Deus, o Corpo de Cristo.

“E, se ele recusar ouvi-los, dize-o à igreja” (Mt 18:17). O vocábulo igreja é usado aqui num sentido bem diferente do de 16:18. A esfera da igreja a que se refere o termo aqui é claramente não tão abrangente como a esfera da Igreja mencionada na passagem anterior. Em 16:18, Igreja é a Igreja que não conhece tempo ou espaço, mas a igreja em 18:17 é obviamente limitada, tanto ao tempo como ao espaço, pois pode-se falar a ela. A Igreja mencionado no capítulo 16 inclui todos os filhos de Deus em todas as localidades, ao passo que a Igreja mencionada no capitulo 18 inclui somente os filhos de Deus que vivem em uma localidade; e é por ser limitada a um só lugar que é possível dizer aos crente que a compõe quais são as nossas dificuldades. É óbvio que a igreja aqui é local, e não universal, pois ninguém consegue falar de uma só vez a todos os filhos de Deus em todo o universo. Só é possível falar de uma só vez aos crentes que vivem num só lugar.

Temos claramente perante nós dois aspectos da Igreja: a Igreja e as igrejas, ou seja, a Igreja universal e as igrejas locais. A Igreja é invisível; as igrejas são visíveis. A Igreja não tem organização; as igrejas são organizadas. A igreja é espiritual; as igrejas são espirituais, contudo físicas. A Igreja é puramente um organismo; as igrejas são um organismo, contudo são ao mesmo tempo organizadas, fato esse comprovado por haver nelas presbíteros e diáconos.

Todas as dificuldades da Igreja surgem em conexão com as igrejas locais, e não com a Igreja universal. Esta é invisível e espiritual; logo, ultrapassa o limite humano, ao passo que aquelas são visíveis e organizadas; logo, são passiveis de ser tocadas por mãos humanas. A Igreja celestial é tão distante do mundo que é possível não ser afetada por ele, mas as igrejas terrenas são tão próximas a nós que, se surgem problemas nelas, nós os sentimos vividamente. A Igreja invisível não põe a prova a nossa obediência a Deus, mas as igrejas visíveis nos provam severamente, pondo nos frente a frente com questões no plano intensamente prático da vida terrena.

Extraído do livro: A Vida Cristã Normal da Igreja – Editora Árvore da Vida

A IDENTIDADE DO TESTEMUNHO DA IGREJA - IRMÃO GINO IAFRANCESCO VILLEGAS




Oremos

“Senhor, obrigado Pai pelo Senhor Jesus, obrigado Pai em nome do Senhor Jesus, obrigado Senhor pelo teu Espírito, pela tua fidelidade, pela tua bondade, pela tua presença, pela tua realidade, obrigado Pai; confiamos integralmente nosso ser ao Senhor; guarda-nos de nós mesmos e do inimigo; na tua confiança em Cristo Jesus. Amém”


A NOSSA HERANÇA

Irmãos, tenho para compartilhar com a Igreja aqui em Almirante Tamandaré, algo que o Senhor em várias ocasiões e em vários lugares me coloca para compartilhar com diversas igrejas. Isto que vou falar com os irmãos é algo que tenho falado também em outros lugares. Quem sabe algumas coisas vocês já conhecem, possivelmente tudo, mas é a carga do Espírito lembrar aos irmãos alguns pontos essenciais

A carga do meu coração para com a Igreja hoje aqui é para que o Espírito Santo possa nos dar discernimento da identidade de nosso testemunho. Nós, a Igreja, somos um testemunho do Senhor na terra, e o Senhor tem encomendado à Igreja, somente à Igreja, certas “coisas”, e vou falar “coisas” entre aspas porque é claro que o que o Senhor deu é muito mais do que “coisas”, Ele mesmo se deu, mas para resumir vamos usar uma palavra fácil

Às vezes com muita facilidade nós nos perdemos pelos ramos, ficamos pela periferia; às vezes damos voltas pela periferia sem discernir as prioridades e sem discernir o conteúdo que nos foi confiado. Então gostaria de chamar a atenção para alguns itens deste conteúdo que o Senhor deu à Igreja. Como estávamos cantando, “é a nossa posse, é a nossa herança”, é algo que somente nós, a Igreja, temos. É algo que é particular dos cristãos, particular da Igreja, você não encontra isso nem se quer nos monoteísmos judaico ou islâmico. Somente que, o que vamos lembrar e tomar consciência de novo, é algo próprio da nossa identidade cristã, e se encontra somente na Igreja. Não se encontra nem mesmo na academia ou na ciência, a menos que entre eles existam alguns irmãos, mas não quanto a acadêmicos, não quanto a cientistas, mas quanto a irmãos, a academia pode ter algumas destas coisas que vamos estar lembrando


OS FILHOS NOVOS

Vamos imaginar que estamos abrindo um livro e que chegamos àquela página inicial onde aparece o conteúdo, o índice, onde aparecem mencionados os títulos dos capítulos. Se você quer ter uma idéia do que trata o livro, você lê o conteúdo e então tem uma idéia do que trata este livro, qual é o tema do livro. Isso é o que vamos fazer hoje à noite. Vamos somente dar uma olhada panorâmica; vamos com a ajuda do Senhor identificar alguns itens de suprema importância para a Igreja, os quais foram confiados à Igreja, são nosso tesouro, têm que ser nossa riqueza constante e nosso testemunho

Como o Senhor constantemente está recebendo filhos, e a mãe Igreja, como Paulo diz em Gálatas, está também tendo seus filhos para o Senhor, então a Igreja precisa estar alimentando bem aos filhos novos. Eles precisam conhecer quais são os “assuntos”, e vou falar entre aspas, porque não são só “assuntos” fundamentais. Cada um destes itens que vamos mencionar tem sido terrivelmente atacado pelo diabo. O diabo procura no máximo possível evitar que essas “coisas” sejam claras para a Igreja. Ele procura por todos os lados nos confundir, introduzir heresias, confusões, nos afastar do central e nos levar pelas periferias e pelos ramos. Então irmãos, gostaria que tomássemos nota em nosso coração para não esquecermos algumas “coisas” que gostaria de mencionar


A TRINDADE

A primeira palavra que devemos tomar em conta, a primeira “coisa”, e não é “coisa”, que foi confiada à Igreja, a qual é o maior tesouro da Igreja e que é também o maior espetáculo, porque existem alguns espetáculos, e o maior espetáculo que sempre seguirá sendo por toda a eternidade é a própria Trindade. O próprio Deus que se revelou a nós como um Deus que é trino. Um Deus que é Pai, Filho que também é Deus com o Pai, e o Espírito Santo que é o Espírito do próprio Deus, que também é divino. Como Deus poderia ter um Espírito que não fosse divino? Que fosse uma meia “coisa” ou “coisa”? Todo o Deus é divino, o Pai, o Filho e o Espírito Santo de Deus são o único Deus, mas este Deus se revelou trino à Igreja. Só a Igreja conhece a Deus em Trindade

O diabo procurou combater isto introduzindo, desde o começo da história da Igreja, heresias para confundi-la, para que ela não conhecesse a Deus e a Cristo. Se a Igreja não conhece a Cristo, não conhece Deus. Se a Igreja não recebe a Cristo, não recebe a Deus. Se não honra ao Filho não honra ao Pai. Irmãos, essa é a grande tragédia daqueles outros monoteísmos que não são o monoteísmo da Igreja. A grande tragédia do judaísmo que rejeitou ao Messias Jesus Cristo, a grande tragédia do islã que ama ao único Deus, que eles chamam Alá, e querem dar a vida por ele. Muitos estão se suicidando com bombas em uma guerra santa por motivos religiosos. Eles estão fazendo isso pensando que o fazem por Deus. Que coisa triste é isso, mas é verdadeira e tem que ser dita. Quem não recebe ao Filho, não recebe ao Pai; quem não tem o Filho, não tem tampouco o Pai; quem não honra ao Filho, não honra ao Pai

O único monoteísmo verdadeiro é o monoteísmo do cristianismo. É o monoteísmo, usando esta palavra da história da Igreja, trinitário. Esse é o maior espetáculo; não existe maior foco para nos concentrar e que nos atrai do que o próprio Deus. O assunto da Trindade não é somente um assunto teológico para os seminaristas ou quem sabe para os pastores ou alguns mestres. Deus se revelou trino à Igreja e isso é para toda ela. A Igreja conhece a Deus pelo Espírito e por Cristo. Graças ao Espírito conhecemos a Cristo e graças a Cristo conhecemos a Deus nosso Pai

A primeira “coisa” importante que foi revelada à Igreja, foi o próprio Deus. A criação, e ainda a redenção, foram reveladas somente por causa de Deus. Primeiramente estava o Pai e o Filho com o Espírito Santo; e foi por causa deste relacionamento interno da Trindade que veio a existir a criação e a redenção. A criação e a redenção têm origem e têm um destino que é a Trindade




A Trindade abrange tudo, é o “Alfa” e o “Omega”, tudo está nela. Foi porque o Pai amou o Filho e então quis dar-lhe um presente é que criou no Filho e com o Filho. Com Ele planejou e criou, nEle e para Ele; o Pai fez tudo no Filho. Esse é um assunto entre o Pai e o Filho. A criação, a redenção e o evangelho é um assunto entre o Pai e o Filho. É o Pai que ama o Filho e quer fazê-Lo marido de uma mulher, de uma esposa mística, a Igreja. Quer casá-Lo, quer que Ele seja o Cabeça de todas as coisas, de todo principado e potestade, e de todo varão, mas principalmente da Igreja. Ele quer casar Seu Filho com a Igreja; quer que Seu Filho Unigênito seja o Primogênito entre muitos irmãos. Todas as coisas foram feitas por causa deste relacionamento íntimo de Deus, o Pai com o Filho no Espírito Santo


O RELACIONAMENTO NA TRINDADE

Irmãos, vamos continuar martelando mais neste ponto. Depois, se Deus nos conceder, passaremos para outros pontos; vamos nos deter um pouco mais aqui. O fato de que Deus tem um Filho Unigênito Eterno com Ele no Seu seio desde a eternidade e que Deus delegue a Ele o que delegou, isso nos fala muito de Deus. Conhecemos a Deus por causa do Filho; Deus tem um Filho e aí vemos a essência e natureza de Deus que é amor. Conhecemos a Deus, a Sua essência e a Sua natureza, porque Deus tem um Filho e agradou ao Pai que no Filho habitasse toda a plenitude; isso nos revela Deus. Se Deus não tivesse um Filho, se o Deus único não tivesse um Filho igual a Ele mesmo, seria que Deus é amor? Mas o Deus único, centro legítimo de todas as coisas, princípio e fim de tudo, um Deus que é amor, diz que tem um Filho. Tudo o que Deus faz, o faz por causa da paixão que tem pelo Filho. É um Deus que não faz nada sem o Filho

Deste relacionamento interno da Trindade resulta o modelo e a dinâmica para as famílias, para a Igreja e para a sociedade, se receberem a Cristo e ao testemunho da Igreja. Este assunto da Trindade não é somente teológico, mas é extremamente prático; é sociológico e psicológico. Da Trindade vem a realização de todas as coisas; todas as coisas se realizam na Trindade, pela Trindade, diante dela e para ela. O “assunto” da Trindade é uma grande prioridade que a Igreja tem que ter e nunca deve esquecê-la


O CONHECIMENTO DA TRINDADE

Quanto temos que aprender ao ver com olhos espirituais este espetáculo. Que o nosso espírito possa ver o espetáculo da Trindade. Não estou falando somente da doutrina intelectual da Trindade, ainda que precisamos do intelecto, pois Deus nos deu e precisamos dele, mas estou falando de uma percepção espiritual da Trindade. É do relacionamento do
Pai com o Filho que o Espírito Santo nos faz conhecer e perceber a Trindade. Na medida em que vamos percebendo, vamos sendo conquistados, vamos cedendo a Ele e a essa visão dEle. O Pai vai transferindo o que é dEle a nosso ser e vamos sendo transformados na medida em que conhecemos a Deus na Sua Trindade

Quantas coisas o Pai poderia ter feito sozinho, mas Ele nunca quis. Nada do que foi feito foi feito sem o Filho. Antes de fazer, diz Provérbios capítulo 8, a Sabedoria de Deus, que é Cristo conforme primeira aos Coríntios 1:24, estava como o Seu Arquiteto. O Filho é o Arquiteto do Pai. Um arquiteto trabalha em comum acordo e segundo os interesses, a personalidade, o caráter e os objetivos do dono do que ele está fazendo. O Pai quer construir uma casa e o Arquiteto tem que conhecer o que Pai quer. Eles conversam e dizem: "Vamos fazer isso aqui, vamos colocar isso ali, vamos levantar isso assim"

Irmãos, olhem para o caráter de Deus, que é onipotente, que sabe tudo, que não precisa de nada, e é um Deus que compartilha a criatividade e não quer fazer nada sozinho. Os que são casados vão me entender, especialmente os que viajam. Quando saímos de viajem e vemos uma paisagem formosa, a primeira coisa que pensamos é: ‘Ah se ela estivesse comigo para que eu pudesse mostrar tudo isso a ela, para que ela se alegrasse comigo e para que eu desfrutasse com ela desta paisagem. Olhe que mar tão lindo! Olhe que montanhas e bosques!’ Queremos sempre compartilhar. Quando Deus falou: “não é bom que o homem esteja só”, não falou somente do homem Adão que era a figura daquele que viria. Em Romanos 5 fala sobre isso e em segunda aos Coríntios fala de Eva tipificando a Igreja. Paulo disse que não queria que assim como Eva foi enganada pela serpente a Igreja fosse também enganada. Ele estava comparando Eva com a Igreja e Adão com Cristo


A TRINDADE NA CRIAÇÃO

Assim, essa Palavra: “não é bom que o homem fique só”, nasce do caráter de Deus; e por causa do Seu caráter Ele tomou essa determinação; esse foi o juízo de Deus, a Sua sentença: “Não é bom que o homem esteja só”; estar só é algo egoísta, é algo sem sentido. Deus é amor, e o que é bom e Aquele que é amor, compartilha o que é bom. Então Ele disse: “façamos uma ajudadora idônea para ele”; aqui Deus não estava falando somente de Adão e Eva; claro que também estava falando deles, mas estava falando mais. Adão e Eva são uma figura e também são pessoas históricas reais que servem de figura assim como Abraão, Sara, Agar, Ismael, Isaac que são personagens da história mas que servem de alegoria. Assim Adão é o primeiro homem histórico e Eva a primeira mulher histórica e por detrás destas pessoas históricas Deus está projetando revelação. Ele constituiu estas pessoas históricas, Adão e Eva, como figuras; por isso Ele disse: “Deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne.” “Mas eu digo isto”, disse Paulo, “de Cristo e a Igreja”, ou seja, o matrimonio é uma figura mística do mistério de Cristo e a Igreja; O que expressa Cristo e a Igreja? Expressa o caráter de Deus, Ele é amor

“Não é bom que homem esteja só”; assim como Deus, que é suficiente em si mesmo, que é amor, não ficou tranqüilo se não criasse. Se Ele tivesse criado somente até certo nível, não ficaria tranqüilo. Assim Ele tomou a decisão, o Pai o Filho e o Espírito Santo juntos: “Façamos o homem a nossa imagem e nossa semelhança”. Vamos fazer uma criatura que não fique pela metade, nem noventa por cento, mas vamos fazer uma criatura que seja como nós. Assim foi sempre, o Pai com o Filho, e continua sendo com o homem, com a Igreja; esse é o caráter de Deus. Quando vemos a relação do Pai com o Filho no Espírito, daí provem toda classe divina de inspiração e de realização

Ele é o Seu Arquiteto diante de Deus; “comigo são suas delícias” disse a Sabedoria de Deus que é Cristo, o Filho, o Verbo de Deus. Ele é a Palavra que expressa Deus. Cada palavra expressa uma coisa; microfone expressa isso; flor expressa isso; Bíblia expressa isso; mesa expressa isso; mas o Verbo de Deus é a Palavra que expressa e define claramente a Deus. É o Verbo de Deus que é a Palavra que expressa o autoconhecimento e a Revelação de Deus. Ele sempre está com Deus como o Unigênito dEle


A VIDA NA TRINDADE

Como o Pai tem vida em si mesmo deu ao Filho também ter vida em si mesmo. Assim os dois têm vida em si mesmos, ou seja, a vida divina, a vida em si, a vida eterna, a vida que vem de si mesmo. Nós todos temos a vida que vem dEle. Nossa vida é contingente e depende dEle, mas a vida dEle é auto-suficiente, é vida em si mesma, a vida divina

A essência de Deus que o Pai tem, Ele quis que o Filho também tivesse, mas não quis no tempo, pois isto foi uma decisão na eternidade. Então o Filho tem a mesma essência do Pai; é tão divino quanto o Pai somente que é Unigênito e o Pai é Ingênito. O Pai gerou o Filho mas não no tempo, porque o Filho é Sua imagem com a qual Ele se conhece, e pela qual Ele se revela. A imagem do Deus invisível é o Filho, e o Pai é o Deus invisível. A imagem pela qual Ele se revela, porque primeiro se conhece para depois se revelar, é o Seu Filho

A imagem é o Filho. Ele tem vida em si mesmo dada, e o Pai tem vida em si mesmo sem que ninguém dê. Ninguém deu vida em si mesmo ao Pai, mas o Filho tem a mesma vida, essência e natureza do Pai, somente que dada pelo Pai, e por isso Ele é chamado de Unigênito

O Pai deu vida em si mesmo, deu a arquitetura, deu a criação, e esta é a característica do amor: delegação, participação e comunhão, que é querer fazer com o outro, envolver o outro e interessar-se pelo outro


O COMPARTILHAR NA TRINDADE

O Filho foi “contratado” como Arquiteto pelo Pai; Ele poderia fazer tudo sozinho, mas não quis fazer nada sem o Filho; tudo Ele faz pelo Filho. O Pai não precisa de anjos para nos cuidar, mas os anjos cuidam dos Seus santos; é do caráter de Deus. Um Deus que compartilha, que dá, que é solidário, que delega, que gosta da participação do outro, que gosta da realização e do gozo do outro. Conhecemos isso ao ver o Pai e o Filho

Vida em si mesmo, arquitetura, revelação de Deus também foi delegada ao Filho, que é o resplendor da glória do Pai. Ninguém pode ver o Pai diretamente senão através do Filho. O Pai é chamado o Deus invisível, mas se faz declarado através do Filho. Todas as aparições tiofênicas parciais de Deus na história bíblica foram através do Filho que é o Revelador de Deus. A revelação foi delegada ao Filho; não há revelação de Deus sem o Filho, assim como não há criação de Deus sem Ele; não há planificação sem o Filho; não há amor de Deus sem o Filho




A DELEGAÇÃO NA TRINDADE

Há outra coisa grande que o Pai delegou ao Filho. Que coisa! Que confiança imensa! O Pai conhecia o Filho e ninguém sabia do que Ele era capaz. Mas o Pai conhecia o Filho e sabia do que Ele era capaz. O Pai que criou com Seu Filho sabia da rebelião, da queda, da miséria e do mal que viriam. Ainda assim o Pai delegou ao Seu Filho três coisas mais: redenção, juízo e reino

O Pai delegou ao Filho a redenção. Que coisa terrível, pois, exigia a santidade, a justiça e a glória de Deus depois do pecado do homem. Quem faria isso? O Pai sabia quem era Seu Filho, quem faria isso e quem seria tão leal para dar a vida por Deus e pelo povo de Deus

O sacrifício de Cristo tem dois aspectos: o aspecto de holocausto que é só para Deus, para vindicar a Sua glória, a Sua santidade, a Sua justiça que foi ferida, blasfemada e ofendida pelo homem; e a outra parte, a qual nós precisamos, que é a expiação. A expiação é para nós, e o holocausto é para Deus

Deus tinha que ser satisfeito e nós tínhamos que ser remidos. E a quem confiou o Pai isso? Ao Filho. O Pai permitiu tudo para mostrar o Seu Filho; isso é uma coisa que o Pai gosta. Como o Pai ama o Filho, Ele sabe o que o Pai quer fazer. O Pai quer revelar o Seu Filho e quer mostrar quem Ele é. Tudo o que o Pai permitiu tinha como objetivo mostrar quem é Seu Filho. O deleite do Pai é o Filho e Ele quer compartilhar esse deleite que tem no Filho

O Pai quer que nós também conheçamos Seu Filho e ao conhecê-Lo verdadeiramente vamos querer de todo coração ser como Ele; vamos querer nos colocar nas mão de Deus para que Ele possa trabalhar em nós e nos faça semelhante a Seu Filho. Este será o maior gozo do Pai, ver Seu Filho sendo formado e aparecendo em outras pessoas, filhos dos quais Seu Filho é o Primogênito


A REDENÇÃO, JUÍZO E REINO NA TRINDADE

Irmãos, a redenção abriu o coração de Deus e mostrou o conhecimento que o Pai tem do Filho. Este plano de redenção executado pelo Filho, que foi provado em tudo porque Ele não foi eximido da provação, é uma coisa muito grande. O Filho não foi eximido da prova mas foi provado diante dos anjos e dos homens
Todos nós muitas vezes temos perdido a provação e temos sido reprovados. Mas graças a Deus que aquele Filho Unigênito de Deus que se fez Filho do Homem, que foi provado em tudo conforme a nossa semelhança, foi aprovado

A vida pública, e antes a privada, foram declaradas agradáveis a Deus por Ele próprio publicamente. Da vida privada, que ninguém conhecia, no momento do batismo Deus disse: “Este é meu Filho amado em quem tenho prazer”. Ninguém conhecia essa vida privada, só o Pai. Antes do ministério público o Pai declarou que tinha contentamento naquele Seu Filho. A vida privada foi vivida para agradar a Deus. Ninguém estava entendendo o que estava acontecendo, só Deus. Deus estava entendendo a vida privada e por isso deixou duas testemunhas no Novo Testamento, irmãos dEle: Tiago e Judas Tadeu. Estes irmãos de Jesus O chamam de “Kurios”, de Senhor. Eles aplicam palavras a seu irmão Jesus que só podem ser aplicadas a Deus. Pedro, Tiago, o outro Tiago mais velho, de Zebedeu, e João foram testemunhas do ministério público e viram a Sua glória na Sua transfiguração no monte Tabor. Mas Tiago e Judas Tadeu foram testemunhas de outra coisa, foram testemunhas da vida privada de seu irmão

Quando lemos a epistola de Tiago que diz: “Senhor Jesus Cristo”, para nós, depois de vinte e um séculos de cristianismo, pode não significar muito; mas ele, sendo Seu irmão na carne, chama-Lo de Senhor! Isso só se fala a Deus. Por isso Deus escolheu estas duas testemunhas no Novo Testamento. O Pai delegou a redenção ao Filho e Ele deu testemunho de uma vida irrepreensível

Depois delegou o juízo, e foi por isso que o Senhor Jesus disse: “O meu Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo juízo porque Ele é o Filho do Homem”. O Pai se absteve de julgar e preferiu confiar o juízo ao Seu Filho. Mas o Filho não julga por si mesmo senão que ouve ao Pai. Vemos nós aí este relacionamento formoso? Vemos que não existe outro espetáculo maior, outro assunto maior que a Trindade, que o relacionamento do Pai e o Filho no Espírito Santo. O Juiz que Deus constituiu para julgar a todos os homens e as demais criaturas, é o Seu Filho

Também delegou ao Filho o Reino, assentou o Filho à Sua destra, e é através dEle que conhecemos a Deus. Tudo isso, vida em si mesmo, arquitetura, criação, revelação, redenção, juízo e Reino, que são sete assuntos, mostram o que o Pai deu ao Filho

A IMPORTÂNCIA DA TRINDADE

O Pai quis ter um Filho; isso nos mostra como Deus é e como o Filho é. Do mesmo jeito que o Pai é com o Filho, o Filho é com a Igreja. Assim como o Pai deu ao Filho, o Filho deu à Igreja. Assim como o Pai quer fazer tudo com o Filho, o Filho quer fazer tudo com a Igreja. O Pai delega glória ao Filho e o Filho diz, “A glória que me deste eu dei a eles”. Assim como o Pai passa para o Filho e o Filho passa para a Igreja, a Igreja passa para os maridos, os maridos passam para suas esposas, os pais passam para os filhos, as famílias passam para a sociedade; é um rio de vida, de inspiração e de realização que vem da Trindade

Irmãos, vendo a Igreja a importância deste “item” fundamental, que é o próprio Deus, não pode haver outra coisa anterior a ele. Nada mais pode ter o primeiro lugar. Este primeiro “item”, Trindade, a Igreja precisa conhecer, a divindade do Filho, a eternidade do Filho, a coexistência eterna do Filho com o Pai, a co-inerência das divinas pessoas e o que é distintivo de cada pessoa na Trindade

Só estou falando isso, o primeiro “item”, para que a Igreja celebre. Voltemos aqui e coloquemos aqui de novo o enfoque, nesta relação interna de Deus o Pai o Filho e Espírito Santo


O ASSUNTO CENTRAL: A TRINDADE

Irmãos, quando o Espírito Santo começou a trabalhar na Igreja, quando lemos a história da Igreja podemos ver qual era a Sua tônica. Qual era o “assunto” ao qual o Espírito Santo estava conduzindo a Igreja nos primeiros séculos. Ele queria abrir os olhos da Igreja sobre quem é Jesus Cristo, que relação tem o Filho com o Pai

Alguns poderiam pensar que Jesus fosse um homem, ou um profeta que Deus adotou, acima do qual veio a unção; havia muitas opiniões acerca de Jesus. Mas o Espírito Santo esteve ensinando à Igreja, pois isto é o que Ele faria: “Quando vier… Ele me glorificará”. Quando o Espírito Santo veio começou a glorificar o Filho, a demonstrar quem é esse Filho. A Igreja começou a confessar a consubstancialidade do Filho com o Pai, e isto é o que escandaliza o judaísmo e o islã. O Espírito Santo mostrou à Igreja quem é o Filho de Deus

A ENCARNAÇÃO

Então, irmãos, chegamos ao segundo “item” que já estava implicado no primeiro, mas tem que ser expressado de maneira explícita. O primeiro “item” é a riqueza e o tesouro da Igreja, pois é o que a Igreja tem por comida, a Trindade. O segundo item, que é o segundo espetáculo, porque também é um grande espetáculo, é a palavra chave: encarnação

Depois da palavra Trindade vem a palavra encarnação. A Igreja precisa conhecer a encarnação que é o segundo espetáculo: manifestado na carne, justificado em Espírito, visto dos santos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima na glória. Não há história maior, não há evento maior na história do que a encarnação do Filho de Deus, a vida humana do Verbo de Deus, que é o todo divino-humano

Em que consistiu a encarnação? É o despojamento, concepção no ventre da virgem Maria, nascimento e crescimento em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. Aprendendo pelo padecimento, pela obediência, e sendo aperfeiçoado como homem. Deus não tem que ser aperfeiçoado; Ele não tem nada o que aprender, mas Ele se fez Homem, Seu Filho o Verbo Divino, e viveu a vida humana mais singular

Esta é a segunda “coisa” a qual chamo a atenção da Igreja. A Igreja tem que estar vendo estes assuntos: Trindade e encarnação. A encarnação é o segundo grande tesouro da Igreja. Irmãos, é a Igreja que entende isso, é a Igreja que come disto; fora da Igreja as pessoas não entendem nada disso, estão cegas. É a Igreja que está tendo os seus olhos um pouquinho abertos para conhecer a Cristo, o Verbo encarnado de Deus que foi feito homem e em tudo semelhante ao homem; com espírito humano, com alma humana, com corpo humano; provou tudo segundo a nossa semelhança, mas sem pecado

Irmãos, não existe aqui uma coisa maior do que esta vida humana ter sido vivida na terra. Essa classe de vida teve que ser limpíssima e da qual o próprio Deus deu testemunho. Deus se sentiu obrigado, por causa de Seu caráter, de dar testemunho desta vida. Ele falou publicamente “Este é o meu filho amado em quem tenho prazer”

Já tinham profetizado acerca dEle que não se encontrou engano na Sua boca, nunca fez maldade e foi simbolizado por um Cordeiro sem defeito. Nesta vida precisamos nos deter, nesta Pessoa humana, divina e humana, Filho de Deus e ao mesmo tempo Filho do Homem, Profeta, Sacerdote e Rei

A EXPIAÇÃO

A encarnação nos leva ao terceiro grande item, riquíssimo para a Igreja, terceira palavra chave dos assuntos da Igreja que nunca podemos esquecer: expiação. Terceira palavra chave, terceira riqueza e profundeza de Deus, expiação

O que é expiação? Da Trindade à encarnação, o Verbo Divino de Deus feito homem, foi morto pelos nossos pecados; isso é entrar no sentido da expiação

Irmãos, às vezes parece que a Igreja não viu o que é expiação. Houve séculos que pensavam que Ele morreu para nos dar exemplo de martírio. Algumas pessoas pensavam que a morte dEle era uma morte como a de outro mártir para nos dar exemplo. Claro que Ele nos deu exemplo, mas Ele não morreu só para nos dar exemplo, porque esse foi o preço dos nossos pecados

Recomendo aos irmãos um livro que já está publicado em português, demorou muito para ser publicado, mas agora já está nas livrarias cristãs. Este livro é do século onze, “Cur Deus Homo” é seu título em latim, e em português “Por que Deus se fez homem?” Do nosso irmão Anselmo de Cantuária. Ele foi o irmão que Deus usou na história da Igreja para que o Espírito Santo através dele tocasse a tecla da expiação. Depois que nos primeiros séculos Ele mostrou quem era Jesus como Deus e como homem, nos séculos médios mostrou a expiação


O ENTENDIMENTO DA EXPIAÇÃO

Irmãos, entender a Deus, a Cristo e a obra de Cristo tem sido o trabalho da Igreja por séculos. O Espírito Santo conduziu a Igreja nos primeiros séculos para que ela compreendesse quem era realmente Cristo. Finalmente no Concílio de Nicéia confessaram, como tinham que confessar, e não é que ali tenha começado o assunto, pois ele está na Bíblia, mas por fim foi entendido pela Igreja publicamente, que o Filho é consubstancial com o Pai, é Deus com o Pai. Ele é Deus de Deus e Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; esta foi a conclusão de quatro séculos

Bem, mas agora que já sabemos que o Verbo é Deus como fica este assunto de que Ele é homem também? Como se relaciona a divindade com a humanidade na Pessoa dEle? E aí vieram outros mais de dois séculos, o quarto, o quinto, e ainda o sexto para compreender bem o relacionamento entre a humanidade e a divindade na Pessoa única do Filho de Deus que se fez também Filho do Homem. Mas depois de que isso foi esclarecido na Igreja pelo Espírito Santo, chegou a era de compreender a expiação, ou seja, por onde Deus começa. Ele começa pela Pessoa e então pela obra de Cristo

Dentro do templo, no lugar santíssimo, no lugar central do testemunho de Deus, está a arca de ouro e madeira que fala da divindade e da humanidade do Senhor Jesus. Mas o que está em cima da arca? O propiciatório que nos fala da expiação. Propiciatório ou propiciação é a mesma coisa que expiação




Então quais são as “coisas” centrais as quais a Igreja tem que estar conhecendo? Ela tem que estar conhecendo a Trindade, a encarnação que é a humanidade de Cristo, e a expiação que é a obra de Cristo na cruz. Ela tem que estar conhecendo quantas coisas foram feitas na cruz, o que abrange a cruz de Cristo; a expiação e tudo o que está na cruz de Cristo

Como falei, somente estamos vendo o índice dos assuntos. Estou lembrando estes assuntos e trazendo a tona porque são “coisas” nossas, da Igreja, para que ela saiba que “coisas” formosas têm nas mãos. Não tem somente as doutrinas da Trindade, mas tem a própria Trindade. Não tem somente a doutrina da encarnação, mas tem o próprio Cristo. Não tem somente a doutrina da expiação, mas tem a experiência da salvação


A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

A palavra chave depois de expiação é justificação pela fé. Os irmãos novos têm que ver a importância destas “coisas”. O que é Trindade? O que é a encarnação? O que é expiação? O que é a ressurreição? Quem é o Espírito Santo? O que é justificação pela fé, perdão e limpeza dos nossos pecados, da mancha do pecado? O que é a crucificação do velho homem? A justificação, santificação, regeneração, renovação, vivificação, transformação e conformação na imagem de Cristo, toda a obra de Cristo

Foi depois dos séculos médios onze, doze, treze, quando o assunto da expiação ficou forte, graças principalmente ao trabalho do nosso irmão Anselmo, então chegou a era da Reforma. Aí o Espírito Santo começou a chamar a atenção para a outra tecla da melodia, a justificação pela fé

Já falamos que Ele é o Filho, que é o Deus também, tanto Deus como homem, e da morte expiatória; então agora somos salvos não pelas obras, mas pela fé, “Justificados, pois pela fé tendes paz para com Deus”.Foi quando veio Lutero que começou a Reforma e vieram com ele outros reformadores. Então o Espírito começou a tocar nesta nova tecla da melodia, esta nova página da partitura do drama da redenção. Então, irmãos, temos que desfrutar de novo com frescura, com realidade, como sendo nosso, e que seja posse dos novos este assunto da justificação pela fé

Irmãos, todos estes “itens” são combatidos pelo diabo. Ele não quer que creiamos na Trindade, na encarnação, na expiação, na essência do Evangelho, a justificação pela fé e a salvação eterna. Tudo isso o diabo combate, mas a Igreja aprecia, a Igreja vigia, a Igreja conhece, defende e proclama o testemunho. Tudo isso é o tesouro da Igreja. Essa palavra que é tão simples para os crentes protestantes, a justificação pela fé, tem que ser mastigada, desfrutada, conhecida e ser a posse dos irmãos mais novos. Eles têm que ter clareza do que é ser justificado pela fé e serem salvos pela graça de Deus. Esta é a primeira etapa, a primeira parte da salvação e é o aspecto jurídico dela


A IGREJA

Então irmãos, a Trindade, a encarnação, a expiação, a ressurreição, o Espírito Santo e a justificação pela fé; agora chegamos a este item; “O Corpo”, a Igreja. Agora sim podemos passar do lugar santíssimo para o lugar santo onde encontramos a mesa e o candeeiro. Mas a mesa e o candeeiro estão em segundo lugar; em primeiro lugar esta a arca do testemunho. Deus e Cristo e a obra de Cristo recebida pela fé, então resulta a Igreja de Deus

Somente depois que ficou claro quem está dentro e quem está fora, quem é salvo e quem não, é que se pode entender a Igreja. Não adiantava o Espírito Santo tocar na “iglesiologia” se não esclarecesse primeiro o assunto da expiação e da justificação pela fé. Tinha que vir primeiro Lutero, Calvino, Melâncton, Zwínglio, todos eles, para depois virem os irmãos e começarem a ver o assunto da Igreja que é um Corpo

Quando vemos na história da Igreja, a sua separação do estado, aquela parte da Igreja, especialmente os Anglicanos que falavam que o rei da Inglaterra era seu vivo cabeça, toda aquela mistura e confusão, os irmãos estavam tratando de definir se a Igreja é visível ou invisível, se o estado tem direito sobre a Igreja ou não. Quantos irmãos morrendo por se libertar do estado, separando a Igreja do estado. Irmãos, aqueles séculos dezesseis, dezessete, até o dezoito, foi o parto da Igreja, para que ela compreendesse a si mesma como “O Corpo de Cristo”. Hoje em nosso século somos devedores deste longo parto da Igreja. Hoje recebemos a comida mastigada mas levou séculos para se mastigar, dissolver, digerir até ficar claro


A ESCATOLOGIA

Depois vem a escatologia; ela é o último capítulo da Teologia Sistemática. Se compreendemos a Igreja, o assunto dos vencedores, o assunto do arrebatamento, o Reino, o Milênio, depois da iglesiologia vem a escatologia, mas só depois de entender a Igreja. Não se pode entender a Igreja sem entender a justificação pela fé (salvação), e não se pode entender a justificação pela fé (salvação), se não entender a expiação; não se pode entender a expiação se não entender a encarnação (Cristo), e não se pode entender a encarnação (Cristo), sem entender a Trindade

Trindade, encarnação, expiação e todo o demais, ressurreição, Espírito Santo, e o efeito em nós da justificação pela fé, os demais efeitos; e então a Igreja, “O Corpo”. Somos um Corpo que guarda este conteúdo, este Deus, este Cristo, este Espírito, esta Vida, esta salvação, este testemunho; porque somos isto temos então esta esperança


O PROPÓSITO

Agora sim chega o propósito. A Igreja também conhece o propósito eterno de tudo isto, da criação, da encarnação, da expiação, o propósito para a Igreja. Também conhece a escatologia, Cristo a esperança da glória, a glória de Deus expressada na Esposa. Deus tendo se revelado e Si dado plenamente, agora consumando o Seu amor, novo céu, nova terra e nova Jerusalém, uma Esposa tendo a glória de Deus

Então, irmãos, estas são minhas últimas palavras; ainda que últimas são também importantes: Corpo, Igreja, propósito eterno, Reino, nova Jerusalém, consumação e escatologia; vamos parar aqui. Era uma visão panorâmica para nos lembrar dos assuntos que são nossos, são da Igreja e que é o nosso pão diário, o pão para nossos filhos e para os filhos de Deus. Amém

Oremos

“Pai, agradecemos ao Senhor porque nos concedeu considerar algo da tua Palavra;possua-nos, conquista-nos para Ti, conquista-nos para a noiva do Teu Filho, conquista-nos, Senhor, para a alegria do Teu coração. Conceda-nos Te servir nos Teus assuntos, a Ti pessoalmente por meio do Teu Filho e do Teu Espírito em nome do Senhor Jesus; amém”







Fonte: Editora Restauração

IGREJA - UMA CASA PARA DEUS - IRMÃO GINO IAFRANCESCO.




Pontos de referência no desenvolvimento do propósito de Deus

Ao longo da Palavra do Senhor, aparecem certos pontos chaves de referência no desenvolvimento do propósito de Deus. O primeiro é Adão e Eva. Aqui Deus revela coisas fundamentais. Depois, no tempo de Abraão, de Isaque e de Jacó, temos outro ponto importante: Deus diz ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

Nesses tempos tinha Ninrode, tinha Hamurabi e outros personagens, mas Deus disse ser o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. A intervenção de Deus nas vidas desses patriarcas se constituiu em outro ponto importante de referência na obra continuada de Deus. Depois veio Moisés, e Deus começou a trabalhar com o povo de Israel, e deu a Lei. Então apareceu um novo ponto de referência na obra de Deus. Sempre temos que voltar para o ponto de Adão, ao ponto dos patriarcas e também ao ponto da Lei.

Depois apareceu outro importante ponto de referência na história sagrada: Davi. Com ele, Deus abriu uma nova etapa no avanço de sua obra. Os reis seguintes, Deus os media por Davi. Todos estes pontos de referência vão desenvolvendo o propósito de Deus. Desde o primeiro, já se projeta o propósito.

Nos estudos anteriores temos recordado superficialmente algumas dessas coisas. Agora queríamos nos deter um pouco na casa de Deus nos tempos de Davi e de Salomão. É um novo ponto de referência, e em cada novo ponto de referência, Deus acrescenta detalhes à revelação. Ele fala da mesma coisa, mas acrescenta a revelação.

Todo o Antigo Testamento é uma preparação para o Novo. Lembremos que Deus diz que o que é relativo ao mistério do Novo Testamento pode ser visto com a ajuda das Escrituras dos profetas (Rm 16:25-26). De maneira que não só estamos lendo a história sagrada. Deus está falando coisas espirituais; estas coisas são figuras das coisas espirituais. Assim que devemos ler do véu para dentro.

A casa de Deus nos tempos de Davi e Salomão

Primeiro, vamos abrir a palavra do Senhor no primeiro livro de Crônicas. No capítulo 17 temos um momento chave na história da revelação. Davi estava interessado em uma casa para Deus, e imaginava que poderia ser de cedro. Mas Deus - como também depois Salomão entendeu - não habita em templos feitos por mãos humanas. Deus tem sim no seu coração ter uma casa. Nesta passagem, ele fala da "minha casa". Mas não seria Davi o que a edificaria.

Já em outra passagem, Deus lhe diz: "Tu tens derramado muito sangue; tu não me edificará casa. Mas o seu filho, ele me edificará casa". Então veio Salomão, um dos filhos de Davi, e segundo os planos que recebeu de Davi, seu pai, e que Davi recebeu de Deus, Salomão edificou o templo, o famoso templo de Jerusalém.

Esta história é contada duas vezes na Bíblia: no livro dos Reis e no de Crônicas. Na primeira, a ênfase está em Salomão e sua casa; mas, na segunda, a ênfase está no Messias e a igreja. De maneira que Salomão, como filho de Davi, edificando o templo material para Deus, é figura do verdadeiro Filho de Davi, que é o Senhor Jesus, o verdadeiro Rei da paz, o qual edificaria casa para Deus. "Seu filho me edificará casa... e firmarei o seu trono eternamente".

É claro que o trono de Salomão não foi eterno, porque Salomão era só uma figura. O verdadeiro Filho de Davi é o Senhor Jesus. Não que o outro fosse falso; era apenas uma figura. Portanto, o Senhor Jesus tem uma encomenda de Deus - edificar casa a seu Pai. Então, a verdadeira casa de Deus, que o verdadeiro Filho de Davi edifica, é a igreja, é o corpo de Cristo.

Assim, como vimos a edificação da igreja no tabernáculo, temos que ver também a edificação da igreja no templo. "Porque vós sois o templo do Deus vivente" (2Co 6:16). O Novo Testamento nos fala de sermos edificados como um templo santo, para morada de Deus no espírito, como a igreja, o corpo único de Cristo, a soma de todos os filhos de Deus de hoje, de ontem e de sempre. Somos o templo de Deus.

Olhemos, então, no livro de Crônicas algumas palavras importantes. Primeiro, olhemos um pouco no 22 e depois no 28: "Depois mandou Davi que se reunisse os estrangeiros que havia na terra de Israel, e encarregou de entre eles pedreiros que lavrassem pedras para edificar a casa de Deus" (1Cr 22:2). Deus usa estrangeiros para lavrar, para tratar com as pedras. "Deste modo preparou Davi muito ferro para os pregos das portas, e para as junturas; e muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (22:3). Muita cruz; muita disciplina, não é verdade?

Leiamos em Colossenses 1:24, mas voltaremos para cá outra vez. "Agora me regozijo no que padeço por vós...". Não, não era que Paulo era masoquista; ele não se regozijava por causa das dores, mas sim porque essas dores serviam para outros. “... e cumpro na minha carne o que falta das aflições de Cristo por seu corpo, que é a igreja".

Não entenda mal este verso; não diz que a Cristo faltam aflições, mas sim a Paulo faltava participar das aflições de Cristo um pouco mais. Cristo consumou a sua obra; mas nos concedeu não somente crer nele, mas também sofrer por ele.

"...da qual fui feito ministro..." (Cl 1:25). Paulo era ministro do corpo, ministro da igreja. Não era o funcionário de alguma organização menor que o corpo; ele era um membro vivo do corpo vivo de Cristo, ele funcionava no corpo e para o corpo.

Então, voltemos para Crônicas: “... muito bronze sem pesá-lo, e madeira de cedro sem contá-la" (1Cr 22:3). Estas coisas não se devem contar, porque os sidônios e tírios haviam trazido para Davi abundância de madeira de cedro. "E disse Davi: Salomão meu filho é moço e de tenra idade, e a casa que se há de edificar ao Senhor há de ser magnífica por excelência - a igreja gloriosa - para renome e honra em todas as terras; agora, pois, eu lhe prepararei o necessário" (V. 5).

Aqui, Davi está tipificando a Cristo em sua primeira vinda, preparando o necessário, para que Cristo em sua segunda vinda possa ser recebido pela igreja. Salomão é o filho de Davi que mostra o trabalho de Cristo ascendido, edificando a sua casa, para apresentar-se a si mesmo uma igreja, uma igreja santa e gloriosa, sem mancha e sem ruga. Devemos deixar que sejamos apresentados como uma igreja santa. Não estorvemos a unidade da igreja.

Agora, vamos ao capítulo 28 para ver algumas expressões chaves ali. Disse Davi a Salomão: “Olhe, pois, agora, que o Senhor te escolheu para que edifique casa para o santuário; esforça-te, e faça-a. E Davi deu a Salomão seu filho o plano do pórtico do templo e suas casas, suas tesourarias, seus aposentos, suas câmaras e a casa do propiciatório”.

Deste modo o plano de todas as coisas que tinha em mente para os átrios da casa do Senhor, para todas as câmaras ao redor, para as tesourarias da casa de Deus, e para as tesourarias das coisas santificadas. “Também para os grupos dos sacerdotes e dos levita - ou seja, da casa passa para o sacerdócio -, para toda - olhe esta expressão - a obra do ministério da casa do Senhor” (vs. 10 a 13).

Essa expressão não é só do Novo Testamento; já está preparada no Antigo: Os obreiros edificando o corpo de Cristo com todos os santos, que estão tipificados no levantamento do templo de Deus e no erguimento do tabernáculo. E essa expressão - a obra do ministério da casa de Deus - que era o trabalho no tabernáculo e no templo, é também hoje o trabalho de todos os santos, ajudados, aperfeiçoados, pelos obreiros de Deus.

Então, segue dizendo: “... e para todos os utensílios do ministério da casa do Senhor". Tenhamos presente o plano. Davi falou do plano da casa, do plano das tesourarias, das câmaras; inclusive dos instrumentos.

Agora, saltamos uns versos, e vamos ler o 19. "Todas estas coisas, disse Davi, foram-me traçadas pela mão do Senhor, que me fez entender todas as obras do desenho". Assim que isto não foi somente uma ocorrência de Davi. Sim, Davi queria fazer casa para Deus, e Deus lhe explicou: "Davi, tu tens derramado muito sangue. Você não me edificará casa, mas o seu filho, ele me edificará casa". E então Deus revelou a Davi o desenho da casa, o plano detalhado em todas as coisas. E Davi passou a Salomão seu filho todo o plano, para que fizesse as coisas conforme o desenho que ele tinha recebido de Deus. Da mesma forma Deus está por trás deste desenho, assim como esteve por trás do desenho do tabernáculo.

De maneira que se o tabernáculo é figura do verdadeiro tabernáculo, e o templo é figura do verdadeiro templo, devemos pôr a nossa atenção no desenho do templo, porque Deus está nos falando do mistério de Cristo, a igreja, através do tabernáculo e através do templo.

Deus começa com algo singelo, com os traços mestres, e em seguida vai adicionando detalhes. Assim é que Deus atua. Em Gênesis 1:26, ele diz: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...". E os fez homem e mulher. No segundo capítulo, torna a falar da feitura do homem, mas acrescentando detalhes. É como um desenhista que primeiro traça as linhas principais, e depois, ao redor delas, põe os músculos, os nervos, a pele.

Do mesmo modo, por exemplo, a Daniel, permitiu-lhe interpretar o sonho de Nabucodonosor, onde aparece a história da humanidade de forma ampla; mas em seguida, nas seguintes profecias fala do mesmo, mas acrescentando cada vez mais detalhes. Quando chega à última visão de Daniel, abrange três capítulos, e o que havia dito no sonho de Nabucodonosor e na visão dos capítulos 7, 8 e 9, agora está cheia de detalhes.

Deus começa com a idéia principal: "Lhe edificarei uma mulher". Em seguida aparece Bet-el, a pedra, a unção, a libação; em seguida o tabernáculo, e depois o templo. Deus está falando durante toda a Bíblia da mesma coisa, porque toda a Bíblia fala do mistério de Cristo e a igreja. O mistério de Cristo é a chave de toda a Bíblia.

Então, vejamos agora no livro de Reis a edificação do templo por Salomão. Mas não leremos somente arquitetura ou engenharia civil, mas sim o mistério de Cristo, porque o verdadeiro Filho de Davi está edificando o verdadeiro templo que é o corpo de Cristo. Ele é o arquiteto, e os ministros de Deus são também como peritos arquitetos que têm que interpretar o plano para a edificação. Paulo dizia: “... eu como perito arquiteto pus o fundamento..." (1Co 3:10).

Esse é o trabalho do ministério do corpo de Cristo - interpretar os planos do arquiteto.

A edificação do templo

No capítulo 6 encontramos uma passagem que a Sociedade Bíblica titulou "Salomão edifica o templo". Ou seja, este é uma figura do Senhor Jesus edificando o corpo de Cristo. Vocês se lembram daquela passagem em Efésios onde fala da altura, a largura, a profundidade, o comprimento de Cristo? Bom, vamos começar ler algo a respeito disso aqui. Salomão edifica o templo - o filho de Davi edifica a casa de Deus.

Vamos revisar do verso 1 ao 14. O Espírito Santo pode falar a você coisas que eu não vou dizer aqui. Você, depois, complementará, elaborará e enriquecerá isso.

Fixemo-nos em algo: Do verso 1, já aparece um mistério. "No ano quatrocentos e oitenta depois que os filhos de Israel saíram do Egito...". Quando você faz uma cronologia absoluta da Bíblia, seguindo os anos que aparecem nela, notará que entre a saída do Egito e a edificação do templo por Salomão há muito mais do que quatrocentos e oitenta anos. Mas, se a toda essa quantidade de anos você lhe subtrai os anos em que eles estiveram sob governos alheios - por exemplo, quando estiveram debaixo dos midianitas ou outros gentios - ao subtrair esses anos perdidos, obterá exatamente quatrocentos e oitenta anos.

Isto quer dizer que, para Deus, os anos perdidos não contam. Nós temos uma conta no céu. Paulo falava aos filipenses de que o que eles tinham feito estava registrado nos céus: “... busco fruto que abunde em sua conta" (Fp 4:17). Alguns de vocês têm conta nos bancos, mas todos vocês têm conta nos céus, e essa conta está sendo engrossada. Mas o tempo perdido, o que ocupamos em outras coisas, quando não andamos no Senhor e no que é seu, não se conta. Não importa se os anos reais foram como seiscentos e trinta e tantos; para Deus, só foram quatrocentos e oitenta, porque enquanto eles estavam sob outros 'senhores', Deus não quer nem contar.

O tempo que tem significado para Deus é este: quatrocentos e oitenta anos. E torna outra vez a aparecer o 48 por 10. Ontem estudávamos o 48, que era o número da casa. Agora, aqui aparece no tempo por 10 = 480. Muitas coisas que no tabernáculo são 1, no templo são 10. No tabernáculo é um castiçal; no templo são dez. Quer dizer que Deus quer a multiplicação do castiçal por toda a terra. No tabernáculo eram 48, no templo, 480.

E diz: “... depois que os filhos de Israel saíram do Egito, o quarto ano do princípio do reino de Salomão sobre Israel...". O quarto ano. Note que primeiro é a cabeça; primeiro é Deus. Primeiro é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Também, quando foram cruzar o Jordão, depois de três dias, ou seja, no quarto dia. Isso quer dizer que, depois da cabeça, é o quarto. Depois dos três anos, em que se caracterizou quem é Salomão, porque ele é a cabeça de Israel, então chegou a hora de edificar. Primeiro, a cabeça, em seguida o corpo.

“... no mês de Zif...", que é o segundo mês. Também o tabernáculo se edificou no segundo mês. O primeiro ano começou com o mês da páscoa. Tudo começa com a páscoa, tudo começa com o Senhor Jesus, sua morte por nós, sua ressurreição e sua ascensão. Então vem o Espírito, e começa a igreja. Não pode começar a casa no primeiro ano e no primeiro mês. No segundo mês começou a edificar a casa do Senhor.

A casa que o rei Salomão edificou ao Senhor tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura. É como um retângulo, mas elevado, não plano. Esta é a casa de Deus. A igreja tem que ser cheia das medidas de Cristo. A Bíblia nos fala das medidas de Cristo. E esta é a casa de Deus. Deus está nos revelando algo com essas medidas.

Em primeiro lugar, fala-nos do comprido: sessenta côvados. Aqui voltamos a ver a inclusividade do coração de Deus. Sessenta vem de seis por dez. Já sabemos que o número 6 é o número do homem. E o 10, o número da generalidade. Deus quer uma casa que tenha sessenta côvados de comprimento, ou seja, que incorpore toda classe de seres humanos. O mesmo se vê no tabernáculo: Deus quer uma casa com pessoas de toda tribo, língua, nação, e classe social. Nenhuma igreja poderá ser edificada para o Senhor com exclusões.

Deus não exclui raças, não exclui classes sociais, nem analfabetos, nem eruditos. Paulo diz que o Senhor escolheu o vil, o menosprezado, o que não é. "Pois olhem irmãos, a vossa vocação, que não são muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres..." (1Co 1:26). Sim, pode haver algum, mas a maioria não é nobre. É normal existirem sangue azul e sangue vermelho na casa de Deus.

Não podemos diminuir a casa, não podemos fazer igrejas de brancos onde não entram os negros, ou de negros, onde não entram os brancos. Não podemos fazer igrejas de ricos. Há pessoas que gostam de ir aos bairros dos ricos, porque lá andam de braços dados com o prefeito, com fulano e com cicrano, e não querem andar de braços dados com os do bairro mais pobre.

A igreja abrange a todos os que o Senhor chama, a todos os que ele gerou. Essa é a medida de Deus; não podemos ter outra medida. Cada irmão tem que sentir-se cômodo na igreja, não importa que seja pobre, não importa que seja analfabeto, não importa a sua raça, a sua classe. O Senhor o escolheu, e esse é o comprimento da casa de Deus.

A largura da casa

Agora, a casa de Deus também tem largura. Mas é curioso que a largura é apenas um terço do comprido. É um retângulo. O comprido são sessenta; a largura, somente vinte, a terça parte. Neste ponto, discutem os calvinistas e os arminianos: Os calvinistas dizem que a expiação é limitada, ou seja, que o Senhor só morreu por alguns. E os universalistas dizem que morreu por todos. Aqui vemos este retângulo. Depois, haverá outro retângulo menor. Mas este primeiro retângulo nos ajuda a entender essa complicação.

Vamos ao livro de Zacarias, olhar ali uma expressão importante. Zacarias 13:8-9 diz: "E acontecerá em toda a terra, diz o Senhor, que as duas terceiras partes serão cortadas nela, e se perderão; mas a terceira ficará nela. E colocarei no fogo à terceira parte, e os fundirei como se funde a prata, e os provarei como se prova o ouro. Ele - ou seja, este um terço do povo - invocará o meu nome, e eu lhe ouvirei, e direi: É meu povo; e ele dirá: O Senhor é meu Deus".

Notemos que o Senhor diz claramente nessa profecia que dois terços se perderão; mas um terço passará pelo fogo, e ficará sendo o povo de Deus. Agora, o apóstolo João diz muito claramente: "Cristo... é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1Jo 2:2). Ou seja, o sacrifício de Cristo tem a capacidade de salvar toda pessoa humana que possa existir. Se alguém não se salvar, não é porque o Senhor não quer, mas porque eles não querem, porque eles resistem, porque eles não recebem. Por isso se perdem.

Deus "...quer que todos os homens sejam salvos" (1Tm 2:4). Deus não quer que ninguém pereça. Deus quer que todos venham ao arrependimento. Mas se Deus quer que todos se salvem, por que nem todos se salvam? Não é porque Deus não queira; é porque o homem não quer. A luz veio ao mundo, mas "os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (Jo 3:19), e esta é a condenação.

De maneira que a casa de Deus tem forma de retângulo. Deus quer pessoas de toda tribo, língua, nação, sexo, e classe social; no entanto, nem todos serão salvos, somente aqueles que crêem. Então, a população mundial se reduz a um terço. Acaso não foi um terço que se rebelou? Deus tinha muitos anjos, mas a terça parte foi com Satanás. Então, Deus reservou esse outro terço para a sua glória, para a sua casa.

Deus quer que todos sejam salvos. A expiação é universal, a intenção de Deus é sincera; ele quer a salvação de todos, mas na prática, é limitada, porque serão para os que crêem, os que estão em Cristo, e em Cristo são escolhidos.

Por isso vemos um retângulo aqui. Embora o comprimento seja sessenta côvados, a largura é somente vinte, a terça parte. Se analisarmos a humanidade, hoje em dia, um terço pelo menos diz ser cristão, e outros dois terços dizem ser ou muçulmanos, ou budistas, ou hinduistas, ou animistas, ou qualquer outro 'ismo' diferente ao cristianismo.

Uma igreja madura

Voltemos para 1 Reis 6. “... e trinta côvados de altura" (V. 2). Vocês sabem o que quer dizer o número 30? Na Bíblia, é o número da maioridade. Hoje em dia, na Colômbia, os moços que têm dezoito anos, votam. Aos dezoito anos, são considerados maiores de idade. Claro que ainda não se mantêm, ainda não sustenta a sua esposa nem os seus filhos.

A Bíblia considerava que a maioridade era aos trinta, não aos dezoito. Por isso o Senhor Jesus esperou até os trinta. Também os levita, aos vinte e cinco anos começavam a aproximar-se do tabernáculo, mas apenas aos trinta exerciam em plena atividade.

E o que Deus quer quando diz que a sua casa tenha trinta côvados de altura? Quer dizer que a igreja está destinada à estatura da plenitude de Cristo. Deus não quer uma igreja de meninos; ele quer uma igreja madura. Como Cristo iria se casar com uma menina? Tem que casar-se com uma igreja madura.

Deus quer uma igreja madura. A igreja deve evangelizar, deve lembrar-se dos homens; mas, depois de salvá-los, tem que discipulá-los, alimentá-los, instruí-los, ensiná-los, reuní-los como igreja, apresentá-los ao Senhor como igreja.

Deus quer que venham à epignosis, ao pleno conhecimento da verdade. Ou seja, cresçam a uma posição em que possam compreender todo o conselho de Deus, a totalidade da Palavra, a palavra de Deus cumprida.

Trinta côvados - a estatura da plenitude de Cristo. Uma igreja de salvos e maduros. Uma igreja de salvos discipulados, conduzidos à plenitude. Essas são as medidas que Deus disse: sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura.

Os vencedores

Agora vamos ver a outra parte do retângulo. Verso 3: "E o pórtico diante do templo da casa...". Quando diz a casa, abrange o átrio, o lugar santo e o santíssimo. O templo da casa, o santuário, é o santo e o santíssimo. A casa em geral inclui o átrio. O pórtico do templo da casa não é o pórtico de fora, não é para que os perdidos se salvem, mas sim os salvos vençam. É outro retângulo.

Deus quer que todos se salvem, mas só se salvam os que crêem. E quer que todos os que crêem sejam vencedores, mas somente será a metade. Eram dez virgens esperando o marido, as dez tinham azeite na lâmpada, mas só a metade tinha azeite na vasilha além da lâmpada.

Então diz aqui: "E o pórtico diante do templo da casa tinha vinte côvados de comprimento ao largo da casa...". Ou seja, antes era sessenta de comprimento e vinte de largura. O vinte são os realmente crentes. Agora, este outro pórtico é outro retângulo de vinte côvados, o mesmo que tem ao largo da casa. Ou seja, abrange a todos os crentes.

“... ao largo diante da casa era de dez côvados", ou seja, a metade. Podem notar? O Senhor morreu por todos, mas só se salvam um terço. Agora, Deus quer que todos os salvos sejam vencedores, mas somente a metade é prudente.

Os outros são salvos, esperam o marido, têm azeite na lâmpada, e a lâmpada do Senhor é o espírito do homem. Se tiverem azeite na lâmpada, o seu espírito é regenerado, mas não têm azeite também na vasilha, não permitiram que a vida do Senhor passe para as suas almas - pensem conforme Cristo, tenham o sentir de Cristo, e a vontade renovada, e sigam a Cristo.

Muitas virgens salvas são insensatas; só a metade é prudente, e fez que passasse o azeite da lâmpada para a vasilha, do espírito para a alma. Por isso aparece outro retângulo aqui. Vinte de largura, como o da casa - são os salvos. Mas só dez de comprimento - a metade.

A necessidade de revelação

"E fez à casa janelas largas por dentro e estreita por fora" (V. 4). Aqui vemos o mesmo princípio das peles de texugos no tabernáculo. Por fora, via-se como um grande ratão; por dentro estava a glória. Os de fora não viam. A Bíblia diz: “... aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (Jo 3:3). O homem natural não percebe as coisas que são do Espírito de Deus, e não pode entendê-las, mas o espiritual discerne todas as coisas.

Por isso diz aqui que a casa tinha janelas largas por dentro e estreita por fora. Ou seja, quem está dentro pode ver tudo o que passa fora; mas o que está fora não pode ver bem o que há dentro.

Assim é a casa de Deus. As coisas de Deus só se podem ver por revelação de Deus, de dentro para fora. Mas o homem natural, fora, não pode. Entender as coisas de Deus não é questão de capacidade. Os que estão dentro têm discernimento; os que estão fora não podem ver nem entrar.

Os diáconos, bispos e obreiros

"Edificou também junto ao muro da casa aposentos ao redor, contra as paredes da casa ao redor do templo e do lugar santíssimo; e fez câmaras laterais ao redor. O aposento de baixo era de cinco côvados de largura, o do meio de seis côvados de largura, e o terceiro de sete côvados de largura; porque por fora tinha feito pilastras de reforço para a casa ao redor, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (vs. 5-6).

Deus não quer deixar à casa abandonada a si mesma; ele a rodeia de câmaras laterais. É o mesmo princípio que vimos no tabernáculo. Estavam todas as tábuas ao redor, mas o Senhor quis pôr cinco barras, para que essas barras protegessem e mantivessem as tábuas retas; a casa foi reforçada e guardada, nenhuma tábua se soltou, e fora mantida em seu lugar.

Assim também, o Senhor mostrou a Davi e a Salomão que ele quer que a sua casa esteja rodeada por câmaras. Nessas câmaras se guardavam os tesouros; ali os sacerdotes se vestiam e se despiam, saíam de um estado comum e vestiam as vestimentas sacerdotais. Também na casa de Deus temos o diaconato, o bispado e o apostolado.

Deus quer que a casa esteja resguardada, protegida, pelos diáconos, que têm que servir às necessidades dos santos, e pelos anciões. São necessários os presbíteros, que são os próprios bispos. Na Bíblia, bispos, pastores, presbíteros, intercambiam-se.

Quando Paulo escreve a Tito começa lhe falando de que o tinha deixado em Creta para que corrigisse o que estava deficiente e estabelecesse presbíteros em cada igreja local. E em seguida diz: "Porque é necessário que o bispo...". Ele vem falando dos anciões. Primeiro começa a falar de como deve ser o caráter de cada um deles, mas agora já não lhe chama ancião, mas sim bispo, “... que for irrepreensível, marido de uma só mulher...".

Bispos e anciões, na Bíblia, são a mesma coisa. Na igreja dos filipenses, estavam os santos com os bispos e diáconos. Desta maneira é a casa de Deus. No entanto, a igreja e os anciões não estão isolados. A igreja local não está isolada. Ela é parte da igreja universal, está em comunhão com outras igrejas, e a obra do Senhor está nas mãos dos obreiros, que trabalham a um nível mais universal que local.

Os anciões cuidam da igreja em sua localidade, mas os obreiros edificam o corpo de Cristo universalmente. Portanto, Deus quer que os anciões tenham comunhão com os apóstolos. Por isso dizem os apóstolos: “... isso lhes anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco"- Esse 'nós' é a equipe dos obreiros, os apóstolos- e nossa comunhão - porque eles não estão isolados, têm uma comunhão- verdadeiramente é com o Pai, e com o seu Filho Jesus Cristo" (1 Jo 1:3). Por isso existe a comunhão apostólica, ou seja, a comunhão dos apóstolos entre si, e das igrejas com os apóstolos, e dos apóstolos com as igrejas.

Então, diz Paulo a Timóteo: "Contra um ancião, não admita acusação, a não ser com duas ou três testemunhas. Aos que persistem em pecar, repreende-os diante de todos, para que os outros também temam" (1 Tm 5:19-20). Ou seja, que os obreiros fazem uma auditoria dos anciões que eles estabeleceram da parte de Deus. Deus os estabeleceu, mas usou a eles para fazê-lo, de maneira que os anciões estão sob a supervisão dos obreiros que os estabeleceram. Eles governam na igreja, mas na obra governam os obreiros. Os obreiros fundam uma igreja e estabelecem os anciões; mas, se os anciões se comportarem mal, então não se pode admitir acusação sem testemunhas contra um ancião.

Os obreiros não podem se meter na jurisdição de outros, onde outros trabalharam. Isso cabe aos que trabalharam ali, os que evangelizaram, os que discipularam, os que edificaram. Os que instruíram à igreja, os que ensinaram, corrigem as coisas que faltam, nomeiam os anciões. Eles é que são apropriados para ouvir os problemas que às vezes causam os anciões.

Então, em cima da segunda câmara, há uma terceira. A primeira câmara, que é o diaconato, tem cinco côvados de largura; mas a de cima é um pouco mais larga, tem mais responsabilidade, abrange mais, porque na igreja, os anciões governam os diáconos, e não os diáconos aos anciões. Então, sobre a segunda câmara, de seis côvados, Deus colocou uma terceira câmara de sete côvados. Portanto, os diáconos, os anciões, os obreiros, cuidam da igreja; rodeiam-na como as barras no tabernáculo.

O diaconato está no primeiro lugar abaixo, mas há uma escada em forma de caracol que sobe do primeiro piso, dando voltas e voltas. A escada não é direta. Passa por uma prova, passa outra vez por aqui, um pouco mais alto, e quando foi aprovado, pode passar para o segundo lugar, ao segundo piso, e do segundo pode passar para o terceiro.

Por exemplo, o irmão José, na igreja em Jerusalém, era um homem que servia, que ajudava e consolava os irmãos. E os apóstolos trocaram o nome dele por Barnabé, que quer dizer 'filho da consolação'. O irmão Barnabé começou a ser uma pessoa de confiança na igreja, e quando houve uma necessidade, então o enviaram para ver como estavam as coisas lá em Antioquia.

Quando ele chegou a Antioquia, não era apóstolo, mas sim um colaborador dos apóstolos. E ele chegou e viu ali a graça de Deus. Ele não viu os problemas. E como era um homem bom, animou-os para que continuassem. Era alguém de confiança. Chegou a ser profeta e mestre, até que ficou em Antioquia, e chamou a outro jovem, outro irmão, que tinha sido problemático. Era Saulo.

Mas Saulo também subiu a escada, e chegou a ser profeta e mestre, como outros irmãos. Em Antioquia havia profetas e mestres, mas não havia apóstolos. Mas, em determinado momento, o Espírito Santo dirigiu a outros irmãos: "apartem-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os chamei" (At 13:2), e aí subiram a escada até o terceiro piso, até a câmara de sete côvados de largura. Foi ampliada a responsabilidade.

Do capítulo 14, fala-se dos apóstolos Barnabé e Paulo. Mas não começaram por cima; começaram dentro da casa de Deus. Há irmãos que se caracterizam porque estão sempre servindo. "Então, vamos pô-los a prova - diz Paulo - para ver se podem ser diáconos". Ou seja, que já atuam como diáconos, sem serem. Quando passarem na prova, serão diáconos em atividade. Agora passam a servir a casa, rodeando a casa, primeiramente nos assuntos materiais, administrativos. Não se metem com doutrinas, claro, mas têm que guardar o mistério da fé e outras coisas.

E entre esses irmãos, temos, por exemplo, a Estevão, que era diácono. Ele chegou a ser um homem de Deus, que não servia somente à igreja, mas também muito mais. Estevão ensinava, testificava, e foi o primeiro mártir da igreja. E também Felipe, que chegou a ser evangelista, ou seja, passando do primeiro piso para o segundo, não como hierarquia, mas sim como serviço, porque a responsabilidade na casa de Deus é para encarregar-se de maiores problemas.

Cada vez que sobe, a responsabilidade é maior, os problemas são mais difíceis, assuntos que ninguém quer tocar. Mas são necessárias todas essas câmaras laterais ao redor da casa, para cuidá-la. E essa escada é em caracol, ou seja, que a pessoa passa e passa pelo mesmo lugar, mas cada vez um pouco mais. Não tem acontecido assim com você? A escada na casa de Deus é em caracol, repetindo e repetindo, para ir avançando.

Sem acumular peso para a casa

Seguimos em 1Reis 6: “... por fora, havia pilastras de reforço ao redor da casa, para não embutir as vigas nas paredes da casa" (V. 6). Olhem o cuidado do Senhor. Deus não quer que essas câmaras - esses diáconos, anciões e obreiros - não pesem sobre as paredes da casa. As vigas não são para pôr em cima da parede, mas sim nestas pilastras de reforço que eram feitas, para que não pesem demasiadamente.

Vamos ver essas pilastras de reforço em 1Pe 5:1-3: "Rogo aos anciões que estão entre vós, eu também ancião com eles - porque tinha subido do segundo para o terceiro piso -, e testemunha dos padecimentos de Cristo, que sou também participante da glória que será revelada: Apascentem o rebanho de Deus que está entre vós, cuidando dele, não por força, mas sim voluntariamente; não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade; não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho".

“... não por força...". Se for por força, pressionará demasiadamente. Os santos sentem que as pessoas estão fazendo as coisas por obrigação. 'Ai, porque acontece isto comigo. Por que você não prega, eu estou muito cansado?'. Se for por força, faz pressão sobre as paredes da casa, faz pressão sobre os santos. Onde está a pilastra de reforço, essa coluninha que terá que ser posta? Aí diz: “... voluntariamente...".
A primeira pilastra é voluntariedade. Não por força, mas sim voluntariamente.

Segundo "Não". “... não por ganho desonesto, mas sim de boa vontade...". Hoje em dia é tão comum exaurir as ovelhas, é tão comum que uma pessoa comece a pregar sobre o dízimo e a prosperidade somente para encher os seus bolsos, fazendo dos santos uma mercadoria, como os fariseus que como pretexto faziam largas orações, mas tinham o olho na casa da viúva. 'Ah este irmão é rico, este pode ofertar bastante. Irmão, venha, sente-se aqui na tribuna'. Mas Tiago diz: 'Irmão, não façam acepção de pessoas na igreja'.

“... não por ganho desonesto...". Essa viga não pode ser posta na parede, terá que pôr uma coluna, uma saliente aqui: “... de boa vontade...", voluntariedade.

Mas são três pisos. E o outro é: “... não como tendo senhorio sobre os que estão ao seu cuidado, mas sim servindo de exemplo ao rebanho". Então aí você vê que as paredes da casa não estão suportando muito peso. Não há um senhorio exagerado, não estão exaurindo os santos, não estão fazendo as coisas por profissão, mas sim por amor, voluntariamente, de boa vontade, sendo exemplos para o rebanho. As câmaras laterais eram para guardar a casa em vez de sobrecarregá-la.

Preparados nas pedreiras

Verso 7: "E quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas, de tal maneira que quando a edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem qualquer outro instrumento de ferro". Assim como o ouro significa a natureza divina; a prata, a redenção; o bronze, a disciplina de Deus, o ferro significa a autoridade. (Ap 2:26-27). No entanto, quando se edificava a casa, as pedras já vinham preparadas. As pedras eram preparadas nas pedreiras.

Há irmãos que estão nas pedreiras, sendo preparados. Alguns estão sofrendo marteladas. Lá sim se ouve a martelada. Essas pedreiras têm pessoas registradas como pessoas jurídicas, têm placas com nomes e tudo, e são filhos de Deus. São as pedras de Deus, e eles devem ser um só templo para Deus.

Claro, as pedras são tiradas das pedreiras. Graças a Deus que há pedreiras, e as pessoas estão sendo salvas. Mas, o que vamos fazer com as pedras se for um montão de pedras na frente do terreno de cada um. Deus não pode viver aí. Como ele vai viver se pusermos um montão de pedras para cá e outro montão lá. Cada pedra tem que ser tratada e preparada na pedreira. E quando o Senhor traz, pode ser encaixado com os seus irmãos, porque se não encaixar, volta para a pedreira, para receber martelo, para receber cinzel.

E quando já estiver preparado, então já pode ter comunhão com os seus irmãos, agora não é necessário que ouçam machadadas nem marteladas, como diz o verso 7: “... e quando se edificou a casa, fabricaram-na de pedras que traziam já acabadas". Quando se encontram uns irmãos com outros, parece que era como já se conhecessem, como estando falando as mesmas coisas, a mesma linguagem. Estamos no mesmo Espírito.

Mas se você se encontra com alguém, e ele diz: 'Eh, irmão, mas as irmãs aí usam a saia até aqui... '. Ou: 'Não puseram gravata para pregar'. Bom, que passem outros meses na pedreira, até que não mais se incomode que os irmãos não usem gravata. “... acabadas, de tal maneira...". Ou seja, de tal maneira já estavam acabadas, “... que quando as edificavam, nem martelos nem machados se ouviram na casa, nem nenhum outro instrumento de ferro". Era tudo tão suave, tão agradável.

"Lavrou, pois, a casa - Lavrou, isso é à custa de golpes, não? - e a terminou; e a cobriu com artesanatos de cedro". Coberta de cedro; a cruz de cedro a cobria. Depois punha ouro, e no ouro punham palmeiras. De todas as maneiras, as pedras não eram vistas. Cada irmão por trás da cruz, negando-se a si mesmo, não fazendo as coisas por si mesmo. Caso contrário, retorna para a pedreira.

"Edificou deste modo o aposento ao redor de toda a casa, da altura de cinco côvados - Graça. Cinco côvados, tudo é graça - o qual se apoiava na casa com madeiras de cedro". Mas, como se apoiava na casa? Naquelas pilastras de reforço, naquelas colunas.

O objetivo é a Presença

No verso 11, diz: "E veio a palavra do Senhor a Salomão dizendo: Com relação a esta casa que tu edificas, se andares nos meus estatutos e executares os meus decretos, e guardar todos os meus mandamentos andando neles, eu cumprirei contigo a minha palavra que falei com Davi seu pai; e habitarei nela...".

O objetivo da casa é a presença. O que caracterizou os grandes avivamentos é a presença do Senhor. Edifica-se o tabernáculo para que a nuvem o encha; edifica-se a casa para que a nuvem a encha. Deus quer um lugar na terra para poder manifestar a sua presença. A terra está cheia da sua glória, mas não lhe conhecem. Ele quer que seja cheia do conhecimento da sua glória. E a glória de Deus quer encher a igreja. Para isso se edifica a casa: para a glória, para a presença.

“... e não deixarei o meu povo de Israel. Assim Salomão edificou a casa e a terminou".




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Exaltando o Senhor“Todo-Poderoso , aquele que era , que é, e que há de vir.”
“Ora, vem, Senhor Jesus!”