domingo, 27 de fevereiro de 2011

O MÉDICO DOS MÉDICOS - PR CLAUDIO MORANDI.


O MÉDICO DOS MÉDICOS
A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los. Marcos 1:30-31.
Irmãos devemos ter cuidado para que a nossa fé envolva não somente a cabeça, mas também o coração. Cuidemos para que o nosso conhecimento exerça uma influência santificadora sobre nossos afetos e nossas vidas. Não somente conheçamos a Cristo, mas igualmente amemo-Lo, motivados pelos reais benefícios que temos recebido dEle. Devemos não apenas crer que Ele é o Filho de Deus e o Salvador do mundo, mas também precisamos regozijar-nos nEle com coração resoluto. Estejamos familiarizados com Cristo, não só por ouvirmos a seu respeito, mas também por pedirmos diariamente sua misericórdia e graça. E nEle nós temos misericórdia e graça, pois é a Sua natureza. Leiamos Salmos 103:8 O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.
Em nosso texto que estamos considerando, vimos que a sogra de Pedro estava com febre e acamada. Diante desta cena precisamos tirar uma preciosa lição. Aprendamos a que remédio o regenerado deve recorrer, antes de tudo, nos tempos de tribulação. Nós cristãos precisamos imitar o exemplo dos amigos da sogra de Simão Pedro. Lemos que, quando ela “achava-se acamada, com febre”, esses amigos logo lhe falaram a respeito dela. Não existe medicamento que se compare a esse. Os meios postos à nossa disposição devem ser usados com diligência, sem dúvida, em todo momento de necessidade. Os médicos devem ser consultados em caso de enfermidade. Os advogados devem ser ouvidos quando a propriedade ou o indivíduo precisam de defesa. A ajuda dos amigos deve ser procurada. No entanto, a primeira coisa que devemos fazer é clamar ao Senhor Jesus Cristo, rogando-Lhe socorro. Salmos 30:2 SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste.
Irmãos, ninguém será capaz de nos aliviar com tanta eficácia quanto Ele. Ninguém é tão compassivo e tão disposto a aliviar nossas dificuldades. Vamos citar exemplos. Quando Jacó se viu envolvido em grande dificuldade, primeiramente voltou-se para Deus e suplicou: Livra-me das mãos de meu irmão Esaú, porque eu o temo, para que não venha ele matar-me e as mães com os filhos. Gênesis 32:11.
Quando Ezequias sentiu-se pressionado, antes de qualquer coisa abriu, diante do Senhor, a carta enviada por Senaqueribe; e, então rogou: Agora, pois, ó SENHOR, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR Deus. 2 Reis 19:19.
Quando Lázaro adoeceu gravemente, suas irmãs imediatamente mandaram dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas. João 11:3b.
Vivemos em um mundo caracterizado pelo pecado e pela tristeza. São muitos os dias tenebrosos na vida de uma pessoa. Não é necessário alguém ter visão profética para prever que haveremos de chorar muito e sentir muitos apertos no coração, antes de morrermos. Amada igreja que foi comprada pelo precioso sangue de Cristo, estejamos armados com a receita contra o desespero, antes que surjam nossas dificuldades. Devemos saber o que fazer, quando a enfermidade, a perda de um ente querido, a perseguição por causa de Cristo, os fracassos e os desapontamentos caírem sobre nós, como se fossem homens armados. Façamos conforme se fez na casa da sogra de Pedro, em Cafarnaum. Contemos tudo, na hora, a Jesus. Vamos levar as pessoas ao Senhor. Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. E o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Mateus 11:28 e João 6:37b.
Se o nosso Senhor Jesus é o Médico dos médicos, devemos levar as pessoas até Ele. Está é uma grade lição para nós; levar as pessoas com qualquer tipo de enfermidades a Cristo. Na cura da sogra de Pedro, temos que tirar mais outra valiosa lição. Neste episódio, aprendamos sobre a completa e perfeita cura que o Senhor realiza. Cristo tomou aquela mulher enferma pela mão, ergueu-a do leito e, imediatamente, “a febre a deixou”. Entretanto, isso não foi tudo. Observem que um milagre ainda maior foi efetuado. Em seguida lemos que a sogra de Pedro passou a “servi-lo”. No caso da sogra de Pedro, a debilidade física e a prostração que os estados febris geralmente impõem a todas as suas vítimas foram prontamente removidas. A mulher que tinha febre não só foi curada num momento, mas também, foi fortalecida e capacitada a trabalhar. Nesse incidente de cura, podemos perceber um símbolo vivo de como Jesus Cristo cuida das almas enfermadas pelo pecado. O nosso bendito Salvador não somente concede misericórdia e perdão; mas também nos proporciona sua graça renovadora. Primeiro Jesus nos liberta e purifica, para Ele mesmo, então agora podemos servi-Lo. O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras. Tito 2:14.
Jesus confere o poder de serem feitos filhos de Deus a todos os que O recebem como o Médico de suas almas. Ele os purifica, mediante Seu Espírito, quando os lava em seu precioso sangue. Aqueles a que Ele justifica, a esses também santifica. Quando Jesus concede a absolvição, também concede um coração novo que jamais se aparta dEle. Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. Jeremias 32:40.
Quando Ele nos proporciona o perdão gratuito incluindo-nos em Seu corpo na cruz, Cristo, pela nossa ressurreição juntamente com Ele, nos dá a cada um de nós, forças para “servi-Lo”. A alma, enfermada pelo pecado, não é meramente curada, para então ser entregue a si mesma; ela recebe um coração novo e um espírito reto, sendo capacitada a viver de modo que agrade a Deus. Há um grande consolo nesse pensamento para todos que têm o desejo de servir a Cristo, mas que, no presente, têm receio de começar. Existem muitas pessoas que se acham presas a esse temor. Temem que, se vierem ousadamente e tomarem a cruz, acabarão sucumbindo em algum ponto do caminho. Receiam que não serão capazes de perseverar e que lançarão em descrédito sua própria profissão de fé. Não deveriam continuar sentindo este medo. Que saibamos que Jesus é um Salvador Todo-Poderoso, que jamais se esquece daqueles que se entregam a seus cuidados. Salmos 55:22 Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.
Uma vez que fomos ressuscitados da morte do pecado pela sua todo-poderosa mão, e que fomos purificados em seu precioso sangue, continuaremos a servir ao Senhor até o final de nossas vidas na terra. Se crermos, já recebemos poder que nos capacita a vencer o mundo, já crucificamos a carne e temos força para resistir ao diabo. Basta que comecemos, para que prossigamos adiante. Jesus desconhece inteiramente casos de cura pela metade e de obras feitas pela metade. Portanto, que nós confiemos em Jesus e na sua provisão e vamos avançar. A alma perdoada será sempre capacitada a servir a Cristo. A nossa suficiência vem do Senhor e, Ele vai operar em nós e fazer através de nós. A nossa suficiência vem de Deus. Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. 2 Coríntios 3:5b. e Filipenses 2:13.
Nessa verdade há um grande consolo para todos aqueles que realmente estão servindo a Cristo. Nós não temos que temer absolutamente nada! As nossas forças irão aumentando, na medida de nossas necessidades. As nossas dificuldades que enfrentamos desaparecerão da nossa jornada conforme vamos prosseguindo. O leão no caminho, que agora muitos temem, mostrar-se-á uma fera acorrentada. A mesma mão graciosa que, no começo, nos tocou e sarou, haverá igualmente de nos sustentar, fortalecer-nos e guiar-nos até o fim. O senhor Jesus, sob hipótese alguma, perderá qualquer de suas ovelhas. Ele ama até o fim aqueles a quem Ele ama e perdoa. Embora, ocasionalmente, muitos de nós sentimos desencorajados, jamais seremos rejeitados pelo Senhor. A alma curada continuará, para sempre, a servir ao Senhor. A graça divina nos conduzirá continuamente até a glória. Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. 1 Pedro 5:10. Amém.
QUE O NOSSO DEUS E PAI CONTINUE VOS ABENÇOANDO - GRAÇA E PAZ.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

CUIDADO COM O ASTIGMATISMO DA ALMA - LLOYD-JONES.


Com freqüência tem sido mal compreendida esta ex-pressão: «Não tomeis nenhum pensamento» (Mateus 6.34) e . . . muitos têm coxeado e tropeçado. . . o verdadeiro sentido de «Não tomeis nenhum pensamento» mudou desde que foi posta em circulação a Versão Autorizada (Authorized Version), em 1611. Se você consultar os especialistas nesse campo, verá que eles fazem citações de Shakespeare para mostrar que «tomar pensamento» era então usado no sentido de «estar ansioso», ou tender para a inquietude. Assim, a verdadeira tradução. . . deveria ser: «Não estejais ansiosos», ou «Não tenhais ansiedade», ou, se você prefere, «Não vos inquieteis» (que é como aparece na Edição Revista e Atualizada no Brasil), acerca de sua vida, sobre o que haveis de comer ou beber. . . a palavra empregada por Jesus é deveras interessante; é a palavra usada para indicar algo que nos divide, separa ou desvia a atenção, vocábulo utilizado com grande freqüência no Novo Testamento. . . você encontrará (em Lucas 12.29) a expressão . . . «não vos entregueis a inquietações», ou seja, «nem tenhais mente impregnada de dúvidas».

Trata-se da mente dividida em secções e compartimentos, não funcionando como um todo. A melhor maneira de descrever a situação é dizer que essa mente não é «um só foco visual», ou «olho singelo». Há uma espécie de visão dupla, um olhar em duas direções ao mesmo tempo, não se tendo, pois, nenhuma percepção visual correta de coisa alguma. . .

A história de Marta e Maria oferece ilustração ainda melhor do sentido dessa expressão... (Lucas 10.38-42). Nosso Senhor voltou-se para Marta e a repreendeu. Disse-lhe: «Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas cousas». A pobre Marta estava com a atenção desviada — este é o verdadeiro significado da expressão; ela não sabia em.que altura estava nem o que, de fato, queria. Por outro lado, Maria tinha um único propósito, um único alvo; não a distraíam muitas coisas. Portanto, a advertência do Senhor é contra o perigo de sermos desviados do principal objetivo da vida pela preocupação com coisas terrenas e mundanas, ao fixarmos os olhos nelas e perdermos Deus de vista.

LUZ QUE REQUER VISÃO - A. W. TOZER.


Luz requer Visão! - A. W. Tozer

Para achar o caminho precisamos de algo mais que luz; precisamos de visão também.As Escrituras Sagradas são a fonte de luz moral e espiritual. "A revelação das tuas palavras esclarece", diz o salmista; e outra vez, "Lâmpada para os meus pés é a tua pala¬vra, e luz para os meus caminhos".

Creio na inspiração plenária das Escrituras como originalmente dadas, e posso cantar com o hinólogo:

"Louvamos-te pelo brilhoque da página sagrada, que é luz para os nossos passos,através das eras fulge".

Entretanto, penso que não lanço nenhuma desonra à página sagrada quando digo que o brilho dela não basta. A luz, só, não é suficiente.

A luz é uma figura que a Bíblia e os mestres religiosos empregam com freqüência quando querem falar de conhecimento. Enquanto os homens não têm conhecimento, diz-se que estão nas trevas. A vida do conhecimento é como o surgir do sol. Mas o raiar do sol nada significa para os olhos que não vêem. Somente os dotados de visão se beneficiam com a luz do sol.


Entre a luz e a visão a diferença é grande. Uma pessoa pode ter luz sem ter visão; é cega. Outra pode ter visão sem ter luz; é temporariamente cega, mas a chegada da luz rapidamente a capacita a ver. O carcereiro de Filipos tinha bons olhos, mas pediu "uma luz" para ver Paulo na escuridão. Mas nem toda a luz do sol, da lua e das estrelas poderiam ajudar Sansão, pois os filisteus lhe tinham furado os olhos.

Ê sempre noite para o cego, e sempre é dia para o homem que leva consigo uma lâmpada — desde que possa ver. Um dístico do Livro Hindu do Bom Conselho assinala isto:

"Mesmo que o cego leve uma lanterna, seus passos se desviarão".

Que nos diz isso tudo? Simplesmente que a instrução religiosa, mesmo da boa, não é suficiente em si. Traz luz mas não dá visão. Sem a iluminação do Espírito, o texto não pode salvar o pecador. A salvação resulta de uma ação do Espírito no coração. Não pode haver salvação isolada da verdade, mas pode haver, e muitas vezes é o que se dá, verdade sem salvação. Quantos múltiplos milhares aprenderam de cor o catecismo, e ainda vagam nas trevas morais porque não houve a iluminação interior!

A suposição de que luz e visão são sinônimos tem trazido tragédia espiritual a milhões. O cego pode encarar um lindo panorama com os olhos bem abertos, e nada vê; e o coração cego pode ouvir a verdade salvadora, e nada entende. Os fariseus olharam diretamente a Luz do Mundo por três anos, mas nenhum raio de luz chegou ao interior do seu ser. A luz não basta.

Os discípulos de Jesus foram instruídos nas Escrituras. Cristo os instruiu pessoalmente na lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos; todavia, foi preciso um específico ato de "abertura" interior para que pudessem captar a verdade. "Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras" (Lucas 24.45). Quando Paulo pregou em Filipos, certa mulher chamada Lídia ouviu, creu, foi batizada e imediatamente pôs a sua casa à disposição de Paulo. Mas uma pequena frase, altamente significativa, explica a coisa toda: "o Senhor lhe abriu o coração" (Atos 16.14). Lídia recebeu visão bem como luz.

O apóstolo aprendeu bem cedo no seu ministério que, como ele o coloca, "a fé não é de todos" E ele sabia por quê. "Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus" (2 Coríntios 4.3,4).

Satanás não teme a luz enquanto pode manter as suas vítimas sem visão. A mente incapaz de compreender não é afetada pela verdade. O intelecto do ouvinte pode captar a verdade salvadora, e apesar disso o coração não lhe dá resposta moral. Um exemplo clássico disto se vê na história de Benjamin Franklin e George Whitefield. Em sua autobio¬grafia, Franklin narra com alguns pormenores, como ouvira a poderosa pregação do grande evangelista. Chegou a dar uma volta ao redor da praça onde estava Whitefield para verificar pessoalmente a que distância ia aquela voz de ouro. "Whitefield falou pessoalmente com Franklin sobre a sua necessidade de Cristo e prometeu orar por ele. Anos mais tarde, Franklin escreveu com muita tristeza que as orações do evangelis¬ta não deviam ter feito bem nenhum, pois ainda não se con¬vertera.

Ninguém poria em dúvida o brilhantismo intelectual de Franklin, e certamente Whitefield pregava a verdade integralmente; contudo, aquilo deu em nada. Por quê? A única resposta é que Franklin tinha luz sem visão. Ele jamais viu a luz do Mundo. Fazê-lo requer um ato de iluminação interna operado pelo Espírito, coisa que aparentemente Franklin nunca recebeu.

A operação interior do Espírito Santo é necessária à fé salvadora. O Evangelho é luz, mas somente o Espírito pode dar visão. Ao procurarmos trazer perdidos a Cristo, devemos orar continuamente no sentido de que recebam o dom de ver. E devemos contrapor a nossa oração àquele espírito trevoso que cega o coração dos homens.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A PREGAÇÃO DA PALAVRA - PR CLAUDIO MORANDI.


Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos. 2 Timóteo 4:2-3.

Paulo está preso em Roma, a sua segunda prisão, ele está na ante-sala do martírio, no corredor da morte. Paulo está escrevendo a sua última carta e este capítulo é o último capítulo. E estas são as últimas palavras do apóstolo antes de ir para o martírio, por isso, vale à pena ficarmos atentos ao que Paulo está dizendo. Antes de morrer Paulo falou a seu pupilo Timóteo sobre a importância da pregação. E é muito importante aprendermos o que ele está dizendo aqui. Há uma grande diferença entre pregar a Palavra e pregar sobre a Palavra. A Palavra é o conteúdo da pregação e a autoridade do pregador. A Palavra é a fonte da mensagem e a autoridade do mensageiro. O pregador não cria mensagem, ele transmite a mensagem. A mensagem não é gerada pelo pregador, porque a mensagem é de Deus. Deus dá a mensagem e os seus filhos anunciam as boas novas. O Senhor deu a palavra; grande era o exército dos que anunciavam as boas-novas. Salmos 68:11.
A mensagem é a própria Palavra, por isso não devemos anunciar outra coisa senão a Palavra. É muito importante nós entendermos isso, porque a ordem de Deus é: “Prega a Palavra”. Por isso a pregação é o instrumento mais importante que Deus sempre usou e ainda usa e há de usar, para chamar as pessoas à fé salvadora. Foi Jesus quem orou ao Pai dizendo: Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra. João 17:20.
Foi Paulo quem disse que “a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus”. A pregação jamais deixará de ser o ponto mais importante da missão da igreja no sentido do anúncio e da proclamação. Sempre que a igreja esteve em alta, buscando avivamento, santidade, crescimento espiritual e numérico, a pregação esteve em alta. Sempre que a igreja esteve em crise à pregação esteve em crise. A pregação é o instrumento que Deus usa para levar a igreja ao crescimento. Mas infelizmente quando se fala em crescimento, ficamos com o pé atrás. Por quê? Porque nós estamos assistindo uma avalanche de técnicas pragmáticas, geradas através dos mecanismos de marketing, para produzir este tão sonhado e cobiçado crescimento numérico da igreja. Não é errado buscar o crescimento numérico da igreja, mas temos que buscar o genuíno crescimento que vem de Deus. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos. Atos 2:47b.
Hoje, Infelizmente as igrejas estão buscando o crescimento numérico a qualquer custo. Eles não perguntam: isto é certo, isto é verdadeiro? Mas perguntam: isso funciona? Hoje as igrejas estão buscando o crescimento a qualquer custo a qualquer preço, mesmo em sacrifício da verdade. O que o povo gosta, o que o povo quer ouvir, o que da ibope, o que atrai a multidão e, com isso estão fazendo da igreja um supermercado, onde estão dando ao povo o que eles querem e não o que eles precisam ouvir. Mas esse não é o princípio de Deus. O pregador não prega o que ele quer e nem o que o povo deseja, mas prega o que Deus diz. Jeremias 23:28 O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? —diz o SENHOR.
O pregador prega a Palavra. Ele não prega para agradar, para ser popular, para arrancar aplauso, mas ele prega com fidelidade a Palavra. Estamos vendo que a igreja evangélica brasileira está caminhando a passos largos rumo a uma descaracterização. Por quê? Porque hoje a verdade não é mais o vetor que conduz a igreja e sim o que funciona. As pessoas estão negociando a verdade. As pessoas estão mercadejando o Evangelho. As pessoas estão transformando o templo numa praça de barganha, o púlpito num balcão de comércio, o evangelho num produto e os crentes em consumidores. Nós precisamos crescer, mas um crescimento saudável. Porque nem todo o crescimento, é o crescimento que Deus quer. Nem todo crescimento numérico expressa o propósito de Deus numa igreja. Uma igreja grande em números, não é necessariamente uma igreja que está honrando a Deus. O crescimento saudável da igreja é aquele que o Espírito Santo produz mediante a pregação fiel das Escrituras Sagradas. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas. Tiago 1:18.
O escritor Rick Warren foi muito feliz em seu livro “uma igreja com propósitos” quando disse: “pergunta errada: o que eu devo fazer para a igreja crescer?”. “Pergunta certa: o que está impedindo a igreja de crescer?”. Porque se a igreja é um organismo vivo, ela cresce naturalmente. Por outro lado, se ela não está crescendo é porque existe algum sintoma de doença que precisa ser diagnosticado e detectado e ser tratado. Às vezes é falta de perdão, ou talvez ciúme, inveja, pode ser ressentimento. Como seria bom se nós como igreja do Senhor fossemos transparentes uns com os outros. Falássemos a verdade cada um com o seu próximo. Spurgeon disse que “seria mais fácil você ensinar um leão a ser vegetariano do que com todos os seus recursos salvar uma vida”. O crescimento vem do Senhor. 1 Coríntios 3:6 Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus.
Nós não temos poder para mudar o coração de uma pessoa, somente o Espírito Santo tem este poder. Nós cremos que o Espírito Santo age mediante a pregação fiel da Sua Palavra. Irmãos, Deus não tem compromisso com a palavra do pregador, Ele tem obrigação com a Sua Palavra. A palavra que não volta vazia não é a palavra do pregador, mas sim a Palavra de Deus. Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. Isaías 55:11.
Se a palavra do pregador não é a palavra de Deus, Deus não tem nenhum compromisso com esta palavra. É por isso que nós não podemos perder o foco e nem o fogo da verdade da Palavra de Deus. Hoje infelizmente os homens e as mulheres acostumados à televisão, internet, não tolera mais a pregação da Palavra. Mas a ordem de Deus é sempre atual; “prega a Palavra”. Eu estou muito seguro de que a pregação é o melhor remédio de Deus para a igreja contemporânea. Creio que a única saída para a igreja evangélica verdadeira nesta cidade e também no Brasil é voltar-se para as Escrituras e pregar a verdadeira Palavra de Deus. Em quase todos os lugares o que estamos vendo é o misticismo sincrético. É o evangelho do sal grosso, da rosa ungida, do copo d’água em cima do televisor. Será que é essa a pregação que Deus deixou para nós pregarmos? Vejamos o padrão de pregação que o Pai deixou para nós seus filhos e filhas. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios. 1 Coríntios 1:23.
Esta é a genuína Palavra que trata de Cristo e Sua obra na cruz do Calvário, que todos nós conhecemos como o Evangelho de Deus. Quando pregamos outra coisa fora de Cristo e Sua bendita obra, estamos traindo a Cristo e em lugar de sermos abençoados, somos amaldiçoados, porque Deus não autorizou que pregássemos outra coisa senão o Evangelho. Gálatas 1:8 Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. O nosso Deus que é fiel em Sua Palavra nos levou por graça a crer naquele sacrifício que nos liberta plenamente e perfeitamente do pecado. A Palavra de Deus é a semente bendita que uma vez plantada em nossos ouvidos, ele desce para o coração, gerando assim nova vida. 1 Pedro 1:23 Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Uma vez que fomos regenerados pela Verdade da Sua Palavra, somos incumbidos de levar esta semente viva a todos os vasos apodrecidos pelo pecado. Pregamos um Cristo vivo e a Palavra viva. Hebreus 4:12 Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. Amém.
QUERIDO IRMÃO E QUERIDA IRMÃ, QUE O SENHOR REVELE ESTA VERDADE AO SEU CORAÇÃO. TENHA UM BOM DIA - GRAÇA E PAZ

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O PARADIGMA DA IGREJA - PR GINETON DANTAS QUEIROS FILHO; DE FORTALEZA CE.


E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Atos. 2:42.
Nos dias atuais, com uma infinidade de “modelos de igreja”, às vezes até nos perguntamos: Qual é o nosso paradigma de igreja? Ou até: Qual é o paradigma da Igreja do Senhor Jesus? Antes de começarmos esta viagem em busca de respostas devemos considerar alguns aspectos: O que é um paradigma? Paradigma é um modelo a ser seguido, é um padrão de unificação (unidade), que gera em nós o exemplo de vida, o gabarito da estrutura, o nível de qualidade, as balizas da caminhada. De uma forma filosófica ou acadêmica é assim que podemos explicar. O mais intrigante de tudo isso é que se vivemos o verdadeiro paradigma, nós não deveríamos nos questionar desta forma em relação à “igreja”, ou seja, não estaríamos nos fazendo estes questionamentos nos dias de hoje, se a “igreja” tivesse se mantido no alvo, desde o princípio. O problema central desses novos e modernos modelos de igreja é que não há espaço para o que era natural anteriormente, e não estou falando de alguns anos atrás, mas do princípio de tudo. Justamente pelo que era importante ter sido deixado para trás, é que esses novos modelos se tornaram o foco principal de tudo e de todos, não havendo mais espaço para o evangelho da Graça, pois este evangelho não dá espaço para a graça do homem. O texto de Atos 2:42, nos remete a 4 aspectos simples e naturais da vida da nova criatura, que norteiam a caminhada rumo a plenitude de Cristo. Até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Efésios 4:13.
Essa medida é o paradigma de Cristo em nós. 1) E perseveravam na doutrina dos apóstolos... A palavra chave nesse texto é perseverar, que nos traz a ideia de continuidade, permanência e persistência. Os primeiros cristãos permaneciam na doutrina dos apóstolos, que era a mesma doutrina de Cristo, anunciando a mensagem da cruz que é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é poder de Deus (1 Cor. 1:18). Uma coisa muito interessante que comumente vemos acontecer no meio evangélico são os ensinamentos de como que se deve perseverar, ensinando a viver uma perseverança com cheiro de esforço humano, justiça própria, ignorando as palavras do apóstolo Paulo:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. 1 Coríntios 15:10. A perseverança do cristão está baseada no que ele é, e não, no que ele faz. Está baseada na ação de Cristo no cristão e não na ação do Cristão. O apóstolo Paulo expressa no texto acima primeiro o que ele é pela graça, depois o que ele faz por meio da graça. Vendo esse texto, lembro-me do meu pai um dia conversando com um cidadão em Fortaleza. Meu pai o perguntou: você consegue permanecer homem até o fim dos seus dias? Ao que o cidadão prontamente respondeu: “claro que sim, pois eu sou homem”. A perseverança também é assim, ela está diretamente ligada ao que somos. Permanecer na doutrina dos apóstolos é tarefa para novas criaturas, para filhos genuínos, gerados pela Palavra. Mas, cotidianamente, o que vemos são movimentos contrários à verdade, pastores que são verdadeiros lobos em pele de cordeiro, advogados do diabo. Todos os dias, no rádio, na TV, e na internet os vemos pregando o evangelho da marcha ré. Quando não é assim, aparecem os “super-crentes”, filhos “maduros”, com corpos suados de tanto desempenharem os ativismos da madureza, pregando que a palavra da cruz é somente um detalhe, e o que importa realmente é a “maturidade”. Mas sobre isso o apóstolo Paulo também já nos advertiu: Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo 2 Coríntios 11:3.
2 )... e na comunhão, 3 ) e no partir do pão... Muitas pessoas pensam que estes dois termos são redundantes, que querem dizer a mesma coisa. Até querem, mas neste contexto têm importâncias distintas. A Comum União dos santos está intrinsecamente ligada ao amor cristão, a ser família de Deus, a ser gerado de um mesmo pai, o “Aba”, que nos fez um em Cristo. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste João 17:21.
E como Um, ou em Unidade, expressamos o amor com nossos atos, a Palavra de Deus nos ensina a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Grande Mandamento), assim o próprio Cristo nos ensinou: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros João 13:35.
Essa expressão de amor na comunhão dos santos é manifesta de várias formas: no cuidado uns com os outros, no carregar o fardo uns dos outros e no se importar realmente com o próximo. Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram Romanos 12:15.
O partir do pão é a mais singela expressão de unidade. Imagine pessoas unidas por laços de sangue ou do Espírito tendo um momento de comunhão no partir do pão. Aí eu lhe pergunto: quem você põe na mesa da sua casa para comer com você? O Senhor derramou de seu amor em nossos corações e nos faz agir com graça até nas coisas mais simples da vida como partir o pão. E perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração Atos 2:46.
Mas o partir do pão não é somente comer junto, é viver a comunhão. E aprender a repartir o “PÃO” que ele nos tem dado, é saber apoiar o irmão em tudo, porque às vezes é muito fácil ver pessoas em nosso meio que dizem: “O Senhor me chamou para pregar boas novas”. Então, ele vai e prega, e o irmão que recebeu as boas novas, passa necessidades. Aí ele diz: “Que Deus te abençoe”. Amados, saibamos que Deus abençoa, e já nos abençoou em Cristo, e sempre nos dará condições e recursos para investirmos na obra e nos irmãos, segundo a sua vontade, e não somente em nós mesmos. 4)... e nas orações. Orar é falar com o Pai, e como temos livre acesso a Ele por meio de Cristo, oramos sem cessar. Falamos com Ele a todo momento, a todo instante, pois Cristo afirmou: e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! Mateus 28:20b. Perseverar nas orações é falar com o Pai sobre tudo, Ele é Deus e é Pai. Muitas vezes tratamos o Pai como alguém distante que está lá no céu ocupado com todas as orações da humanidade, mas na verdade, Ele é um Pai presente que está a todo o momento conosco, guiando, consolando, fortalecendo, fazendo seguir em frente e, principalmente, revelando-se a nós com toda Graça e Verdade. Comparo estes quatro aspectos de Atos 2:42, com uma cadeira que tem quatro pernas, estas pernas tem que ser idênticas e do mesmo tamanho pois se assim não forem gera desconforto a quem nela se assenta. O Paradigma da Igreja é Cristo em nós, Cristo que é a nossa vida e o único meio pelo qual podemos manifestar Cristo ao mundo. Ele é a única forma de perseverarmos como o que somos: novas criaturas, filhos de Deus, gerados em Cristo Jesus para as boas obras, que Ele mesmo as fez para que andássemos nelas. Cristo em nós nos faz permanecer na doutrina dos apóstolos (a Palavra da Cruz), viver a verdadeira comunhão dos santos, desfrutar do partir do pão com o próximo e orar sem cessar. Pois Ele mesmo é tudo em todos. É o paradigma da sua Igreja, paradigma que jamais será quebrado, pois vive e permanece para sempre. Amém!
Graça e paz.

NÃO TE IMPACIENTES - PR CLAUDIO MORANDI.


Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal. Salmos 37:8.
Uma das maiores dificuldades do ser humano é esperar. Nossa paciência é curta. Queremos que tudo aconteça de nosso modo e no nosso tempo. O século 21 é o século do imediatismo. Paciência parece ser uma virtude em extinção. Esperar produz em nós estresse. Somos a geração do “fast-food”, da comunicação virtual, da Internet banda larga, da celeridade. Alcançamos o mundo na ponta de nossos dedos. Trazemos o universo para o recesso de nossa sala. Em tempo real, assistimos concomitantemente ao que se passa no planeta terra, essa pequena aldeia global. É imperativo que tudo funcione dentro das leis do imediatismo. Esperamos que até mesmo Deus se enquadre dentro desse cronograma. Não temos paciência para esperar. Esperar um dia, uma semana, um mês, um ano, parece-nos uma eternidade. Neste mundo de impaciência, desespero e desesperança, muitos têm uma esperança que não se desespera. A obra da cruz é o único método de Deus para por fim ao impaciente. Quando cremos que morremos com Cristo, o manso e humilde de coração vem habitar dentro. Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 1 Coríntios 3:16.
Muitos, porém, desesperam-se antes de esperar. Recentemente li a história de um médico francês cujo filho, vitimado por uma doença incurável, ao ver que todos os esforços haviam fracassado, aplicou em seu filho a eutanásia. Ao retornar do cemitério, onde havia depositado o corpo do filho amado, recebeu um telegrama de um médico amigo: “Acabamos de descobrir um remédio eficaz para a cura do seu filho. Segue pelo correio a dose que lhe salvará a vida”. Infelizmente, era tarde demais. Aquele pai não teve a capacidade de esperar, levantou-se contra a esperança e apressou a morte do próprio filho. A nossa alma é muito impaciente, a carne é impaciente demais. No campo espiritual devemos saber como trabalha o nosso bendito Pai celestial. Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera. Isaías 64:4.
Todos aqueles que já nasceram de novo esperam contra a esperança. Esses esperam quando parece loucura nutrir na alma qualquer expectativa. Esses compreendem que o Pai eterno se recusa a agir dentro das pressões de nossa agenda. Esses aceitam o fato de que Deus, muitas vezes, trabalha de forma artesanal e sem pressa para alcançar os melhores fins. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. Hebreus 4:16.
Nós temos na Palavra de Deus um homem que pelo fato de ser trabalhado pelo Senhor se tornou paciente. Estou falando de Abraão. A vida de Abraão, o Deus de Abraão, o relacionamento de Deus com Abraão e a espera de Abraão são tônicos para nossa alma, remédio para nosso coração. Observaremos esse patriarca e aprenderemos sobre a esperança que não se desespera. Só pode ter uma esperança que não se desespera quem crê no Deus dos impossíveis. Quero destacar alguns fatos importantes sobre Abraão. Você sabe com quantos anos Abraão começou a ouvir a Palavra de Deus? Aos 75 anos! Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Gênesis 12:4.
Aos 75 anos, pensamos mais em “dependurar as chuteiras”, em nos aposentar, em entrar num pijama, comprar uma cadeira de balanço e encerrar a carreira. Abrão, aos 75 anos, começava seu caminhar com o Senhor, recebia o maior desafio de sua vida. Aos 75 anos, ele estava em pleno vigor, fazia arrojadas caminhadas, aceitava grandes desafios de Deus. Não há hora, não há tempo, não há idade para Deus chamar e desafiar você; e também para começar um novo projeto em sua vida. Deus pode começar uma obra extraordinária com pessoas de cabelos brancos e com a face marcada pelas rugas que o tempo esculpiu. Abrão a exemplo de nós também era um impaciente. Ele tinha nome, mas ainda não tinha filhos. Ele tinha a promessa, mas não a realidade. Abraão enfrenta quatro problemas para esperar: sua idade avançada; a esterilidade de sua mulher; a demora de Deus, pois haviam passado onze anos desde que Deus fizera a promessa do filho, e a escolha precipitada aos 86 anos, quando por sugestão de Sara, sua mulher, ele arranja um bebê com a escrava Agar. Disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abrão anuiu ao conselho de Sarai. Gênesis 16:2.
Talvez sua angústia seja a mesma que assaltou o coração de Sara. Você espera há muito tempo o cumprimento de uma promessa. Você espera há anos a conversão de seu marido, de sua esposa, de seus filhos, de seus pais. Os anos correm, e nada! Aquele problema que aflige sua alma fica cada vez pior. O filho da promessa parece cada vez mais distante. Cada regra, cada menstruação de Sara era uma espera impaciente, até que ela entrou na menopausa, e Deus não cumpriu a promessa. Assim, Sara perdeu a paciência. Ismael, o filho de Abraão com Agar, foi a gestação da impaciência de Sara, e não a procura de Abraão. Irmãos, Abraão tinha 100 anos de idade quando Isaque nasceu. Leiamos Gênesis 21:5 Tinha Abraão cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
O apóstolo Paulo diz em Romanos 4:17b. Por pai de muitas nações te constituí, perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.
O corpo de Abraão já estava amortecido. Já havia passado para Sara a idade própria de ser mãe. Se isso não bastasse, Sara ainda era estéril. O bom senso dizia: “Impossível!”. A razão gritava: “Não pode ser!”. Mas a fé diz: “Tudo é possível!”. Abraão esperou 25 anos desde a promessa até Isaque nascer. Será que teríamos condições de esperar uma promessa de Deus tanto tempo? Será que não teríamos sepultado essa promessa no túmulo de nossa incredulidade e desesperança? Abraão acreditava que a promessa de Deus não podia falhar. Ele confiava no caráter de Deus. Sua fé estava plantada no solo firme da promessa, e sua esperança estava posta no Deus que não pode mentir. O apóstolo Paulo escreve sobre Abraão: Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera. Romanos 4: 20-21.
Depois que nasceu Isaque, Abraão é chamado a sacrificar o seu filho. Ao todo, são 39 anos desde o dia da promessa até o dia em que Deus pede Isaque de volta a Abraão. Agora, Abraão, de posse da promessa, escuta Deus lhe falando: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Gênesis 22:2.
Havia uma paciência tão grande em Abraão que ele acreditava que a promessa de Deus não poderia ser frustrada, que Deus ressuscitaria seu filho. Ele acreditava que nem a morte podia colocar limites ao poder de Deus. Acreditava que, quando andamos com Deus, a morte não tem a última palavra. Com isso Abraão passou no teste e hoje ele é o pai da fé. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Gálatas 3:7.
Abraão compreendia que Deus era o Senhor de seus sonhos, por isso aguardou com paciência o cumprimento da promessa. Depois do choro, vem a alegria. Depois das lágrimas, vem o consolo. Depois do deserto, vem a terra prometida, depois da humilhação, vem a exaltação. Depois da cruz, vem a coroa. Depois da prisão, vem o trono. Como nós que cremos no Senhor Jesus Cristo, podemos ficar impacientes? Quando ganhamos a experiência da regeneração, Aquele que recebeu do Pai “todo poder no céu e na terra”, vem habitar dentro de nós. Será que não dá para descansarmos neste bendito fato? A nossa carne impaciente precisa ser tratada pela cruz num morrer diário. Trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. 2 Coríntios 4:10.
Quando o desejo do nosso coração é desejar ser trabalhado pela cruz do Senhor, podemos dizer a nossa alma: Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu. Salmos 43:5. Amém.
GRAÇA E PAZ AMADOS(AS) DO SENHOR.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A RUÍNA E A RESTAURAÇÃO DE PEDRO - PR CLAUDIO MORANDI.


A RUÍNA E A RESTAURAÇÃO DE PEDRO
Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo. Mateus 26:35.
Antes de Pedro tornar-se um apóstolo cheio do Espírito Santo, um pregador ungido e um líder eficaz, revelou sua fraqueza e chegou ao ponto de negar a Jesus. Pedro caiu, suas lágrimas foram amargas, mas sua restauração foi completa. A queda de Pedro passou por alguns estágios que nós vamos analisar juntos. O primeiro estágio que levou o apóstolo Pedro a negar a Cristo foi sua autoconfiança. Quando Jesus alertou Pedro acerca do plano de Satanás de peneirá-lo como trigo, Pedro respondeu que estava pronto a ir com Ele tanto para a prisão como para a morte. Pedro subestimou a ação do inimigo e superestimou a si mesmo. Ele pôs exagerada confiança no seu próprio “eu”, e aí começou sua ruína espiritual. Estamos vivendo o apogeu da psicologia de auto-ajuda. As livrarias estão abarrotadas de obras que nos ensinam a confiar em nós mesmos. O cristianismo diz exatamente o contrário. Somos fracos e limitados. Não podemos andar sustentados na bengala da autoconfiança. Precisamos mais da ajuda do alto do que da auto-ajuda. Vejamos a advertência da palavra do Senhor em Jeremias 17:5 Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!
O segundo estágio que levou Pedro a ruína de negar a Cristo foi sua indolência. O mesmo Pedro que havia prometido fidelidade a Cristo e a disposição de ir para a prisão e a morte, agora está cativo do sono no jardim do Getsemani no auge da batalha. Faltou-lhe a percepção da gravidade do momento. Faltou-lhe vigilância espiritual. Estava entregue ao sono em vez de guerrear com Cristo contra as hostes do mal. A fraqueza espiritual de Pedro o fez dormir e, ao dormir, fracassou no teste da vigilância espiritual. As palavras de Pedro eram de confiança, mas suas atitudes, trôpegas. Promessas desprovidas de poder evaporam na hora da crise. O sono substitui a autoconfiança. O fracasso se estabeleceu no palco da arrogância. E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Mateus 26:40.
O terceiro estágio que levou Pedro a negar a cristo foi a sua precipitação. Quando os soldados romanos, liderados por Judas Iscariotes e pelos principais sacerdotes, prenderam a Jesus, Pedro sacou sua espada e cortou-lhe a orelha do servo do sumo sacerdote. Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco. João 18:10.
A valentia de Pedro era absolutamente carnal. Porque dormiu e não orou, entrou na batalha errada, com armas erradas e a motivação errada. Pedro deu mais um passo na direção de sua ruína. Ele deslizou mais um degrau rumo ao chão. Precisamos lutar não com armas carnais, mas sim com armas espirituais. Precisamos entrar nessa guerra com os olhos nos céus e os joelhos no chão. Precisamos despojar-nos da autoconfiança para recebermos o socorro que vem do alto, porque a nossa luta não é contra carne e sangue. Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Efésios 6:12.
Irmãos, outro estágio que levou o apóstolo Pedro a ruína foi que ele seguia a Jesus de longe. Mas Pedro o seguia de longe até ao pátio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se entre os serventuários, para ver o fim. Mateus 26:58. Depois que Cristo foi levado para a casa do sumo sacerdote, Pedro mergulhou nas sombras da noite e seguia a Jesus de longe. Sua coragem desvaneceu. Sua valentia tornou-se covardia. Seu compromisso de ir com Jesus para a prisão e a morte foi quebrado. Sua fidelidade incondicional ao filho de Deus começou a enfraquecer. Não queria perder Jesus de vista, mas também não estava disposto a assumir os riscos de sua ligação com Ele. Ainda hoje há muitos crentes seguindo a Jesus de longe. Ainda guardam certo temor de Deus, mas ao mesmo tempo anestesiam a consciência vivendo em práticas erradas. Dizem-se seguidores de Cristo, mas seus pés estão fincados nas sendas sinuosas que desviam do caminho da verdade. Dizem amar a Deus, mas suas atitudes e obras provam o contrário. Estão na igreja, mas ao mesmo tempo, estão no mundo. Freqüentam os cultos, mas o coração está longe do Senhor. Ao olharmos para a vida de Pedro, estamos diante do espelho. Muitas vezes somos como Pedro. Mostramos autoconfiança, não oramos, somos precipitados e, seguimos a Jesus de longe. Mas graças a Deus, Ele não desiste de nós, assim como não desistiu de Pedro. Lembremos que só de nós vem a nossa ruína; só do Senhor, a nossa restauração. A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim, o teu socorro. Oséias 13:9.
Como o Senhor restaurou a Pedro? Jesus olhou para Pedro exatamente no momento em que ele estava negando, jurando e praguejando, insistindo em dizer que não conhecia Jesus. Os olhos de Jesus penetraram na alma de Pedro e radiografaram as mazelas do seu coração. Aquele foi um olhar de tristeza, mas também de compaixão. Quando Jesus olhou para Pedro, este se lembrou da palavra do Senhor e, ao lembrar-se dela, encontrou uma âncora de esperança e o caminho de volta para a restauração. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Lucas 22:61.
O olhar de Jesus é cheio de ternura e misericórdia. Basta um olhar dEle, e toda a dureza de nosso coração se derrete. Seu olhar penetra as câmaras mais interiores da nossa vida. Seu olhar produz em nós arrependimento para a vida. Seu amor nos traz de volta para o verdadeiro sentido da vida. Após aquele penetrante olhar do Senhor, Pedro, saindo dali chorou amargamente. Pedro não chorou o choro de remorso, nem verteu lágrimas da dissimulação. Ele jogou fora o veneno das suas mazelas e, assim demonstrou verdadeiro arrependimento. O choro de arrependimento desemboca na alegria do perdão. Pedro estava muito triste, mas o Senhor deixou um recado peculiar através de um anjo. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse. Marcos 16:7.
Por que Jesus mandou este recado especial para Pedro? Porque Jesus sabia que a essa altura Pedro não se sentia mais digno de ser um discípulo. Pedro havia negado Seu nome, sua fé, suas convicções, seu apostolado e seu Senhor. É maravilhoso saber que Jesus não abre mão do direito que tem de ter-nos para Ele. Ele não abdica do Seu direito de ter-nos totalmente. Podemos errar e pensar em desistir de tudo, mas Jesus jamais desiste de nos amar. Mesmo quando somos infiéis, Ele permanece fiel. 2 Timóteo 2:13 Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.
Fico pensando quando Pedro foi informado de que o túmulo de Jesus estava vazio, ele correu e entrou no sepulcro e, ao ver os lençóis de linho, retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido. O poder da ressurreição foi mais um instrumento que Deus usou para levantar Pedro de sua queda. O triunfo de Cristo sobre a morte, o diabo e o inferno deixou Pedro maravilhado. Irmãos, a mesma mão que abriu o túmulo de Cristo abriu os olhos de Pedro. Então Pedro pode crer que ele havia morrido com Cristo. Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. 1 Pedro 2:24.
Irmãos, Jesus é tão cuidadoso em seu amor que armou o mesmo cenário da queda de Pedro para restaurá-lo. O evangelho de João só descreve duas fogueiras. A primeira foi o palco da queda de Pedro; a segunda, o cenário da sua restauração. Cristo queria curar as memórias amargas de Pedro. Ali onde tudo havia começado, deveria ser o lugar mais apropriado do seu recomeço. Pedro tornou-se um pregador ousado depois da sua restauração. Sua mensagem central era mostrar que o Cristo que foi crucificado triunfou sobre a morte. A ressurreição de Cristo tornou-se a grande bandeira da mensagem de Pedro. Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. 1 Pedro 1:3. Amém.

CONGRESSO DO NOVO NASCIMENTO 2011 - DOMINGO MANHÃ - PR HUMBERTO X. RODRIGUES.




Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. I Coríntios 2:2.

Johannes Tauler (1300-1361) nasceu em Strassburg, Alemanha. Ele foi um dos mais proeminentes representantes do misticismo medieval alemão, e um dos maiores pregadores do seu tempo. Fez muito para preparar o caminho para Lutero e a Reforma. Seu dom de pregador era tão grande que “toda a cidade pendia de seus lábios”.

Certo dia, Tauler ficou muito surpreendido quando um humilde suíço, pertencente à Sociedade dos “Amigos de Deus”, chamado Nicolas de Basle, atravessou as montanhas, entrou no seu lugar de culto, e lhe disse: “O senhor precisa morrer, Dr. Tauler! Antes que possa fazer o seu maior trabalho para Deus, para o mundo e para esta cidade, o senhor precisa morrer para si mesmo, para seus dons, sua popularidade e até mesmo sua bondade, e quando tiver aprendido o total significado da cruz, terá um novo poder junto a Deus e aos homens”. (Obra Cristã – A maturidade)

A princípio ele ficou ofendido com esta intromissão, mas por fim, deixou seu púlpito por algum tempo e se recolheu para meditar, orar e examinar o seu próprio coração. Na medida em que a visão se tornou mais clara, ele veio a reconhecer o quanto do seu ministério tinha sido inspirado pelo desejo inveterado de impressionar, visando manter e aumentar o seu próprio prestígio, e não simplesmente por amor a Cristo.

Acabou finalmente por deixar a “glória da vida morta” na Cruz, e resolveu ter um objetivo, e apenas um: Jesus Cristo e Este crucificado. A partir daquele momento sua pregação começou a ajudar as pessoas como nunca o fizera antes, preparando o caminho para Lutero e a Reforma.

Mediante a experiência de Tauler perguntamos, Você já morreu? Lamentavelmente muitos estão trabalhando para Deus, mas não em Deus. Na verdade, não se trata do agir da nova vida, mas é a velha vida em ação. Conta-se que um determinado pregador repetia do seu púlpito várias vezes: Paulo disse: Eu estou crucificado com Cristo... De repente o Espírito Santo sussurrou em seus ouvidos, dizendo: E você está crucificado com Cristo? Neste momento ele confessa: Eu também estou crucificado com Cristo.

Por que Paulo se recusou a pregar a palavra da cruz com sabedoria natural? Para que a palavra da cruz não se tornasse ineficaz, pois a cruz é um fato. Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. I Coríntios 2:1-5.

Precisamos investigar: o que nos qualifica a pregar a cruz? Será que pregamos por estarmos profundamente familiarizados com as doutrinas bíblicas, por sermos capazes de apresentá-las com eloqüência ou, pelo fato de pregar ser nossa profissão? Quantos, hoje em dia, são cegos a guiar cegos! Muitos pregadores só sabem de que forma propagar o conhecimento, mas estão desprovidos de vida divina.

Atualmente a Igreja sofre grandes perdas, e estas perdas não se devem à oposição externa ou à incredulidade interna, mas aos muitos que confessam ter “grande fé” e professam que têm o chamado de Deus, quando na verdade, Deus nunca os enviou para tal tarefa.

Vamos considerar um dos tipos de Cristo do Velho Testamento, A oferta pacífica: Se a sua oferta por sacrifício pacífico ao Senhor for de gado miúdo, seja macho ou fêmea, sem defeito a oferecerá. Levítico 3:6. Vamos admitir um diálogo entre o sacerdote e o ofertante: O ofertante entrega o novilho ao sacerdote. Este por sua vez, ao examiná-lo, fica admirado pela beleza do animal, um animal perfeito, sem mancha.

Então, o sacerdote resolve não matá-lo, e diz para o ofertante: este animal é muito lindo, vamos poupá-lo. Eu o colocarei para dentro do tabernáculo. Os dois concordam com o feito. Agora, a pergunta que podemos fazer, é esta: O que este animal vivo vai fazer dentro do tabernáculo? Fica na sua imaginação.

Há muitos “sacerdotes” vivos dentro das igrejas. E, se estão vivos, o que eles vão fazer? Barulho, confusão, divisão, assim como o animal que foi colocado vivo dentro do tabernáculo. A sujeira que o animal promove no ambiente é semelhante aos danos causados por quem ministra sem passar pelo Altar.

Isto acontece porque, antes do Ide, tem que existir o Vinde: Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Mateus 4:18-19. Antes de qualquer tarefa precisamos ir ao Senhor, caso contrário, qualquer coisa feita sem Ele, não passará de obras mortas.

Neste ministério da proclamação do Evangelho tem que ter as marcas da cruz. E todo aquele que foi chamado por Deus só poderá atender o “ide” quando passar pela morte e ressurreição. Muitas vezes, observando alguém que demonstra conhecimento, imaginação e habilidade, somos levados a pensar que este poderia ser realmente usado nas mãos Deus.

Contudo, mesmo que possua conhecimento, habilidade e talento, ele não é nada nas mãos de Deus, pois, para Deus, tudo isto tem que morrer. Tudo o que pertence ao domínio natural é imprestável, nada vale diante de Deus. O apóstolo Paulo, mais do ninguém, tinha um currículo de fazer inveja, mas foi lançado por “terra” quando a Luz o abateu.

Observe o que ele mesmo disse: Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé. Filipenses 3:4-9.

De Saulo para Paulo, Eis como George Matheson descreve a experiência do apóstolo: Senhor, prendeste-me na estrada de Damasco; transformaste a autoconsciência em humildade. Lancei-me à jornada transbordando de confiança em mim mesmo; não sentia qualquer obstáculo, não experimentava qualquer dificuldade.

De repente, numa volta do caminho minha alma paralizou-se. A confiança feneceu. O mundo não mais se me apresentava como um campo de prazer. Uma sombra estendeu-se sobre a cena, e não podia mais encontrar o caminho. Tudo aconteceu por causa de um encontro com um homem – um homem de Nazaré.

Antes de defrontá-Lo, meu orgulho pessoal era incomensurável. Meu coração clamava: “Escreverei meu próprio destino”. Mas um simples olhar ao homem de Nazaré me prostrou. Minha glória imaginária transformou-se em cinzas; minha pretensa força tornou-se fraqueza; bati em meu peito e gritei: “imundo!” Devo queixar-me por ter encontrado aquele homem? Devo chorar porque um raio de luz numa esquina lançou toda a minha grandeza na sombra? Não, Pai, pois a sombra é o reflexo do resplendor.

Foi por ter visto a Tua beleza que a humanidade se ofuscou. Foi o crescimento que me tornou humilde. Contemplei por um momento um ideal perfeito e seu brilho eclipsou minha lâmpada. Não é a noite, mas o dia, que me torna cego quanto àquilo que possuo. É a luz que me faz odiar a mim mesmo. É o sol que revela minha imundície.

É a aurora que me fala das minhas trevas. É a manhã que descobre minhas vestes insignificantes. É o brilho que mancha meus trajes. É a claridade que enumera minhas nuvens. Ó Deus, meu Deus, só perco o meu caminho quando iluminado por Ti!

Este é o princípio pertinente ao trabalho de Deus: tudo o que ainda não passou pela cruz e não foi levantado dos mortos não é utilizável. Que Deus, em Sua infinita graça não permita que venhamos a realizar qualquer coisa pelas nossas habilidades, mas pela vida que surgiu da morte. Amém!