terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CAMINHOS ETERNOS - C. H. SPURGEON.




Os caminhos de Deus são eternos. - Habacuque 3.6

O que Deus já fez em um tempo, Ele o fará novamente. Os caminhos dos homens são variáveis, mas os caminhos de Deus são eternos. Há muitas razões para esta confortante verdade. Entre elas estão as seguintes: os caminhos do Senhor são o resultado de deliberação sábia. Ele ordena todas as coisas de acordo com "o conselho da sua vontade" (Efésios 1.11). A ação do homem freqüentemente é o fruto apressado de paixão e temor, seguido por arrependimento e mudança.

Todavia, nada pode tomar o Todo-poderoso de surpresa ou acontecer de forma diversa ao que Ele previra. Os seus caminhos são frutos de um caráter imutável, e nestes caminhos podemos ver com clareza os atributos fixos e inalteráveis de Deus. A menos que o Deus eterno sofra alterações, os seus caminhos, que são Ele mesmo em ação, têm de permanecer os mesmos para sempre. Ele é eternamente justo, fiel, sábio, gracioso e compassivo. Então seus caminhos devem sempre ser distinguidos pela mesma excelência.

Os homens agem de acordo com sua natureza. Quando a natureza de um homem muda, as suas atitudes mudam também; mas, Deus desconhece "variação ou sombra de mudança" (Tiago 1.17). Além disso, os caminhos de Deus são a encarnação de poder irresistível. Habacuque disse que Deus dividiu a terra com rios; montes Viram-nO e se contorcem; as profundezas do mar ergueram suas mãos; e o sol e a luz permaneceram imóveis, enquanto Jeová marchava para livrar seu povo (ver Habacuque 3.9-13).

Quem pode levantar a mão ou dizer-Lhe: "O que estás fazendo?" Mas não é somente o poder que outorga estabilidade. Os caminhos de Deus são as manifestações dos eternos princípios de retidão e, por isso, jamais passarão. A raça não eleita se consome e arruina, mas os crentes verdadeiros têm em si uma vitalidade que as eras não podem diminuir. Neste dia, busquemos o nosso Pai celestial com confiança, lembrando que Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre (ver Hebreus 13.8), e que é sempre gracioso com seu povo.

CONDENAÇÃO ETERNA - AGOSTINHO.


Contra a opinião dos que afirmam que não serão perpétuos os suplícios quer do Diabo quer dos homens maus.

Convém, antes de tudo, investigar e saber porque é que a Igreja não pôde admitir a opinião dos homens que anunciam a purificação e o perdão, mesmo ao Diabo, depois das maiores e mais prolongadas penas.

Não é que tantos santos e tantos homens instruídos nas Sagradas Escrituras, Antigas e Novas, vejam com maus olhos a purificação e a felicidade do Reino dos Céus, após suplícios seja de que natureza e de que intensidade forem, aos anjos qualquer que seja o seu gênero e dignidade, mas viram antes que não podia ser anulada nem enfraquecida a decisão divina que o Senhor anunciou que virá a proferir e a estabelecer no julgamento.



Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que está preparado para o Diabo e seus anjos, (realmente, mostra-se por esta forma que um fogo eterno queimará o Diabo e os seus anjos), nem podia ser anulado o que também está escrito no Apocalipse:

O Diabo que os seduzia foi lançado num lago de fogo e de enxofre com a besta e o falso profeta e aí serão torturados dia e noite pelos séculos dos séculos.

O que acolá está escrito é "eterno" (aeternum) e o que aqui está escrito é "pelos séculos dos séculos" (in saecula saeculorum) - palavras com que a Sagrada Escritura nada mais costuma significar senão o que não tem fim no tempo. Por conseqüência, a mais autêntica fé deve manter como firme e imutável que não haverá regresso algum do Diabo e dos seus anjos ao estado de justificação e à vida dos santos; nem outro motivo mais justo e mais manifesto disto se pode encontrar a não ser este: a Escritura, que a ninguém engana, assegura que Deus não lhes perdoou, estando, portanto, sob uma primeira condenação, encerrados entretanto nas negras masmorras do Inferno, reservadas para o castigo do juízo final, quando forem lançados ao fogo eterno, onde serão atormentados pelos séculos dos séculos.

Se isto é assim, como é que os homens, todos ou alguns, serão subtraídos à eternidade desta pena, depois de um certo tempo, por mais prolongado que se queira, sem imediatamente se desvirtuar a fé pela qual cremos que o suplício dos demônios será eterno? Com efeito, se, daqueles de quem se diz:

Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que está preparado para o Diabo e seus anjos, todos ou alguns deles não estão lá sempre, que razões há para se crer que hão-de lá estar para sempre o Diabo e os seus anjos? Será por acaso que a decisão de Deus, proferida contra os maus, sejam eles anjos ou homens, será verdadeira para com os anjos e falsa para com os homens? Assim será com certeza se valer mais, não o que disse Deus mas o que os homens conjecturam. Porque isso não pode acontecer, não devem discutir contra Deus, mas antes, enquanto é tempo, obedecer ao preceito divino aqueles que desejam escapar ao suplício eterno. Depois, que vem a ser isso de considerar como eterno um suplício num fogo de longa duração, e a vida eterna crê-la sem fim - quando Cristo disse, na mesma passagem e numa única frase, unindo uma e outra:


Assim estes irão para o suplício eterno, mas os justos para a vida eterna?

Se um e outro são eternos, certamente que um e outro são de longa duração, com um fim, ou um e outro são perpétuos, sem fim. De fato, são referidos par a par: dum lado o suplício eterno, do outro a vida eterna. Mas dizer numa só e mesma expressão: "A vida eterna será sem fim, o suplício terá fim" é por demais absurdo. Portanto: já que a vida eterna dos santos será sem fim, também o suplício eterno, dos que o merecem, com certeza não terá fim.

DEIXE QUE A BÍBLIA FALE - MARTYN LLODY JONES.



. . .(Alguns) . . .nunca chegam a aceitar plenamente o ensino e a autoridade das Escrituras. . . Não se aproximam da Bíblia para submeter-se completa e absolutamente a ela. Se ao menos chegássemos às Escrituras como crianças, e as aceitássemos em seu significado transparente, e permitíssemos que elas nos falassem, esta espécie de dificuldade não surgiria nunca. Essas pessoas não fazem isso. O que fazem é misturar as suas idéias pessoais com a verdade espiritual.

É claro que alegam que tiram suas idéias basicamente das Escrituras, mas, e esta é a palavra fatal, imediatamente passam a modificá-la. Aceitam certas idéias bíblicas, mas há outras idéias e filosofias que desejam trazer consigo, de sua vida antiga. Misturam idéias naturais com idéias espirituais. Afirmam que gostam do Sermão da Montanha e de 1 Coríntios 13. Dizem que crêem em Cristo como Salvador, mas ainda argumentam que não devemos ir longe demais nessas questões, e que elas acreditam na moderação. Daí, começam a modificar as Escrituras. Negam-se a aceitá-las como autoridade em todos os pontos na pregação e no viver, na doutrina e na maneira de encarar o mundo.

«As circunstâncias mudaram», dizem tais pessoas, «e a vida não é mais o que costumava ser. Agora, estamos vivendo no século XX». Assim, pois, modificam as Escrituras aqui e ali, para adaptá-las às suas idéias pessoais, ao invés de levarem firmemente a doutrina escriturística à sua conclusão lógica, de começo a fim, e de confessarem quão irrelevante é a conversa sobre que estamos no século XX. Esta é a Palavra de Deus, não limitada pelo tempo, e, visto que é a Palavra de Deus, devemos submeter-nos a ela, confiando em Deus, crendo que Ele empregará os Seus próprios métodos e à Sua própria maneira.

O INCESSANTE FRUTO DO ESPÍRITO - JONATHAN EDWARDS.


Nós podemos considerar a igreja de Cristo com relação aos seus membros em particular, dos quais ela consiste. Aqui ficará manifesto que o amor, o amor cristão, é um incessante fruto do Espírito. Cada um dos verdadeiros membros da igreja invisível de Cristo possui deste fruto no co­ração. O divino amor, o amor cristão, é implan­tado, habita, e reina ali, como um eterno fruto do Espírito, e como um fruto que nunca cessa. Ele nunca cessa neste mundo, mas permanece através de todas as provações e oposições, pois o apóstolo nos diz que nada "poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8.38,39). E ele não cessa quando os santos vierem a morrer. Quando os apóstolos e outros dos seus dias morreram e foram para o céu, eles deixaram atrás de si todos os seus dons mi­raculosos, com seus corpos. Contudo, eles não deixaram para trás o amor que estava nos seus corações, mas o carregaram consigo para o céu, onde ele foi gloriosamente aperfeiçoado. Quando os homens ímpios morrem, homens que tiveram as influências comuns do Espírito, seus dons cessarão eternamente, mas a morte nunca destrói o amor cristão, aquele grande fruto do Espírito, em qual­quer um que o tenha. Aqueles que o tem podem deixar e deixarão após si muitos outros frutos do Espírito que tiveram em comum com os homens ímpios. E ainda que eles deixarão tudo que era comum à sua fé, e esperança, e tudo aquilo que não é pertinente a este divino e santo amor, mesmo assim este amor eles não deixarão para trás, mas irá com eles para a eternidade e será aperfeiçoado lá, e viverá e reinará com glorioso e perfeito do­mínio nas suas almas para todo o sempre. E assim, outra vez,

Nós podemos considerar a igreja de Cristo coletivamente, ou como um corpo. E aqui, nova­mente, ficará manifesto que o amor, o amor cristão, nunca cessará. Embora outros frutos do Espírito cessem na igreja, este nunca cessará. No passado, quando houve interrupções dos dons mi­raculosos do Espírito na igreja, e quando houve épocas nos quais nenhum profeta ou pessoa ins­pirada apareceu que possuía tais dons, ainda ali nunca houve qualquer interrupção total deste ex­celente fruto ou influência do Espírito. Dons miraculosos foram interrompidos por longo tempo que se estendeu de Malaquias até próximo ao nas­cimento de Cristo; mas em todo este tempo a influência do Espírito, em manter o divino amor na igreja, nunca foi suspensa. Como Deus sem­pre teve uma igreja de santos no mundo, desde a primeira criação da igreja após a queda, assim esta influência e o fruto do Espírito nunca cessou nela. E quando, depois da conclusão do cânon das Escrituras, os dons miraculosos do Espírito parecem finalmente ter cessado e desaparecido na igreja, esta influência do Espírito em produzir o divino amor nos corações dos santos não cessou, mas tem sido mantida por todas as épocas desde aquele tempo até hoje, e assim será até o fim do mundo. E no fim do mundo, quando a igreja de Cristo for colocada no seu estado final, mais com­pleto e eterno, e todos os dons comuns, tal como convicção e iluminação, e todos os dons miracu­losos, estarão eternamente findados, ainda então o divino amor não cessará, mas será trazido à sua mais gloriosa perfeição em cada membro indivi­dual da igreja resgatada no céu. Então, em cada coração, aquele amor que agora aparece apenas como uma faísca, será aceso num brilhante e in­candescente fulgor, e cada alma resgatada será como se estivesse numa fogueira de divino e santo amor, e permanecerá e crescerá nesta gloriosa per­feição e bem-aventurança por toda a eternidade!Eu darei apenas uma singular razão em favor da verdade da doutrina que tem sido deste modo apresentada. E a grande razão porque assim é, que os outros frutos do Espírito cessam, e o grande fruto do amor permanece, é que, o amor é o grande fim de todos os outros frutos e dons do Espírito. O princípio e o exercício do divino amor no coração, e os frutos dele na conduta, e a fe­licidade em que ele consiste e que jorra dele — estas coisas são o grande fim de todos os frutos do Espírito que cessam. O amor, o divino amor, é o fim para o qual toda a inspiração, e todos os dons miraculosos que já existiram no mundo, são apenas os meios. Eles foram somente meios de graça, mas o amor, o divino amor, é a graça mesmo; e não só isto, mas a soma de toda graça. Revelação e milagres nunca foram dados para qualquer outro fim senão apenas para promover santidade e edificar o reino de Cristo no coração dos homens, mas o amor cristão é a soma de toda santidade, e seu crescimento é apenas o cresci­mento do reino de Cristo na alma. Os frutos extraordinários do Espírito foram dados para re­velar e confirmar a palavra e a vontade de Deus, para que os homens crendo possam ser confor­mados àquela vontade; e eles eram valiosos e úteis somente na medida em que tendiam para este fim. E daí, quando este fim foi obtido, e quando o cânon das Escrituras, o grande e poderoso meio da graça foi completado, e as ordenanças do Novo Testamento e da última dispensação foram com­pletamente estabelecidas, os dons extraordinários cessaram, e chegaram ao fim, não sendo mais úteis. Dons miraculosos sendo um meio para um fim posterior são bons só enquanto se dirigem para aquele fim. Mas o divino amor é aquele fim mes­mo, e portanto permanece quando os meios para ele cessam. O fim não é somente um bem, mas a mais elevada qualidade de bem em si mesmo, e portanto permanece para sempre. E assim é com relação aos dons comuns do Espírito, que foram dados em todas as épocas, tais como iluminação, convicção, etc. Eles não tiveram nenhum bem em si mesmos, e somente são úteis enquanto tendem a promover aquela graça e santidade que sumaria e radicalmente consiste em divino amor, e, por­tanto, quando este fim é completamente satisfeito, haverá um término para sempre destes dons co­muns, enquanto o divino amor, que é o fim de todos eles, permanecerá eternamente.