segunda-feira, 24 de agosto de 2009

FUNDAMENTOS DA NOSSA CONFISSÃO.

Lembremos que selecionamos oito aspectos fundamentais da revelação bíblica para compartilhar. Já falamos sobre a Trindade e um pouco sobre a Encarnação. Encorajo os irmãos que têm amado esta Palavra a gastarem tempo em seu estudo. Nós vamos falar bastante sobre a justificação pela Fé e ressurreição de Cristo. Vamos falar um pouco mais sobre o Espírito Santo. Vamos falar sobre o Corpo de Cristo que é a Igreja. Pois este é um dos assuntos que mais tem despertado, segundo o meu entendimento, a necessidade de abordarmos. O que é a Igreja bíblica? Quais são os moldes do Novo Testamento a respeito da Igreja? Quanta coisa nós ouvimos hoje em dia, em torno desse assunto! Como nós precisamos estar bem alicerçados sobre o que é a Igreja! Qual a expressão prática da Igreja? Quais são as bases sobre as quais a Igreja se move? O que é essencial para a unidade da Igreja e o que não é essencial?

Normalmente nos perdemos naquilo que é secundário, considerando-o como essencial. E na verdade, a grande maioria das divisões nesse período todo de história da Igreja é em torno de coisas não essenciais. Em torno de formas de governo, de formas de batismo, e coisas assim, não essenciais. Batismo é essencial, mas não a forma do batismo. O governo da Igreja é essencial, mas nós não podemos nos dividir pela forma de governo. Então, o que é secundário passa a assumir uma questão primordial, e então nós temos todo tipo de dificuldade. Se não estivermos cientes a respeito desse assunto iremos nos perder, e muito.

O último alicerce que nós citamos foi o Supremo Propósito de Deus. E abrindo um parêntesis, falamos um pouco sobre a Bíblia. Se o Senhor permitir, falaremos mais sobre a Bíblia. O que é este Livro que temos nas mãos? Qual o seu significado? Quanto ele custou através desses três mil e quinhentos anos do mover do Senhor até hoje para que hoje esteja em nossas mãos, para que possamos dar o valor adequado à Palavra escrita. Este, na verdade, não seria um nono alicerce e sim, um fundamento de todos os oito. Nós recebemos a revelação da Trindade de onde? De um anjo? Recebemos todos os alicerces da palavra escrita. A palavra de Deus escrita é a auto-revelação de Deus. Se nós não temos a Bíblia como a auto-revelação de Deus, não conhecemos a Bíblia, nem reconhecemos o seu devido valor. Se consideramos a Bíblia como um livro qualquer, não a colocamos no seu devido lugar, porque a Bíblia é o único livro onde Deus Se auto-revela. Ele próprio é quem fala. A Bíblia se auto-explica. Ela não precisa de manual nenhum para ser entendida. Ela se explica, ela se completa. Ela é auto-interpretativa e auto-consistente, porque ela foi inspirada por um único Autor, o Espírito Santo. Então a palavra escrita de Deus é tão fundamental, tão importante, que nós devemos dar o devido valor a ela.

O Senhor sempre resgatou o lugar da Sua palavra em todos os movimentos de avivamento. “Todos”. Até no Velho Testamento. Lembrei aos irmãos há pouco tempo sobre o retorno do povo do cativeiro da Babilônia. Um dos focos, do alicerces daquele retorno, foi a restauração da palavra de Deus, por Esdras. Esdras recuperou a palavra. Ele colocou a Palavra no lugar central. Se ela não vir de novo a ocupar o lugar central no meio do cristianismo de hoje, nós não temos, absolutamente, nenhuma chance de uma restauração genuína. Portanto, nós precisamos dar o devido valor e ter uma visão adequada da palavra de Deus - esse livro que você tem na mão de 66 pequenos livros. Um único livro, soprado por Deus, palavra por palavra. Rico de auto-revelação Dele mesmo, rico da revelação do Seu propósito, rico da revelação de tudo o que Ele é Nele mesmo, e de tudo o que Ele intentou desde a eternidade fazer com a Sua criação e com aqueles que Ele planejou para redimir a fim de serem feitos filhos. A

Bíblia não se detém nem só na criação nem só nos filhos. Ela fala dos dois. Ela mostra que parte, toda a criação e aqueles eleitos no coração de Deus antes da fundação do mundo, iriam tomar nesse grande propósito, nesse supremo propósito. A Bíblia é singular. Ela expressa para nós essas riquezas infindáveis de Cristo. Quanto mais nós cavamos esse livro, mais nós vemos que estamos na superfície. Quanto mais vamos, mais nós vemos que estamos aquém, porque a palavra de Deus é tão infinita quanto o próprio Deus.

Então, que necessidade irmãos, nós temos hoje de recuperar o lugar devido dessa Palavra na nossa vida individual, na vida da nossa família. Será que o foco da nossa vida familiar é a Bíblia? Nós nos movemos segundo a revelação de Deus, à visão que temos de Deus, à visão de Cristo, à visão dos princípios Bíblicos? Nossa vida é governada pelos princípios bíblicos? Nós andamos em obediência aos princípios da Palavra? Quando nosso coração se desvia desses princípios, temos a sensibilidade dada pela própria Palavra, renovada em nós, soprada pelo Espírito, revelando o que é ofensivo ao Senhor e nos levando a nos arrepender? Nós precisamos ser governados por esta Palavra. Vejam o que Moisés diz em Deuteronômio:

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6.6-9).

“Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; E escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas;” (Dt 11.18-20).

Isso significa que a palavra de Deus deve governar nossa mente, nossa conduta, nosso pensamento, nossas atividades. Por isso o Senhor falou:

“... por frontais entre os olhos...”; governando a nossa mente;






“... gravada na sua mão...”; governando as nossas obras (o que fazemos);

“... andando pelo caminho...”; significa governando toda a nossa conduta. Mente, obra e conduta.






Uma vida regida pela palavra de Deus.

Irmãos! Só podemos ser bem-aventurados assim. Pela visão e obediência à Palavra. Por dar a Ela, nos nossos corações, o seu devido lugar. Nunca seremos bem-aventurados de outra forma. Não encontraremos paz, alegria, a verdadeira bem-aventurança em nenhum outro lugar, nem de nenhuma outra forma.

Na verdade, a raiz do nosso pecado é a desobediência. Vamos ver dois versos da epístola escrita aos hebreus:

“E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” (Hb 3.18,19).

Então, o autor de Hebreus usa em intercâmbio essas duas palavras. O que é que é incredulidade? É desobediência. O que é que é fé? É obediência. Aquele que diz: Eu creio, mas não obedece, ele não crê. Mas o que diz: Eu creio e obedece, esse crê. Simples. Então, toda a base do pecado em nossa vida é a desobediência. As palavras incredulidade e desobediência são usadas no mesmo sentido. Quem são os que não entraram no descanso? Os incrédulos. Por que é que eles não entraram? Porque foram desobedientes. É a mesma coisa. Crer é obedecer e não crer é não obedecer. Como o Senhor precisa ganhar os nossos corações para esse simples fato! Sabe o que eu vejo às vezes? Que nós damos um lugar indevido a algumas coisas. Por exemplo: à rendição. Algumas pessoas a expressam como se fosse tudo. Mas, precisamos entender que a rendição é passiva e a obediência é ativa. A vida cristã não é, por essência, passiva. Ela é, por essência, ativa, extremamente ativa.

“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”. Isso não é ativo?

“Esforcemo-nos por entrar naquele descanso”.

Então é preciso colocar o coração diante de Deus dizendo: “eu quero obedecer-te Senhor. Cria em mim um espírito que obedece. Move em mim esse desejo de te obedecer, a qualquer preço, em toda circunstância”. Portanto, nós nunca iremos desenvolver a nossa vida cristã por rendição. Rendição é um primeiro passo. Nós iremos desenvolver a nossa vida cristã por obediência. Só podemos ser aperfeiçoados por obediência. Cristo só pode ser formado em nós por obediência. Obediência ao Senhor, à Sua palavra, aos Seus ditos, a essa unção que nos ensina todas as coisas. Se nós estamos com pequenas desobediências, aqui, ali, uma no negócio, outra na família, uma na relação aqui, outra em um assunto ali, nunca nós iremos desenterrar a nossa vida cristã. Nunca, porque não é um assunto de rendição apenas. Não adianta nós estarmos orando: “Senhor nós queremos nos render, nos entregar”. Nós temos uma visão muitas vezes “quietista”, desequilibrada da vida cristã, como se essa passividade, essa rendição fosse tudo. A rendição é apenas o inicio.

Quando Davi orou no Salmo 51, ele não pediu rendição a Deus. Ele falou:

“Cria em mim ó Deus, um coração puro. Renova dentro em mim, um espírito reto. Sustenta-me com um espírito voluntário. Então declararei aos homens a Tua palavra, o Teu testemunho”.

Um espírito voluntário, um coração que obedece. Um espírito voluntário, que quer e deseja fazer a Sua vontade. Então nós temos que tomar cuidado para não vertermos coisas para o nosso próprio prejuízo. Deus não nos pede apenas rendição. Vejamos o que Pedro nos diz em sua primeira carta:

“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas” (1Pe 1.2).

Deus nos pede obediência. Então essa questão da obediência é muito significativa. Eleitos para a obediência. A palavra de Deus precisa ser recuperada. Coloquei toda essa ilustração para que vejamos o lugar que a Palavra de Deus precisa ter no nosso coração. Ela gera em nós arrependimento? Sim. Ela gera em nós convicção de pecado? Sim. Ela nos leva à rendição, a deixar de tentar fazer as coisas por nós, ao nosso modo, do nosso jeito? Sim também. O arrependimento e a rendição não são fins em si mesmos. São meios. O propósito é obedecer. A nossa oração deve ser aquela de Davi no Salmo 51: “Senhor me sustenta com espírito voluntário”. Um espírito que quer; que busca; que vai; que faz; que obedece; que pratica! Entretanto, esse não é o nosso assunto hoje.

Vamos agora examinar juntos alguns versículos onde aparece a palavra Mistério. Temos visto os fundamentos da nossa vocação, da nossa confissão, como uma coluna vertebral de oito alicerces. Fundamentos inegociáveis, centrais, essenciais, da revelação bíblica. Agora iremos examinar a palavra Mistério de outro ângulo. Não vamos olhar todas, mas a maioria, porque são muitas. A palavra Mistério é muito sugestiva e importante, pois lança luz por um ângulo diferente nas mesmas questões que temos abordado. É muito importante examinar a mesma verdade por vários ângulos. Isso é um método bíblico muito utilizado pelos apóstolos nos seus escritos. Mostrar a mesma verdade por ângulos diferentes. Então teremos como pano de fundo os oito alicerces: Trindade, Encarnação, Expiação, Justificação pela Fé, Ressurreição, Espírito Santo, Corpo de Cristo e Supremo Propósito de Deus.

Veremos que esse mistério toca a Trindade, a Encarnação, o Corpo de Cristo.

“Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne (Encarnação)...” (1Tm 3:16)

Qual o mistério da piedade?

“Grande é esse mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5)

Veremos que esse mistério oculto, guardado em silêncio no coração de Deus, como Paulo fala em Romanos, toca em primeiro lugar o que Deus é, Nele mesmo, o mistério de Deus. Em segundo lugar o mistério da vontade de Deus, ou seja, tudo aquilo que Ele planejou. Deus com o Ser eterno. Ele próprio é um Ser misterioso. Nunca iremos esgotar a Deus, no nosso conhecimento Dele, nem agora e nem por toda a eternidade. Nosso Deus é infindável. Mas o que de Deus se pode conhecer, Ele teve prazer em Si revelar: Seu caráter, Sua glória, tudo o que Ele é, Sua perfeição, os Seus atributos. Mas Ele não nos fala só Dele na Sua palavra. Ele nos fala também da Sua vontade, do Seu plano, da inclusão da Igreja em Seu propósito.

Vamos começar por Apocalipse cap. 10

“Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o mistério de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos”(Ap 10.7).

Iremos ver muitos textos, portanto precisamos ficar atentos. Algumas vezes a palavra mistério aparece no plural, como nos Evangelhos. Mas, na maioria dos textos iremos encontrar a palavra mistério no singular.

Para efeito de uma ordem didática vamos ver primeiro essa palavra no singular. Apocalipse 10.7 está falando então de um mistério, e é chamado aqui de mistério de Deus. Você vai ver que esse versículo lança uma luz bem geral. Fala sobre um mistério muito amplo. Tem a ver com Deus mesmo, o que Ele é, e com o plano Dele. O que Ele sempre quis fazer desde a eternidade no Seu coração. Deus e o Seu plano. Esse é o mistério de Deus. Então, vamos ver onde, na Palavra, encontramos isso. Que fique bem claro para nós. Quando o sétimo anjo tocar a trombeta se cumprirá o mistério de Deus, segundo Ele anunciou aos seus servos, os profetas. Aqui se refere em primeira mão aos profetas da Antiga Aliança. É o cumprimento de tudo aquilo que Ele falou no Velho Testamento. Tudo o que os profetas anunciaram vai se cumprir totalmente e integralmente quando? Quando o sétimo anjo tocar a sétima trombeta. Então nos perguntamos: o que é que vai acontecer quando esse sétimo anjo tocar essa sétima trombeta? O que é que significa isso? Vamos ver o versículo 15 do capítulo 11 de Apocalipse:

“E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre”.

É isto que Ap 10.7 chamou de o mistério ou segredo de Deus! O Reino do mundo se tornou do nosso Senhor e do seu Cristo. Creio que agora foi lançada mais luz para nós. Então, o que representa a sétima trombeta do sétimo anjo? Significa que quando o reino do mundo se tornar do nosso Senhor e do Seu Cristo, Ele reinará pelos séculos dos séculos. O claro contexto aqui está se referindo ao milênio. É a inauguração do milênio, o reinando de Cristo sobre a terra durante mil anos, quando os seus santos reinarão com Ele. O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo. Hoje isso é uma realidade prática, visível? Não! O Senhor é o único Rei. Ele reina sobre todos os reinos, todos os principados, todos os governadores. Mas o Seu reino ainda não é visível nessa terra. Nessa terra o Seu reino está apenas na Igreja, e ainda assim ele está em formação.

Nós estamos crescendo na graça e, quanto mais crescemos no conhecimento de Cristo, mais d’Ele é formado em nós, mais do reino de Deus está em nós, porque Cristo e o reino são a mesma coisa. O Reino é Ele; Ele é o Rei. Arrependei-vos porque está próximo o Reino. Foi assim que João Batista pregou.Ele foi o precursor do Rei. “Arrependei-vos porque está próximo o Reino”. Arrependei-vos porque está próximo o Rei. O Senhor Jesus é o Rei desse Reino. O Reino é o Seu caráter. Reinar é ser como Ele. O Reino é a Sua glória, é o que Ele é. O Reino não é uma distribuição de autoridades, de tronos. O Reino é uma questão de ser semelhante a Cristo. Isso é reinar. Então, o que é que está acontecendo aqui nesse momento? Esse reino está se tornando visível para todo mundo. Você crê nisso? Você crê nessa palavra? Você crê que quando o Senhor Jesus voltar Ele vai, com a espada da sua boca, destruir o governador mundial da época chamado “A besta”, ou anticristo? E também o seu companheiro religioso chamado “O falso profeta”?

Apocalipse 13 fala dessa besta que emerge do mar, o anticristo, o governador político, e a besta que emerge da terra, o príncipe religioso, o falso profeta, a tríade satânica: o anticristo e o falso profeta, energizados pessoalmente pelo diabo. Você vê essa tríade no Apocalipse? Apocalipse diz então que o nosso Senhor, na Sua segunda vinda, pessoalmente vai julgar o inimigo, o anticristo. Vai então aboli-lo, tirá-lo do caminho e estabelecer o Seu Reino nessa terra com os Seus vencedores. A Sua Igreja está sendo preparada para isso, para Reinar com Ele. A Igreja não é uma coisa qualquer. A Igreja é um sacerdócio real, uma nação santa, um povo de propriedade exclusiva de Deus. Quando é que isso tudo vai ser visível? Quando é que o Reino do mundo vai se tornar do Senhor e do Seu Cristo? Quando o sétimo anjo tocar a sétima trombeta. Sete é um número da Bíblia ligado à perfeição quanto ao tempo. A semana tem sete dias. Sete fala de perfeição temporal. Doze fala de perfeição eterna. Então, por que sete trombetas? Porque se trata do propósito de Deus relacionado ao tempo, à história.

Sendo assim, o Senhor Jesus vai voltar no tempo. Ele veio a primeira vez no tempo. Ele não veio no espaço sideral. Ele veio na Terra. Encarnou-se, Se fez homem, Ele participou do viver humano, ressuscitou como homem, e voltará como homem. E quando então Ele voltar, o reino do mundo se tornará do Seu Cristo. Ele vai reinar pessoalmente. O Cristo glorioso e os Seus santos, embaixadores, aqueles que seguiram o Cordeiro.

Então, o que é o cumprimento do mistério de Deus? O mistério de Deus será plenamente cumprido quando ficar claro para toda a criação que Cristo e a Igreja são um e que a glória de Cristo é expressa na Igreja, que Ele é o Rei eterno, e que aqueles que O amaram, que creram n’Ele, que O obedeceram, que O seguiram, reinarão com Ele. No capítulo 11 de Apocalipse isto não fica totalmente claro. Você só vê que o reino do mundo se torna do nosso Senhor. E Ele Reina. Aqui você vê algo relacionado especificamente a Cristo. Ele entra de novo na história. Ele volta. Ele tira o anticristo do caminho, o falso profeta. Ele estabelece o Seu Reino e Reina.

Sabendo que esse mistério está relacionado ao cumprimento das profecias do Antigo Testamento, observemos a estreita relação entre Ap 10 e 11 e Dn 7.

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído. O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.” (Dn 7.13,14,27)

“Foi-lhe dado domínio e glória”. A quem? “Vinha com as nuvens do céu um como Filho do Homem”. Você tem dúvida de quem é Este? Acho que não. É uma profecia referente a Cristo, o Filho do Homem, na Sua segunda vinda. “E dirigiu-se ao Ançião de Dias e o fizeram chegar até ele”. Foi-lhe dado – para Ele, Jesus Cristo, o Filho do Homem – domínio e glória e o Reino. Está vendo porque Apocalipse fala assim: segundo ele anunciou aos profetas? Daniel está falando do Reino. Isaías também falou do Reino. Foi-lhe dado auxílio do homem, Jesus nosso Senhor, domínio e glória e o Reino. Então, em Apocalipse 11, quando o sétimo anjo toca a trombeta, que voz se ouve? “O Reino do mundo se tornou do Senhor e do Seu Cristo”. É o que Daniel profetizou!

Em Apocalipse 11 está escrito assim: o Reino do mundo se tornou do Senhor e do seu Cristo. Em Daniel se diz: os povos, as nações, e homens de todas línguas. É a mesma coisa irmãos. Povos, homens, nações e línguas o servirão, pois o Seu domínio é eterno, não passará, e o Seu reino jamais será destruído. O Filho do Homem, o Senhor Jesus e o Seu Reino estabelecido nesse mundo conforme Daniel anunciou e João confirmou.

Todavia, sabemos que há duas formas de ver esse Mistério de Deus. Uma se refere a algo relacionado ao próprio Deus: Ele é Rei, Ele reinará. Mas o mistério não pára aí. O mistério tem outro braço, e esse se refere a nós. Vejam a beleza e a singularidade da palavra de Deus. Se no verso 14, está escrito: “... Foi-lhe...” - esse “lhe” é pessoal, é ao Filho do Homem, a Jesus Cristo, só a Ele - dado domínio, glória e Reino. O verso 27 faz referência a nós: “... serão dados ao povo dos santos do Altíssimo.” Agora não é ao Filho do Homem. Agora é ao povo, os santos do Altíssimo. Quem são eles? A Igreja. Claro! Aqueles que o Altíssimo separou para Si. Para reinar em Seu Reino. O reino desse povo, o reino da Igreja, o seu reino será reino eterno. Esse reino é o Reino de Cristo.

Como se confundem essas duas coisas! Que verdade tremenda! Que coisa é a Palavra de Deus! Como é que Daniel pode falar disso muito antes do Verbo ter-Se feito carne?! Como é que Daniel pode falar da Igreja muito antes dela existir?! Como é que Daniel pode falar desse Reino futuro, dois mil e quinhentos anos antes dele acontecer, já que nós cremos que estamos às portas dele?! Daniel falou do Reino que vai ser dado ao Filho do Homem e do Reino que vai ser dado ao povo, dos santos do Altíssimo. Daniel falou de Cristo e da Igreja, esse grande mistério de Deus. Por isso é que o Senhor em Apocalipse nos diz que quando o sétimo anjo tocar a trombeta cumprir-se-á o Mistério de Deus. Qual é o Mistério de Deus? Cristo e a Igreja. Tão claro. O Reino será dado ao povo, os santos do altíssimo “... e todos os domínios o servirão...”. Esse “o” está se referindo a quem? Aos santos, à Igreja. Lembra que Paulo diz assim para os Romanos: Em breve o Deus da paz esmagará Satanás debaixo dos vossos pés!! Lembra? Em 1 Co 15, glorioso capítulo da ressurreição, nos é revelado que a morte é o último inimigo a ser destruído; e que importa que o nosso Senhor Reine até que Ele haja posto todos os inimigos debaixo do estrado dos Seus pés? Quem são os Seus pés? A Igreja! A Igreja são os pés de Cristo, o Seu mover nessa terra.

Então irmãos, Ele não só destruiu o diabo pessoalmente, mas Ele irá envergonhar o diabo debaixo dos pés da Igreja. Você crê nisso? Está escrito em Efésios: “pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornará conhecida, dos principados e potestades nos lugares celestiais”. Você vê qual é a minha e a sua posição? Será que nós podemos viver para um propósito menor do que esse? Isso toca profundamente a sua e a minha vida. Você vive para quê? Você faz parte desse povo do santos do Altíssimo, que foi chamado para reinar. Você faz parte desse povo que vai exercer esse governo, como é dito aqui no final do verso 27. Aqueles que tiverem desenvolvido com o Senhor essa vida madura poderão ser uma expressão no governo de Cristo. Terão autoridade distribuída pelo próprio Senhor.

Isso é tão claro nas parábolas que Jesus falou. Esse propósito sempre existiu no coração do Senhor. Ele reinará pessoalmente e através dos Seus santos. Nós fomos chamados para isso irmãos. Não podemos desfigurar o propósito de Deus. Por isso falamos do oitavo alicerce. O Supremo Propósito de Deus. Se você perder o supremo, vai ficar com os menores. Qual é o propósito de Deus? O propósito de Deus é que sejamos maridos, tenhamos a nossa família, tenhamos uma profissão, que sirvamos bem naquela função. Tudo isso faz parte do propósito. Foi Ele quem nos criou como homem ou como mulher, que nos deu ser pai ou mãe, patrão ou empregado, ser um irmão na vida da Igreja. Foi Ele que deu tudo isso. Isso são partes do propósito, mas não é o SUPREMO PROPÓSITO. Ele nos chamou para fazer parte de um Corpo, o Corpo do Seu próprio Filho, para conhecer o Seu Filho e prosseguir em conhecê-Lo de tal forma que o caráter do Seu Filho seja formado em nós, e possamos reinar com Ele; expressar a glória do Seu Filho, a autoridade do Seu Filho, o governo do Seu Filho, pelos séculos dos séculos. Então, quando lemos Apocalipse, vemos com mais clareza. O sétimo anjo tocando a sétima trombeta e tudo que todos os profetas falaram, profetizaram, anunciaram vai se cumprir completamente. Cumprir-se-á o mistério de Deus. Qual? Cristo e a Igreja! Revelando então essa glória, esse reino, essa majestade. Cristo formado na Igreja.

Esse assunto tem tanto conteúdo que se os irmãos examinarem irão ficar impressionados. É preciso ganhar uma base sólida nesse primeiro mistério para depois compreender os outros com mais clareza, porque na verdade os outros são uma conseqüência. Mistério de Cristo, mistério da Igreja, mistério da vontade de Deus, mistério da sabedoria de Deus. Nós vamos olhar todos esses mistérios, e veremos que todos eles lançam pequenas luzes sobre esse mesmo foco, esse grande mistério de Deus, no singular: O mistério de Deus, Cristo e a Igreja em plena união. Cristo e a Igreja em plena glória. Cristo formado na Igreja. A Igreja expressando plenamente Cristo; o governo de Cristo, o caráter de Cristo, a autoridade de Cristo. Esse é o Mistério de Deus, já revelado. Não tem nenhum segredo nisso. Não é um mistério esotérico, não é um mistério filosófico. É um mistério rasgado e aberto para nós. Está bem claro na Palavra. Claro para os santos e não para o mundo. Claro para nós.

Estas verdades essenciais são propriedade da Igreja! Você já pensou que o seu vizinho, em casa, no trabalho, o seu colega de profissão, não tem a menor idéia de tudo o que está acontecendo? Você já pensou nisso? Que alguém do seu lado pode ser completamente ignorante quanto a este assunto? Ser tomado de surpresa Naquele Dia? Isso não gera temor em você? Isso não gera gratidão no seu coração? O Senhor ter mostrado isso a você, um miserável pecador e nada mais do que isso?! Ser incluído nesse imenso e Supremo Propósito deveria gerar gratidão, reverência, temor, adoração nos nossos corações.

Vou mostrar mais um pouco sobre esse Mistério de Deus, no singular. Abramos a Bíblia em 2 Ts 1.4,5:

“... a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais, sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo; ...” Que belo texto!

Paulo está falando das Igrejas de Deus. Ele está dizendo que as tribulações e perseguições não é nada de extraordinário. É um sinal do juízo de Deus para que sejamos considerados dignos – este é o propósito. Idôneos do que? Do Reino! Do Reino de Deus, pelo qual conhecemos que estamos sofrendo. Estão vendo por que os cristãos sofrem? Para que sejamos considerados dignos do Reino de Deus. “Dignos” tem o sentido de não merecedor. Não podemos confundir as coisas. Nunca iremos merecer nada. Jesus Cristo fez tudo por nós. Digno não é merecedor. Digno é idôneo. Significa que o Reino de Deus tem um caráter, ou glória, e nós não temos nada. Na medida em que o Senhor vai trabalhando em nossas vidas, depois de nos colocar em Cristo, somos transformados e nos tornamos compatíveis; idôneos ao Reino de Deus.

Paulo usa a palavra glória. Essa palavra fala tudo. Tornado idôneo a essa glória do Reino de Deus.

“... se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder,...”2Ts 1.6,7


Quando do céu se manifestar, o Senhor Jesus com os anjos no Seu poder, será a única hora em que o cristão deverá verdadeiramente esperar alívio. Até lá, não. Se nós somos seguidores de Cristo, o nosso alívio é vindouro. Até que o Senhor Jesus venha, como Pedro diz na sua epístola: “Nós cristãos devemos ter uma mente disposta a sofrer, disposta às injúrias, disposta às incompreensões”. Não pense que o Senhor Jesus usa pessoas que tem lombos inteiros, porque um lombo inteiro é muito bonito. Tem muito brilho, mas não serve para o Senhor. O Senhor usa lombos rasgados. O Salmista diz assim:

“Sobre o meu dorso lavraram os aradores; nele abriram longos sulcos” (Sl 129:3)

Nós precisamos passar pelo arado de Deus, pelo trabalho da cruz, pelo trabalho da Palavra de Deus, para que sejamos úteis, dignos, ou idôneos. Não é merecedor. É idôneo. É compatível com a beleza d’Ele, com a glória d’Ele. Agora entendemos bem esse texto? Para este propósito estamos sofrendo. Mas vamos ter alívio. Quando? Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus. Que maravilha irmãos! Essa é a nossa viva esperança, é um tremendo foco na nossa pregação evangélica.

As pessoas resumiram todo o “evangelho” hoje. Porque isso não é Evangelho. Isso é uma coisa monstruosa que está sendo pregado. Resumiram toda a esperança do Evangelho no “já”, no “aqui”, no “agora”. O que Deus quer? Deus é o bondoso Pai. “Ele e o papai Noel são a mesma coisa”! O que é que o papai Noel quer? Ele quer dar presentes. Quer te enriquecer, te fazer feliz. Não é verdade? Cheio de saúde e de prosperidade. Papai Noel celestial! Mas não é isso que Paulo está falando em Tessalonicenses nem em lugar nenhum. Nem Paulo, nem Pedro, nem João, nem ninguém. Não existe isso na Bíblia. Isso é um evangelho espúrio. Paulo está falando em sofrer perseguições, tribulações, e isso é um sinal evidente de juízo. Deus está julgando. O que Pedro fala? O juízo há de começar por onde irmão? Pela Casa de Deus. Não é pelo mundo. O mundo vai ser julgado quando o Senhor se revelar visivelmente.

A Igreja está sendo julgada já, agora. O juízo há de começar pela casa de Deus. E Pedro fala assim: se há de vir por nós irmãos, que tenhamos temor, porque somos o povo de Deus, comprado pelo sangue de Cristo, um povo que não tem mais condenação; e quando for julgar o mundo, o que é que o mundo vai falar? Um mundo que não creu Nele, que não obedece a Ele. Esse é o argumento de Pedro em sua primeira carta, no capítulo 4. E é o mesmo de Paulo aqui. Paulo diz: irmão fique firme. É o juízo de Deus sobre a Sua Casa. Que sejamos considerados idôneos no Reino, porque Reino virá. E o que vai acontecer quando esse reino vier? Vamos encontrar alívio, graças a Deus. Não haverá nem pranto, nem luto, nem dor, as primeiras coisas passaram, nós teremos um corpo glorioso, nós iremos ver o nosso querido Senhor face a face. Nós seremos como Ele. Quando Ele se manifestar seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-Lo como Ele é.

Irmão, na sua fé, no seu Evangelho, esse elemento de esperança é vivo como Pedro disse? Ele nos regenerou para uma viva esperança, ou toda a sua esperança é aqui e agora? Como é o seu Evangelho? É Bíblico? Você tem uma mente disposta às incompreensões, às injúrias, às necessidades, às tribulações, aos sofrimentos? Ou você acha que isso aí é um fogo estranho, algo extraordinário que não deveria estar acontecendo com você, porque você foi criado para se feliz? É assim o seu Evangelho? Se é assim, não é bíblico.

Vamos ler mais um texto:

“... e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, 8 em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus.” 2 Ts 1:7,8

Que dia será esse? Não é dia de graça. É dia de fogo, dia de dor, dia de terror, dia de pânico. Os profetas falaram isso. Oséias falou, Joel falou, Amós falou: Terrível é o dia do Senhor. É dia de vingança. Esse é o dia do Senhor para o mundo, mas não para a Igreja. Para a Igreja não é terrível. Muito pelo contrário, deve ser um dia almejado, porque nós já confessamos Cristo como Senhor das nossas vidas. Então esse dia é o dia das bodas para nós, a Sua Igreja. Bodas para a Igreja, juízo para o mundo. Não é? Que separação!!

Você conhece a Deus? Em Cristo Jesus? Já se rendeu a Ele? Então esse dia não é de vingança para você. Se você não O conhece, não professou o nome de Cristo, não se rendeu a Ele, então você está debaixo da ira de Deus. E esse dia será o dia da vingança para você. Perceberam que obedecer e crer é a mesma coisa? Obedecer ao Evangelho é crer no Evangelho. É a mesma coisa! Os que não obedecerem sofrerão penalidade de eterna destruição. Serão banidos da face do Senhor. Que contraste!

Não precisava existir inferno. Sabe o que é o inferno? Não ver a face do Senhor. Esse é o inferno. A face do Senhor é o céu. Se o Senhor não estivesse no céu, o céu seria nada. Um vazio. É como uma casa sem morador.

Nós, como Igreja, fomos chamados a esse mistério de Deus; ser unidos a Ele mesmo, à pessoa de Cristo, Seu filho, e eternamente contemplar a Sua face e a Sua glória. Assim, seremos transformados de glória em glória na mesma imagem, como Paulo disse aos Coríntios. Vêem quantos textos lançam luz no mesmo assunto? Eles são quase que infindáveis. Podemos ver isso em Romanos, em Coríntios, em Efésios, em Colossenses, em Hebreus, em Tito, em quase todas as epístolas. A mesma verdade, colocadas em ângulos diferentes, de formas diferentes; a mesma gloriosa verdade, o mesmo mistério de Deus, Cristo e a Igreja.

Vamos continuar em 2Ts1:

“Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram , naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho). Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé, a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo”. 2Ts 1:9,10,12


Quando o nosso Senhor Jesus vir, o que é que vai acontecer? O texto acima nos revela que Ele virá para ser glorificado. Mas onde Ele será glorificado? No céu? Nos anjos? Na sua criação? Que linda expressão! O nosso Senhor será glorificado nos seus santos, naqueles que crêem, que O obedecem, que O amam, que O seguem. Todavia, Ele não apenas será glorificado, mas será admirado. As pessoas olharão para Cristo com aquele espanto, aquela admiração. Ele é o Senhor da glória! E onde Ele vai ser visto? Na Igreja! Isto não significa que Ele não será visto pessoalmente. Tomemos cuidado. Cristo tem um corpo glorificado. Ele é uma Pessoa glorificada, vai reinar e será visto assim. Mas paralelamente, a Igreja que é o Seu corpo, manifestará a glória Dele. Não é a glória dela, como a lua. A lua não tem glória, não tem luz própria. Ela reflete a glória do sol, como por um espelho, como diz Paulo aos Coríntios. Como por espelho, contemplando a glória do Senhor, nós refletimos a mesma glória de glória em glória. Isso é tão claro!

“... naquele dia...”

Qual é esse dia? É o dia do retorno do Senhor, o dia de Apocalipse. Quando o sétimo anjo tocar a trombeta, há de se cumprir o mistério de Deus. O texto de 2Ts 1:10-12 coloca luz sobre Ap 10:7. É o mistério de Deus com outras palavras. O mistério de Deus é Ele glorificado nos seus santos. O mistério de Deus é Ele admirado em todos os que creram naquele dia. Por isso, também não cessamos de orar. Que equilíbrio! Paulo não era um vidente. Paulo foi um profeta. Então quando ele vê com clareza o propósito de Deus, o que é que ele fez? Orou. Ele orou. Ele intercedeu; se pôs de joelhos, e orou a suprema vontade de Deus.

“... não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito...”

Dignos, significa compatíveis, idôneos. Dignos da sua vocação. Qual vocação? A glória. Sermos semelhantes a Cristo, expressar a sua glória.

Este é um texto claríssimo sobre o Supremo Propósito que em Apocalipse é chamado de mistério de Deus; aqui tão claramente revelado. Esse Supremo Propósito é chamado de bondade. Eu neles e tu em mim. Eu em vós, vós em Mim, foi o que Ele falou para os Seus discípulos. Isso é uma verdade agora? Sim, mas não é uma verdade plena. Por quê? Porque o Senhor já habita no nosso espírito, pelo Seu Espírito Santo, mas Ele está tornando a nossa alma semelhante a Ele, trabalhando essa mente decaída, confusa, complicada, preconceituosa, obstinada que nós temos.

“Transformai-vos pela renovação da vossa mente...”; Rm 12:2

“... segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo” 2Ts1:12

Ele está quebrando essa vontade rebelde, dura e fazendo a nossa vontade amar a vontade de Deus, se render à vontade de Deus. Um espírito voluntário implica em querer os princípios de Deus, a palavra de Deus; implica em amá-Lo, obedecê-Lo. Ele está trabalhando as nossas emoções complicadas, confusas e aborrecidas. Ele vai continuar esse processo até que esse corpo também seja transformado. Até que o mortal seja absorvido pela vida. O corruptível se revista de incorruptibilidade. Então se cumprirá o mistério de Deus. Paulo usa a palavra mistério também em 1Co 15. Ele diz:

“Eis que vos digo um mistério. Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos”

Posteriormente iremos ver em diversos versículos a palavra mistério lançando luz sobre “O Mistério” no singular, que é Cristo e a Igreja. Cristo formado na Igreja. A Igreja refletindo a glória de Cristo. Cristo reinando sobre a Igreja. A Igreja exercendo o governo de Cristo, expressando o Reino de Cristo. Esse é o mistério de Deus.

Que o Senhor nos ajude para que possamos caminhar um pouco mais examinando essas palavras. Se os irmãos quiserem adiantar, procurem na chave bíblica de Sua Bíblia, a palavra Mistério. Leia todos os versículos e vejam que maravilha. Leiam para que possamos compartilhar mais um pouco. Amém.

Romeu Bornelli
http://exaltandoosenhor-estudo.blogspot.com/2009/01/3-mistrio.htmp
A DEUS,toda a Honra e Glória.

FORTALECIDOS NO SENHOR.

"Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder".

Ef 6.10


Fortalecidos pela Palavra de Deus

Alguma vez vocês já fizeram a si mesmos a pergunta: porque Deus nos deu a Bíblia? Esta é a resposta. Foi-nos dada para fortalecer-nos, para edificar-nos em nossa fé santíssima. Obviamente, pois, quanto mais partilharmos dela, mais fortes seremos. Se quisermos fortalecer-nos "no Senhor e na força do seu poder", uma das primeira coisas que temos de fazer é ler, mastigar e assimilar completamente este Livro.

Ora, isso não significa apenas ler apressadamente a sua porção diária e sair correndo para apanhar o seu trem. Isso não é realmente tomar a Bíblia como alimento. Creio firmemente na leitura sistemática da Bíblia. Há os que desperdiçam muito tempo abrindo a Bíblia ao acaso ou lendo passagens favoritas. Não há nada melhor do que ser um leitor sistemático da Bíblia e assegurar-se de passar pela Bíblia toda ao menos uma vez por ano. Contudo o diabo pode fazer disso uma armadilha. Você pode ter a sua porção diária impressa nem cartão, e o perigo está em você preocupar-se mais com a leitura da sua porção diária do que com o que você está lendo. E isso não lhe servirá de ajuda. Você pode ler por alto os versículos e deslizar sobre eles de tal maneira que bem poderia estar lendo um romance. Você pode ter lido a sua porção diária, mas captou a verdade? Realmente a assimilou? Todavia você não pode engolir sem mastigar este alimento. Você tem que mascá-lo e mastigá-lo, de modo que seja digerido completamente e venha a fazer parte da sua constituição e edificá-lo. A Bíblia nos dá conhecimento, e o conhecimento nos edifica. O verdadeiro entendimento, o verdadeiro conhecimento, é algo que nos fortalece, nos edifica e nos firma na fé.

As Escrituras se nos recomendam da seguinte maneira: vejam o Antigo Testamento, por exemplo. Há muitos que insensatamente dizem que não vale a pena ler o Antigo Testamento. "Ah", dizem eles, "isso está terminado para nós, estamos no Novo Testamento. A história judaica do antigo Testamento é muito interessante a seu modo, mas não tem nada para oferecer-nos a nós, cristãos". Não é o que o Novo Testamento diz a respeito do Antigo. O Apóstolo Paulo, por exemplo, em 1 Co 10:6, refere-se a uma parte da história do Antigo Testamento. Ele nos lembra que os filhos de Israel foram tirados do Egito sob a liderança de Moisés, e que eles passaram pelo Mar Vermelho. "E", diz ele, "estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram". Noutras palavras, vocês podem aprender muito dos filhos de Israel no Antigo Testamento. O versículo 11 acrescenta: "ora tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos". Colocado diferente, aí está um homem do tempo do Novo Testamento confrontado pelo diabo e suas artimanhas, e pelos principados e potestades. Como se deve fortalecer? Um modo muito bom, diz o Novo Testamento, é ler o Antigo Testamento. Não exclusivamente, é claro. Leiam o Novo Testamento também, porém, certamente, leiam o Antigo Testamento, porque ali vocês verão algumas admoestações maravilhosas. Os filhos de Israel eram o povo de Deus; mas vejam a história deles. Vejam o seu comportamento vergonhoso e as derrotas a que foram submetidos. A vergonha lhes sobreveio porque eles não se lembravam de que eram filhos de Deus. Começaram a por a sua confiança em si mesmos, em seus exércitos, em seu poder. Fizeram aliança com o Egito e com a Assíria, e foram derrotados; simplesmente porque foram tolos; não se aperceberam de quem eles eram e não confiaram na força do poder do Senhor. Leiam a história deles, diz o Novo Testamento; foi escrita para nossa aprendizagem. Não cometam os mesmos erros que eles cometeram; olhem para eles, e estejam advertidos.

Portanto, quando você lê o antigo Testamento, é advertido desta maneira justamente contra este perigo. Quando você vê outros que se extraviaram, você é fortalecido. É um argumento óbvio, não é? O homem sábio sempre aprende com os erros dos outros que estão no mesmo ramo, seja este qual for. Ele vê um homem marchando para a desgraça, e pergunta: "Bem, que foi que esse homem fez que não devia ter feito? Onde errou? Que engano cometeu? Ah", diz ele, "foi neste ou naquele ponto. Muito bem, vou estar vigilante naquele ponto". Pois bem, isso é sabedoria. Esse é precisamente o argumento utilizado aqui: "Estas coisas são exemplos para nós".

Ou, veja ainda romanos 15:4 "porque tudo o que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança". Foi por isso que a Igreja Primitiva decidiu incorporar o antigo Testamento em seus novos documentos. O mesmo Deus, falando em ambos Testamentos; o mesmo povo de Deus é o assunto do registro de ambos. Podemos aprender do Antigo Testamento, e aprender tremendamente. Portanto, façamos uso dele, tratemos de lê-lo, de assimilá-lo; ele nos fará fortes. À medida que vemos as admoestações e os perigos, nós nos fortalecemos, pômo-nos em guarda, ficamos prontos a bancar homens. Trabalhemos as suas lições aplicando-as a nós mesmos.

Chegando ao Novo Testamento, as lições são ainda mais óbvias. Por que foram escritas estas Epístolas do Novo Testamento? Foram escritas para alimentar os crentes que estavam sujeitos a errar apesar de crerem em Cristo. Muitos estavam errando na doutrina, e porque erravam na doutrina, erravam em suas vidas. "As más conversações, corrompem os bons costumes"(1 Co 15:33). No momento em que um homem começa a brincar com a doutrina e andar no erro, é certo que toda a sua vida irá na mesma direção. É isso que estamos testemunhando na Igreja e no mundo hoje. Primeiro a Igreja erra na doutrina; depois erra no seu viver. Sempre acontece dessa maneira.

No Igreja Primitiva havia muitos crentes que se afligiam e se alarmavam, pelo que os homens de Deus foram movidos pelo Espírito de Deus para escreverem cartas a eles a fim de fortalecê-los, alimentá-los, dar-lhes entendimento. É só quando temos entendimento que podemos combater. Se você entra na vida cristã pensando que tudo o que tem que fazer é tomar uma decisão e dizer que vai ser cristão; se você supõe que nunca mais vai Ter problemas e dificuldades, que estará sempre reclinado no leito da serenidade, e que será levado para o céu sem fazer nada - se você adere à fé com essas idéias e pensa que isso é cristianismo, não demorará a tornar-se desditoso e infeliz. Ver-se-á fracassando, verá todas as coisas irem mal com você; terá todo tipo de dificuldade e começará a perguntar se há mesmo algo no cristianismo. Muitos entraram nessa experiência.

A resposta é conhecer o Novo Testamento, conhecer a verdade acerca da vida cristã, compreender que "todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições". Paulo teve que dizer essa verdade a Timóteo repetidas vezes. Timóteo queixava-se porque era perseguido e havia gente que não estava sendo bondosa com ele e que lhe estava fazendo coisas desagradáveis. Ele temia e tremia, indagando o que o futuro teria reservado para ele. E Paulo teve que dizer-lhe: "Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições". É inevitável. Foi o que coube ao Mestre, e Ele exortava os Seus seguidores a esperarem o mesmo tratamento. "Se chamaram Belzebu ao pai da família, quanto mais aos seus domésticos?" (Mt 10:25).

Também nós precisamos ouvir essas coisas. Sendo preparado dessa maneira pelo ensino, quando me chegar a provação eu não tremerei nem me porei a correr; ficarei firme e direi: "Resisto como homem de Deus. Esta é uma prova da minha vocação. Estou sofrendo perseguição porque sou filho de Deus. Muito bem, estou pronto a resistir". Igualmente com todos os outros astutos ataques que nos sobrevenham em conseqüência das artimanhas do diabo.

Cada Epístola do Novo Testamento foi escrita para que sejamos fortalecidos para o combate. Quanto mais conhecermos, mais capazes e mais fortes seremos. Por outro lado, o ensino que lhe diz que você não tem de fazer nada, senão deixar tudo com o Senhor, está realmente dizendo que todas estas Epístolas são totalmente desnecessárias. Mas o Novo Testamento afirma que elas são essenciais. Afirma também que são necessários diferentes tipos de ensino em diferentes estágios da experiência. "Com leite vos criei", diz Paulo aos coríntios, "e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tão pouco ainda agora podeis" (1 Co 3:2). Sejam quais forem as suas condições e o seu estado neste momento, há o alimento e a bebida apropriada para você na Palavra. Se você é um bebê recém-nascido em Cristo, há o "leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo"(1 Pe 2:2). Esse é o propósito de todas as Escrituras. Há leite para bebê; porém há alimento forte, ao "sólido mantimento" (Hb 5:12). Sejam quais forem as suas condições espirituais, você precisa do alimento adequado. Você vive de leite enquanto é bebê, mas não vai passar o resto da vida vivendo de leite. Você passa a Ter "sólido mantimento". Na esfera física há diferentes tipos e graus de alimento. E é exatamente a mesma coisa na vida cristã. Temos que ir adiante e ficar cada vez mais fortes, até chegarmos à vida adulta. Por isso João divide a Igreja em "filhinhos", "jovens" e "pais" (1 Jo 2:13-14) - diferentes graus, de acordo com a maneira pela qual eles cresceram e se desenvolveram.


Fortalecidos pela Oração

Também devemos considerar a oração. A oração não é senão outro modo de receber sustento, força, vigor e poder. A oração não é só feita de petições; a oração é, primariamente, amizade e comunhão com Deus. Cristo diz: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" (Ap 3:20). Não é uma declaração evangelística, é dirigida à Igreja, aos cristãos autênticos. Ele se dispõe a entrar e cear conosco. É esse o significado da oração. Não é apenas elevar as nossas petições e fazer os nossos pedidos a Deus. Significa abrir a porta, Cristo entra, toma assento no outro lado da mesa e fala com você durante a refeição. Amizade e comunhão! E quando você conversa com Ele e com Ele ceia, você recebe dEle força e poder. Você Lhe faz pedidos, e Ele fala com você sobre Ele e sobre o Seus interessa por você e sobre como Ele cuida de você. Oração é comunhão, é Ter comunhão, é manter uma conversação com Deus o Pai, Deus os Filho e Deus o Espírito Santo. É assim que a gente se fortalece.

Ao maios santos sempre foram homens de oração, e passavam muito tempo em oração. Os crentes do Novo Testamento, quando em dificuldade, sempre buscavam a Deus em oração. E quando oravam não começavam falando da sua dificuldade; começavam adorando, prestando culto e louvando a Deus. Sempre começavam apercebendo-se da Sua presença e tomando consciência da Sua presença. Um dos maiores homens de oração do século passado foi o piedoso George Muller, de Bristol. Era experimentado na oração; e ele ensinava que a primeira coisa que se deve fazer na oração é dar-se conta da presença de Deus. Você não deve começar falando imediatamente. Você pode proferir muitas frases, mas será melhor não fazê-lo se não tiver se apercebido da presença de Deus. É preciso haver amizade, esta comunhão, esta conversação. E a percepção de que você está em Sua presença é infinitamente mais importante do que qualquer coisa que você possa dizer. Quando a temos, enchemo-nos de energia e poder.

Outra vez é óbvia a analogia humana. Quando você está na presença de uma pessoa piedosa, sempre você se sente melhor, você se sente mais forte. Multiplique isso pelo infinito e verá que a percepção da presença do Deus Triúno é a maior fonte possível de poder, vigor e energia.


Fortalecidos pelos Sacramentos

Por último, lembremo-nos das ordenanças - o Batismo e a Ceia do Senhor - em particular a Segunda. O objetivo da Ceia do Senhor é fortalecer-nos, dar-nos vigor, energia e vida. "Tomamos de Cristo". De novo precisamos lembrar-nos de evitar o erro no qual caíram os judeus que se ofenderam com as palavras do nosso Senhor e que as interpretaram carnalmente, e não espiritualmente. Não cremos na transubstanciação, não acreditamos em nenhuma mágica desse tipo. Não, na Ceia há um "tomar" espiritual do Senhor. Ele escolheu esta analogia simples, e ela nos ajuda muito. Os homens comem pão e vinho, e isso é uma figura da maneira pela qual "tomamos dEle". Não somente recordamos Sua morte. Começamos com isso; mas também nos lembramos de que Ele ressuscitou e de que Ele é a Cabeça da Igreja, que nos dá vida e poder. "Tomamos dEle". "Tomamos de Ti, Pão vivo". Alimentamo-nos de Cristo, participamos dEle, e nos lembramos de que Ele é a nossa vida, o nosso vigor, a nossa energia, tudo para nós. Ele nos fortalecerá, nos habilitará a voltarmos à peleja e a lutarmos como homens. Aqui vemos a razão para participarmos da Ceia do Senhor. Não há nada nela que, num sentido, você não receba da Palavra pregada, entretanto é um outro meio para recebê-la. Ele designou a pregação da Palavra, ele designou também esta ordenança - o partir do pão e o beber do vinho. E deste modo participamos dEle. Alimentamo-nos com o Pão da vida. Ele é o maná celestial, é o alimento de Deus para a alma, e tomamos dEle. E saímos da participação da Ceia com novo poder, novo vigor, fortalecidos "no Senhor e na força do Seu poder". Deus faz abundante provisão para nós, e é nosso dever participar abundantemente daquilo que Ele providenciou. É desse modo que nos fortalecemos "no Senhor e na força do Seu poder".

Nota: Extraído de "O Soldado Cristão - Exposição sobre Efésios 6:10-20" - Editora PES.
David Martyn Lloyd-Jones.
http://exaltandoosenhor-estudo.blogspot.com/
A DEUS,toda a Honra e Glória.

A CRUZ E A VIDA DA ALMA.

"Deus, o nosso Viticultor, trata da nossa alma através da Cruz".
Deus, por meio da Cruz de Cristo, fez plena provisão para a nossa redenção, mas não Se deteve aí. Nessa Cruz, Ele também assegurou, além de toda a possibilidade de fracasso, aquele plano eterno de que Paulo fala como sendo, desde todos os tempos, "oculto em Deus, que criou todas as coisas". Proclamou esse plano "para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Ef 3.9-11).

Já dissemos que a obra da Cruz tem duas conseqüências que dizem respeito diretamente à realização daquele propósito em nós. Por um lado, resultou na Sua vida ser liberada a fim de ser concedida a nós, para que possa manifestar-se e expressar-se em nós por meio do Espírito Santo, que em nós habita. Por outro lado, possibilitou aquilo que chamamos "tomar a Cruz", isto é, a nossa cooperação na operação interior e diária da Sua morte, por meio da qual se cria em nós a possibilidade daquela nova vida se manifestar, fazendo com que o "homem natural" volte progressivamente ao seu devido lugar de sujeição ao Espírito Santo. Evidentemente, estes são os aspectos positivo e negativo da mesma coisa.

De modo igualmente claro, estamos tocando no âmago do assunto de se progredir na vida vivida para Deus. Nas nossas considerações feitas até aqui, no tocante à vida cristã, ressaltamos principalmente a crise de acesso a ela. Agora a nossa atenção se dedica mais definitivamente ao andar do discípulo, tendo especialmente em vista a sua preparação como servo de Deus. Foi a respeito dele que o Senhor Jesus Cristo disse: "Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo" (Lc 14.27).

Assim, chegamos à altura de considerar o homem natural e o significado de "tomar a Cruz". Para compreender isto devemos voltar de novo ao Gênesis e considerar o que Deus queria originalmente que o homem tivesse, e como o Seu propósito foi frustrado. Com esta compreensão, teremos condições de descobrir os princípios que nos levarão de volta à harmonia com este propósito original.

A verdadeira natureza da Queda
Por mínima que seja a luz que possuímos sobre a natureza do plano de Deus, sempre a palavra "homem" nos virá à mente. Diremos com o salmista: "O que é o homem, para que Te lembres dele?" A Bíblia mostra claramente que o que Deus deseja acima de todas as coisas é um homem — um homem que seja segundo o Seu próprio coração.

Assim, Deus criou um homem. Em Gênesis 2.7, lemos que Adão foi criado uma alma vivente, com um espírito interior para comunicar-se com Deus, e com um corpo exterior para ter contato com o mundo material. (Passagens do Novo Testamento tais como I Ts 5.23 e Hb. 4.12 confirmam este caráter tríplice do ser humano). Por meio do seu espírito, Adão estava em contato com o mundo espiritual de Deus; por meio do corpo, ele estava em contato com o mundo físico das coisas materiais. Reunia em si mesmo estes dois aspectos do ato criador de Deus, tornando-se uma personalidade, uma entidade viva no mundo, movendo-se por si mesmo e tendo poderes de livre escolha. Visto assim, como um todo, achou-se constituído um ser com consciência e expressão próprias, "uma alma vivente".

Já vimos que Adão foi criado perfeito — queremos dizer com isto que não tinha imperfeições porque foi criado por Deus — mas ainda não tinha sido aperfeiçoado. Precisava de um toque final, porque Deus ainda não fizera tudo quanto tencionava fazer em Adão — pretendia fazer algo mais, mas agora isto estava em suspenso. Deus estava operando, ao criar o homem, para cumprir um propósito que ia além do próprio homem, porque tinha em vista usufruir de todos os Seus direitos no Universo, pela instrumentalidade do homem. Como, afinal, podia o homem ser instrumento de Deus nesta obra? Somente por meio de uma cooperação que resulta da viva comunhão com Deus. Deus queria ter na terra uma raça de homens que não somente participasse de um só sangue, como também da própria vida de Deus, raça essa que não somente derrotaria Satanás como também levaria a efeito tudo quanto Deus propusera no Seu coração.

Além disso, vemos que Adão foi criado com um espírito que lhe permitia ter comunhão com Deus, mas, como homem, ainda não estava, por assim dizer, com sua orientação final; tinha poderes de escolha e, se o desejasse, podia tomar o caminho oposto. O alvo de Deus para o homem era a "filiação", ou, em outras palavras, a expressão da Sua vida nos seres humanos. A Vida Divina estava representada no jardim pela árvore da vida, que produzia fruto passível de ser recebido e ingerido. Se Adão voluntariamente seguisse aquele caminho, escolhendo a dependência em Deus, e comesse da árvore da vida (representando a própria vida de Deus), receberia então aquela vida em união com Deus, que é a referida "filiação". Mas, ao invés disso, Adão se voltasse para a árvore do conhecimento do bem e do mal, ficaria, em resultado disso, "livre" para se desenvolver segundo os seus próprios recursos e desejos, separadamente de Deus. E, porque esta última escolha envolvia cumplicidade com Satanás, Adão perderia desta forma a possibilidade de atingir o alvo que Deus lhe designara.

A questão básica: a alma humana
Ora, sabemos a direção que Adão escolheu. Situado entre as duas árvores, submeteu-se a Satanás e tomou do fruto da árvore do conhecimento. Isto determinou o sentido do seu desenvolvimento. Desde então, podia comandar o conhecimento; ele "conhecia". Mas — e é esta a lição da questão — o fruto da árvore do conhecimento tornou o homem super desenvolvido quanto à sua alma. A emoção foi tocada, porque o fruto era agradável aos olhos, fazendo-o "desejar"; a mente, com o seu poder de raciocinar foi desenvolvida, porque ele foi "feito sábio", e a vontade foi fortalecida, de modo que, no futuro, ele poderia sempre decidir o caminho que quisesse seguir. Todo o fruto serviu à expansão e ao pleno desenvolvimento da alma, de modo que o homem era não somente uma alma vivente, mas também, doravante, o homem viveria pela alma. Não se trata meramente de o homem ter alma, senão que a alma, daquele dia em diante, com os seus poderes independentes de livre escolha, toma o lugar do espírito como o poder animador do homem.

Temos que distinguir entre duas coisas, quanto a isso, porque a diferença é da maior importância. Deus não Se opõe a termos uma alma como a que deu a Adão, pois é esta a Sua intenção; o que Ele Se propôs a fazer foi inverter alguma coisa. Há algo errado hoje no homem, que não é o fato de ter uma alma, e, sim, de viver pela alma. Foi esta situação que Satanás criou pela Queda. Ardilosamente levou o homem a seguir uma direção em que podia desenvolver a Sua alma de modo a derivar dela a sua própria vida.

Devemos, contudo, ser cuidadosos; o remédio não significa eliminar inteiramente a nossa alma. Não podemos fazê-lo. Quando a Cruz opera hoje realmente em nós, não nos tornamos inertes, insensatos, sem caráter. Não, ainda possuímos uma alma e, sempre que recebe­mos alguma coisa da parte de Deus, a alma será o instrumento, a faculdade em verdadeira sujeição a Ele, através do que a recebemos. A questão, porém, é: mantemo-nos dentro dos limites indicados por Deus? — dentro dos li­mites fixados por Ele no princípio, no Jardim — no que diz respeito à alma, ou estamos saindo fora desses limi­tes?

Deus agora está realizando a obra da poda, como Viticultor. Há nas nossas almas um desenvolvimento sem domínio e sem orientação, um crescimento inoportuno, que tem que ser verificado e submetido a tratamento.

Deus tem que cortar isso. De modo que há agora perante nós duas coisas, em relação às quais os nossos olhos devem ser abertos. Por um lado, Deus quer nos levar à posição de vivermos pela vida do Seu Filho. Por outro lado, Ele opera diretamente nos nossos corações, para desfazer aquela outra fonte de recursos naturais que é o resultado do fruto do conhecimento. Aprendemos cada dia estas duas lições: uma crescente manifestação da vida dEle, e uma verificação e uma entrega à morte daquela outra vida, a alma. Estes dois processos sempre estão em andamento, porque Deus procura em nós a vida plenamente desenvolvida do Seu Filho, para que Ele seja manifestado em nós, e, com este fim em vista, nos faz retroceder, quanto à alma, ao ponto de partida de Adão. Pelo que Paulo diz: "Porque nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal" (2 Co 4.11).

O que significa isto? Significa que não empreenderei nenhuma ação sem depender confiadamente de Deus. Não encontrei suficiência em mim mesmo. Não darei qualquer passo somente porque tenho o poder de fazê-lo. Mesmo que tenha em mim aquele poder herdado, não o usarei; não depositarei confiança em mim mesmo. Ao tomar o fruto, Adão ficou possuído de um poder inerente de agir, foi, porém, um poder que o colocava ao alcance de Satanás. Perdemos aquele poder de agir quando chegamos a conhecer o Senhor. O Senhor corta-o, e então percebemos que já não podemos agir segundo a nossa iniciativa própria. Temos que viver pela vida de Outro; temos que derivar tudo dEle.

Penso que todos nós conhecemos a nós mesmos, até certo ponto, mas muitas vezes não trememos verdadeiramente com receio de nós mesmos. Podemos dizer, como fórmula de cortesia para com Deus: "Se o Senhor não quiser, não posso fazê-lo", mas, na realidade, o nosso pensamento subconsciente é que, realmente, podemos fazê-lo muito bem por nós mesmos, mesmo se Deus não nos pedir para fazê-lo nem nos der o poder necessário para realizá-lo. Muitíssimas vezes temos sido levados a agir, a pensar, a decidir, a ter poder, separadamente dEle. Muitos de nós, cristãos, hoje, somos homens de alma superdesenvolvida. Ficamos demasiadamente grandes em nós mesmos. Adquirimos "grandes almas". Quando estamos nesta condição, a vida do Filho de Deus em nós fica restrita e quase posta fora de ação.

A energia natural na obra de Deus
A energia da alma está presente em todos nós. Todos os que têm sido ensinados pelo Senhor repudiam aquele princípio como princípio de vida. Recusam viver orientados por ele; não o deixarão reinar nem lhe permitirão tornar-se o poder impulsionador da obra de Deus. Aqueles, porém, que não têm sido ensinados por Deus, dependem dele; utilizam-no, consideram isto o poder.

Muitos de nós temos pensado da seguinte maneira: eis um homem dotado de uma natureza verdadeiramente encantadora, possuidor de um bom cérebro, esplêndidos poderes orientadores e um julgamento sábio. Dizemos, nos nossos corações: "Se este homem fosse cristão, de que valor seria para a Igreja! Se ele pertencesse ao Senhor, quanto representaria para a Sua causa!"

Mas, pensemos por um momento. De onde vem a boa natureza daquele homem? De onde provêm aqueles esplêndidos poderes orientadores e aquele bom juízo? Não vêm de novo nascimento, porque ele ainda não nasceu de novo. Sabemos que todos já nascemos na carne, e que necessitamos de um novo nascimento. O Senhor Jesus disse algo a este respeito em João 3.6: "O que é nascido da carne, é carne". Tudo o que não vem do novo nascimento, mas do meu nascimento natural, é carne, e apenas trará glória para o homem e não para Deus. Esta declaração não é muito agradável, mas é a verdade.

Mencionamos o poder da alma, a energia natural. O que é esta energia natural? É simplesmente o que eu posso fazer, o que eu sou em mim mesmo, o que eu tenho herdado em matéria de dons e recursos naturais. Nenhum de nós está isento do poder da alma e a nossa primeira necessidade é reconhecê-lo por aquilo que é.

Tomemos a mente humana como exemplo. Posso ter, por natureza, uma mente viva. Já a tinha antes do meu novo nascimento, como algo derivado do meu nascimento natural. Mas é aqui que reside o problema. Converto-me, nasço de novo, uma obra profunda é realizada no meu espírito, uma união essencial foi operada com o Pai dos espíritos. Daí em diante, há em mim duas coisas: tenho agora união com Deus, que foi estabelecida no meu espírito, mas, ao mesmo tempo, continuo a levar comigo alguma coisa que derivei do meu nascimento natural. Ora, o que vou fazer a respeito disso?

A tendência natural é esta: inicialmente, eu costumava usar a minha mente para esquadrinhar a história, os negócios, a química, as questões do mundo, a literatura, ou a poesia. Usava a minha mente viva para tirar o melhor proveito destes estudos. Mas agora, os meus desejos mudaram de maneira que, daqui em diante, emprego a mesma mente nas coisas de Deus. Portanto, mudei o assunto que ocupa o meu interesse, mas não mudei o meu método de agir. Aí está o problema total. Os meus interesses foram mudados de uma forma absoluta (e gra­ças a Deus por isso!) Mas agora eu emprego o mesmo poder para estudar Coríntios e Efésios que usava antes para me dedicar à história e à geografia. Mas esse poder não é de Deus, e Deus não permitirá isso. O problema, para muitos de nós, é que mudamos o canal para o qual as nossas energias se dirigem, mas não mudamos a fonte dessas energias.

Verificaremos que há muitas dessas coisas que transferimos para o serviço de Deus. Consideremos a questão da eloqüência. Há alguns homens que nascem oradores; podem apresentar um caso de forma realmente convin­cente. Depois, convertem-se e, sem inquirirmos qual a posição em que de fato se acham em relação às coisas espirituais, colocamo-los no púlpito, constituindo-os pregadores. Encorajamo-los a usar os seus poderes naturais na pregação e, de novo, o que se verifica? Urna mu­dança de assunto, o poder, porém, é o mesmo. Esquece­mo-nos de que, na questão dos recursos que possuímos para tratar das coisas de Deus, a questão não é de valor comparativo, mas de origem — de onde dimanam os recursos que usamos. O problema não está tanto no que fazemos, mas nos poderes que empregamos para fazê-lo. Pen­samos muito pouco a respeito da fonte da nossa energia, e pensamos demais no fim para que ela se dirige, esquecendo-nos de que, com Deus, os fins nunca justificam os meios.

O seguinte caso hipotético nos ajudará a demonstrar a verdade do nosso argumento. O Sr. A é um orador muito bom: pode falar fluentemente e com a maior con­vicção sobre qualquer assunto, mas, em questões práti­cas, é um homem de desempenho fraco. O Sr. B., pelo contrário, é um orador pobre; não consegue se expressar com clareza; por outro lado, é um esplêndido homem de ação, muito competente em todas as questões de ne­gócios. Ambos estes homens se convertem e ambos se tornam cristãos fervorosos. Suponhamos agora que cha­mo os dois e lhes peço que falem numa convenção, e que ambos aceitam.

O que acontecerá agora? Pedi a mesma coisa a ambos, mas, quem pensa você que vai orar mais intensamente? O Sr. B., certamente. Por quê? Porque ele não é bom orador. No que se refere à eloqüência, ele não tem recur­sos próprios de que dependa. Oraiá: "Senhor, se não me deres poder para fazer isto, não poderei fazê-lo". Eviden­temente, o Sr. A. também orará, mas talvez não o faça da mesma forma que o Sr. B., porque ele tem alguns re­cursos naturais em que pode confiar.

Agora, suponhamos que, em vez de lhes pedir para falar, peço aos dois que tomem conta das questões de ordem prática e material da convenção. O que acontece­rá? A posição será exatamente o reverso. Será agora o Sr. A, que se dedicará mais intensamente à oração, por­que ele sabe perfeitamente bem que não tem capacidade organizadora. O Sr. B., evidentemente, também orará, mas talvez sem a mesma qualidade de urgência porque, embora reconheça a sua necessidade do Senhor, ele não se acha tão consciente da sua necessidade em questões materiais como o Sr. A.

Você percebe a diferença entre os dons naturais e espirituais? Qualquer coisa que possamos fazer sem oração e sem uma dependência extrema de Deus, deverá certamente ser suspeitada como provindo daquela fonte de vida natural. Devemos compreender isto claramente. Evidentemente, isto não quer dizer que somente se deve indicar para um trabalho especial aqueles a quem falta o dom natural para fazê-lo. A questão é que, quer dotados ou não de dons naturais, devem conhecer o toque da Cruz, numa experiência de morte, sobre tudo o que é natural, e devem experimentar completa dependência do Deus da ressurreição. Às vezes estamos prontos a sentir inveja do dom muito notável do nosso próximo, sem reconhecer que se nós possuíssemos este dom, independentemente da operação da Cruz já descrita, o próprio dom poderia ser um empecilho àquilo que Deus quer mani­festar em nós.

Pouco depois da minha conversão, saí pregando nas aldeias. Recebera uma boa instrução e estava bem versado nas Escrituras, de modo que me considerava absolutamente capaz de instruir o povo nas aldeias, entre o qual havia um bom número de mulheres analfabetas. Mas, depois de algumas visitas, descobri que, apesar da sua ignorância, aquelas mulheres tinham um conhecimento íntimo do Senhor. Eu conhecia o Livro que elas liam com muita dificuldade; elas conheciam Aquele de Quem o livro fala. Eu tinha muito da carne; elas tinham muito do Espírito. Há tantos educadores cristãos hoje que ensinam outras pessoas como eu então o fazia: dependendo, em grande parte, do poder do seu equipamento carnal.

Não quero dizer que não podemos fazer uma série de coisas, porque na verdade podemos. Podemos fazer reu­niões e construir casas de oração, podemos ir aos confins da Terra e fundar missões, e pode parecer que damos fruto; mas lembremo-nos, a Palavra do Senhor diz: "Toda planta que o meu Pai celestial não plantou, será arrancada" (Mt 15.13). Deus é o único originador legítimo do Universo (Gn 1.1). Qualquer coisa elaborada por nós tem a sua origem na carne e nunca alcançará a esfera do Espírito, por mais fervorosamente que busquemos a bên­ção de Deus sobre ela. Pode durar anos e então podemos pensar que, fazendo ajustamentos aqui e ali, talvez possamos colocar essa iniciativa num plano melhor, mas não se pode fazer tal coisa.

A origem determina o destino, e o que originalmente foi "da carne", nunca se tornará espiritual, por mais que se procure aperfeiçoá-lo. Aquilo que é nascido da carne, é carne, e nunca será doutra forma. Qualquer coisa que contribui para a nossa "auto-suficiência" é "nada" na estimativa de Deus, e temos que aceitar essa estimativa e registrar que o seu valor é, realmente, nada. "A carne para nada aproveita". É apenas o que vem de cima que permanecerá.

Este não é um assunto que se aprende através da sua simples apresentação: só Deus pode nos fazer entender do que se trata, quando indica algo em nossas vidas, dizendo: "Isto é meramente natural, e sua origem é a velha criação, e não pode permanecer". Antes de Ele assim fazer, talvez concordemos com tal doutrina, sem, porém, a sentir em nossa vida. Podemos aprovar o ensino, e até mesmo ter prazer nele, sem, porém, chegar a realmente sentir repugnância por aquilo que somos em nós mesmos.

Chegará, porém, o dia em que Deus abrirá os nossos olhos. Encarando determinada circunstância, teremos que dizer, como resultado da revelação: "Isto é impuro, impuro mesmo; Senhor, agora é que percebo isto". A palavra "pureza" é uma palavra abençoada. Associo-a sempre com o Espírito. Pureza significa alguma coisa inteira­mente do Espírito. A impureza significa mistura. Quan­do Deus abre os nossos olhos e nos capacita a perceber que a vida natural é algo que Ele nunca pode usar na Sua obra, então verificamos que já não consideramos com prazer esta doutrina. Antes, nos aborrecemos a nós mesmos, pela impureza que há em nós; mas, quando se atinge esta posição, Deus começa o Seu trabalho de libertação."

A luz de Deus e o conhecimento
Evidentemente, se alguém não se propõe a servir ao Senhor de todo o coração, não sente necessidade de luz. É só quando alguém foi chamado por Deus e procura avançar com Ele que sente grande necessidade da luz.

Precisamos urgentemente de Luz, a fim de conhecermos a mente do Senhor, para distinguirmos entre as coisas do Espírito e as da alma; para saber o que é divino e o que é meramente do homem; para discernir o que é verdadeiramente celestial e o que é apenas terreno; para compreen­der a diferença entre o que é espiritual e o que é carnal; para saber se realmente estamos sendo guiados por Deus, ou se andamos pelos nossos próprios sentimentos, sentidos ou imaginações. Achamos que a luz é a coisa mais necessária na vida cristã, quando atingimos a posição em que desejamos seguir plenamente a Deus.

Nas minhas conversas com jovens irmãos e irmãs, há uma pergunta que surge repetidamente: "Como posso saber que estou andando no Espírito? "Como vou distinguir quais os impulsos dentro de mim, que são do Espírito Santo e quais os que provêm de mim mesmo"? Pa­rece que todos são unânimes nisso, embora alguns vão mais longe. Procuram olhar para dentro de si, a fim de diferenciar, discriminar, analisar e, ao fazê-lo, colocam-se a si mesmos numa escravidão mais profunda. Ora, esta é uma situação que realmente é perigosa na vida cristã, porque o conhecimento interior nunca se alcançará por meio dessa vereda árida do exame próprio.

A Palavra de Deus não nos manda examinar a nossa condição interior; esse caminho conduz apenas à incerteza, à vacilação e ao desespero. É certo que devemos ter o conhecimento de nós mesmos. Temos que conhecer o que se passa em nosso íntimo. Não queremos ter a alegria dos que não sabem a verdadeira situação perigosa, errando sem reconhecer o erro, exercendo a nossa von­tade própria e ainda pensando ser esta a vontade de Deus. Este conhecimento de nós mesmos, no entanto, não resulta de olharmos o nosso próprio íntimo; não vem como resultado da nossa análise dos nossos sentimentos e motivos e de tudo quanto se processa no nosso íntimo; não é assim que se descobre se estamos andando na car­ne ou no Espírito.

Há várias passagens nos Salmos que iluminam este assunto. A primeira é o Salmo 36.9: "Na tua luz, vere­mos a luz". Há duas luzes aqui. Há a "Tua luz", e, depois, quando entramos nesta luz, "veremos a luz".

Ora, estas duas luzes são diferentes. Podíamos dizer que a primeira é objetiva e a segunda subjetiva. A primeira luz é a luz que pertence a Deus, e que Ele derrama sobre nós; a segunda é o conhecimento comunicado por essa luz. "Na tua luz veremos a luz": conheceremos algu­ma coisa, seremos esclarecidos a respeito de algo, perce­beremos. Nunca chegaremos à posição de vermos clara­mente, por meio do exame auto-introspectivo ; só veremos quando há luz proveniente de Deus.

Penso que isto é muito simples. Se quisermos verificar se o nosso rosto está limpo, o que devemos fazer? Procuramos apalpá-lo, cuidadosamente, com as mãos? Evi­dentemente que não. Procuramos um espelho e trazemo-lo para a luz. À luz, tudo se torna claro. Nada vemos por meio das sensações ou da análise. Somente é possível nos ver mediante a manifestação da luz de Deus; uma vez que brilha a luz de Deus, já não é mais necessário perguntar se determinada coisa está certa ou errada, por­que já o sabemos.

Relembremo-nos do que diz o escritor de Salmo 139. 23: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração". Certamente não sou eu que me sondo a mim mesmo — Quem me sonda é Deus; é este o meio de iluminação. É Deus que Se manifesta e me sonda; não me cabe a mim sondar-me. Evidentemente, isso nunca significará que vou prosseguir cega e descuidadamente a respeito da minha verda­deira condição. Não é essa a idéia. A questão é que, por muito que o meu auto-exame possa revelar, a meu respeito, que eu necessito de correção, ele nunca poderá ir muito além da superfície. O verdadeiro conhecimento de mim mesmo não resulta de um auto-exame, mas do exame que Deus faz de mim.

Perguntar-se-á o que significa, na prática, entrar na luz? Como é que isto opera? Como é que vemos luz na Sua luz? Uma vez mais o salmista vem ajudar-nos; "A revelação das tuas palavras esclarece (dá luz); dá entendimento aos simples" (Salmo 119.30). Nas coisas espirituais, todos somos "simples". Dependemos de Deus pa­ra recebermos dEle, de forma muito especial, entendimento a respeito da nossa verdadeira natureza. É neste sentido que opera a Palavra de Deus. No Novo Testamen­to, a passagem que o declara, de forma mais acessível, se encontra na Epístola aos Hebreus: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há cria­tura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrá­rio, todas as cousas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos que prestar contas" (Hb 4. 12,13). Sim, é a Palavra de Deus, a penetrante Escritura da Verdade, que resolve as nossas perguntas. É ela que discerne os nossos motivos e revela se a sua verdadeira origem é alma ou o espírito.

Com isto, podemos partir para o aspecto prático das coisas. Muitos de nós, estou certo, vivemos honestamente diante de Deus. Temos feito progresso e não conhecemos qualquer coisa, em nós, que possa ser conside­rada muito errada. Então, um dia, à medida que prosse­guimos, deparamos com o cumprimento daquela palavra: "A revelação das tuas palavras esclarece". Deus usou algum dos Seus servos para nos confrontar com a Sua Palavra viva, e essa Palavra entrou em nós. Ou, talvez, nós mesmos temos esperado em Deus e, quer por meio das Escrituras memorizadas, quer pela leitura da Bíblia, a Sua Palavra vem a nós em poder. É então que vemos algo que nunca viramos antes. Ficamos convictos. Sabe­mos onde estamos errados e olhamos para cima e confes­samos: "Senhor, agora entendo. Há impurezas neste assunto. Há uma mistura. Como eu estava cego! E pensar que durante tantos anos estive errado, sem disso ter consciência!" A luz se manifesta, e nós vemos a luz. A luz de Deus nos leva a ver a luz a respeito de nós mesmos e, é princípio permanente que todo o conhecimento de nós mesmos nos sobrevém desta forma.

Talvez nem sempre sejam as Escrituras que operam isto. Alguns de nós temos conhecido santos que conheciam de perto o Senhor por termos orado ou conversado com eles, e, nesta intimidade, no meio da luz de Deus que deles se irradiava, chegamos a perceber algo que nunca tínhamos visto antes. Encontrei-me com uma destas pessoas, que agora está com o Senhor, e sempre penso nela como sendo uma cristã fervorosa. Mal entrava no quarto dela, ficava imediatamente cônscio da presença de Deus. Naqueles dias, era eu muito jovem, convertera-me havia dois anos, e tinha uma série de planos, de belos pensamentos, de esquemas, de projetos para o Senhor sancionar, inúmeras coisas que pensava que seria maravi­lhoso se chegassem a frutificar, e dirigi-me a ela para procurar persuadi-la de que deveria fazer isto ou aquilo.

Antes que pudesse abrir a boca, ela dizia apenas algu­mas palavras de modo absolutamente normal. A luz raiava! Sentia-me simplesmente envergonhado. O meu "fazer" era tão natural, tão cheio do homem! Alguma coisa acontecia. Era levado a uma posição em que podia dizer: "Senhor, a minha mente apenas se prende a atividades humanas. Mas eis aqui alguém que não está, de forma alguma, envolvida nelas". Ela apenas tinha um motivo, um desejo, e esse era Deus. Escrita na capa da sua Bíblia estavam estas palavras: "Senhor, não quero nada para mim". Sim, ela vivia apenas para Deus, e onde quer que encontremos um caso semelhante, verificaremos que essa pessoa está banhada em luz, e que essa luz ilumina os outros. Isto, realmente, é testemunhar.

A luz tem uma lei: brilha onde quer que seja admitida. Esta é a única condição. Nós temos a possibilidade de excluí-la de nós mesmos; ela nada mais teme senão a exclusão da nossa parte. Se nos mantivermos abertos para Deus, Ele nos revelará o nosso íntimo. O problema surge quando mantemos áreas fechadas e lugares cerrados e trancados em nossos corações, quando orgulhosamente pensamos que temos toda a razão. A nossa derrota não consiste em estarmos errados, mas em não sabermos que estamos errados. Estar errado pode ser questão de força natural; a ignorância de que se está errado é questão de luz. Podemos ver a força natural em outras pessoas, mas elas não podem vê-la em si mesmas. Como necessitamos de sermos sinceros e humildes, e de nos abrirmos diante de Deus! Só aqueles que se abrem poderão ver. Deus é luz, e não podemos viver na Sua luz e ainda ficar sem en­tendimento. Digamos, outra vez, com o Salmista: "Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem" (Salmo 43.3).

Damos graças a Deus porque hoje a atenção dos crentes é chamada para a realidade do pecado mais do que antes. Em muitos lugares, os seus olhos tem-se aberto para ver a vitória sobre os pecados, como experiência separada de grande importância na vida cristã, e, em con­seqüência disso, muitos estão andando mais perto do Senhor, procurando libertação e vitória sobre os mesmos. Graças a Deus por qualquer movimento para Ele, qual­quer movimento de regresso a uma verdadeira santidade perante Deus! Isto, porém, não é suficiente. Há ainda uma coisa em que se deve tocar: a própria vida do homem, e não meramente os seus pecados. A questão da personalidade do homem, do poder da sua alma, é o coração do problema. Considerar que os pecados constituam a totalidade do problema, equivale a ficar ainda à superfície. A santidade, se apenas levarmos em conta os pecados, é, ainda, uma experiência exterior e superficial. Nesse caso, ainda não atingimos a raiz do problema.

Adão deixou o pecado entrar no mundo ao escolher o desenvolvimento do seu próprio eu, da sua alma, separadamente de Deus. Quando, pois, Deus alcançar uma raça de homens que será para a Sua própria glória, e que será Seu instrumento para realizar os Seus propósitos no Universo, será uma raça cuja vida - sim, até a própria respiração — estará na total dependência dEle. Ele será, para esta raça, "a árvore da vida".

A necessidade que sinto sempre mais, em mim mesmo e entre todos os filhos de Deus, é a revelação real de nós mesmos, que devemos pedir da parte de Deus. Já disse que não se trata de sempre esquadrinharmos o nosso próprio íntimo, perguntando se isto ou aquilo vem da alma ou do Espírito. Esta atitude não terá qualquer resultado prático, pois é escuridão. Não, a Escritura nos mostra como os santos chegaram ao conhecimento de si mesmos. Foi sempre pela luz de Deus, luz que é o próprio Deus. Isaías, Ezequiel, Daniel, Pedro, Paulo, João: todos chegaram a possuir verdadeiro conhecimen­to de si mesmos porque a luz do Senhor brilhou sobre eles, trazendo-lhes revelação e convicção (Is 6.5; Ez 1. 28; Dn 10.8; Lc 22.61,62; At 9.3-5; Ap 1.17).

Nunca conheceremos a hediondez do pecado e as nossa própria hediondez sem que haja uma manifestação da luz de Deus sobre nós. Não falo de uma sensação e, sim, de uma revelação que o Senhor faz ao nosso íntimo, através da Sua Palavra. Isto fará por nós o que a doutri­na, por si só, nunca poderia fazer.

Cristo é a nossa luz, a Palavra viva que nos traz revelação enquanto lemos as Escrituras: "A vida era a luz dos homens" (João 1.4). Tal iluminação talvez nos sobrevenha apenas gradualmente, mas será cada vez mais clara e nos sondará mais e mais perfeitamente até que nos veja­mos na luz de Deus que dissipará toda a nossa confiança própria. A luz é a coisa mais pura do mundo. Purifica. Esteriliza. Matará tudo o que não deve estar presente, transformando em realidade a doutrina da "divisão de juntas e medulas". Conheceremos o temor e tremor na medida em que reconhecermos a corrupção da natureza humana, a hediondez da nossa própria personalidade, e a ameaça real que representa para a obra de Deus a energia e vida insubordinada da alma. Como nunca antes, vemos agora quão necessária nos é aquela ação drástica de Deus, se realmente quisermos ser usados, e sabemos que, sem Ele, somos inúteis como servos de Deus.Aqui também, a Cruz, no seu sentido mais amplo, nos auxiliará, e passaremos agora a examinar o aspecto da sua obra que diz respeito ao problema da alma humana. Somente a compreensão completa da Cruz pode nos levar àquela posição de dependência que o próprio Senhor Jesus voluntariamente assumiu, quando disse: "Eu nada posso fazer por mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou" (João 5.30).

Extraído do blog dos irmãos de Alegrete – RS (filhovarao.blogspot.com).

CelebrandoDeus.com
"Um compromisso com a Excelência do Corpo de Cristo"
http://www.celebrandodeus.com.br/Data_site/002TextoSite.asp?ID=2156/Watchman Nee.
A DEUS,toda a Honra e Glória.

COMUNHÃO COM DEUS.

Mrs. Jessie Penn-Lewis : Revista O Vencedor
Publicação: 29/07/2009
"Mantendo uma comunhão ininterrupta com Deus".
Como manter uma comunhão ininterrupta com Deus é a grande pergunta em muitos corações. Pois a nova vida espiritual, dada a nós quando recebemos o Senhor Jesus (Jo 1:12), só pode ser sustentada pela comunhão constante com Deus que é a sua fonte.

Há muito que o bebê tem de aprender quando cresce, mas uma coisa antes de todas as demais ele deve fazer, deve respirar. Assim é com os filhos do Senhor, eles têm muito para aprender e Ele tem muito para fazer no treinamento deles, mas eles também devem respirar e respirar a nova vida, dia após dia, em comunhão com Ele. Eles devem aprender como viver nessa vida de união e comunicação com Ele.

Comunhão: O dicionário dá o significado dessa palavra como ´conversação, intercâmbio de pensamento´, e descreve a comunhão como o ato de ´consultar, ou falar com outro´. Isto é o que a comunhão com o Deus realmente significa, uma ´consulta´ incessante a Ele; uma conversação abençoada sobre todos os problemas e dificuldades que nos vêm em nossa peregrinação por este mundo mau de hoje.

O profeta Amós escreveu: “Podem dois caminhar juntos a menos que combinem?” (à margem -´marquem um encontro´ Am 3:3).

Deus marca um encontro para se reunir com o pecador na Cruz do Calvário, e a conversa deve começar lá. Por natureza estamos em inimizade com Deus, mas Deus estava em Cristo reconciliando o mundo com Ele mesmo, e a paz foi feita pelo sangue na Cruz de Jesus (Cl 1:20). Assim tudo está claro do lado de Deus e Ele lança um apelo aos Seus inimigos e marca um encontro para reunir-se com eles no Calvário, o lugar da reconciliação.

É aqui, à vista deste sacrifício maravilhoso do Filho de Deus (Hb. 9:26), que Ele nos traz para o acordo Consigo mesmo.

No início nos são mostrados os nossos pecados pregados no madeiro com Seu Filho (1Pe 2:24), mas a salvação inclui muito mais do que isso. Devemos ser tratados com anos de lutas e fracassos se ao mesmo tempo aprendemos, como os convertidos fizeram nos dias de Paulo, que nós mesmos fomos mortos na morte de Cristo. O passado foi apagado, o pecador perdoado foi considerado crucificado com o Senhor crucificado, daqui por diante juntado a Ele, compartilha da Sua vida. Isto é de fato salvação. “Salvo por compartilhar da Sua vida” (Rm 5:10, Conybeare).

Para que esta salvação gloriosa seja realizada em toda a profundidade do seu significado, é necessário que nos rendamos inteiramente a Deus (Rm 6:13). Como podemos ser libertados da escravidão do ego e do pecado, se retivermos alguma coisa para o ego? Como o Senhor Jesus pode viver em nós e manifestar a Sua própria vida em nós, se não damos o trono inteiramente a Ele?

A nossa vontade é tudo o que realmente temos de dar para o nosso querido Senhor. Ele faz toda a obra se nós apenas O deixamos ter o direito absoluto da direção.

Não podemos nem nos salvar nem nos livrar dos nossos pecados, nem do ego de forma alguma. Ele nos remiu na Cruz do Calvário e fará a obra em nós se dermos a Ele o controle total. Ele simplesmente nos pede decisivamente que nos coloquemos do lado Dele contra tudo em nós e em nossa vida das quais Ele deve nos colocar em liberdade (2Co 6:14-18). Quando rendemos a Ele todo o nosso ser, o Espírito Santo toma posse, limpa o coração dos seus velhos desejos (At 15:9), e revela o Cristo vivo como o habitante das nossas vidas rendidas, vivendo em nosso espírito pelo Seu Espírito, para que possamos contar daqui por diante com “a provisão do Espírito de Jesus” (Fp 1:19) para todas as nossas necessidades.

O caminhar em feliz conversação começou. O próprio Pai nos ama, porque amamos Seu Filho (Jô 16:27), e Ele conversa com Seus filhos, sussurrando: “Viverei neles e neles andarei” (2Co 6:16).

O ponto mais importante neste abençoado caminhar com Jesus é que não deve haver nenhuma brecha na comunhão. Depois do primeiro ´acordo´ com Deus há muito que aprender, e não devemos ser desencorajados ou acovardados se alguma vez não entendermos como andar com Ele fielmente.

Vamos ver algumas condições para a manutenção da comunhão.

1. Devemos cuidar para dar ao Senhor de fato os primeiros momentos do dia para consultá-Lo sobre a nossa vida.
O Senhor precisa de tempo para soprar a Sua vida em nós e falar conosco sobre Seus propósitos para nós como revelado em Sua Palavra. Deixe que a primeira meia hora do dia, ou uma hora se isto puder ser obtido, seja uma real comunhão de coração. Vamos entrar em Sua presença e sentar aos pés de nosso Pai, nos aproximando Dele com coração verdadeiro na plena certeza de fé, pois podemos contar com o acesso imediato através do sangue precioso de Jesus (Hb 10:19-20), tendo “ousadia para entrar no santo dos santos” por Ele. Tendo entrado na presença do Pai pela fé, abra a Palavra escrita, e peça ao seu Pai para falar-lhe através dela. Volte à sua porção do dia e a leia, não tanto para estudá-la, quanto para escutar o que Deus o Senhor lhe dirá através dela. Fale com o seu Pai sobre ela, peça a Ele para revelar o seu significado. Enquanto você lê a Sua carta, responda a Ele dizendo que você obedecerá assim que você souber como; você confiará Nele para cuidar de você, guardá-lo durante o dia que está começando. Então derrame o desejo do seu coração diante Dele, o seu desejo profundo de conhecê-Lo melhor e ser Seu filho obediente.

2. Devemos nos alimentar da comida celestial provida a nós na Palavra do Deus (Mt 4:4).
Há uma vasta diferença entre espiritualmente se alimentar da Palavra do Deus (Jr 15:16) e estudá-la com o nosso intelecto. Muitos gastam todo o seu tempo buscando entender todas as “coisas difíceis de serem entendidas” (2Pe 3:16), ou alimentando suas mentes curiosas com todos os problemas que podem encontrar, para que as suas almas fiquem de fato exaustas em meio da abundância. No horário da manhã devemos aprender a tomar o nosso café matinal espiritual (Jó 23:12). Lembre-se que o Espírito Santo é o autor do Livro, portanto antes que você o leia, reconheça a presença do Autor, fale com Ele e peça a Ele para abrir os seus olhos para ver coisas maravilhosas em Sua lei. Podemos pensar na Bíblia como um depósito de comida armazenada para os filhos de Deus, durante toda a nossa peregrinação na terra, e podemos conhecer a porção que o Deus proveu para a nossa refeição da manhã pelas passagens que são claras e simples para nós, já que o Espírito Santo distribui a cada um segundo a sua necessidade e capacidade. Vamos procurar por Deus em Sua Palavra, e não pelo conhecimento sobre Ele, e Ele vai nos revelar a Si mesmo cada vez mais. Ele nos ensinará como estudar a Sua Palavra, para ganharmos o conhecimento exato dela, mas, principalmente, o que é realmente nosso é somente aquilo que somos capazes de assimilar e viver na vida diária.

3. Devemos aprender a viver momento a momento.
A comunhão com Deus se parece muito com a respiração, só pode ser mantida apenas um momento de cada vez. Devemos recusar a olhar para trás ou para frente, por mais que o inimigo possa nos tentar assim fazê-lo. Vãs recordações do passado e temores vagos do futuro atormentarão as nossas mentes o bastante para quebrar a nossa comunhão com Deus. A mente não pode estar ocupada com dois assuntos ao mesmo tempo, por isso temos de confiar em nosso Senhor para nos guardar permanentemente, até mesmo inconscientemente, enquanto damos a nossa atenção completamente ao nosso dever na ´realização da próxima coisa´ (Cl 3:23). Mas suponhamos que saibamos que erramos, não deveríamos concertá-lo? ´Comungar´ significa consultar-se com o Senhor. Faça isto imediatamente. Dê todos os ´erros´ reais e até os aparentes imediatamente a Ele. Quando você expõe a sua causa diante Dele, peça a Ele para lhe mostrar alguma coisa que deseja que você faça, algum passo que você tenha que retroceder. Se Ele lhe mostrar algo acerca de outro lugar que você tenha errado, a Sua Palavra é clara: “confessai as vossas culpas uns aos outros” (Tg 5:16, ver também Mt 5:23 e 18:15). Isto é sempre necessário para não quebrar a comunhão. Uma consciência livre de ofensa para com o homem bem como para com Deus (At 24:16). Se nenhuma luz especial for dada, deixe todo o assunto com o seu Senhor, Ele promete que a “Sua glória (presença) será a tua recompensa” (Is 58:8). Ele pode organizar e endireitar tudo que está atrás de você bem como as coisas tortas diante de você. O passado e o futuro estão sob o Seu controle.

4. Devemos estar atentos em não ter nenhuma brecha na comunhão.
Se estivermos de fato na caminhada de Deus, encontraremos o abençoado Espírito que nos faz cada vez mais sensíveis a qualquer brecha nesta Santa amizade. Quando estamos conscientes do fracasso real devemos voar imediatamente para o Trono da Graça e nos lançar pela fé na presença do nosso Deus Pai (ver Hb 10:19-20), estando seguro do acesso por causa do sangue precioso de Jesus. Oh, entender mais e mais que viemos a Jesus o Mediador, e ao sangue da aspersão que fala eternamente por nós no céu (Hb 12:22-24); somente o Seu sangue nos dá a entrada na presença do Pai, não a nossa experiência, não a nossa obediência, nada, apenas o sangue precioso.

5. Devemos tratar rapidamente como fracasso.
Não é fácil ir imediatamente a Deus quando conscientes do fracasso. De fato, a batalha se volta mais sobre este ponto, pois assim que vamos somos salvos no próprio ir. O diabo, a nossa consciência, a nossa vergonha e o nosso desgosto, tudo combina para nos manter longe. Temos um sentimento de que deveríamos primeiro ser ´miseráveis´ durante algumas horas. Isso parece tão presunçoso, um ´fazer luz do pecado´, ousar correr para Deus imediatamente e, contudo, se nós retardarmos, sabemos que uma queda é apenas a precursora de muitas. O pecado será a mesma coisa horrível e pior daqui a três horas. O caminho da vitória na hora da derrota é se levantar imediatamente e ir ao Pai, dizendo: “Pai, pequei”, sabendo que está escrito: “Eu disse depois que ela fez todas essas coisas ´Volte para Mim... só... reconheça´” (Jr 3:7 e 13). É da confissão franca e imediata a Deus que o diabo procura nos guardar, e como não conhecemos bem o nosso Pai nos primeiros dias, muitas vezes ele tem sucesso e ficamos afastados de Deus até em amarga tristeza somos conduzidos para trás. O desânimo e o lamento só aumentam o seu pecado, levante-se e volte para o seu Pai, advogando o sangue precioso, pois “quando ainda estava longe, o seu pai o viu, e sem o véu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se ao pescoço e o beijou” (Lc 15:20). Devemos, contudo, nesse ponto, enfatizar que a transgressão constante e a restauração não são o objetivo de Deus para os Seus remidos.

6. Devemos esperar não cair.
Não devemos esperar cair muitas vezes por causa do mesmo pecado, pois o Senhor vivo (Hb 7:25) é capaz de nos guardar de tropeçar (Jd 24). Uma quebra na comunhão mostra que a alma está fora do poder guardador de Deus, e quando ela foi para com o Senhor para a restauração deve se esperar diante Dele para saber a causa da sua transgressão, provavelmente algum passo fora da vontade de Deus, pois somente no caminho da Sua vontade Deus se compromete a guardar. Está escrito: “Se andarmos na luz, como Ele está na luz... o sangue de Jesus Cristo Seu Filho nos limpa de todo o pecado” (1Jo 1:7). À parte da confissão definida quando estamos conscientes do fracasso definido precisamos da aplicação contínua do sangue precioso para manter a comunhão limpa com o Deus (1Pe 1:2) e podemos contar com isso se andarmos na luz. Isso está explicado em João 3:21: “Quem pratica a verdade vem para a luz, para que as suas obras sejam manifestas porque são feitas em Deus” (Ver também Ef 5:13). O sangue de Jesus limpa (continua a limpar) se incessantemente vivermos sob o holofote de Deus, desejando sinceramente que Ele teste (1Ts 2:4) a nossa vida, já que toda a obra é feita por Ele, e Nele, para a Sua glória. Quando pecamos contra o Senhor, e nos aplicamos a Ele para o perdão, devemos nos deixar humildemente em Sua mão para que Ele nos trate como achar apropriado. Ele conhece o nosso caráter e para alguns de nós poderia parecer que o pecado não é tão excessivamente pecaminoso se Ele rapidamente restaurar o gozo da nossa salvação (Sl 51:12). Pode até ser possível que confessemos o nosso fracasso com a tristeza da perda do gozo, e não com a tristeza pela Sua dor. Ele precisa ensinar aos Seus filhos que coisa pecaminosa é o pecado, e fazê-los entender quanto Ele é ofendido (Ef 4:30), muito embora o sangue precioso nos limpe, e de estarmos novamente em comunhão com Ele (ver Mq 7:7-9).

7. Devemos andar em obediência direta á luz.
Se devermos andar em comunhão com o Senhor, é razoável que Ele deva esperar que nós obedeçamos a toda a luz que Ele nos dá, e podemos tomar Dele o espírito de obediência para nos capacitar a obedecer (Ez 36:27). “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando”, Ele disse aos Seus discípulos, e a amizade com Jesus deve significar que nos alegramos em cumprir cada desejo Dele. Andando em obediência no que é do nosso conhecimento podemos certamente confiar no fiel Senhor para nos parar no momento em que Ele nos vê quase dar um passo incorreto (Is 30:21). É melhor nunca agir quando em qualquer condição agitada ou apressada da mente, por isso, temos de cultivar a tranqüilidade de espírito e a consciência da presença do Espírito do nosso invisível Amigo.

8. Devemos nos lembrar que a tentação não é pecado.
O adversário faz disso o seu negócio para cortar a comunicação entre a alma e o Senhor. Ele ajusta as suas táticas àquele que ele está atacando e atormenta as almas sensíveis procurando mantê-las em constante condenação (1Jo 3:21-22). A tentação não é pecado. Alguém utilmente definiu a verdadeira transgressão como o ´sim´ da vontade à tentação. Se a vontade imediatamente rejeitar qualquer má sugestão o tentador foi frustrado em seu ataque, embora até então esteja muito seguro para buscar de imediato que o Espírito Santo aplique o sangue de Cristo, tão delicada é a comunhão com Deus. É da maior importância que aprendamos a viver na vontade, e não no campo dos nossos ´sentimentos´. A vontade é o ´ego´, a verdadeira pessoa, e é através do poder central da vontade que Deus nos controla. Finalmente, não vamos desonrar ao nosso Senhor pensado que toda coisa desagradável deve ser da Sua vontade. Se estivermos realmente rendidos a Ele, procurando fazer a Sua vontade e andando com Ele em comunhão e obediência tanto quanto conhecemos, Ele não disse: “É Deus que opera em vós tanto o querer como o efetuar” (Fp 2:13). “Porei as minhas leis em seus corações, e lhes escreverei em suas mentes” (Hb 10:16). Contanto que em nossa vontade estejamos firmemente intencionados a obedecer a Ele, e confiamos a Ele cada momento para nos impedir da auto busca e auto indulgência em todas as formas, podemos confiar Nele “para inclinar o nosso coração para guardar a Sua lei”.

Assim, comprovaremos realmente que os Seus mandamentos não são penosos e encontramos que o Seu jugo é suave e o Seu fardo é leve. “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2Co 13:14).

Do livro: ´Comunhão Com Deus´ (Communion with God).
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A DEUS,toda a Honra e Glória.