quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

BOCA DE SAPO, LÍNGUA DE SERPENTE E ESTÔMAGO DE URUBU

O prato do dia em muitas mesas caseiras é a vida alheia. Alguém falou descuida-damente que – com freqüência a sua família, quando está reunida, almoça e janta sempre o mesmo cardápio: falar mal dos outros, com um condimento a mais.
Como é difícil não fuxicar das pessoas. Deve haver alguma atração doentia para o assunto, pois vira e mexe alguém é jantado com molho forte de pimenta e tudo. E como disse Walter Knight, “não há maledicentes ociosos. Eles estão sempre ocupados”.
Sujeitos com uma boca de sapo, comumente apreciam o coaxar da suas intrigas. O som desconexo de seu ruído berrante é a distração favorita na realimentação da própria deformação moral. Quanto mais degenerados forem os tais sujeitos, mais sujeitos ficarão ao zunido zureta do seu diz-que-diz-que, diz-que-diz-que, diz-que-diz-que.
O veneno da difamação é maligno e triplamente tóxico. Além de desfigurar e ma-tar as vítimas da picada, ao mesmo tempo aleijar o próprio agente da toxina, bem como corrompe e mata o ouvinte. A linguagem viperina tem sido responsável pela amargura e deformação de muitos lares e pessoas inocentes. Muitos escapam dos destroços letais da peçonha maldita, mas carregam pelo resto da vida as seqüelas morais do envenenamento.
A receita da fofoca é uma farofa venenosa de futricas que o inferno inventa para manter os canalhas subservientes a serviço da imundícia dos seus estômagos de urubu. Não há coisa mais nojenta do que comer carniça na cocheira da calúnia. A podridão do pecado servindo de alimento para um povo maníaco é um grude repugnante que os no-bres participantes do reino de Deus devem rejeitar determinantemente.
Por favor, não me convidem, nem me incluam no chiqueiro da maledicência, já que tenho uma tendência natural bem aguçada para a corrupção. Eu sei que a minha natu-reza humana gosta de tomar parte nesses rega-bofes do achaque, por isso conto com a sua discrição me poupando de participar da agenda nestes casos. Fico grato também, se você deixar de fora outros irmãozinhos, como Daniel na Babilônia, que preferem alimentar-se de uma comida frugal e saudável. Como é bom comer comida sem agrotóxicos.
Quem sabe se você também não poderia ficar de fora desse ajuntamento de abu-tres ávidos por cadáveres em putrefação, para participar do festival de Aleluia? Sou ainda um principiante nessa escola da graça, mas tem sido magnífico poder aprender a louvar e bendizer. Estou apenas sugerindo a você: matricule-se no discipulado de Jesus e aprenda dele a falar a linguagem da elite dos eleitos que foram libertados pela obra da cruz. Espe-ro por você no hall de entrada na Universidade da Alegria e do Louvor. Seja bem-vindo!
Pastor Glenio Fonseca Paranaguá
www.assbetel.com.br/estudos

PELAS OBRAS OU PARA AS OBRAS?

"Mas se é pela graça, já não é pelas obras, de outra maneira, a graça já não é graça. Romanos 11:6".

Esta declaração inevitavelmente traz consigo uma conclusão lógica: se é pelas obras, a graça deixa de atuar. De outra maneira, as obras já não são obras. O ponto principal é: ou será por “graça” ou será por “obras”. Não podem ser as duas coisas ao mesmo tempo. São duas eternas antíteses, e, se for por uma, não poderá ser por outra.

A graça é uma atitude Divina para com os homens. No que se refere à salvação, a iniciativa é sempre de Deus. A essência da doutrina da graça é o agir de Deus em favor da humanidade caída.

A manifestação dessa graça é justamente observada na obra redentora e salvadora de Cristo Jesus nosso Senhor para conosco, pecadores falidos e perdidos por natureza, pois segundo a Bíblia, o homem, na sua essência, está morto em delitos e pecados. Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Efésios 2:1-3. Esta é a real condição de toda pessoa que nasce neste mundo e não há nada que se possa fazer para mudar essa situação.

O que então pode despertar um ser como este? A resposta vem no versículo seguinte: Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Efésios 2:4-6. A salvação foi iniciada por Deus. Foi Ele quem fez algo. Foi o Pai quem enviou seu Filho Amado para morrer e ressuscitar e nos fazer morrer e ressuscitar juntamente com Ele.

O que seriade nós sem a graça de Deus? O apóstolo Paulo sabia que ele era o que era, por causa da infinita graça de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. 1 Coríntios: 15:10. Neste relato do apóstolo, observa-se que a graça de Deus não é algo estático, ela gera efeitos, gera resposta em nossos corações. Paulo enfatiza que trabalhou muito mais do que todos, mas deixa claro que foi a ação da graça de Deus agindo nele.

Atualmente, o povo de Deus vive uma graça inconsequente. Observamos pessoas anulando e fazendo da graça de Deus algo vão e vazio. Porque uma coisa é certa, todas as vezes que usamos a graça de Deus para um proveito próprio, nós a anulamos. O cristão sempre será alguém devedor da graça e da misericórdia de Deus. Todas as vezes que ele olhar para trás, terá que dizer inevitavelmente, “sou o que sou pela graça de Deus”.

Outrora nós também éramos insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a benignidade de Deus, nosso Salvador, e seu amor para com todos não por obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante a lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou ricamente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso salvador. Tito 3:3-6.

Jamais poderemos nos jactar do que somos, pois seremos devedores eternos da graça de Deus. Até mesmo quando somos chamados a operar a nossa salvação com temor e tremor, este chamado é inteiramente pela graça maravilhosa de Deus. Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Filipenses 2:12-13. Precisamos entender que jamais poderemos, pelos nossos próprios esforços, adquirir a salvação. Paulo, nesta passagem, não está exortando os membros da igreja de Filipos a produzirem sua própria salvação, mas sim os exortando a porem em ação a salvação que já possuíam. Ele não está escrevendo para pessoas que se tornariam cristãs, mas para pessoas que já eram cristãs. Estava dizendo que agora eles podem aperfeiçoar, efetuar, levar a um resultado completo, ou finalizar algo que já fora neles iniciado. Somos exortados a não receber a graça de Deus em vão, a não anularmos a graça de Deus. E nós, cooperando com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão. 2ª. Coríntios 6:1.

Em parte alguma o Novo Testamento apresenta a vida cristã e a salvação como algo que adquirimos como fruto do nosso esforço ou desempenho pessoal. Pelo contrário, somos informados de que: Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus. Filipenses 1:6. Não existe nada que Deus exija em sua Santa Palavra que Ele mesmo, por sua graça, venha nos capacitar a cumprir para que nós O glorifiquemos. Por isto, não existe preço algum a ser pago. Paulo deixa bem claro que quem opera tanto o querer como o efetuar é Deus. Dizendo isto, ele quer tirar os holofotes de si e mirá-los para Aquele que é o único digno de receber toda glória e honra. É Deus quem opera em vós, não eu. Não é Paulo, mas Deus. Muitas vezes, Deus faz a obra e as pessoas dão o crédito aos homens. O pior é quando os homens buscam auferir para si o crédito que só pode ser dado ao Cordeiro. Os homens são apenas canais por onde flui a água viva que dessedenta. Os homens podem ser e, de fato, são úteis na proclamação do Evangelho, porém meros instrumentos nas mãos de Deus.

O que vemos hoje é uma dependência doentia de homens, os quais, muitas vezes, ficam como cães a lamber seus donos por interesses próprios e para a satisfação de seus egos, porque não foram crucificados com Cristo. Paulo sabia muito bem desse perigo e desse favoritismo do inferno ao escrever: Afinal de contas, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e isto conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento. Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. 1 Coríntios 3:5-7. Hoje em dia, há uma dependência exagerada e um foco desmedido em homens ao invés de Cristo. Os homens caem ou se vão e seus dependentes tendem a entrar em colapso ou em depressão, justamente porque seus olhos estão fitos não Naquele que pode todas as coisas, mas naqueles cujo o fôlego está nas narinas. A Palavra de Deus nos exorta a olharmos fixamente para Jesus. Olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hebreus 12:2.

Nossa salvação é pelas obras ou para as obras? Deixemos a própria Palavra de Deus responder a esta pergunta. Pois é pela graça que sois salvos, por meio de fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não das obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:8-10. Não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras, que o próprio Deus, em sua sabedoria eterna, deixou preparadas para nós. Por isto, todo nosso crescimento precisa estar focado nesta graça maravilhosa de Deus e não somente no conhecimento de Deus. Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade. Amém. 2 Pedro 3:18.

Gostamos muito da palavra maturidade, crente maduro. O que vem a ser um crente maduro? Quando o apóstolo Paulo fala sobre seu crescimento, usa uma ordem muito esquisita. Primeiro, diz que é “o menor dos apóstolos”, que não era nem digno de ser chamado de apóstolo. Passado aproximadamente cinco anos, refere a si mesmo como “o menor de todos os santos”.Perto do fim de sua vida, considera-se “o principal dos pecadores”. Existe sem sombra de dúvidas um crescimento, mas um crescimento para baixo. Nosso Senhor explicou muito bem isso ao dizer: Mas ele me disse: a minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, de vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9.

Maturidade é dependência da graça de Deus. Quanto mais aprendemos a depender da graça de Deus, mais maduros nos tornamos. Somos chamados por Deus para comunhão e não para perfeição. A perfeição é o resultado da comunhão e não vice-versa. Quando Abrão tinha noventa e nove anos de idade, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Eu sou o Deus Todo Poderoso, anda na minha presença, e sê perfeito. Gênesis 17:1. A perfeição vem pela comunhão, pela entrega, pelo confiar diário Nele de todo nosso coração, sem nos estribarmos no nosso próprio entendimento, mas reconhecendo-O em todos os nossos caminhos, para que somente Ele endireite nossas veredas, e toda glória possa ser dada a Ele. Porque dele e por ele e para ele são todas as coisas. Glória, pois a ele eternamente. Amém! Romanos 11:36.
Pastor Mauricio Torres.
www.palavradacruz.com.br/estudos

A RELIGIÃO OU EVANGELHO?

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Gálatas 5:1.

A religião é um presídio de segurança máxima que o Diabo inventou para aprisionar os tontos que buscam a independência de Deus. Ela dá a impressão de que você está livre, mas as suas exigências são asfixiantes. Ninguém pode viver livremente em liberdade condicional. Essa liberdade vigiada é uma mentira do inferno.

Adão se tornou um prisioneiro do pecado e a sua descendência já nasceu algemada. Não há livre arbítrio para o pecador que só pode pecar. Todos nós viemos ao mundo sob a ditadura do pecado e encarcerados ao nosso ego.

Os nossos primeiros pais foram livres antes do pecado. Eles podiam pecar e não pecar. Depois da queda, a história é outra. Nascemos pecadores ou escravos do pecado.

A religião é uma proposta que visa ao homem pecador alcançar a Deus pelos seus méritos, justiça pessoal e boas obras. Ela propõe a aceitação de Deus pelos feitos dos seres humanos que se esmeram na conduta e conquista dos seus direitos de filiação.

O evangelho é outra realidade. Ele não focaliza o que fazemos para alcançar a Deus, mas o que o próprio Deus fez para nos alcançar, salvando-nos de nós mesmos e nos libertando de nossa teomania, isto é, nossa loucura de querer ser Deus.

A religião escraviza, mas o evangelho liberta. A religião exige o cumprimento da lei como forma de nossa aceitação. No evangelho, Jesus cumpre a lei e nos atribui, pela fé, a sua justiça como a realidade espiritual de nossa aceitação. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Romanos 4:6.

A liberdade é um dos patrimônios mais preciosos dados pelo Pai, o Deus de toda a graça, aos seus filhos amados, que caminham em plenitude rumo à Nova Jerusalém. Nenhum filho de Abba pode andar neste mundo, alegremente, como um bem-aventurado, sob um regime de custódia ou aprisionado em uma gaiola de ouro. Ninguém pode ser feliz vivendo em cadeias de grades de ferro ou em grades invisíveis.

Apresento esta lenda chinesa como uma ilustração bem interessante, para que você possa avaliar os sistemas de aprisionamento usados pela religião, em nome do amor, a fim de sufocar as pessoas que pretendem mantê-las em cárceres apertados. Considere este assunto com toda atenção, pois é preferível um pássaro voando a um bando aprisionado.

O ROUXINOL E A GAIOLA DE OURO

Conta uma antiga lenda chinesa que certo dia o Imperador, passeando pelos jardins do palácio, ouviu cantar um rouxinol. E era tão lindo o seu canto, que as cores pareciam tornar-se mais vivas e o mundo mais belo.

Encantado, determinou que o pássaro fosse capturado e levado ao palácio, para que pudesse ouvi-lo cantar em todas as horas do dia; e que os mais hábeis artesãos recebessem os metais mais preciosos e as gemas mais raras, para que pudessem construir a mais rica gaiola que já se viu neste mundo.

Assim se fez. E ao pássaro extraordinário foi reservado um local de honra, no palácio, onde a esmerada iluminação fazia refulgir todo o esplendor da magnífica gaiola.

Entretanto, o rouxinol definhava a cada dia. As suas penas, antes brilhantes e vistosas, tornaram-se opacas e nunca mais se ouviu o seu canto.

O Imperador ordenou, em vão, que lhe fossem trazidos os mais atraentes e saborosos petiscos, que com as próprias mãos ofertava ao pássaro amado.

Um dia, o rouxinol fugiu. E nem todos os emissários do império, enviados pela China inteira, foram capazes de encontrá-lo novamente.

Então a tristeza dominou o Imperador, minando as suas forças. Em pouco tempo viu-se o poderoso regente preso ao leito, dominado por misteriosa e persistente doença. Fizeram de tudo e de nada adiantavam os remédios receitados pelos maiores médicos do mundo, que para curá-lo, foram chamados.

E veio uma madrugada em que, em meio ao delírio da febre, julgou o Imperador ver ao pé de seu leito o rouxinol.

Queixou-se, desvairado: - Ingrato, eis que te dei tudo de mim! Dei-te a gaiola mais rica que jamais existiu, o melhor lugar do palácio e até mesmo os melhores petiscos do mundo, com as minhas próprias mãos!Eu te amava e mesmo assim me abandonaste!

Respondeu-lhe o rouxinol: - Dizes que me amavas... e, mesmo assim, era mais importante a tua vaidade. Para que todos pudessem ver e ouvir o pássaro maravilhoso que possuías, me encerraste em uma gaiola, ao teu lado, privando-me de tudo que eu mesmo amava. Julgas, acaso, que a gaiola mais rica possa substituir a beleza e a imensidão do céu? Ou que os esplendores do palácio me sejam mais agradáveis que voar livre entre as flores, vendo a sua beleza e respirando o seu aroma, sentindo o calor do sol e o orvalho fresco da manhã?

Certo é que me alimentaste com as tuas mãos e que para mim procuraste os petiscos que melhores julgavas. Mas como podes acreditar que me fossem mais saborosos que os alimentos por mim mesmo escolhidos e por meu próprio bico colhidos?

Porém, não me cabe julgar-te. Sei que é assim entre os homens; o que chamais amor não é senão a satisfação das vossas vontades. Em nome do que dizeis sentir, buscais acorrentar a vós aquele que jurais amar; e não acreditais que alguém vos ame, a menos que se curve a vossos desejos, esquecendo as suas próprias necessidades. O que chamais “dor de amor” é, na verdade, o vosso egoísmo contrariado.

Deixa-me, apenas, mostrar-te o que é o amor. Porque, embora os emissários que enviaste para capturar-me não me tenham encontrado, eu jamais me afastei de ti; escondi-me em um arbusto do jardim, de onde, às vezes, podia ver-te, sem que me visses.

E renunciei ao canto, que me denunciaria, para desfrutar da liberdade.

Entretanto retorno, agora que precisas de mim. E apenas te peço que não tentes prender-me, ou o amor se perderia na revolta. É certo que não estarei contigo todo o tempo que quiseres, mas hás de ouvir-me sempre que me for possível.

Deixa-me cantar para ti porque te amo, não porque assim o desejas!

Raiava o dia. E o Imperador, já melhor da febre que o castigara, julgou ouvir um som maravilhoso que se espalhava pelo quarto, trazendo de volta a alegria e as cores da vida. Abriu os olhos para a luz do amanhecer, como se os abrisse para a esperança.

No parapeito da janela, cantando como nunca, estava o rouxinol.

A religião é a gaiola de ouro. É o lugar da clausura e da tristeza, enquanto o evangelho é a liberdade do Jardim da ressurreição Jesus Cristo. Se você canta acuado, o seu louvor é um lamento. É horrível ver crente religioso cantando sob pressão.

Pouca coisa diz tanto como o canto livre do passarinho liberto. Se você é de fato um filho de Abba, você faz parte do coral alforriado que adora com liberdade, sem medo de ser um bem-aventurado. Felizes são os que vivem fora das gaiolas como rouxinóis diante do trono de Sua Alteza, o Rei dos reis. Aleluia.
Pastor Glenio Fonseca Paranaguá.
www.palavradacruz.com.br/estudos

O CAMINHO DA ADORAÇÃO: A ADORAÇÃO NA HUMILHAÇÃO

Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.Deuteronômio 8:2

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Mateus 5.3

O caminho da Adoração nos conduz por lugares não muito agradáveis à natureza humana que, pelo medo da dor, não queremos percorrer. A natureza humana rejeita qualquer tipo de ação que tenha por objetivo tirar sua autoconfiança, algo de valor que pensa ter em si mesmo.

O povo de Israel foi por Deus tirado do Egito, onde por mais de 400 anos viveu como escravo, sob opressão. Deus então faz uma aliança com Israel e promete ter o povo como propriedade exclusiva Sua, de ser o seu Deus abençoador, amoroso e misericordioso. Yahweh libertou o povo do Egito, mas o povo ainda não havia sido liberto de si mesmo. Havia soberba no coração que precisava ser exposta para que entendessem a profundidade e a amplitude da separação que tinham de Deus assim como a profundidade e a amplitude do amor de Deus por eles. No deserto Deus provou e humilhou a Israel para saber/mostrar o que estava em seu coração.

Segundo a Enciclopédia Wikipédia, “humilhação é literalmente o ato de ser tornado humilde, ou diminuído de posição ou prestígio”. A humilhação não é geralmente uma experiência agradável, visto que diminui o ego. A humilhação não precisa envolver outra pessoa; ela pode ser um reconhecimento da própria posição de alguém, e pode ser um modo de lançar fora o falso orgulho.

O século XVIII foi chamado de século de luzes. O Iluminismo, que já estava surgindo desde o fim da Idade Média, foi baseado nas ideias de filósofos da época tais como: Francis Bacon, René Descartes, Isaac Newton (cientista), Thomas Hobbes, John Locke e Benedito Espinosa. As questões mais debatidas nessa época foram o racionalismo, empirismo, a lei natural e ainda, o liberalismo, direitos naturais e democracia. Afirmava-se que a razão é capaz de produzir evolução e progresso sendo o homem um ser perfectível. “O homem é o centro do Universo”.

René Descartes disse: “só se pode dizer daquilo que for provado”. No Discurso do Método, Descartes cunhou a frase Cogito ergo sum – penso, logo existo – a afirmação da fé no poder da razão humana. Filósofos e economistas procuraram novas maneiras de dar felicidade ao homem. O princípio organizador da sociedade deveria ser a busca da felicidade; ao governo caberia garantir direitos naturais: a liberdade individual e a livre posse de bens. Para encontrar Deus, bastaria levar uma vida piedosa e virtuosa. Nesse período há um grande interesse pelas artes, pois elas revelam o que o homem tem de “melhor” em si. O doutor David Martyn Lloyd-Jones, teólogo protestante do século XX disse: “Por toda a parte manifesta-se essa trágica confiança no poder do conhecimento e da esmerada educação como tais, como se fossem meios de salvação do ser humano, meios capazes de transformá-lo e torná-lo um indivíduo decente”.

Mesmo em deplorável situação o orgulho faz com que o homem não se dobre e clame por misericórdia. O intolerável egocentrismo alavanca o pensamento positivo para a altivez, de tal modo que prefere executar o Harakiri do código de honra do Samurai, de que ser liberto pela misericórdia. O Iluminismo, chamado de Era da Razão, colocou o homem numa posição de exaltação, contrária à que o Deus encarnado, Jesus Cristo, assumiu. O homem por natureza não quer ser humilde e quando quer mostrar por si só algo diferente, oculta o real desejo de ser exaltado.

Vemos na Palavra de Deus que não é possível ser humilde sem humilhação. Jesus Cristo disse em Mateus 5.3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Temos nesta verdade alguma coisa que o mundo não somente não admira como também despreza. Pelo contrário, a autodependência, autoconfiança e auto-expressão controlam os aspectos da vida fora da pessoa de Cristo. Friedrich Wilhelm Nietzsche, um filósofo do século XIX, filho de família Luterana, coloca a humilhação como um jogo político religioso repressor. Ele não entendeu que a religião não humilha, mas exalta o ego. A religião escraviza e subjuga o homem na sua própria ambição, por isso quando a Igreja falhou em libertar o homem, esse buscou sua libertação na Razão. Então Nietzsche disse “Deus morreu”. Sim, se o seu deus morreu o homem precisa se virar sozinho! Se Deus não é o centro de todas as coisas, o homem será o centro de todas as coisas, adorado e exaltado. Esse é o pensamento filosófico Iluminista antropocêntrico. Protágoras de Abdera - (Abdera, 480 a.C. - Sicília, 410 a.C.) foi um filósofo da Grécia Antiga, responsável por cunhar a frase: "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."

Entretanto, contrariando a arrogância iluminista, a Palavra de Deus afirma: Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2.5-8. Os judeus esperavam um Salvador exaltado e não humilhado. A religião sem nenhum Salvador insultado e humilhado não suportará insultos e humilhação. A religião está destinada a tentar realizar a impossível tarefa de defender uma honra sem a humilhação da morte de Cruz. Mas, ser cristão significa que os seguidores de Cristo devem ser desejosos de ter a “participação dos seus sofrimentos, conformando-se a Ele na sua morte” (Filipenses 3:10)

Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado. Mateus 23.12. Porém a humilhação de Cristo tem sido sutilmente rejeitada pela igreja contemporânea. A “humildade de espírito” não é popular nem mesmo dentro da igreja. No entanto, o Caminho da Adoração começa quando somos solapados pelo fracasso do desempenho de nossa vida. Deus sabe o que está no meu e no teu coração e precisa nos expor para nos rendermos a sua Justiça. Somente podemos ser cheios do Espírito de gratidão e louvor ao Senhor, se somos esvaziados da arrogância, do senso de direito da justiça própria. Queremos nossos direitos, nossas vontades realizadas, o nosso EU no trono. Enquanto o EU estiver no trono, é o EU que será adorado e não o Senhor Jesus Cristo.

O que significa ser “humilde de espírito”? Ser “humilde de espírito” não significa ser retraído ou covarde. Também não significa reprimir sua verdadeira personalidade, fazendo coisas para parecer humilde. A falsa humildade se revela no desejo de exaltação pessoal, mascarada pela modéstia. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos. Romanos 12:16. Humilhação é ser categorizado abaixo de outros que são honrados ou recompensados. Que tipo de sentimento cresce em nosso coração quando isto acontece conosco? Que tipo de sentimento temos quando isso acontece com os outros? Se tivermos a perspectiva da Cruz, veremos que ser humilhado e tratado por Deus produz posterior honra e também glórias a Deus, mas se veladamente alimentamos o desejo de exaltação, estamos no centro e Deus não está sendo glorificado.

Não há humildade sem humilhação. A humildade autêntica parte do coração tratado pela Cruz; parte da convicção íntima e profunda da própria insignificância diante de Deus. Enquanto Jesus se humilhou, esquecendo sua dignidade de Filho de Deus, o homem, para ser humilde, deve considerar o que é: criatura subsistente não por virtude própria, mas somente pela graça de Deus. Criatura que, por causa do pecado, se tornou um miserável moral. Só a graça proveniente da humilhação de Cristo pode tornar-nos humildes de espírito.

O deserto é algo inevitável quando Deus trata com a motivação do nosso coração. Enquanto resistirmos ao trato de Deus, mais doloroso será o tratamento. Quanto mais obstinado for o nosso coração, maior será a aflição. João Batista entendeu que embora sendo o enviado por Deus para anunciar a vinda do Senhor Jesus Cristo, não deveria se gabar disso. O qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias. João 1:27. O verdadeiro adorador é conduzido pelo Pai amoroso no mesmo caminho percorrido por Jesus. O caminho da adoração é o caminho do esvaziamento (Fp 2.7), da humilhação (Fp 2.8), de quebrantamento e da exaltação divina (Fp 2.9).

Não somos capazes de produzir humildade. Humilhai-vos (ou seja, tenha uma correta visão de si mesmo a partir de Cristo), portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte. 1 Pedro 5:6. Somente um coração quebrantado que clama ao Senhor reconhecendo sua indignidade, pode ser feito humilde.

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Mateus 11:29. Se o meu Jesus deixou-se humilhar se fazendo homem e assumindo o meu pecado; logo Ele que tinha todas as prerrogativas para não aceitar tal humilhação, por que eu, que creio ser um cristão, tento defender a todo custo minha reputação?

Compartilho os versos de Lloyd-Jones:“Nada trago em minha mão. Só na tua cruz me agarro. Vazio, desamparado, nu e vil. Entretanto, Ele é o Todo-suficiente – Sim, tudo quanto me falta em Ti encontro. Oh, Cordeiro de Deus venho a Ti”. Somente quando chegamos ao fim de nós mesmos, podemos nos prostrar e adorar ao Cordeiro, o único digno de toda adoração.
Pastor Eric Gomes do Carmo.
www.palavradacruz.com.br/estudos