domingo, 19 de setembro de 2010

O Pecado dos pecados 5

Então, a cobiça, depois de
haver concebido, dá à luz o
pecado; e o pecado, uma vez
consumado, gera a morte.
Tiago 1:15.
A origem do pecado é o
desejo da criatura de
ser o Criador. Todo ser
pessoal é dotado de inteligência,
emoções e vontade. O
Criador, descrito como Elohim, é o
coletivo triúno da unicidade divina
que não tem causa. Se a Trindade,
ou seja, o Deus Criador fosse criado,
ela não poderia ser o Criador, e sim,
uma criatura. Quem tem uma ascendência
só pode ser um descendente.
Se Deus tivesse sido criado ele seria
uma criatura e quem o criara seria o
Criador.
Elohim é o único Criador de tudo,
e todos os seres pessoais são suas
criaturas. Ao sermos criados como
pessoas, fomos criados com inteligência,
emoções e vontade. Vimos
em estudos prévios, que a criatura
não pode ser o Criador, mas pode
desejar ser o Criador. Aqui reside o
xis da questão: a ambição em ser o
que é impossível se tornar. A criatura
nunca poderá ser o Criador.
Todavia, a criatura, desejando ser
o que jamais será possível, arma-se
Revista Betel Estudo Bíblico 9
da incredulidade a fim de rebelarse
contra a palavra de Javé Elohim.
Como eu, a criatura, não posso ser
o que eu quero ser, isto é, o Criador,
então, eu me insurjo à sua vontade. A
rebeldia é fruto da descrença.
O pecado é um estado de inconformidade
da criatura diante do
Criador. Mas, para que isto vá avante
é preciso desconectar-se do Criador,
em descrença íntima. A transgressão
só será possível se a dúvida da criatura
promover o ateísmo subjetivo.
Concebem a malícia e dão à luz a iniqüidade,
pois o seu coração só prepara
enganos. Jó 15:35.
Temos analisado aqui, nesta série,
o pecado dos pecados, que segundo
Jesus o pecado é não crer nele. A
incredulidade em relação à pessoa
de Javé Elohim é a causa da desobediência.
Antes do ato infrator eu
preciso desenvolver uma atitude de
ceticismo para com Javé ou Jesus, a
fim de validar a minha contravenção.
Quando eu não creio nele fico livre
para violar as ordens dele.
Nietsche matou Deus com o objetivo
de desenvolver a sua filosofia
arrogante do super-homem. Só a
negação de Deus ou o seu assassinato
idealizado podem permitir uma
vida libertina e imoral. A teomania,
isto é, a demência em ser como Deus
é, de fato, a base de lançamento da
idolatria humanista. Se Deus existir
realmente, então eu terei que prestar
contas dos meus atos a ele, e, neste
caso, para os soberbos é melhor negá-
lo do que ter que enfrentá-lo.
A reação natural do ser humano é
o ateísmo. Por causa do pecado original
todos nós nascemos incrédulos
ou incapazes de crer na realidade
espiritual. Com a morte do espírito,
devida ao pecado, a humanidade
ficou destituída da aptidão de compreender
os fatos imateriais. Entretanto,
há uma necessidade racional
de explicar a ordem do cosmos, e,
em razão disto, o ser humano acabou
desenvolvendo os sistemas religiosos
dentro dos limites de sua mente.
A religião é uma iniciativa humana
na tentativa de governar os mistérios
inexplicáveis. O ser humano teomaníaco
arrisca controlar e explicar
o transcendente. Mas, diante de sua
incapacidade de elucidar a realidade
espiritual, sua alternativa é criar uma
religião nos limites de sua mentalidade
ou negar a perspectiva de existir o
mundo espiritual.
Todos nós viemos ao mundo incrédulos.
Nenhum bebê nasce crendo
em Deus. Envolvemo-nos na matéria
sem qualquer aptidão para crer
na realidade espiritual, sendo dirigidos
apenas pelas leis da física. Ora, o
homem natural não aceita as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe são loucura;
e não pode entendê-las, porque elas
10 Estudo Bíblico Revista Betel
se discernem espiritualmente. 1 Coríntios
2:14.
A raça adâmica ficou morta na esfera
espiritual, por isso, encontra-se
incapaz de distinguir as coisas espirituais.
Neste caso, as pessoas naturalmente
ou permanecem incrédulas,
atéias, ou elas inventam uma religião,
na qual o seu deus é feito à imagem
e semelhança da realidade material.
As crenças religiosas são aprendidas.
Assim como ensinamos a estrutura
de uma língua e os métodos
matemáticos para uma criança, também
ensinamos as tradições religiosas.
Muitos “cristãos” foram forjados
na escola dominical sem a menor experiência
de fé em Cristo Jesus. Eles
acreditam, mas não crêem. Têm assentimento
mental, embora eles não
confiem de todo o coração.
Uma coisa é dar crédito a Jesus
Cristo, outra, bem diferente, é depender
inteiramente dele. Acreditar
é um ato natural baseado em evidências.
Crer em Cristo é um dom
sobrenatural garantido aos eleitos
de Deus vivificados pela pregação do
evangelho. Visto como, na sabedoria
de Deus, o mundo não o conheceu por
sua própria sabedoria, aprouve a Deus
salvar os que crêem pela loucura da pregação.
1 Coríntios 1:21. Assim como
no caso de Lázaro no sepulcro, assim
o evangelho é pregado ao morto espiritual,
a fim de vivificá-lo com fé na
palavra que lhe foi pregada.
A Bíblia mostra que a fé decorre
de escutar a voz de Cristo. E, assim, a
fé vem pela pregação, e a pregação, pela
palavra de Cristo. Romanos 10:17.
Mas como um morto espiritual pode
ouvir a realidade imaterial e inaudível
da voz de Cristo, se primeiro não
for vivificado?
Tudo começa com a pregação do
evangelho. E disse-lhes: Ide por todo
o mundo e pregai o evangelho a toda
criatura. Marcos 16:15. Ora, se o ser
humano encontra-se morto espiritualmente,
só o milagre da vivificação
em Cristo poderá capacitá-lo a ouvir
e crer. Desde que a fé vem somente
pelo ouvir a pregação de Cristo, é só
a pregação de Cristo crucificado e
ressurreto, bem como a nossa crucificação
com ele, que garante também
a nossa regeneração juntamente com
ele.
Cristo Jesus é o único Salvador
da humanidade. Ele foi o único que
morreu e ressuscitou para nos incluir
em sua morte e ressurreição. Por outro
lado, ele é o Autor e o Consumador
da fé. Somente ele pode salvar o
pecador. Apenas ele pode dar vida
espiritual e fé para alguém crer nele.
Porque pela graça sois salvos, mediante
a fé; e isto não vem de vós; é dom de
Deus. Efésios 2:8.
A graça significa dádiva imerecida.
Então, o que não vem de nós e é
Revista Betel Estudo Bíblico 11
dom de Deus? Neste texto é a fé. O
pecado dos pecados é a incredulidade
referente à pessoa de Javé Elohim.
(Gênesis 2:16-17). Foi a descrença
de Adão que motivou a sua transgressão
voluntária. A desobediência
é uma seqüela do ceticismo humano
em face à ordem de Javé, e a obediência
é o efeito da fé doada por Jesus
através da pregação do evangelho.
Não obedecemos para crer, mas cremos
para obedecer.
Temos visto aqui que a religião é
o ser humano tentando alcançar o
seu deus por seus próprios esforços,
enquanto o evangelho é Deus alcançando
a humanidade pela graça através
da pessoa e obra de Jesus Cristo.
Segundo a definição de Jesus, o pecado
é não crer nele, logo a salvação do
pecado tem que ser rigorosamente
crer nele de todo o coração. Foi assim
que Paulo confrontou o carcereiro na
cidade de Filipos, num momento de
sua crise existencial: Responderamlhe:
Crê no Senhor Jesus e serás salvo,
tu e tua casa. Atos 16:31.
Agora precisamos considerar um
ponto importante neste versículo. O
apóstolo não falou: crê em Jesus, mas
crê no Senhor Jesus. Ele aqui está se
referindo a Javé Elohim, o Senhor
Deus. Essa menção é simplesmente
fundamental, pois a origem do pecado
está relacionada à descrença na
pessoa do Senhor Deus. Depois que
o homem pecou Deus deixou de ser
o seu Senhor.
A questão da salvação do pecado
envolve o senhorio de Deus. Cristo
é Deus encarnado no Jesus humano.
Cristo Jesus é Deus-Homem no caminho
da cruz. Ele é o Salvador que
veio assumir o pecado dos pecadores
e morrer a morte dos condenados
pelo pecado. Mas depois de três dias
ele ressuscitou dos mortos, tornando-
se o Senhor dos senhores.
Os judeus achavam que Jesus era
tão somente um dos profetas ou um
rabi qualquer. Jesus não foi visto por
eles como o Cristo, o Messias de
Deus. Ele foi crucificado como um
usurpador do trono de Davi, contudo
a ressurreição o coloca num pedestal
superior ao do rei dos judeus.
Esteja absolutamente certa, pois, toda
a casa de Israel de que a este Jesus, que
vós crucificastes, Deus o fez Senhor e
Cristo. Atos 2:36.
O senhorio soberano de Jesus é
comprovado pela sua ressurreição.
Cristo Jesus é Deus justificando os
pecadores na cruz. Jesus Cristo é o
Homem que salva como Senhor a
todos os que nele crêem, através de
sua ressurreição dentre os mortos.
Foi precisamente para esse fim que
Cristo morreu e ressurgiu: para ser
Senhor tanto de mortos como de vivos.
Romanos 14:9. O homem Jesus crucificado
é o Cristo eterno que morreu
12 Estudo Bíblico Revista Betel
para ser o Senhor na ressurreição. O
Deus-Homem é o servo sofredor nos
redimindo. O Homem-Deus é o Senhor
nos salvando do pecado.
Crer em Jesus Cristo como o Senhor
é o triunfo eterno sobre o pecado
dos pecados. Hugh C. Burr foi
preciso: “Jesus não pode ser nosso
Salvador, a não ser que seja primeiramente
nosso Senhor”. Crer no
Senhor Jesus é confiar apenas no
Homem ressuscitado como o Deus
Salvador.
O pecado dos pecados é não crer
de todo o coração em Jesus como o
Senhor absoluto de nossas vidas.
Agostinho dizia que “não dá nenhum
valor a Cristo quem não lhe dá valor
acima de tudo e de todos como
seu único Senhor”. Assim como o
Senhor Jesus Cristo é a semente pela
qual o crente nasce, ele é a raiz que
sustenta o santo e o caule que o faz
crescer em santidade.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás
comigo. Salmo 23:4
A consciência viva da presença de Deus faz a diferença na hora da crise, pois os propósitos
de Deus sempre contam com sua provisão. Deus não é despótico nem cruel. Se Ele permite
alguma tensão é porque há um bom propósito. Ele é a fonte de toda boa dádiva e todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que o amam.
Se estivermos passando pelo vale sombrio das grandes provações, consideremos este fato
mais como uma benção do que uma omissão de Deus. “A soberania de Deus não é arbitrária,
como alguns a julgam erroneamente, pois Deus tem suas razões, baseado em sua sabedoria
infinita, as quais nem sempre decide revelar.”
Jesus nunca prometeu solucionar todos os nossos problemas, nem responder todos os nossos
questionamentos. Ele prometeu sim, estar presente em toda extensão da nossa existência, como
garantia de sua graça. Não é a ausência de tribulações que abona a autenticidade de nossa fé, mas
a presença invisível daquele que tem palavra, e honra a palavra que tem. Quando o Senhor está
presente, mesmo que o mar se encontre agitado, nada pode abalar a segurança daqueles que
confiam na sua pessoa. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. Mateus
28:20b
-- Glenio F. Paranaguá (livro: As Bençãos na Aflição, www.editoraide.com.br)
Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade.
-- C. H. Spurgeon

Pastor Glenio Fonseca Paranaguá.
www.palavradacruz.com.br
www.assbetel.com.br

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