domingo, 8 de novembro de 2009

VOCÊ JÁ NASCEU DE NOVO???

Você já nasceu de novo???

Não pergunto se você tem religião, se é batizado, ou pertence a alguma igreja de qualquer denominação, se é ministro ou leigo, nem se é ateu ou devoto; mas se você já nasceu de novo? Você pode ser e ter tudo neste mundo, mas se não nascer de novo, não tem o reino de Deus. Disse Jesus: "Se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus" João 3:3. Não ver o reino de Deus é ir para o inferno e para o lago de fogo. "Os ímpios serão lançados no inferno" Salmo 9:17. "A morte e o inferno serão lançados no lago de fogo" Apocalipse 20:14. Não será bom perder a sua alma porque o sofrimento há de ser horrível e para sempre. Não se apóie na sua incredulidade negando o inferno, porque a Palavra de Deus não mente e você terá de crer quando estiver lá e será tarde demais para se arrepender. Isto não é ameaça, mas é um aviso verdadeiro para que você não vá para o lugar de tormento. Pense no valor de sua alma e responda esta pergunta. VOCÊ JÁ NASCEU DE NOVO?

A razão do novo nascimento é que todos nascemos com uma natureza desobediente e rebelde contra Deus. "Andastes segundo o curso deste mundo, segundo o Príncipe das potestades do ar, o diabo, e do espírito que agora opera nos filhos da desobediência" Efésios 2:2. Deus nos considera imundos e podres aos seus olhos. "Todos nós somos como o imundo...desde a planta do pé até a cabeça, não há nele coisa sã, senão feridas, inchaços e chagas podres" Isaías 64:6 e 1:6. Não havendo em nós condição de melhorar, Deus decidiu criar-nos de novo em Cristo. "Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo" II Coríntios 5:17. Quem morre sem novo nascimento, não tem mais oportunidade de ser salvo. Você já nasceu de novo?

A palavra de Deus afirma que Cristo sofreu a nossa morte na cruz. "O amor de Cristo nos constrange a julgar assim: um morreu por todos, logo todos morreram" II Coríntios 5:14. Todos morremos na morte de Cristo porque aquela morte era nossa. Ele morreu por nós. "Carregando ele mesmo, em seu corpo, os nossos pecados sobre a cruz, para que nós mortos aos pecados vivamos para a justiça" I Pedro 2:24. Fomos incluídos em Cristo na crucificação como ele disse: "Quando eu for levantado da terra atrairei todos a mim mesmo" João 12:32. "Todo aquele que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira alguma o lançarei fora" João 6:37. É verdade que morremos com Cristo, e fomos ressuscitados com ele. "E nos ressuscitou juntamente com Cristo" Efésios 2:6 "Nele também ressuscitaste dos mortos" Colossenses 2:12. Nascemos de novo pela nossa ressurreição com Cristo. "Bendito seja o Deus e Pai do nosso senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos" I Pedro 1:3. "Porque se fomos unidos com Cristo ns semelhança de morte, também o seremos na da sua ressurreição" Romanos 6:5

Morrendo em Cristo perdemos a nossa vida pecadora, e pela nossa ressurreição com Ele ganhamos a sua vida justa e santa. Isto é novo nascimento.

Creia na Palavra de Deus e ore assim: Senhor, confesso a minha morte e ressurreição com Cristo, e sua vida está em mim, por tua misericórdia.

Com esta experiência você terá a certeza de sua regeneração, e poderá confessar que:


VOCÊ JÁ NASCEU DE NOVO.
Pastor Eliseu Olak.
Maranata,vem Senhor Jesus Cristo.

sábado, 7 de novembro de 2009

REFLITA SOBRE ESTE TEMA DA PALAVRA DE DEUS.

"Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria

casa; a qual casa somos nós...".

Hebreus 3.6.



A aparência de uma casa é a expressão de quem mora nela. Seus móveis, sua disposição, limpeza e arrumação, tudo expressa o seu morador. Quando estávamos nas paixões dos pecados, expressávamos aquele que habitava em nós: o pecado: "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim" Romanos 7.19-20.

Expressávamos o caráter daquele que habitava em nós. Nossa casa mostrava toda a nossa miséria: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" Romanos 7.24.

Nosso corpo manifestava em tudo, o quão miseráveis éramos. Um dia o Senhor nos tirou de um charco de lodo, de um poço de perdição, colocou os nossos pés sobre uma rocha, lavou-nos com água limpa (Ezequiel 36.25), e limpou a casa. Tornou-a varrida e adornada para habitação do seu Espírito: "Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo" Tito 3.4-5.

Não sou eu mais quem vive, mas Cristo é quem vive em mim. Esta casa agora esta sendo transformada, e irá cada vez mais expressar o seu caráter, a sua liberdade, a sua vontade, a sua santidade, a sua vida: "Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" II Coríntios 3.17-18.

Agora esta casa tem um novo morador. Não estamos mais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em nós (Romanos 8.9). Se Cristo vive em nós, este novo morador irá transformar agora a sua morada, e já começou a expressar por ela o seu caráter.

Não estamos mais em trevas. Este novo morador trouxe luz para a sua casa, e um tesouro: "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro" II Coríntios 4.6-7.

O que é necessário ficar claro para nós, é que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, e que foi comprado por um bom preço. Ele foi comprado para ser local de glória e não mais de pecado: "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" I Coríntios 6.19-20.

Este corpo agora não nos pertence mais, ele é do Senhor (I Coríntios 6.13). Ele agora não é um convidado, mas o novo morador. Não um morador temporário, mas um morador eterno: "No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito" Efésios 2.22. Amém.
Maranata,vem Senhor Jesus Cristo.
Charis.com.br

domingo, 1 de novembro de 2009

A PROVIDÊNCIA DE DEUS E A ORAÇÃO DE SEUS SERVOS.

Jesus nos ensinou a orar: “… Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). A oração não é uma tentativa de mudar a vontade de Deus, mas sim a manifestação sincera do nosso desejo de submeter-Lhe os nossos projetos, aspirações, sonhos e necessidades. A oração sincera se caracterizará pelo intenso desejo de submeter nossos desejos à vontade de Deus. Esta submissão não é algo simplesmente aprendido pela razão, embora mesmo racionalmente temos argumentos para assim proceder, pelo fato de sabermos que Deus é sábio, bondoso e onisciente. “Somente o Espírito pode capacitar-nos a subordinar todos os nossos desejos à glória divina”.[1] A submissão a Deus é um aprendizado da fé, através de nossa comunhão com Ele.

Quando pedimos que Deus faça a Sua vontade, o fazemos não resignadamente, como se não tivesse jeito mesmo, ou como se Deus fosse o nosso inimigo que nos venceu e que agora só resta nos submeter humilhantemente… Não! A nossa oração é feita com amor e confiança, certos de que a vontade de Deus é sempre a melhor, de que ela sempre é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2); por isso, temos prazer em cumpri-la, conforme bem expressaram Davi e Paulo, respectivamente: “Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei” (Sl 40.8). “Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus” (Ef 6.6). Somente um coração que tem dentro de si a Palavra, pode sentir prazer na vontade de Deus e, se alegrar na manifestação do Seu poder.

Ao orarmos sinceramente, conforme nos ensinam as Escrituras, estamos submetendo a nossa vontade a Deus; isto significa que não pretendemos ensinar a Deus, nem mudar a Sua vontade; antes, nos colocamos diante dEle dizendo: Eu creio que a Tua vontade é a melhor para a minha vida, cumpre em mim todo o Teu propósito. Orar é entregar confiantemente o nosso futuro a Deus a fim de que Ele concretize Sua eterna e santa vontade em nós. A oração revela o nosso desejo de que a vontade de Deus se realize.[2]

João Calvino (1509-1564), comentando esta petição, diz:

“Com esta prece somos induzidos à negação de nós mesmos, para que Deus nos reja conforme o Seu arbítrio. Nem somente isto, mas também que, a nada reduzidos a mente e o coração nossos, crie Deus em nós mente nova e novo coração, para que em nós não sintamos qualquer frêmito de desejo que a pura anuência para com a Sua vontade. Em suma, que não queiramos nós próprios algo de nós mesmos; pelo contrário, que Seu Espírito nos governe o coração, para que, ensinando-nos Ele interiormente, aprendamos a amar as cousas que lhe aprazem, a, porém, odiar as que Lhe desagradam. De onde também isto se segue: que todos e quantos sentimos à vontade se Lhe opõem, a esses renda-os e vãos e írritos.”[3]



A Oração do Senhor nos ensina a pedir a Deus que realize a Sua vontade aqui na terra como é feita no céu. Oramos para que a vida na terra se aproxime o máximo possível a do céu, onde os anjos cumprem perfeitamente a vontade de Deus (Sl 103.21).[4]

A vinda do reino (Mt 6.10) é o resultado lógico do cumprimento da vontade de Deus. Quando assim oramos, estamos seguros de que Deus age sempre em a) Sabedoria; por isso confiamos nos Seus propósitos; b) Poder; sabemos que Ele é poderoso para cumprir perfeita e totalmente os Seus propósitos; c) Fidelidade; Deus é fiel a Si mesmo e por isso, Se revela fiel a nós através de Suas promessas; d) Amor; a Sua vontade é sempre amorosa; o amor de Deus é aquele que se sacrifica pelo Seu povo.

Finalizando a análise deste princípio, devemos mencionar um outro: A submissão. A submissão deve reger as nossas orações. Esta atitude vemos plenamente exemplificada em Cristo, em Sua oração proferida próxima ao Seu martírio: “Meu Pai: Se possível, passa de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres” (Mt 26.39). O ministério terreno de Cristo foi uma manifestação constante da Sua obediência desde a Sua encarnação, passando por todos os desafios inerentes à Sua missão, até a Sua auto-entrega na cruz em favor do Seu povo (Vd. Fp 2.5-8; Hb 5.8).

A oração está relacionada com a Providência de Deus. Se por um lado, nós não podemos delimitar a ação de Deus às nossas orações, por outro, devemos estar atentos ao fato de que Deus nos abriu a porta da oração a fim de exercitarmos a nossa fé em paciente submissão. Entendemos que as nossas orações quando feitas por um motivo justo, através de Cristo e, partindo de um coração sincero, fazem parte da execução do plano de Deus. “Quando Deus nos dá aquilo que pedimos, é como se essas coisas tivessem nelas a estampa de nossas orações!”[5]

Portanto, não devemos nem podemos pedir qualquer coisa a Deus contrária à vontade de Jesus Cristo, visto que as nossas orações são feitas em Seu nome. “Solicitar algo a Deus, em nome de Cristo, quer dizer solicitar-lhe algo em harmonia com a natureza de Cristo! Pedir algo em nome de Cristo, a Deus Pai, é como se o próprio Cristo estivesse formulando a petição. Só podemos pedir a Deus aquilo que Cristo pediria. Pedir em nome de Cristo, pois, significa deixar de lado nossa vontade própria, aceitando a vontade do Senhor!”[6]

Quando oramos, estamos exercitando o privilégio que Deus nos concedeu, amparados na Sua Palavra que nos mostra as Suas promessas.[7] A nossa oração é dirigida ao Pai, sabendo que Ele é um Pai onisciente e providente: por isso, não pretendemos e, de fato não podemos mudar a vontade de Deus. E, francamente, ainda que pudéssemos, ousaríamos fazê-lo? Será que faríamos algo melhor? Se você por um instante sequer titubear diante desta, permita-me, ridícula questão, é porque você ainda não conhece o Deus da Palavra!

Nesta mesma linha de raciocínio, escreveu Packer:

“O reconhecimento do fato da soberania de Deus é a base de [nossas] orações. Na oração, o cristão solicita coisas e agradece por elas. Por quê? Porque reconhece que Deus é a origem de todo bem que já possui e de todo bem que espera no futuro. Essa é a filosofia fundamental da oração cristã. A oração não é uma tentativa para forçar a mão de Deus, mas um humilde reconhecimento de incapacidade e dependência. Quando nos pomos de joelhos, sabemos que não somos nós que controlamos o mundo; não estando em nosso poder, portanto, atender nossas necessidades pelos nossos próprios esforços independentes; todas as coisas boas que desejamos para nós mesmos e para os outros devem ser procuradas em Deus; e se elas vierem, virão como dádivas de Suas mãos. (…) Por conseguinte, o que na realidade fazemos, cada vez que oramos, é confessar nossa própria impotência e a soberania de Deus. Dessa maneira, o próprio fato de um crente orar é uma prova positiva de que crê na soberania do seu Deus.”[8]



Curiosamente, Platão (427-347 a.C.), um filósofo pagão, com discernimento correto, entendia que um dos males de sua época era a corrosão da religião praticada por supostos sacerdotes e profetas – que ele chama de mendigos e adivinhos -, os quais exploravam a credulidade das pessoas, especialmente das ricas. Dentro do quadro descrito, uma das fórmulas usadas por esses líderes religiosos, era fazer as pessoas crerem que poderiam mudar a vontade dos deuses mediante a oferta de sacrifícios ou, através de determinados encantamentos; os deuses seriam portanto limitados e aéticos, sem padrão de moral, sendo guiados pelas seduções humanas:



“Mendigos e adivinhos vão às portas dos ricos tentar persuadi-los de que têm o poder, outorgado pelos deuses devido a sacrifícios e encantamentos, de curar por meio de prazeres e festas, com sacrifícios, qualquer crime cometido pelo próprio ou pelos seus antepassados, e, por outro lado, se se quiser fazer mal a um inimigo, mediante pequena despesa, prejudicarão com igual facilidade justo e injusto, persuadindo os deuses a serem seus servidores – dizem eles – graças a tais ou quais inovações e feitiçarias. Para todas estas pretensões, invocam os deuses como testemunhas, uns sobre o vício, garantindo facilidades (…). Outros, para mostrar como os deuses são influenciados pelos homens, invocam o testemunho de Homero, pois também ele disse: ‘Flexíveis até os deuses o são. Com as suas preces, por meio de sacrifícios, votos aprazíveis, libações, gordura de vítimas, os homens tornam-nos propícios, quando algum saiu do seu caminho e errou’ (Ilíada IX.497-501).”[9]



Meus irmãos, este quadro pode parecer estranho, mas na realidade, muitas pessoas ainda crêem assim ou, pelo menos se comportam como se Deus fosse movido de um lado para o outro conforme as nossas “seduções espirituais”: longas orações, peregrinações, sacrifícios, abstinências, louvores exaltados, entre outros recursos. Este não é o Deus das Escrituras. O nosso Deus dirige todas as coisas com sabedoria, justiça e amor; é a Ele a Quem oramos: “seja feita a Tua Vontade!”

A oração é um testemunho solene de nossa confiança no cuidado paternal de Deus. A Palavra nos estimula a lançar sobre Deus e a Sua promessa toda a nossa confiança. Jesus Cristo nos instrui: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.33-34). “Não se vendem dois pardais por um asse? e nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. Não temais pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais” (Mt 10.29-31).

O nosso Pai conhece os nossos corações; Ele sabe as nossas motivações e intenções. As pessoas podem nos julgar mal como também nós cometemos este mesmo equívoco; isto ocorre amiúde ou porque não fomos claros como gostaríamos, ou porque de fato houve má vontade; ou seja, houve algum ruído na comunicação. No entanto, o nosso Pai, nos conhece perfeitamente; Ele vê em secreto os segredos dos nossos corações (Mt 6.6). João testifica a respeito de Jesus Cristo: “E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (Jo 2.25).

Quando oramos, nós buscamos o Pai, não o homem (Mt 6.5,6). Este é o sentido genuíno da oração. Não estamos, através da oração, em busca de recompensa humanas, tais como: o aplauso, um alto conceito a respeito de nossa devoção e piedade; não. Apesar desta “recompensa” ser geralmente mais imediata, nós não a buscamos… Pelo contrário, oramos ao Pai para de fato, falar com Ele, colocando diante de Seu trono de graça as nossas necessidades… E neste procedimento, jamais devemos nos esquecer de que Ele sabe todas as coisas.

Mesmo sem conseguir entender perfeitamente a extensão deste maravilhoso mistério, não podemos deixar de utilizar a oração, um privilégio que Deus graciosamente nos concedeu, de podermos falar com Ele e, de exercitar a nossa fé na Sua soberana providência. (1Sm 1.9-20; Sl 6.9; Pv 15.29; Mt 26.41; Lc 1.13; 1Ts 5.17; Tg 4.2,3; 1Jo 5.13-15). “É pela fé que tomamos posse de Sua providência invisível”, conclui Calvino.[10]

Deus sabe das nossas necessidades. O saber de Deus não é apenas intelectual: Deus sabe e por isso cuida (Mt 6.8). Ele não dorme, antes, sabe do que necessitamos antes mesmo que tenhamos consciência da nossas necessidades: A Bíblia também nos ensina que Deus nem sempre nos dá aquilo que pedimos; entretanto, sempre nos dá aquilo de que necessitamos de fato e de verdade, mesmo que nem ainda tenha penetrado em nosso coração a realidade da carência… A nossa demorada consciência de nossas próprias carências não escapa à Providência de Deus, nem à Sua graciosa provisão.

A Palavra de Deus declara isto. Os salmistas, inspirados por Deus, testificam: “Os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor” (Sl 34.15). “Ele não permitirá que os teus pés vacilem: não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.3-4). “Aí habitou a tua grei: em tua bondade, fizeste provisão para os necessitados” (Sl 68.10). E Deus mesmo promete: “E será que antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Is 65.24).

A ação de Deus na História não é de forma imediatista ou apenas para resolver problemas isolados. Deus age de forma sábia, conforme o Seu Santo Conselho, objetivando a Sua Glória na execução do Seu plano. O Plano de Deus e o Seu governo são eternos e eficazes. Davi e Paulo declaram esta compreensão, respectivamente: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Sl 139.16). “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça…” (Gl 1.15).

O próprio Deus, reivindica o Seu governo quando vocaciona o profeta Jeremias: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações” (Jr 1.5).

Deus, o nosso Pai, cuida de cada um de nós como se fôssemos o único que Ele teria para cuidar; Ele cuida “pessoalmente” de nós.[11] As nossas orações são o testemunho desta certeza. O Deus que preservou a Elias, enviando os corvos para lhe levarem alimento (1Rs 17.1-6), é o mesmo que é o nosso Pai onisciente e providente. Portanto, podemos fazer eco ao testemunho de fé e vida de Davi e de Paulo: “O Senhor, tenho-o sempre à minha presença; estando Ele à minha direita não serei abalado” (Sl 16.8). “Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça” (Fp 4.6).

O melhor antídoto contra a ansiedade é a oração sincera e confiante, através da qual expomos a Deus as nossas dúvidas, temores e confiança. Portanto, orar é exercitar a nossa confiança no Deus da Providência, sabendo que nada nos faltará, porque Ele é o nosso Pai.

Calvino, relacionando as nossas orações ao cuidado providente de Deus, escreve:

“Para incitar os verdadeiros crentes a uma mais profunda solicitude à oração, Ele promete que, o que propusera fazer movido por Seu próprio beneplácito, Ele concederia em resposta a seus pedidos. Tampouco existe alguma inconsistência ente estas duas verdades, a saber: que Deus preserva a Igreja no exercício de sua soberana mercê, e que Ele a preserva em resposta às orações de Seu povo. Pois, visto que suas orações se acham conectadas às promessas graciosas, o efeito daquelas depende inteiramente destas.”[12]



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NOTAS:

[1] A.W. Pink, Enriquecendo-se com a Bíblia, São Paulo, Fiel, 1979, p. 46.

[2] “Orar não é bem conseguir que Deus faça nossa vontade, mas demonstrar que estamos interessados tanto quanto Ele na concretização da Sua vontade.” (Millard J. Erickson, Introdução à Teologia Sistemática, São Paulo, Vida Nova, 1997, p. 179).

[3] João Calvino, As Institutas, São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1985-1989, III.20.43.

[4] O Catecismo de Heidelberg (1563), comentando a “terceira petição” do Pai Nosso, assim interpreta: “Concede que nós e todos os homens renunciemos à nossa própria vontade e obedeçamos sem queixa, à tua vontade, que com exclusividade, é boa, para que assim todos dêem cumprimento a seu dever e à sua vocação, tão espontânea e fielmente como os anjos nos céus.” (Pergunta 124. In: O Livro de Confissões, São Paulo, Missão Presbiteriana do Brasil Central, 1969, § 4.124).

[5]John Flavel, Se Deus Quiser, São Paulo, PES., 1987, p. 26.

[6]A.W. Pink, Deus é Soberano, São Paulo, Fiel, 1977 p. 134.

[7]Vd. J. Calvino, As Institutas, III.2.2 e 7; João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo, Edições Paracletos, 1997, (Hb 11.11), p. 318.

[8] J.I. Packer, Evangelização e Soberania de Deus, 2ª ed. São Paulo, Vida Nova, 1990, p. 11.

[9] Platão, A República, 7ª ed. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, (1993), 364c-e.

[10]João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo, Edições Paracletos, 1999, Vol. 1, (Sl 13.1), p. 262.

[11] Agostinho (354-430) exulta: “Ó bondosa Onipotência que olhais por cada um de nós como se dum só cuidásseis, velando por todos como por cada um!”. [Agostinho, Confissões, São Paulo, Abril Cultural, 1973. (Os Pensadores, VI), III.11.19]. (Ver também, J. Calvino, As Institutas, I.17.6).

[12] João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo, Edições Parakletos, 2002, Vol. 3, (Sl 102.17), p. 578.




Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa, pastor da I.P. Ebenézer, Osasco, SP e professor de Teologia Sistemática e Filosofia no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, São Paulo, Capital.
Maranata,vem Senhor Jesus Cristo.
Sejam edificados na PALAVRA de DEUS.