quinta-feira, 9 de julho de 2009

A EXALTAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS - PARTE 1.

Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor. Salmo 119:1

Exaltar significa louvar ou engrandecer. O Salmo 119 começa com uma exaltação da Lei de Deus. O Salmo 119 nos ensina que a verdadeira felicidade está em vivenciar a Lei de Deus! Este Salmo exalta e enfatiza a Palavra de Deus. É qualificado como um Salmo de "instrução" cuja intenção teológica é introjetar a Lei (Palavra de Deus) no viver diário de Seu povo.

É como se o autor se utilizasse de sinônimos hebraicos intercambiáveis que são traduzidos por: lei - estatutos – caminhos – preceitos – mandamentos – ordenanças – decretos e relacionados com a palavra Lei. Este Salmo nos ensina que a Lei deveria ser meditada com amor e verdade! A Palavra de Deus sempre deve ser encarada com devoção e concretude. O Salmo 119 é uma "orientação objetiva" da Palavra de Deus para que deixemos de lado um conhecido binômio e uma herança filosófica ocidental grega da dicotomia entre a teoria e a prática. Ensina-nos que a Palavra do Senhor é antes prática do que meramente conceitual. No entanto, o Senhor faz uso destes elementos sócio-históricos e literários para que a sua revelação seja absorvida por todas as pessoas e em todas as épocas.

Etimologicamente a palavra Toráh (Lei) tem o sentido de apontar, disparar e acertar. A Lei é a orientação, a diretriz, a instrução e a norma Divina para a vida. A Lei é a vontade expressa de Deus articulada na forma de palavras, capaz de orientar a vida do ser humano (individualmente) e de qualquer sociedade (coletivamente) temente a Ele. O objetivo da Lei é a realização concreta da vontade de Deus através da vida daqueles que pertencem a Ele. A prática da Lei Divina constrói e demonstra uma "relação" autêntica com Ele. Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam, e para que vocês amem o Senhor, o seu Deus, ouçam a sua voz e se apeguem firmemente a ele. Pois o Senhor é a sua vida, e ele lhes dará muitos anos na terra que jurou dar aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Deuteronômio 30:19-20.

Através do texto bíblico acima podemos concordar com a colocação do rabino Alfred J. Kolatch em seu trabalho sobre a essência da Lei do Sinai intitulado Os Porquês da Torah onde ele diz: "A Lei é algo que tornou uma nação idólatra num povo amante de Deus". A Lei é a vontade expressa de Deus para a vida daqueles que O temem, ou seja, aqueles que querem agradá-Lo. Há alguns fatores que devem ser observados na abordagem da Lei de Deus no Antigo Testamento. Um deles é o fato de que, num conceito teológico mais amplo, a Lei não é somente um "elemento" presente na Revelação Divina. A Lei é uma expressão revelada do caráter Divino que deve fundamentar o viver humano! No Salmo 119 o salmista usa a expressão "Lei do Senhor" com o mesmo sentido de "Palavra de Deus".

Existe uma grande diferença entre as leis e a Lei do Antigo Testamento. As leis representavam as orientações Divinas nas esferas moral, cerimonial e civil. As leis morais falavam do dever de amar a Deus sobre todas as outras coisas. As leis cerimoniais ensinavam sobre como cumprir um sistema sacrificial que conduziria a adoração no templo. As leis civis orientavam ao povo de Deus sobre como representá-Lo socialmente perante as outras nações. A Lei do Antigo Testamento se traduz na Palavra de Deus que é uma manifestação do Seu poder revelador. A essência da Lei é o ensinamento sobre como viver na dependência da ação de Deus.

A pessoa que quisesse cumprir a Lei de Deus deveria assumir a sua própria incapacidade para cumpri-la, atribuindo somente ao Senhor o seu pleno cumprimento. A Palavra de Deus é a base da Sua orientação, não só ao Seu povo, mas, direcionada para "toda" a humanidade. A Lei de Deus é a base da verdadeira "Teocracia"! Portanto, a identidade do povo de Deus, desde sempre, deve estar fundamentada na Sua Lei, isto é, na Sua Palavra. O Salmo 119 nos ensina sobre as "implicações práticas’ ou os ‘efeitos concretos" da Palavra de Deus em todas as dimensões da vida humana, através de 176 "princípios" inspirados por Deus.

Salmo 119:1 - Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor! Trilhar caminhos irrepreensíveis é vivenciar a felicidade pela integralidade, ou seja, é a experiência do reflexo da ação de Deus em nossa caminhada com Ele e Nele. A palavra traduzida por "felizes" se refere às pessoas abençoadas ou prósperas segundo a ótica Divina. São pessoas que encontram a sua felicidade e satisfação plenas buscando a satisfação de Deus pela vivência da Sua Palavra. Quem vive na prática da Lei de Deus angaria para si uma felicidade que só Ele pode dar! A verdadeira satisfação humana só é encontrada na medida em que se satisfaz ao coração de Deus. O primeiro verso deste Salmo nos ensina qual é a essência da adoração bíblica: agradar ao coração de Deus através da experiência vivencial da Sua Palavra!

Salmo 119:2 - Como são felizes os que obedecem aos seus estatutos e de todo o coração o buscam! A felicidade é baseada numa relação de obediência "sem reservas" e irrestrita em relação à Pessoa de Deus. Aqui temos a expressão de um relacionamento pessoal verdadeiro com Deus, de "coração para coração". A Lei é oriunda de Deus e a pessoa que a "cumpre de coração" percorre o caminho de uma vida que certamente agrada a Ele.

Salmo 119:3 - Não praticam o mal e andam nos caminhos do Senhor. Quem a pratica a Palavra de Deus não é alguém que apenas evita o erro, mas, faz aquilo que agrada ao Senhor. É aprendizado adquirido pela prática da prudência.

Salmo 119:4 - Tu mesmo ordenaste os teus preceitos para que sejam fielmente obedecidos. A grande lição deste verso está em atentarmos para o rigor e o esmero na prática da Palavra de Deus. Falamos aqui de um empenho prático sem a relativização filosófica da dos princípios ensinados por Deus em Sua Palavra.

Salmo 119:5 - Quem dera fossem firmados os meus caminhos na obediência aos teus decretos. O desejo de não se desviar da orientação de Deus é um sinal da ação Divina e uma marca inequívoca na vida daqueles que vivem na prática da Palavra de Deus. Os referidos "caminhos" são veredas estabelecidas por Deus e que têm caráter preventivo em relação ao pecado e aos pecados presentes em nossas vidas. Quando alguém demonstra o desejo de que os seus próprios caminhos sejam estabelecidos e legitimados por Deus, está demonstando uma atitude de submissão incondicinal à ação de Deus por meio da Sua Palavra.

Salmo 119:6 - Então não ficaria decepcionado ao considerar todos os teus mandamentos. Trata-se da honra que vem pela prática da Palavra de Deus. A primeira estrofe é pragmática e coloca a vivência dos ensinamentos Divinos no âmbito da "verdadeira felicidade", a cuja conseqüência está no v.6 "não ficaria decepcionado" significando não fracassar ou ter êxito na vida de acordo com a ótica de Deus. Em outras palavras, é quilo que conhecemos hoje por "testemunhar a ação de Deus" em nossas vidas. As pessoas que experimentam a Palavra de Deus em suas vidas jamais precisarão experimentar uma humilhação vergonhosa e justificável perante Ele. "Considerar os mandamentos" é o mesmo que ter os olhos fitos na Pessoa Divina! Significa termos a nossa visão pessoal e ministerial totalmente atrelada á Palavra de Deus.


Salmo 119:7 - Eu te louvarei de coração sincero quando aprender as tuas justas ordenanças. Temos aqui uma característica da adoração consciente. A experiência da verdadeira adoração decorrente da prática da Palavra de Deus. Este verso nos ensina que uma coisa leva á outra. A partícula condicional "quando" deixa clara a idéia de causa e efeito: as pessoas só podem louvar a Deus e adorá-LO com sinceridade (sem máscaras) na medida em que exercitarem o aprendizado da Palavra de Deus. A fórmula "justas ordenanças" dá a idéia clara de que os critérios de Deus são os únicos plausíveis e corretos para a orientação da vida humana.

Salmo 119:8 - Obedecerei aos teus decretos; nunca me abandones. A prática da Palavra de Deus é a garantia da Sua presença em nossas vidas. Não se trata de um medo do abandono Divino, mas, uma demonstração concreta da esperança certeira da Pessoa e da aprovação de Deus em nossas vidas!

Este Salmo fala de e para pessoas que consideram a prática da Palavra de Deus como a bênção da revelação Divina, o motivo e a orientação para uma vida de felicidade plena e o seu cumprimento como a verdadeira prosperidade mapeada e estabelecida pelos critérios do Senhor! A prática da Palavra de Deus nos liberta das censuras impostas pelo inimigo, por nós mesmo e pela institucionalização eclesiástica tão vigente nos dias atuais. Jamais deveríamos esquecer de que a Lei, ou seja, a Sua Palavra, tem origem nEle Mesmo! A prática da Palavra de Deus é simplesmente a nossa reação à Sua revelação escrita! Alguém já disse que a nossa missão consiste em refletir a ação de Deus em e através de nossas vidas! Também já foi dito que nós somos a única Bíblia que as pessoas lêem, portanto, a nossa "não prática" da Palavra de Deus implica em negar às pessoas, que não conhecem a Cristo, a oportunidade de não vê-Lo refletido em nós mesmos! A Palavra de Deus é a bússola que nos orienta a orientar às pessoas no Caminho que conduz a Ele. A Bíblia é a teologia prática das Ações de Deus!

Por Mauricio Mantovani.
http://www.palavradacruz.com.br/

A Deus toda a Honra e Glória.
Maranata,vem Senhor Jesus Cristo.

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