segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O MODELO DE ORAÇÃO.

“ Orareis assim”
Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu Nome. – Mateus 6.9


Todo professor conhece o poder do exemplo. Ele não somente ensina a criança o que fazer e como fazê-lo, mas ele mostra como isso realmente pode ser feito.
Pode ser condescendente com nossa fraqueza, nosso Professor Celestial nos deu as verdadeiras palavras que temos de levar conosco ao nos aproximar de nosso Pai. Temo nelas uma forma de oração pela qual se respira o frescor e a plenitude da Vida Eterna. Tão simples que uma criança que pode balbuciá-la, tão ricamente divina que abrange tudo que Deus pode dar. Uma forma de oração que se torna o modelo e a inspiração para todas as outras orações e sempre nos leva de volta para si mesma como o mais profundo expresso de nossa alma diante de nosso Deus.
“ Pai nosso, que estás nos céus! “ Para apreciar essas palavras de adoração, devo lembrar que nas Escrituras nenhum dos santos nunca se aventurou a se dirigir a Deus como seu Pai. A invocação nos coloca de imediato no centro da maravilhosa revelação que o Filho veio trazer de seu Pai também é nosso Pai. Compreende o ministério da redenção – Cristo livrando-nos da maldição para que possamos nos tornar filhos de Deus; o ministério da regeneração – o Espírito, novo nascimento, dando-nos nova vida; e o ministério da fé – antes de a redenção ser realizada ou entendida, a palavra é colocada nos lábios dos discípulos para prepará-los para a bendita experiência que ainda estava por vir. As palavras são a chave para a oração inteira, para toda oração. Requer tempo e uma vida para estudá-las; levá-la a eternidade para entende-lás completamente. O conhecimento do amor paterno de Deus é a primeira e mais simples, mas também a última e mais sublime lição na escola de oração. É no relacionamento pessoal com o Deus vivo, e na consciente e pessoal comunhão de amor com Ele mesmo, que a oração se inicia. É no conhecimento da Paternidade de Deus, revelada pelo Espírito Santo, que o poder da oração será achado para criar raízes e crescer. É na infinita ternura, compaixão e paciência do Pai infinito, em sua amorosa disposição para ouvir e ajudar, que a vida de oração encontra sua igreja. Vamos agir com calma, até que o Espírito tenha tornado essas palavras espírito e verdade para nós, enchendo nosso coração e vida: “Pai nosso, que estás nos céus”. Então encontraremos de fato além do véu, no lugar secreto de poder onde a oração sempre prevalece.
“ Santificado seja o teu Nome”. Há algo aqui que nos atinge imediatamente. Enquanto geralmente nós primeiro levamos nossas próprias necessidades para Deus em oração e depois pensamos sobre o que pertence a Deus e seus interesses, o Mestre inverte a ordem. Primeiro, Teu nome, Teu Reino, Tua Vontade; depois, dá-nos, perdoe-nos, guia-nos, liberta-nos. A lição é muito mais importante do que pensamos. Na verdadeira adoração o Pai tem de ser o primeiro, tem de ser tudo. Quanto mais cedo eu aprender a esquecer de mim mesmo, desejando que Ele seja glorificado, mais rica será a benção que a oração trará para mim mesmo. Ninguém nunca perde aquilo que sacrifica para o Pai. Isso tem de influenciar toda nossa oração. Existem dois tipos de oração: pessoal e intercessora. Esta geralmente ocupa a menor parte de nosso tempo e energia. Não deveria ser assim. Cristo abriu a escola de oração especialmente para treinar intercessores para a grande obra de atrair, pela fé e pela oração, as benções de Sua obra e amor para todo o mundo. Não pode haver nenhum profundo crescimento em oração a não ser que isso seja nosso alvo. O filho pequeno pode pedir ao pai somente o que precisa para si mesmo; e, contudo logo aprende a dizer: dê algo para minha irmã também. Mas o filho maduro, que vive somente para os interesses do pai e toma conta dos negócios do pai, pede mais generosamente e alcança tudo que pede. E Jesus deseja nos treinar para uma vida abençoada de consagração e serviço, na qual todos os nossos interesses estão subordinados ao Nome, ao Reino e à vontade do Pai. Vivamos para isso e, em cada ato de adoração, para nosso Pai! Sigamos ao mesmo tempo Teu Nome, Teu Reino, Tua Vontade; seja isso nossa contemplação e nosso anelo.
“ Santificado seja teu Nome”. Que nome? Esse novo nome do Pai é a do Novo Testamento. Nesse nome de;Amor toda santidade e Glória de Deus estão agora para ser reveladas. E como o nome santificado? Por meio do próprio Deus: Vindicarei a santidade do meu grande nome, que foi profanado entre as nações, os quais profanaram no meio delas... ”(Ezequiel 36.23). Nossa oração deve ser que em nós mesmos, em todos os filhos de Deus, diante do mundo, o próprio Deus revele à santidade, o poder divino, a glória escondida do nome do Pai. O Espírito do Pai é o Espírito Santo: somente quando nos rendermos para ser guiados por Ele é que o nome será santificado em nossas orações e em nossa vida. Vamos aprender a oração: “ Pai nosso, santificado seja o Teu Nome”.
“Venha o Teu Reino”. O Pai é um Rei e tem um Reino. O filho e herdeiro de um Rei não possuem maior ambição do que a Glória do Reino de seu Pai. Em tempo de guerra ou de perigo, isso se torna sua paixão; ele não pode pensar em nada mais. Os filhos do Pai estão aqui no território inimigo, onde o reino, que está no céu, ainda não se manifestou totalmente. Nada mais natural, quando aprender a santificar o nome do Pai, do que almejar e gritar com profundo entusiasmo: “ Venha o Teu Reino”. A vinda do reino é o grande evento do qual a revelação da glória do Pai, a bem-aventurança de seus filhos e a salvação do mundo dependem. E a vinda do reino também espera por nossas orações. Vamos nos unir ao profundo e ardente clamor dos redimidos: “Venha o Teu Reino”? Vamos aprender isso na escola de Jesus.
“Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.
Freqüentemente essa petição é aplicada somente ao sofrimento da vontade de Deus. No céu a vontade de Deus é feita, e o Mestre ensina o filho a pedir que a vontade seja feita na Terra como no Céu: no espírito de reverente submissão e com disposição para obedecer. Porque a vontade de Deus é a Gloria do céu, o seu realizar é a bem-aventurada do céu. À medida que sua vontade é feita, o Reino do Céu vem para o coração. E em qualquer lugar que a fé aceita o amor do Pai, a obediência aceita a vontade do Pai. A entrega e a oração por uma vida de obediência celestial é o espírito de oração de um filho.
“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Quando o filho primeiramente se rende ao Pai por causa de seu Nome, de Seu Reino e de Sua Vontade, Ele tem plena liberdade para pedir seu pão diário. Um senhor se importa com a comida de seu servo,um general com a de seu soldado, um pai com a de seu filho. E não se importará o Pai Celestial com o filho em oração se entregou a seus interesses? Com toda a certeza podemos dizer: “ Pai, eu vivo para Tua Honra e Tua Obra; eu sei que Tu cuidas de mim”, Consagração a Deus e à Sua vontade produzem maravilhosa liberdade em oração para as coisas temporais: toda a vida terrena é entregue ao amoroso cuidado do Pai.
“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Da mesma forma que o pão é a primeira necessidade do corpo, assim é o perdão para a alma. E a provisão é certa para ambos. Somos filhos, mas também pecadores; nosso direito de acesso à presença do Pai se deve ao precioso sangue e ao perdão abatido por Ele a nosso favor. Estejamos atentos para que a oração por perdão não se torne uma formalidade: apenas o que é realmente confessado é realmente perdoado. Aceitemos pela fé o perdão como foi prometido: como uma realidade espiritual, uma verdadeira transação entre Deus e nós, o acesso a todo o amor do Pai e a todos os privilégios de filhos. Tal perdão, como uma experiência viva, é impossível sem um espírito per doador para outros: enquanto ser perdoado está voltado para o céu, perdoar está voltado para a Terra, a relação do Filho de Deus. Em cada oração ao Pai devo ser capaz de dizer que não conheço ninguém a quem eu não ame de coração.
“E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Nosso pão de cada dia, o perdão de nossos pecados e finalmente nosso ser guardado de todo pecado e do poder do maligno – essas três petições abrangem todas as nossas necessidades pessoais. A oração por pão e perdão deve ser acompanhada pela entrega para viver toda nossa vida em santa obediência à vontade do Pai, e na oração com confiança de que em tudo seremos guardados do poder do maligno pelo Poder do Espírito que habita em nós.
Filhos de Deus! É assim que Jesus deseja que oremos ao Pai Celestial. Que Seu Nome, Reino e Vontade tenham a primazia em nosso amor; Sua provisão, perdão e amor sustentador certamente serão nossa porção. Assim a oração à verdadeira vida de filho: o Pai para o filho, o Pai todo pelo filho. Entenderemos como o Pai e o filho, o Seu e o nosso, são a mesma coisa, e como o coração que inicia sua oração com o Seu devotado Deus terá o poder em fé para expressar o nosso também. Tal oração, de fato, será a comunhão e o intercâmbio de amor, sempre nos trazendo de volta em confiança e adoração a Ele, que não é somente o início,mas também o fim: “ Pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre. Amém!” Filho do Pai, ensina-nos a orar: “Pai Nosso”.

“Senhor, ensina-nos a orar”.
Tu que és o Filho unigênito, ensina-nos, nós te imploramos, a orar “ Pai Nosso”.Agradecemos a Ti, Senhor, por essas palavras benditas e vivas que Tu nos deste.Agradecemos a Ti pelos milhões que por elas aprenderam a conhecer e adorar o Pai, e pelo que elas significam para nós. Senhor, é como se necessitássemos de dias e semanas em Tua escola com cada petição separada, de tão profundas e completas que são. Mas olhamos para Ti, para entender mais profundamente seu significado: faça isso, oramos a Ti, por causa de Teu Nome; Teu Nome é Filho do Pai.

Senhor, tu disseste uma vez: Ninguém sabe que é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar (Mateus 11.27). e mais uma vez: “Eu lhes fiz conhecer o Teu Nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja” (João 17.26). Senhor Jesus, revela-nos o Pai! Que Teu Nome, Teu Infinito Amor de Pai, o amor com que Ele Te amou, de acordo com tua oração, esteja em nós. Então diremos corretamente: “PAI NOSSO”!

“Então compreenderemos Teu ensino e nosso primeiro e espontâneo pensamento será: PAI NOSSO, TEU NOME, TEU REINO, TUA VONTADE”. E traremos nossas necessidades, nossos pecados e nossas tentações a ELE na confiança de que o amor de um PAI como esse cuida de todos nós.

BENDITO SENHOR! “Somos teus alunos, confiamos em TI; ensina-nos a orar: PAI NOSSO” . Amém.



ANDREW MURRAY.
COM CRISTO NA ESCOLA DE ORAÇÃO.
Editora dos Clássicos Ltda.
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Há Deus, toda a Honra e Glória!

EXAMINANDO AS IMPRESSÕES DIGITAIS.

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Era o ano de 1666. A Inglaterra estava sob o domínio do rei Carlos 2. Os navios, abarrotados de gente, ancoravam a todo o momento no Novo Mundo. As pessoas desembarcavam em busca da liberdade, escapando da perseguição religião na sua terra natal. É nesse momento histórico que se passa o filme A LETRA ESCARLATE, que exibe em detalhes a condição da mulher na sociedade vigente. O filme baseia no romance de Nathaniel Hawthone que tem o mesmo titulo.
A chegada de Hester Prynne deu-se normalmente ao desembarcar em Bay Colony, Massachussetts, com a aspiração de uma vida melhor.
O marido ficara para trás; viria mais tarde. A ela cabia a tarefa de organizar tudo o que era necessário para a permanência do casal naquele lugar.
Mulher determinada, forte, destemida, moderna. Com essas características, a senhorita Prynne chocava a sociedade local.
Não se preocupava em cobrir a cabeça ou o colo. Possuía conhecimento “de homem”, argumentava com qualquer um que tentasse impor-lhes regras descabidas. Essas atitudes escandalizavam os outros moradores da pequena cidade que olhavam com censura. Ela realmente causava frisson na opinião publica da Nova Inglaterra.
As mulheres dessa época não apenas aceitavam as condições de sujeição a que estavam sendo submetidas, como procuravam manter essa relação, discriminado qualquer outro tipo de comportamento. O servilismo ao marido era uma escravatura que elas abafavam com pretextos de obediência à Bíblia. Entretanto a submissão Bíblica nunca foi um capricho ou anulação da personalidade.
Os homens achavam que a mulher liberada que chocasse a sociedade por pensar por conta própria só poderia ser alguém sem recato, vista apenas como objeto de prazer sexual. Essa atitude masculina pode ser observada na cena em que um homem respeitado tenta beijar à força a personagem principal, interpretada por Demi Moore.
Dessa maneira, não preciso de muito tempo para que Hester percebesse que o Novo Mundo não era tão diferente do Velho. As pessoas que ali chegaram trouxeram consigo todos os antigos preconceitos e regras de conduta. O Estado e a religião confundiam-se. A intolerância parecia coisa bem natural, patrocinado também um conflito mesquinho entre homens brancos e índios.
As autoridades políticas e religiosas aguardavam um sinal divino para tomar uma atitude à altura. Hester Prynne deu-lhes o que precisavam: o adultério com um reverendo da cidade. Assim, o seu pecado tornou-se a principal razão dos males que assolavam aquela sociedade, justificando atitudes de discriminação, preconceito, injustiças e intolerância. A capa de Aça foi encontrada no arraial, e a maldição agora poderia ser afastada do meio do povo de Deus. Condenada por ter vivido um relacionamento adultera com o reverendo Arthur Dimmesdade, essa mulher é obrigada a usar em sua roupa uma letra A de adultério bordada em vermelho, símbolo de sua vergonha. Mas a letra acabou marcando profundamente o peito do reverendo. O estigma da culpa tatuou na carne do pastor a letra com o sinal do seu pecado de hipocrisia. Ele trazia o sinal do pecado lavrado em seu intimo e a cicatriz incrustada em sua pele.
A Letra Escarlate é uma estória que deixou marcas na literatura americana. Mas há um crime mais grave do que o adultério do reverendo Dimmesdale com a Sra Prynne. É a corrupção que se faz com a Palavra de Deus. O adultério da pregação é mais critico do que os escândalos morais. Não estou atenuando a seriedade do pecado moral, pelo contrario, quero ressaltar na laboração deste texto que a infidelidade na proclamação da mensagem do Evangelho é responsável pelo avanço do apodrecimento social.


O CRIME DA LETRA
JÓ – A HISTORIA DA JUSTIÇA INJUSTIÇADA NA SALVAÇÃO DA ALMA JUSTA.

AUTOR: PASTOR GLENIO FONSECA PARANAGUÁ .

EDITORA: IDE LTDA

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domingo, 19 de setembro de 2010

O Pecado dos pecados 5

Então, a cobiça, depois de
haver concebido, dá à luz o
pecado; e o pecado, uma vez
consumado, gera a morte.
Tiago 1:15.
A origem do pecado é o
desejo da criatura de
ser o Criador. Todo ser
pessoal é dotado de inteligência,
emoções e vontade. O
Criador, descrito como Elohim, é o
coletivo triúno da unicidade divina
que não tem causa. Se a Trindade,
ou seja, o Deus Criador fosse criado,
ela não poderia ser o Criador, e sim,
uma criatura. Quem tem uma ascendência
só pode ser um descendente.
Se Deus tivesse sido criado ele seria
uma criatura e quem o criara seria o
Criador.
Elohim é o único Criador de tudo,
e todos os seres pessoais são suas
criaturas. Ao sermos criados como
pessoas, fomos criados com inteligência,
emoções e vontade. Vimos
em estudos prévios, que a criatura
não pode ser o Criador, mas pode
desejar ser o Criador. Aqui reside o
xis da questão: a ambição em ser o
que é impossível se tornar. A criatura
nunca poderá ser o Criador.
Todavia, a criatura, desejando ser
o que jamais será possível, arma-se
Revista Betel Estudo Bíblico 9
da incredulidade a fim de rebelarse
contra a palavra de Javé Elohim.
Como eu, a criatura, não posso ser
o que eu quero ser, isto é, o Criador,
então, eu me insurjo à sua vontade. A
rebeldia é fruto da descrença.
O pecado é um estado de inconformidade
da criatura diante do
Criador. Mas, para que isto vá avante
é preciso desconectar-se do Criador,
em descrença íntima. A transgressão
só será possível se a dúvida da criatura
promover o ateísmo subjetivo.
Concebem a malícia e dão à luz a iniqüidade,
pois o seu coração só prepara
enganos. Jó 15:35.
Temos analisado aqui, nesta série,
o pecado dos pecados, que segundo
Jesus o pecado é não crer nele. A
incredulidade em relação à pessoa
de Javé Elohim é a causa da desobediência.
Antes do ato infrator eu
preciso desenvolver uma atitude de
ceticismo para com Javé ou Jesus, a
fim de validar a minha contravenção.
Quando eu não creio nele fico livre
para violar as ordens dele.
Nietsche matou Deus com o objetivo
de desenvolver a sua filosofia
arrogante do super-homem. Só a
negação de Deus ou o seu assassinato
idealizado podem permitir uma
vida libertina e imoral. A teomania,
isto é, a demência em ser como Deus
é, de fato, a base de lançamento da
idolatria humanista. Se Deus existir
realmente, então eu terei que prestar
contas dos meus atos a ele, e, neste
caso, para os soberbos é melhor negá-
lo do que ter que enfrentá-lo.
A reação natural do ser humano é
o ateísmo. Por causa do pecado original
todos nós nascemos incrédulos
ou incapazes de crer na realidade
espiritual. Com a morte do espírito,
devida ao pecado, a humanidade
ficou destituída da aptidão de compreender
os fatos imateriais. Entretanto,
há uma necessidade racional
de explicar a ordem do cosmos, e,
em razão disto, o ser humano acabou
desenvolvendo os sistemas religiosos
dentro dos limites de sua mente.
A religião é uma iniciativa humana
na tentativa de governar os mistérios
inexplicáveis. O ser humano teomaníaco
arrisca controlar e explicar
o transcendente. Mas, diante de sua
incapacidade de elucidar a realidade
espiritual, sua alternativa é criar uma
religião nos limites de sua mentalidade
ou negar a perspectiva de existir o
mundo espiritual.
Todos nós viemos ao mundo incrédulos.
Nenhum bebê nasce crendo
em Deus. Envolvemo-nos na matéria
sem qualquer aptidão para crer
na realidade espiritual, sendo dirigidos
apenas pelas leis da física. Ora, o
homem natural não aceita as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe são loucura;
e não pode entendê-las, porque elas
10 Estudo Bíblico Revista Betel
se discernem espiritualmente. 1 Coríntios
2:14.
A raça adâmica ficou morta na esfera
espiritual, por isso, encontra-se
incapaz de distinguir as coisas espirituais.
Neste caso, as pessoas naturalmente
ou permanecem incrédulas,
atéias, ou elas inventam uma religião,
na qual o seu deus é feito à imagem
e semelhança da realidade material.
As crenças religiosas são aprendidas.
Assim como ensinamos a estrutura
de uma língua e os métodos
matemáticos para uma criança, também
ensinamos as tradições religiosas.
Muitos “cristãos” foram forjados
na escola dominical sem a menor experiência
de fé em Cristo Jesus. Eles
acreditam, mas não crêem. Têm assentimento
mental, embora eles não
confiem de todo o coração.
Uma coisa é dar crédito a Jesus
Cristo, outra, bem diferente, é depender
inteiramente dele. Acreditar
é um ato natural baseado em evidências.
Crer em Cristo é um dom
sobrenatural garantido aos eleitos
de Deus vivificados pela pregação do
evangelho. Visto como, na sabedoria
de Deus, o mundo não o conheceu por
sua própria sabedoria, aprouve a Deus
salvar os que crêem pela loucura da pregação.
1 Coríntios 1:21. Assim como
no caso de Lázaro no sepulcro, assim
o evangelho é pregado ao morto espiritual,
a fim de vivificá-lo com fé na
palavra que lhe foi pregada.
A Bíblia mostra que a fé decorre
de escutar a voz de Cristo. E, assim, a
fé vem pela pregação, e a pregação, pela
palavra de Cristo. Romanos 10:17.
Mas como um morto espiritual pode
ouvir a realidade imaterial e inaudível
da voz de Cristo, se primeiro não
for vivificado?
Tudo começa com a pregação do
evangelho. E disse-lhes: Ide por todo
o mundo e pregai o evangelho a toda
criatura. Marcos 16:15. Ora, se o ser
humano encontra-se morto espiritualmente,
só o milagre da vivificação
em Cristo poderá capacitá-lo a ouvir
e crer. Desde que a fé vem somente
pelo ouvir a pregação de Cristo, é só
a pregação de Cristo crucificado e
ressurreto, bem como a nossa crucificação
com ele, que garante também
a nossa regeneração juntamente com
ele.
Cristo Jesus é o único Salvador
da humanidade. Ele foi o único que
morreu e ressuscitou para nos incluir
em sua morte e ressurreição. Por outro
lado, ele é o Autor e o Consumador
da fé. Somente ele pode salvar o
pecador. Apenas ele pode dar vida
espiritual e fé para alguém crer nele.
Porque pela graça sois salvos, mediante
a fé; e isto não vem de vós; é dom de
Deus. Efésios 2:8.
A graça significa dádiva imerecida.
Então, o que não vem de nós e é
Revista Betel Estudo Bíblico 11
dom de Deus? Neste texto é a fé. O
pecado dos pecados é a incredulidade
referente à pessoa de Javé Elohim.
(Gênesis 2:16-17). Foi a descrença
de Adão que motivou a sua transgressão
voluntária. A desobediência
é uma seqüela do ceticismo humano
em face à ordem de Javé, e a obediência
é o efeito da fé doada por Jesus
através da pregação do evangelho.
Não obedecemos para crer, mas cremos
para obedecer.
Temos visto aqui que a religião é
o ser humano tentando alcançar o
seu deus por seus próprios esforços,
enquanto o evangelho é Deus alcançando
a humanidade pela graça através
da pessoa e obra de Jesus Cristo.
Segundo a definição de Jesus, o pecado
é não crer nele, logo a salvação do
pecado tem que ser rigorosamente
crer nele de todo o coração. Foi assim
que Paulo confrontou o carcereiro na
cidade de Filipos, num momento de
sua crise existencial: Responderamlhe:
Crê no Senhor Jesus e serás salvo,
tu e tua casa. Atos 16:31.
Agora precisamos considerar um
ponto importante neste versículo. O
apóstolo não falou: crê em Jesus, mas
crê no Senhor Jesus. Ele aqui está se
referindo a Javé Elohim, o Senhor
Deus. Essa menção é simplesmente
fundamental, pois a origem do pecado
está relacionada à descrença na
pessoa do Senhor Deus. Depois que
o homem pecou Deus deixou de ser
o seu Senhor.
A questão da salvação do pecado
envolve o senhorio de Deus. Cristo
é Deus encarnado no Jesus humano.
Cristo Jesus é Deus-Homem no caminho
da cruz. Ele é o Salvador que
veio assumir o pecado dos pecadores
e morrer a morte dos condenados
pelo pecado. Mas depois de três dias
ele ressuscitou dos mortos, tornando-
se o Senhor dos senhores.
Os judeus achavam que Jesus era
tão somente um dos profetas ou um
rabi qualquer. Jesus não foi visto por
eles como o Cristo, o Messias de
Deus. Ele foi crucificado como um
usurpador do trono de Davi, contudo
a ressurreição o coloca num pedestal
superior ao do rei dos judeus.
Esteja absolutamente certa, pois, toda
a casa de Israel de que a este Jesus, que
vós crucificastes, Deus o fez Senhor e
Cristo. Atos 2:36.
O senhorio soberano de Jesus é
comprovado pela sua ressurreição.
Cristo Jesus é Deus justificando os
pecadores na cruz. Jesus Cristo é o
Homem que salva como Senhor a
todos os que nele crêem, através de
sua ressurreição dentre os mortos.
Foi precisamente para esse fim que
Cristo morreu e ressurgiu: para ser
Senhor tanto de mortos como de vivos.
Romanos 14:9. O homem Jesus crucificado
é o Cristo eterno que morreu
12 Estudo Bíblico Revista Betel
para ser o Senhor na ressurreição. O
Deus-Homem é o servo sofredor nos
redimindo. O Homem-Deus é o Senhor
nos salvando do pecado.
Crer em Jesus Cristo como o Senhor
é o triunfo eterno sobre o pecado
dos pecados. Hugh C. Burr foi
preciso: “Jesus não pode ser nosso
Salvador, a não ser que seja primeiramente
nosso Senhor”. Crer no
Senhor Jesus é confiar apenas no
Homem ressuscitado como o Deus
Salvador.
O pecado dos pecados é não crer
de todo o coração em Jesus como o
Senhor absoluto de nossas vidas.
Agostinho dizia que “não dá nenhum
valor a Cristo quem não lhe dá valor
acima de tudo e de todos como
seu único Senhor”. Assim como o
Senhor Jesus Cristo é a semente pela
qual o crente nasce, ele é a raiz que
sustenta o santo e o caule que o faz
crescer em santidade.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás
comigo. Salmo 23:4
A consciência viva da presença de Deus faz a diferença na hora da crise, pois os propósitos
de Deus sempre contam com sua provisão. Deus não é despótico nem cruel. Se Ele permite
alguma tensão é porque há um bom propósito. Ele é a fonte de toda boa dádiva e todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que o amam.
Se estivermos passando pelo vale sombrio das grandes provações, consideremos este fato
mais como uma benção do que uma omissão de Deus. “A soberania de Deus não é arbitrária,
como alguns a julgam erroneamente, pois Deus tem suas razões, baseado em sua sabedoria
infinita, as quais nem sempre decide revelar.”
Jesus nunca prometeu solucionar todos os nossos problemas, nem responder todos os nossos
questionamentos. Ele prometeu sim, estar presente em toda extensão da nossa existência, como
garantia de sua graça. Não é a ausência de tribulações que abona a autenticidade de nossa fé, mas
a presença invisível daquele que tem palavra, e honra a palavra que tem. Quando o Senhor está
presente, mesmo que o mar se encontre agitado, nada pode abalar a segurança daqueles que
confiam na sua pessoa. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. Mateus
28:20b
-- Glenio F. Paranaguá (livro: As Bençãos na Aflição, www.editoraide.com.br)
Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade.
-- C. H. Spurgeon

Pastor Glenio Fonseca Paranaguá.
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Pecadores nas mãos de um Deus irado (2).

Pecadores nas Mãos de
um Deus Irado (2) Jonathan Edwards
8. O homem natural e a sua
incoerente prudência em
preservar-se a si mesmo,
ou o cuidado dos outros
em preservá-los, nada lhes garante
de fato, nem por um pequeníssimo
momento. Disto testemunha a cautelar
providência infinita de Que já
criou o mundo. Existe este fato já de
si comprovado que nenhuma sabedoria
humana pode livrar o homem
da sua perdição. Se tal coisa fosse
verdade, veríamos desde já alguma
diferenciação entre os políticos e sábios
de hoje e outras pessoas menos
inteligentes, no que toca à sua morte.
Mas, de fato, aquilo que dizem as Escrituras
transparece sempre repleto
de verdade infinita, nomeadamente:
Pois do sábio, bem como do estulto, a
memória não durará para sempre; porquanto
de tudo, nos dias futuros, total
Minha é a vingança, a seu
tempo quando resvalar o
seu pé; porque o dia da
sua ruína está próximo, e
as coisas que lhes hão de
suceder se apressam a chegar.
Deuteronômio 32.35
32 Legado Revista Betel
esquecimento haverá. E como morre o
sábio, assim morre o estulto! Eclesiastes
2:16.
9. Todo e qualquer esquema dos
ímpios, todas as suas agonias em escapar
do inferno, enquanto rejeitam
Cristo na sua vida prática, mantendo
a sua impiedade, porque sem Cristo
não terão como se verem livres dela,
não lhes assegura uma livrança do inferno,
nem por um momento. Qualquer
homem natural que tente escapar
do inferno bajula seu ego sempre
para não ter que pensar que não
tem como escapar dele. O pecador
depende dele próprio para escapar,
vitoria-se e vangloria-se em si mesmo,
depende das suas próprias forças
para escapar à sua maneira. Bajulase,
entretém-se, gasta mal seu tempo
sempre e mostra aquilo que consegue
fazer apenas para acreditar que
vai escapar. Todo e qualquer um tem
sempre uma idéia bem delineada de
como há de escapar do inferno. Luta
com suas crenças e credos, tentando
sempre convencer a ele mesmo, por
todos meios, de que há de escapar,
pensando-se o mais sábio de todos
os homens. Ouvem sempre que muito
poucos se salvarão, que muitos estão
já no inferno, mas, mesmo assim,
cada um deles imagina sempre que
há de escapar ileso. Acha sempre que
será sempre melhor sucedido que todos
os outros que já estão a queimar
e que, com ele, tal coisa nunca ocorrerá.
Ele não quer ir para aquele lugar
de tormento, tentando enganarse
a si mesmo continuamente que
nunca se enganará a esse respeito.
Mas os miseráveis filhos dos homens
iludem-se sem cessar, isto através de
esquemas e ocupações próprias, tal é
a confiança cega que depositam neles
mesmos continuadamente. Confiam
numa nuvem sombria. A grande
maioria que conseguiu viver sob a
era da graça e agora morreu, também
pensava assim e nem por isso deixou
de ir para no inferno. Eles não seriam
menos inteligentes que todos aqueles
que aqui se encontram; também não
foi porque cometeram um qualquer
erro de cálculo nos seus muitos esquemas;
se algum de nós pudesse ter
como vir a falar com um qualquer
desses homens ou mulheres que já lá
estão perecendo, com certeza, quando
lhes perguntássemos se pensavam
em vida que iam para o inferno,
todos, sem exceção, achariam que
nunca iriam parar num local de tantos
horrores assim. Pensaram sempre
o melhor deles próprios enquanto
em vida, e nenhum deles diria que
tinha a intenção de ir parar ali. Todos
diriam “Não sabia que vinha parar
aqui, nunca concebi que isto viesse
a suceder-me, pensava que dum jeito
ou de outro sempre escaparia do
juízo de Deus. Eu tinha a certeza
Revista Betel Legado 33
que seria impossível eu ir parar no
inferno! Mas apanhou-me desprevenido,
não esperava tal coisa naquele
momento, tão rápido assim. Eu bem
queria preparar-me, mas pensava que
ainda havia tempo suficiente para
fazê-lo. Fui surpreendido pela morte
como se é com um ladrão de noite.
A ira de Deus foi rápida demais para
mim. Ó, que maldita agonia, que
maldita tolice a minha! Sempre me
bajulei pensando que eu era especial!
E quando eu menos esperava morri.
Sempre me convenci que tinha paz
com Deus e enganei-me profundamente,
irremediavelmente!
10. Deus nunca se comprometeu
a salvaguardar um único homem
carnal do inferno. Nem uma só vez,
Deus se comprometeria com tal coisa
absurda. Ele, com toda a certeza,
nunca prometeu vida eterna a quem
permanecesse no seu pecado, nem
nenhuma espécie de proteção especial
duma morte eterna. Só prometeu
a quem guardasse os estatutos do
Seu Testamento através do Senhor
Jesus Cristo, em quem essas promessas
serão sempre sim e amém! Qualquer
um que não haja crido nessas
promessas de livrá-los de pecar sob
graça, nunca tiveram interesse no
Mediador desse Testamento. Assim,
todos aqueles que estão indo para o
inferno, por muito que se esgotem
na oração, por muito religiosos que
sejam, por muita seriedade que tenham
no bater da porta que para eles
não se abre, peçam o que pedir, enquanto
Cristo não for verdadeiro em
si mesmo como Mediador real, Deus
nunca estará comprometido a livrar
tais homens da sua sentença final.
Deus terá sempre a última palavra.
Assim é, então, que Deus segura o
homem de cair no inferno, está sempre
pendente sobre o lago de fogo.
Eles mesmo o merecem por si mesmos,
estando sempre sentenciados
sob essa mesma pena. Deus está provocado
ao extremo da sua ira contra
eles, tanto quanto estará com aqueles
que já estão a sentir a Sua fúria sem
volta lá no inferno. Nada fizeram
para se livrarem daquele abismo sem
volta, sem saída possível, nada fizeram
para apaziguar a sua ira. Deus
nunca se comprometeu a livrá-los de
qualquer tormento, o diabo espera
a oportunidade de os vir a sugar. O
inferno está de boca aberta esperando
tragá-los a qualquer momento da
sua vida, as chamas engolem já muitos
sem que pensassem ir lá parar. O
seu pecado está sempre em chama de
pecado e não pretendem conhecer
Quem os pode livrar dessas chamas
do pecado, dessa semente do inferno.
Não pretendem estar seguros,
apenas desejam a mentira desde que
seja sua própria, e enquanto tentam
salvar-se a si mesmos com muitos es34
Legado Revista Betel
quemas vagabundos, mostram como
nunca pretendem o único Mediador
como tal, apenas em si mesmos confiam
para se livrarem. Resumindo,
eles não estão seguros, não têm qualquer
refúgio em qualquer recanto de
todo o universo, e a única coisa que
os previne de caírem de vez naquele
poço de chamas será apenas uma
vontade arbitrária de Deus. Também
a tolerância voluntária, não comprometida
dum Deus muito irado.
Aplicação prática
O uso deste assunto deve servir
para aquele despertar de pessoas
nesta congregação. Isso é para todos
vós que não estão em Cristo, vivendo
do vosso pecado ainda. O outro
mundo cheio de miséria esperavavos
a menos que se convertam hoje,
aquele lago de fogo eterno já existe e
estará preparado há séculos. Existe
de fato esse lugar horrível onde todas
as chamas da ira justa de Deus exultam
e queimam há muito. Existe um
inferno, com a sua boca escancarada
ao máximo para engolir quem nega o
Criador da sua vida. Lá não tem chão
onde firmar seus pés, e aqui não tem
nada que o separe do inferno, senão
ar e tempo; é tudo uma questão de
tempo. Apenas, pela misericórdia de
Deus, está aqui a ouvir este sério aviso.
Provavelmente não estará o meu
ouvinte com sua sensibilidade aguçada
em relação a este assunto. Sabe
que está longe do inferno ainda, mas
só não sabe que é apenas Deus quem
ainda impede que caia lá para sempre.
Você passa todo o seu tempo
com outros assuntos, com outros
afazeres, dando tudo aquilo que toda
a constituição do seu pecado lhe
pede, tal como todos os meios que
ainda poderiam salvar a sua vida da
fogosa ira de Deus, em vez de temer
e se converter. Mas de fato, os meus
argumentos são pequenos ainda
comparando com os que podia elaborar.
As suas coisas, os seus afazeres
de nada valem à luz da verdade
de todas estas coisas eternas. Se por
acaso Deus retirar a Sua grande mão
de impedir de travar a sua eminente
queda, nada mais neste universo que
criou à sua volta tem como impedir
um pecador de estatelar-se para sempre
no infinito do fogo.
Todos os seus pecados tornam-no
tão pesado como chumbo em leve ar.
Vai cair para sempre sem volta possível.
Todo os pesos que carrega em sua
consciência empurram diretamente
pela força do seu peso; o destino de
quem não está em Cristo é um poço
sem fundo que deita chamas e enxofre.
Se Deus o deixar ir afora, logo
desaparece sem nunca mais poder
voltar. Toda a sua corpulência, todos
os seus cuidados e artimanhas em
escapar, toda a sua prudência, toda a
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sua saúde de nada valerá; nada tem
como impedir o pecador de prestar
todas as contas da sua vida a Deus.
A sua auto-estima, o seu arrependimento
e remorso por perder a sua
vida assim tolamente, nada mais resolverão,
para nada mais servirão senão
como servirá uma teia de aranha
perante um incêndio muito quente,
ou para essa mesma teia segurar um
pedregulho em queda desde as alturas.
Não fosse a soberania de Deus
sobre todas as coisas, por certo que
já estaria a experimentar este enorme
sofrimento da ira de Deus. Não fosse
essa soberania, nenhum local de toda
a terra o suportariam nem por um
momento mais, pois você faz a terra
grunhir de desespero pelo seu pecado,
pois sujeita a criação de Deus a
enormes pesadelos. A sua corrupção
é uma ameaça à servidão ao pecado
de todas as outras criaturas de Deus.
Essas criaturas não querem estar sujeitas
àquela perdição, mas todo o
seu pecado as sujeita a isso mesmo
contra a sua vontade. Até o sol não
brilha com alegria para suportar a
sua iniqüidade sob sua luz para ter
como servir Satanás e seus anjos;
nem a terra produz para que possa
gastar em suas banalidades perversas;
até o ar que você respira se opõe
a ser respirado por si, para poder
manter a vida vital que você usa mal
em seus deleites pecaminosos, para
que você use suas forças a favor dos
inimigos eternos do Deus vivo. Toda
criatura de Deus, toda a sua criação
é perfeita, e foram criados para dar
sempre glória ao Deus altíssimo. Nenhuma
destas coisas criadas por Ele
sustêm de leve ânimo quem desonra
a sua própria criação para malefício
de todos os outros à sua volta. Todo
o universo escarraria um verme pecador
do seu meio ambiente não fosse
pela vontade e paciência de Deus
fornecer mais algum tempo ainda
para se converterem! Toda a criação
suspira na esperança de um dia obter
uma libertação do domínio total do
pecado. Nada impede senão Deus.
Temos toda a ira de Deus pairando
sobre nossas cabeças, como uma nuvem
negra prestes a rebentar todo o
seu conteúdo de fogo e enxofre não
fosse a mão de Deus que restringe os
elementos de cooperarem nessa esperança
de ver um pecador que deseja
ser santo e glorificar Deus para sempre.
O soberano desejo de Deus impõe
aos elementos que O glorificam
sempre, de cuspirem toda a imundícia
para bem longe de si. De momento,
apenas ouvimos falar uma coisa
muito vaga da suposta ira de Deus,
pois pelas tempestades e calamidades
Deus dá a entender um pouco de
tudo aquilo que ainda vai se passar
e que ninguém terá como impedir.
A ira de Deus é como grandes
36 Legado Revista Betel
águas represadas que crescem mais e
mais, aumentam de volume, até que
encontram uma saída. Quanto mais
tempo a força das águas for reprimida,
mais rápido e forte será o seu fluxo
em sua libertação. É verdade que
até agora ainda não houve um julgamento
por obras más. A enchente da
vingança de Deus encontra-se presa.
Mas, por outro lado, sua culpa cresce
cada vez mais, e, dia a dia, vocês
acumulam mais e mais ira contra vós
mesmos. As águas estão subindo e
se acumulando gigantescamente, fazendo
sua força aumentar cada vez
mais. Nada, a não ser a misericórdia
de Deus, detêm essas águas, as quais
não querem continuar enjauladas e
forçam sua saída. Se Deus retirasse
Sua mão das comportas, elas se abririam
imediatamente, e o mar impetuoso
de sua fúria e da ira de Deus
precipitar-se-iam com furor inconcebível,
e cairiam sobre vocês com poder
onipotente. E, mesmo que vossas
forças fossem dez mil vezes mais do
que são, sim, dez mil vezes maior do
que a força do mais forte e vigoroso
demônio no inferno, de nada serviriam
para que pudessem deter essa
fúria divina.
O arco da ira de Deus já está preparado,
e a flecha ajustada ao seu
cordel. A justiça aponta a flecha para
seu coração esticando o arco. E nada,
senão a misericórdia de Deus, dum
Deus irado, que com nada se compromete
e a nada Se obriga, impede
que a flecha se embeba já com o sangue
de qualquer um de vós.
Assim estão todos vós compartilhando
esse perigo, todos aqueles
que nunca experimentaram uma
transformação real em seus corações
pela ação poderosa do Espírito do
Senhor em suas almas; todos vocês
que não nasceram de novo, nem foram
feitos novas criaturas, ressurgindo
da morte do pecado para um
estado de luz e para uma vida nova
nunca experimentada até aqui. Por
mais que vocês tenham modificado
vossa conduta em muitas coisas e tenham
abusado simpatias religiosas,
e até mantido uma forma pessoal de
religião com suas famílias e, em particular,
indo à casa do Senhor, sendo
até severos quanto a isso, mesmo
assim vocês estão nas mãos de um
Deus irado. Somente Sua misericórdia
vos livra de ser tragados pela
destruição eterna agora, neste preciso
momento.
Por menos convencidos que vocês
estejam agora quanto às verdades
ouvidas, no porvir serão plenamente
convencidos. Aqueles que já se foram
e que estavam na mesma situação
que a vossa, percebem que foi exatamente
isso que lhes aconteceu, pois
a destruição caiu de repente sobre
muitos deles, quando menos esperaRevista
Betel Legado 37
vam, e quando mais afirmavam estarem
a viver em paz e plena segurança.
Agora eles vêem que aquelas coisas
nas quais puseram as suas confianças,
tendo a paz e segurança como
objetivo, eram nada mais que uma
brisa ligeira e sombras sem verdade.
O Deus que vos mantêm fora do
abismo do inferno abomina-vos; Ele
está terrivelmente irritado, e Seu
furor queima como fogo contra vós.
Ele vê em vós uma dignidade imensa
apenas para virem a ser lançados
no fogo do inferno. E Seus olhos são
tão puros que não podem tolerar tal
visão. Vocês são dez mil vezes mais
abomináveis a Seus olhos do que a
mais odiosa das serpentes venenosas
serão para todos os humanos. Têm-
No ofendido infinitamente mais
do que qualquer rebelde obstinado
ofenderia um governante. No entanto,
nada, a não ser a Sua mão, pode
vos impedir de cair no fogo a qualquer
momento. O fato de nenhum de
vós ainda não ter ido para o inferno
a noite passada e vos haver sido concedida
a graça de acordar ainda neste
mundo, depois de terem fechado os
olhos para dormir ontem, atribuise
a essa mesma graça e favor. Não
existe outra razão para que todos vós
não hajam sido lançados no inferno
antes de se haverem levantado pela
manhã, a não ser o fato da mão de
Deus tê-los sustentado. E não existe
outra razão para que vocês não caiam
no inferno, já, neste exato momento.
Ó pecador, pense no perigo terrível
que corre! É sobre essa grande
fornalha de furor, você está pendurado
sobre um abismo imenso e sem
fim, cheio do fogo da Sua ira, seguro
pela mão de Deus, cujo furor acha-se
tão inflamado contra si, como contra
muitas pessoas já condenadas as
quais já estão no inferno. Você está
suspenso por uma linha quebradiça,
com as chamas divinas em toda a sua
volta prestes a queimá-lo, prontas a
atearem fogo e queimá-lo por inteiro.
E você continua sem interesse nesse
Mediador, sem ter onde se agarrar
para se poder salvar de tal ira certa,
nada que possa afastar as chamas
da cólera divina, nada em si próprio,
nada que tenha feito ou possa vir a
fazer, para poder persuadir o Senhor
a poupar sua vida por mais um minuto
que seja.
Continua na próxima edição.
A igreja de hoje… não tem dever mais solene do que conservar a pureza da doutrina.
-- R. B. Kuiper

Jonathan Edwards
Estudo redirecionado do site: www.assbetel.com.br (Ótimo site e estudos).