quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O LEILÃO - DEVERN FROMKE.



Alguns anos atrás em visita
a Inglaterra, tomei
conhecimento da seguinte
história. Ela me
impressionou tanto que passei a verificar
sua veracidade. Recentemente
descobri que os fatos aconteceram da
seguinte maneira: Nos idos tempos
da Segunda Grande Guerra, uns dos
homens mais ricos do Reino Unido
e seu filho nutriam uma paixão para
colecionar obras de arte. Os dois viajavam
ao redor do mundo, agregando
à coleção somente os mais finos tesouros.
Aquele pai viúvo deleitava-se
grandemente em seu filho por ter ele
desenvolvido tamanha habilidade
como colecionador.
Quando o seu país foi totalmente
tomado pela guerra, aquele jovem
sentiu a necessidade de servir seu país
alistando-se no exército. Ele, porém,
serviu por poucos meses. O jovem
foi morto enquanto levava apressadamente
um companheiro ferido ao
médico. Angústia e tristeza se apoderaram
do coração daquele pai até que
em uma manhã atendeu uma campainha.
Ali, na soleira da porta, estava
um soldado segurando um grande
embrulho. O soldado cumprimentou
o pai solitário dizendo: “Eu era amigo
Desvendando-nos o mistério
da sua vontade, segundo o seu
beneplácito que propusera em
Cristo, de fazer convergir nele,
na dispensação da plenitude dos
tempos, todas as coisas, tanto as
do céu, como as da terra. Efésios
1:9,10
34 RIQUEZA DA GRAÇA Revista Betel
de seu filho, na verdade, era eu quem
ele resgatava quando foi morto. Tenho
algo que gostaria de mostrar ao
senhor, posso entrar?”
Ele contou àquele pai como o filho
costumava relatar o amor que compartilhava
com o pai pelas caras obras
de arte que colecionavam. O soldado,
de pé diante daquele homem, disse:
“Sou um artista e gostaria de presenteá-
lo com este retrato que pintei de
seu filho em apreciação por sua coragem
em salvar-me a vida”.
Tomado de emoção, o pai agradeceu
ao soldado pelo retrato e
prometeu dependurá-lo acima da
lareira, onde teria especial destaque.
Certamente, ninguém consideraria
aquele quadro uma obra à altura das
demais obras da sua coleção de arte.
Entretanto, nas semanas e meses que
se seguiram o pai descobriria que,
graças à bravura e coragem de seu
filho, dezenas de outros soldados feridos
foram resgatados por ele antes
que uma bala silenciasse seu coração
compassivo.
À medida que aquele pai tomava
conhecimento das historias de coragem
de seu filho, orgulho e a satisfação
começaram a tomar o lugar do
sentimento de perda. Além disso, o
retrato do filho tornou-se a maior
relíquia daquele homem, ultrapassando
até mesmo os muitos objetos
de arte que eram tão cobiçados por
museus ao redor do mundo.
Pouco tempo depois aquele homem
faleceu e o círculo das artes
ficou em polvorosa. Sem conhecer a
história do filho, toda a coleção de artes
seria levada a leilão no dia de Natal,
por ter sido aquele o dia em que
o pai recebera seu mais precioso presente:
o retrato de seu único filho.
Quando o dia do leilão finalmente
chegou e os colecionadores de arte de
todos os cantos do mundo compareceram
para dar lances nas mais espetaculares
e variadas peças de arte, o
leilão começou com uma pintura que
não constava de nenhuma lista de
nenhum museu.
Era a pintura do filho daquele homem.
Era a única condição dada pelo
pai! O leiloeiro, então, pediu por um
lance inicial. A sala estava em silêncio.
“Quem fará o lance inicial?” O
recinto permanecia em silêncio, até
que uma voz do fundo exclamou:
“Quem se importa com tal retrato?
Ande logo e vamos ao que interessa!”
Outras vozes se ajuntaram em coro.
“Não, devemos vender este quadro
primeiro”, foi a resposta do leiloeiro.
Lá estava o retrato sobre um cavalete
para que todos vissem. “Quem
levará o retrato do filho?”, continuou
o leiloeiro.
Ninguém da platéia conhecia o fiRevista
Betel RIQUEZA DA GRAÇA 35
lho, ou mesmo se importava, pois a
pintura havia sido feita por um artista
desconhecido. Para aquelas pessoas,
tal retrato era sem qualquer valor
- algo do qual era necessário ficar livre
para que se pudesse prosseguir com
as negociações mais importantes.
Porém, naquele dia, estava na platéia,
uma pessoa que havia sido empregado
da família por toda a vida,
que conhecera e vira crescer o filho
quando ainda era menino. Aquela
pessoa lembrou-se dos idos dias em
que cuidara daquele menino e pensou:
como seria bom ter esse quadro
como lembrança. Ele então perguntou:
“Você aceitaria dez dólares pelo
quadro? É tudo que tenho. Conheci
o menino e gostaria, portanto, de
comprar o quadro”.
“Tenho aqui uma oferta de dez
dólares. Alguém dá mais?”, gritou o
leiloeiro. Depois de mais silêncio, o
leiloeiro disse: “Dou-lhe uma, doulhe
duas, vendido ao cavalheiro”.
Bateu o martelo. Gritos de satisfação
encheram a sala à medida que a
expectativa pelas outras peças do leilão
aumentava. Ao invés, o leiloeiro
anunciou com voz serena: “Senhoras
e senhores, o leilão está terminado!”
Todos ficaram estupefatos! O que
estava acontecendo? O leiloeiro prosseguiu
lendo: “O testamento estipula
que aquele que comprar o retrato do
filho leva também todas as demais
peças. A coleção inteira vai para esse
homem”, disse apontando para o
idoso servo que, ao lado, admirava o
quadro que acabara de comprar.
A multidão retirou-se irada! Mas
cada um deles devia admitir que teve
a mesma oportunidade que aquele
fiel servo. Qual é o real significado
daquele acontecimento singular?
Aquele pai estava demonstrando a
mais profunda honra e afeto pelo seu
único filho.
Há outro Pai que tem semelhante
afeição por Seu Filho. Você sabe
que me refiro à afeição do nosso Pai
celestial por Seu Filho, o Senhor
Jesus. Desde aquele dia singular no
Calvário, nosso Pai considera central
a seguinte pergunta: o quanto você
aprecia Meu Filho?
Ainda mais importante é o que o
Pai acha (não o que nós achamos) de
seu Filho. A fim de realmente compreendermos
essa questão, devemos
considerar a explicação de Paulo sobre
o plano e o propósito que Deus
tinha antes mesmo de começar a Sua
criação:
Desvendando-nos o mistério da sua
vontade, segundo o seu beneplácito que
propusera em Cristo, de fazer convergir
nele, na dispensação da plenitude dos
tempos, todas as coisas, tanto as do céu,
como as da terra; nele, digo, no qual
36 RIQUEZA DA GRAÇA Revista Betel
fomos também feitos herança, predestinados
segundo o propósito daquele que
fez todas as coisas conforme o conselho
da sua vontade, a fim de sermos para
louvor da sua glória, nós, os que de
antemão esperamos em Cristo. Efésios
1:9-12
Imagine! Desde o princípio, nosso
Pai planejara que Seu Filho fosse
a peça central do Universo. Esse
foi o plano original antes da criação
e antes da queda do homem, que
Seu Filho - e aqueles que compõem
o Seu corpo - tivesse esse lugar de
proeminência!... Sim, e Paulo continua:
“para que se torne conhecida dos
principados e potestades nos lugares
celestiais, a multiforme sabedoria de
Deus, pela Igreja, em conformidade
com o eterno Propósito que ESTABELECEU
EM CRISTO JESUS,
NOSSO SENHOR”.
Pai, é possível que, como aquelas
pessoas no leilão, milhões se surpreendam
no último dia... quando a cortina
for aberta... e descobrirem que
o Pai planejou que Seu Filho, Cristo
Jesus, seja honrado por ter a proeminência
em todas as coisas. Oro para
que nenhum leitor fique irado ou
mesmo surpreso como aquelas pessoas
no leilão!
Fonte:
Livro: A Janela mais Ampla
Autor: Devern Fromke
Editora Tesouro Aberto
www.tesouroaberto.com.br

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