sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PORQUE O MUNDO NÃO O PODE RECEBER - A. W. TOZER

"O Espírito da Verdade que o mundo não pode receber" (João 14:17) A fé cristã, baseada no Novo Testamento, ensina o completo contraste entre a igreja e o mundo. Não é mais do que um lugar comum religioso dizer que o problema conosco hoje é que procuramos construir uma ponte sobre o abismo que há entre duas coisas opostas, o mundo e a igreja, e realizamos um casamento ilícito para o qual não há autorização bíblica. Na verdade, nenhuma união real entre o mundo e a igreja é possível. Quando a igreja se junta com o mundo, já não é mais a igreja verdadeira, mas apenas um detestável produto misturado, um objeto de gozação e desprezo para o mundo, e uma abominação para o Senhor. A obscuridade em que muitos (ou deveríamos dizer a maioria dos?) crentes andam hoje não é causada por falta de clareza da parte da Bíblia. Nada poderia ser mais claro do que os pronunciamentos das Escrituras sobre a relação do cristão com o mundo. A confusão que campeia nessa matéria resulta da falta de disposição de cristãos professos para levar a sério a Palavra do Senhor. O cristianismo está tão emaranhado no mundo que milhões nunca percebem quão radicalmente abandonaram o padrão do Novo Testamento. A transigência está por toda parte. O mundo está suficientemente caiado, encobrindo as suas faltas, para passar no exame feito por cegos que posam como crentes; e esses mesmos crentes estão eternamente procurando obter aceitação da parte do mundo. Mediante mútuas concessões, homens que a si mesmos se denominam cristãos manobram para ficar bem como homens que para as coisas de Deus nada têm, senão mudo desprezo. Toda esta questão é espiritual, em sua essência. O cristão é o que não é por manipulação eclesiástica, mas pelo novo nascimento. É cristão por causa de um Espírito que nele habita. Só o que é nascido do Espírito é espírito. A carne nunca pode converter-se em espírito, não importa quantos homens considerados dignos da igreja nela trabalhem. A confirmação, o batismo, a santa comunhão, a profissão de fé - nenhum destes, nem todos estes juntos, podem transformar a carne em espírito, e tampouco podem fazer de um filho de Adão um filho de Deus. "E, porque vós sois filhos", escreveu Paulo aos gálatas, "enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.". E aos coríntios, ele escreveu: "Examinai-vos a vós mesmos, se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados". E aos romanos: "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vós. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele". A terrível zona de confusão tão evidente em toda a vida da comunidade cristã, poderia ficar esclarecida num só dia, se os seguidores de Cristo começassem a seguir a Cristo em vez de uns aos outros. Pois o nosso Senhor foi muito claro em Seu ensino sobre o cristão e o mundo. Numa ocasião, depois de receber não solicitado e carnal conselho de irmãos sinceros, mas não esclarecidos, o nosso Senhor respondeu: "O meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente. Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más". Ele identificou os Seus irmãos na carne com o mundo e disse que Ele e eles eram de dois espíritos diferentes. O mundo O odiava, mas não podia odiá-los porque não podia odiar-se a si próprio. Uma casa dividida contra si mesma não subsiste. A casa de Adão tem que permanecer leal a si própria, ou se romperá. Conquanto os filhos da carne possam brigar entre si, no fundo estão unidos uns aos outros. É quando o Espírito de Deus entra, que entra um elemento estrangeiro. "Se o mundo vos odeia", disse o Senhor aos Seus discípulos, "sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário dele vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.". Paulo explicou aos gálatas a diferença entre o filho escravo e o livre: "Como, porém outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora" (Gálatas 4:29). Assim, através do Novo Testamento inteiro, é traçada uma aguda linha entre a igreja e o mundo. Não há meio termo. O Senhor não reconhece nenhum bonzinho "concordar para discordar" para que os seguidores do Cordeiro adotem os procedimentos do mundo e andem pelo caminho do mundo. O abismo que há entre o cristão e o mundo é tão grande como o que separou o rico de Lázaro. E, além disso, é o mesmo abismo, isto é, é o abismo que separa o mundo, dos resgatados do mundo; do mundo, dos que continuam caídos. Bem sei, e o sinto profundamente quão ofensivo esse ensino deve ser para aquele bando de mundanos que mói e remói o rebanho tradicional. Não posso alimentar a esperança de escapar da acusação de fanatismo e intolerância que, sem dúvida, lançarão contra mim os confusos religionistas que procuram fazer-se ovelhas por associação. Mas bem podemos encarar a dura verdade de que os homens não se tornam cristãos associando-se com gente de igreja, nem por contato religioso, nem por educação religiosa; tornam-se cristãos somente por uma invasão da sua natureza, invasão feita pelo Espírito de Deus por ocasião do novo nascimento. E quanto se tornam cristãos assim, imediatamente passam a ser membros de uma nova geração, uma "raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus ... que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia" (I Pedro 2:9,10). Com os versículos citados, não houve desejo de os citar fora do contexto, nem de focalizar a atenção num lado da verdade para desviá-lo de outro. O ensino desta passagem forma completa unidade com toda a verdade do Novo Testamento. É como se tirássemos um copo de água do mar. O que tiraríamos não seria toda a água do oceano, mas seria uma amostra real e em perfeito acordo como o restante. A dificuldade que nós cristãos contemporâneos enfrentamos não é a de entender mal a Bíblia, mas a de persuadir os nossos indóceis corações a aceitarem as suas claras instruções. O nosso problema é conseguir o consentimento das nossas mentes amantes do mundo para termos Jesus como Senhor de fato, bem como de palavra. Pois uma coisa é dizer, "Senhor, Senhor", e outra completamente diferente é obedecer aos mandamentos do Senhor. Podemos cantar, "Coroai-O Senhor de todos", e regozijar-nos com os agudos e sonoros tons do órgão e com a profunda melodia de vozes harmoniosas, mas ainda não teremos feito nada enquanto não abandonarmos o mundo e não fizermos os nosso rostos na direção da cidade de Deus na dura realidade prática. Quando a fé se torna obediência, aí é de fato fé verdadeira. O espírito do mundo é forte, e gruda em nós tão entranhadamente como cheiro de fumaça em nossa roupa. Ele pode mudar de rosto para adaptar-se a qualquer circunstância e assim enganar muito cristão simples, cujos sentidos não são exercitados para discernir o bem e o mal. Ele pode brincar de religião com todas as aparências de sinceridade. Ele pode ter acessos de sensibilidade de consciência , e até pode confessar os seus maus caminhos pela imprensa pública. Ele louvará a religião e bajulará a igreja por seus fins. Ele contribuirá para as causas de caridade e promoverá campanha para distribuir roupas aos pobres. Basta que Cristo guarde distância e que nunca afirme o Seu senhorio sobre ele. Positivamente isso não durará. E para com o verdadeiro Espírito de Cristo, só mostrará antagonismo. A imprensa do mundo (que é seu real porta-voz) raramente dará tratamento justo a um filho de Deus. Se os fatos a compelem a uma reportagem favorável, o tom tende a ser condescendente e irônico. Ressoa nela a nota de desdém. Tanto os filhos deste mundo como os filhos de Deus foram batizados num espírito, mas o espírito do mundo e o Espírito que habita nos corações dos homens nascidos duas vezes, acham-se tão distanciados um do outro com o céu do inferno. Não somente são o completo oposto um do outro, mas também estão em extremo combate um contra o outro, e em agudo antagonismo um contra o outro. Para um filho da terra as coisas do Espírito são, ou ridículas, caso em que ele se diverte, ou sem sentido, caso em que ele se aborrece. "Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, < porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente." Na Primeira Epístola de João duas palavras são empregadas uma e outra vez, as palavras eles e vós, e elas designam dois mundos totalmente diversos; vós refere-se aos escolhidos, que deixaram tudo para seguir a Cristo. O apóstolo não se põe genuflexo, de joelhos, ante o deusote Tolerância (cujo culto se tornou na América uma espécie de religião de segunda capa); João é grosseiramente intolerante. Ele sabe que a tolerância pode ser simplesmente outro nome para a indiferença. Exige-se vigorosa fé para aceitar o ensino do experimentado João. É muito mais fácil apagar as linhas de separação e, assim, não ofender ninguém. Generalidades piedosas e o emprego de nós para significar tanto cristãos como descrentes, é muito mais seguro. A paternidade de Deus pode ser ampliada para incluir toda gente, desde Jack, o Estripador, até Daniel, o Profeta. Assim, ninguém fica ofendido e todos se sentem banhados e prontos para o céu. Mas o homem que se reclinara sobre o peito de Jesus não foi enganado assim tão facilmente. Ele traçou uma linha para dividir em dois campos a raça humana, para separar dos salvos os perdidos, dos que se afundarão no desespero final os que subirão para a recompensa eterna. De um lado estão eles — aqueles que não conhecem a Deus; de outro, vós (ou, com uma mudança de pessoa, nós), e entre ambos está um abismo moral largo demais para qualquer homem atravessar. Eis aqui o modo como João o declara: "Filhinhos, vós sois de Deus, e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. Eles procedem do mundo; por essa razão falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro". Uma linguagem como esta é clara demais para confundir qualquer pessoa que honestamente queira conhecer a verdade. Nosso problema não é de entendimento, repito, mas de fé e obediência. A questão não é teológica: Que é que isto ensina? É moral: Estou disposto a aceitar isto e arcar com as conseqüências? Posso agüentar o olhar frio? Tenho coragem de enfrentar os acerbos ataques movidos pelos modernistas? Ouso provocar o ódio dos homens que se sentirão apontados por minha atitude? Tenho suficiente independência mental para desafiar as opiniões da religião popular e de acompanhar um apóstolo? Ou, em resumo, posso persuadir-me a tomar a cruz com o seu sangue e com o seu opróbrio? O cristão é chamado para ficar separado do mundo, mas precisamos ter certeza de que sabemos o que queremos dizer (ou, mais importante, o que Deus quer dizer) com o mundo. É provável que o façamos significar alguma coisa externa apenas, perdendo, assim, o seu significado real. Teatro, cartas, bebidas, jogos — estas coisas não são o mundo; são simples manifestações externas do mundo. A nossa luta não é apenas contra os procedimentos do mundo, mas contra o espírito do mundo. Porquanto o homem, salvo ou perdido, essencialmente é espírito. O mundo, no sentido neotestamentário do termo, é simplesmente a natureza humana não regenerada onde quer que esta se encontre, quer no bar, quer na igreja. O que quer que brote da natureza decaída, ou seja edificado sobre ela ou dela receba apoio, é o mundo, seja moralmente vil ou moralmente respeitável. Os antigos fariseus, a despeito da sua zelosa dedicação à religião, eram da própria essência do mundo. Os princípios espirituais sobre os quais eles construíram o seu sistema foram retirados, não do alto, mas de baixo. Eles empregaram contra Jesus as táticas dos homens. Subornavam os homens para dizerem mentiras em defesa da verdade. Para defender Deus, agiam como demônios. Para proteger a Bíblia, desafiavam os ensinamentos da bíblia. Eles sabotavam a religião para salvá-la. Davam rédeas soltas ao ódio cego em nome da religião do amor. Vemos aí o mundo com todo o seu cruel desafio a Deus. Tão feroz foi esse espírito, que não descansou enquanto não levou à morte o próprio Filho de Deus. O espírito dos fariseus era ativa e maliciosamente hostil ao Espírito de Jesus, pois cada qual era uma espécie de destilação de ambos os respectivos mundos dos quais provinham. Os mestres atuais que situam o Sermão do Monte nalguma outra dispensação que não esta e, assim, liberam a igreja do seu ensino, mal percebem o mal que fazem. Pois o Sermão do Monte dá em resumo as características do Reino dos homens regenerados. Os bem-aventurados pobres que choram seus pecados e têm sede de justiça são verdadeiros filhos do Reino. Com mansidão mostram misericórdia para com os seus inimigos; com sincera simplicidade contemplam a Deus; rodeados de perseguidores, abençoam, e não amaldiçoam. Com modéstia escondem as suas boas obras e com paciência aguardam a visível recompensa de Deus. Livremente renunciam aos seus bens terrenos, em vez de usar a violência para protegê-los. Eles acumulam os seus tesouros no céu. Evitam os elogios e esperam o dia da prestação final de contas para saber quem é maior no Reino do céu. Se esta é uma visão bem precisa das coisas, que podemos dizer quando cristãos disputam entre si lugar e posição? Que podemos responder quando os vemos famintamente procurando homenagens e louvor? Como podemos desculpar a paixão por publicidade, tão claramente evidente entre os líderes cristãos? Que dizer da ambição política nos círculos cristãos? E das febris mãos estendidas para mais e maiores "oferendas de amor"? Que dizer do desavergonhado egoísmo entre os cristãos? Como explicar o grosseiro culto do homem que habitualmente infla um ou outro líder popular dando-lhe somas endinheiradas, beijo dado por aqueles que se propõe como fiéis pregadores do Evangelho? Há só uma resposta a essas perguntas, é simplesmente que nessas manifestações vemos o mundo, e nada senão o mundo. Nenhuma apaixonada declaração de "amor" às "almas" pode transformar o mal em bem. Estes são os mesmos pecados que crucificaram Jesus. Também é verdade que as mais grosseiras manifestações da natureza humana decaída fazem parte do reino deste mundo. Diversões organizadas com ênfase em prazeres frívolos, os grandes impérios edificados em hábitos viciosos e inaturais, o irrestrito abuso dos apetites normais, o mundo artificial denominado "alta sociedade" - todas estas coisas são do mundo. Todas fazem parte daquilo de que a carne consiste, daquilo que se edifica sobre a carne e que há de perecer com a carne. E dessas coisas o cristão deve fugir. Todas essas coisas ele tem que pôr para trás e nelas não deve tomar parte. Contra elas deve pôr-se serena, mas firmemente, sem transigência e sem temor. Portanto, que o mundo se apresente em seus aspectos mais feios, quer em suas formas mais sutis e refinadas, devemos reconhecê-lo pelo que ele é, e repudiá-lo categoricamente. Precisamos fazer isso, se é que desejamos andar com Deus em nossa geração como Enoque o fez na sua. Um rompimento puro e simples com o mundo é imperativo. "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus" (Tiago 4:4). "Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo" (I João 2:15,16). Estas palavras de Deus não estão diante de nós para nossa consideração; estão aí para nossa obediência, e não temos direito de nos entitular-mos cristãos se não as seguimos. Quanto a mim, temo qualquer tipo de movimento religioso entre os cristãos que não leve ao arrependimento, resultando numa aguda separação do crente e o mundo. Suspeito de todo e qualquer esforço de avivamento organizado, que seja forçado a reduzir os duros termos do Reino. Não importa quão atraente pareça o movimento, se não se baseia na retidão e não é cuidado com humildade, não é de Deus. Se explora a carne, é uma fraude religiosa e não deve receber apoio de nenhum cristão temente a Deus. Só é de Deus aquele que honra o Espírito e prospera às expensas do ego humano. "Como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor".

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O GRANDE deus DO ENTRETENIMENTO - A. W. TOZER.

Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Hebreus 2:1 Há muitos anos, um filósofo alemão disse alguma coisa no sentido de que quanto mais um homem tem no coração, menos precisará de fora; a excessiva necessidade de apoio externo é prova de falência no homem interior. Se isto é verdade (e eu creio que é), então o desordenado apego atual a toda forma de entretenimento é a prova de que a vida interior do homem moderno está em sério declínio. O homem comum não tem nenhum núcleo central de segurança moral, nenhum manancial em seu peito, nenhuma força interior para colocá-lo acima da necessidade de repetidas injeções psicológicas para dar-lhe coragem de continuar vivendo. Tornou-se um parasita no mundo, extraindo vida do seu ambiente, incapaz de viver um só dia sem o estímulo que a sociedade lhe fornece. Schleiermacher afirmava que o sentimento de dependência está na raiz de todo culto religioso e que, por mais alto que a vida espiritual possa O Grande deus subir, sempre terá de começar com um profundo senso de necessidade que somente Deus pode satisfazer. Se este senso de dependência e necessidade está na raiz da religião natural, não é difícil ver por que o grande deus Entretenimento é tão ardentemente cultuado por tanta gente. Pois há milhões que não podem viver sem diversão. A vida para eles é simplesmente intolerável. Buscam, ansiosos, o bendito alívio dado por entretenimentos profissionais e outras formas de narcóticos psicológicos como um viciado em drogas busca a sua injeção diária de heroína. Sem estas coisas, não poderiam reunir coragem para encarar a existência. Ninguém que seja dotado de sentimentos humanos normais fará objeção aos prazeres simples da vida, nem às formas inofensivas de entretenimento que podem ajudar a relaxar os nervos e revigorar a mente exausta de fadiga. Essas coisas, se usadas com discrição, podem ser uma bênção ao longo do caminho. Isso é uma coisa. A exagerada dedicação ao entretenimento como atividade da maior importância, para a qual e pela qual os homens vivem, é, definitivamente, outra coisa muito diferente. O abuso de uma coisa inofensiva é a essência do pecado. O incremento do aspecto das diversões da vida humana em tão fantásticas proporções é um mau presságio, uma ameaça às almas dos homens modernos. Estruturou- se, chegando a constituir um empreendimento comercial multimilionário com maior poder sobre as mentes humanas e sobre o caráter humano do que qualquer outra influência educacional na terra. E o que é ominoso é que o poder é quase exclusivamente mau, deteriorando o interior e expelindo os pensamentos de alcance eterno que encheriam a alma dos homens, se tão somente fossem dignos de abrigá-los. E a coisa toda desenvolveu-se, produzindo uma verdadeira religião que retém os devotos com estranho fascínio e, incidentalmente, contra a qual agora é perigoso falar. Por séculos, a igreja se manteve solidamente contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo- o pelo que era - um meio para desperdiçar o tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um esquema para desviar a atenção da responsabilidade moral. Por isso, ela própria sofreu rotundos abusos e críticas dos filhos deste mundo. Mas ultimamente ela se cansou dos abusos e parou de lutar. Parece ter decidido que, já que não consegue vencer o grande deus Entretenimento, pode muito bem juntar suas forças às dele e fazer o uso que puder dos seus poderes. Assim, hoje temos o espantoso espetáculo de milhões de dólares derramados sobre o trabalho profano de providenciar entretenimento terreno para os filhos do céu, assim chamados. Em muitos lugares, o entretenimento religioso está eliminando rapidamente as coisas sérias de Deus. Muitas igrejas, nestes dias, têm-se transformado em pouco mais que pobres teatros onde “produtores” de quinta classe mascateiam as suas mercadorias falsificadas com total aprovação dos líderes evangélicos conservadores, que podem até citar um texto sagrado em defesa da sua delinqüência. E raramente alguém ousa levantar a voz contra isso. Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica (ou de ataques terroristas) pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo tão próxima, os professos seguidores do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos? Extraido da Revista Betel.

EM JESUS CRISTO TEMOS SALVAÇÃO - SELECIONADO.

Quem pode nos livrar do corpo do pecado? Quem pode nos libertar do império das trevas? Quem pode nos libertar do domínio do pecado? Quem pode nos libertar da nossa vontade dominadora, controladora, egoísta, vaidosa e carente de ser aplaudida? Graças a Deus por Jesus Cristo, pois somente nEle podemos ser libertos completamente do pecado e seus malefícios, que nos impede de ver e reconhecer a Deus e a Seu Cristo e nos faz ferir o próximo em proteção dos nossos interesses. Segundo Hebreus 9:26b: Agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar pelo sacrifício de si mesmo o pecado. Assim que, mediante o sacrifício do Cordeiro Santo de Deus, Jesus Cristo, o pecado foi aniquildado dos que nEle crêem. O pecado já não tem mais domínio naqueles que estão em Cristo Jesus, pois A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te (nos) livrou da lei do pecado e da morte. Rm 8:2. Jesus Cristo, se manifestou em carne para que na sua carne condenasse o pecado. O pecado perdeu toda a sua força na carne do nosso Senhor Jesus Cristo, até porque em Sua carne não havia a mácula do pecado. Ele foi o perfeito substituto que nos regenerou para uma viva esperança: sermos feito à Sua imagem, para nEle sermos apresentandos com exultação e imaculados diante de sua glória, segundo Judas 24. Crendo que Jesus Cristo é a nossa salvação, justificação e santificação viveremos os dias que nos restam na carne, conforme o que nos diz Romanos 6:11: Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. E tudo isso é possível quando pela graça de Deus nos é revelado Romanos 6:6-7. Sabendo isto que foi crucificado com Jesus Cristo o nosso velho homem para que o corpo do pecado seja destruído e não sirvamos mais ao pecado como escravos; porquanto quem morreu justificado está do pecado. Em Jesus Cristo fomos libertos do velho homem, porque em Sua morte nós morremos para que em Sua ressurreição fossémos ressuscitados para Ele ser a Vida em nós. E juntamente com Jesus Cristo nos ressuscitou (Efésios 2:6a)Oh! Amados de Deus, é verdade morremos, acabou, a velha criação Adâmica, maligna, acabou. Estamos livre, pois em Cristo morremos para o que nos era prejudicial: II Co 5:14. Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: Um morreu por todos, logo todos morreram. Eu vos pergunto quem morreu por todos? Jesus. Mas, a Bíblia não para aí. Quem morreu também por causa do “Um” que morreu? Todos. Sim todos nós morremos em Cristo. E para quê? Para os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Ele. O homem natural contaminado e dominado pelo pecado vive de si para si em uma completa mentira, pois o pecado o engana constantemente, afirmando que ele é “Deus” e que suas decisões são certas, que tudo que ele faz é bom até chegar o momento de destruí-lo por completo, pois o diabo, o pai da mentira, trabalha em cima de três tripés: matar, roubar e destruir. O homem já nasce morto no pecado, roubado da comunhão de Deus e destruído pelo império das trevas. A medida que vai crescendo fisicamente a sua maldade vai crescendo proporcionalmente até que experimente toda estas faces cruéis e assim, vai cumulando mais ira para o dia do juízo. Somente Jesus Cristo pôde vencer o pecado. Somente nEle encontramos libertação do império das trevas. Então, corramos para Cristo crendo que Ele é o único que pode nos libertar do pecado e operar a Vida Santa que tem plena comunhão com Deus. Nunca esqueçamos que ele nos promete: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei(Mateus 11:28). Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida (João 8:12). Quem crer em mim, como diz as Escrituras, do seu interior fluirão rios de água viva.(João 7: 38). Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e achará pastagem. (João 10:9). As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão(morrerão), eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão.(João 10:27 e 28). Que o Senhor em Sua Graça e Misericórdia nos revele Cristo e Sua tão grande salvação. Amém. Extraido da Revista Betel.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

HEBREUS: A PRIMEIRA ADVERTENCIA - PR CLAUDIO MORANDI.

Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram. Hebreus 2:1-3. Esse texto nos mostra uma séria advertência. Segundo o irmão Stephen Kaung, a palavra de advertência ou palavra de exortação tem, pelo menos, dois significados. Por um lado, uma exortação tem como objetivo encorajar-nos a ir adiante. Por outro lado, a exortação é um aviso tentando livrar-nos do perigo de retroceder. Portanto todo propósito dessa carta é advertir-nos para que não venhamos a retroceder e voltar àquele mesmo sistema do qual fomos libertados. Através da carta aos Hebreus somos encorajados a prosseguir para a perfeição. Perfeição significa simplesmente pleno crescimento, crescimento até a medida da estatura da plenitude de Cristo. Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Efésios 4:13. Os Hebreus a quem esta carta se dirige estavam enfrentando tempos de perseguição. Do ponto de vista do Império Romano, ser cristão passou a ser considerado como crime contra o Império Romano, mas o Judaísmo, por sua vez ainda era considerado uma religião legalmente aceita por eles. Mas, ao mesmo tempo, o Espírito de Deus estava operando. Deus estava para fazer algo muito tremendo ao permitir a destruição de Jerusalém, o centro do Judaísmo e até mesmo a destruição do próprio templo, o núcleo em torno do qual o Judaísmo concentrava-se. Fica claro que essa carta foi escrita tendo este objetivo em mente: libertar os cristãos hebreus de toda e qualquer amarra ao Judaísmo e conduzi-los à plenitude de Cristo. Por esse motivo, os hebreus foram exortados a se apegar com mais firmeza as verdades ouvidas e jamais recusar Aquele que vos fala. Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte. Hebreus 12:25. Precisamos pedir ao nosso Pai celestial que nos conceda visão de nosso Senhor Jesus, pois ela é algo vital para nós, é uma questão de vida ou morte. Sem visão espiritual o povo se corrompe. Quando recebemos visão espiritual somos levados a entrarmos na plenitude de Cristo e avançarmos para a maturidade. Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus. Hebreus 6:1a. Quando nós respondemos ao Senhor aquilo que Ele já nos concedeu, somos levados para o caminho do amadurecimento espiritual. Paulo disse que era para andarmos de acordo com aquilo que já alcançamos. Muitos andam entre nós de uma forma desconcertante, mas pela graça do Senhor esses irmãos ainda chegarão lá, e por isso não devemos criticar a esses irmãos, pois foram isso que eles alcançaram, mas devemos crer e orar pelo vosso crescimento. Nós sabemos que quando alguém crê em sua inclusão no corpo de Cristo, certamente é um filho de Deus e também é nosso irmãozinho menor que dia a dia vai crescendo mais um pouquinho, porque Deus já começou uma boa obra em sua vida. Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo. Filipenses 1:6. Em nosso texto base temos uma importante advertência: “importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”. Isso indica que nós podemos nos tornar pessoas incrédulas e com isso sofrermos duras conseqüências. Lembram de Josué e Calebe? Moisés ordenou ao povo acampar-se. Foi organizada uma equipe de reconhecimento, constituída de um homem de cada uma das 12 tribos, e enviada para espiar a terra de Canaã, avaliar a posição do inimigo, e trazer informações ao exército israelita que estava de espera. Mas o relatório da maioria encheu de medo o coração do povo. O relatório que apresentavam a Moisés dizia: Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel; este é o fruto dela. O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as cidades, mui grandes e fortificadas; também vimos ali os filhos de Anaque. Números 13:27-28. Na verdade, era uma terra linda, da qual manava leite e mel. Mas haviam encontrado gigantes, e isso eles não esperavam. Esses filhos de Enaque eram demais. Israel não tinha como derrotá-los. Dois membros da equipe apresentaram o relatório da minoria dizendo que iria ser difícil, mas com a ajuda do Senhor eles venceriam. Porém era tarde demais. O dano já havia sido causado. O povo fora tomado de pânico, e não havia jeito de convencê-los a avançar. A razão cedeu ao medo. Foi um dos mais trágicos episódios da história de Israel. Uma vez que rejeitaram as promessas de Deus, Ele tinha de castigá-los, e passaram os próximos quarentas anos peregrinando no deserto. Uma geração mais tarde, Moisés escreveu que só precisaram de onze dias para ir de Horebe a Cades-Barnéia, pelo caminho da montanha de Seir. Jornada de onze dias há desde Horebe, pelo caminho da montanha de Seir, até Cades-Barnéia. Deuteronômio 1:2. Visto que aceitaram o conselho dos seus temores em vez de confiar nas promessas de Deus, esta viagem de onze dias prolongou-se por quarenta anos. Em uma palavra: o problema de Israel era a incredulidade, Deus lhe havia feito uma promessa que daria a eles esta terra em Números 33:53 tomareis a terra em possessão e nela habitareis, porque esta terra, eu vo-la dei para a possuirdes. Porém o povo deu mais crédito à capacidade dos gigantes do que à disposição de Deus de cumprir Sua promessa. Os filhos de Israel levaram quarenta anos para fazer uma viagem de onze dias porque não haviam aprendido uma importante lição: “apegar com mais firmeza as verdades ouvidas”. Sabemos que por causa da incredulidade perdeu-se uma geração toda. Por isso que nós hoje aqui nesta manhã, devemos aprender com o erro de Israel em vez de incidir no mesmo padrão trágico da incredulidade. Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo. Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade. Hebreus 3:12 e 19. Incredulidade foi o problema de Israel, e sem constante vigilância, pode ser nosso também. É tolice pensar que somos mais inteligentes ou mais espirituais do que Israel. Deus fez-nos promessas da mesma forma como as fez ao seu povo do Antigo Testamento. A recusa em atuar segundo as promessas de Deus por causa da incredulidade pode levar o indivíduo a dissipar a vida no deserto da mediocridade. Em Cades-Barnéia, Deus serviu-se dos gigantes para testar a Israel. Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Hebreus 3:7-9. Deus permitiu que eles se encontrassem com os “filhos de Enaque” para que pudessem recorrer às suas promessas em vez de confiar em sua própria força e capacidade. Então Israel tentou a Deus, reagindo com dúvida e ansiedade em face de circunstâncias desfavoráveis. Isto fez com que Deus ficasse com uma ira tão aguda, que ela durou quarenta anos. Deus naquela oportunidade respondeu a oração daquele povo e concedeu o que pediram, ou seja, morrera no deserto, e Ele satisfez-lhes o desejo: seus corpos ficaram prostrados no deserto. Tinham medo do que pudesse acontecer aos seus filhos; Deus lhes disse que assumiria a responsabilidade por eles. Sobre este incidente lemos em Salmos 106:14-15 Entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus na solidão. Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma. Muito cuidado com que determinam no coração, porque certamente o recebereis. Não se pode ter pior sorte na vida do que conseguir aquilo que se deseja, quando este desejo não corresponde à perfeita vontade de Deus. Amém. DEUS TE ABENÇOE EM CRISTO JESUS.

sábado, 24 de dezembro de 2011

PARA DEUS, SER FELIZ É... MAURICIO MANTOVANI.

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Mateus 5:3 O conceito de felicidade, segundo os padrões impostos pelo sistema humano e que governa o modo de vida das pessoas sem Cristo, se resume na satisfação do próprio ego. O que mais importa às pessoas absorvidas pela rede da inimizade com Deus e a amizade com o mundo é o quanto elas podem ser contentadas ou beneficiadas em qualquer situação, e, se for possível, receber os aplausos de outras pessoas. Mas, o que é felicidade segundo a ótica de Deus? Do ponto de vista da verdade revelada pelo evangelho, que é a Pessoa de Cristo, o enfoque muda radicalmente! Para Deus, felizes são aquelas pessoas que não encontram felicidade em si mesmas, nas coisas que as rodeiam ou no sistema cultural predominante. Sua felicidade vem diretamente da fonte celestial e que se encontra somente na Pessoa do Filho Amado enviado pelo Pai! Como são felizes as pessoas que aprenderam que não são nada e nada possuem sem que a vida de Cristo seja gerada em seus interiores! Felizes, segundo o ensino de Cristo, são as pessoas convencidas de sua própria miséria espiritual diante do Único Senhor e Salvador da vida humana! O sermão do monte contém a essência dos ensinamentos do reino celestial revelado por e em Cristo! Apresenta um padrão de vida e comprometimento com os princípios Divinos que só uma pessoa pertencente ao reino dos céus pode vivenciar. Este ensino foi dirigido primeiramente aos discípulos, mas também ouvido e crido por muitas outras pessoas na ocasião em que foi pregado. É a vida vivida na base da desistência, da desconstrução e da dependência que só a graça de Deus em Cristo pode proporcionar! O ensino que Jesus Cristo proferiu naquela montanha procura apresentar aos súditos do Seu reino a maneira de viver que agrada ao Seu Pai, revelada e possibilitada somente pela ação do Seu Espírito! Segundo o critério de Deus ensinado nas bem-aventuranças, não podemos ser felizes pelas nossas próprias “pernas espirituais”. A revelação do reino dos céus deve nortear quaisquer valores ou práticas cristãs e em quaisquer âmbitos da vida terrena. É o ensino para uma vida nova e completamente distinta daqueles que não vivem a vida de Cristo. Nunca por méritos ou esforços pessoais, mas por meio da vida implantada Daquele que vive em nós logo, não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:20. Portanto, as pessoas bem-aventuradas ou altamente favorecidas pela graça Divina, jamais dependerão de outra pessoa que não seja a bendita Pessoa do Pai revelado no Filho para serem felizes! A ética, isto é, o modo de vida ensinado pelo sermão do monte não é um credo morto, um sistema religioso estático ou uma doutrina sem sentido, é antes uma expressão vivencial. Trata-se de um padrão de vida baseado na perfeição de Cristo, que reflete o caráter do Pai e se manifesta naqueles que possuem a vida que vem Dele. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Romanos 8:16. O traço característico da cidadania espiritual do reino dos céus está presente na ênfase dada à palavra makárioi que pode ser traduzida por “abençoados, altamente favorecidos ou felicitados” pela ação graciosa e perdoadora do Pai Celestial em Cristo. Somente a suficiência de Cristo nos proporciona uma felicidade produzida pela ação do Seu Espírito em nosso cotidiano, nos fazendo reproduzir o Seu caráter! Os makárioi são pessoas privilegiadas por receberem o favor Divino. São pessoas muito ricas por terem recebido o “tesouro celestial” da graça que há em Cristo para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Efésios 1:6. De acordo com esta constatação bíblica, as pessoas felizes são as que possuem uma alegria gerada no íntimo, vinda do Senhor e que faz com que possam celebrar o triunfo do Cordeiro em meio às circunstâncias desfavoráveis a si mesmas. Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3. Descreve exatamente o “estado ou condição” das pessoas que experimentam a suficiência da Pessoa e Obra de Deus em Cristo e não se ancoram nas circunstâncias negativas ou positivas em que se encontram. Nunca será uma felicidade caracterizada pelos prazeres superficiais e passageiros produzidos pelo espírito humano ou pela falsa sensação de êxito gerada pelas conquistas tributadas às nossas capacidades de realização. O termo “pobres” era conhecido entre os judeus e descrevia aquelas pessoas humildes, que viviam na inteira dependência de Deus. Na verdade o termo já era conhecido no Antigo Testamento, referindo-se àquela gente vitimizada pelas opressões, explorações, sofrimentos, misérias e humilhações que lhes eram impostas por pessoas ou sistemas. O conceito bíblico de intimidade com Deus traz em seu bojo a ideia de um “estado interior de felicidade”, fruto de uma intervenção específica da graça Divina, nas pessoas que passam por situações de adversidade extrema. No entanto esta situação só poderia ser experimentada por aqueles que se viam “totalmente” impotentes e dependentes da ação do Pai Celeste. Somente as pessoas que realmente chegam ao fim de si mesmas podem experimentar a riqueza da presença Divina em meio à pobreza do espírito humano. Há também outro sentido para os “pobres segundo Deus” que indica uma ausência de orgulho pessoal ou segurança própria, vista numa postura de quem assume a sua total carência da vida e da ação de Deus. É a total dependência humana da misericórdia de Deus, totalmente declarada e experimentada. O evangelho do reino dos céus começa com a total desistência de nós mesmos, os pobres de espírito! O reconhecimento de nossa pobreza e miserabilidade espirituais, da necessidade de que o perdão do Pai nos seja outorgado e o consequente arrependimento pela condição depravada e pecaminosa são as “credenciais” para que desfrutemos da cidadania celestial. A renúncia de nossas próprias capacidades salvíficas humanizadas e a rejeição de nos submetermos ao “espírito” que rege o mundo são as condições necessárias de acesso e herança do reino celestial porque deles é o reino dos céus. Será que estamos plenamente identificados com a posição de “pobres segundo Deus” descrita em Mateus 5:3? Temos sido convencidos pelo Senhor sobre da nossa “pobreza espiritual”? Será que estamos refletindo esta realidade espiritual em nossos relacionamentos pessoais, familiares ou ministeriais de maneira intensa e inequívoca? Embora não seja uma declaração completa e exaustiva de todo o ensino de Jesus Cristo, o sermão do monte sintetiza a essência do ensino sobre o Seu reino. Apresenta o padrão ético do reino do Pai, que só pode ser alcançado por Aquele a quem Ele nos enviou. O ensino de Jesus Cristo apresenta como deveria ser a maneira de viver de Seus imitadores ou discípulos. A ética do reino dos céus presente no ensino do sermão do monte deve nortear qualquer princípio que leve o nome de cristão e em quaisquer âmbitos da vida humana. É o ensino para uma vida completa e radicalmente diferente do espírito que impera neste mundo anticristão, que hoje é chamado pós-moderno. O conteúdo teológico do sermão do monte é o estabelecimento do padrão divino do reino celestial, invadindo todas as dimensões da vida e ação humanas. Éa transformação produzida pela vida Divina claramente vistas no caráter e na postura das pessoas que pertencem ao Senhor deste reino. A ética do sermão do monte não é um credo morto, um sistema religioso estático ou uma doutrina que não produz transformação de vidas. Trata-se de um padrão de vida que apresenta a suficiência e a perfeição de Cristo como reflexo do caráter do Seu Pai e visíveis na vida de Seus filhos e filhas. Alguém já chamou o sermão da montanha de “carta magna do reino dos céus” e “código de conduta de seus cidadãos”. Descreve antes o estado daqueles que são felicitados pelo Pai em seu íntimo e as atitudes naturais que identificam os justificados por Ele. Há também outro elemento da primeira bem-aventurança que aponta para uma completa ausência de orgulho pessoal ou segurança própria, em relação à dependência de Deus. É a total dependência da misericórdia de Deus, totalmente declarada e vivida. Nada é mais revolucionário no mundo moral. O evangelho do reino dos céus começa com o espírito da renúncia gerado por Deus nos corações de pessoas que se veem pobres e fracassadas diante do Criador e Redentor do universo. O reino dos céus pode ser caracterizado como o reinado de Cristo na vida de cada pessoa que é convertida pela Sua Obra! A ética de Jesus é a ética deste reino e, a nós, só nos cabe sermos e vivermos pela manifestação da Sua vida em nós! Como somos felizes quando reconhecemos a nossa própria miséria espiritual! A convicção de que nosso Pai é a Pessoa mais rica que existe e de que somos paupérrimos espirituais tira todo o peso de nossas costas. Muitas vezes ainda tentamos carregar este peso, mesmo tendo uma vida de intimidade e relacionamento com Ele. A verdadeira felicidade, segundo o projeto redentor de Deus, só pode ser alcançada por intermédio da Sua graça manifestada na Pessoa e Obra de Seu Filho! Alguém já disse que o discípulo de Cristo é aquele que recebe e pratica aquilo que é ensinado em Seu evangelho. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. João 14:21. O evangelho de Cristo é sempre um ensino e uma realidade em andamento, dinâmica e que não pode ser esgotada por mais que se fale sobre o assunto. A felicidade gerada por Deus é alegria íntima que sobrevive às situações externas. Expressa uma situação existencial ancorada na ação graciosa do Pai Celestial. É demonstrada pela ausência de orgulho pessoal e de segurança ou justiça próprias, caracterizada por uma relação de dependência incondicional do Pai! A consciência da insuficiência humana é a primeira atitude que agrada a Deus! Esta primeira bem-aventurança decreta, logo de início, a total falência e impossibilidade de sermos felizes pela suficiência humana. Somente quando reconhecemos a nossa insuficiência, poderemos ser satisfeitos com a suficiência Divina. Por esta razão, todas as outras bem-aventuranças são decorrentes desta desconstrução Celestial!

sábado, 17 de dezembro de 2011

A PESSOA E OBRA DE CRISTO - PR. CLAUDIO MORANDI

A PESSOA E OBRA DE CRISTO Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas. Hebreus 1:1-3. A Epístola aos Hebreus compara Jesus ao Antigo Testamento e apresentá-O como o cumprimento das suas profecias messiânicas. O tema que percorre a carta do principio ao fim é: “Jesus Cristo é superior a Moisés, a Arão, ao sistema de sacerdócio Levítico; proporciona um melhor descanso, uma superior aliança, uma melhor certeza. Jesus Cristo é superior a tudo!”. Desde tempos imemoriais, Deus tem buscado seu povo e comunicado com ele. Embora não se limitasse em seus métodos, preferiu, na maioria das vezes, comunicar-se com o povo por meio dos profetas. Em nossos dias, a palavra profeta evoca um quadro mental de um velho vestido de roupas um tanto surradas, com longa barba branca. No passado, por varias vezes, e de modos diferentes, Deus havia falado ao seu povo por intermédio de profetas e de anjos; mas “nestes últimos dias” falou-nos por intermédio e na Pessoa do Seu próprio Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Mateus 17:5 Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Irmãos Jesus Cristo é a palavra final de Deus a nós. Os anjos e os profetas do passado revelaram a mensagem de Deus a certos indivíduos ou povos. Jesus Cristo, porém, revelou-nos Deus, de uma vez por todas. Jesus Cristo é o “resplendor da glória divina, e a expressão exata do Seu Ser”. Quando olhamos para Jesus, vemos a Deus face a face. Tudo o que Deus é pode ser encontrado em Cristo. Jesus é a perfeita, completa e exata representação da divindade. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Colossenses 1:15. Jesus é a definitiva revelação do próprio Deus à humanidade. Por isso, Jesus é superior aos anjos. Jesus é tão superior aos anjos quanto seu nome, Filho de Deus, é mais ilustre do que os deles, que são espíritos ministradores. Então, qual deveria ser nossa resposta a Ele? Se os homens se curvaram em obediência a anjos, quanto mais devemos nós atentar para o verdadeiro Filho de Deus e segui-lO! João 12:26. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. Um dos fatos preciosos na carta aos Hebreus é que o nosso Senhor Jesus se tornou Homem para resolver o problema da humanidade. Isso fala da sua encarnação. Desde o principio da Criação, Deus ordenou que o homem se assentasse no ápice de sua Criação sobre a Terra, mas a entrada do pecado no mundo alterou tudo isso. Era o propósito do Pai que todas as coisas gravitassem em torno do Seu amado Filho, mas por causa do pecado, o Seu propósito ainda não se cumpriu, ou seja, todas as coisas ainda não estão sujeitas a Cristo. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas. Hebreus 2:8. Agora nós podemos entender o motivo da Sua encarnação. O versículo nove vai nos explicar com clareza. Jesus se tornou parte da ordem criada. Seu objetivo primário não era realizar milagres e praticar boas ações, embora sejam um subproduto de Sua vida perfeita. Seu propósito era morrer na cruz. E todos nós que já passamos pela obra da cruz, ou seja, que já fomos crucificados, mortos e ressuscitamos com Ele para viver vida nova, conhecemos este fato como a morte vicária em nosso beneficio. Hebreus 2:9 Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem. Jesus provou a morte por cada um de nós, para que nós jamais viéssemos a provar do seu ferrão. Na sua morte, Ele destruiu aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo. Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo. Hebreus 2:14. Por sua morte Jesus Cristo destruiu as obras do diabo. Quando Cristo entregou a vida em pagamento por nossos pecados naquele dia fatídico no Gólgota, quebrou o grilhão da morte que satanás tinha sobre a raça humana. O nosso inimigo está derrotado. Todos nós sabemos que morte é fruto do pecado. Morte é separação, e o pecado separa o homem de Deus. Todo homem tem experimentado isto no sentido espiritual em que está separado de Deus. Morto espiritualmente, ele é oco e vazio por dentro. Seus dias estão contados, e ele sabe que a morte física é apenas uma questão de tempo. Ninguém escapa à “ceifadora implacável”. Todos nós vamos morrer um dia, mas a morte não tem mais poder sobre a vida de um regenerado. A morte vai levar para o inferno tudo aquilo que tem e é pecado, mas nós fomos libertos do pecado em Cristo. Jesus nos libertou desta escravidão! Hebreus 2:15-16 E livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão. É tão maravilhoso entender e crer que em sua morte propiciatória, Cristo nos reconciliou-nos com Deus. Isso é salvação em três palavras fáceis de entender. Quando Jesus provou a morte por todo homem, Ele destruiu o poder do diabo, livrou-nos da escravidão do pavor da morte, e fez propiciação por nossos pecados. Isso tudo diz respeito ao ministério passado de Cristo, realizado enquanto Ele esteve na Terra. Temos, também, um breve relancear de olhos em Seu ministério presente, que está sendo conduzido no céu. Leiamos Hebreus 2:18 Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados. Segundo a Bíblia, Jesus suportou a agonia de ser severamente tentado em todas as coisas, e por isso Ele pode socorrer-nos na luta com a tentação. Jesus usou a analogia do jugo para descrever Sua disposição de socorrer-nos, porque o seu jugo é suave, e o seu fardo é leve. Neste jugo há somente lugar para dois e Ele já colocou a Sua cabeça, agora cabe a cada um de nós colocar a nossa. Neste jugo de Jesus, ao levarmos aos ombros a nossa carga, o nosso fardo Ele se coloca ao nosso lado e nos ajuda a carregá-la. Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação. Salmos 68:19. Na carta aos Hebreus vemos que a vida cristã é uma carreira, ou uma corrida que já sabemos quem será o vencedor, Ele é o nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso vencedor. Mas nós estamos nEle, por isso somos mais que vencedores. Nesta corrida encontraremos muitos obstáculos. Estes obstáculos são as nossas tribulações e sofrimentos que teremos de enfrentar, mas quando olhamos para Jesus firmemente, podemos ficar tranqüilos, pois Ele é o nosso treinador. Jesus nos dá confiança e renovam as nossas forças, por isso sempre temos bom animo. Irmãos, nós estamos correndo a corrida da vida. Os nossos torcedores são os homens e as mulheres do capitulo 11 de Hebreus. O nosso técnico é o Senhor Jesus Cristo. Ele também disputou a corrida que nós temos pela frente e agora se ergue, gritando palavras de estimulo, advertindo-nos dos perigos e riscos, e dando vivas aos nossos vibrantes esforços. Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hebreus 12:1-2. Amém.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

FERIDAS QUE NUNCA SARAM - GLENIO FONSECA PARANAGUÁ.

Cura-me, SENHOR, e serei curado, salva-me, e serei salvo; porque tu és o meu louvor. Jeremias 17:14. Do ponto de vista de Deus, quem vem primeiro no processo da salvação: o arrependimento ou o perdão? Esta é uma questão fundamental que tem, pelo menos, duas respostas correndo pelos corredores da investigação teológica. Os estudiosos, de tendência humanista, acham que o perdão é fruto do arrependimento. Você precisa se arrepender primeiro, para que seja perdoado depois. Neste caso, eles fazem do arrependimento uma espécie de penitência ou, melhor dizendo, uma moeda de troca. Se você fizer a sua parte, então Deus fará a dele. Você será perdoado, desde que se arrependa do seu pecado antes da concessão do perdão. Esta é uma corrente muito apreciada pela meritocracia humana. As pessoas ‘nobres’ se veem participantes e diretamente responsáveis pelo perdão, com uma parcela notável de contrição pessoal, valorizando a consternação como se fosse sua contrapartida no negócio que envolve a salvação dos seus pecados. Por outro lado, para os investigadores bíblicos que têm a graça como o pressuposto básico e essencial para a crença cristã, o arrependimento é consequência do perdão. Nós nos arrependemos porque fomos perdoados graciosamente por Deus. Segundo esta turma graciosa, é a bondade de Deus que nos concede o arrependimento. Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? Romanos 2:4. Estes crentes no evangelho da graça plena percebem que o perdão é uma ação graciosa e incondicional de Deus, que antecede todas as reações espirituais humanas, e acaba, no final das contas, constrangendo o pecador a se arrepender por pura gratidão. O perdão gracioso gera sempre um arrependimento grato. Como disse Alice Clay, “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão”. Foi nesse juízo que Alexandre Pope concluiu: “errar é humano – perdoar é divino”; logo, a anistia libera a culpa e gera arrependimento. Ora, se não mereço e sou absolvido da culpa pelo sacrifício de Cristo em meu favor, então, só tenho que considerar este amor furioso e apaixonado como a causa capaz de me convencer da minha rebeldia, concedendo-me o arrependimento, graciosamente. Esta posição me cativa ao extremo, pois vejo sempre em minha vida uma incapacidade total de corresponder ao favor imerecido. Por falar nisso, quero ressaltar aqui e agora: favor merecido me cheira a comércio, negociata, troca ou até mesmo, a favorecimento movido por admiração. Há, neste caso, algumas vantagens rolando pela esteira. Se a obra de Deus for realmente pela graça plena, como creio que é, então, o perdão antecederá, obrigatoriamente, ao arrependimento. Sendo assim, somos perdoados imerecidamente e nos arrependemos do pecado por misericórdia e graça de Deus. Portanto, se fomos perdoados graciosamente pela graça do Pai, temos também neste formato gracioso o modelo existencial do nosso perdão. "Quem de graça foi perdoado, pela mesma graça perdoa". No reino espiritual é comum a genética do Pai se manifestar essencialmente na conduta do filho. Aliás, podemos dizer, espiritualmente falando: "tal pai, tal filho". Ou; os que não perdoam são filhos do Diabo, que, como cobra, sempre cobra e de contínuo se vinga. Enquanto isso, os filhos de Abba estão permanentemente dispostos a perdoar pela operação eficaz do Espírito Santo, tal como o seu Pai. Todos os que foram perdoados pela graça, foram ao mesmo tempo, transformados em instrumentos vivos de perdão. Suportai- vos uns aos outros, perdoai- vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. Colossenses 3:13. Ninguém vive neste mundo sem trombadas, contusões e feridas; por outro lado, nenhum cristão verdadeiro permanece com a ferida sangrando. Não podemos evitar as lesões, embora possamos, pela graça do nosso Pai, perdoar os agressores. "Não é possível haver saúde mental e espiritual sem que haja perdão verdadeiro e total". Diante desta frase, alguém me perguntou: o perdão implica no convívio com o agressor? Não, necessariamente. O perdão implica, sim, na absolvição do agressor, para que o próprio agredido não se torne uma ferida que nunca sare. Mas isto, não significa uma convivência obrigatória com aquela pessoa que o feriu. Não há compulsão para quem se tornou livre pelo amor incondicional de Deus. Perdoar é um imperativo da salvação e uma expressão categórica do amor liberto de regras, que nos salvaguarda de qualquer conduta determinada pelo dever. Uma vez libertos da tirania do ego, pela nossa morte e ressurreição com Cristo, ganhamos a condição de vivermos fora de comportamentos predeterminados e esperados por legalistas de plantão, a fim de manifestarmos a vida de Cristo, como o padrão de nosso viver. Aquele que perdoa, motivado pela vida de Cristo em seu ser, pode conviver com o seu agressor, se isto for para a glória do Pai; bem como, viver distante, longe, fora do seu relacionamento, se também for para a mesma glória do Pai. A questão básica agora, não é o nosso bem estar em si mesmo, mas a glória daquele que nos libertou de qualquer camisa de força. A norma que conduz a conduta cristã sempre será: Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 1 Coríntios 10:31. O pecado nos destituiu da glória de Deus, porém a salvação nos converteu para o centro desta glória Divina. Nós não vivemos mais para a nossa própria glória, uma vez que fomos regenerados para glorificar Aquele que nos aceitou integralmente pela sua graça. Nenhum cristão é compelido a perdoar. Não há perdão a fórceps e ninguém é forçado a indultar. Na verdade, todo cristão foi gerado pelo Pai, para perdoar como o Pai. Se eu não perdoar de fato, primeiramente, estou assegurando que não sou filho de Deus; depois, me torno um prisioneiro de profunda amargura, e as minhas feridas nunca saram. Alguns dizem que já perdoaram, mas não conseguem esquecer. Quero apenas lembrar a estes que assim pensam: esquecer como ausência de memória, talvez só por Alzheimer. Podemos rememorar os fatos, o que não podemos é lembrá-los com azedume. Precisamos, antes de tudo, ser desintoxicados da reminiscência amargurada. O problema real não se encontra na lembrança em si mesma, mas na lambança fermentada pelos sentimentos purulentos da infecção do individualismo. O ego ferido costuma se transformar numa pústula segregando o pus da arrogância fétida, que contamina todos que estiverem por perto. A alma dolorida é malcheirosa; supura e dá asco. Sem o perdão custeado pela graça de Cristo de modo irrestrito e unilateral, as feridas nunca saram e o seu contágio pela baba que escorre da boca que geme, acaba infectando a família, os conhecidos e até os que se propunham a ser amigos, que aos poucos, vão saindo de fininho para não ficarem contaminados e aleijados. O perdão é imprescindível para a boa saúde. Conversei com um amigo, alcançado agora pela graça depois de uma traição familiar, que me contou: “a pior coisa que fiz foi falar mal da minha ex-esposa após a nossa separação sofrida”. Enquanto ele mantinha a dor da infidelidade como álibi do seu vitimismo, desabafava a peçonha da amargura e se contorcia em desgosto na tentativa de expiar a sua vingança. Quando, pela graça de Deus, ele pode liberar o perdão, as coisas mudaram. Vejo agora na sua vida um sopro de amor que só pode vir do trono do Pai. A pessoa que não perdoa vive, aqui, num inferno, infernizando os outros e sem esperança de alcançar o céu. Só o perdão pode sarar as feridas abertas. Apenas o perdão total pode conceder o verdadeiro arrependimento. Então, alguém me pergunta se Deus perdoou a todos em Cristo. – Sim, com certeza, o perdão de Deus é ecumênico. Ela continua a indagar: por que, pois, as pessoas que foram perdoadas, não se arrependem todas? Esta é uma tese teológica que também traz, pelo menos, duas respostas modelares. Alguns dizem que é uma questão da eleição divina. Se a pessoa é eleita por Deus, então ela se arrependerá. Outros sustentam que isto depende só da vontade do sujeito. Acredito que há um mistério no assunto que envolve as duas partes. Não creio na eleição fatalista que escolhe alguém para a perdição, embora creia na eleição em Cristo para a salvação, que implica na decisão responsável daquele que foi vivificado pelo poder da pregação da Palavra de Cristo. Urge um milagre de vivificação antes da conversão. O mysterium fidei ou o enigma da fé ainda continua sem um esclarecimento por se tratar de um assunto não revelado: As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. Deuteronômio 29:29 . Aliás, o que se sabe de verdade é que um perdoado, que não se considera arrogantemente como se fosse Deus, arrepende-se; e, arrependido de fato, perdoa e fica curado.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A PALAVRA FIRMADA ETERNAMENTE!

Para sempre, ó SENHOR, está firmada a tua palavra no céu. Salmos 119:89. Irmãos a Palavra de Deus é Cristo, Ele é o Logos, Jesus é o Verbo. Todas as palavras que Jesus falou é espírito e é vida, porque Ele é Espírito e Ele é Vida. Aquele que é a Palavra viva, Ele é refletido de forma escrita, pois a Bíblia é a Palavra de Deus, e a Palavra de Deus é Cristo. É por isso que as Escrituras testificam por elas mesmas que são o sopro de Deus. Vejamos esse texto em 2 Timóteo 3:16-17 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. No texto inicial podemos observar que o Senhor coloca um absoluto dizendo que a Sua Palavra está para “sempre firmada no céu”. Essa Palavra é imutável, pos isso ela não varia como as gerações variam, porque nosso Senhor Jesus Cristo é “o mesmo ontem, hoje e o será para sempre”. Nós estamos vivendo numa geração que simplesmente joga está Verdade no lixo. Estamos vivendo em uma geração na qual não há absolutos, tudo é relativo. E quando tudo é relativo, você se torna o centro dessa esfera existencial. Então aquilo que te faz bem, aquilo que de alguma maneira te ajuda, especialmente aquilo que lhe traz prazer é o certo. Aquilo que não te dá prazer, aquilo que não te satisfaz, não é bom. Tudo isso é resultado da falta de absolutos. E como somos completamente enganados quando nos guiamos por este parâmetro. E nós já temos idade suficiente para sabermos que nem tudo o que nos dá prazer é agradável ao Senhor. Irmãos o nosso Deus não tem necessidade nenhuma de sentir prazer através das nossas vidas. Ele não precisa de glória, porque Ele já é o Senhor de toda glória. Pos isso devemos nos gloriar em conhecê-lO. Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. Jeremias 9:24. Quando nós adoramos e louvamos a Deus nós temos um senso de realização como seres criados, porque nós estamos dobrando nosso coração, nosso ser, nossas vidas, Aquele que nos criou e nos redimiu. Por isso que adorá-lO, louvá-lO nos enche de prazer, nos enche de satisfação, mas nada é acrescentado a Ele. Por que? Porque Ele é uma Pessoa na qual nada pode ser acrescentado. Deus tem satisfação com nosso louvor e adoração? Sim, porque Ele é um Deus relacional. Agora nós precisamos saber porque fomos criados e recriados em Cristo. Você sabe? A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz. Isaías 43:7. Quando as nossas vidas são vividas de forma agradável a Deus, significa que isso é agradável a nós. Por isso quando a nossa mente vai sendo renovada, podemos experimentar de uma forma muito especial à vontade de Deus em nossas vidas. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2. Irmãos não é verdade, se formos honestos, que temos de admitir que à vontade de Deus muitas vezes soa desagradável para nós? Por que? Porque a nossa mente não é uma com a dEle. A nossa necessidade é sermos transformados pela renovação da vossa mente, para vermos que o nosso Deus não é um sarcástico celestial e que Ele não quer nos privar de todas as coisas boas da vida. A nossa leitura do que é bom, não é a leitura dEle do que é bom. A nossa leitura do tempo, não é a leitura dEle do tempo. A nossa leitura do modo, não é a leitura dEle do modo, das coisas, das situações, das relações. Por não termos uma mente que compactua com a mente de Deus, nós ficamos experimentando todas essas divergências. Mas graças ao Senhor, porque Ele não desiste de nós, Ele é um amante celestial, Ele nos ama. De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Jeremias 31:3. Deus é O amante de nossas almas, e por isso, Ele veio nos buscar e nos dar condição para buscá-lO. É muito interessante como o Seu amor nos persegue continuamente. Irmãos Ele persegue as nossas almas, Ele se importa com cada um de nós, Ele nos ama. Ele nos busca, e muitas vezes leva algumas coisas a morte em nossas vidas. Em muitos casos Deus se esconde de nós para que o procuremos, e isso é mecanismo de amor. É exatamente isso que o noivo faz em Cantares. Ele se retira da noiva, para que a noiva o busque. O Senhor faz isso com cada um de nós, ou seja, Ele se esconde para que o buscamos e isso é dispositivo de amor. Sabe como funciona isso na nossa história com Ele? A nossa alma se seca, sequidão mesmo. Você já experimentou sequidão em sua vida espiritual? Sequidão espiritual vem do Senhor, é administrada por Ele. Ele se esconde de nossas almas, para que as nossas almas o busque a Ele. Quantas vezes chegamos diante do Senhor dizendo que precisamos dEle, que nossos caminhos são obstinados, temos lutado por isso, lutado por aquilo. Parece que se aquela porta não se abrir nunca vou reconhecer que o Senhor é bondoso. Mas o Senhor é bondoso independente se aquela porta se abrir. Irmãos isso é uma lição que temos que aprender às vezes a duras penas. Ele não é um Deus bom porque abre ou fecha portas. Ele é Deus bom, porque Ele é bom. Louvai ao SENHOR, porque o SENHOR é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável. Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom. Salmos 135;3 e Salmos 34:8a. O nosso Pai sempre irá perseguir as nossas almas para nos convencer do que Ele é. Esse é um processo muito delicado e de imenso amor. Somente quem é pai poderá compreender o fato de Deus ser Pai. Você vai entender que como pai, vai ter um desejo de certa forma governante em sua vida e vai procurar de todas as maneiras mostrar para seu filho que você o ama. Irmãos, Deus é a fonte de toda paternidade e de toda maternidade. Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, Efésios 3:14-15. Então, nós pais fazemos de tudo para mostrar aos nossos filhos o quanto amamos, mesmo quando não damos aquilo que eles querem, nós o amamos. Assim nós damos essa lição para os nossos filhos. Mas quando Deus quer dar esta lição para nós, nós dizemos que Ele não nos ama, que o Senhor nos priva disso, priva daquilo, o Senhor retarda isso, O senhor não abre aquela porta, o Senhor não faz isso acontecer. Não é assim que agimos? Vocês percebem como a nossa mente é enganosa? Mas não esqueçamos, Deus nos ama e Ele jamais vai esquecer de nós. Assim como Ele perseguiu Abraão, Isaque e Jacó, também persegue a cada um de nós. Irmãos o nosso Deus, é um Deus perseverante e nunca desistirá de nós. Vejam o que Paulo disse a Timóteo: Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho. 2 Timóteo 1:9-10. Saibamos que o Deus que nos salvou é determinado, por isso Ele vai nos convencer do Seu amor e de Sua bondade. Mesmo que esse processo passe por muitos açoites, ele sempre irá nos levar a vermos de forma experimental o quanto Ele é bondoso. Muitos têm que levar muitos açoites, outros poucos açoites. Mas por que açoites? Porque somos tolos em compreender os Seus desígnios. E Ele faz isso porque nos ama e nos ama com amor eterno. Porque O Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. Hebreus 12:6. Irmãos tenham isso em mente: O Senhor não irá desistir de você, para que você seja levado a desistir de você. Porque quanto mais você desistir de você, tanto mais Ele vai aproximar de você. Apesar de sermos o que somos, Deus nos ama mais e mais. Não podemos nos esquecer que a Sua Palavra está firmada nos céus para sempre. Então olhemos para a Palavra genuína dEle e tomemos posse da Sua verdade que mostra o Seu grande amor por nós tornando-nos Seus filhos eternos. Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus, e, de fato somos filhos de Deus. 1ª. João 3:1a. Amém.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

QUANDO DEUS PLANTA A SUA COLHEITA É CERTA.

Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles. Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Oséias 14:4-5. Como é maravilhoso viver no ponto de vista mais amplo e ouvir o Pai celestial esclarecer o que Ele está realizando nos dias de hoje. Em Seu plano de santificação vemos como Ele deliberadamente segue um padrão. Da mesma forma que o agricultor planta uma semente para que possa ter uma colheita de muitos frutos da mesma espécie, o Pai Eterno também planta Seu precioso Filho para que, no devido tempo, Ele possa trazer muitos filhos à glória. Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Hebreus 2:10. Um assunto fascinante, embora raramente detectado, permeia todo o livro de Hebreus. Resumidamente, consiste na história de dois corpos que o Pai preparou para Seu Filho. Como um Agricultor, o Pai plantou Seu Filho Unigênito e espera o crescimento e a colheita de muitos filhos regenerados que um dia chegarão à glória. Deus proferiu Sua mensagem completa e perfeita por meio de Seu único Filho e nas eras vindouras continuará a falar por todo o Universo por meio de Seus filhos coletivos, que estão sendo formados, em união com Seu único Filho. Nós somos os filhos coletivos do Pai, ou seja, a Sua igreja, uma vez que cremos em nossa morte e ressurreição com Cristo. Tudo aquilo que o Pai estabeleceu em Cristo Jesus, Ele quer expressar isso através da Igreja. Efésios 3:10-11. Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor. A Bíblia fala de dois corpos que nosso Senhor teve e por isso ao entrar neste mundo o Espírito Santo formou um corpo no ventre de Maria. Este corpo natural e individual que Cristo recebeu foi semeado na morte. Entretanto, há outro corpo do qual Paulo fala em Colossenses 1:18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia. Irmãos, este é o Corpo coletivo composto por muitos membros, a Igreja. A Palavra de Deus fala muito a respeito do primeiro corpo que o Senhor Jesus sacrificou na cruz para que pudéssemos passar pela experiência de sermos separados para Deus. Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Hebreus 10:10. Por meio da obra da cruz que Cristo realizou no Calvário somos libertos da centralidade em nós mesmos a fim de que a Cabeça do corpo possa partilhar conosco a consciência do Seu Corpo. Mas para que possamos ser inseridos neste Corpo e termos verdadeiro relacionamento com a Videira verdadeira é necessário termos uma experiência real de regeneração mediante a semente da Palavra de Deus. Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. 1 Pedro 1:23. Quando olhamos para a Palavra de Deus com bastante atenção, podemos ver o método que Deus usa para nos colocar em Seu Corpo. Consideremos a Semente perfeita, o Senhor Jesus, para quem o Pai preparou um Corpo. Certamente a Semente que o Pai havia plantado era o Seu próprio Filho, pois o Filho é a Palavra e a Semente viva. Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. Lucas 8:11. Agora o que nos traz grande admiração é saber que esta Semente é plantação do Pai, por isso Ela é divina. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9. Jesus ao ser plantado, conhecia o propósito do Pai. Quando alguns gregos vieram e pediram para ver Jesus, Sua resposta surpreendeu alguns, e muitos não a entenderam o que Ele dizia. Mas hoje podemos entender que aquela semente ou aquele grão de trigo era o que o Pai havia plantado. Se aquela semente não morresse, ficaria ela só, mas graças ao Senhor a semente morreu e por isso produziu muitos frutos, e nós, somos o fruto desta plantação, ou seja, somos produtos do amor de Deus. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. João 12:24. Quando olhamos mais atentamente para o que Deus está fazendo nos dias de hoje, surpreendemo-nos ao constatar como temos sido lentos em entender as verdades acerca do Corpo que Ele está preparando. No Evangelho segundo Marcos, Jesus mostra claramente o que acontece com a Semente que o Pai plantou na Terra. Da morte surgirá vida de ressurreição. Leiamos Marcos 4:28 A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. Obviamente esta figura pode ser utilizada para ilustrar o processo de crescimento de cada indivíduo, mas aqui nosso principal interesse é o Corpo coletivo. Vemos a Igreja primitiva como a “erva”. Desde aquele dia quase dois mil anos atrás, quando brotou em novidade de vida, a Igreja cresceu até o estágio de “espiga”, e cremos que irá brevemente amadurecer até tornar-se “o grão cheio na espiga”. A colheita está prestes a acontecer. Parece que ainda há muitos grãos não amadurecidos e despreparados para a foice do Agricultor. E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa. Marcos 4:29. Queridos ficou muito claro para nós que o Pai planta o Seu Filho e colhe muitos filhos. Creio que é chegado o momento de despertarmos para o propósito divino. Não há outra maneira de explicar a disciplina, cada vez mais intensa, que muitos do povo do Senhor têm experimentado nos dias de hoje. Há muito sofrimento em todos os lugares. Esse sofrimento certamente aumentará até que o Corpo entre em trabalho de parto em âmbito universal. A Igreja deve sofrer dores de parto para trazer à luz um novo dia. Nada nos traz maior consciência de corpo do que sofrimento. Existe algo maravilhoso na empatia que flui por meio do corpo, é quando um membro sofre, todo o corpo sofre, ou pelo menos devem sofrer juntos. Isso é verdade a respeito do corpo natural e também o é com relação à Igreja, Seu Corpo espiritual. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. 1 Coríntios 12:26. Irmãos segundo alguns estudiosos, eles dizem que na época do plantio no oriente é precedida por uma intensa chuva chamada a “primeira chuva”. Essa chuva amacia a terra dura e ressequida preparando-a para a semeadura. O grão brota rapidamente e a planta continua a crescer durante vários meses; depois disso, repentinamente, parece que para de crescer. Maturidade e amadurecimento dependem da “última chuva”. Se a chuva atrasa em demasia, as hastes se tornam amarelas; e a espiga, se chegar a aparecer, tem um aspecto murcho e seco. Não é de admirar que o agricultor espere ansiosamente pela chuva, constantemente olhando para o horizonte distante em busca do primeiro sinal de nuvens que trarão a chuva esperada. Sem dúvida alguma, a “primeira chuva”, em sentido tipológico, foi o derramamento do Espírito Santo no dia de pentecostes. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. Oséias 6:3. O povo de Deus tem visivelmente despertado para a sua necessidade de amadurecimento. Um crescente sentimento de pressão, desamparo e fracasso o tem invadido e, em todo mundo, ouve-se o gemido suplicando por chuva para que o grão amadureça. A safra de Deus irá amadurecer, mas a semente individual não alcança maturidade vivendo com a preocupação primordial por seu próprio bem estar e crescimento. O caminho de Deus é exatamente o oposto. Assim como ocorreu na vida do Filho de Deus, será também com cada “grão de trigo” que quiser ser frutífero. Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus. Romanos 7:4. Amém. Comunidade Igreja Batista Palavra da Cruz em Rio Preto. Pastor: Claudio Morandi.