quarta-feira, 15 de junho de 2011

ACEITOS NO AMADO - IRMÃO HUMBERTO XAVIER RODRIGUES.



Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Efésios 1:6.

Este versículo está inserido no contexto de uma das grandes revelações dada pelo Espírito Santo ao apóstolo Paulo, evidenciando com inconfundível clareza as riquezas e imensuráveis bênçãos doadas ao povo de Deus. Cristo é o fundamento sobre o qual todas essas bênçãos estão assentes e, delas gozamos porque Nele estamos.

No Amado fomos feitos o objeto presente e atual do favor de Deus Pai, como o próprio Cristo é o objeto do Seu amor. Ou seja, Deus Pai nos deu o Seu Filho. O Seu filho, Cristo, deu a Sua vida por nós, nos resgatando e nos vivificando para que pudéssemos ser apresentados diante de Deus, Seu Pai, aceitáveis segundo a aceitação da Sua própria pessoa, pelo fato de termos sido inseridos e harmonizados Nele, em Sua completa obra redentora.

Portanto, o segredo de toda benção está no fato de ter Cristo satisfeito todas as exigências do Pai. Por isso, Cristo é amado pelo Pai e, os que creem, são vistos como agradáveis, por estarem Nele. As bênçãos são concedidas nos lugares celestiais, da maneira mais excelente, não deixando lugar para nenhuma comparação.

São bênçãos concedidas em Cristo: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo Efésios 1:3. Fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais. Nem uma sequer faltou, e são todas da mais elevada ordem. Não são bênçãos transitórias, são bênçãos eternas.

Tudo isto se originou no coração do próprio Deus. Antes que o mundo existisse, nós tínhamos esse lugar reservado no Seu coração. Ele nos deu esse lugar em Cristo - elegeu-nos e nos predestinou Nele. E assim, fomos constituídos objetos do favor de Deus, em harmonia com o Seu soberano amor, quando, em nós, nada havia que podia agradá-Lo, isto porque, a graça de Deus dispensa qualquer pretenso “favor” humano.

Se quisermos medir esse amor, é por Cristo e em Cristo que devemos experimentar fazê-lo. Porque somente em Cristo temos a medida daquilo que não se pode medir, isto é, as insondáveis riquezas reveladas Nele. O coração de Deus encontra em Seu Filho as Suas delícias: E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. Lucas 3:22.

O Céu está aberto a Jesus; toda a afeição do Céu se concentra agora sobre Ele e sobre todos aqueles que estão Nele, e assim é a privilegiada posição do homem diante de Deus. Jesus nos coloca nessa posição como sendo Ele mesmo a nossa medida de perfeição.

O Céu se abre! Observe que não é o Céu abrindo-se para procurar alguém que estava afastado de Deus, mas é a graça e a perfeição de Jesus que faz o Céu abrir. Jesus abriu os céus para nos levar pra lá. Note-se também que, a presença de Jesus estabeleceu o princípio de reconciliação entre o Céu e a terra.

Agora o Céu está aberto ao homem, em Jesus Cristo. Assim, Deus estabeleceu a nossa reconciliação “nos escolhendo, nos predestinando para filhos de adoção e nos tornando agradáveis no Amado”, com o propósito de nos ter perante Ele. Este é um dos princípios fundamentais da graça de Deus.

Fomos introduzidos neste mundo pela criação de Adão. O desenvolvimento de todos os caracteres desta criação teve lugar até a cruz. Entretanto, o nosso lugar em Cristo nos foi dado antes do mundo existir.

O homem esteve primeiramente em inocência; depois pecador sem lei; depois pecador sob a lei; e, quando reconhecido culpado de todas as maneiras, a graça – o próprio Deus - vem em bondade ao mundo dos pecadores, e não encontra senão ódio para o Seu amor.

A suprema demonstração do amor de Deus é vista na morte de Cristo pelos ímpios: Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Romanos 5:6. Seu amor é ao mesmo tempo original e imerecido, posto que estendido a todos nós – pela morte de Cristo em nosso favor – enquanto estávamos incapacitados e paralisados pela culpa do pecado.

Desta forma, o caráter incrível do amor de Deus está no fato de que ele foi exercido em favor daqueles cuja condição natural era absolutamente repugnante diante de Sua santidade.

O mundo está julgado e os homens estão perdidos: esta é a verdade que todos, individualmente, têm que ter conhecimento. Mas, a redenção foi consumada, o desígnio de Deus foi cumprido, e o Seu plano objetivando a nova criação em Cristo, foi executado. O “mistério que esteve oculto desde todos os séculos foi manifestado”.

Deus nos fez agradáveis a Si, no Amado, esse é o fundamento do nosso descanso. Em virtude da união vital com Cristo, o nascido de novo possui a posição inalienável de ser um homem que está perante Deus, numa posição de santo e irrepreensível.

Uma união com Cristo que resultou da nossa morte e ressurreição. Incluídos Nele, estamos identificados na semelhança da Sua morte e, consequentemente, identificados na Sua ressurreição: Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Romanos 6:5.

Identificados Nele, somos o que Ele é: Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. I Pedro 1:16. Deus nos escolheu em Cristo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis perante Ele em amor. Ele mesmo é Santo em Sua natureza, irreprovável em todos os Seus caminhos.

Sendo assim, isto nos fala de uma posição de perfeita felicidade - estar na presença de Deus, posição esta conquistada por Cristo. Cristo é o objeto e a perfeita medida da afeição divina. Assim, Deus encontra em nós as Suas delicias, por estarmos em Cristo.

Quanto ao crente, ele é possuidor de uma natureza semelhante à de Cristo quanto às Suas qualidades morais, por isso, somos capazes de gozar plenamente dessa perfeita comunhão e harmonia, na Sua presença: Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. Efésios 1:4.

Além disso, foi a Sua própria escolha, a Sua própria afeição que nos colocaram ali - em Cristo - nos tornando assim as Suas eternas delícias. Deste modo, o nosso coração encontra o seu descanso nesta posição, porque há acordo entre a nossa natureza e a de Deus.

A nossa posição está em harmonia com a natureza de Deus. A escolha que Deus fez para que ocupássemos este lugar, mostra a afeição pessoal que Ele tem por nós. Escolha esta como fruto da Sua graça infinita.

Deus nosso Pai, na Sua bondade eterna e soberana, em conformidade com os Seus planos de amor, nos quer diante de Si. Esse desígnio, que nos liga a Cristo em graça, é enfaticamente revelado nestas palavras: Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça. Efésios 1:7.

É em Cristo que vemos a nossa posição segundo os propósitos de Deus. É Nele também que encontramos a redenção. Deus se moveu em nosso favor, agindo em harmonia segundo as riquezas da Sua graça.

Por esta razão, vemos um povo, uma família celestial, criada segundo os desígnios e os planos de Deus, que existe como fruto dos eternos pensamentos de Deus e da Sua natureza de amor – o que aqui é chamado: “as riquezas da Sua graça”. Deus glorifica-Se a Si mesmo quando Se revela.

Tudo isto, pois, é para louvor da glória da Sua graça, segundo a qual Ele atua para nós em Cristo, e Cristo é a medida desta graça. Toda a plenitude desta graça é revelada nos caminhos de Deus para nós, e dela temos a plenitude.

O que Deus fez pelos pobres pecadores é segundo as riquezas da Sua graça. Ele é rico em graça. Assim, a nossa posição é feita e estabelecida segundo os planos de Deus e, pela eficácia da Sua obra em Cristo. Deus, nosso Pai, nos deu o privilégio de gozarmos de todas as bênçãos nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.

O Senhor Jesus é o objeto de toda a afeição de Seu Pai, e por Ele os afetos do Pai são nossos. Que posição para pobres criaturas como nós! Que descanso é para aquele a quem foi dada esta revelação: que em Cristo, se tornou aceito incondicionalmente diante de Deus!

Que graça! Deus nos fez agradáveis a si no Amado! Que Deus abra os nossos olhos para vermos a posição que ocupamos em Cristo, diante Dele!

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