segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O MODELO DE ORAÇÃO.

“ Orareis assim”
Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu Nome. – Mateus 6.9


Todo professor conhece o poder do exemplo. Ele não somente ensina a criança o que fazer e como fazê-lo, mas ele mostra como isso realmente pode ser feito.
Pode ser condescendente com nossa fraqueza, nosso Professor Celestial nos deu as verdadeiras palavras que temos de levar conosco ao nos aproximar de nosso Pai. Temo nelas uma forma de oração pela qual se respira o frescor e a plenitude da Vida Eterna. Tão simples que uma criança que pode balbuciá-la, tão ricamente divina que abrange tudo que Deus pode dar. Uma forma de oração que se torna o modelo e a inspiração para todas as outras orações e sempre nos leva de volta para si mesma como o mais profundo expresso de nossa alma diante de nosso Deus.
“ Pai nosso, que estás nos céus! “ Para apreciar essas palavras de adoração, devo lembrar que nas Escrituras nenhum dos santos nunca se aventurou a se dirigir a Deus como seu Pai. A invocação nos coloca de imediato no centro da maravilhosa revelação que o Filho veio trazer de seu Pai também é nosso Pai. Compreende o ministério da redenção – Cristo livrando-nos da maldição para que possamos nos tornar filhos de Deus; o ministério da regeneração – o Espírito, novo nascimento, dando-nos nova vida; e o ministério da fé – antes de a redenção ser realizada ou entendida, a palavra é colocada nos lábios dos discípulos para prepará-los para a bendita experiência que ainda estava por vir. As palavras são a chave para a oração inteira, para toda oração. Requer tempo e uma vida para estudá-las; levá-la a eternidade para entende-lás completamente. O conhecimento do amor paterno de Deus é a primeira e mais simples, mas também a última e mais sublime lição na escola de oração. É no relacionamento pessoal com o Deus vivo, e na consciente e pessoal comunhão de amor com Ele mesmo, que a oração se inicia. É no conhecimento da Paternidade de Deus, revelada pelo Espírito Santo, que o poder da oração será achado para criar raízes e crescer. É na infinita ternura, compaixão e paciência do Pai infinito, em sua amorosa disposição para ouvir e ajudar, que a vida de oração encontra sua igreja. Vamos agir com calma, até que o Espírito tenha tornado essas palavras espírito e verdade para nós, enchendo nosso coração e vida: “Pai nosso, que estás nos céus”. Então encontraremos de fato além do véu, no lugar secreto de poder onde a oração sempre prevalece.
“ Santificado seja o teu Nome”. Há algo aqui que nos atinge imediatamente. Enquanto geralmente nós primeiro levamos nossas próprias necessidades para Deus em oração e depois pensamos sobre o que pertence a Deus e seus interesses, o Mestre inverte a ordem. Primeiro, Teu nome, Teu Reino, Tua Vontade; depois, dá-nos, perdoe-nos, guia-nos, liberta-nos. A lição é muito mais importante do que pensamos. Na verdadeira adoração o Pai tem de ser o primeiro, tem de ser tudo. Quanto mais cedo eu aprender a esquecer de mim mesmo, desejando que Ele seja glorificado, mais rica será a benção que a oração trará para mim mesmo. Ninguém nunca perde aquilo que sacrifica para o Pai. Isso tem de influenciar toda nossa oração. Existem dois tipos de oração: pessoal e intercessora. Esta geralmente ocupa a menor parte de nosso tempo e energia. Não deveria ser assim. Cristo abriu a escola de oração especialmente para treinar intercessores para a grande obra de atrair, pela fé e pela oração, as benções de Sua obra e amor para todo o mundo. Não pode haver nenhum profundo crescimento em oração a não ser que isso seja nosso alvo. O filho pequeno pode pedir ao pai somente o que precisa para si mesmo; e, contudo logo aprende a dizer: dê algo para minha irmã também. Mas o filho maduro, que vive somente para os interesses do pai e toma conta dos negócios do pai, pede mais generosamente e alcança tudo que pede. E Jesus deseja nos treinar para uma vida abençoada de consagração e serviço, na qual todos os nossos interesses estão subordinados ao Nome, ao Reino e à vontade do Pai. Vivamos para isso e, em cada ato de adoração, para nosso Pai! Sigamos ao mesmo tempo Teu Nome, Teu Reino, Tua Vontade; seja isso nossa contemplação e nosso anelo.
“ Santificado seja teu Nome”. Que nome? Esse novo nome do Pai é a do Novo Testamento. Nesse nome de;Amor toda santidade e Glória de Deus estão agora para ser reveladas. E como o nome santificado? Por meio do próprio Deus: Vindicarei a santidade do meu grande nome, que foi profanado entre as nações, os quais profanaram no meio delas... ”(Ezequiel 36.23). Nossa oração deve ser que em nós mesmos, em todos os filhos de Deus, diante do mundo, o próprio Deus revele à santidade, o poder divino, a glória escondida do nome do Pai. O Espírito do Pai é o Espírito Santo: somente quando nos rendermos para ser guiados por Ele é que o nome será santificado em nossas orações e em nossa vida. Vamos aprender a oração: “ Pai nosso, santificado seja o Teu Nome”.
“Venha o Teu Reino”. O Pai é um Rei e tem um Reino. O filho e herdeiro de um Rei não possuem maior ambição do que a Glória do Reino de seu Pai. Em tempo de guerra ou de perigo, isso se torna sua paixão; ele não pode pensar em nada mais. Os filhos do Pai estão aqui no território inimigo, onde o reino, que está no céu, ainda não se manifestou totalmente. Nada mais natural, quando aprender a santificar o nome do Pai, do que almejar e gritar com profundo entusiasmo: “ Venha o Teu Reino”. A vinda do reino é o grande evento do qual a revelação da glória do Pai, a bem-aventurança de seus filhos e a salvação do mundo dependem. E a vinda do reino também espera por nossas orações. Vamos nos unir ao profundo e ardente clamor dos redimidos: “Venha o Teu Reino”? Vamos aprender isso na escola de Jesus.
“Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.
Freqüentemente essa petição é aplicada somente ao sofrimento da vontade de Deus. No céu a vontade de Deus é feita, e o Mestre ensina o filho a pedir que a vontade seja feita na Terra como no Céu: no espírito de reverente submissão e com disposição para obedecer. Porque a vontade de Deus é a Gloria do céu, o seu realizar é a bem-aventurada do céu. À medida que sua vontade é feita, o Reino do Céu vem para o coração. E em qualquer lugar que a fé aceita o amor do Pai, a obediência aceita a vontade do Pai. A entrega e a oração por uma vida de obediência celestial é o espírito de oração de um filho.
“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Quando o filho primeiramente se rende ao Pai por causa de seu Nome, de Seu Reino e de Sua Vontade, Ele tem plena liberdade para pedir seu pão diário. Um senhor se importa com a comida de seu servo,um general com a de seu soldado, um pai com a de seu filho. E não se importará o Pai Celestial com o filho em oração se entregou a seus interesses? Com toda a certeza podemos dizer: “ Pai, eu vivo para Tua Honra e Tua Obra; eu sei que Tu cuidas de mim”, Consagração a Deus e à Sua vontade produzem maravilhosa liberdade em oração para as coisas temporais: toda a vida terrena é entregue ao amoroso cuidado do Pai.
“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Da mesma forma que o pão é a primeira necessidade do corpo, assim é o perdão para a alma. E a provisão é certa para ambos. Somos filhos, mas também pecadores; nosso direito de acesso à presença do Pai se deve ao precioso sangue e ao perdão abatido por Ele a nosso favor. Estejamos atentos para que a oração por perdão não se torne uma formalidade: apenas o que é realmente confessado é realmente perdoado. Aceitemos pela fé o perdão como foi prometido: como uma realidade espiritual, uma verdadeira transação entre Deus e nós, o acesso a todo o amor do Pai e a todos os privilégios de filhos. Tal perdão, como uma experiência viva, é impossível sem um espírito per doador para outros: enquanto ser perdoado está voltado para o céu, perdoar está voltado para a Terra, a relação do Filho de Deus. Em cada oração ao Pai devo ser capaz de dizer que não conheço ninguém a quem eu não ame de coração.
“E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Nosso pão de cada dia, o perdão de nossos pecados e finalmente nosso ser guardado de todo pecado e do poder do maligno – essas três petições abrangem todas as nossas necessidades pessoais. A oração por pão e perdão deve ser acompanhada pela entrega para viver toda nossa vida em santa obediência à vontade do Pai, e na oração com confiança de que em tudo seremos guardados do poder do maligno pelo Poder do Espírito que habita em nós.
Filhos de Deus! É assim que Jesus deseja que oremos ao Pai Celestial. Que Seu Nome, Reino e Vontade tenham a primazia em nosso amor; Sua provisão, perdão e amor sustentador certamente serão nossa porção. Assim a oração à verdadeira vida de filho: o Pai para o filho, o Pai todo pelo filho. Entenderemos como o Pai e o filho, o Seu e o nosso, são a mesma coisa, e como o coração que inicia sua oração com o Seu devotado Deus terá o poder em fé para expressar o nosso também. Tal oração, de fato, será a comunhão e o intercâmbio de amor, sempre nos trazendo de volta em confiança e adoração a Ele, que não é somente o início,mas também o fim: “ Pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre. Amém!” Filho do Pai, ensina-nos a orar: “Pai Nosso”.

“Senhor, ensina-nos a orar”.
Tu que és o Filho unigênito, ensina-nos, nós te imploramos, a orar “ Pai Nosso”.Agradecemos a Ti, Senhor, por essas palavras benditas e vivas que Tu nos deste.Agradecemos a Ti pelos milhões que por elas aprenderam a conhecer e adorar o Pai, e pelo que elas significam para nós. Senhor, é como se necessitássemos de dias e semanas em Tua escola com cada petição separada, de tão profundas e completas que são. Mas olhamos para Ti, para entender mais profundamente seu significado: faça isso, oramos a Ti, por causa de Teu Nome; Teu Nome é Filho do Pai.

Senhor, tu disseste uma vez: Ninguém sabe que é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar (Mateus 11.27). e mais uma vez: “Eu lhes fiz conhecer o Teu Nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja” (João 17.26). Senhor Jesus, revela-nos o Pai! Que Teu Nome, Teu Infinito Amor de Pai, o amor com que Ele Te amou, de acordo com tua oração, esteja em nós. Então diremos corretamente: “PAI NOSSO”!

“Então compreenderemos Teu ensino e nosso primeiro e espontâneo pensamento será: PAI NOSSO, TEU NOME, TEU REINO, TUA VONTADE”. E traremos nossas necessidades, nossos pecados e nossas tentações a ELE na confiança de que o amor de um PAI como esse cuida de todos nós.

BENDITO SENHOR! “Somos teus alunos, confiamos em TI; ensina-nos a orar: PAI NOSSO” . Amém.



ANDREW MURRAY.
COM CRISTO NA ESCOLA DE ORAÇÃO.
Editora dos Clássicos Ltda.
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Há Deus, toda a Honra e Glória!

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