quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

QUEM É O POVO DE DEUS?

"Mas vós sois...a geração eleita...".

I Pedro 2.9.

Nesses dias tão conturbados, onde estamos vivendo tempos angustiosos de incredulidade, e que os homens tem se ajuntado como povo de Deus em várias denominações. Dias em que os ditos cristãos têm comichões nos ouvidos para ouvir coisas agradáveis, e por isso tem ajuntado para si mestres segundo os seus desejos (II Timóteo 4.3-4). Dias de apostasia da fé onde o ensino de demônios tem espalhado como gangrena, mas que não é novidade porque estão previstas pela Palavra. Diante de tudo isto, perguntamos: - Quem é o povo de Deus?

Jesus disse em Mateus 11.12: "E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto". Tomar o reino dos céus de assalto é um absurdo, mas muitos tentam fazê-lo, achando que simplesmente dizer para Jesus: Senhor, Senhor, ou aceitá-lo como seu salvador, e participar de uma denominação, ou mesmo fazer milagres no seu nome é suficiente. Sobre isto Jesus diz: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade" Mateus 7.21-23.

Ninguém toma o reino dos céus de assalto, porque isso não depende da força do homem, nem da sua capacidade, mas do poder de um Deus Soberano: "Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" Romanos 9.11-24.

O povo de Deus é uma geração eleita. Podemos ser membro de qualquer igreja, mas ninguém pode intitular-se um membro do povo de Deus se não for um eleito, porque a nossa eleição é de Deus: "Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus" I Tessalonicenses 1.4. Essa eleição, ou escolha de Deus é para um propósito bendito, separar um povo santo e irrepreensível, que viva diante dEle: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" Efésios 1.4.

Deus escolheu a princípio a nação de Israel, para anunciar as suas grandezas em toda a terra: "Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra. O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos. Mas, porque o SENHOR vos amava..." Deuteronômio 7.6-8. A nação de Israel desprezou esse chamamento de Deus. Hoje, nós os que cremos, somos o Israel de Deus. Somos a sua geração eleita, para que anunciemos as grandezas daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz: "Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus" Romanos 2.28-29.

Este anuncio do evangelho é feito com o propósito de promover a fé, e de congregar os seus eleitos: "Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos; mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador" Tito 1.1-3. "E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna" Atos 13.48.



"Mas vós sois...o sacerdócio real..."



O povo de Deus não é formado de simples membros de igrejas, mas de sacerdotes reais. Qualquer pessoa pode ser feito membro de uma denominação, uma espectadora, mas jamais se intitular um sacerdote real. Somente os membros da Universal Assembléia o são: "Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados" Hebreus 12.22-23.

Na genealogia de Jesus, apresentada em Mateus 01 do verso 01 a 17, mostra no verso 17 que desde a deportação da Babilônia até o Cristo são quatorze gerações: "De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações". Se contarmos a partir da deportação da Babilônia, você encontrará treze gerações e não catorze como diz o texto. Será que o Espírito Santo quando inspirou Mateus errou?

O verso 16 nos ensina que Ele nunca erra: "E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo". Jesus é a décima terceira geração e Jesus o Cristo a décima quarta. Jesus naquela cruz se tornou o último Adão, porque fomos incluídos no seu corpo naquela cruz. Quando Deus deu vida a Jesus na ressurreição, lhe deu um nome que está acima de todo nome: Jesus Cristo. Deus em sua misericórdia nos deu vida juntamente com Ele (Efésios 1.4-5). Jesus se tornou o primogênito dessa nova geração, uma geração eleita por Deus. Nós fomos feitos filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição: "Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição" Lucas 20.36.

Como Jesus Cristo é Sacerdote e Rei, nós que fomos feitos à Sua imagem (Romanos 8.29), somos agora em Cristo, sacerdotes reais, a fim de ministrarmos as coisas espirituais a Deus: "Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo" I Pedro 2.5. "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito" Efésios 2.20-22.

Deus em Malaquias 2.7 nos mostra o perfil do sacerdote: "Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos". Qualquer homem pode ser tomado pelo povo como sacerdote para ministrar as coisas concernentes aos homens (Hebreus 5.1-3), mas um sacerdote real, que ministra sacrifícios espirituais a Deus, só é possível ser aceito por Deus, se estiver em Cristo: "Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre" Hebreus 13.21.

Na figura do tabernáculo, somente o sacerdote podia entrar no santo lugar e ministrar no altar. Agora, como sacerdotes reais, e no verdadeiro tabernáculo, não feito por mãos humanas; o seu povo ministra o verdadeiro altar: "Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial. E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério" Hebreus 13.10-13.

Ninguém está apto para oferecer tais sacrifícios a Deus, somente o seu povo, os seus sacerdotes reais. Esse ministério é o sacerdócio de Cristo, que não tem princípio nem fim, e é segundo a Ordem de Melquisedeque (Hebreus 6 e 7). Nesse sacerdócio não se pode entrar por aclamação, nem fazendo um seminário, somente por escolha do Senhor: "Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos. Como está escrito: Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje" Romanos 11.7-8.

Portanto, somente um homem ou mulher, judeu ou grego, escravo ou livre que morreu e ressuscitou juntamente com Cristo, portanto, está em Cristo, é um sacerdote real. Deus nos fez seus sacerdotes reais, para que lhe ministremos as coisas espirituais e anunciemos as grandezas daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz. Nós, que em outro tempo não éramos povo, mas agora somos povo de Deus; que não tínhamos alcançado misericórdia, mas agora alcançamos misericórdia.



"Mas vós sois...a nação santa..."



O povo de Deus não são aqueles que tomam o nome de cristãos e colocam um nome em suas igrejas. Nem são aqueles que têm uma aparência de piedade. E muito menos uma congregação de pecadores. O povo de Deus é uma nação santa. Tudo o resto é chamado por Deus de Casa de salteadores: "Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. Porventura furtareis, e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Fomos libertados para fazermos todas estas abominações? É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR" Jeremias 7.8-11.

Ser santo não é ser extraordinário, ou perfeito. Ser santo é ser separado por Deus para viver para Ele e crescer nessa separação, até que estejamos inteiramente separados no corpo, na alma e no espírito: "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará" I Tessalonicenses 4.23-24. "Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda" Apocalipse 22.11.

Deus não queria apenas indivíduos santos, mas uma nação que fosse santa. Para isso a princípio, chamou a nação de Israel quando disse: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel" Êxodo 19.5-6; mas eles invalidaram esse pacto. Deus queria que esse povo fosse santo, separado por Deus para ser exclusivamente seu: "E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus" Levítico 20.26.

Como vimos anteriormente, nós os que cremos, somos o Israel de Deus, a sua nação santa, um povo separado por Deus para que vivamos para Ele. Antes éramos pecadores e inimigos de Deus: "A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más..." Colossenses 1.21, mas Ele nos reconciliou consigo mesmo, e nos santificou pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre (Hebreus 10.10), para nos apresentamos perante Ele santos: "...agora contudo vos reconciliou. No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis" Colossenses 1.21.

Ele fez morrer a nós pecadores no corpo de Cristo e nos justificou (Romanos 6.7), e nos santificou para Ele: "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus" Romanos 7.4. Ser feito um santo e ser santificado é obra exclusiva de um Deus Santo (I Pedro 1.16 e Levítico 20.8). Ele é o Deus que nos santificou em Cristo, e agora nos santifica para que vivamos totalmente para Ele: "Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" II Coríntios 5.14-15.

Rejeitar isso não é rejeitar ao homem, mas a Deus que nos deu o Espírito Santo: "Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; ...Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo" I Tessalonicenses 4.3-8.

Somos a sua nação santa, um povo totalmente separado para Ele, para que anunciemos as grandezas daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz. Nós, que em outro tempo não éramos povo, mas agora somos povo de Deus; que não tínhamos alcançado misericórdia, mas agora alcançamos misericórdia.



"Mas vós sois...o povo adquirido..."



O seu povo não é formado de pessoas que simplesmente por um ato de desespero aceitou a Jesus. Nem mesmo porque foi batizado nas águas. Muito menos porque tem um título de pastor ou líder religioso. O povo de Deus é um povo comprado e lavado com o seu sangue: "Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas" Apocalipse 22.14.

Nós não éramos de Deus, porque quem comete o pecado é do Diabo (I João 3.8). Estávamos sob o império da morte, mas Jesus veio nos tirar desse império: "E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão" Hebreus 2.14-15. "Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; o qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" Colossenses 1.12-13.

Estávamos sob o império da morte e éramos escravos do pecado: "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado" João 8.34. "Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Romanos 6.16. Éramos escravos do pecado, estávamos mortos e éramos por natureza filhos da ira: "E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também" Efésios 2.1-3.

Estávamos mortos em delitos e pecados; estávamos sob o império da morte e éramos escravos do pecado, mas Jesus nos adquiriu, nos comprou para Deus com o seu sangue: "E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação" Apocalipse 5.9. Fomos comprados para Deus e agora somos dEle; um povo adquirido por um grande preço, pelo sangue de Jesus: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" I Pedro 1.18-19.

Nós somos o povo adquirido para glorificá-lo: "Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" I Coríntios 6.20. Somos dEle, somente dEle, e nunca mais para sermos escravos de ninguém: "Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo. Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens" I Coríntios 7.22.23. Cristo nos libertou, não necessitamos mais ficar escravos da religião e de homens: "Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão" Gálatas 5.1.

Somos um povo adquirido, um povo seu, especial, remido de toda a iniqüidade, zeloso de boas obras, e para publicar o seu louvor: "O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras" Tito 2.14. "...esse povo que formei para mim, para que publicasse o meu louvor" Isaías 43.21. Somos o seu povo adquirido, para anunciar as grandezas daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz. Nós, que em outro tempo não éramos povo, mas agora somos povo de Deus; que não tínhamos alcançado misericórdia, mas agora alcançamos misericórdia.



"...para anunciar as grandezas,

daquele que nos tirou das trevas

para a sua maravilhosa luz".

I Pedro 2.9.



O povo de Deus não necessita de um templo, nem de um nome, nem de um pastor para anunciar o evangelho. O povo de Deus é luz onde estiver. Cada membro desse povo pode manifestar as suas obras de fé em qualquer lugar: seja no trabalho, em casa, numa fila de banco e etc. Jesus não disse vinde a igreja para ouvir o evangelho, mas "Ide e pregai o evangelho a toda criatura". Onde um filho de Deus adquirido, santo, sacerdote real estiver, ele se torna um anunciador das boas novas: "LEVANTA-TE, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti; porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o SENHOR virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti" Isaías 60.1-2.

Davi no Salmo 62, no verso 11 disse pelo Espírito: "Uma vez falou Deus, duas vezes tenho ouvido isto; que o poder pertence a Deus. A ti também, Senhor, pertence a benignidade...". Nós nascemos numa geração corrupta e perversa como disse Jesus, e precisávamos ser salvos dela (Mateus 16.4 e Atos 2.40). Deus pelo seu poder, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (I Pedro 1.3). Uma geração escolhida por Deus; eleição essa que foi feita antes da fundação do mundo (Efésios 1.4).

Deus nos elegeu, nos chamou, nos justificou e nos glorificou em Cristo: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou" Romanos 8.28-30.

Pelo seu poder, Ele nos tirou dum charco de lodo, dum poço de perdição e colocou os nossos pés na rocha, na rocha eterna (Salmos 40.2); Ele nos colocou nos lugares celestiais em Cristo: "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" Efésios 2.5-6. Ele nos fez sacerdotes reais, sacerdotes chamados para ministrar na Sua Presença, no santíssimo lugar: "Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu" Hebreus 10.19-23.

Pelo seu poder nos incluiu em Cristo, nós os imundos e pecadores. Justificou-nos pela morte, e nos gerou como Seus filhos, quando ressuscitou a Jesus e o declarou Filho de Deus em poder (Romanos 1.4), porque Ele é o autor na nossa salvação (Hebreus 2.10). Somos agora uma nação santa, um povo seu. Ele que é poderoso, nos fez santos e agora nos apresenta ante a Sua Glória sem mácula, sem mancha, incontaminado e com grande alegria: "Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos..." Judas 1.24.

Pelo seu poder Ele nos comprou para Ele, nos adquiriu a preço de sangue, um sangue precioso: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus" I Pedro 1.18-21.

Se você crê no seu nome, e goza desse poder grandioso. Crê que morreu e ressuscitou juntamente com Ele naquela cruz, portanto, Cristo é a Sua Vida. Se você crê que seu escrito de dívida foi riscado e cravado na cruz. Se ele te fez membro dessa geração eleita, e de uma nação santa. Te fez um sacerdote real, e agora você vive inteiramente para Ele, e não mais como escravo do pecado, não se preocupe com genealogias intermináveis, com fábulas, com doutrinas várias e estranhas. Isto nunca trouxe proveito algum aos que com eles se envolveram (Hebreus 13.7).

Antes cresça na graça e no conhecimento de Jesus Cristo que é a Sua Vida, e anuncie com grande alegria essas grandezas, fale desse Deus grandioso; dê o testemunho daquele que te tirou das trevas para a sua maravilhosa luz, e proclame em alta voz: "Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém" Judas 1.25.

A Palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus. Essa Palavra nos salvou e ela é o testemunho de Deus. Deus deu a nós, seu povo, a graça de anunciar o seu evangelho. Somente aqueles que nasceram do Espírito tem autoridade para fazê-lo: "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado" I Coríntios 2.1-2. O tempo do apóstolo Paulo já encerrou. Agora é o nosso tempo de anunciar, daqueles que são testemunhas dessas coisas.

Mediante tudo isto, exaltemos juntos ao nosso Deus com a Sua Palavra que diz: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém" Romanos 11.33-36.
A DEUS toda a devida honra e glória!

A MISSÃO DOS REGENERADOS EM ATOS.

E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Atos 13:2.



A Igreja em Antioquia experimentava um crescimento extraordinário (Atos 11:21,26) quando o Espírito de Deus separou Barnabé e Saulo para a obra missionária. Os regenerados daquela comunidade receberam ,com alegria, o desafio de transpor, com a mensagem do Evangelho, seus limites espirituais e geográficos. Mesmo sendo ainda uma igreja embrionária, os regenerados de Antioquia compreenderam que a razão da sua existência como igreja era a mesma que os tinha feito existir: Missões. Igrejas e pessoas investiram tempo, recursos e talentos, para que eles, e nós, hoje, existíssemos como igreja. É necessário compreendermos que, como povo regenerado de Deus, somos chamados, enviados, capacitados, e maravilhados pelo Espírito Santo para a obra missionária:

1. Chamados Pelo Espírito Santo Para a Obra Missionária (Atos 13:2):

a. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo... - A voz de Deus é facilmente ouvida por aqueles que coletiva e individualmente estão em comunhão com Ele. O que nos surpreende aqui não é o fato de Deus ter falado, pois Ele sempre continuará falando à Sua Igreja em todas as gerações, mas o fato daquela igreja ter ouvido claramente a voz do Espírito Santo. Fica evidente que quando estamos em estado de consagração, através de jejum e oração, ficamos mais sensíveis à voz do Espírito, e mais facilmente entendemos e nos submetemos à Sua direção.

b. Que vozes você está ouvindo hoje? Que vozes esta igreja está ouvindo hoje? Que valores espirituais estamos desenvolvendo em nossos corações? Qual é o nível de sensibilidade que temos para com os sons que vêm do céu? Temos ouvindo claramente o chamado do Espírito Santo para a obra missionária? Possivelmente estamos ouvindo, hoje, as vozes dos tesouros que estão em nossos corações.

c. Toda aquela igreja foi chamada à obra missionária. Barnabé e Paulo foram especificamente enviados na linha de frente daquele empreendimento. Quando uma igreja desenvolve a capacidade de ouvir distintamente a direção de Deus, ela não se negará a enviar os seus melhores.

2. Enviados Pelo Espírito Santo Para a Obra Missionária (Atos 13:4):

a. ... e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Atos 13:3. Deus não chama indivíduos solitários, independentes, mas indivíduos conectados, encorporados na vida da igreja local, para a obra missionária. Num sentido específico. Barnabé e Paulo foram enviados. Num sentido mais amplo, toda aquela igreja foi enviada, e a autoridade espiritual daquela comunidade foi transferida e imputada a Barnabé e Paulo através da imposição de mãos. Eles saíram da igreja para o mundo, da comunidade dos regenerados para o alcance dos não alcançados.

b. Sem sombra de dúvida, eles foram despedidos supridos dos recursos, mantimentos, e meios necessários à obra a ser realizada. A vida de fé não é apenas exigida daqueles que estão na linha de frente dos flancos missionários e ministeriais, mas também de todos os que enviam. Enviadores e enviados são igualmente chamados a viver pela fé.

c. No processo de envio é o Espírito Santo quem determina a estratégia e os locais a serem alcançados. Atos 16:6-10. Cabe-nos sensibilidade, compreensão e submissão à direção do Espírito. O Processo de envio é contínuo. Isto não acontece apenas no dia do chamado formal, pois o Espírito Santo continuará permanentemente a enviar aqueles a quem Ele um dia chamou.

d. A visão em Atos 16:9,10 foi dada diretamente a Paulo, mas todos os outros imediatamente obedeceram a direção de Deus: ... concluindo que Deus nos havia chamado.... A visão nunca é coletiva, sempre começa no coração de um indivíduo, mas precisa ser submetida, compreendida e confirmada pelo grupo ou pela comunidade.

3. Capacitados Pelo Espírito Santo Para a Obra Missionária (Atos 13:9 e 52):

a. A capacitação do Espírito Santo se evidencia quando estamos cheios dEle. Logo em seu primeiro encontro no campo missionário, Barnabé e Paulo foram desafiados em um confronto entre a Palavra de Deus e a palavra estabelecida naquela cultura. A Palavra de Deus prevaleceu.

b. O desafio da obra missionária só será cumprido por aqueles que, coletiva e individualmente, mantiverem-se cheios do Espírito Santo. "Missões" é sinônimo de desafios, de empreendimentos, e de incertezas, e somente aqueles que estiverem cheios do Espírito perseverarão o suficiente para verem os sonhos e as visões dadas por Deus se tornarem realizações e realidades.

c. As privações decorrentes do envolvimento na obra missionária só serão aceitas com resignação por aqueles que estiverem cheios do Espírito Santo. "Missões" também é sinônimo de adversidades, de confrontos, de antagonismos e de privações, e somente os cheios do Espírito serão capacitados a amarem mais a Deus e ao próximo, a ponto de resignarem o amor a si mesmos, para cumprir cabalmente o seu ministério.

d. As oposições e batalhas espirituais só serão vencidas por aqueles que estiverem cheios do Espírito Santo. Avançar com a Palavra significa fazer recuar o inferno. À medida que o Evangelho é pregado, o inferno é saqueado, almas são libertas e salvas, e Satanás com seus anjos caídos se levantam em retaliação contra a igreja e contra os seus enviados. Os cheios do Espírito desenvolverão discernimento espiritual (Atos 16:16-18) e resistirão o suficiente até verem o Diabo e seus anjos fugirem.

4. Maravilhados Com o Espírito Santo na Obra Missionária (Atos 13:41):

a. No seu primeiro sermão no campo missionário, Paulo faz menção da possibilidade dos habitantes de Antioquia da Psídia serem considerados desprezadores da obra que estava sendo realizada no meio deles. Contudo, o desejo do apóstolo era que eles, pelo contrário, se maravilhassem e fossem até abalados (desvanecei) com a obra de Deus. É preciso envolvimento pessoal e coletivo, participação e engajamento, para nos maravilharmos continuamente com o poder e com a graça de Deus demonstrados na obra missionária.

b. Você tem hoje a opção de maravilhar-se com o poder do Espírito Santo demonstrado na obra missionária, ou ignorar e desprezar o que Deus está fazendo no cumprimento do Seu plano de salvar a humanidade. No que concerne à missões, certamente hoje, existem mais desprezadores do que maravilhados na igreja.

c. ... não crereis se alguém vô-la contar. Paulo não acreditaria se Deus tivesse mostrado de antemão o que faria através dele. Os reformadores Knox, Lutero, e Calvino não acreditariam se lhes tivesse sido revelada a abrangência do impacto mundial de seus sermões e escritos. Certamente, João Wesley não acreditaria se lhe tivessem dito que a simplicidade de sua vida e pregação seriam usados por Deus para avivar um país inteiro. Charles Finney, um santo homem de Deus, teria muita dificuldade em acreditar que, mesmo ainda 100 anos após a sua morte, cidades inteiras nos Estados Unidos experimentariam o avivamento por ele iniciado.

Tendemos a fazer as coisas para Deus usando as sobras do nosso tempo, dos nossos talentos, dos nossos recursos financeiros, e esquecemos que a nossa regeneração foi obtida por meio de um sacrifício. A sua vida cristã veio à existência por causa de um sacrifício. Que a sua missão cristã seja continuamente realizada nesta mesma perspectiva, porque a missão dos regenerados em Atos foi realizada no sacrifício de suas vidas.
A DEUS toda a devida honra e glória!
Valdeci Lopes.

NÃO EU,MAS CRSITO VIVE EM MIM

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Romanos 7:18-19

Nesta passagem está registrada uma profunda verdade que todo cristão deve aprender: em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum. Este assunto é de difícil discernimento, contudo, ao ganharmos a revelação deste fato, começamos a contemplar um pouco do significado da caminhada cristã. O Senhor Jesus falou certa feita: Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. João 15:5.

O projeto do Senhor para a nossa vida visa, por um lado, revelar quem nós somos, e por outro, mostrar quem Ele é. Por desconhecermos esta verdade, o nosso viver diário é marcado por constantes fracassos. Estes fracassos ocorrem, principalmente por desconhecermos por completo quem somos. O novo nascimento não implica simplesmente numa transformação de vida, mas numa real substituição de vida: a nossa pela de Cristo. No livro de Gálatas 2:19b e 20 está escrito: Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé do filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.

Na esfera da vida natural o viver cristão é impraticável. É loucura e perda de tempo o homem tentar imitar a Cristo. O texto é claro: em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum. No entanto, mesmo a Bíblia nos ensinando este fato, continuamos gastando tempo e mais tempo tentando servir a Deus; tentando fazer a obra de Deus e imitar ao Senhor pela nossa própria carne. É interessante observar que o apóstolo Paulo admitiu que nele havia um desejo de fazer o bem, contudo, foi categórico quando afirmou: em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum. Por mais que ele, mesmo regenerado, tentasse agradar a Deus com a sua vida natural, o resultado era sempre o mesmo: fracasso total. Será que é diferente conosco? Buscar agradar a Deus na força da nossa carne é insensatez.

Por que havia em Paulo este desejo de fazer o bem? De onde ele herdou este querer o bem? No livro de Gênesis 2:16-17 encontramos a resposta: E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Observemos que a árvore proibida, da qual o cabeça federal da raça humana – Adão – tomou o fruto e se alimentou, chamava-se árvore do conhecimento do bem e do mal. Herdamos de nossos primeiros pais uma natureza caída e rebelde. Contudo, precisamos lembrar que não só a maldade faz parte da constituição humana caída, existe uma bondade natural também. O velho homem é composto não só de incredulidade, maldade, corrupção, impureza, mentira, engano..., ele também se expressa muito bondoso, alegre, humilde, paciencioso, generoso, cavalheiro, religioso... . Estas atitudes, por mais louváveis que sejam, partem da vida natural do homem, ou seja, é herança da árvore proibida. Na Cruz, o nosso velho homem foi crucificado com Cristo. O mal e o bem foram cravados em Cristo, em sua morte. (Romanos 6:6). Agora sabemos de onde Paulo herdou o querer o bem!

Jamais poderemos agradar a Deus com a nossa vida natural. Nada do que a carne possa produzir será aceito por Deus. Voltando a Paulo, concluímos que, mesmo admitindo o seu desejo em fazer o bem, ele reconheceu que havia em seu íntimo uma inclinação natural para o mal. Daí o seu grande grito de desespero: Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Romanos 7:24.

A resposta a este clamor vem em seguida: Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Romanos 7:25a. É bom observar que, quem liberta é uma Pessoa e não um conjunto de ensinos religiosos. Somente Cristo pode viver a vida cristã em nós. É pura presunção tentar viver a vida cristã na força carnal.

O problema é que muitos crêem que são intrinsecamente bons ou morais. Pelo menos, dizem: não somos tão maus quanto os outros. Mas aqueles que foram chamados por Deus, sabem claramente que a suas justiças são abomináveis aos olhos celestiais. O profeta maior aponta: Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapos de imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam. Isaías 64:6.

Muitos filhos de Deus pensam que podem servi-lo com as suas vidas naturais. São extremamente ativos, dedicados, zelosos e cheios de boa intenção, no entanto, o Senhor não pode aceitar nada de suas mãos, pois o que realizam são suas próprias obras, não as de Deus. Está escrito em Efésios 2:10: Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. A vida natural é tremendamente forte em todos nós por isso, o Pai, em sua graça, precisa soprar sobre nós, os seus suaves ventos de tribulações. É o tratamento da cruz. As provações e os sofrimentos sobre os santos têm como finalidade leva-los ao fim de si mesmos. Qual é o único lugar existente neste universo capaz de lidar com o nosso ego? A cruz. Deus não está interessado no quanto podemos produzir para Ele, Ele quer contemplar o seu Filho bendito em cada regenerado. Pense nisto: Se o Senhor Jesus "desistiu" de você lá no Calvário, por que você não faz o mesmo?

Recentemente aprendi algo muito precioso. Há quatro tipos de relações entre uma pessoa e Cristo. A primeira diz: Tudo eu e nada de Cristo. A segunda: Eu e Cristo. A terceira: Cristo e eu. A quarta: Não eu, mas Cristo. É exatamente esta última que apresenta a expressão genuína do cristianismo. O apóstolo Paulo afirmou: Porquanto, para mim, o viver é Cristo. Filipenses 1:21a.

Paulo não está dizendo aqui que ele tem como alvo o ser igual a Cristo. Ele também não diz que Cristo é o seu padrão maior de imitação. Ele simplesmente afirma: Para mim, o viver é Cristo. Em outras palavras, Paulo está afirmando que Cristo é a única razão do seu viver. Se não podemos dizer: Já não sou eu quem vive, Mas Cristo vive em mim, não sabemos nada sobre o cristianismo. Irmãos, Deus não está interessado no melhor que cada regenerado pode oferecer a Ele, o seu desejo é que o seu Filho cresça e nós diminuamos. Crescimento espiritual é o acréscimo de Cristo e o decréscimo de cada um de nós. O Pai celestial busca uma única coisa nos seus santos: Contemplar o seu Filho amado. O livro de Colossenses 3:11 aponta: No qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos. Ninguém que se encontra cativo pelo seu próprio ego pode ser usado por Deus. Os que vivem centrados em seu próprio eu se encastelam em suas próprias justiças, se exaltando quando conseguem algum sucesso, ou buscando um culpado quando os fracassos batem em suas portas. Somente a operação da cruz pode tratar deste maldito ego dominador. Por sermos tão amantes de nós mesmos, Deus precisa ordenar circunstâncias especiais para tratar com o nosso eu. Deus, em sua providência, sabe como lidar conosco.

O princípio da cruz não é um assunto temporal, ele atravessa o véu do tempo e repousa na eternidade. A cruz é o único meio pelo qual o homem pode encontrar a libertação do seu pecado, do mundo, do diabo, da carne e do eu. Precisamos da graça para compreender que a cruz é um principio que governa a Trindade santa. Necessitamos de revelação para vermos que a Igreja só pode se expressar como uma realidade espiritual, se a operação da cruz for um fato real no viver de cada santo. O texto de 2 Coríntios 4:10 diz: Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Que se frise bem: à parte da operação da cruz, é impossível tocarmos a realidade espiritual do Corpo de Cristo. Cada regenerado foi chamado para viver para uma única Pessoa. A Igreja, o Corpo de Cristo, também tem um único chamado: viver exclusivamente para agradar ao seu Senhor. O texto de 2 Coríntios 5:14-15 revela: Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. Cristianismo é poder afirmar com convicção: Não eu, mas Cristo vive em mim. A melhor coisa a se fazer é: "jogar a toalha", ou seja, render-se completamente, desistir de nós mesmos. Permita que o doce Espírito Santo aplique profundamente a cruz em sua vida. O tratamento da cruz é doloroso, pois ele toca no âmago do nosso ser, e mexe com todas aquelas coisas, que por nós mesmos, jamais tocaríamos. Só seremos transformados à imagem do Filho de Deus na medida em que a cruz realizar a sua obra em nós.

Para sermos bênçãos na vida de outros, a cruz é um principio insubstituível: Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida. Lucas 9:23 e 2 Coríntios 4:12. Que Deus, em sua graça, revele a sua palavra no coração de seus santos!
A DEUS toda a devida honra e glória!
Pr:Tomax Germanovix

CEGO DE NASCENÇA

E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. João 9:1.

Gênesis e João são os dois livros que falam do "princípio". Gênesis narra o princípio das coisas criadas. O evangelho de João fala do "principio", da eternidade. Em Gênesis, vemos como se deu o início do pecado; em João, vemos como se dá o fim do pecado. Em Gênesis, o pecado é definido como a transgressão da palavra de Deus; No evangelho de João, o pecado é definido como incredulidade.

O homem em pecado está em profundas trevas. Sua condição é de uma criatura caída, totalmente depravada. O profeta Isaías, por revelação divina, nos mostra a verdadeira condição do homem nascido neste planeta terra. Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, tu, ó terra; porque o SENHOR tem falado: Criei filhos, e engrandeci-os; mas eles se rebelaram contra mim. O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo. Isaías 1:2-6.

O "mundo" está envolto em densas trevas. Cada um de nós traz no coração o peso desse estado. Porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos. Isaía60: 2:a. Um fato importante que as Escrituras nos revelam é que esse estado em que o " mundo" se encontra é fruto de uma desobediência do cabeça da raça humana. Mas você pode se perguntar: o que tenho a ver com a desobediência de Adão? A verdade é que nós existimos por causa dele; isto significa que, quando Deus o criou, nós estávamos nele. Portanto, se Deus não tivesse criado Adão, nós não existiríamos. Assim sendo, quando Adão caiu, ele nos levou junto nessa queda, porque estávamos nele.

E por essa queda todos nós nascemos espiritualmente em profundas trevas. Por isso, quão necessários é sermos guiados pela "Luz". A realidade desse fato está exemplificada na história da saída dos israelitas do Egito para Canaã. O Egito é um tipo de trevas. Deus os tirou das trevas para guiá-los sob uma coluna de nuvem. E o SENHOR ia adiante deles, de dia, numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Êxodo 13:2. O Senhor não só tirou o Seu povo do domínio das trevas, mas desceu para conduzi-los durante a viagem pelo deserto. Pois Deus sabia perfeitamente dos perigos existentes nessa jornada. "O caminho do deserto" era uma rota cheia de obstáculos. Aqui vemos a presença constante da "Luz". Ai daquele que caminha neste mundo sem a presença da Luz!

No evangelho de João, no capítulo 8, o nosso Senhor se revela perante os homens como a luz do mundo, e no capítulo 9, Ele é a luz em ação, revelando-nos o que faz no homem. "E passando Jesus, viu". Isto era a graça divina. Este cego de nascença não só recebeu a "luz do dia", a cura física, como também "a Luz da vida, a salvação da alma. Isto se cumpre porque o nosso Senhor disse: Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. João 8:12.

"Cego de nascença": Essa é a condição de todos aqueles que nascem neste mundo, cegos espiritualmente, sem entendimento, em profundas trevas. Por isso ele não pode ver sua condição, ele não pode ver que necessita de um Salvador. É preciso que o Salvador o veja para que este receba visão. "E passando Jesus, viu um cego de nascença". O Senhor faz, com a Sua saliva, lodo da terra e aplica-o nos olhos do cego de nascença. Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. João 9:6. Este barro figurava a humanidade de Cristo na Sua humilhação terrestre e na Sua humildade, apresentada aos olhos dos homens. Jesus mandou o cego se lavar com água: E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo. João 9:7. Água, nas Escrituras, tipifica a palavra de Deus; o cego obedeceu imediatamente sem questionar, não fez nenhuma pergunta, e o resultado foi que ele ganhou visão. Este milagre foi realizado fora do "templo", e isso mostra que o homem está alienado, distante de Deus.

Siloé quer dizer "Enviado". O poder do Espírito e da Palavra faziam conhecer Cristo como sendo o Enviado do Pai, transmitindo, ao cego, visão. Esta é a história da graça de Deus agindo no coração do homem. A graça da parte de Deus descendo, Cristo, como homem, para nos dar visão – O VERBO DE DEUS – descendo até às necessidades e às circunstâncias do homem. Deus-Homem se "curva" diante dos homens caídos para elevá-los ao conhecimento da Sua gloriosa Pessoa. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João 1:14.

É o Verbo de Deus feito carne, feito homem, que habitou entre nós na plenitude da graça e da verdade. Eis o grande fato de que o Evangelho nos fala: Deus-Homem entre os homens. A perfeita expressão de Deus, tomando a própria natureza do homem quanto a tudo que se encontra no homem, indo ao encontro de todas as necessidades humanas. É a expressão perfeita Daquele que é cheio de graça, fonte de toda a benção. A glória em que Jesus Cristo se manifestou era a de um Filho Unigênito vindo da parte do Pai, de quem pode dizer: E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. Mateus 17:5.

A graça se manifestou em favor dos perdidos, graça essa fruto do amor de Deus. A vinda de Cristo a este mundo nos revelou dois fatos: o verdadeiro caráter de Deus e o dos homens. Deus é perfeito como somente Ele pode ser, Deus é amor. Mas o homem é totalmente depravado em seu caráter. O amor brilha em todo o seu fulgor, e a graça é-nos dada! A verdadeira Luz, vinda ao mundo, brilhava para todos os homens, e o mundo, mergulhado em trevas e cego, não o compreendeu. Como o cego de nascença não pode ver o Salvador, nós também não podemos vê-Lo, pois é necessário que os nossos "olhos" sejam "lavados" com água, símbolo da palavra de Deus, para ganharmos a visão da "Vida".

Por isso, o nosso Senhor disse: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas". O nosso Senhor presta testemunho de Si mesmo. Jesus afirma categoricamente: "Eu sou", nome supremo de Deus. Grandiosa revelação! Que sublime revelação para aqueles que O seguem. O próprio Deus é a própria bondade neste mundo de trevas. Graças sejam dadas a esse Deus que se interessou pelos homens. Sublime amor!

A morte é o fim do homem enquanto o homem está neste mundo. Não resta senão o Juízo de Deus. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo. Hebreus 9:27. O homem está realmente em profundas trevas, mas Deus em Cristo intervém em graça. Cristo tomou a vida humana em graça e sem pecado; e, nesta vida, na qual não conheceu o pecado, tomou o pecado sobre Si, para que Nele recebêssemos a vida. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. Quanta honra para Deus quando o Senhor Jesus foi voluntariamente para a cruz a fim de ali glorifica-Lo, quando na cruz restituiu o que a humanidade perdeu em Adão.

O pecado trouxe morte e a morte lançou trevas sobre a face da terra. Mas o nosso Senhor trouxe o poder da vida divina ao seio da morte. E a morte foi aniquilada diante desse poder, porque, onde há "Vida", a morte já não existe. Deus é glorificado nesta obra de graça, e é a glória do Filho de Deus que resplandece trazendo vida eterna ao homem morto em delitos e pecados. Foi na cruz que o Senhor abriu as comportas eternas do amor, caso contrário, ficariam fechadas para sempre.

Se o nosso Senhor Jesus continuasse até os dias de hoje percorrendo o mundo "fazendo o bem", o véu do templo continuaria inteiro, e o mundo, completamente mergulhado em profundas trevas. Foi a Sua morte na cruz que rasgou essa "misteriosa" cortina de alto a baixo. E Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo. Marcos 15:37-38. O pecado tinha de ser aniquilado, todo o poder do inimigo devia ser destruído. Como poderia acontecer isto? Somente pelo derramamento de sangue. O caminho de entrada para a "Luz" foi salpicado pelo sangue. A cruz foi o grande e único ato pelo qual o homem é transportado do "império das trevas" para a luz. O nosso resgate não foi na manjedoura, nem no jardim do Getsêmani, nem no deserto, nem no monte da transfiguração, mas somente sobre o madeiro. E foi ali que Ele inclinou a Sua bendita cabeça e deu a Sua preciosa vida sob o peso das trevas, e disse: "Está Consumado". Deus aceitou o valor desse sacrifício e ressuscitou o Seu bendito Filho de entre os mortos, glorificando-O à Sua destra. Este mundo é na verdade um lugar de trevas. Mas, no coração de um nascido de novo, já não existe noite. Ele foi chamado das trevas para a luz admirável de Deus. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. 1 Pedro 2:9. A Estrela da manhã apareceu em seu coração, e, portanto, nele há luz. Conheceu o Senhor Jesus Cristo como o Sol da justiça e também como a Estrela da alva. E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. 2 Pedro 2:19.

Na cruz, tudo foi realizado por nós. Fomos libertos de nós mesmos para nos ocuparmos com a Sua glória. Fomos feitos reis e sacerdotes para Deus, que nos selou em Cristo com o Espírito Santo. Que cada um de nós possa dizer: "uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo". Amém.
A DEUS toda a devida honra e glória!