quarta-feira, 23 de março de 2011

O RESUMO DO JULGAMENTO DE ISRAEL - REV KENNETH L. GENTRY JR.


João se volta aos julgamentos adicionais na terra por meio das três aflições
após mencionar os remidos/selados de Israel em 14.1-5, (14.6-21) e as sete
taças (caps. 15 e 16). Entretanto, as profecias são feitas em hipérbole
dramática, elas recorrem a eventos históricos. Por exemplo, considere a
colheita das uvas da ira: “Elas foram pisadas no lagar, fora da cidade, e correu
sangue do lagar, chegando ao nível dos freios dos cavalos, numa distância de
cerca de trezentos quilômetros” (14.20).
Por razões constrangedoras “a cidade” aqui parece ser Jerusalém: 1)
João define “a cidade” anteriormente como Jerusalém (11.8); 2) a “colheita”
está na “terra/nação” (gr. hê gê; 14.15-19); 3) esse julgamento recai no lugar
onde Jesus foi crucificado: “fora da cidade” (Jo. 19.20; v. Hb. 13.11-13); e 4) o
Filho do homem “na nuvem” (Ap. 14.14,15) ensaia o tema do Apocalipse
referente a Israel (1.7). A distância do fluxo de sangue é de 1.600 estádios (300
km) que é aproximadamente o comprimento da terra (nação) quando era uma
província romana: O Itenerarum de Antonius de Piacenza registra o
comprimento da Palestina como 1.664 estádios. Esta profecia se refere ao
“dilúvio” de sangue em Israel durante a guerra dos judeus. Permita-me
documentar isto.
Em Wars Josefo escreve: “o mar era sangrento por um longo trecho”
(3.9.3); “então era possível ver que o lado todo coberto de sangue, e cheio de
corpos mortos” (3.10.9); “todo o país pelo qual eles tinham fugido estava
cheio de matança, e o Jordão não pôde ser atravessado, por causa dos corpos
mortos que estavam nele” (4.7.6); “o sangue percorreu todas as partes baixas
da cidade, e também a cidade superior” (4.1.0); “o exterior do templo, todo,
transbordava de sangue” (4.5.1); “o sangue de todo o tipo de carcaça morta
permanecia nos lagos nos tribunais santos” (5.1.3); e “pela cidade toda corria
sangue, a tal ponto que realmente o fogo de muitas das casas era extinto com
o sangue dos ocupantes” (6.8.5).
A divisão “da grande cidade” em três partes (16.19; v. 11.8) parece se
referir à disputa interna em Jerusalém. Conforme lutavam contra os romanos,
os judeus se fragmentaram em três acampamentos de guerra:
E agora havia três facções traiçoeiras na cidade, e se separaram. Eleazar e seu
grupo, que mantiveram as primícias sagradas, vieram contra João em seu
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sofrimento. Aqueles que estavam com João saquearam a população, e saíram com
ardor contra Simão. Assim Simão teve seu suprimento de provisões da cidade, em
oposição aos revoltados (Wars 5.1.4; v. 5.1.1).
Essa situação causou sérios problemas para a defesa da cidade, pois
levou a população a destruir até seu próprio suprimento de alimento (Wars
4.1.4).
João está apresentando o processo dramático de aliança contra Israel
por seu adultério. O castigo na lei de Deus para adultério é a morte (Lv.
20.10), que pela lei bíblica é por apedrejamento. Assim, testemunhamos
enormes pedras de granizo caindo sobre Jerusalém em Apocalipse 16.21:
“Caíram sobre os homens, vindas do céu, enormes pedras de granizo, de cerca
de trinta e cinco quilos cada (gr. talantiaia, talento; NVI); eles blasfemaram
contra Deus por causa do granizo, pois a praga fora terrível”. Josefo registra o
cumprimento histórico e o ataque dos romanos a Jerusalém por catapultas:
As pedras que foram lançadas pesavam 34,272 kg [gr. talantiaia], e atingiam até
402,34 m de distância. O impacto provocado por elas de modo algum poderia ser
suportado, não somente por aqueles que primeiramente estavam em seu caminho,
mas também pelos que estavam mais longe. Quanto aos judeus, inicialmente eles
esperavam a vinda da pedra, que era de cor branca (Wars 5.6.3).
Mas tenho de prosseguir.1

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