quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O APRENDIZ DE LAVA-PÉS V - PASTOR GLENIO FONSECA PARANAGUÁ.




Os pés são os órgãos do corpo mais próximos ao solo. Ficam em contato com a nossa origem, ao rés do chão, isto é, no húmus. O ser humano é o húmus avivado pelo beijo de Deus na criação. O sopro divino foi quem deu a vida ao barro, ficando este de pé, mas solicitando a sua visibilidade sobre pés sujos. Seria por causa da sua raiz barrenta?

Alguma coisa estranha aconteceu nesse processo. Tudo aponta para o desejo de a criatura querer ser o Criador, como a causa dessa lama imunda pelo caminho. O pó alevantado através do hálito de Javé, agora quer ter a sua cabeça governando o cosmos.

A testa altiva e os pés empoeirados são as marcas de uma raça arrogante, embora com um destino cruel pela frente. O pecado nos deixou com uma aspiração ao trono celestial, mas aspirando sempre o pó da terra, enquanto viajamos rumo ao túmulo na areia. Almejamos ser Deus, todavia, não passamos de mortais a caminho da nossa origem.

O pó ao pó voltará. Isto é um fato incontestável. No entanto, a poeira agitada pelo fôlego divino supõe que seja o próprio divino em pessoa. O grão de areia não aceita nem mesmo ser um ídolo, um super-homem ou um semideus. Quer ser o próprio Deus.

A raça de Adão é uma turma de vasos de barro rachados, lascados e despedaçáveis, vivendo com arrogância, como se fosse um pelotão de divos gerenciando seus egos insatisfeitos.

Neste terreno argiloso nasce uma criança, de um lado com a índole do lodo, do outro, com a natureza divina. Jesus é o caulim perfeito esculpido na humanidade caída, enquanto Cristo é o Deus esvaziado, porém, a totalidade da Onipotência.

O Deus-Homem veio com a finalidade principal de destronar o barraco de sua obsessão de ser o Castelo real. É muito triste ver o sofrimento de um casebre mal-ajambrado, tentando viver como se fosse um Palácio maravilhoso. É lamentável notar a lama sonhando ser o brilhante solitário na coroa do Rei.

Foi aí, neste contexto totalmente aloprado, que o Soberano Deus, o Criador do universo, tomou a decisão de ficar de cócoras com uma bacia e a toalha, a fim de lavar os pés enlodados de uma gentinha enlouquecida pelo porte de ser graúda.

A lição tinha como objetivo expurgar os anseios de divinização dos vasos de barro, que não aceitavam a sua condição de argila entalhada ou o húmus de pé. Ora, se o humano é o húmus andando a pé, mas querendo sempre ser divino, então, o humilde é o divino vivendo como húmus, no humano, enquanto lava os pés dos seres humanos, com a psicose de serem divinos. Esta é a loucura existencial do evangelho e, ao mesmo tempo, a salvação da humanidade viciada por fama.

A coisa pega quando ouço a voz soprando suprema: Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. João 13:14. Tudo bem. O Senhor pode lavar os pés dos indigentes e continua sempre o Soberano, mas eu, como fico depois desta humilhação? O que vão pensar de mim?

– Você não se intitulou: Sua Alteza, o mendigo? Quem pode ser maior aqui na terra do que um filho de Abba? Quem pode ser mais insignificante do que um mendigo? Se você for um filho legítimo de Abba, você não se importará em ser um Zé Ninguém.

Abba, querido! Eis aqui a minha grande crise. Recebi Jesus e agora sou teu filho. Sei que faço parte da nobreza celestial, mas ainda vivo cá, nesta terra argilosa. Sou um vaso de barro muito metido. A questão é: mesmo sendo mendigo, é muito difícil lavar os pés de outros mendigos. Eu até lavaria os pés da rainha da Inglaterra, ela é apresentada como nobre por aqui, mas lavar os pés da ralé, desta gentalha suja, é demais para mim. Tem misericórdia da minha indigência enfatuada. Dá-me a revelação do Cordeiro, concedendo-me a graça de me acocorar contente, nesta missão de lava-pés.

No Nome dAquele que é sobre todo o nome. Jesus. Amém.

Do aprendiz de lava-pés, GP.

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