domingo, 5 de julho de 2009

O PECADO DOS PECADOS 3.

Por: Glenio Fonseca Paranaguá
08/03/2009

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! João 1:29.


As Escrituras descrevem que o pecado entrou no mundo através de um homem. Penetrou na raça humana por meio da incredulidade de Adão diante da palavra de Javé Elohim. Contudo, no mesmo instante em que João Batista viu Jesus, teve a revelação de que se encontrava diante daquele que veio como o Cordeiro de Deus, a fim de tirar o pecado do mundo.

Já vimos em estudos precedentes, que o pecado é antes de tudo a descrença perante a palavra de Javé Elohim. A transgressão da ordem Divina só foi possível porque Adão não creu na ordem que lhe fora dada. O ato de desobediência foi antecedido por uma atitude de incredulidade.

Ressaltamos, também, que Jesus definiu o pecado como sendo ausência de confiança em sua pessoa. Para Jesus o pecado é não crer nele. (João 16:9). Entendo que esta é a definição mais ajustada de pecado que temos na Bíblia. Primeiro, porque esta acepção dimana daquele que fez o ser humano. Segundo, porque as outras se explicam por meio desta.

A incredulidade subjetiva envolvendo a pessoa e a palavra de Javé Elohim é a causa objetiva da iniqüidade, da transgressão ou desobediência, da rebeldia, da omissão, bem como de todas as atitudes e de todos os atos pecaminosos de um ser finito e presumivelmente autônomo. Como afirmou Stephen Charnock, "a incredulidade foi o primeiro pecado, e o orgulho, seu primogênito".

Ora, se a descrença ante a palavra de Javé Elohim é o pecado dos pecados, então a fé em Jesus e sua obra, fé essa, produzida através da palavra viva de Aba, apregoada pela graça no poder do Espírito Santo é a salvação do pecado e o triunfo sobre os pecados na vida dos filhos de Deus.

Quando Javé Elohim se encarnou no Jesus histórico ficamos diante da dimensão humana da Divindade e diante do mistério inexplicável da fé, onde Deus e o Homem convivem reunidos numa mesma pessoa. Deste modo, assim como Adão teve a chance de crer na palavra de Javé Elohim diante daquela árvore, nós também a temos na presença da pessoa e obras de Jesus.

Certa ocasião, quando Jesus explicava o problema da incredulidade e rebeldia do mundo contra ele, disse algo muito interessante em relação aos seus feitos: Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez, pecado não teriam; mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai. João 15:24.

Qual a afinidade entre as obras que Jesus realizou e a existência do pecado? Como é que os judeus contemporâneos de Jesus não creram em Jesus diante dos seus feitos inigualáveis?

A obra que Jesus realizou entre eles ninguém conseguiu realizar antes dele. Nem Moisés, nem Elias, nem qualquer dos profetas fizeram algo parecido com o que Jesus fez no meio do seu povo, mas, mesmo assim, eles não creram nele. Se Jesus não tivesse feito o que fez, eles não teriam o problema com a incredulidade, mas agora não havia desculpa. Deus estava entre eles realizando feitos notáveis, contudo não puderam crer ou não quiseram crer.

A fé é um assunto ligado unicamente à pessoa de Javé Elohim, seus atos e a sua palavra. Fé não é um sentimento, nem uma explicação lógica. Apesar da fé não ser ilógica, nem irracional, ela transcende à compreensão humana, ultrapassando todas as evidências dos sentidos.

Há três tipos de gente no mundo: os caçadores de sinais, os pesquisadores alucinados e ensoberbecidos, e os crentes. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. 1 Coríntios 1:21-24.

Jesus fez sinais inéditos na presença da sua raça encachaçada por prodígios. Os judeus viram estes portentos incomuns, mas ao invés de crerem em Jesus, eles passaram a odiá-lo, além de odiarem a seu Pai. Eles não conseguiam enxergar além das evidências, pois viviam no pecado. Neste sentido, viver no pecado é conviver com a incredulidade. O perímetro do pecado é o ateísmo prático, o ceticismo birrento, a dúvida pirrônica e a descrença soberba.

O apóstolo Paulo falando das questões relacionadas às dietas desaprovadas por alguns e consagradas por outros, sustenta que a fé é uma medida particular de certeza, ligada à revelação de Deus para cada um, individualmente. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Romanos 14:22. A fé está sempre vinculada à pessoa e palavra de Javé Elohim, por isso, não existe fé desconectada de Cristo Jesus.

Deste modo, o apóstolo conclui categoricamente expondo o que é o pecado do seu ponto de vista, ao demonstrar o papel da dúvida diante da certeza espiritual. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Romanos 14:23. Para ele o pecado é a infidelidade ou não viver pela fé na palavra de Deus.

Um dos profetas menores ofereceu ao povo judeu um dos maiores conceitos da legitimidade daquele que de fato é justo. Esta mesma consideração foi reiterada três vezes no Novo Testamento, reforçando a idéia da verdadeira realidade espiritual. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Habacuque 2:4. Para alguém ser justo é preciso ser justificado.

Viver com Jesus é andar por fé crendo em sua pessoa e em sua palavra. Viver sem Jesus, por conta própria, é viver no pecado. O soberbo anda sozinho achando que é deus. O pecado é a arrogância de uma vida independente de Javé Elohim. É uma carreira solitária, sem comunhão dependente de Jesus. É uma obstinada passeata do humanismo na estrada pedagiada para o inferno.

Uma criança, explanando à mãe o que aconteceu com Enoque, depois do seu aparente seqüestro, disse que ele andou tanto com Deus e por tanto tempo, que Deus achou melhor levá-lo para sua casa, ao invés de deixá-lo voltar. A versão bíblica apresenta esta narração: Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. Hebreus 11:5.

Desagradar a Deus é viver no pecado. Agradar a Deus é andar por fé. Ainda assim, como disse Charles Hodge, "não há mérito em crer. Trata-se apenas do ato de receber um favor oferecido". Viver pela fé é andar na contramão do pecado, fora da fronteira do humanismo asfixiador e destituído de qualquer merecimento, ainda que suprido, suportado e sustentado pela suficiência da graça incondicional de Javé. Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. Romanos 1:17.

Ora, se o justo for aquele que vive pela fé doada por Jesus, a fim de fazê-lo crer em Jesus, isto é, confiar exclusivamente na palavra de Jesus que o justificou perfeitamente, o injusto, por sua vez, será aquele que jaz em seu pecado de incredulidade perante a vida de Jesus. Permanecer no pecado é viver num estado de descrença em relação à pessoa e obra de Jesus, e, neste caso, o justo que vive pela fé em Jesus, não continuará vivendo no pecado.

O soberbo é um autônomo, andando por conta própria em descrença permanente, enquanto o justo, justificado pela fé em Jesus, dependente da palavra do Senhor, viverá pelo crédito que o Senhor lhe concede em sua palavra. A Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem. Gálatas 3:22.

A vida no pecado é uma biografia desconectada da fé na suficiência da pessoa de Cristo Jesus. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, além do que, é o Autor e o Consumador da fé. Como pode aquele que tira o pecado do mundo, gerando fé nos filhos de Deus, permitir que os filhos de Deus crentes em sua pessoa vivam no pecado de incredulidade em relação a ele?

O escritor da carta aos Hebreus, no capítulo onze, apresentou uma galeria enorme de personagens que viveram pela fé. Em seguida ele faz uma declaração curiosa: Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hebreus 12:1-2.

Aqui, vemos algo conveniente, convincente e compatível com a salvação de Deus. O desembaraço da carga pesada da religião e o desemaranhamento do pecado dos pecados são possíveis quando, com desenvoltura, mas sustentados pela graça, corremos a maratona rumo à nova Jerusalém, olhando fixa e atentamente em Jesus, autor, aperfeiçoador e finalizador de nossa vida de fé.

Extraido do site:www.palavradacruz.com.br

A Deus toda a Honra e Glória.
Maranata,vem Senhor Jesus.

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