domingo, 26 de dezembro de 2010

PRIMÍCIAS DE SUAS CRIATURAS - C.H.SPURGEON.



"Segundo a sua vontade ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas " (Tiago 1:18).

O apóstolo Paulo ensinou que a salvação é exclusivamente pela graça. Algumas pessoas dizem que Tiago não concordava com o apóstolo Paulo. Eles dizem que Tiago não ensina que o homem é salvo somente pela fé. Mas certamente, Tiago de fato concordava com Paulo. Ele sabia que tudo que há de bom no homem vem da graça de Deus. Tiago cria que o homem é salvo pela fé, e que a fé é dádiva de Deus. Ele escreveu: "Toda boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes..." (Tiago 1:17). Tiago não ensinou que as boas obras do homem de modo algum ajudam no que diz respeito a salvação, como algumas pessoas afirmam que ele ensinou. Ele dá toda a honra e a glória a Deus.

Eu também quero trazer honra e glória a Deus ao considerar este texto com vocês. O texto fala somente às pessoas que são salvas. Portanto devemos fazer antes de tudo uma divisão. Nem todos os homens são salvos. Nem todos são filhos de Deus. Precisamos sondar nossos corações e perguntar a nós mesmos se somos verdadeiros crentes em Jesus Cristo. Um dia Deus irá fazer uma separação entre os homens. Ele colocará aqueles que são crentes à sua mão direita. Essas pessoas irão aos céus. Ele colocará aqueles que não são crentes em Jesus à Sua mão esquerda. Essas pessoas irão para o inferno.

Vamos falar primeiro a respeito das pessoas mencionadas no texto — os filhos de Deus. Em seguida falaremos das responsabi¬lidades que temos por sermos filhos de Deus.

1. 0 privilégio que pertence aos filhos de Deus é que eles foram regenerados, nascidos de novo pelo Espírito Santo, através da Palavra de Deus. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (1 Ped. 1:23). Recebemos muitas bênçãos depois de nascermos de novo. Todas essas bênçãos vêm através da absoluta e graciosa vontade de Deus. Deus não está obrigado a nos abençoar. Ele pode fazer como quiser. Ele pode decidir não nos abençoar de modo algum. Tudo que podemos reivindicar de Deus é justiça, o que significa que Deus deve nos punir pelos nossos pecados.

Estamos nas mãos de Deus, esperando saber o que Ele vai fazer. Se Deus assim desejar, Ele pode salvar toda a humanidade. Ou se Ele quiser, Ele pode decidir não salvar ninguém. Se Deus desejar, Ele pode, na Sua misericórdia, salvar um homem e deixar outro para sofrer a punição pelo seu pecado. Não há injustiça alguma da parte de Deus se Ele assim fizer. É direito soberano de Deus fazer o que Lhe aprouver. Deus diz na Bíblia: "... compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Rom. 9:15-16).

Alguns ficam muito zangados com este ensinamento. A ira deles não muda o fato de que a verdade da soberania de Deus mantém-se firme como uma rocha. Deus não tem que explicar ao homem o que Ele faz. Ele faz o que quer, nos céus e na terra.

A doutrina da soberania de Deus traz grande alegria aos que crêem nEle. Nós nos regozijamos no amor de Deus que nos escolheu para sermos Seus filhos. Deus deixa as pessoas que Ele não escolheu seguirem seus próprios caminhos e perecerem no final. Ele teve misericórdia de nós porque assim o quis, mesmo antes de nós começarmos a orar e procurá-lO. Este propósito eletivo de Deus é precioso. No mundo precisamos pleitear, até com pessoas ricas, antes que elas nos dêem alguma coisa. Não tivemos que implorar a Deus. Todas as coisas preciosas que Ele nos deu, foi "segundo a sua vontade". Deus Se apraz na misericórdia, em dar livremente. O nome de Deus é amor e a natureza de Deus é amor. É natural ao sol enviar luz. É coisa natural Deus enviar a luz de Sua eterna graça.

Louvemos ao Senhor que nos amou quando estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Glorifiquemo-lO pela Sua misericórdia livremente demonstrada a nós. Não merecíamos a misericórdia de Deus. Freqüentemente desprezamos essa misericórdia. Alguns de nós resistimos a misericórdia de Deus por longo tempo. Curvemo-nos então humildemente diante do trono de Deus. Vamos agradecer-Lhe pelas Suas misericórdias que duram para sempre. Quão maravilhoso é que, devido Deus assim o desejar, Ele teve compaixão de nós. O grande privilégio que Deus nos concedeu é que, através do poder divino do Espírito Santo, já nascemos de novo.

Nosso primeiro nascimento foi natural. Deus nos fez e nossos corpos são Sua maravilhosa criação. Nosso segundo nascimento foi espiritual. Nascemos de novo, regenerados pelo poder divino do Espírito Santo. Nosso segundo nascimento é uma obra de Deus, tão grande quanto o nosso primeiro nascimento, nossa criação natural. "Segundo a sua vontade" Deus nos deu uma nova vida, e nos fez novas criaturas. Acaso temos a certeza de que nascemos de novo? Sabemos que somos novas criaturas em Cristo?

Talvez às vezes tenhamos dúvidas se somos nascidos de novo. Mas o homem que nasceu de novo sabe que há uma mudança nele. Há vezes quando até aquelas pessoas que duvidam da sua salvação têm certeza que passaram da morte para a vida. Sonde seu próprio coração. Deixe que esta oração venha de seus lábios e coração: "Sonda-me, ó Deus, e prova-me". Devo advertir-lhes que se nada mais têm do que a natureza pode lhes dar, vocês perecerão. Viver uma vida boa e bem comportada não lhes dará uma entrada para o reino de Deus. "Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7). Estas palavras estão no portão do céu. Até mesmo as pessoas mais destacadas na Igreja e na nação devem nascer de novo, para serem admitidas no céu. Não importa se vocês viveram uma boa vida ou se desobedeceram abertamente a lei de Deus — precisam nascer de novo. O Espírito Santo deve operar esta transformação sobrenatural em vocês. Esta mudança é o resultado do eterno propósito, poder e amor de Deus.

Aqueles que têm parte deste precioso privilégio são felizes. Embora estivessem mortos em transgressões e em pecado, agora eles estão vivos. Embora fossem carnais e terrenos, agora são espirituais. Eles estavam distanciados, mas agora foram trazidos para perto de Deus. Todos estes privilégios são exclusivamente devidos à soberana vontade de Deus. Se vocês nasceram de novo, agradeçam a Deus de todo o coração e humilhem-se diante dEle.

A maneira que esta mudança foi operada em nossos corações é claramente expressa: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (Tiago 1:18). Homens são geralmente salvos ao ouvirem o evangelho pregado. Alguns afirmam que a pregação da verdade é eficaz para salvar o homem. Isto não é totalmente verdadeiro. A verdade de Deus pode ser fielmente pregada e ninguém ser convertido. Outros dizem que o Espírito de Deus regenera as pessoas sem se utilizar da Palavra de Deus. Isto também não pode ser verdadeiro. A Bíblia nunca diz que o homem pode ser salvo sem a Palavra de Deus. A Palavra e o Espírito sempre operam juntos. A Bíblia diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes..." (Heb. 4:12). As Escrituras ensinam claramente que o Espírito de Deus opera através da Palavra de Deus. A Palavra não opera sem o Espírito. "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mar. 10:9). Amigo, você foi salvo pela leitura da Palavra de Deus? A Palavra de Deus é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.

O que é esta Palavra de Deus que traz vida nova à pessoa? A palavra é a pregação da doutrina da cruz. Ninguém jamais nasceu de novo através da pregação da lei. A lei pode tornar um homem mais humilde. A lei pode quebrantar e ferir o homem. Ela poderá mostrar-lhe a punição que receberá como pecador. Contudo, a lei jamais lhe trará vida nova. A Bíblia diz: "... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados" (II Cor. 5:19). Algumas pessoas removem o sacrifício de Cristo do evangelho. Elas condenam o texto: "... o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (I João 1:7). Não deixam nada de evangelho. A palavra "sangue" é uma das mais solenes e importantes palavras em todas as Escrituras. As pessoas não serão salvas se esta doutrina não for pregada.

Se a pregação do evangelho trouxe salvação a você, então pregue-o aos outros. Fale a cada um do fato que Cristo morreu pelos pecadores. Afirme em todo lugar que qualquer um que crer no Senhor Jesus Cristo terá vida eterna. Diga às pessoas que Jesus Cristo foi o substituto dos culpados. Diga-lhes que Ele sofreu pelos pecadores; que a espada da justiça abateu o Pastor para que as ovelhas pudessem ser livres. Declare aos seus ouvintes como o Redentor sofreu a ira de Seu Pai para que os filhos dEle jamais tenham que enfrentar a Sua ira.

Nós crentes em Jesus devemos olhar para trás com gratidão e esperança pelo que Deus fez. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade".

2. Devemos pensar na obrigação que pesa sobre aqueles que têm o privilégio de serem salvos.

(I). Uma regra do governo de Deus tanto para aqueles que estão sob o evangelho como os que estão sob a lei, é que muito é esperado da pessoa a quem muito é dado. Nosso texto diz: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas".

Deus coloca aqueles que Ele salvou em primeiro lugar. Ele lhes dá mais dignidade do que ao resto das criaturas. O Seu povo escolhido é o Seu tesouro especial. Creio que as pessoas mais pobres dentre o povo de Deus são mais importantes do que os homens mais eminentes da terra que não são convertidos. Deus vê Seus santos como jóias na Sua coroa. Ele vê o resto da humanidade como pedras comuns. Deus tem grande prazer em Seu povo. O Seu povo é muito especial para Ele. Portanto o povo de Deus é um povo privilegiado. Contudo, privilégios especiais acarretam obrigações especiais. Quero falar-lhes a respeito dessas obrigações.

Deuteronômio 26:1-4 nos diz que em Israel os primeiros frutos eram recolhidos das colheitas. Em seguida eles eram entregues a Deus. No Novo Testamento, Tiago nos diz que Deus nos salvou para que possamos nos oferecer como uma oferta, como primícias, a Deus. Os israelitas traziam uma cesta das primeiras espigas de trigo, para oferecê-las em sacrifício ao Senhor. Esta oferta das primícias foi ordenada por Deus e é uma obrigação dos crentes de hoje. Temos que entregar ao Senhor uma parte de todo o dinheiro que ganhamos. Espero que vocês já estejam fazendo isso. Não quero falar agora a respeito de dar dinheiro ao Senhor. Tudo que vocês tiverem, e todo o seu tempo pertencem a Deus. Quero, entretanto, falar-lhes a respeito de si mesmos. Toda pessoa redimida deve concordar que foi comprada por um preço. Dizer que é redimido significa que pertence a Cristo. Estão vocês, de fato, vivendo dia após dia como aqueles que vivem para Cristo? Podem dizer honestamente: "Para mim o viver é Cristo"? (Fil. 1:21). Se você não pode dizer isso, meu amigo, você está se portando desonestamente como cristão. Deve examinar seu coração para descobrir o que está errado.

O principal propósito da vida do autêntico cristão deve ser o de tentar expandir o reino de Cristo. O cristão deve também procurar demonstrar a glória de Cristo em sua vida. Se vocês empenham seu tempo servindo a si mesmos, então não são servos de Deus. Se Cristo realmente vive em vocês, desejarão viver para Ele. Muitas pessoas dizem que são cristãs, mas não vivem como cristãs. Elas servem a Deus limitando-se a freqüentar a igreja. A Bíblia nos diz que as nossas obras para Cristo que não são verdadeiras serão queimadas por completo como se fossem madeira, palha ou restolho. Até mesmo pregadores podem pregar a mensagem de Cristo com falta de sinceridade. Eles podem estar pregando somente para demonstrarem suas próprias habilidades. Tais pregadores trazem desonra ao nome de Cristo.Venhamos a Cristo e confessemos nossas faltas. Peçamos graça para que em dias futuros possamos viver somente para Ele, que é o nosso "culto racional" (Rom. 12:1). Nossos espíritos, almas e corpos pertencem a Ele.

(II). A oferta das primícias no Velho Testamento era voluntária. Não era obrigatório trazer as primícias. Entretanto, se a pessoa não trouxesse as primícias, ela perdia a bênção de Deus. Se trouxesse as primícias, Deus a amava porque era uma pessoa que dava prazerosamente. Peço que vocês se entreguem a Deus com a mesma disposição. Aos cristãos que não se entregaram verdadeiramente, eu digo: "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rom. 12:1). Rogar é uma palavra bem forte. Mas de fato eu "rogo" que vocês se entreguem a Deus. Em breve deixaremos este mundo. Lamentaremos então que perdemos oportunidades de servir ao Senhor. Vocês estão fazendo tudo que podem por Cristo? Jovens, vocês têm certeza que estão usando todas as habilidades que Deus lhes deu? Há algo mais que podem fazer por Cristo? Podemos continuar vivendo vidas vulgares. No entanto, tudo pode ser feito para a glória de Deus, até o comer e o beber. Qualquer que seja o nosso trabalho, devemos fazê-lo diligentemente e no temor de Deus. Então nosso serviço será aceito por Deus como se fôssemos pregadores do evangelho, os quais estão a serviço de Cristo em tempo integral. Venham como são e entreguem-se com tudo que possuem com alegria a Deus. Façam de vocês mesmos um "sacrifício vivo".

Observem em Deuteronômio 26:4 que o homem trazia as espigas de trigo numa cesta. Ele trazia de livre vontade, porém não era ele quem as oferecia a Deus. "E o sacerdote tomará o cesto da tua mão, e o porá diante do altar do Senhor teu Deus". Nossa oferta deve também ser entregue a Deus por meio de um mediador. Não podemos nos oferecer diretamente a Deus. Devemos vir a Deus através do nosso Mediador, o Senhor Jesus Cristo. Nada que podemos fazer é em si mesmo aceitável a Deus. Cristo deve cobrir tudo que fazemos com Seu próprio mérito. Devemos trazer nossos corações e nossas obras ao Senhor Jesus Cristo, que é o nosso Sumo Sacerdote. Devemos pedir a Cristo que nos tome da maneira que somos e nos ofereça diante do trono eterno de Deus. Quando Cristo faz isso, somos feitos "agradáveis no amado" (Ef. 1:6). Somos aceitos por causa do sangue e da justiça de Cristo.

Depois que as primícias foram oferecidas, parece que o adorador em Deuteronômio, capítulo 26, fazia uma confissão do que ele devia a Deus. O judeu lá permanecia com suas espigas de trigo. Ele confessava que seu pai era "Siro". Por "Siro" ele queria dizer "Abraão". Os descendentes de Abraão emigraram ao Egito. Lá, Deus multiplicou-os e eles se tornaram a nação de Israel. Deus libertou e trouxe os filhos de Israel do Egito, através do deserto, para a terra que Ele lhes havia prometido. O adorador lembrava-se então que à parte da bondade de Deus ele nada tinha. Ele dizia a Deus: "... tudo vem de ti, e da tua mão to damos" (I Crôn. 29:14). Nós também devemos lembrar de tudo que Deus nos tem feito. Por isso, devemos nos entregar de novo — e tudo que temos — a Deus.

Que privilégio é conhecer o Senhor Jesus Cristo como Salvador por muitos anos. Tivemos muitas experiências em nossas vidas. Fomos muito ingratos e omissos. Mas Deus tem demonstrado fidelidade e benevolência a nós que nada merecemos. Louvemos a Deus pelo Seu amor, pela Sua imutabilidade e pela Sua graça perdoadora. Lembrem-se de todos os pecados que lhes foram perdoados e de toda a graça que receberam. Lembrem-se de todas as orações que foram respondidas. Pensem em todas as provações das quais foram libertos. Pensem em todos os conflitos em que Deus lhes ajudou a ser vitoriosos e ofereçam-se como sacrifícios vivos a Deus. Se você, amigo, nunca negou nada de si para Cristo, faça-o agora. Quanto mais negar a si mesmo e fizer mais por Cristo, tanto mais feliz você será. A religião será um peso ao cristão indiferente, um costume a ser suportado, não um banquete a ser desfrutado.

O adorador seguia seu caminho após ter apresentado seu feixe de trigo. Deuteronômio diz que seu coração ficará alegre, e que ele será abençoado. O fato de que as primícias foram dadas a Deus significava que toda a colheita seria abençoada. Da mesma forma, os crentes hoje em dia são abençoados por Deus e são eles próprios uma bênção para os seus semelhantes.

A Bíblia diz: "Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós. Para que se conheça na terra o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação" (Sal. 67:1-2). Bênçãos são dadas às nações através do povo de Deus. Lembrem-se da promessa: "Eu serei para Israel como orvalho; ele florescerá como o lírio, e espalhará as suas raízes como o Líbano" (Os. 14:5). Quando vocês se entregarem completamente a Deus, as pessoas ao seu redor serão abençoadas pela graça que Deus lhes dará. O verdadeiro avivamento começa em casa. Tirem primeiro as ervas daninhas de seus próprios jardins. Capinem seus jardins para que deles possam crescer flores. Se vocês querem que a graça de Deus passe às suas famílias, cuidem para que a graça de Deus esteja em suas próprias vidas. Entreguem-se ao Senhor agora, assim como as cestas de espigas de trigo eram entregues a Ele nos dias do Velho Testamento.Até aqui estive falando aos filhos de Deus. Não posso falar, porém, da mesma maneira aos que não são filhos de Deus. Se o seu coração, meu ouvinte, não está correto diante de Deus, você não pode fazer oferta alguma a Ele. Deus não aceitaria nenhuma oferta a Ele oferecida que venha de um incrédulo.

No entanto, digo o que você pode fazer, por meio da graça de Deus. Você não pode trazer nada a Ele, mas pode pedir-Lhe algo. Você não pode ser um doador porém pode ser um receptor. Pode receber o amor de Cristo. Cristo apela a você que traga seu coração vazio e necessitado a Ele. Seu mandamento é: "Creia, e viverá". Crer é confiar em Cristo para lhe salvar. Ninguém que já creu em Cristo constatou que Ele não cumpriu a Sua promessa. Que você seja guiado pelo Espírito Santo a vir em confiança ao Salvador, Àquele que uma vez foi morto, mas que agora vive. Daí você dará a Deus todo o seu coração. Você irá então viver para Aquele que morreu por você.

Aleuia! Glória a Deus, Deus seja Exaltado! Amém, Amém.

Aos que Predestinou - C. H.Spurgeon - SOLA SCRIPTURA .



E aos que predestinou, a esses também chamou - Romanos 8.30

O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: "Que nos salvou e nos chamou com santa vocação" (2 Timóteo 1.9). Aqui temos um padrão pelo qual devemos testar nossa chamada; é uma chamada santa, não de acordo com nossas obras, mas de acordo com o propósito e a graça de Deus. Esta chamada proíbe toda a confiança em nossas próprias obras, levando-nos a confiar somente em Cristo para a nossa salvação. Além disso, esta chamada nos purifica de nossas obras mortas, para servirmos o Deus vivo e verdadeiro. Visto que Aquele que nos chamou é santo, devemos também ser santos. Se você é realmente de Cristo, pode declarar: "Nada me aflige tanto como o pecado; desejo ser livre dele. Senhor, ajuda-me a ser santo". Este é o desejo de seu coração? E a essência de sua vida com Deus e da vontade divina?

Em Filipenses 3.10-14, somos informados a respeito da "soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". A sua chamada enobreceu o seu coração, tornando-o determinado para com as coisas celestiais? A sua chamada elevou as suas esperanças, seus gostos e seus desejos? A sua chamada elevou o propósito de sua vida, de modo que você gasta a sua vida para Deus e em favor dEle?

Encontramos outro teste em Hebreus 3.1: "Santos irmãos, que participais da vocação celestial". Vocação celestial significa uma chamada proveniente do céu. Se apenas o homem o tiver chamado, então, você não uma pessoa chamada. A sua chamada veio de Deus? É uma chamada para o céu, bem como proveniente do céu? A menos que você seja um forasteiro neste mundo e que a sua pátria seja o céu, você ainda não foi chamado com uma chamada celestial. Aqueles que têm esta chamada afirmam que esperam a cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto é Deus (Hebreus 11.10). Eles mesmos são peregrinos e forasteiros neste mundo. A sua chamada é semelhante à deles — santa, sublime, celestial? Então, querido leitor, você foi chamado por Deus.

domingo, 19 de dezembro de 2010

A BELEZA E A RIQUEZA DO CORPO - PR.CLAUDIO MORANDI.



E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. Efésios 1:22-23.
As riquezas de Cristo são muitíssimo profundas. Ele é o Senhor que a tudo enche em todas as coisas. Com Ele estão as riquezas insondáveis. A intenção de Deus não é que essas riquezas profundas e infinitas permaneçam apenas em Cristo, mas se tornem as riquezas da igreja. Sua intenção é que a igreja se torne a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as coisas. A igreja é um vaso que contém a vida de Cristo. Todas as riquezas do Filho de Deus estão depositadas na igreja. As riquezas de Cristo são as riquezas do Corpo de Cristo. Ninguém individualmente jamais poderá conter essas riquezas, nem uma multidão de indivíduos. É preciso um grupo corporativo para conter as riquezas de Cristo. Os cacos de um copo podem conter individualmente algumas gotas de água, mas é preciso o copo inteiro para conter um copo d'água. A igreja não é um monte de pedras, nem uma massa de indivíduos sem relação entre si, mas um “edifício” no qual as pedras estão “ajustadas” para se tornar a “habitação de Deus no espírito”. No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. Efésios 2:21-22.
Em certo sentido, cada cristão individualmente é um templo de Deus, mas somente o templo coletivo pode conter todas as riquezas de Deus. As Escrituras Sagradas nos revelam que a manifestação da multiforme sabedoria de Deus aos principados e potestades é feita pela igreja, e não por indivíduos. Irmãos, somente o Corpo de Cristo tem a capacidade de expressar as riquezas de Cristo. Precisamos estar no Corpo para compreender as riquezas que Cristo tem em Seu Corpo. Não é um cristão apenas, mas todos os cristãos juntos que podem chegar “à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus”. Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Efésios 4:13.
Irmãos, todos os membros do Corpo de Cristo comprometem-se mutuamente. Se um membro sofre, todos espontaneamente sofrem. Às vezes sentimo-nos fortes porque foi transmitida força de outros membros para nós. Todos os membros podem afetar os demais. É por isso que não devemos viver para nós mesmos, mas reter a Cabeça e buscar a comunhão. Retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus. Colossenses 2:19.
Como Cristo é a Cabeça do Corpo, temos de reter a Cabeça. Reter a Cabeça é reconhecer que somente Cristo é a Cabeça; é estar totalmente sob Sua autoridade. Somente podemos estar unidos aos irmãos quando retemos a Cabeça. Os membros do Corpo são encaixados e capacitados a viver a vida do Corpo retendo a Cabeça. O relacionamento com a Cabeça determina o relacionamento com os outros membros. Todas as questões a respeito do relacionamento com os irmãos só podem ser resolvidas quando nos colocamos sob a autoridade absoluta do Senhor. Se não reconhecermos o encabeçamento de Cristo no Corpo, jamais teremos comunhão perfeita com os outros membros, porque é o relacionamento normal com Ele que nos leva a nos relacionar com os outros. Podemos ser diferentes exteriormente, mas o Cristo que está em nós é o mesmo. É por isso que podemos ter comunhão uns com os outros e ser um. Além de Cristo não há como termos comunhão. Quando não retemos a Cabeça, nossa comunhão fica inválida. A base da comunhão é reter mutuamente a Cabeça. Quando todos retivermos a Cabeça, reteremos uns aos outros e o relacionamento com o Corpo será adequado. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia. Colossenses 1:18. A força da nossa existência vem de Cristo. É por isso que não podemos fazer nada de maneira independente. Somente o Senhor é a nossa Cabeça, e somente Ele tem a autoridade para dirigir o mover dos membros do Corpo. Nesta era de ilegalidade e corrupção, uma palavra sobre a necessidade de submeter-se à autoridade não é bem recebida; mas se queremos entender a vida do Corpo e entrar nela, devemos conhecer a autoridade da Cabeça. Minha mão não pode fazer coisa alguma sem a direção da cabeça. A cabeça deve comandar para que os membros se mexam. Cristo é a vida e também a autoridade no Corpo. Cada movimento dos membros deve estar sob a direção da Cabeça. O fato de Cristo ser a Cabeça significa que Ele tem autoridade no Corpo. Nós não somos a Cabeça, não temos autoridade. A única coisa que devemos fazer é submeter-nos à autoridade do Senhor. Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Mateus 28:18.
Um dia Deus fará todas as coisas do universo serem encabeçadas em Cristo. Hoje o universo ainda não está sob o encabeçamento de Cristo, e tudo está em confusão. Mas um dia Deus colocará todas as coisas sob o encabeçamento de Cristo. Deus ordenou que Cristo exercesse o encabeçamento de todas as coisas, mas hoje esse encabeçamento deve ser exercido primeiramente na igreja, e, então, por meio da igreja, será exercido sobre todas as coisas. Toda autoridade está Nele porque toda vida está Nele. Todo o Corpo é consumado Nele; Ele é o manancial de vida do Corpo. Corpo não tem vida em si mesmo. Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. 1 João 5:11b.
Mesmo depois que a vida eterna é dada a nós, ela ainda está no Seu Filho. Não possuímos a vida como vida; somente possuindo o Filho é que temos vida. Um cristão recebe sua vida do Senhor. Contudo, essa vida jamais pode ser separada do Senhor. Um crente não se relaciona apenas com a vida. Por estar relacionado com essa vida, o cristão está relacionado com o Filho de Deus. Essa vida nos torna membros do Corpo de Cristo. Esse relacionamento de vida descarta a possibilidade de estarmos separados da Cabeça, porque nossa vida provém da Cabeça. O fluir de vida em nós depende continuamente do relacionamento com o Filho. Assim que surge uma obstrução na comunhão com Ele, a vida em nós é bloqueada. Ele é a Cabeça do Corpo, e a vida pode fluir livremente para nós apenas quando Ele tem o controle total. Leiamos João 15:5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
Irmãos, tudo que temos é no Corpo, pelo Corpo e para o Corpo. Que o Senhor nos mostre que todos temos parte na reunião. Não basta falar do Corpo; temos de expressá-lo em nosso viver. O Corpo de Cristo não é doutrina; é realidade espiritual em vida. Deus deseja que entremos na vida do Corpo, não para ter a doutrina do Corpo. Nós recebemos a vida do Corpo e não uma doutrina sobre o Corpo. Martinho Lutero não recebeu a doutrina da justificação pela fé, mas a vida da justificação pela fé. Como resultado, seu ministério foi poderoso. A justificação de que falava não era doutrina, mas realidade em vida. Hoje, todos devemos receber a revelação da realidade do Corpo e entrar na vida do Corpo. Então, veremos que somos membros do Corpo de Cristo, que precisamos da proteção e também funcionar no Corpo e suprir outros membros para que a vida do Corpo flua sem impedimento. Lembram da palavra que Jesus em João 7:38? Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
Nós que morremos e ressuscitamos com Cristo, somos chamados para sermos o Corpo de Cristo. Somos chamados para sermos o novo homem. Somos chamados para sermos cidadãos do Reino do Filho do Seu amor. Somos chamados para sermos família de Deus. Somos chamados para sermos Casa de Deus. Somos chamados para sermos noiva, a esposa do Cordeiro. Vocês conseguem ver a beleza e a riqueza deste fato? Isto é muito grande! Por isso se percebermos que um cristão nada mais é que um membro, não nos orgulharemos mais. Tudo depende do que vemos. Os que vêem que são membros certamente valorizam o Corpo e honram os outros membros. Eles não vêem apenas as próprias virtudes, mas prontamente reconhecem que os demais são melhores do que eles. Nada que provém de nós jamais pode se tornar parte do Corpo de Cristo. Por quê? Porque Cristo é tudo e em todos. Colossenses 3:11b. Amém.

Sejam edificados no Corpo da Igreja(Cristo Jesus).
Ajudem a publicar este blog, para a Honra e Glória de Cristo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

MORRER SEM DEUS.



Numa grande usina em Sheffield, Inglaterra, um jovem caiu acidentalmente sobre uma chapa de ferro incandescente. Quando ele foi retirado pelos seus colegas operários, praticamente um lado inteiro de seu corpo estava queimado até os ossos.

Alguns dos homens gritaram: "tragam um médico"! Mas o jovem acidentado gritou: "esqueçam o médico"! Há alguém aqui que me explique como posso me salvar? Tenho negligenciado a minha alma e estou morrendo sem Deus. Quem pode me ajudar"?

Havia trezentos homens ao seu redor, mas nenhum podia lhe apontar o caminho da salvação. Depois de uns vinte minutos de uma agonia indescritível, ele morreu como vivera - sem Deus.

Um homem que viu esse acidente e ouviu os reclamos do jovem moribundo era um cristão que tinha abandonado a fé e voltado para uma vida de pecados. Quando eu olhei e perguntei a respeito do que acontecera,ele disse:"desde então ouço os gritos dele e gostaria tanto de ter-me abaixado para apontá-lo para Jesus - mas a minha vida fechou os meus lábios".

Será que a nossa vida diz ao mundo que somos cristãos? Ou será que ela fecha os nossos lábios quando os outros mais necessitam de nós?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O APRENDIZ DE LAVA-PÉS V - PASTOR GLENIO FONSECA PARANAGUÁ.




Os pés são os órgãos do corpo mais próximos ao solo. Ficam em contato com a nossa origem, ao rés do chão, isto é, no húmus. O ser humano é o húmus avivado pelo beijo de Deus na criação. O sopro divino foi quem deu a vida ao barro, ficando este de pé, mas solicitando a sua visibilidade sobre pés sujos. Seria por causa da sua raiz barrenta?

Alguma coisa estranha aconteceu nesse processo. Tudo aponta para o desejo de a criatura querer ser o Criador, como a causa dessa lama imunda pelo caminho. O pó alevantado através do hálito de Javé, agora quer ter a sua cabeça governando o cosmos.

A testa altiva e os pés empoeirados são as marcas de uma raça arrogante, embora com um destino cruel pela frente. O pecado nos deixou com uma aspiração ao trono celestial, mas aspirando sempre o pó da terra, enquanto viajamos rumo ao túmulo na areia. Almejamos ser Deus, todavia, não passamos de mortais a caminho da nossa origem.

O pó ao pó voltará. Isto é um fato incontestável. No entanto, a poeira agitada pelo fôlego divino supõe que seja o próprio divino em pessoa. O grão de areia não aceita nem mesmo ser um ídolo, um super-homem ou um semideus. Quer ser o próprio Deus.

A raça de Adão é uma turma de vasos de barro rachados, lascados e despedaçáveis, vivendo com arrogância, como se fosse um pelotão de divos gerenciando seus egos insatisfeitos.

Neste terreno argiloso nasce uma criança, de um lado com a índole do lodo, do outro, com a natureza divina. Jesus é o caulim perfeito esculpido na humanidade caída, enquanto Cristo é o Deus esvaziado, porém, a totalidade da Onipotência.

O Deus-Homem veio com a finalidade principal de destronar o barraco de sua obsessão de ser o Castelo real. É muito triste ver o sofrimento de um casebre mal-ajambrado, tentando viver como se fosse um Palácio maravilhoso. É lamentável notar a lama sonhando ser o brilhante solitário na coroa do Rei.

Foi aí, neste contexto totalmente aloprado, que o Soberano Deus, o Criador do universo, tomou a decisão de ficar de cócoras com uma bacia e a toalha, a fim de lavar os pés enlodados de uma gentinha enlouquecida pelo porte de ser graúda.

A lição tinha como objetivo expurgar os anseios de divinização dos vasos de barro, que não aceitavam a sua condição de argila entalhada ou o húmus de pé. Ora, se o humano é o húmus andando a pé, mas querendo sempre ser divino, então, o humilde é o divino vivendo como húmus, no humano, enquanto lava os pés dos seres humanos, com a psicose de serem divinos. Esta é a loucura existencial do evangelho e, ao mesmo tempo, a salvação da humanidade viciada por fama.

A coisa pega quando ouço a voz soprando suprema: Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. João 13:14. Tudo bem. O Senhor pode lavar os pés dos indigentes e continua sempre o Soberano, mas eu, como fico depois desta humilhação? O que vão pensar de mim?

– Você não se intitulou: Sua Alteza, o mendigo? Quem pode ser maior aqui na terra do que um filho de Abba? Quem pode ser mais insignificante do que um mendigo? Se você for um filho legítimo de Abba, você não se importará em ser um Zé Ninguém.

Abba, querido! Eis aqui a minha grande crise. Recebi Jesus e agora sou teu filho. Sei que faço parte da nobreza celestial, mas ainda vivo cá, nesta terra argilosa. Sou um vaso de barro muito metido. A questão é: mesmo sendo mendigo, é muito difícil lavar os pés de outros mendigos. Eu até lavaria os pés da rainha da Inglaterra, ela é apresentada como nobre por aqui, mas lavar os pés da ralé, desta gentalha suja, é demais para mim. Tem misericórdia da minha indigência enfatuada. Dá-me a revelação do Cordeiro, concedendo-me a graça de me acocorar contente, nesta missão de lava-pés.

No Nome dAquele que é sobre todo o nome. Jesus. Amém.

Do aprendiz de lava-pés, GP.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CAMINHOS ETERNOS - C. H. SPURGEON.




Os caminhos de Deus são eternos. - Habacuque 3.6

O que Deus já fez em um tempo, Ele o fará novamente. Os caminhos dos homens são variáveis, mas os caminhos de Deus são eternos. Há muitas razões para esta confortante verdade. Entre elas estão as seguintes: os caminhos do Senhor são o resultado de deliberação sábia. Ele ordena todas as coisas de acordo com "o conselho da sua vontade" (Efésios 1.11). A ação do homem freqüentemente é o fruto apressado de paixão e temor, seguido por arrependimento e mudança.

Todavia, nada pode tomar o Todo-poderoso de surpresa ou acontecer de forma diversa ao que Ele previra. Os seus caminhos são frutos de um caráter imutável, e nestes caminhos podemos ver com clareza os atributos fixos e inalteráveis de Deus. A menos que o Deus eterno sofra alterações, os seus caminhos, que são Ele mesmo em ação, têm de permanecer os mesmos para sempre. Ele é eternamente justo, fiel, sábio, gracioso e compassivo. Então seus caminhos devem sempre ser distinguidos pela mesma excelência.

Os homens agem de acordo com sua natureza. Quando a natureza de um homem muda, as suas atitudes mudam também; mas, Deus desconhece "variação ou sombra de mudança" (Tiago 1.17). Além disso, os caminhos de Deus são a encarnação de poder irresistível. Habacuque disse que Deus dividiu a terra com rios; montes Viram-nO e se contorcem; as profundezas do mar ergueram suas mãos; e o sol e a luz permaneceram imóveis, enquanto Jeová marchava para livrar seu povo (ver Habacuque 3.9-13).

Quem pode levantar a mão ou dizer-Lhe: "O que estás fazendo?" Mas não é somente o poder que outorga estabilidade. Os caminhos de Deus são as manifestações dos eternos princípios de retidão e, por isso, jamais passarão. A raça não eleita se consome e arruina, mas os crentes verdadeiros têm em si uma vitalidade que as eras não podem diminuir. Neste dia, busquemos o nosso Pai celestial com confiança, lembrando que Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre (ver Hebreus 13.8), e que é sempre gracioso com seu povo.

CONDENAÇÃO ETERNA - AGOSTINHO.


Contra a opinião dos que afirmam que não serão perpétuos os suplícios quer do Diabo quer dos homens maus.

Convém, antes de tudo, investigar e saber porque é que a Igreja não pôde admitir a opinião dos homens que anunciam a purificação e o perdão, mesmo ao Diabo, depois das maiores e mais prolongadas penas.

Não é que tantos santos e tantos homens instruídos nas Sagradas Escrituras, Antigas e Novas, vejam com maus olhos a purificação e a felicidade do Reino dos Céus, após suplícios seja de que natureza e de que intensidade forem, aos anjos qualquer que seja o seu gênero e dignidade, mas viram antes que não podia ser anulada nem enfraquecida a decisão divina que o Senhor anunciou que virá a proferir e a estabelecer no julgamento.



Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que está preparado para o Diabo e seus anjos, (realmente, mostra-se por esta forma que um fogo eterno queimará o Diabo e os seus anjos), nem podia ser anulado o que também está escrito no Apocalipse:

O Diabo que os seduzia foi lançado num lago de fogo e de enxofre com a besta e o falso profeta e aí serão torturados dia e noite pelos séculos dos séculos.

O que acolá está escrito é "eterno" (aeternum) e o que aqui está escrito é "pelos séculos dos séculos" (in saecula saeculorum) - palavras com que a Sagrada Escritura nada mais costuma significar senão o que não tem fim no tempo. Por conseqüência, a mais autêntica fé deve manter como firme e imutável que não haverá regresso algum do Diabo e dos seus anjos ao estado de justificação e à vida dos santos; nem outro motivo mais justo e mais manifesto disto se pode encontrar a não ser este: a Escritura, que a ninguém engana, assegura que Deus não lhes perdoou, estando, portanto, sob uma primeira condenação, encerrados entretanto nas negras masmorras do Inferno, reservadas para o castigo do juízo final, quando forem lançados ao fogo eterno, onde serão atormentados pelos séculos dos séculos.

Se isto é assim, como é que os homens, todos ou alguns, serão subtraídos à eternidade desta pena, depois de um certo tempo, por mais prolongado que se queira, sem imediatamente se desvirtuar a fé pela qual cremos que o suplício dos demônios será eterno? Com efeito, se, daqueles de quem se diz:

Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que está preparado para o Diabo e seus anjos, todos ou alguns deles não estão lá sempre, que razões há para se crer que hão-de lá estar para sempre o Diabo e os seus anjos? Será por acaso que a decisão de Deus, proferida contra os maus, sejam eles anjos ou homens, será verdadeira para com os anjos e falsa para com os homens? Assim será com certeza se valer mais, não o que disse Deus mas o que os homens conjecturam. Porque isso não pode acontecer, não devem discutir contra Deus, mas antes, enquanto é tempo, obedecer ao preceito divino aqueles que desejam escapar ao suplício eterno. Depois, que vem a ser isso de considerar como eterno um suplício num fogo de longa duração, e a vida eterna crê-la sem fim - quando Cristo disse, na mesma passagem e numa única frase, unindo uma e outra:


Assim estes irão para o suplício eterno, mas os justos para a vida eterna?

Se um e outro são eternos, certamente que um e outro são de longa duração, com um fim, ou um e outro são perpétuos, sem fim. De fato, são referidos par a par: dum lado o suplício eterno, do outro a vida eterna. Mas dizer numa só e mesma expressão: "A vida eterna será sem fim, o suplício terá fim" é por demais absurdo. Portanto: já que a vida eterna dos santos será sem fim, também o suplício eterno, dos que o merecem, com certeza não terá fim.

DEIXE QUE A BÍBLIA FALE - MARTYN LLODY JONES.



. . .(Alguns) . . .nunca chegam a aceitar plenamente o ensino e a autoridade das Escrituras. . . Não se aproximam da Bíblia para submeter-se completa e absolutamente a ela. Se ao menos chegássemos às Escrituras como crianças, e as aceitássemos em seu significado transparente, e permitíssemos que elas nos falassem, esta espécie de dificuldade não surgiria nunca. Essas pessoas não fazem isso. O que fazem é misturar as suas idéias pessoais com a verdade espiritual.

É claro que alegam que tiram suas idéias basicamente das Escrituras, mas, e esta é a palavra fatal, imediatamente passam a modificá-la. Aceitam certas idéias bíblicas, mas há outras idéias e filosofias que desejam trazer consigo, de sua vida antiga. Misturam idéias naturais com idéias espirituais. Afirmam que gostam do Sermão da Montanha e de 1 Coríntios 13. Dizem que crêem em Cristo como Salvador, mas ainda argumentam que não devemos ir longe demais nessas questões, e que elas acreditam na moderação. Daí, começam a modificar as Escrituras. Negam-se a aceitá-las como autoridade em todos os pontos na pregação e no viver, na doutrina e na maneira de encarar o mundo.

«As circunstâncias mudaram», dizem tais pessoas, «e a vida não é mais o que costumava ser. Agora, estamos vivendo no século XX». Assim, pois, modificam as Escrituras aqui e ali, para adaptá-las às suas idéias pessoais, ao invés de levarem firmemente a doutrina escriturística à sua conclusão lógica, de começo a fim, e de confessarem quão irrelevante é a conversa sobre que estamos no século XX. Esta é a Palavra de Deus, não limitada pelo tempo, e, visto que é a Palavra de Deus, devemos submeter-nos a ela, confiando em Deus, crendo que Ele empregará os Seus próprios métodos e à Sua própria maneira.

O INCESSANTE FRUTO DO ESPÍRITO - JONATHAN EDWARDS.


Nós podemos considerar a igreja de Cristo com relação aos seus membros em particular, dos quais ela consiste. Aqui ficará manifesto que o amor, o amor cristão, é um incessante fruto do Espírito. Cada um dos verdadeiros membros da igreja invisível de Cristo possui deste fruto no co­ração. O divino amor, o amor cristão, é implan­tado, habita, e reina ali, como um eterno fruto do Espírito, e como um fruto que nunca cessa. Ele nunca cessa neste mundo, mas permanece através de todas as provações e oposições, pois o apóstolo nos diz que nada "poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8.38,39). E ele não cessa quando os santos vierem a morrer. Quando os apóstolos e outros dos seus dias morreram e foram para o céu, eles deixaram atrás de si todos os seus dons mi­raculosos, com seus corpos. Contudo, eles não deixaram para trás o amor que estava nos seus corações, mas o carregaram consigo para o céu, onde ele foi gloriosamente aperfeiçoado. Quando os homens ímpios morrem, homens que tiveram as influências comuns do Espírito, seus dons cessarão eternamente, mas a morte nunca destrói o amor cristão, aquele grande fruto do Espírito, em qual­quer um que o tenha. Aqueles que o tem podem deixar e deixarão após si muitos outros frutos do Espírito que tiveram em comum com os homens ímpios. E ainda que eles deixarão tudo que era comum à sua fé, e esperança, e tudo aquilo que não é pertinente a este divino e santo amor, mesmo assim este amor eles não deixarão para trás, mas irá com eles para a eternidade e será aperfeiçoado lá, e viverá e reinará com glorioso e perfeito do­mínio nas suas almas para todo o sempre. E assim, outra vez,

Nós podemos considerar a igreja de Cristo coletivamente, ou como um corpo. E aqui, nova­mente, ficará manifesto que o amor, o amor cristão, nunca cessará. Embora outros frutos do Espírito cessem na igreja, este nunca cessará. No passado, quando houve interrupções dos dons mi­raculosos do Espírito na igreja, e quando houve épocas nos quais nenhum profeta ou pessoa ins­pirada apareceu que possuía tais dons, ainda ali nunca houve qualquer interrupção total deste ex­celente fruto ou influência do Espírito. Dons miraculosos foram interrompidos por longo tempo que se estendeu de Malaquias até próximo ao nas­cimento de Cristo; mas em todo este tempo a influência do Espírito, em manter o divino amor na igreja, nunca foi suspensa. Como Deus sem­pre teve uma igreja de santos no mundo, desde a primeira criação da igreja após a queda, assim esta influência e o fruto do Espírito nunca cessou nela. E quando, depois da conclusão do cânon das Escrituras, os dons miraculosos do Espírito parecem finalmente ter cessado e desaparecido na igreja, esta influência do Espírito em produzir o divino amor nos corações dos santos não cessou, mas tem sido mantida por todas as épocas desde aquele tempo até hoje, e assim será até o fim do mundo. E no fim do mundo, quando a igreja de Cristo for colocada no seu estado final, mais com­pleto e eterno, e todos os dons comuns, tal como convicção e iluminação, e todos os dons miracu­losos, estarão eternamente findados, ainda então o divino amor não cessará, mas será trazido à sua mais gloriosa perfeição em cada membro indivi­dual da igreja resgatada no céu. Então, em cada coração, aquele amor que agora aparece apenas como uma faísca, será aceso num brilhante e in­candescente fulgor, e cada alma resgatada será como se estivesse numa fogueira de divino e santo amor, e permanecerá e crescerá nesta gloriosa per­feição e bem-aventurança por toda a eternidade!Eu darei apenas uma singular razão em favor da verdade da doutrina que tem sido deste modo apresentada. E a grande razão porque assim é, que os outros frutos do Espírito cessam, e o grande fruto do amor permanece, é que, o amor é o grande fim de todos os outros frutos e dons do Espírito. O princípio e o exercício do divino amor no coração, e os frutos dele na conduta, e a fe­licidade em que ele consiste e que jorra dele — estas coisas são o grande fim de todos os frutos do Espírito que cessam. O amor, o divino amor, é o fim para o qual toda a inspiração, e todos os dons miraculosos que já existiram no mundo, são apenas os meios. Eles foram somente meios de graça, mas o amor, o divino amor, é a graça mesmo; e não só isto, mas a soma de toda graça. Revelação e milagres nunca foram dados para qualquer outro fim senão apenas para promover santidade e edificar o reino de Cristo no coração dos homens, mas o amor cristão é a soma de toda santidade, e seu crescimento é apenas o cresci­mento do reino de Cristo na alma. Os frutos extraordinários do Espírito foram dados para re­velar e confirmar a palavra e a vontade de Deus, para que os homens crendo possam ser confor­mados àquela vontade; e eles eram valiosos e úteis somente na medida em que tendiam para este fim. E daí, quando este fim foi obtido, e quando o cânon das Escrituras, o grande e poderoso meio da graça foi completado, e as ordenanças do Novo Testamento e da última dispensação foram com­pletamente estabelecidas, os dons extraordinários cessaram, e chegaram ao fim, não sendo mais úteis. Dons miraculosos sendo um meio para um fim posterior são bons só enquanto se dirigem para aquele fim. Mas o divino amor é aquele fim mes­mo, e portanto permanece quando os meios para ele cessam. O fim não é somente um bem, mas a mais elevada qualidade de bem em si mesmo, e portanto permanece para sempre. E assim é com relação aos dons comuns do Espírito, que foram dados em todas as épocas, tais como iluminação, convicção, etc. Eles não tiveram nenhum bem em si mesmos, e somente são úteis enquanto tendem a promover aquela graça e santidade que sumaria e radicalmente consiste em divino amor, e, por­tanto, quando este fim é completamente satisfeito, haverá um término para sempre destes dons co­muns, enquanto o divino amor, que é o fim de todos eles, permanecerá eternamente.

domingo, 12 de dezembro de 2010

FÉ SACRIFICIAL.



FÉ SACRIFICIAL
Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Gênesis 22:1.
Algum tempo atrás nós estudamos sobre o Caminho, onde nós tratamos sobre o nosso negar-se e tomar a cruz e seguir a Jesus. Hoje vamos analisar este Caminho, focando a vida de fé de Abraão, de onde vamos entender sobre a fé sacrifícial, que é uma fé verdadeira. Verdadeira porque foi provada. Abraão em todos os detalhes essenciais, ele é como nós. É a história de um homem que atendeu ao chamado de Deus para deixar seu país e seguir a direção apontada por seu Deus para chegar a um lugar o qual não tinha nenhum conhecimento. Abraão é para nós o protótipo da pessoa de fé, não fé como doutrina a ser ensinada e aprendida, mas certa maneira de se encontrar na verdade que ultrapassa a capacidade que tem a razão de compreender as coisas plenamente. Porque seria o fim reduzir a fé a uma explicação. O que é fé? Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Hebreus 11:1.
A história de Abraão já desde o começo estabelece um princípio, uma atmosfera que nos ajuda a compreender que, nesse caminho que trilhamos, o dever não é a coisa mais importante, embora haja deveres a cumprir. Nem nosso futuro é a coisa mais importante, embora o nosso futuro esteja incluído na viagem. A história de Abraão é uma história sobre o caminho da fé. Dar nosso melhor e aproveitar ao máximo as oportunidades são questões periféricas, não o ponto central da história. É por isso que o caminho da fé exige repetidas provas, para que possamos discernir se estamos lidando com o Deus vivo ou com alguma fantasia ou ilusão que preparamos num cozido de cobiça e ira, de inveja e preguiça, de orgulho e avareza. Uma fé que não é provada, muitas vezes é reduzida a um sentimento, fantasia ou disposição, ou seja, um tipo de desejo elevado, uma inclinação indistinguível de um capricho e facilmente dissipada por uma rajada de vento ou pela distração de um rosto bonito. Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios. 1 Timóteo 4:1.
Irmãos, a prova da fé implica continuo aguçamento e livramentos graciosos em relação às ilusões do diabo. A prova é realizada por meio do sacrifício, sacrifício que na vida de fé de Abraão encontra sua mais plena demonstração no ato de amarrar Isaque no Monte Moriá. Gênesis 22:9 Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha.
A fé sacrificial, ou seja, a fé que é acompanhada da obra, da prática, desmascara a fantasia espiritual e mostra que muitos estão vivendo uma fé de fachada. O sacrifício lança fora toda ilusão, por mais falsamente piedosa que seja, que tenha sido engendrada pelo diabo. O sacrifício arranca fora o olho avarento. O sacrifício corta fora a mão ávida. O sacrifício é uma prontidão em interromper o que quer que estejamos fazendo para construir um altar, amarrar o que quer que por acaso estejamos carregando conosco no momento, colocá-lo sobre o altar e ver o que Deus deseja fazer com esse nosso bem. Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Gênesis 22:2.
Quando Abraão teve claro em seu coração o que é uma vida de altar, uma vida de entrega, uma vida de cruz, ele pode experimentar o que significa uma vida de abandono. Aliás, os hábitos de abandono passaram a estar profundamente arraigados em Abraão. E podemos ter toda certeza de que quando tomamos a cruz de uma maneira experiencial e não teórica, também abandonaremos as ilusões mundanas para seguirmos ao Senhor. Você já imaginou que o que nos causa peso somos nós mesmos. Quando Abraão entendeu o que era uma vida de altar, ele percebeu o quão bom era deixar tudo aquilo onde estava arraigado o seu Eu. Ele deixou Ur e Harã, deixou Siquém e Betel, deixou o Egito e Gerar, deixou Berseba. Vemos que Abraão deixou, deixou, deixou. Mas cada partida era uma forma de tornar o eu mais leve, uma purificação mais profunda de tudo aquilo que o prendiam. Este era o trabalhar da cruz na vida de Abraão para levá-lo à maturidade. Leiamos Gênesis 17:1 Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença e sê perfeito. O propósito de Deus para Abraão era levá-lo a um amadurecimento espiritual, e para isso Ele operou em Abraão o trabalhar da cruz. A cada perda da vida do Eu de Abraão, Deus seguramente substituía por uma vida de recepção. Recepção das promessas, recepção das alianças, recepção dos três estrangeiros, recepção de Isaque, recepção da circuncisão, recepção do carneiro no arbusto. Irmãos, a vida de Abraão foi transformada numa vida que abandona a soberania do Eu e abraça a soberania divina. No processo de deixar para trás, Abraão tornou-se mais, percebendo aos poucos, mas de forma segura, que a renúncia é um pré-requisito da realização, que abrir mão daquela voluntariosa ferrenha abria caminho para uma vida mais elevada, em que reina a vontade de Deus, a fé. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. A fé de Abraão é uma fé que agrada a Deus. Hebreus 12:28 Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor.
A fé não se aprende copiando, não por imitação, não por dominar alguns “macetes de fé”. Todos somos originais quando vivemos pela fé. Quando viajamos pelo caminho de Abraão, acontece isto: a palavra “sacrifício” aos poucos deixa de ser um lamento azedo de ressentimentos e passa a ser um abraço forte de afirmação. O monte Moriá viria trazer a Abraão sua mais significativa experiência de Deus. No monte Moriá, Abraão esvaziou-se suficientemente de Abraão para receber o todo da salvação. Fé. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça. Gênesis 15:6. A fé verdadeira é a fé sacrificial. Porque ela é o único meio pelo qual se amadurece a vida de fé. De degrau em degrau, a vida sacrificial é um altar aqui, um altar ali e, isso passa a permear cada detalhe do viver; paternidade, casamento, amizade, trabalho, etc. irmãos, Abraão não se tornou nosso exemplo de fé porque alguém lhe explicou o que era fé, mas empenhando-se em toda uma vida de viagem, uma vida na estrada diariamente deixando algo para trás que era o seu Eu e ingressando Em algo novo, a soberania divina. Assim também foi a vida do apóstolo Paulo. Filipenses 3:13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão. A prova do Moriá está entrelaçada numa vida de obediência e desobediência, uma vida de fé e incredulidade, uma vida de viagem horizontal e oração vertical. O visível e o invisível estão inseparavelmente entrelaçados numa malha a que chamamos fé, crendo obedientemente na Voz, na Presença. Precisamos verificar se a prova de Moriá, nas questões relacionadas a Deus e à alma, consiste na seguinte questão: estamos usando a Deus ou estamos deixando Deus nos usar? A tentação é pensar que Deus existe para nos servir. A tentação é se aproximar de Deus como uma loja na qual o Evangelho é uma mercadoria. Amada igreja, a nossa fé, a fé do mundo todo precisa ser provada. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo 1 Pedro 1:6-7. Somos excessivamente desonestos em tramar formas de falsear as informações para documentar as provas que apóiam nossas ilusões. Quando examinamos a ficha de antecedentes de sacerdotes e templos, pastores e igrejas, missionários e missões, fica evidente que a religião, em todas as suas formas, incluindo destacadamente o cristianismo, é um perpétuo espaço de reprodução da violência, do abuso, da superstição, da guerra, da discriminação, da tirania e do orgulho. A religião e a espiritualidade são um poço sem fundo gerando ilusão, engano e opressão. Então, prova neles. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apocalipse 2:10. Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Amém.
QUE O NOSSO PAI CONTINUE VOS ABENÇOANDO EM SEU FILHO JESUS CRISTO.
Pastor: Claudio Morandi.

A PARABOLA DO SEMEADOR É EXPLICADA.



Fico muito admirado nesta lição em que o Mestre expõe aos discípulos e ao povo que com Ele estava caminhando.
Vejo que o Mestre é muito bom em matemática, vejo também que o Mestre e um agricultor e vejo que também e um professor com muita paciência, porque ensinar pessoas e em especial, pessoas sem um mínimo de escolaridade, a não ser dois: Mateus e Lucas.
Mateus era coletor de impostos, tinha uma formação até que boa.
Lucas era médico, com um potencial bem melhor de compreensão.
Mas Jesus exclama: Ouvindo alguém a Palavra do Reino e não a entende, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração, este é o que foi semeado ao pé do caminho.
Jesus explicou cada faze da semeadura, e creio que o Espírito Santo, ira revelar este assunto em meu coração, no teu coração e mente, para a Glória de Cristo.
Muitas pessoas ouvem a Palavra da verdade, a Palavra da Cruz, da nossa inclusão juntamente com Jesus na Cruz, para nos fazer-mos livres do pecado, por isso que a pregação da morte e ressurreição, da nossa vida nove em Cristo, e sem dúvida sem açúcar no café, o povo gospel logo fora no lixo.
Por isso que Jesus nos está advertindo: a semente da minha Palavra foi semeada nestes corações, mas vem o diabo e vem dizendo: olha não é bem assim, Jesus é o teu advogado, pode pecar varias vezes, Ele te ama.
O diabo não brinca de ser diabo, quando ele entra em cena, e para mostrar o seu melhor número no palco da tua vida, se você não estiver em Cristo o show será um grande sucesso para ele, e você um marionete nas mãos dele; e Jesus, lhe digo, é Jesus, não poderia te livrar desta encrenca?
Respondo com toda a franqueza; Não, com autorização como alguns filhos de satã dizem por ai, pois toda a autoridade está em uma única pessoa vivo e bem vivo e Poderoso: Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Jesus é cavalheiro, Ele lhe propõe duas estradas, duas portas e ainda da um palpite para você não errar, mas a decisão e sua cheque ou mate, qual a sua escolha?
Jesus Cristo ou satanás, Céu ou inferno de lago de fogo e enxofre?
Ruas de ouro portas com todos os tipos de pedras preciosas, um novo nome, Adorar a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo por toda a eternidade; Ou então ser lançado no lago de fogo e enxofre, onde o bicho não morre e o fogo não se apaga; de ser eternamente atormentado por satanás e seus anjos satânicos.
Olha, não é brincadeira, para não ficar nas minhas palavras, gostaria que você abrisse a sua Bíblia e antes de começar a ler, peça com fé para que o Espírito Santo de Deus, revele cada letra que você ira-ler, peça com fé e você vera o Senhor Jesus Cristo sendo revelando por meio da leitura da sua Palavra, e tenha convicção, você deixara de ser criatura e Deus, para ser filho e herdeiro do Reino de Deus.
A Palavra de Deus, e assunto de revelação, que revela a Pessoa Bendita do Senhor Jesus Cristo, e de sua obra consumada na cruz, obedecendo a Deus Pai, pois não tinha outra alternativa de salvar a raça humana, caída no pecado em Adão, se não fosse por Jesus.
Jesus foi o último sacrifício que já foi sacrificado pela raça humana.
Ouve varias outros meios, de salvar a raça humana, mas todas elas falharão, pois a raça humana é terrível de se lhe conviver, mas Jesus Cristo veio em Carne e Sangue, assim como eu e você, sentiu os mesmo desejos que um homem sente, mas com uma diferença, entre eu e você: Jesus, mesmo sendo homem Ele é Deus, está e a diferença, que faz a diferença.
Quer fazer a diferença?
Entregue-se a Jesus, confesse a Ele a sua atração, morte e ressurreição com Ele na Cruz, com um coração aberto, jogando tudo fora, (tudo fora mesmo), e se entregue a Ele.
Varia vezes Ele foi tentado, por satanás, mas sua resposta é a Palavra de seu Pai, uma de varias delas: Não tentaras o Senhor teu Deus.
E quando nós passarmos pelo tribunal de Cristo, fique sabendo você, não adiantar chorar as pitangas, não adianta dizer a Ele, Senhor jejuei o jejum de Daniel, jejuei, fiz uma aliança com o Senhor para ganhar almas para o Senhor; e é isso que recebo?
O Senhor foi injusto comigo; até parece conversa de criança quando fica ranheta.
E é o que mais se vê nestas ditas igrejas, ditas igrejas; onde está a maturidade cristã? Passou longe.
Fico imaginando a cena, este crentão, jejuando, ganhador de almas, o 1 lugar, e Deus dizendo para o tal:
Puxa, mais um Jô, ainda se tivesse chegado a o arrependimento igual a Jô, mas não, Eu tenho que agüentar até aqui em meu Reino este jus tão, mas a sentença já foi decretada; Querido crentão, olha aquela porta e aquele anjo; e o crentão fica todo contente, pois é maravilhoso a nova Jerusalém, e quando o crentão chega perto da porta, sente algo estranho e pergunta para o anjo:
O Senhor não está sentindo calor próximo desta porta?
E o anjo reponde ao crentão: Não, aqui ninguém sente calor, ou coisa parecida, o senhor quer entrar em seus aposentos?
E o crentão empolgado diz: claro, só de for agora; daí o anjo abre a porta e o crentão é tragado para dentro do inferno, essa é a recompensa de todos os crentões, pastores, apóstolos, reverendos, ímpios, bêbados, mentirosos, assassinos, estrupadores, adúlteros, efeminados, sodomitas, idolatras, caluniadores, ladrões, feiticeiros olha a relação e longa, mas uma coisinha lhes digo; se vocês estão relacionados em algum item desta lista e não se arrependerem dos seus pecados e iniqüidades; ira sem dúvida alguma serem hospedes de satanás e seus súditos no inferno; digo tudo isso, porque eu estava em destes itens; mas pela Graça de Deus em Jesus Cristo posso declarar que creio de verdade em minha atração, morte e ressurreição no Corpo de Jesus Cristo no Calvário.
E digo, toda pregação, seja de quem for se não tiver a centralidade da cruz de Cristo e sua Graça, seja maldito.
Toda a Honra, toda a glória, todo o louvor, seja ministradas a Cristo Jesus, o meu Salvador Eterno.

Salmos 118.133
Marquinhos.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO - C.H.SPURGEON



SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

“Olharão para aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12.10).

O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha. O poder jaz no onipotente Espírito de Deus... Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus... me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas... Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto.

O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de Deus. Mas o Espírito de Deus não realiza essa tristeza sem levar-nos a olhar para Jesus crucificado. Não há verdadeiro lamento pelo pecado enquanto não vemos a Cristo... Ó alma, quando você chega a contemplar Aquele para quem todos deveriam olhar, Aquele que foi traspassado, então seus olhos começam a lamentar aquilo pelo que todos deveriam chorar — o pecado que imolou o seu Salvador!Não há arrependimento salvífico sem a contemplação da cruz... O arrependimento evangélico é o único arrependimento aceitável. E a essência desse arrependimento é olhar para Aquele que foi moído pelos pecados... Observe isto: quando o Espírito Santo realmente opera, Ele leva a alma a olhar para Cristo. Nunca uma pessoa recebeu o Espírito de Deus para a salvação, sem que tenha recebido dEle o olhar para Cristo e o lamentar por seus pecados.

A fé e o arrependimento são gerados e prosperam juntos. Ninguém deve separar o que Deus uniu! Ninguém pode arrepender-se do pecado sem crer em Jesus, nem crer em Jesus sem arrepender-se do pecado. Olhe, então, com amor para Aquele que derramou seu sangue, na cruz, por você. Por meio desse olhar, você obterá perdão e quebrantamento. Quão admirável é o fato de que todos os nossos males podem ser curados por um único remédio: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra” (Is 45.22). Contudo, ninguém olhará para Cristo sem que o Espírito de Deus o incline a fazer isso. Ele não conduz uma pessoa à salvação, se ela não se rende às suas influências e não volve seu olhar para Jesus...

O olhar que nos abençoa, produzindo quebrantamento de coração, é o olhar para Jesus como Aquele que foi traspassado. Quero me demorar nisso por um momento. Não é somente o olhar para Jesus como Deus que afeta o coração, mas também olhar para este mesmo Senhor e Deus como Aquele que foi crucificado por nós. Vemos o Senhor traspassado, e, em seguida, inicia-se o traspassamento de nosso coração. Quando o Espírito Santo nos revela Jesus, os nossos pecados também começam a ser expostos...

Venham, almas queridas, vamos juntos à cruz, por um pouco, e notemos quem era Aquele que recebeu a lançada do soldado romano. Olhe para o seu lado e observe aquela terrível ferida que atingiu seu coração e desencadeou um duplo fluxo de sangue. O centurião disse: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54). Aquele que, por natureza, é Deus e governa sobre tudo, sem o Qual “nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3), tomou sobre Si mesmo nossa natureza e se tornou homem, como nós, mas não tinha qualquer mácula de pecado. E, vivendo em forma humana, foi obediente até à morte, morte de cruz. Foi Ele quem morreu! Ele, o único que possui a imortalidade, condescendeu em morrer! Ele, que era toda a glória e poder, sim, Ele morreu! Ele, que era toda a ternura e graça, sim, Ele morreu! Infinita bondade esteve pendurada na cruz! Beleza indescritível foi traspassada com uma lança! Essa tragédia excede todas as outras! Por mais perversa que tenha sido a ingratidão do homem em outros casos, a sua mais perversa ingratidão se expressou no caso de Jesus! Por mais horrível que tenha sido o ódio do homem contra a virtude, o seu ódio mais cruel foi manifestado contra Jesus! No caso de Jesus, o inferno superou todas as suas vilezas anteriores, clamando: “Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo” (Mt 21.38).

Deus habitou entre nós, e os homens não O aceitaram. Visto que o homem foi capaz de traspassar e matar o seu Deus, ele cometeu um pecado horrível. O homem matou o Senhor Jesus Cristo e O traspassou com uma lança! Nesse ato, o homem mostrou o que fariam com o próprio Eterno, se pudesse chegar até Ele. O homem é, no coração, assassino de Deus. Ele se alegria se Deus não existisse. Ele diz em seu coração: “Não há Deus” (Sl 14.1). Se a sua mão pudesse ir tão longe quanto o seu coração, Deus não existiria nem mesmo por mais uma hora. Isto dá ao traspassamento de nosso Senhor uma forte intensidade de pecado: foi o traspassamento de Deus.

Por quê? Por que razão o bom Deus foi assim perseguido? Oh! pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, pela glória de sua Pessoa, pela perfeição de seu caráter, eu lhe peço — admire-se e envergonhe-se de que Ele foi traspassado! Não foi uma morte comum. Aquele assassinato não foi um crime comum. Ó homem, Aquele que foi traspassado com a lança era o seu Deus! Na cruz, contemple o seu Criador, o seu Benfeitor, o seu melhor Amigo!

Olhe firmemente para Aquele que foi traspassado e observe o Sofredor que é descrito na palavra “traspassado”. Nosso Senhor sofreu severa e terrivelmente. Não posso, em uma mensagem, descrever a história de seus sofrimentos — as tristezas de sua vida de pobreza e perseguição; as angústias do Getsêmani e do suor de sangue; as tristezas de seu abandono, traição e negação; as tristezas no palácio de Pilatos; os golpes de chicotes, o cuspe e o escárnio; as tristezas da cruz, com sua desonra e agonia... Nosso Senhor foi feito maldição por nós. A penalidade do pecado ou o que lhe era equivalente, Ele a suportou, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24). “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).

Irmãos, os sofrimentos de Jesus devem amolecer nosso coração! Nesta manhã, lamento o fato de que não me entristeço como deveria. Acuso a mim mesmo daquele endurecimento de coração que eu condeno, visto que posso contar-lhes essa história sem enternecimento de coração. Os sofrimentos de meu Senhor são indescritíveis. Examinem e verifiquem se já houve tristeza semelhante à de Jesus! A sua tristeza foi abismal e insondável... Se você considerar firmemente a Jesus traspassado por nossos pecados e tudo que isso significa, seu coração se dilatará! Mais cedo ou mais tarde, a cruz desenvolverá todo sentimento que você será capaz de produzir e lhe dará capacidade para mais. Quando o Espírito Santo põe a cruz no coração, o coração se dissolve em ternura... A dureza de coração desaparece quando, com profundo temor, contemplamos a Jesus sendo morto.

Devemos também observar quem foram os que traspassaram a Jesus. “Olharão para aquele a quem traspassaram.” Ambos os verbos se referem às mesmas pessoas. Nós matamos o Salvador, nós que olhamos para Ele e vivemos... No caso do Salvador, o pecado foi a causa de sua morte. O pecado O traspassou. O pecado de quem? Não foi o pecado dEle mesmo, pois Ele não tinha pecado, e nenhum engano se achou em seus lábios. Pilatos disse: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4). Irmãos, o Messias foi morto, mas não por causa dEle mesmo. Nossos pecados mataram o Salvador. Ele sofreu porque não havia outra maneira de vindicar a justiça de Deus e de prover-nos um escape da condenação. A espada, que deveria cair sobre nós, foi despertada contra o Pastor do Senhor, contra o Homem que era o Companheiro de Jeová (Zc 13.7)... Se isso não quebranta nem amolece nosso coração, observemos por que Ele foi levado a uma posição em que poderia ser traspassado por nossos pecados. Foi o amor, poderoso amor, nada mais do que o amor, que O levou até à cruz. Nenhuma outra acusação Lhe pode ser atribuída, exceto esta: Ele era culpado de amor excessivo. Ele se colocou no caminho do traspassamento, porque resolvera salvar-nos... Ouviremos isso, pensaremos nisso, consideraremos isso e permaneceremos apáticos? Somos piores do que os brutos? Tudo que é humano abandonou a nossa humanidade? Se Deus, o Espírito Santo, está agindo agora, uma contemplação de Cristo derreterá o nosso coração de pedra...

Quero dizer-lhes ainda, ó amados: quanto mais olharmos para Jesus crucificado, tanto mais lamentaremos o nosso pecado. A reflexão crescente produzirá sensibilidade crescente. Desejo que olhem muito para Aquele que foi traspassado, para que odeiem cada vez mais o pecado. Livros que expõem a paixão de nosso Senhor e hinos que cantam a sua cruz sempre foram bastante queridos pelos crentes piedosos, por causa de sua influência sobre o coração e a consciência deles. Vivam no Calvário, amados, até que viver e amar se tornem a mesma coisa. Diria também: olhem para Aquele que foi traspassado, até que o coração de vocês seja traspassado.

Um antigo teólogo dizia: “Olhe para a cruz, até que tudo que está na cruz esteja em seu coração”. E acrescentou: “Olhe para Jesus, até que Ele olhe para você”. Olhem com firmeza para o sua Pessoa sofredora, até que Ele pareça estar volvendo sua cabeça e olhando para você, assim como o fez com Pedro, que saiu e chorou amargamente. Olhe para Jesus, até que você veja a si mesmo. Lamente por Ele, até que lamente por seu próprio pecado... Ele sofreu em lugar, em favor e em benefício de homens culpados. Isso é o evangelho. Não importa o que os outros preguem, “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Sempre levaremos a cruz na vanguarda. A essência do evangelho é Cristo como substituto do pecador. Não evitamos falar sobre a doutrina do Segundo Advento, mas, antes e acima de tudo, pregamos Aquele que foi traspassado. Isso levará ao arrependimento evangélico, quando o Espírito de graça for derramado.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010




Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus. (Hebreus 2.2).

É tarefa do Espírito Santo fazer nossos olhos volverem-se do "eu" para Jesus. A obra de Satanás consiste no oposto disso. Ele está constantemente tentando nos levar a contemplar a nós mesmos, em vez de contemplarmos a Jesus. Satanás insinua: "Seus pecados são grandes demais para que você seja perdoado; você não tem fé. Não se arrepende o suficiente. Nunca conseguirá continuar até ao fim. Você não tem a alegria dos filhos dEle. Se agarra a Jesus de forma muito fraca". Satanás implanta pensamentos a respeito do "eu", porém nunca encontraremos a consolação da segurança olhando para o nosso íntimo. Todavia, o Espírito Santo remove completamente os nossos olhos do "eu". Ele nos diz que nada somos e que "Cristo é tudo em todos" (Colossenses 3.11). Por conseguinte, lembre-se: não é o seu agarrar-se a Cristo que o salva, e sim o próprio Cristo. Não é a sua alegria em Cristo que o salva; é Cristo. Tampouco é a fé em Cristo que o salva, embora ela seja o instrumento — é o sangue e os méritos de Cristo.

Então, não olhe tanto para si mesmo e para o seu agarrar-se a Cristo — olhe para o próprio Cristo. Não olhe para sua esperança, mas para Jesus, a fonte de sua esperança. Não olhe para sua fé, mas para Jesus, o Autor e Consumador de sua fé. Nunca encontraremos felicidade olhando para as nossas orações, nossas realizações, nossos sentimentos. Aquilo que Jesus é — e não aquilo que nós somos — nos outorga descanso à alma. Se queremos vencer Satanás e ter paz imediata com Deus, isso tem de acontecer tão-somente por olharmos para Jesus. Apenas mantenha os seus olhos fitos nEle. Permita que a morte, os sofrimentos, os méritos, as glórias e intercessão de Jesus se tornem recentes em sua mente. Após acordar, nesta manhã, olhe para Jesus. Quando for dormir à noite, olhe para Jesus. Oh, não permita que suas esperanças ou temores se interponham entre você e Jesus. Faça esforços para segui-Lo e Ele nunca lhe falhará!

NOSSO MEDO DESONRA DEUS - C.H.SPURGEON


Não te assustarás do terror noturno - Sl 91.5 -

Qual é este terror? Pode ser o grito de incêndio, o barulho de ladrões ou o choro de uma morte repentina. Vivemos em um mundo de morte e pesares. Por conseguinte, podemos esperar dificuldades nas vigílias da noite, bem como sob o esplendor do sol da tarde. Nada nos deveria alarmar, por causa da promessa de que o crente não ficará temeroso.

Deus, o nosso Pai, está aqui e estará durante todas as horas de solidão. Ele é um Vigilante todo-poderoso, um Amigo fiel, um Guarda que não dorme. As trevas não constituem escuridão alguma para Deus. Ele prometeu ser uma muralha de fogo ao redor de seu povo, quem poderá atravessar essa muralha?

Aqueles que não conhecem a Deus têm de ficar atemorizados, pois eles têm sobre si mesmos um Deus irado, uma consciência culpada dentro de si mesmos e um inferno boquiaberto embaixo de si mesmos. Nós, porém, que descansamos em Jesus estamos salvos de todas estas coisas, por intermédio de sua abundante misericórdia.

Se dermos ocasião ao temor, desonraremos aquilo que confessamos crer e levaremos outras pessoas a duvidarem da veracidade de nosso cristianismo. Devemos ter medo de ficar temerosos, para que não entristeçamos o Espírito Santo, por meio de nossa incredulidade medíocre. Jogue fora presságios sombrios e apreensões sem fundamento. Deus não esqueceu de ser gracioso, nem embargou as suas ternas misericórdias. Pode ser noite em nossa alma, porém ali não há terror, porque o Deus de amor é imutável. Os filhos da luz podem andar por caminhos escuros, mas não serão abandonados. Eles confirmam a sua eleição por meio de confiarem em seu Pai celestial.

VITÓRIA NA AFLIÇÃO - C. H SPURGEON.




Ó inimiga minha, não te alegres a meu respeito; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; se morar nas trevas, o SENHOR será a minha luz. - Miquéias 7.8

Estas palavras expressam os sentimentos de um homem, ou de uma mulher, abatido e oprimido. Nosso inimigo pode abafar nossa luz por breve tempo. No Senhor, existe uma esperança segura para nós. E, se confiarmos nEle e mantivermos nossa integridade, nosso tempo de abatimento logo desaparecerá. Os insultos dos inimigos duram apenas um momento. Em breve, o Senhor transformará a alegria deles em lamentação e nosso murmúrio, em cânticos.

O que aconteceria se, por um momento, o inimigo de nossas almas triunfasse sobre nós, como ele triunfou sobre homens melhores do que nós? Tenhamos coragem, pois o venceremos em breve. Haveremos de levantar-nos de nossas quedas, pois nosso Deus não falha e nos levantará. Não permaneceremos nas trevas, ainda que agora nelas estejamos sentados. Nosso Senhor é a fonte de toda luz, e logo Ele nos trará um dia de regozijo. Não fiquemos desesperados nem mesmo duvidemos. Com apenas uma mudança nas circunstâncias, o humilde será exaltado. Infelizes são aqueles que agora se alegram, porque lamentarão quando sua vangloria se converter em desgraça eterna. Mas felizes serão todos os santos que choram, visto que serão consolados por Deus.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

BOCA DE SAPO, LÍNGUA DE SERPENTE E ESTÔMAGO DE URUBU

O prato do dia em muitas mesas caseiras é a vida alheia. Alguém falou descuida-damente que – com freqüência a sua família, quando está reunida, almoça e janta sempre o mesmo cardápio: falar mal dos outros, com um condimento a mais.
Como é difícil não fuxicar das pessoas. Deve haver alguma atração doentia para o assunto, pois vira e mexe alguém é jantado com molho forte de pimenta e tudo. E como disse Walter Knight, “não há maledicentes ociosos. Eles estão sempre ocupados”.
Sujeitos com uma boca de sapo, comumente apreciam o coaxar da suas intrigas. O som desconexo de seu ruído berrante é a distração favorita na realimentação da própria deformação moral. Quanto mais degenerados forem os tais sujeitos, mais sujeitos ficarão ao zunido zureta do seu diz-que-diz-que, diz-que-diz-que, diz-que-diz-que.
O veneno da difamação é maligno e triplamente tóxico. Além de desfigurar e ma-tar as vítimas da picada, ao mesmo tempo aleijar o próprio agente da toxina, bem como corrompe e mata o ouvinte. A linguagem viperina tem sido responsável pela amargura e deformação de muitos lares e pessoas inocentes. Muitos escapam dos destroços letais da peçonha maldita, mas carregam pelo resto da vida as seqüelas morais do envenenamento.
A receita da fofoca é uma farofa venenosa de futricas que o inferno inventa para manter os canalhas subservientes a serviço da imundícia dos seus estômagos de urubu. Não há coisa mais nojenta do que comer carniça na cocheira da calúnia. A podridão do pecado servindo de alimento para um povo maníaco é um grude repugnante que os no-bres participantes do reino de Deus devem rejeitar determinantemente.
Por favor, não me convidem, nem me incluam no chiqueiro da maledicência, já que tenho uma tendência natural bem aguçada para a corrupção. Eu sei que a minha natu-reza humana gosta de tomar parte nesses rega-bofes do achaque, por isso conto com a sua discrição me poupando de participar da agenda nestes casos. Fico grato também, se você deixar de fora outros irmãozinhos, como Daniel na Babilônia, que preferem alimentar-se de uma comida frugal e saudável. Como é bom comer comida sem agrotóxicos.
Quem sabe se você também não poderia ficar de fora desse ajuntamento de abu-tres ávidos por cadáveres em putrefação, para participar do festival de Aleluia? Sou ainda um principiante nessa escola da graça, mas tem sido magnífico poder aprender a louvar e bendizer. Estou apenas sugerindo a você: matricule-se no discipulado de Jesus e aprenda dele a falar a linguagem da elite dos eleitos que foram libertados pela obra da cruz. Espe-ro por você no hall de entrada na Universidade da Alegria e do Louvor. Seja bem-vindo!
Pastor Glenio Fonseca Paranaguá
www.assbetel.com.br/estudos

PELAS OBRAS OU PARA AS OBRAS?

"Mas se é pela graça, já não é pelas obras, de outra maneira, a graça já não é graça. Romanos 11:6".

Esta declaração inevitavelmente traz consigo uma conclusão lógica: se é pelas obras, a graça deixa de atuar. De outra maneira, as obras já não são obras. O ponto principal é: ou será por “graça” ou será por “obras”. Não podem ser as duas coisas ao mesmo tempo. São duas eternas antíteses, e, se for por uma, não poderá ser por outra.

A graça é uma atitude Divina para com os homens. No que se refere à salvação, a iniciativa é sempre de Deus. A essência da doutrina da graça é o agir de Deus em favor da humanidade caída.

A manifestação dessa graça é justamente observada na obra redentora e salvadora de Cristo Jesus nosso Senhor para conosco, pecadores falidos e perdidos por natureza, pois segundo a Bíblia, o homem, na sua essência, está morto em delitos e pecados. Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Efésios 2:1-3. Esta é a real condição de toda pessoa que nasce neste mundo e não há nada que se possa fazer para mudar essa situação.

O que então pode despertar um ser como este? A resposta vem no versículo seguinte: Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Efésios 2:4-6. A salvação foi iniciada por Deus. Foi Ele quem fez algo. Foi o Pai quem enviou seu Filho Amado para morrer e ressuscitar e nos fazer morrer e ressuscitar juntamente com Ele.

O que seriade nós sem a graça de Deus? O apóstolo Paulo sabia que ele era o que era, por causa da infinita graça de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. 1 Coríntios: 15:10. Neste relato do apóstolo, observa-se que a graça de Deus não é algo estático, ela gera efeitos, gera resposta em nossos corações. Paulo enfatiza que trabalhou muito mais do que todos, mas deixa claro que foi a ação da graça de Deus agindo nele.

Atualmente, o povo de Deus vive uma graça inconsequente. Observamos pessoas anulando e fazendo da graça de Deus algo vão e vazio. Porque uma coisa é certa, todas as vezes que usamos a graça de Deus para um proveito próprio, nós a anulamos. O cristão sempre será alguém devedor da graça e da misericórdia de Deus. Todas as vezes que ele olhar para trás, terá que dizer inevitavelmente, “sou o que sou pela graça de Deus”.

Outrora nós também éramos insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a benignidade de Deus, nosso Salvador, e seu amor para com todos não por obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante a lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou ricamente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso salvador. Tito 3:3-6.

Jamais poderemos nos jactar do que somos, pois seremos devedores eternos da graça de Deus. Até mesmo quando somos chamados a operar a nossa salvação com temor e tremor, este chamado é inteiramente pela graça maravilhosa de Deus. Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Filipenses 2:12-13. Precisamos entender que jamais poderemos, pelos nossos próprios esforços, adquirir a salvação. Paulo, nesta passagem, não está exortando os membros da igreja de Filipos a produzirem sua própria salvação, mas sim os exortando a porem em ação a salvação que já possuíam. Ele não está escrevendo para pessoas que se tornariam cristãs, mas para pessoas que já eram cristãs. Estava dizendo que agora eles podem aperfeiçoar, efetuar, levar a um resultado completo, ou finalizar algo que já fora neles iniciado. Somos exortados a não receber a graça de Deus em vão, a não anularmos a graça de Deus. E nós, cooperando com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão. 2ª. Coríntios 6:1.

Em parte alguma o Novo Testamento apresenta a vida cristã e a salvação como algo que adquirimos como fruto do nosso esforço ou desempenho pessoal. Pelo contrário, somos informados de que: Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus. Filipenses 1:6. Não existe nada que Deus exija em sua Santa Palavra que Ele mesmo, por sua graça, venha nos capacitar a cumprir para que nós O glorifiquemos. Por isto, não existe preço algum a ser pago. Paulo deixa bem claro que quem opera tanto o querer como o efetuar é Deus. Dizendo isto, ele quer tirar os holofotes de si e mirá-los para Aquele que é o único digno de receber toda glória e honra. É Deus quem opera em vós, não eu. Não é Paulo, mas Deus. Muitas vezes, Deus faz a obra e as pessoas dão o crédito aos homens. O pior é quando os homens buscam auferir para si o crédito que só pode ser dado ao Cordeiro. Os homens são apenas canais por onde flui a água viva que dessedenta. Os homens podem ser e, de fato, são úteis na proclamação do Evangelho, porém meros instrumentos nas mãos de Deus.

O que vemos hoje é uma dependência doentia de homens, os quais, muitas vezes, ficam como cães a lamber seus donos por interesses próprios e para a satisfação de seus egos, porque não foram crucificados com Cristo. Paulo sabia muito bem desse perigo e desse favoritismo do inferno ao escrever: Afinal de contas, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e isto conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento. Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. 1 Coríntios 3:5-7. Hoje em dia, há uma dependência exagerada e um foco desmedido em homens ao invés de Cristo. Os homens caem ou se vão e seus dependentes tendem a entrar em colapso ou em depressão, justamente porque seus olhos estão fitos não Naquele que pode todas as coisas, mas naqueles cujo o fôlego está nas narinas. A Palavra de Deus nos exorta a olharmos fixamente para Jesus. Olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hebreus 12:2.

Nossa salvação é pelas obras ou para as obras? Deixemos a própria Palavra de Deus responder a esta pergunta. Pois é pela graça que sois salvos, por meio de fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não das obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:8-10. Não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras, que o próprio Deus, em sua sabedoria eterna, deixou preparadas para nós. Por isto, todo nosso crescimento precisa estar focado nesta graça maravilhosa de Deus e não somente no conhecimento de Deus. Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade. Amém. 2 Pedro 3:18.

Gostamos muito da palavra maturidade, crente maduro. O que vem a ser um crente maduro? Quando o apóstolo Paulo fala sobre seu crescimento, usa uma ordem muito esquisita. Primeiro, diz que é “o menor dos apóstolos”, que não era nem digno de ser chamado de apóstolo. Passado aproximadamente cinco anos, refere a si mesmo como “o menor de todos os santos”.Perto do fim de sua vida, considera-se “o principal dos pecadores”. Existe sem sombra de dúvidas um crescimento, mas um crescimento para baixo. Nosso Senhor explicou muito bem isso ao dizer: Mas ele me disse: a minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, de vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9.

Maturidade é dependência da graça de Deus. Quanto mais aprendemos a depender da graça de Deus, mais maduros nos tornamos. Somos chamados por Deus para comunhão e não para perfeição. A perfeição é o resultado da comunhão e não vice-versa. Quando Abrão tinha noventa e nove anos de idade, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Eu sou o Deus Todo Poderoso, anda na minha presença, e sê perfeito. Gênesis 17:1. A perfeição vem pela comunhão, pela entrega, pelo confiar diário Nele de todo nosso coração, sem nos estribarmos no nosso próprio entendimento, mas reconhecendo-O em todos os nossos caminhos, para que somente Ele endireite nossas veredas, e toda glória possa ser dada a Ele. Porque dele e por ele e para ele são todas as coisas. Glória, pois a ele eternamente. Amém! Romanos 11:36.
Pastor Mauricio Torres.
www.palavradacruz.com.br/estudos

A RELIGIÃO OU EVANGELHO?

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Gálatas 5:1.

A religião é um presídio de segurança máxima que o Diabo inventou para aprisionar os tontos que buscam a independência de Deus. Ela dá a impressão de que você está livre, mas as suas exigências são asfixiantes. Ninguém pode viver livremente em liberdade condicional. Essa liberdade vigiada é uma mentira do inferno.

Adão se tornou um prisioneiro do pecado e a sua descendência já nasceu algemada. Não há livre arbítrio para o pecador que só pode pecar. Todos nós viemos ao mundo sob a ditadura do pecado e encarcerados ao nosso ego.

Os nossos primeiros pais foram livres antes do pecado. Eles podiam pecar e não pecar. Depois da queda, a história é outra. Nascemos pecadores ou escravos do pecado.

A religião é uma proposta que visa ao homem pecador alcançar a Deus pelos seus méritos, justiça pessoal e boas obras. Ela propõe a aceitação de Deus pelos feitos dos seres humanos que se esmeram na conduta e conquista dos seus direitos de filiação.

O evangelho é outra realidade. Ele não focaliza o que fazemos para alcançar a Deus, mas o que o próprio Deus fez para nos alcançar, salvando-nos de nós mesmos e nos libertando de nossa teomania, isto é, nossa loucura de querer ser Deus.

A religião escraviza, mas o evangelho liberta. A religião exige o cumprimento da lei como forma de nossa aceitação. No evangelho, Jesus cumpre a lei e nos atribui, pela fé, a sua justiça como a realidade espiritual de nossa aceitação. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Romanos 4:6.

A liberdade é um dos patrimônios mais preciosos dados pelo Pai, o Deus de toda a graça, aos seus filhos amados, que caminham em plenitude rumo à Nova Jerusalém. Nenhum filho de Abba pode andar neste mundo, alegremente, como um bem-aventurado, sob um regime de custódia ou aprisionado em uma gaiola de ouro. Ninguém pode ser feliz vivendo em cadeias de grades de ferro ou em grades invisíveis.

Apresento esta lenda chinesa como uma ilustração bem interessante, para que você possa avaliar os sistemas de aprisionamento usados pela religião, em nome do amor, a fim de sufocar as pessoas que pretendem mantê-las em cárceres apertados. Considere este assunto com toda atenção, pois é preferível um pássaro voando a um bando aprisionado.

O ROUXINOL E A GAIOLA DE OURO

Conta uma antiga lenda chinesa que certo dia o Imperador, passeando pelos jardins do palácio, ouviu cantar um rouxinol. E era tão lindo o seu canto, que as cores pareciam tornar-se mais vivas e o mundo mais belo.

Encantado, determinou que o pássaro fosse capturado e levado ao palácio, para que pudesse ouvi-lo cantar em todas as horas do dia; e que os mais hábeis artesãos recebessem os metais mais preciosos e as gemas mais raras, para que pudessem construir a mais rica gaiola que já se viu neste mundo.

Assim se fez. E ao pássaro extraordinário foi reservado um local de honra, no palácio, onde a esmerada iluminação fazia refulgir todo o esplendor da magnífica gaiola.

Entretanto, o rouxinol definhava a cada dia. As suas penas, antes brilhantes e vistosas, tornaram-se opacas e nunca mais se ouviu o seu canto.

O Imperador ordenou, em vão, que lhe fossem trazidos os mais atraentes e saborosos petiscos, que com as próprias mãos ofertava ao pássaro amado.

Um dia, o rouxinol fugiu. E nem todos os emissários do império, enviados pela China inteira, foram capazes de encontrá-lo novamente.

Então a tristeza dominou o Imperador, minando as suas forças. Em pouco tempo viu-se o poderoso regente preso ao leito, dominado por misteriosa e persistente doença. Fizeram de tudo e de nada adiantavam os remédios receitados pelos maiores médicos do mundo, que para curá-lo, foram chamados.

E veio uma madrugada em que, em meio ao delírio da febre, julgou o Imperador ver ao pé de seu leito o rouxinol.

Queixou-se, desvairado: - Ingrato, eis que te dei tudo de mim! Dei-te a gaiola mais rica que jamais existiu, o melhor lugar do palácio e até mesmo os melhores petiscos do mundo, com as minhas próprias mãos!Eu te amava e mesmo assim me abandonaste!

Respondeu-lhe o rouxinol: - Dizes que me amavas... e, mesmo assim, era mais importante a tua vaidade. Para que todos pudessem ver e ouvir o pássaro maravilhoso que possuías, me encerraste em uma gaiola, ao teu lado, privando-me de tudo que eu mesmo amava. Julgas, acaso, que a gaiola mais rica possa substituir a beleza e a imensidão do céu? Ou que os esplendores do palácio me sejam mais agradáveis que voar livre entre as flores, vendo a sua beleza e respirando o seu aroma, sentindo o calor do sol e o orvalho fresco da manhã?

Certo é que me alimentaste com as tuas mãos e que para mim procuraste os petiscos que melhores julgavas. Mas como podes acreditar que me fossem mais saborosos que os alimentos por mim mesmo escolhidos e por meu próprio bico colhidos?

Porém, não me cabe julgar-te. Sei que é assim entre os homens; o que chamais amor não é senão a satisfação das vossas vontades. Em nome do que dizeis sentir, buscais acorrentar a vós aquele que jurais amar; e não acreditais que alguém vos ame, a menos que se curve a vossos desejos, esquecendo as suas próprias necessidades. O que chamais “dor de amor” é, na verdade, o vosso egoísmo contrariado.

Deixa-me, apenas, mostrar-te o que é o amor. Porque, embora os emissários que enviaste para capturar-me não me tenham encontrado, eu jamais me afastei de ti; escondi-me em um arbusto do jardim, de onde, às vezes, podia ver-te, sem que me visses.

E renunciei ao canto, que me denunciaria, para desfrutar da liberdade.

Entretanto retorno, agora que precisas de mim. E apenas te peço que não tentes prender-me, ou o amor se perderia na revolta. É certo que não estarei contigo todo o tempo que quiseres, mas hás de ouvir-me sempre que me for possível.

Deixa-me cantar para ti porque te amo, não porque assim o desejas!

Raiava o dia. E o Imperador, já melhor da febre que o castigara, julgou ouvir um som maravilhoso que se espalhava pelo quarto, trazendo de volta a alegria e as cores da vida. Abriu os olhos para a luz do amanhecer, como se os abrisse para a esperança.

No parapeito da janela, cantando como nunca, estava o rouxinol.

A religião é a gaiola de ouro. É o lugar da clausura e da tristeza, enquanto o evangelho é a liberdade do Jardim da ressurreição Jesus Cristo. Se você canta acuado, o seu louvor é um lamento. É horrível ver crente religioso cantando sob pressão.

Pouca coisa diz tanto como o canto livre do passarinho liberto. Se você é de fato um filho de Abba, você faz parte do coral alforriado que adora com liberdade, sem medo de ser um bem-aventurado. Felizes são os que vivem fora das gaiolas como rouxinóis diante do trono de Sua Alteza, o Rei dos reis. Aleluia.
Pastor Glenio Fonseca Paranaguá.
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