quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A RUÍNA E A RESTAURAÇÃO DE PEDRO - PR CLAUDIO MORANDI.


A RUÍNA E A RESTAURAÇÃO DE PEDRO
Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo. Mateus 26:35.
Antes de Pedro tornar-se um apóstolo cheio do Espírito Santo, um pregador ungido e um líder eficaz, revelou sua fraqueza e chegou ao ponto de negar a Jesus. Pedro caiu, suas lágrimas foram amargas, mas sua restauração foi completa. A queda de Pedro passou por alguns estágios que nós vamos analisar juntos. O primeiro estágio que levou o apóstolo Pedro a negar a Cristo foi sua autoconfiança. Quando Jesus alertou Pedro acerca do plano de Satanás de peneirá-lo como trigo, Pedro respondeu que estava pronto a ir com Ele tanto para a prisão como para a morte. Pedro subestimou a ação do inimigo e superestimou a si mesmo. Ele pôs exagerada confiança no seu próprio “eu”, e aí começou sua ruína espiritual. Estamos vivendo o apogeu da psicologia de auto-ajuda. As livrarias estão abarrotadas de obras que nos ensinam a confiar em nós mesmos. O cristianismo diz exatamente o contrário. Somos fracos e limitados. Não podemos andar sustentados na bengala da autoconfiança. Precisamos mais da ajuda do alto do que da auto-ajuda. Vejamos a advertência da palavra do Senhor em Jeremias 17:5 Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!
O segundo estágio que levou Pedro a ruína de negar a Cristo foi sua indolência. O mesmo Pedro que havia prometido fidelidade a Cristo e a disposição de ir para a prisão e a morte, agora está cativo do sono no jardim do Getsemani no auge da batalha. Faltou-lhe a percepção da gravidade do momento. Faltou-lhe vigilância espiritual. Estava entregue ao sono em vez de guerrear com Cristo contra as hostes do mal. A fraqueza espiritual de Pedro o fez dormir e, ao dormir, fracassou no teste da vigilância espiritual. As palavras de Pedro eram de confiança, mas suas atitudes, trôpegas. Promessas desprovidas de poder evaporam na hora da crise. O sono substitui a autoconfiança. O fracasso se estabeleceu no palco da arrogância. E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Mateus 26:40.
O terceiro estágio que levou Pedro a negar a cristo foi a sua precipitação. Quando os soldados romanos, liderados por Judas Iscariotes e pelos principais sacerdotes, prenderam a Jesus, Pedro sacou sua espada e cortou-lhe a orelha do servo do sumo sacerdote. Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco. João 18:10.
A valentia de Pedro era absolutamente carnal. Porque dormiu e não orou, entrou na batalha errada, com armas erradas e a motivação errada. Pedro deu mais um passo na direção de sua ruína. Ele deslizou mais um degrau rumo ao chão. Precisamos lutar não com armas carnais, mas sim com armas espirituais. Precisamos entrar nessa guerra com os olhos nos céus e os joelhos no chão. Precisamos despojar-nos da autoconfiança para recebermos o socorro que vem do alto, porque a nossa luta não é contra carne e sangue. Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Efésios 6:12.
Irmãos, outro estágio que levou o apóstolo Pedro a ruína foi que ele seguia a Jesus de longe. Mas Pedro o seguia de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se entre os serventuários, para ver o fim. Mateus 26:58. Depois que Cristo foi levado para a casa do sumo sacerdote, Pedro mergulhou nas sombras da noite e seguia a Jesus de longe. Sua coragem desvaneceu. Sua valentia tornou-se covardia. Seu compromisso de ir com Jesus para a prisão e a morte foi quebrado. Sua fidelidade incondicional ao filho de Deus começou a enfraquecer. Não queria perder Jesus de vista, mas também não estava disposto a assumir os riscos de sua ligação com Ele. Ainda hoje há muitos crentes seguindo a Jesus de longe. Ainda guardam certo temor de Deus, mas ao mesmo tempo anestesiam a consciência vivendo em práticas erradas. Dizem-se seguidores de Cristo, mas seus pés estão fincados nas sendas sinuosas que desviam do caminho da verdade. Dizem amar a Deus, mas suas atitudes e obras provam o contrário. Estão na igreja, mas ao mesmo tempo, estão no mundo. Freqüentam os cultos, mas o coração está longe do Senhor. Ao olharmos para a vida de Pedro, estamos diante do espelho. Muitas vezes somos como Pedro. Mostramos autoconfiança, não oramos, somos precipitados e, seguimos a Jesus de longe. Mas graças a Deus, Ele não desiste de nós, assim como não desistiu de Pedro. Lembremos que só de nós vem a nossa ruína; só do Senhor, a nossa restauração. A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim, o teu socorro. Oséias 13:9.
Como o Senhor restaurou a Pedro? Jesus olhou para Pedro exatamente no momento em que ele estava negando, jurando e praguejando, insistindo em dizer que não conhecia Jesus. Os olhos de Jesus penetraram na alma de Pedro e radiografaram as mazelas do seu coração. Aquele foi um olhar de tristeza, mas também de compaixão. Quando Jesus olhou para Pedro, este se lembrou da palavra do Senhor e, ao lembrar-se dela, encontrou uma âncora de esperança e o caminho de volta para a restauração. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Lucas 22:61.
O olhar de Jesus é cheio de ternura e misericórdia. Basta um olhar dEle, e toda a dureza de nosso coração se derrete. Seu olhar penetra as câmaras mais interiores da nossa vida. Seu olhar produz em nós arrependimento para a vida. Seu amor nos traz de volta para o verdadeiro sentido da vida. Após aquele penetrante olhar do Senhor, Pedro, saindo dali chorou amargamente. Pedro não chorou o choro de remorso, nem verteu lágrimas da dissimulação. Ele jogou fora o veneno das suas mazelas e, assim demonstrou verdadeiro arrependimento. O choro de arrependimento desemboca na alegria do perdão. Pedro estava muito triste, mas o Senhor deixou um recado peculiar através de um anjo. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse. Marcos 16:7.
Por que Jesus mandou este recado especial para Pedro? Porque Jesus sabia que a essa altura Pedro não se sentia mais digno de ser um discípulo. Pedro havia negado Seu nome, sua fé, suas convicções, seu apostolado e seu Senhor. É maravilhoso saber que Jesus não abre mão do direito que tem de ter-nos para Ele. Ele não abdica do Seu direito de ter-nos totalmente. Podemos errar e pensar em desistir de tudo, mas Jesus jamais desiste de nos amar. Mesmo quando somos infiéis, Ele permanece fiel. 2 Timóteo 2:13 Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.
Fico pensando quando Pedro foi informado de que o túmulo de Jesus estava vazio, ele correu e entrou no sepulcro e, ao ver os lençóis de linho, retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido. O poder da ressurreição foi mais um instrumento que Deus usou para levantar Pedro de sua queda. O triunfo de Cristo sobre a morte, o diabo e o inferno deixou Pedro maravilhado. Irmãos, a mesma mão que abriu o túmulo de Cristo abriu os olhos de Pedro. Então Pedro pode crer que ele havia morrido com Cristo. Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. 1 Pedro 2:24.
Irmãos, Jesus é tão cuidadoso em seu amor que armou o mesmo cenário da queda de Pedro para restaurá-lo. O evangelho de João só descreve duas fogueiras. A primeira foi o palco da queda de Pedro; a segunda, o cenário da sua restauração. Cristo queria curar as memórias amargas de Pedro. Ali onde tudo havia começado, deveria ser o lugar mais apropriado do seu recomeço. Pedro tornou-se um pregador ousado depois da sua restauração. Sua mensagem central era mostrar que o Cristo que foi crucificado triunfou sobre a morte. A ressurreição de Cristo tornou-se a grande bandeira da mensagem de Pedro. Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. 1 Pedro 1:3. Amém.

CONGRESSO DO NOVO NASCIMENTO 2011 - DOMINGO MANHÃ - PR HUMBERTO X. RODRIGUES.




Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. I Coríntios 2:2.

Johannes Tauler (1300-1361) nasceu em Strassburg, Alemanha. Ele foi um dos mais proeminentes representantes do misticismo medieval alemão, e um dos maiores pregadores do seu tempo. Fez muito para preparar o caminho para Lutero e a Reforma. Seu dom de pregador era tão grande que “toda a cidade pendia de seus lábios”.

Certo dia, Tauler ficou muito surpreendido quando um humilde suíço, pertencente à Sociedade dos “Amigos de Deus”, chamado Nicolas de Basle, atravessou as montanhas, entrou no seu lugar de culto, e lhe disse: “O senhor precisa morrer, Dr. Tauler! Antes que possa fazer o seu maior trabalho para Deus, para o mundo e para esta cidade, o senhor precisa morrer para si mesmo, para seus dons, sua popularidade e até mesmo sua bondade, e quando tiver aprendido o total significado da cruz, terá um novo poder junto a Deus e aos homens”. (Obra Cristã – A maturidade)

A princípio ele ficou ofendido com esta intromissão, mas por fim, deixou seu púlpito por algum tempo e se recolheu para meditar, orar e examinar o seu próprio coração. Na medida em que a visão se tornou mais clara, ele veio a reconhecer o quanto do seu ministério tinha sido inspirado pelo desejo inveterado de impressionar, visando manter e aumentar o seu próprio prestígio, e não simplesmente por amor a Cristo.

Acabou finalmente por deixar a “glória da vida morta” na Cruz, e resolveu ter um objetivo, e apenas um: Jesus Cristo e Este crucificado. A partir daquele momento sua pregação começou a ajudar as pessoas como nunca o fizera antes, preparando o caminho para Lutero e a Reforma.

Mediante a experiência de Tauler perguntamos, Você já morreu? Lamentavelmente muitos estão trabalhando para Deus, mas não em Deus. Na verdade, não se trata do agir da nova vida, mas é a velha vida em ação. Conta-se que um determinado pregador repetia do seu púlpito várias vezes: Paulo disse: Eu estou crucificado com Cristo... De repente o Espírito Santo sussurrou em seus ouvidos, dizendo: E você está crucificado com Cristo? Neste momento ele confessa: Eu também estou crucificado com Cristo.

Por que Paulo se recusou a pregar a palavra da cruz com sabedoria natural? Para que a palavra da cruz não se tornasse ineficaz, pois a cruz é um fato. Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. I Coríntios 2:1-5.

Precisamos investigar: o que nos qualifica a pregar a cruz? Será que pregamos por estarmos profundamente familiarizados com as doutrinas bíblicas, por sermos capazes de apresentá-las com eloqüência ou, pelo fato de pregar ser nossa profissão? Quantos, hoje em dia, são cegos a guiar cegos! Muitos pregadores só sabem de que forma propagar o conhecimento, mas estão desprovidos de vida divina.

Atualmente a Igreja sofre grandes perdas, e estas perdas não se devem à oposição externa ou à incredulidade interna, mas aos muitos que confessam ter “grande fé” e professam que têm o chamado de Deus, quando na verdade, Deus nunca os enviou para tal tarefa.

Vamos considerar um dos tipos de Cristo do Velho Testamento, A oferta pacífica: Se a sua oferta por sacrifício pacífico ao Senhor for de gado miúdo, seja macho ou fêmea, sem defeito a oferecerá. Levítico 3:6. Vamos admitir um diálogo entre o sacerdote e o ofertante: O ofertante entrega o novilho ao sacerdote. Este por sua vez, ao examiná-lo, fica admirado pela beleza do animal, um animal perfeito, sem mancha.

Então, o sacerdote resolve não matá-lo, e diz para o ofertante: este animal é muito lindo, vamos poupá-lo. Eu o colocarei para dentro do tabernáculo. Os dois concordam com o feito. Agora, a pergunta que podemos fazer, é esta: O que este animal vivo vai fazer dentro do tabernáculo? Fica na sua imaginação.

Há muitos “sacerdotes” vivos dentro das igrejas. E, se estão vivos, o que eles vão fazer? Barulho, confusão, divisão, assim como o animal que foi colocado vivo dentro do tabernáculo. A sujeira que o animal promove no ambiente é semelhante aos danos causados por quem ministra sem passar pelo Altar.

Isto acontece porque, antes do Ide, tem que existir o Vinde: Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Mateus 4:18-19. Antes de qualquer tarefa precisamos ir ao Senhor, caso contrário, qualquer coisa feita sem Ele, não passará de obras mortas.

Neste ministério da proclamação do Evangelho tem que ter as marcas da cruz. E todo aquele que foi chamado por Deus só poderá atender o “ide” quando passar pela morte e ressurreição. Muitas vezes, observando alguém que demonstra conhecimento, imaginação e habilidade, somos levados a pensar que este poderia ser realmente usado nas mãos Deus.

Contudo, mesmo que possua conhecimento, habilidade e talento, ele não é nada nas mãos de Deus, pois, para Deus, tudo isto tem que morrer. Tudo o que pertence ao domínio natural é imprestável, nada vale diante de Deus. O apóstolo Paulo, mais do ninguém, tinha um currículo de fazer inveja, mas foi lançado por “terra” quando a Luz o abateu.

Observe o que ele mesmo disse: Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé. Filipenses 3:4-9.

De Saulo para Paulo, Eis como George Matheson descreve a experiência do apóstolo: Senhor, prendeste-me na estrada de Damasco; transformaste a autoconsciência em humildade. Lancei-me à jornada transbordando de confiança em mim mesmo; não sentia qualquer obstáculo, não experimentava qualquer dificuldade.

De repente, numa volta do caminho minha alma paralizou-se. A confiança feneceu. O mundo não mais se me apresentava como um campo de prazer. Uma sombra estendeu-se sobre a cena, e não podia mais encontrar o caminho. Tudo aconteceu por causa de um encontro com um homem – um homem de Nazaré.

Antes de defrontá-Lo, meu orgulho pessoal era incomensurável. Meu coração clamava: “Escreverei meu próprio destino”. Mas um simples olhar ao homem de Nazaré me prostrou. Minha glória imaginária transformou-se em cinzas; minha pretensa força tornou-se fraqueza; bati em meu peito e gritei: “imundo!” Devo queixar-me por ter encontrado aquele homem? Devo chorar porque um raio de luz numa esquina lançou toda a minha grandeza na sombra? Não, Pai, pois a sombra é o reflexo do resplendor.

Foi por ter visto a Tua beleza que a humanidade se ofuscou. Foi o crescimento que me tornou humilde. Contemplei por um momento um ideal perfeito e seu brilho eclipsou minha lâmpada. Não é a noite, mas o dia, que me torna cego quanto àquilo que possuo. É a luz que me faz odiar a mim mesmo. É o sol que revela minha imundície.

É a aurora que me fala das minhas trevas. É a manhã que descobre minhas vestes insignificantes. É o brilho que mancha meus trajes. É a claridade que enumera minhas nuvens. Ó Deus, meu Deus, só perco o meu caminho quando iluminado por Ti!

Este é o princípio pertinente ao trabalho de Deus: tudo o que ainda não passou pela cruz e não foi levantado dos mortos não é utilizável. Que Deus, em Sua infinita graça não permita que venhamos a realizar qualquer coisa pelas nossas habilidades, mas pela vida que surgiu da morte. Amém!