quarta-feira, 20 de maio de 2009

ONDE TU ESTÁS?

Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Jeremias 29:12-13.

A oração é a ferramenta que nos foi deixada por Deus, a fim de que possamos nos comunicar com Ele sempre que necessitarmos. Antes da entronização do pecado no mundo, Adão gozava livremente da presença do Senhor Deus, com quem mantinha diálogo, assim como diz as Escrituras: "Então ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia, esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás?" Gênesis 3:8-9.

Onde estou? É exatamente essa a pergunta que você deve se fazer quando está perdido, longe e separado de Deus em sua vida espiritual, e busca ansiosamente encontrar uma saída para começar de novo, para ter uma nova chance. Como ponto de partida para começar ou recomeçar qualquer coisa, você tem que saber onde está.

O Senhor Deus buscava a presença de Adão e lhe perguntou: "Onde estás?" "Ele respondeu: Ouvi a sua voz no jardim e tive medo, porque estava nu, e escondi-me". Gênesis 3:10 . Neste caso, Adão estava fugindo da presença do Senhor por causa do medo da conseqüência de sua desobediência.

Então, se Deus lhe perguntasse: Onde Você Está? Qual seria sua resposta? Para buscar ajuda e encontrar um novo caminho, é fundamental que você saiba o ponto exato onde se encontra em relação a Deus. Esteja certo de que a única coisa que nos separa de Deus é o pecado. "Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça". Isaías 59:2

Adão necessitava de ajuda, pois, desobedeceu, pecou, e o pecado o separou de Deus, e sem a salvação divina estava fadado à morte eterna, à separação de Deus por toda a eternidade.

Irmãos, se o que nos separa de Deus é o pecado e Deus não nos ouve por causa de nossos pecados, para uma maior compreensão de nossa real posição em relação a Deus, precisamos dar nomes a eles. Hoje é muito comum dar nomes mais aceitáveis aos pecados. Mas utilizar-se destes subterfúgios ou eufemismos para nomear nossos pecados contra Deus, apenas enfraquecem nossas resistências, e nos distanciam ainda mais de Deus e banalizam os danos que os pecados causam em nós.

Quando Jesus falou sobre o Espírito Santo de Deus e seu ministério, deixou bem claro quanto às necessidades do convencimento do homem sobre o pecado, para que este pudesse alcançar a salvação. "E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo". João 16:8. E a primeira delas é a de que o homem tenha a verdadeira consciência do pecado que o separa de Deus e da necessidade de crer em Cristo para se reconciliar com o Pai. Do pecado, porque não crêem em mim; João 16:9. Se a pessoa não entende o que é pecado, certamente não entenderá a necessidade da salvação.

Uma vez conscientes e convencidos do pecado, com o qual nascemos, e da necessidade de reconciliação com o Pai a boa notícia é que Deus já nos providenciou um reconciliador, um Salvador. "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos salvos por ele da ira. Pois se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida". Romanos 5:8-10

Portanto, salvos pela fé, crendo que fomos incluídos na morte de Cristo, que nossa justificação se deu pelo sangue derramado na cruz e que também fomos partícipes na ressurreição de Cristo, temos paz com Deus. "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" Romanos 5:1. Pela fé nessa obra maravilhosa e pela graça salvadora manifestada na pessoa de Cristo "O qual nos tirou das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados" Colossenses 1:13-14, ganhamos a convicção da nossa salvação e, por conseguinte, do restabelecimento da nossa comunhão com Deus.

Agora, reconciliados, temos condição de buscar a Deus de todo o coração. Ele procura aqueles que o coração seja todo Dele. "Pois os olhos do Senhor passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele". 2ªCrônicas 16:9a.

Da mesma forma como fez com Adão, o Senhor Deus continua fazendo conosco, nos indagando incansavelmente todos os dias: Onde você está? Porém, mesmo Cristo tendo arrancado o pecado que nos levava à perdição eterna, e nos tendo feito nascer de novo pela fé, cremos que alguns fatores podem ainda impedir nossa comunhão de todo o nosso coração com o Senhor. Por ex.: compromissos, obrigações, preocupações, circunstâncias, atividades na igreja, que têm até uma conotação de "prioridade", podem estar nos impedindo de ouvir a Sua voz, ou, em oração, de clamar por Sua ajuda, porque nosso coração não esta Nele.

Veja o exemplo de Moisés, no Livro de Êxodo, capítulo 18, dos versos 15 a 27, o qual se encontrava muito atarefado e cansado atendendo a todo o povo de Deus para resolver as questões que havia entre eles, foi visitado por seu sogro que lhe disse:– "...Não é bom o que fazes. Totalmente desfalecerás, assim tu como este povo que está contigo; porque este negócio é mui difícil para ti; tu só não o podes fazer. Ouve agora minha voz, eu te aconselharei, e Deus será contigo..." Êxodo 18: 17b, 18 e 19a. Jetro também era um homem temente.

Moisés estava "perdido" em seus compromissos e tão afundado em seu trabalho, que seu sogro chegou a temer por sua saúde. E em outras palavras Jetro disse: "Peça ajuda". Quem poderia dizer que não era bom o que Moisés fazia? Era muito bom para o povo, mas não era bom para si mesmo. A verdade é que uma aparência cansada e preocupada geralmente significa: "eu sou teimoso demais para diminuir o ritmo" ou "eu sou inseguro demais para dizer não" ou " eu sou bom demais para permitir que alguém faça no meu lugar" ou "eu sou muito orgulhoso para pedir ajuda."

Se o mundo e seus valores o estão deixando esgotado e abatido e se você está percebendo que está sendo engolido e que seu cansaço o está impedindo de orar, quero dizer que nem tudo está perdido. Deus gosta muito de nos ouvir dizer: Senhor ajude-me.

Nem só estas coisas amorais nos afastam da comunhão com o Senhor. Não se enganem irmãos, o nosso pecado faz nos esconder da presença do Senhor, assim como fez Adão. O nosso coração é enganoso e não se iludam o Senhor conhece nossas intenções mais profundas. "Enganoso é o coração, mais que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, e provo a mente, e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto de suas ações". Jeremias 17:9-10.

Como vai a sua comunhão com Deus? E a sua dependência no senhorio do Nosso Senhor Jesus Cristo? Não é hora de pedir ajuda? Para que busquemos ao Senhor de todo coração precisamos da comunhão do Filho para nos atrair ao Pai. O Filho nos dirá: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. Mateus 6:34. Ele nos liberta do que o mundo nos diz: "Prove isso para eles! Você pode fazer isto... e você não precisa de ajuda de ninguém".

O resultado é a impaciência, a irritação, a raiva e o stress. Cada vez menos risos, menos alegrias, mais horas longas de trabalho e menos tempo para a comunhão com o Senhor, poucos momentos preciosos (se houver algum) de oração e meditação.

Podemos viver no mundo, mas não pertencemos a ele e nem devemos nos deixar envolver por seus valores. A oração de Jesus em favor de seus discípulos foi bem clara: "Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal". João 17:14-15.

Somos forasteiros e peregrinos neste mundo, e embaixadores de Cristo Jesus aqui na terra. E, se somos de Cristo, podemos confessar, assim como Paulo confessou: Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Gálatas 6:14.

Onde tu estás? Onde está o teu coração? É essa a diferença para se encontrar a saída, o caminho para o novo, para o recomeço, ou, até mesmo para o nascer de novo, caso você ainda não tenha essa certeza. E se esse for o caso, a solução é bem fácil. A Palavra de Deus nos ensina: "...Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação". Romanos 10:9-10.

Então, aprendemos que com o coração se crê para nascer de novo – salvação - e com o coração se busca em oração a face do Senhor e Ele o ouve – reconciliação, porque "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido." Salmos 34:18

Irmão Mario Rocha Filho.
A Deus toda a Honra e Glória.

A PROVIDÊNCIA DE DEUS E A ORAÇÃO DE SEUS SERVOS.

por: Hermisten Maia Pereira da Costa

Jesus nos ensinou a orar: “… Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). A oração não é uma tentativa de mudar a vontade de Deus, mas sim a manifestação sincera do nosso desejo de submeter-Lhe os nossos projetos, aspirações, sonhos e necessidades. A oração sincera se caracterizará pelo intenso desejo de submeter nossos desejos à vontade de Deus. Esta submissão não é algo simplesmente aprendido pela razão, embora mesmo racionalmente temos argumentos para assim proceder, pelo fato de sabermos que Deus é sábio, bondoso e onisciente. “Somente o Espírito pode capacitar-nos a subordinar todos os nossos desejos à glória divina”.[1] A submissão a Deus é um aprendizado da fé, através de nossa comunhão com Ele.

Quando pedimos que Deus faça a Sua vontade, o fazemos não resignadamente, como se não tivesse jeito mesmo, ou como se Deus fosse o nosso inimigo que nos venceu e que agora só resta nos submeter humilhantemente… Não! A nossa oração é feita com amor e confiança, certos de que a vontade de Deus é sempre a melhor, de que ela sempre é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2); por isso, temos prazer em cumpri-la, conforme bem expressaram Davi e Paulo, respectivamente: “Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei” (Sl 40.8). “Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus” (Ef 6.6). Somente um coração que tem dentro de si a Palavra, pode sentir prazer na vontade de Deus e, se alegrar na manifestação do Seu poder.

Ao orarmos sinceramente, conforme nos ensinam as Escrituras, estamos submetendo a nossa vontade a Deus; isto significa que não pretendemos ensinar a Deus, nem mudar a Sua vontade; antes, nos colocamos diante dEle dizendo: Eu creio que a Tua vontade é a melhor para a minha vida, cumpre em mim todo o Teu propósito. Orar é entregar confiantemente o nosso futuro a Deus a fim de que Ele concretize Sua eterna e santa vontade em nós. A oração revela o nosso desejo de que a vontade de Deus se realize.[2]

João Calvino (1509-1564), comentando esta petição, diz:

“Com esta prece somos induzidos à negação de nós mesmos, para que Deus nos reja conforme o Seu arbítrio. Nem somente isto, mas também que, a nada reduzidos a mente e o coração nossos, crie Deus em nós mente nova e novo coração, para que em nós não sintamos qualquer frêmito de desejo que a pura anuência para com a Sua vontade. Em suma, que não queiramos nós próprios algo de nós mesmos; pelo contrário, que Seu Espírito nos governe o coração, para que, ensinando-nos Ele interiormente, aprendamos a amar as cousas que lhe aprazem, a, porém, odiar as que Lhe desagradam. De onde também isto se segue: que todos e quantos sentimos à vontade se Lhe opõem, a esses renda-os e vãos e írritos.”[3]



A Oração do Senhor nos ensina a pedir a Deus que realize a Sua vontade aqui na terra como é feita no céu. Oramos para que a vida na terra se aproxime o máximo possível a do céu, onde os anjos cumprem perfeitamente a vontade de Deus (Sl 103.21).[4]

A vinda do reino (Mt 6.10) é o resultado lógico do cumprimento da vontade de Deus. Quando assim oramos, estamos seguros de que Deus age sempre em a) Sabedoria; por isso confiamos nos Seus propósitos; b) Poder; sabemos que Ele é poderoso para cumprir perfeita e totalmente os Seus propósitos; c) Fidelidade; Deus é fiel a Si mesmo e por isso, Se revela fiel a nós através de Suas promessas; d) Amor; a Sua vontade é sempre amorosa; o amor de Deus é aquele que se sacrifica pelo Seu povo.

Finalizando a análise deste princípio, devemos mencionar um outro: A submissão. A submissão deve reger as nossas orações. Esta atitude vemos plenamente exemplificada em Cristo, em Sua oração proferida próxima ao Seu martírio: “Meu Pai: Se possível, passa de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres” (Mt 26.39). O ministério terreno de Cristo foi uma manifestação constante da Sua obediência desde a Sua encarnação, passando por todos os desafios inerentes à Sua missão, até a Sua auto-entrega na cruz em favor do Seu povo (Vd. Fp 2.5-8; Hb 5.8).

A oração está relacionada com a Providência de Deus. Se por um lado, nós não podemos delimitar a ação de Deus às nossas orações, por outro, devemos estar atentos ao fato de que Deus nos abriu a porta da oração a fim de exercitarmos a nossa fé em paciente submissão. Entendemos que as nossas orações quando feitas por um motivo justo, através de Cristo e, partindo de um coração sincero, fazem parte da execução do plano de Deus. “Quando Deus nos dá aquilo que pedimos, é como se essas coisas tivessem nelas a estampa de nossas orações!”[5]

Portanto, não devemos nem podemos pedir qualquer coisa a Deus contrária à vontade de Jesus Cristo, visto que as nossas orações são feitas em Seu nome. “Solicitar algo a Deus, em nome de Cristo, quer dizer solicitar-lhe algo em harmonia com a natureza de Cristo! Pedir algo em nome de Cristo, a Deus Pai, é como se o próprio Cristo estivesse formulando a petição. Só podemos pedir a Deus aquilo que Cristo pediria. Pedir em nome de Cristo, pois, significa deixar de lado nossa vontade própria, aceitando a vontade do Senhor!”[6]

Quando oramos, estamos exercitando o privilégio que Deus nos concedeu, amparados na Sua Palavra que nos mostra as Suas promessas.[7] A nossa oração é dirigida ao Pai, sabendo que Ele é um Pai onisciente e providente: por isso, não pretendemos e, de fato não podemos mudar a vontade de Deus. E, francamente, ainda que pudéssemos, ousaríamos fazê-lo? Será que faríamos algo melhor? Se você por um instante sequer titubear diante desta, permita-me, ridícula questão, é porque você ainda não conhece o Deus da Palavra!

Nesta mesma linha de raciocínio, escreveu Packer:

“O reconhecimento do fato da soberania de Deus é a base de [nossas] orações. Na oração, o cristão solicita coisas e agradece por elas. Por quê? Porque reconhece que Deus é a origem de todo bem que já possui e de todo bem que espera no futuro. Essa é a filosofia fundamental da oração cristã. A oração não é uma tentativa para forçar a mão de Deus, mas um humilde reconhecimento de incapacidade e dependência. Quando nos pomos de joelhos, sabemos que não somos nós que controlamos o mundo; não estando em nosso poder, portanto, atender nossas necessidades pelos nossos próprios esforços independentes; todas as coisas boas que desejamos para nós mesmos e para os outros devem ser procuradas em Deus; e se elas vierem, virão como dádivas de Suas mãos. (…) Por conseguinte, o que na realidade fazemos, cada vez que oramos, é confessar nossa própria impotência e a soberania de Deus. Dessa maneira, o próprio fato de um crente orar é uma prova positiva de que crê na soberania do seu Deus.”[8]



Curiosamente, Platão (427-347 a.C.), um filósofo pagão, com discernimento correto, entendia que um dos males de sua época era a corrosão da religião praticada por supostos sacerdotes e profetas - que ele chama de mendigos e adivinhos -, os quais exploravam a credulidade das pessoas, especialmente das ricas. Dentro do quadro descrito, uma das fórmulas usadas por esses líderes religiosos, era fazer as pessoas crerem que poderiam mudar a vontade dos deuses mediante a oferta de sacrifícios ou, através de determinados encantamentos; os deuses seriam portanto limitados e aéticos, sem padrão de moral, sendo guiados pelas seduções humanas:



“Mendigos e adivinhos vão às portas dos ricos tentar persuadi-los de que têm o poder, outorgado pelos deuses devido a sacrifícios e encantamentos, de curar por meio de prazeres e festas, com sacrifícios, qualquer crime cometido pelo próprio ou pelos seus antepassados, e, por outro lado, se se quiser fazer mal a um inimigo, mediante pequena despesa, prejudicarão com igual facilidade justo e injusto, persuadindo os deuses a serem seus servidores - dizem eles - graças a tais ou quais inovações e feitiçarias. Para todas estas pretensões, invocam os deuses como testemunhas, uns sobre o vício, garantindo facilidades (…). Outros, para mostrar como os deuses são influenciados pelos homens, invocam o testemunho de Homero, pois também ele disse: ‘Flexíveis até os deuses o são. Com as suas preces, por meio de sacrifícios, votos aprazíveis, libações, gordura de vítimas, os homens tornam-nos propícios, quando algum saiu do seu caminho e errou’ (Ilíada IX.497-501).”[9]



Meus irmãos, este quadro pode parecer estranho, mas na realidade, muitas pessoas ainda crêem assim ou, pelo menos se comportam como se Deus fosse movido de um lado para o outro conforme as nossas “seduções espirituais”: longas orações, peregrinações, sacrifícios, abstinências, louvores exaltados, entre outros recursos. Este não é o Deus das Escrituras. O nosso Deus dirige todas as coisas com sabedoria, justiça e amor; é a Ele a Quem oramos: “seja feita a Tua Vontade!”

A oração é um testemunho solene de nossa confiança no cuidado paternal de Deus. A Palavra nos estimula a lançar sobre Deus e a Sua promessa toda a nossa confiança. Jesus Cristo nos instrui: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.33-34). “Não se vendem dois pardais por um asse? e nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. Não temais pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais” (Mt 10.29-31).

O nosso Pai conhece os nossos corações; Ele sabe as nossas motivações e intenções. As pessoas podem nos julgar mal como também nós cometemos este mesmo equívoco; isto ocorre amiúde ou porque não fomos claros como gostaríamos, ou porque de fato houve má vontade; ou seja, houve algum ruído na comunicação. No entanto, o nosso Pai, nos conhece perfeitamente; Ele vê em secreto os segredos dos nossos corações (Mt 6.6). João testifica a respeito de Jesus Cristo: “E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (Jo 2.25).

Quando oramos, nós buscamos o Pai, não o homem (Mt 6.5,6). Este é o sentido genuíno da oração. Não estamos, através da oração, em busca de recompensa humanas, tais como: o aplauso, um alto conceito a respeito de nossa devoção e piedade; não. Apesar desta “recompensa” ser geralmente mais imediata, nós não a buscamos… Pelo contrário, oramos ao Pai para de fato, falar com Ele, colocando diante de Seu trono de graça as nossas necessidades… E neste procedimento, jamais devemos nos esquecer de que Ele sabe todas as coisas.

Mesmo sem conseguir entender perfeitamente a extensão deste maravilhoso mistério, não podemos deixar de utilizar a oração, um privilégio que Deus graciosamente nos concedeu, de podermos falar com Ele e, de exercitar a nossa fé na Sua soberana providência. (1Sm 1.9-20; Sl 6.9; Pv 15.29; Mt 26.41; Lc 1.13; 1Ts 5.17; Tg 4.2,3; 1Jo 5.13-15). “É pela fé que tomamos posse de Sua providência invisível”, conclui Calvino.[10]

Deus sabe das nossas necessidades. O saber de Deus não é apenas intelectual: Deus sabe e por isso cuida (Mt 6.8). Ele não dorme, antes, sabe do que necessitamos antes mesmo que tenhamos consciência da nossas necessidades: A Bíblia também nos ensina que Deus nem sempre nos dá aquilo que pedimos; entretanto, sempre nos dá aquilo de que necessitamos de fato e de verdade, mesmo que nem ainda tenha penetrado em nosso coração a realidade da carência… A nossa demorada consciência de nossas próprias carências não escapa à Providência de Deus, nem à Sua graciosa provisão.

A Palavra de Deus declara isto. Os salmistas, inspirados por Deus, testificam: “Os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor” (Sl 34.15). “Ele não permitirá que os teus pés vacilem: não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.3-4). “Aí habitou a tua grei: em tua bondade, fizeste provisão para os necessitados” (Sl 68.10). E Deus mesmo promete: “E será que antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Is 65.24).

A ação de Deus na História não é de forma imediatista ou apenas para resolver problemas isolados. Deus age de forma sábia, conforme o Seu Santo Conselho, objetivando a Sua Glória na execução do Seu plano. O Plano de Deus e o Seu governo são eternos e eficazes. Davi e Paulo declaram esta compreensão, respectivamente: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Sl 139.16). “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça…” (Gl 1.15).

O próprio Deus, reivindica o Seu governo quando vocaciona o profeta Jeremias: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações” (Jr 1.5).

Deus, o nosso Pai, cuida de cada um de nós como se fôssemos o único que Ele teria para cuidar; Ele cuida “pessoalmente” de nós.[11] As nossas orações são o testemunho desta certeza. O Deus que preservou a Elias, enviando os corvos para lhe levarem alimento (1Rs 17.1-6), é o mesmo que é o nosso Pai onisciente e providente. Portanto, podemos fazer eco ao testemunho de fé e vida de Davi e de Paulo: “O Senhor, tenho-o sempre à minha presença; estando Ele à minha direita não serei abalado” (Sl 16.8). “Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça” (Fp 4.6).

O melhor antídoto contra a ansiedade é a oração sincera e confiante, através da qual expomos a Deus as nossas dúvidas, temores e confiança. Portanto, orar é exercitar a nossa confiança no Deus da Providência, sabendo que nada nos faltará, porque Ele é o nosso Pai.

Calvino, relacionando as nossas orações ao cuidado providente de Deus, escreve:

“Para incitar os verdadeiros crentes a uma mais profunda solicitude à oração, Ele promete que, o que propusera fazer movido por Seu próprio beneplácito, Ele concederia em resposta a seus pedidos. Tampouco existe alguma inconsistência ente estas duas verdades, a saber: que Deus preserva a Igreja no exercício de sua soberana mercê, e que Ele a preserva em resposta às orações de Seu povo. Pois, visto que suas orações se acham conectadas às promessas graciosas, o efeito daquelas depende inteiramente destas.”[12]

A Deus toda a Honra e Glória.

ALIANÇA.

Gn 15; Êx 20; Jr 31.31-34; Lc 22.20; Hb 8; Hb 13.20,21

A estrutura do relacionamento que Deus estabeleceu com seu povo é a aliança. Uma aliança é geralmente entendida como um contrato. Embora certamente existam algumas similaridades entre aliança e contratos, existem também algumas diferenças muito importantes. Ambos são acordos obrigatórios. Contratos são feitos a partir de posições de barganha relativamente iguais e ambas as partes têm liberdade de não assinar. Semelhantemente, a aliança também é um acordo. Na Bíblia, porém, as alianças geralmente não são entre iguais. Antes, seguem o padrão comum do antigo Oriente Médio, dos tratados entre suseranos e vassalos. Os tratados entre suseranos e vassalos (como visto entre os reis hititas) eram firmados entre um rei vencedor e o vencido. Não havia negociação entre as partes. O primeiro elemento dessa aliança bíblica é o preâmbulo, o qual relaciona as respectivas partes. Êxodo 20.2 começa com a frase: "Eu sou o Senhor, teu Deus". Deus é o suserano; o povo de Israel é o vassalo. O segundo elemento é o prólogo histórico. Esta seção relaciona o que o suserano (ou Senhor) fez para merecer a lealdade - como livrou os israelitas da escravidão do Egito. Em termos teológicos, esta é a seção da graça. Na seção seguinte, o Senhor relaciona o que ele requer daqueles sobre quem governa. Em Êxodo 20, são os Dez Mandamentos. Cada um dos mandamentos era considerado um compromisso moral sobre toda a comunidade da aliança. A parte final desse tipo de aliança relaciona as bênção e as maldições. O Senhor faz uma lista dos benefícios que concederá aos vassalos se eles seguirem as estipulações da aliança. Um exemplo disso se encontra no quinto mandamento. Deus prometeu aos israelitas que seus dias seriam longos na Terra Prometida, se honrassem os pais. A aliança também apresenta maldições que sobreviriam se o povo não cumprisse com suas responsabilidades. Deus adverte Israel que não os considerava como inocentes se falhassem em honrar seu nome. Esse padrão básico fica evidente nas alianças de Deus com Adão, Noé, Abraão, Moisés e a aliança de Jesus Cristo com sua Igreja. Nos tempos bíblicos, as alianças eram ratificadas com sangue. Era costume que ambas as partes que estavam entrando em aliança passassem entre as partes de um animal esquartejado, representando assim sua concordância com os termos da aliança (ver Jr 34.18). Temos um exemplo desse tipo de aliança em Gênesis 15-7--21. Nesse texto, Deus fez certas promessas a Abraão, as quais foram ratificadas por meio de sacrifício de animais. Nesse caso, porém, somente Deus passou entre as partes dos animais, indicando por meio de um juramento solene que estava se comprometendo a cumprir a aliança. A nova aliança, a aliança da graça, foi ratifica pelo derramamento do sangue de Cristo na cruz. No âmago desta aliança, está a promessa divina de redenção. Deus não só prometeu redimir todo aquele que põe sua confiança em Cristo, mas selou e confirmou a promessa com o mais santo dos votos. Servimos e adoramos um Deus que se comprometeu para a nossa completa redenção.

Autor: R. C. Sproul

A Deus toda a Honra e Glória.

A NOVA ALIANÇA.

Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. Mateus 26:28.

Este versículo diz que o sangue de Cristo é o sangue da Nova aliança. Este sangue é derramado especialmente para o estabelecimento da aliança. Em outras palavras, a Nova Aliança é inaugurada pelo sangue; por conseguinte, ela é digna de confiança, é segura. Por que deve a Nova Aliança iniciar-se pelo sangue? Por que ela é eficaz somente se for inaugurada com sangue? Para entender isto, precisamos remontar à história do jardim do Éden a fim de reconhecermos as exigências da Lei. Sabemos que ao ser expulso do jardim do Éden, Adão perdeu a vida e a herança, bem como a comunhão com Deus. Portanto, antes de Cristo vir ao mundo os seres humanos sofreram duas grandes perdas: a primeira, a que veio do fato de Adão haver pecado; a segunda, a oriunda de nossa incapacidade de guardar a Lei de Deus. Com a morte e o pecado dominando, estamos separados de Deus e não podemos desfrutar de sua presença. Tornamo-nos loucos e não conhecemos a Deus. Não possuímos a vida e o poder espirituais para fazer a vontade divina. Ai de nós, pois em Adão e sob a Lei não temos nada de que vangloriar-nos, exceto clamar: Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Romanos 7:24.

Será que não há jeito de solucionar os problemas do pecado e da morte? Graças a Deus podemos responder seguramente que sim! Quando Cristo foi crucificado Ele mesmo atraiu a humanidade em seu corpo lá na cruz, para nos fazer morrer para o pecado e nos dar Sua própria vida pela ressurreição. A obra da cruz em primeiro lugar foi para nos libertar do pecado e através do sangue derramado, recebemos a remissão dos nossos pecados. O plano original de Deus era dar-nos sua própria vida e todas as coisas pertencentes à piedade. Devido ao nosso pecado e a morte que dele procede, alienamo-nos de Deus, incapazes de obter dEle aquilo que a Ele pertence. Perdemos o que Deus já nos havia dado e o que ainda tencionava dar-nos. Mas agora o sangue do Senhor Jesus nos purifica dos nossos pecados e restaura nosso relacionamento com Deus. Efésios 2:13. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.

A obra que o sangue realizou é muitíssimo maravilhosa, porque ela nos dá o próprio Deus. Graças a Deus que tudo isso veio a nós por Sua graça, mas Deus-Pai também quis expressar esta graça numa aliança. Amados, isto é bastante profundo quando entendemos espiritualmente que o sangue de Cristo tornou-se o justo fundamento pelo qual a aliança de Deus conosco nunca pode falhar. A aliança que o nosso Deus fez conosco em Cristo é imutável. Portanto, precisamos entender que a partir do Calvário, todo o nosso pedir nas Escrituras deveria ser mudado para receber. Eu sei que às vezes, parece que Deus se esqueceu de sua aliança. Em tais circunstancias, podemos lembrá-lo dela. Desperta-me a memória. Isaías 43:26a. Lembra-te das palavras que prometestes e cumpra em mim segunda a sua aliança. Hebreus 13:20-21a. Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem.

Deus reservou todas as coisas na Nova Aliança do mesmo modo que uma pessoa deposita seu dinheiro num banco. Se a pessoa crê, ela pode sacá-lo sempre. Mas, não nos esqueçamos de que para podermos desfrutar da Sua riqueza precisamos da operação da cruz em nós. O que é a cruz? Ela é isto: quando nosso coração é tocado por Deus, nos entreguemos nas mãos dEle a fim de que a Sua vida possa operar em nós. E quando ela opera, há um elemento que nos leva à morte, retirando tudo quanto é indesejado, ou seja, a rebelião contra Deus, tudo o que é contrário à vida, e ao Espírito Santo. Entretanto, há também um elemento vivo, que nos faz viver, cujo efeito capacita-nos a usufruir todas as riquezas da Divindade, enchendo-nos de luz, de alegria e de paz. Pois tudo isso está em uma Pessoa: Cristo. Colossenses 1:27 e Efésios 3:17. Aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória. E, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor.

Cristo em nós é a mesma coisa que Deus em nós. Quanta benção há em que o Criador habite na criatura! Esta é a coisa mais maravilhosa, bem-aventurada e gloriosa de todo o Universo. Por este motivo, a vida cristã é vivida apegando-nos à Palavra de Deus, crendo que Ele é fiel e justo. O que Deus disser, assim será. Se permanecermos inteiramente na aliança que o Senhor Jesus firmou, Deus cuidará de nós. Ele executará tudo o que está na aliança, pois Ele já aceitou o sangue do Senhor Jesus. Visto que Deus anexou sua vontade à aliança, Ele só pode mover-se dentro dela. Se Deus não tivesse feito aliança conosco, Ele estaria livre para tratar-nos conforme lhe aprouvesse; uma vez, porém que estabeleceu aliança conosco, Deus deve proceder segundo as palavras da aliança, porque Deus não pode ser injusto. Agora o motivo de não sabermos como lidar com Deus segundo as palavras da aliança reside em nossa falta de entendimento no tocante à soma de bênçãos que o sangue conquistou para nós. Irmãos, nunca podemos nos esquecer que o sangue é o fundamento desta Nova Aliança. Por isso, quando pedimos de acordo com a aliança, não estamos pedindo coisas que não nos pertencem; pelo contrário, estamos tomando posse daquilo que já é nosso em Cristo Jesus. Leiamos juntos em 1 Pedro 1:3-4. Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.

Muito mais que isso, também podemos agora deleitar-se da presença de Deus em nós. Por causa deste novo Concerto que Deus fez conosco e o cumpriu em Cristo, Ele mesmo vem habitar em nós pelo seu Espírito. Nós precisamos experimentar uma operação diária da cruz, porque à medida que sai o subtraído, entra o adicionado. A vida de Deus operará e revigorará até que, de pouco em pouco, algo é removido e algo é deixado. Em outras palavras, significa que tudo aquilo que venhamos a perder na morte, será substituído pela Sua vida. Quanto mais sai de nós, mais entra a vida de Cristo. É exatamente isto que significa levar a cruz a cada dia. Pois sabemos pela Palavra de Deus que a vida de Cristo só irá se manifestar em um morto. Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:10.

Falando sobre este assunto Watchman Nee disse que: "Somente um Paulo morto poderia pregar uma palavra sobre crucificação. Se não houvesse morrido de modo real, a vida da morte do Senhor não poderia ter fluído dele. É fácil pregar a cruz, mas não é fácil pregá-la como um homem crucificado. A não ser que alguém seja uma pessoa crucificada, ele não pode pregar a palavra da cruz e não pode dar a outros a vida da cruz. Rigorosamente falando, a não ser que alguém conheça a cruz, na experiência, ele não é digno de pregar a cruz". A mensagem de Paulo era a crucificação. Ele próprio era um homem crucificado e pregou a cruz à maneira da cruz. Era um homem da cruz, pregando a mensagem da cruz com o espírito da cruz. Muitas vezes o que pregamos é a cruz, mas a nossa atitude, as nossas palavras e nosso sentimento não dão a impressão de que pregamos a cruz! Muitas pregações sobre a cruz não são feitas no espírito da cruz. Vejamos o que Paulo disse em 1 Coríntios 2:1-2: Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

Quando o Senhor Jesus morreu naquela cruz e seu precioso sangue foi derramado, a aliança começa a vigorar. Havendo trazido seu sangue para o Santo dos Santos, o Senhor Jesus declara a Deus que o testador morreu. Nós, os vivos, também sabemos que o testador morreu. Morto o testador, o testamento entra em vigor. Cabe ao testamenteiro a responsabilidade de fazer cumprir o testamento. Cada item do testamento é nosso. Se o testamenteiro for fiel, possuiremos todos eles. Se for infiel, seremos privados de tudo o que nos cabe. Uma vez que nosso Senhor é o testamenteiro, não há dúvida de que teremos tudo quanto está no testamento. 1 Coríntios 3:21. Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso. Esse tudo está na própria Pessoa de Cristo e é o próprio Cristo. Porém Cristo é tudo em todos. Colossenses 3:11b.

Com a Nova Aliança em vigor podemos conhecer a Deus como nunca conhecemos antes. Agora na nova aliança Deus se revela ao homem através de seu Filho Jesus de uma maneira que todos poderão conhecê-lo de uma forma bastante real. Vamos ler Jeremias 31:34. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.

Isto significa um conhecimento mais profundo de Deus, um conhecimento do próprio Deus. Mediante o Espírito Santo, Deus trará seu povo redimido ao pico espiritual do conhecimento de seu proprio Ser. Imprimir suas leis em nossa mente e inscrevê-las sobre o nosso coração não é outra coisa que o procedimento utilizado por Deus para chegar ao grande alvo, o de conhecermos o seu próprio Ser. É verdade que ter comunhão com Deus é um fim em si mesmo, mas ao mesmo tempo a comunhão também é um meio de Deus atingir um fim mais importante, que é o pleno conhecimento de Deus, para que fiquemos cheios de Sua plenitude. E conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Efésios 3:19. Tudo isso a Nova Alinaça nos proprociona. Amém

Pr Claudio Morandi.
A Deus toda a Honra e Glória.

ONDE NÓS ESTAMOS SEMEANDO A PALAVRA DE DEUS?

"Um semeador saiu a semear...
E os que estão junto do caminho...".
Lucas 8.5 e 12.

Encontramos em nossa caminhada cristã vários tipos de pessoas: Algumas que nasceram de novo e estão correndo com perseverança a carreira que está proposta. Há outras que estão no início desta caminhada, são criancinhas em Cristo. Encontraremos também aquelas que estão aprendendo, mas ainda não chegaram ao pleno conhecimento da verdade. Também há aquelas que não entendem nada do que é dito na Palavra; a sua atividade é apenas religiosa, vive uma vida de hipocrisia. Estes são pecadores que se escondem atrás de uma capa de religião para se justificarem diante de Deus.

Nossa função não é julgar ninguém, mesmo porque não somos melhores do que eles, mas aprender de Jesus sobre a parábola do semeador (Lembrando que uma parábola não é uma estória, mas uma verdade mostrada por um exemplo): "quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram; e outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade; e outra caiu entre espinhos e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram; e outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto, a cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" Lucas 8.5-8.

Hoje vamos atentar para a semente que caiu na beira caminho. Jesus quando os discípulos lhe pediram para explicar essa parábola, Ele disse: "Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus; e os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo" Lucas 8.11-12.

A Palavra é a semente de Deus para quem semeia e pão para quem come: "Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" Isaías 55.10-11.

A que caiu na beira do caminho, são aquelas que não acharam terra fofa, mas dura. A beira do caminho é onde a terra é pisoteada pelos seus transeuntes. Esta terra é comparado àqueles onde a Palavra de Deus cai num coração duro, num coração cheio de incredulidade: "Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto" Hebreus 3.7-8.

Como disse Jesus, ainda que sejam solos duros, a Palavra é colocada nos seus corações; porque a Palavra de Deus é viva e eficaz (Hebreus 4.12). Como vimos anteriormente, em nossas meditações do dia 15 e 22 de novembro, a Palavra de Deus para ser implantada nos nossos corações, não depende da nossa compreensão ou aceitação. A princípio ela nos traz conhecimento, depois fé. Mas estes não crêem, e então vem o diabo e tira do coração a Palavra: "Eles, porém, não quiseram escutar, e deram-me o ombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem. Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito..." Zacarias 7.11-12.

Aqui mais uma vez Deus nos prova pela Sua Palavra que não é livre-arbítrio; não passa pela mente humana, nem pela vontade do homem. A Palavra de Deus é implantada no coração do homem, mas como é duro o seu coração, vem o diabo e tira a Palavra do coração, para que não lhe resplandeça a luz do evangelho: "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus" II Coríntios 4.3-4.

Com este coração de pedra que o homem nasce não é possível crer na Palavra de Deus, é necessário que este coração seja trocado por Deus: "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis" Ezequiel 36.26-27. "E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou o SENHOR; e ser-me-ão por povo, e eu lhes serei por Deus; porque se converterão a mim de todo o seu coração" Jeremias 24.7.

Enquanto essa mudança de coração não for feita por Deus, a Palavra sempre encontrará um coração duro, e o diabo sempre estará lá para removê-la do seu coração. A nossa função, como um bom semeador, é somente lançar a semente: "Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas" Eclesiastes 11.6; e esperar que Deus, pelo seu Espírito, o faça nascer de novo, para que ele possa ver e entrar no Seu Reino: "Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus... Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" João 3.3 e 5.

Trocar esse coração e fazer nascer é obra de Deus, não depende da capacidade do homem, nem da sua vontade: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" João 1.12-13. "Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir..." Isaías 43.11-12. Amém.

"E os que estão sobre pedra...".
Lucas 8.5 e 13.

Acima Jesus nos ensina sobre aqueles que a Palavra cai à beira do caminho, isto é, a Palavra é colocada em seus corações, mas porque é um coração duro, incrédulo; logo vem o diabo e tira do coração a Palavra. Como podemos notar em todos eles a Palavra é a mesma, os solos é que são diferentes. Nesse, a Palavra caiu sobre pedra: "E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam" Lucas 8.13.

Como disse Jesus, estes são os que ouvem a Palavra, e a recebem com alegria. A sua fé é temporária, mas quando vem a provação, apostatam. A vida cristã não é uma vida de aparências, mas de fé e perseverança: "E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e levantar-se-ão os filhos contra os pais, e os farão morrer. E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo" Mateus 13.12-13. As que caíram sobre pedra, são aqueles que receberam a fé que vem pelo ouvir da Palavra de Deus (Romanos 10.17), mas Cristo ainda não se tornou vida neles: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados" II Coríntios 13.5.

A Palavra de Deus é uma lâmpada que ilumina aqueles que estão em trevas: "Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho" Salmos 119.105; mas a necessidade é que Cristo brilhe em nossos corações: "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo" II Coríntios 4.6. "E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações" II Pedro 1.19.

Enquanto Cristo não for a vida de qualquer pessoa, ele pode apostatar; mesmo que tenha experimentado muitas coisas de Deus: "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério" Hebreus 6.4-6.

Como nos ensina Deus em Sua Palavra, não há mais volta para aqueles em que a semente cai sobre pedra. Como Esaú, eles até podem chorar querendo a benção, mas não encontram lugar de arrependimento; estes não podem ser renovados para o arrependimento: "E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou" Hebreus 12.16-17.

Esse não é o caso daqueles que caem em pecado, se desviam e depois vem para a sua igreja buscando reconciliação. Nesse caso as denominações recebem de volta, mas Deus nunca o recebeu. Ele somente se desvia do convívio com a igreja em que freqüenta, porque o homem nasce em pecado, e é desviado de Deus desde a madre: "Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras" Salmos 58.3; se não houver um nascimento do Espírito, será como uma porca que foi lavada pelo batismo e volta para o lamaçal. Volta suja, tornam a lavá-la e volta a sujar-se novamente: "Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama" II Pedro 2.20-22.

O estado desses em que a semente caiu sobre pedra, fica pior do que o primeiro. Era melhor nunca terem conhecido a verdade. Para esses não há mais volta, só uma expectação horrível de juízo: "Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários" Hebreus 10.26-27. Para o que se desvia da igreja em que freqüenta, pode haver um verdadeiro arrependimento para com Deus, mas para os que a semente caíram sobre pedra não.

Portanto, a exortação de Deus para todos os que têm ouvido a Sua Palavra é: "Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;... Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim" Hebreus 2.1-3, 3.12-14.

"Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma" Hebreus 10.39. Amém.

"A parte que caiu entre os espinhos...".
Lucas 8.5 e 14.

Vimos anteriormente Jesus nos ensinando sobre aqueles em que A Palavra caiu entre pedras. Esses são os que a recebem com alegria, mas é de pouca duração; logo apostatam da fé. Experimentam várias coisas de Deus, tiveram uma candeia alumiando em lugar escuro, mas nunca chegaram ao pleno conhecimento da verdade, no conhecimento de Cristo; a estrela da alva não surgiu em seus corações.

Nessa passagem, Jesus nos ensina sobre aqueles em que a Palavra caiu entre espinhos: "E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição" Lucas 8.14. Há uma outra versão que diz que os frutos não chegam a amadurecer.

Dois tipos de solos não chegam ao conhecimento da Pessoa de Cristo e os outros dois sim. A que caiu entre os espinhos e a que caiu em terra fértil, que veremos em seguida, foram regenerados, chegam a dar fruto; mas a que caiu entre espinhos, os seus frutos não chegam a amadurecer; não servem para Deus, não glorificam a Deus: "Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos" João 15.8.

Deus planta a boa semente, na esperança de colher bons frutos: "Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de participar do fruto" I Coríntios 9.10, mas como disse Jesus, ela é sufocada com os cuidados, riquezas e deleites da vida. A pessoa crê com o coração, permanece na Sua Palavra, e vai o seu caminho como um cristão, mas o cuidado e o prazer pelas coisas do mundo sufocam a Palavra e não deixa que esse cristão dê um fruto perfeito, maduro: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" I João 2.15-17.

Muitos dão como desculpas nos seus muitos afazeres e cuidados com as coisas dessa vida, que tem de cuidar com diligência daquilo que Deus lhes deu, como uma mordomia, mas não é isso. Os cuidados dessa vida não podem sufocar a Palavra que é viva em nós. Eles não podem ser impedimentos para a vida cristã, e sim de edificação. Quando nos são dadas como mordomia, não sufocam a Palavra, mas dá muito fruto. Jesus aqui nos ensina que a que caiu entre espinhos, que são esses cuidados e deleites, sufocam a Palavra. Esses cristãos não dão fruto com perfeição.

A vida cristã é para alegria mútua, tanto de Deus que semeia a boa Palavra, como daquele que dá bom fruto: "E, dizendo-o a Jotão, foi e pôs-se no cume do monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou e disse-lhes: Ouvi-me, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós; foram uma vez as árvores a ungir para si um rei, e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós. Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores? Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós. Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria pairar sobre as árvores? Então disseram as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós. Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores? Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós. E disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre vós, vinde, e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano" Juízes 9.7-15.

A vida cristã, como já vimos anteriormente, é comparada a uma plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado (Isaías 61.3 e Salmos 1.3). Jesus nos ensina que o Pai é o viticultor, Jesus a videira e nós os ramos. Ele cuida para que a sua videira dê muito fruto. Fomos escolhidos por Jesus para dar muito fruto, e não podemos deixar que o mundo, os seus cuidados e os seus deleites nos desviem do propósito de Deus: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda" João 15.1-2 e 16.

Para os cristãos, a amizade do mundo é inimizade contra Deus (Tiago 4.4), mas não podemos esquecer que a sedução das riquezas e os deleites da vida também não o deixam dar fruto com perfeição. Fomos criados para a Sua Glória: "A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória, os formei, e também os fiz" Isaías 43.7, e para publicar o seu louvor e não para envolvermos e nos deleitarmos com as coisas dessa vida: "Esse povo que formei para mim, para que publicasse o meu louvor" Isaías 43.21.

Amar a Deus de todo o nosso coração, de todo a nossa alma e de todo o nosso pensamento é o primeiro e grande mandamento. Amar o próximo como a si mesmo é o segundo e semelhante a este (Mateus 22.37-39). Amar não é buscar o nosso próprio interesse, mas o do outro. Amar a Deus é viver para Ele, buscar o seu interesse e não o nosso; publicar o seu louvor, glorificá-Lo, e dar fruto com perfeição: "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus" Romanos 7.4. Amém.

"E a que caiu em boa terra...".
Lucas 8.5 e 15.

Como vimos anteriormente, Jesus nos ensinando os três tipos de solos em que a Palavra de Deus caiu. No primeiro a Palavra foi colocada no coração, mas vem o diabo e a arrebata para que não creiam. No segundo, a Palavra caiu entre pedras. Esses recebem a Palavra com alegria, mas são de pouca duração, não perseveram na vida cristã. O terceiro caiu entre espinhos. Esses são os que se envolvem com os cuidados, deleites e riquezas dessa vida e não dão fruto com perfeição.

Os seus frutos não chegam a amadurecer, ficam ociosos e infrutíferos no conhecimento de Cristo: "E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe" II Pedro 1.5-9. Só enxergam o que está perto; só atentam para as coisas temporais, as coisas que são visíveis: "Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas" II Coríntios 4.18.

Jesus agora nos fala por último, de um solo fértil, de uma boa terra que recebe a Palavra e dá fruto com perseverança: "E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança" Lucas 8.15. Esses são os cristãos que recebem a Palavra com um coração novo; um coração honesto e bom. Esses são aqueles que guardam a Palavra de Deus em seus corações para não pecar contra Deus: "Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde dentro de ti os meus mandamentos. Guarda os meus mandamentos e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos. Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração" Provérbios 7.1-3.

Essa é a vida que Deus escolheu e nos deu para vivermos diante dEle, a vida de Seu Filho. Essa não é a vida de um cristão especial, ou excepcional, mas de um cristão normal; mas muito raros nesses dias. Como já vimos anteriormente, o mundo hoje vive em alta velocidade, exalta a precocidade. O amadurecimento é feito em estufa, cada um busca o que é propriamente seu e não o que é de Cristo (Filipenses 2.21); mas isto não se conforma com o Reino de Deus: "Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse" Isaías 28.16. "Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia" II Pedro 3.8.

No Reino de Deus, tudo tem o seu tempo próprio, e esse tempo é determinado por Deus: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou" Eclesiastes 3.1-2.

No livro de Marcos, capítulo 4, do verso 4 a 29, Jesus conta a parábola do semeador. Nos versos 16 e 17, ele ensina que a que caiu entre pedras, são aqueles que são apressados, são fora do tempo de Deus: "E da mesma forma os que recebem a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem; mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo se escandalizam".

Logo em seguida, nos versos 26 a 29, Ele nos ensina ao que verdadeiramente se assemelha o Reino de Deus: "E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga. E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa".

A Palavra que cai num coração honesto e bom, o coração de um cristão normal, ela dá fruto com perseverança. O fruto não é nosso, mas de Cristo: "Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" Gálatas 5.22; mas para isso, é necessário que cresçamos em tudo, naquele que é a cabeça Cristo, com um aumento concedido por Deus, e não no tempo desse mundo: "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus" Colossenses 2.18-19.

Como disse Jesus, é necessário primeiro nascer de novo: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" João 3.3, depois crescer na graça e no conhecimento de Cristo: "Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo" II Pedro 3.18; se encher do Espírito: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" Efésios 5.18; depois perseverar nEle, e o fruto se tornará uma conseqüência natural: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" João 15.4-5.

Todo o trabalho é de Deus, de Seu Filho Jesus, e do Espírito Santo. Eles têm lançado a sua semente, regado e trabalhado, para que se regozijem no tempo da colheita: "E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem" João 4.36. Toda vara nEle que não dá fruto será cortada e lançada no fogo (João 15.6). "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" I Coríntios 10.31.

"Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas" Hebreus 6.7-12. Amém.

Edward Burke Junior

A Deus toda a Honra e Glória.