segunda-feira, 20 de julho de 2009

CRISTO,NOSSO TESOURO

Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. João 3:3

No jardim do Éden havia duas árvores: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. O homem comeu o fruto da última, perdendo assim o direito à primeira. Deus perguntou-lhe mais: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Ao que respondeu o homem: A mulher que me deste por companheira deu-me a árvore, e eu comi. Gênesis 3:11-12.

Pela sua desobediência, Adão perdeu a comunhão com Deus, isto é, morreu espiritualmente. Por ser o cabeça de toda a raça humana, ele transmitiu para cada descendente este estado de morte. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Romanos 5:12

Neste versículo encontramos o relato humilhante da fraqueza do homem e sua sujeição ao domínio da morte. O homem, por si só, jamais poderá vencer esta lei; não pode desarmar a morte do seu aguilhão terrível. Não pode, por sua própria energia, pôr de lado a sentença de morte. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Romanos 7:24.

Portanto, cada um de nós que nasce neste mundo nasce espiritualmente em profundas trevas; esta vida está caracterizada pelo pecado e por uma falta absoluta de tudo quanto pode ter comunhão com Deus. Isso ficou provado quando o nosso Senhor Jesus veio ao mundo. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. João 1:4-5.

O homem nem sequer podia compreender esta luz, pois o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus. A vida não pode ter comunhão com as trevas. O homem tem que se encontrar com Deus num terreno absolutamente novo, e sobre um princípio, a saber, a fé; e esta fé habilita-o a compreender o caráter de Deus como o doador de uma nova vida, vida esta para além do poder da morte. Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida. João 5:24.

Não é a fé do homem natural que o coloca em um relacionamento com Deus. Visto que o homem não é salvo pela fé, e sim pela graça, a salvação tem que despir o homem de todas as suas vãs pretensões. Porque pela graça sois salvos, mediante
a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Efésios 2:8.

Existe um ponto em que Deus e o homem têm de encontrar-se. Deus, descendo em graça às profundezas do coração humano, vem até a nossa condição de pecador e faz provisão de um remédio apropriado; tudo está eternamente liquidado. Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. João 19:30.

É preciso ter uma nova vida e não uma semelhança daquela que possui o homem natural, mas uma existência completamente distinta, uma vida "de cima". "Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus". Com o seu poder purificador, a Palavra de Deus, aplicada pelo Espírito Santo, produzirá uma nova vida no homem.

Quando a nossa consciência é atingida pela Palavra, tudo "cai por terra. "A revelação daquilo que somos e a revelação do que Deus é, são suficientes para nos levar ao fim de nós mesmos. Tudo que precisamos saber é que Deus falou. Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas. Apocalipse 3:6.

Um filho de Deus é nascido de Deus. Esta nova vida só pode ser dada em virtude da elevação do Senhor Jesus na cruz, pois o homem é pecador e, como pecador, precisa morrer. Não há vida nova sem a morte do homem para o pecado. Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. I Coríntios 15:36.

Que revelação tremenda! Que fascinante obra do Espírito Santo! O homem natural, morto em delitos e pecados, é, por obra do Espírito, substituído e o velho homem dá lugar ao novo homem. Agora é possuidor de uma nova vida, uma vida divina e, mais ainda, da própria vida eterna, sendo o Senhor Jesus a nossa vida. Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Colossenses 3:1-4.

Nisto podemos ver o que significa realmente possuir vida: é ser revestido de Cristo para compreender as coisas espirituais e manifestar em Cristo tudo que procede de Deus. Isso quer dizer que podemos ter comunhão com o próprio Deus porque somos participantes da natureza divina. Visto como o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. II Pedro 1:3-4.

Tudo isto implica que Cristo está em nós e que temos a vida divina, e nada neste mundo
ou no porvir poderá nos tirar desta posição. Este é o verdadeiro Deus: Ele nos deu o Seu Filho. Graças a Deus, pelo seu dom inefável: Cristo em nós e nós em Cristo. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. João 15:4.

A missão do nosso Senhor Jesus Cristo, que veio do seio do Pai para revelar o que Ele realmente é, "A graça e a verdade". Isto foi o que o homem perdeu com a queda, mas "ganhou em Jesus Cristo". A verdade revela Deus como Ele é; porém, esta verdade está ligada à revelação de perfeita graça. Assim, o pecador descobre, para o seu gozo inefável, que a revelação do que Deus é, em vez de ser a sua destruição, torna-se a base da sua salvação eterna. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste. João 17:3.

A falta do conhecimento de Deus é morte, porém o conhecimento de Deus é vida. Por esta vida nos tornamos totalmente dependentes de Deus. Isto significa que todo o nosso mover vem Dele e o que nos move é o princípio de vida. O poder da vida que está em nós é que rompe com tudo aquilo que é antigo. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. João 7:38.

A morada do Espírito Santo em nós vem determinar, pois, a nossa posição sobre a terra. Por meio do Espírito Santo, estamos unidos a um Senhor que foi rejeitado pelo mundo e que foi crucificado por ele. Mas Deus aceitou a obra de Cristo na cruz, e com base neste fato ressuscitou-O de entre os mortos e recebeu-O na glória. Vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Hebreus 2:9.

O poder do Espírito Santo enche nosso coração da glória, e por ele somos transformados à imagem do Senhor. Como Deus é Espírito, deve ser adorado em espírito e em verdade. Portanto, o Espírito Santo leva-nos a adorar a Deus e a ter comunhão com Ele no espírito. Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. II Coríntios 3:17-18.

O coração de Paulo era como um espelho, pois refletia fielmente ao redor de si cada raio que recebia. E qual era o objeto que brilhava nele e refletia em todos os homens? A "glória de Deus na face de Cristo". Que tesouro era para Paulo esse conhecimento de Cristo na glória! Ele era apenas um vaso de barro que continha esse conhecimento, um vaso pobre, frágil e sem valor próprio.

Se o instrumento de Deus se fizesse notar através de brilhantes qualidades humanas, ele chamaria a atenção para si mesmo em detrimento do tesouro que deveria a conter. Os joalheiros sabem que um estojo muito luxuoso tende a eclipsar a jóia contida nele. Eles expõem suas mais belas jóias sobre um simples veludo negro. Do mesmo modo, o vaso de barro – Paulo – estava atribulado, perplexo, perseguido, abatido, para que o tesouro – a vida de Cristo nele – fosse plenamente manifestado.

As provas de um homem em Cristo servem para remover dele qualquer brilho pessoal, a fim de que na sua vida resplandeça apenas a luz de Jesus, o Filho de Deus. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. II Coríntios 4:7
http://www.palavradacruz.com.br/estudos.asp?id=115&menu=Novo%20Nascimento/Evangelismo&id2=350

A DEUS toda a Honra e Glória.
Maranata,vem Senhor Jesus Cristo.
Por:Pr Humberto Xavier Rodrigues

sábado, 11 de julho de 2009

ENFRENTANDO AS DIFICULDADES.

11 de julho Sábado

Enfrentando as Dificuldades
Não temas, porque Eu sou contigo; não te assombres, porque Eu sou o teu Deus; Eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a Minha destra fiel. Isaías 41:10


Os pais devem inventar maneiras e meios para conservar os filhos ocupados com o que é útil. [...] Os pais jamais devem se esquecer de que devem trabalhar seriamente por si mesmos e por seus pequenos, para que junto com seus filhos estejam unidos na arca de segurança. [...]

Provem sua disposição para fazer todo esforço ao seu alcance a fim de colocar seus filhos na mais favorável condição para formar o caráter que Deus quer que Seus servos formem. Exercitem todo tendão e músculo espiritual para salvar seu pequeno rebanho. Os poderes do inferno conspirarão por sua destruição. Orem muito mais do que antes. Amorosa e ternamente ensinem suas crianças a irem a Deus como um Pai celestial.

Por seu exemplo na administração do lar, ensinem-lhes o domínio próprio. Ensinem-lhes a serem úteis no lar. Ensinem-lhes que Cristo não viveu para agradar a Si mesmo. O Espírito Santo encherá sua mente com os mais preciosos pensamentos ao se empenharem na própria salvação e na salvação de seus filhos.

Pais, apanhem os raios de luz divina que estão brilhando em seu caminho. Andem na luz, como Cristo na luz está. Ao se entregarem à obra de salvar seus filhos e manter sua posição no caminho da santidade, as mais provocantes provas sobrevirão. Mas não desanimem. Apeguem-se a Jesus. Ele diz: “Que se apodere de Minha força e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo” (Is 27:5).

Dificuldades sobrevirão. Encontrarão obstáculos. Olhem constantemente para Jesus. Quando surge uma situação de emergência, perguntem: “Senhor, que farei?” Se vocês se recusarem a se exaltar, irar ou vituperar, o Senhor lhes mostrará o caminho de saída. Ele os ajudará a usar o talento da linguagem de maneira tão cristã que os preciosos atributos da paciência, conforto e amor serão levados para dentro do lar. [...]

Façam tudo que estiver em seu poder para permanecerem em posição vantajosa diante de seus filhos. Ao agirem conforme Cristo agia, apoiando-se firmemente nas promessas de Deus, poderão ser evangelistas no lar, ministros da graça para seus filhos
Amém.
A Deus Toda a Honra e Glória.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O ABC DA FÉ - A CAUSA.

Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21

Vimos na série, o Pecado dos Pecados, a definição de Jesus sobre o que é o pecado, como sendo a descrença em sua pessoa. Para o Senhor, errar o alvo, isto é, pecar, significa não crer nele. O pecador é o incrédulo diante da pessoa de Cristo Jesus.

Também vimos que todos nós nascemos neste mundo descrentes em relação a Cristo Jesus. Nós viemos ao mundo, redondamente, ateus. Ninguém aparece aqui na terra crendo em Deus, naturalmente. Toda a nossa experiência é sensória. Já dizia Tomas de Aquino: "nihil est in intelectu quod prius non fuerit in sensu", (não há nada no intelecto que não tenha passado primeiro pelos sentidos). O problema é que Deus é espírito puro, e espírito não é matéria sensorial.

Ainda que alguns filósofos quisessem apresentar um apriorismo da realidade divina no entendimento subjetivo, a mente humana é basicamente tridimensional. Nós só compreendemos a realidade das coisas a partir do seu cumprimento, altura e largura. Não há abstração no pensamento da criança. Tudo é muito concreto e material. Todo ateu é rigorosamente materialista.

Cristo é Deus. Deus é espírito. Espírito é algo inexplicável para a mente que pensa em três dimensões, pois o espírito não tem forma, não tem cor, não tem cheiro, não ocupa lugar no espaço, além disso, o ser humano encontra-se morto espiritualmente. Como um morto no espírito, sem a abrangência da realidade espiritual, pode admiti-la, se lhe faltam as condições de percepção?

Como vimos também, todas as crianças nascem ateias e a toas em relação à realidade de Deus. Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Salmos 14:2. A Bíblia mostra que todos nós viemos ao mundo pecadores por natureza, e, conseqüentemente, incrédulos no que diz respeito à existência divina, ainda que possamos vislumbrar as pegadas da divindade através da criação, mas a criatura é cega espiritual.

É impossível uma pessoa fisiologicamente cega ver a realidade das coisas, mesmo quando há luz fulgurante no ambiente. Por outro lado, sem luminosidade ninguém pode enxergar coisa alguma. Muitos cegos têm os globos oculares completos, embora estejam desconectados do cérebro. Eles têm o aparelho visual e há luz no ambiente, todavia os olhos estão impedidos de ver, por falta de conexão cerebral. A maioria não vê a realidade por deficiência no sistema da visão.

O morto espiritual também não pode entender as coisas do âmbito imaterial. Ele está desconectado da fonte espiritual que é Deus. Não as entende porque lhe faltam as categorias do juízo espiritual. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 1 Coríntios 2:14.

O homem natural ou psíquico só compreende a realidade material a partir da sua concepção de coerência psicológica. Como se acha separado da vida espiritual de Deus, não alcança qualquer evento extra-sensório. Para intuir algo como espiritual carece de sentimentos ou sensações. Se não sentir algum arrepio, por exemplo, não consegue determinar a realidade espiritual. Ora, isto é o contrário da vida espiritual. Se algo for do espírito, não pode ser sentido.

Todos nós nascemos neste mundo com a vida bios ou biológica, que se expressa em sua pessoalidade através da vida psique ou psicológica, mas todos nós nascemos destituídos da vida zoê ou espiritual. Se um cego não pode ver sem que haja uma cura do seu sistema visual, um morto no espírito não pode se envolver na realidade espiritual se não nascer de novo. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. João 3:6.

Nós nascemos mortos espiritualmente e precisamos nascer do espírito. – Como pode ser isto? Perguntou Nicodemos, catedrático da religião judaica e PhD em Bíblia. Jesus mostrou que é um milagre do vento soprando ou uma atuação prodigiosa do Espírito Santo.

Lázaro estava morto no plano físico. Era um defunto de quatro dias e encontrava-se podre. Jesus proclamou a sua palavra, chamando-o: Lázaro! Vem para fora. Ele foi vivificado, ouviu a palavra de Jesus e saiu da sepultura como se fosse um charuto enrolado. A palavra de Jesus deu-lhe vida e Lázaro foi capacitado a ouvir a ordem. O avivamento é um efeito da pregação da palavra de Deus. Estou aflitíssimo; vivifica-me, SENHOR, segundo a tua palavra. Salmos 119:107.

Os mortos espirituais não podem ouvir espiritualmente a palavra de Deus. Eles carecem, antes de tudo, de serem vivificados pelo poder da pregação do evangelho. A loucura da pregação aos mortos no pecado é a insanidade que aciona o agente germinador da vida zoê que está em Cristo, e, por conseguinte, o autor da fé gera a confiança no ouvinte. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17.

Cristo Jesus é a vida zoê e o autor da fé. Pregar a Cristo crucificado e ressurreto é promover o agir da vivificação do morto espiritual e o seu reagir em fé. Kéruxon tòn lógon – (kerúkson ton lógon, 2 Timóteo 4:2) isto é, prega a palavra, mas, a palavra do evangelho, que é a única operação vivificadora dos mortos no pecado, e, ao mesmo tempo, a semente que faz brotar a fé.

Os mortos em delitos e pecados só podem renascer, espiritualmente falando, pela pregação do evangelho. Jesus ressuscitado foi enfático com os seus discípulos e disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15. Ele não mandou que fossem ensinar aos incrédulos, mas pregar o evangelho a eles. A pregação antecede ao discipulado.

Nós podemos ensinar doutrinas aos filhos de Adão por meio de uma boa didática, mas não podemos dar vida a eles, senão pela pregação do evangelho. Um religioso se faz pelo ensino, contudo, os filhos de Deus são gerados pela pregação do evangelho de Cristo. Veja esse argumento paulino: Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus. 1 Coríntios 4:15.

Antes de ensinar ao pecador as palavras de Cristo, precisamos primeiro proclamá-lo como Salvador e Senhor, para que o incrédulo possa ser vivificado e capacitado a responder à mensagem pela fé e com arrependimento. A regeneração antecede ao discipulado. O problema é que muitos até assentem à crença, mas não crêem de fato, pois não foram avivados pela pregação que dá vida. Uma coisa é acreditar, outra bem diferente é crer em Cristo. Acreditar é saber que o avião voa. Crer é entrar no avião e voar. Muitos acreditam em Cristo, mas não se confiam totalmente a ele.

A loucura da pregação do evangelho inocula a vida zoê no morto espiritual, que foi trabalhado, previamente pela graça, ao incitar a fé que foi doada por Deus, levando o crente ao arrependimento ativo e permanente. A palavra de Deus gera vida espiritual e uma reação correspondente de fé e mudança de vida. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas. Tiago 1:18.

O homem natural não possui vida espiritual e não tem fé em Cristo. Ele pode se tornar um bom religioso, praticante de boas obras e piedoso, com vasto conhecimento a respeito de Deus, mas nunca se confiará totalmente a Cristo para a sua salvação. Uma das principais características de um religioso é que ele sempre tem que fazer alguma coisa para ser aceito diante de Deus.

Pecado é viver por conta própria, separado de Cristo. Salvação do pecado é viver confiado apenas em Cristo. Como todos nós nascemos em pecado, todos nós vivemos por nossa conta. Assim, nos tornamos religiosos cristãos, dizendo que confiamos em Cristo.

Viver pela fé é desistir de si mesmo e depender somente de Cristo para sua aceitação diante de Pai e dos homens. Quando recebemos a palavra de Deus como palavra de Deus, ganhamos a vida da ressurreição de Cristo que nos regenera e a fé que vem por Jesus, habilitando-nos a responder confiantemente em tudo o que Cristo fez e faz em nosso favor.

O abc da fé é uma série de estudos voltada para a vida de certeza em Cristo. Vamos analisar a fé como um dom da graça de Deus, oposto ao pecado, e o seu desenvolvimento em nossa nova vida, compartilhado por meio de Cristo. Nada que não seja doado por Deus merece crédito. Por isso, Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi dada aos santos. Judas 1:3. Aleluia.

Por: Glenio Fonseca Paranaguá
http://www.palavradacruz.com.br/estudos.asp?id2=1143

A Deus toda a Honra e Glória.
Maranata,vem Senhor Jesus Cristo.

A EXALTAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS - PARTE 1.

Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor. Salmo 119:1

Exaltar significa louvar ou engrandecer. O Salmo 119 começa com uma exaltação da Lei de Deus. O Salmo 119 nos ensina que a verdadeira felicidade está em vivenciar a Lei de Deus! Este Salmo exalta e enfatiza a Palavra de Deus. É qualificado como um Salmo de "instrução" cuja intenção teológica é introjetar a Lei (Palavra de Deus) no viver diário de Seu povo.

É como se o autor se utilizasse de sinônimos hebraicos intercambiáveis que são traduzidos por: lei - estatutos – caminhos – preceitos – mandamentos – ordenanças – decretos e relacionados com a palavra Lei. Este Salmo nos ensina que a Lei deveria ser meditada com amor e verdade! A Palavra de Deus sempre deve ser encarada com devoção e concretude. O Salmo 119 é uma "orientação objetiva" da Palavra de Deus para que deixemos de lado um conhecido binômio e uma herança filosófica ocidental grega da dicotomia entre a teoria e a prática. Ensina-nos que a Palavra do Senhor é antes prática do que meramente conceitual. No entanto, o Senhor faz uso destes elementos sócio-históricos e literários para que a sua revelação seja absorvida por todas as pessoas e em todas as épocas.

Etimologicamente a palavra Toráh (Lei) tem o sentido de apontar, disparar e acertar. A Lei é a orientação, a diretriz, a instrução e a norma Divina para a vida. A Lei é a vontade expressa de Deus articulada na forma de palavras, capaz de orientar a vida do ser humano (individualmente) e de qualquer sociedade (coletivamente) temente a Ele. O objetivo da Lei é a realização concreta da vontade de Deus através da vida daqueles que pertencem a Ele. A prática da Lei Divina constrói e demonstra uma "relação" autêntica com Ele. Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam, e para que vocês amem o Senhor, o seu Deus, ouçam a sua voz e se apeguem firmemente a ele. Pois o Senhor é a sua vida, e ele lhes dará muitos anos na terra que jurou dar aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Deuteronômio 30:19-20.

Através do texto bíblico acima podemos concordar com a colocação do rabino Alfred J. Kolatch em seu trabalho sobre a essência da Lei do Sinai intitulado Os Porquês da Torah onde ele diz: "A Lei é algo que tornou uma nação idólatra num povo amante de Deus". A Lei é a vontade expressa de Deus para a vida daqueles que O temem, ou seja, aqueles que querem agradá-Lo. Há alguns fatores que devem ser observados na abordagem da Lei de Deus no Antigo Testamento. Um deles é o fato de que, num conceito teológico mais amplo, a Lei não é somente um "elemento" presente na Revelação Divina. A Lei é uma expressão revelada do caráter Divino que deve fundamentar o viver humano! No Salmo 119 o salmista usa a expressão "Lei do Senhor" com o mesmo sentido de "Palavra de Deus".

Existe uma grande diferença entre as leis e a Lei do Antigo Testamento. As leis representavam as orientações Divinas nas esferas moral, cerimonial e civil. As leis morais falavam do dever de amar a Deus sobre todas as outras coisas. As leis cerimoniais ensinavam sobre como cumprir um sistema sacrificial que conduziria a adoração no templo. As leis civis orientavam ao povo de Deus sobre como representá-Lo socialmente perante as outras nações. A Lei do Antigo Testamento se traduz na Palavra de Deus que é uma manifestação do Seu poder revelador. A essência da Lei é o ensinamento sobre como viver na dependência da ação de Deus.

A pessoa que quisesse cumprir a Lei de Deus deveria assumir a sua própria incapacidade para cumpri-la, atribuindo somente ao Senhor o seu pleno cumprimento. A Palavra de Deus é a base da Sua orientação, não só ao Seu povo, mas, direcionada para "toda" a humanidade. A Lei de Deus é a base da verdadeira "Teocracia"! Portanto, a identidade do povo de Deus, desde sempre, deve estar fundamentada na Sua Lei, isto é, na Sua Palavra. O Salmo 119 nos ensina sobre as "implicações práticas’ ou os ‘efeitos concretos" da Palavra de Deus em todas as dimensões da vida humana, através de 176 "princípios" inspirados por Deus.

Salmo 119:1 - Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme a lei do Senhor! Trilhar caminhos irrepreensíveis é vivenciar a felicidade pela integralidade, ou seja, é a experiência do reflexo da ação de Deus em nossa caminhada com Ele e Nele. A palavra traduzida por "felizes" se refere às pessoas abençoadas ou prósperas segundo a ótica Divina. São pessoas que encontram a sua felicidade e satisfação plenas buscando a satisfação de Deus pela vivência da Sua Palavra. Quem vive na prática da Lei de Deus angaria para si uma felicidade que só Ele pode dar! A verdadeira satisfação humana só é encontrada na medida em que se satisfaz ao coração de Deus. O primeiro verso deste Salmo nos ensina qual é a essência da adoração bíblica: agradar ao coração de Deus através da experiência vivencial da Sua Palavra!

Salmo 119:2 - Como são felizes os que obedecem aos seus estatutos e de todo o coração o buscam! A felicidade é baseada numa relação de obediência "sem reservas" e irrestrita em relação à Pessoa de Deus. Aqui temos a expressão de um relacionamento pessoal verdadeiro com Deus, de "coração para coração". A Lei é oriunda de Deus e a pessoa que a "cumpre de coração" percorre o caminho de uma vida que certamente agrada a Ele.

Salmo 119:3 - Não praticam o mal e andam nos caminhos do Senhor. Quem a pratica a Palavra de Deus não é alguém que apenas evita o erro, mas, faz aquilo que agrada ao Senhor. É aprendizado adquirido pela prática da prudência.

Salmo 119:4 - Tu mesmo ordenaste os teus preceitos para que sejam fielmente obedecidos. A grande lição deste verso está em atentarmos para o rigor e o esmero na prática da Palavra de Deus. Falamos aqui de um empenho prático sem a relativização filosófica da dos princípios ensinados por Deus em Sua Palavra.

Salmo 119:5 - Quem dera fossem firmados os meus caminhos na obediência aos teus decretos. O desejo de não se desviar da orientação de Deus é um sinal da ação Divina e uma marca inequívoca na vida daqueles que vivem na prática da Palavra de Deus. Os referidos "caminhos" são veredas estabelecidas por Deus e que têm caráter preventivo em relação ao pecado e aos pecados presentes em nossas vidas. Quando alguém demonstra o desejo de que os seus próprios caminhos sejam estabelecidos e legitimados por Deus, está demonstando uma atitude de submissão incondicinal à ação de Deus por meio da Sua Palavra.

Salmo 119:6 - Então não ficaria decepcionado ao considerar todos os teus mandamentos. Trata-se da honra que vem pela prática da Palavra de Deus. A primeira estrofe é pragmática e coloca a vivência dos ensinamentos Divinos no âmbito da "verdadeira felicidade", a cuja conseqüência está no v.6 "não ficaria decepcionado" significando não fracassar ou ter êxito na vida de acordo com a ótica de Deus. Em outras palavras, é quilo que conhecemos hoje por "testemunhar a ação de Deus" em nossas vidas. As pessoas que experimentam a Palavra de Deus em suas vidas jamais precisarão experimentar uma humilhação vergonhosa e justificável perante Ele. "Considerar os mandamentos" é o mesmo que ter os olhos fitos na Pessoa Divina! Significa termos a nossa visão pessoal e ministerial totalmente atrelada á Palavra de Deus.


Salmo 119:7 - Eu te louvarei de coração sincero quando aprender as tuas justas ordenanças. Temos aqui uma característica da adoração consciente. A experiência da verdadeira adoração decorrente da prática da Palavra de Deus. Este verso nos ensina que uma coisa leva á outra. A partícula condicional "quando" deixa clara a idéia de causa e efeito: as pessoas só podem louvar a Deus e adorá-LO com sinceridade (sem máscaras) na medida em que exercitarem o aprendizado da Palavra de Deus. A fórmula "justas ordenanças" dá a idéia clara de que os critérios de Deus são os únicos plausíveis e corretos para a orientação da vida humana.

Salmo 119:8 - Obedecerei aos teus decretos; nunca me abandones. A prática da Palavra de Deus é a garantia da Sua presença em nossas vidas. Não se trata de um medo do abandono Divino, mas, uma demonstração concreta da esperança certeira da Pessoa e da aprovação de Deus em nossas vidas!

Este Salmo fala de e para pessoas que consideram a prática da Palavra de Deus como a bênção da revelação Divina, o motivo e a orientação para uma vida de felicidade plena e o seu cumprimento como a verdadeira prosperidade mapeada e estabelecida pelos critérios do Senhor! A prática da Palavra de Deus nos liberta das censuras impostas pelo inimigo, por nós mesmo e pela institucionalização eclesiástica tão vigente nos dias atuais. Jamais deveríamos esquecer de que a Lei, ou seja, a Sua Palavra, tem origem nEle Mesmo! A prática da Palavra de Deus é simplesmente a nossa reação à Sua revelação escrita! Alguém já disse que a nossa missão consiste em refletir a ação de Deus em e através de nossas vidas! Também já foi dito que nós somos a única Bíblia que as pessoas lêem, portanto, a nossa "não prática" da Palavra de Deus implica em negar às pessoas, que não conhecem a Cristo, a oportunidade de não vê-Lo refletido em nós mesmos! A Palavra de Deus é a bússola que nos orienta a orientar às pessoas no Caminho que conduz a Ele. A Bíblia é a teologia prática das Ações de Deus!

Por Mauricio Mantovani.
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A Deus toda a Honra e Glória.
Maranata,vem Senhor Jesus Cristo.

domingo, 5 de julho de 2009

LIVRE ARBÍTRIO - UM ESCRAVO.

Pr. Charles Haddon Spurgeon
Livre Arbítrio - Um Escravo*
Tradução: Walter Andrade Campelo
"E não quereis vir a mim para terdes vida" (João 5:40 ACF1)

Introdução
Este texto é uma das grandes armas dos arminianos, montada no topo de suas muralhas, e é frequentemente descarregada com terrível barulho contra os pobres cristãos chamados calvinistas. Pretendo esta manhã bloquear esta arma, ou melhor, vira-la contra os opositores, porque ela nunca foi deles; não foi fundida na forja deles, mas foi planejada para ensinar uma doutrina exatamente oposta à que eles sustentam.

Geralmente, quando este texto é utilizado, suas divisões são: Primeiro, que o homem tem uma vontade. Segundo, que ele é inteiramente livre. Terceiro, que os homens podem, por sua própria vontade, desejar vir a Cristo, caso contrário não serão salvos. Hoje, não utilizaremos tais divisões; mas nos empenharemos em dar uma olhada cuidadosa no texto; e não pelo simples fato de haver nele a palavra "querer" ou "não querer", nós sairemos com a conclusão de que ele ensina a doutrina do livre-arbítrio.

Já foi provado além de qualquer controvérsia que o livre-arbítrio é um absurdo. A liberdade não pode pertencer à vontade, mais do que a medição poderia pertencer à eletricidade. São coisas completamente diferentes. Em livre-agência nós podemos crer, mas livre-arbítrio é simplesmente absurdo. É bem sabido por todos, que a vontade é direcionada pelo entendimento, movida por motivos, guiada por outras partes da alma, e é tida como algo secundário.

A filosofia e a religião descartam de todo a idéia de livre-arbítrio; e vou tão longe quanto Martinho Lutero foi, em sua firme afirmação, quando diz que: "se algum homem atribuir qualquer parte da salvação, mesmo a menor parte dela, ao livre-arbítrio do homem, ele nada sabe sobre a graça, e não conheceu a Jesus Cristo corretamente". Esta pode parecer uma opinião rude; mas aquele que em sua alma crê que o homem vai, por sua própria vontade, voltar-se para Deus, não pode ter sido ensinado por Deus, pois que este é um dos princípios que nos são ensinados quando Deus inicia sua obra em nós, que não temos nem o querer, nem o poder, mas que ele concede ambos; que ele é o "Alfa e o Ômega" da salvação dos homens.

Nossos quatro pontos, esta manhã, serão:

Primeiro - que cada homem está morto, porque o texto diz: "E não quereis vir a mim para terdes vida".

Segundo - que há vida em Jesus Cristo: "E não quereis vir a mim para terdes vida".

Terceiro - que há vida em Cristo Jesus para todo aquele que a busca: "E não quereis vir a mim para terdes vida", implicando que todo aquele que vai terá vida.

Quarto - o ponto principal do texto está em que nenhum homem por sua própria natureza jamais irá a Cristo, porque o texto diz: "E não quereis vir a mim para terdes vida".

Muito longe de afirmar que os homens por sua própria vontade, em algum momento, fariam tal coisa, ele categoricamente e claramente nega isto, e diz: "e NÃO QUEREIS vir a mim para terdes vida". Porque, amados, estou já quase pronto a exclamar: Têm os defensores do livre-arbítrio tão pouco conhecimento que ousam contrariar a inspiração? Não têm nenhum senso todos os que negam a doutrina da graça? Têm eles se afastado tanto de Deus, que forçam este texto para provar o livre-arbítrio; ainda que ele diga "e NÃO QUEREIS vir a mim para terdes vida"?

I. Primeiro, então, nosso texto implica QUE OS HOMENS POR NATUREZA ESTÃO MORTOS.
Ninguém precisa ir em busca de vida se já tem vida em si mesmo. O texto fala muito fortemente quando declara: "e não quereis vir a mim para terdes vida". Apesar de não dizê-lo com palavras, ele afirma, com efeito, que os homens precisam de uma vida além da que têm em si mesmos. Meus ouvintes, nós todos estamos mortos a não ser que tenhamos sido gerados para uma viva esperança.

Morte Legal (Jurídica)
Primeiro, em nós mesmos, em nossa natureza, estamos todos legalmente mortos: "no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn. 2:17) disse Deus a Adão. E embora ele não tenha morrido fisicamente naquele instante, ele morreu legalmente: isto quer dizer que a morte foi decretada contra ele.

No momento em que, no Old Bailey, o juiz veste a capa preta e pronuncia a sentença, o homem é considerado morto pela lei. Talvez possa se passar um mês antes de ele ser trazido ao cadafalso para sofrer a sentença da lei, no entanto, a lei já o considera um homem morto. É-lhe impossível fazer qualquer transação. ele não pode herdar, nem deixar em herança os seus bens; ele não é nada - é um homem morto. A nação de nenhum modo o considera como se estivesse vivo. Havendo uma eleição - não lhe é pedido o seu voto, porque ele é considerado legalmente morto. ele está trancado em sua cela de condenação e está morto.

Ah! E vocês incrédulos pecadores, que nunca tiveram vida em Cristo, que estão vivos nesta manhã, por uma suspensão temporária da sentença, não sabem que estão legalmente mortos? Que Deus os considera assim, que no dia que seu pai Adão comeu o fruto, e quando vocês próprios pecaram, Deus, o Eterno Juiz, colocou sobre Si a capa preta e os condenou? Vocês falam poderosamente de sua própria firmeza, e bondade, e moralidade: mas, onde estão elas?

As Escrituras dizem que vocês "já estão condenados" (Jo. 3:18). Não têm que esperar para serem condenados no dia do juízo final - ali será a execução da sentença - vocês "já estão condenados". No momento em que pecaram, seus nomes foram escritos no livro negro da justiça: todos foram então sentenciados, por Deus, à morte, exceto se alguém encontrar um substituto para si, por causa dos seus pecados, na pessoa de Cristo.

O que vocês pensariam se fossem à prisão de Old Bailey, e vissem o criminoso condenado sentado em sua cela, rindo e feliz? Vocês diriam: "O homem é um tolo, pois está condenado e está para ser executado: no entanto, quão contente ele está!". Ah, e quão tolo é o homem mundano que, enquanto a sentença está sendo registrada contra ele, vive em divertimento e alegria!

Vocês pensam que a sentença de Deus não tem efeito? Pensam que seu pecado, que está gravado com ponteiro de aço nas rochas para sempre, não tem horrores em si mesmo? Deus disse que vocês já estão condenados. Se pudessem tão somente sentir isto, o amargor se misturaria às suas doces taças de alegria; suas danças parariam. O riso se extinguiria com um suspiro, se vocês se lembrassem que já estão condenados. Todos nós deveríamos chorar se compreendêssemos em nossas almas que por natureza não temos vida aos olhos de Deus. Estamos verdadeiramente, positivamente, condenados; a morte está decretada contra nós, e somos considerados, agora, em nós mesmos, aos olhos de Deus, tão mortos quanto se já tivéssemos sido lançados no inferno: estamos condenados aqui pelo pecado. Ainda não sofremos a penalidade por ele, porém, ela está escrita contra nós, e estamos legalmente mortos, e não podemos encontrar vida, a menos que possamos achar vida legal na pessoa de Cristo, e isto logo.

Morte Espiritual
Mas, além de estarmos legalmente mortos, estamos também espiritualmente mortos. Isso porque a sentença não somente foi lavrada no livro, mas também no coração e entrou na consciência, operou na alma, no julgamento, na imaginação e em tudo: "... porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás", esta sentença não foi cumprida somente pelo decreto, mas também por algo que aconteceu em Adão.

Assim como num certo momento, quando este corpo morrer, o sangue parará, o pulso cessará e a respiração não virá mais aos pulmões, assim também no dia em que Adão comeu do fruto, sua alma morreu; sua imaginação perdeu seu poder de ascender às coisas celestiais e ver o céu, sua vontade perdeu para sempre seu poder de escolher aquilo que é bom, seu julgamento perdeu toda a sua habilidade de julgar entre o certo e o errado decidida e infalivelmente. Ainda que algo tenha sido retido na consciência, sua memória tornou-se corrompida, propensa a reter as coisas más, e a deixar as coisas virtuosas deslizarem para longe, todo o poder que tinha cessou quanto à sua vitalidade moral. A bondade era a vitalidade do seu poder - isso se foi. Virtude, santidade, integridade, estas eram a vida do homem, e quando se foram o homem tornou-se morto. E agora, todo homem, no que concerne às coisas espirituais, "está [espiritualmente] morto em ofensas e pecados" (Ef. 2:1). Também a alma não esta menos morta, em um homem carnal, que o corpo quando depositado no túmulo: ela está verdadeira e positivamente morta - não por metáfora, porque Paulo não fala por metáforas quando afirma: "E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados".

Mas, meus ouvintes, novamente, eu gostaria de poder colocar este assunto em seus corações. Foi suficientemente ruim quando descrevi a morte como tendo sido decretada: porém, agora eu falo dela, como tendo de fato acontecido nos seus corações.

Vocês não são o que eram antes: não são o que eram em Adão, nem o que foram gerados. O homem foi criado puro e santo. Vocês não são as criaturas perfeitas das quais alguns se gloriam, todos são totalmente caídos, todos se desviaram do caminho, tomando-se corruptos e sujos. Oh, não ouçam o canto da sereia daqueles que falam da dignidade moral e do elevado estado de vocês no tocante à salvação. Vocês não são perfeitos: aquela importante palavra, "ruína", está escrita em seus corações, e a morte está estampada em seus espíritos.

Não imagine, oh homem moral, que poderá ficar de pé diante de Deus em sua moralidade, pois você não é mais do que uma carcaça embalsamada em legalismo, um defunto enfeitado em finas roupas, porém não obstante corrompido aos olhos de Deus. E não pense, oh você possuidor de uma religião natural, que poderá por sua própria força e poder, se fazer aceitável a Deus. Porque, homem, você está morto! E você pode vestir o morto tão gloriosamente quanto quiser, porém isso ainda seria um enorme esforço em vão.

Lá jaz a rainha Cleópatra - coloque a coroa em sua cabeça, cubra-a em vestes reais, deixe-a sentar com pompa: mas, que calafrio você sente quando passa por ela. Hoje ela está bela, mesmo em sua morte - mas quão terrível é ficar junto a um morto, mesmo uma rainha morta, celebrada por sua majestosa beleza! Assim, você pode ser magnífico em sua beleza, sua cortesia, e amabilidade, e graciosidade! Você coloca a coroa da honestidade sobre a sua cabeça, e coloca sobre você todas as vestes de honra, mas a não ser que Deus o tenha vivificado, oh homem, a não ser que o Espírito tenha tratado com a sua alma, você é tão detestável aos olhos de Deus, quanto o cadáver frio é repugnante a você.

Você não escolheria viver com um morto assentado à sua mesa, nem Deus tem prazer em que você esteja diante de seus olhos. ele fica irado com você todos os dias, porque você está em pecado - você está em morte. Oh! Creia nisto, coloque isto em sua alma! Aproprie-se disto, porque é bem verdade que você está morto, tanto espiritualmente quanto legalmente.

Morte Eterna
O terceiro tipo de morte é a consumação dos outros dois tipos. É a morte eterna. É a execução da sentença legal e a consumação da morte espiritual. A morte eterna é a morte da alma; ela acontece após o corpo ter morrido, após a alma ter saído do corpo. Se a morte legal é terrível, ela o é devido às suas conseqüências; e se a morte espiritual é horrível, ela o é devido ao que vem depois dela. As duas mortes das quais falamos são as raízes, e a morte que virá é a sua flor!

Oh, se eu tivesse palavras para descrever a você nesta manhã o que é a morte eterna: A alma compareceu ante seu Criador; o livro foi aberto; a sentença foi declarada: "Apartai-vos malditos" (Mt. 25:41), e ela sacudiu o universo, e fez com que as próprias estrelas se escurecerem com a desaprovação do Criador; a alma se foi às profundezas onde habitará com as outras em morte eterna.

Oh! Quão horrível é sua situação agora. Seu leito é um leito de chamas; as visões que tem são visões assassinas que aterrorizam seu espírito; os sons que ouve são gritos, e choros, e lamentos, e gemidos; tudo que seu corpo conhece é o infligir de dores lancinantes! Tem a indescritível aflição do sofrimento que não diminui. A alma olha para cima. A esperança está extinta - se foi. Olha para baixo, em medo e pavor: o remorso toma conta dela. Olha à sua direita, e as impenetráveis paredes da morte a mantêm dentro dos limites da tortura. Olha à sua esquerda, e há uma barreira de fogo ardente que impede o crescimento de qualquer especulação de fuga que seja sonhada. Olha para seu interior e busca por consolação ali, mas um verme destruidor já entrou em sua alma. Ela olha em volta, não tem amigos que a ajudem, nem consoladores, mas atormentadores em abundância. Não tem nenhuma esperança de libertação; já ouviu a eterna chave do destino fechando a terrível prisão, e viu Deus tomar a chave e jogá-la nas profundezas da eternidade, para nunca mais ser encontrada. Sem esperança, desconhece o escape, não conjectura libertação; suspira por um fim, mas a morte é por demais um adversário para estar ali; deseja ardentemente que a não existência a possa tragar, mas a morte eterna é pior que o aniquilamento. Anseia pelo extermínio como o trabalhador pelo dia de descanso; deseja profundamente que possa ser engolida pelo nada, assim como o escravo da galé deseja sua liberdade que nunca chega. Está eternamente morta.

Mesmo quando a eternidade já tiver dado incontáveis voltas em seus ciclos eternos a alma ainda continuará morta. Para todo o sempre não achará fim; a eternidade não pode ser descrita a não ser em termos da própria eternidade. Ainda assim, a alma vê escrito sobre sua cabeça: "tu és maldita para sempre". Ela ouve gritos que serão perpétuos; vê as chamas que não podem ser apagadas; conhece as dores que não terão alivio; ouve uma sentença que ruge não como um trovão da terra que logo cessa, mas, que prossegue, e prossegue, e prossegue, estremecendo em ecos pela eternidade - fazendo milhares de anos tremerem outra vez com o terrível estrondo do seu aterrorizante som: "Apartai-vos! Apartai-vos! Apartai-vos malditos!" Esta é a morte eterna.

II. Segundo, EM CRISTO JESUS HÁ VIDA,
Porque ele diz: "e não quereis vir a mim para terdes vida". Não há vida em Deus o Pai para o pecador; não há vida em Deus o Espírito para o pecador separado de Jesus. A vida do pecador está em Cristo. Se vocês tomarem o Pai à parte do Filho, apesar dele amar Seus eleitos e decretar que eles viverão, ainda assim a vida está somente em seu Filho. Se tomarem Deus o Espírito à parte de Jesus Cristo, apesar de ser o Espírito quem nos dá vida espiritual, ainda assim a vida está em Cristo, a vida está no Filho. Não nos atrevemos e não podemos requerer vida espiritual, em primeiro lugar, nem de Deus o Pai, ou de Deus o Espírito Santo. A primeira coisa a que somos levados quando Deus nos tira do Egito é a comer a Páscoa - a primeiríssima coisa. Os primeiros meios pelos quais recebemos vida consistem em nos alimentarmos da carne e do sangue do Filho de Deus; vivendo nele, confiando nele, crendo em Sua graça e poder.

Nosso segundo pensamento foi que - há vida em Cristo. Mostraremos a você que há três tipos de vida em Cristo, assim como há três tipos de morte.

Vida Legal (Jurídica)
Primeiro há vida legal em Cristo. Assim como todo homem, em sua natureza, considerado em Adão, teve uma sentença de condenação atribuída a ele no momento do pecado de Adão, e mais especificamente, no momento de sua própria primeira transgressão, do mesmo modo se eu for um crente, e você, se confiar em Cristo, teremos uma sentença de absolvição atribuída a nós através daquilo que Jesus Cristo fez. Ó pecador condenado! Você pode estar sentado aqui esta manhã tão condenado quanto um prisioneiro em Newgate2, mas antes deste dia terminar poderá estar tão livre de culpa quanto os anjos lá do alto.

Existe de fato uma vida legal em Cristo, e, Bendito seja Deus! Alguns de nós a desfrutamos. Sabemos que nossos pecados estão perdoados porque Cristo sofreu o castigo por eles. Sabemos que nós mesmos nunca seremos punidos, porque Cristo sofreu em nosso lugar.

A Páscoa foi sacrificada por nós: as ombreiras e a verga das portas foram espargidos, e o anjo destruidor nunca nos tocará. Para nós não há inferno; mesmo que ele arda com terrível chama. Não importa que o Tofete3 esteja preparado desde há muito tempo, não importa que sua pilha seja de madeira e que haja muita fumaça, nós nunca iremos para lá - Cristo morreu por nós, em nosso lugar. E se houver rodas para horríveis torturas? Ou se houver uma sentença produzindo a mais horrenda reverberação do som de trovões? Ainda, nenhuma roda, ou calabouço, ou trovão, são para nós! Em Cristo Jesus somos libertos agora. "Portanto, AGORA nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Rm. 8:1).

Pecador! Você está legalmente condenado nesta manhã? Sente isso? Então, deixe-me dizer-lhe que a fé em Cristo lhe dará o conhecimento de sua absolvição legal. Meu amigo, não é nenhuma fantasia que estamos condenados por nossos pecados, isto é uma realidade. Portanto, tampouco é fantasia que fomos absolvidos de nossos pecados, isto é uma realidade. Um homem prestes a ser enforcado, se recebesse pleno perdão, sentiria isso como uma grande realidade, ele diria: "eu recebi total perdão, agora não posso ser tocado". É exatamente assim que me sinto.

"Agora livre do pecado eu ando longe da prisão,
O sangue do Salvador é minha completa libertação,
Aos Seus amados pés me deito,
Um pecador salvo, minha homenagem deixo".

Irmãos, nós ganhamos vida legal em Cristo, e uma vida legal tal que não a podemos perder. A sentença foi contra nós no passado - agora tudo mudou. Está escrito: "portanto, AGORA NENHUMA CONDENAÇÃO HÁ", e esse "agora" valerá para mim daqui a cinqüenta anos, tanto quanto vale hoje. Não importa o momento que vivemos, ainda estará escrito: "portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".

Vida Espiritual
Então, em segundo lugar, há vida espiritual em Cristo Jesus. Como o homem está espiritualmente morto, Deus tem vida espiritual para ele, porque não há nenhuma necessidade que não seja suprida por Jesus, não há vazio no coração que Cristo não possa preencher: não há um ermo que ele não possa povoar, não há deserto que ele não possa fazer florescer como a rosa.

Ó vocês, pecadores mortos, espiritualmente mortos, há vida em Cristo Jesus, pois nós a temos visto - sim, estes olhos viram - os mortos vivem de novo: nós conhecemos um homem cuja alma era completamente corrompida, e que pelo poder de Deus seguiu pelo caminho da justiça; conhecemos um homem cuja forma de ver as coisas era carnal, cujas concupiscências eram poderosas, cujas paixões eram fortes, e que, de repente, por um irresistível poder do céu, consagrou a si mesmo a Cristo, e tornou-se um filho de Deus.

Sabemos que há vida em Cristo Jesus, vida de natureza espiritual; sim, mais ainda, nós mesmos, em nós mesmos, temos sentido que há vida espiritual. Podemos bem nos lembrar quando nos sentamos na casa de oração, tão mortos quanto os bancos nos quais estávamos sentados. Havíamos ouvido por muito tempo o som do evangelho, mas nenhum efeito se seguiu, quando de repente, como se os nossos ouvidos tivessem sido abertos pelos dedos de um poderoso anjo, um som entrou em nossos corações. Pensamos ter ouvido Jesus dizer: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mt. 13:9). Uma mão irresistível se colocou sobre nosso coração e espremeu dele uma oração. Nunca havíamos feito antes uma oração como esta. Nós clamamos: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" (Lc. 18:13).

Alguns de nós sentimos a mão de Deus nos apertando durante meses, como se tivéssemos sido apanhados num torno, e as nossas almas sangraram gotas de angústia. Essa miséria era um sinal de vida se iniciando. As pessoas quando estão se afogando não sentem tanta dor como quando estão sendo restabelecidas. Oh, nós nos lembramos daquelas dores, daqueles gemidos, daquela luta que nossa alma travava quando viemos a Cristo. Ah! Podemos nos lembrar do receber nossa vida espiritual, tão facilmente quanto poderia um homem que fosse ressurrecto do túmulo. Podemos supor que Lázaro tivesse lembrança de sua ressurreição, mesmo que não de todos os detalhes dela. Assim, apesar de termos nos esquecido de muitos detalhes, podemos lembrar de nós nos entregando a Cristo. Podemos dizer a cada pecador, mesmo morto, que há vida em Cristo Jesus, mesmo que você esteja apodrecido e corrompido em seu túmulo espiritual. Aquele que ressuscitou Lázaro, também nos ressuscitou; e ele pode dizer, mesmo a você: "Lázaro, sai para fora" (Jo. 11:43).

Vida Eterna
Em terceiro lugar, há vida eterna em Cristo Jesus. E, ah, se a morte eterna é terrível, a vida eterna é abençoada; porque ele disse: "Onde eu estiver, ali estará também o meu servo" (Jo. 12:26). "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória" (Jo. 17:24). "E dou [às minhas ovelhas] a vida eterna, e nunca hão de perecer" (Jo. 10:28).

Agora, qualquer arminiano que pregasse a partir desse texto precisaria comprar um par lábios de borracha da Índia, porque estou certo que ele precisaria esticar sua boca estupendamente, pois nunca seria capaz de dizer toda a verdade sem se enrolar de um modo muito misterioso.

Vida eterna - não uma vida que estão a ponto de perder, mas vida eterna. Se eu perdi a vida em Adão, eu a ganhei em Cristo; se em Adão me perdi para sempre, em Cristo Jesus me encontro para sempre. Vida eterna! Oh, que pensamento abençoado! Nossos olhos reluzirão com gozo e nossas almas descansarão em êxtase com o pensamento de que temos vida eterna. Apaguem-se estrelas! Ponha Deus Seu dedo sobre nós - mas minha alma viverá em felicidade e gozo. Apaga seu olho, ó sol! - mas meus olhos "verão o Rei em Sua formosura" quando teu olho não mais fizer a verde terra sorrir. E lua, torne-se sangue! - mas meu sangue jamais se tornará em nada; este espírito ainda existirá quando você tiver deixado de existir. E você grande mundo! - poderá de todo cessar, assim como uma espuma momentânea desaparece de sobre a onda que a suporta, mas eu tenho vida eterna. Ó tempo! - você poderá ver montanhas gigantescas serem mortas ou escondidas em suas covas; poderá ver as estrelas como figos muito maduros, caírem da árvore; mas nunca, jamais verá meu espírito morto.

3. Isto nos traz ao terceiro ponto: que A VIDA ETERNA É DADA A TODOS QUE VÊM BUSCÁ-LA.
Nunca houve um homem sequer que tenha vindo a Cristo buscar por vida eterna, por vida legal, por vida espiritual, e que já não a tenha recebido, em algum sentido, e foi-lhe manifestado que a tinha recebido logo após ter vindo. Vamos considerar um ou dois textos. "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus" (Hb. 7:25).

Todo homem que se chega a Cristo, verá que ele é capaz de salvá-lo - não apenas de salvá-lo um pouco, libertá-lo de um pequeno pecado, livrá-lo de uma pequena tentação, carregá-lo por um pouco e então deixá-lo cair - mas, capaz de salvá-lo da completa extensão de seu pecado, de todo o tamanho de suas tentações, de toda a profundidade de suas tristezas, por toda a duração de sua existência. Cristo diz a todo aquele que vem a ele: "Venha, pobre pecador, não precisa perguntar se tenho poder para salvar. Eu não perguntarei quão longe você foi em seu pecado; Eu posso salvá-lo em toda a sua extensão". E ninguém na terra pode ir além da extensão de Deus.

Todos os que vêm são recebidos
Agora vejamos outros textos: "O que vem a mim [observem que as promessas são quase sempre aos que vêm] de maneira nenhuma o lançarei fora" (Jo. 6:37). Todo homem que vem encontrará a porta da casa de Cristo aberta - e a porta do Seu coração também. Todo homem que vem - digo isto no sentido mais amplo - descobrirá que Cristo tem misericórdia dele. O maior absurdo do mundo é querer ter um evangelho mais amplo do que aquele registrado nas Escrituras. Eu prego que cada homem que crê será salvo - que cada homem que vem encontrara misericórdia. As pessoas me perguntam: "Mas, suponha que um homem venha, e que não tenha sido escolhido, ele seria salvo?" Você está supondo um absurdo, e eu não vou lhe dar uma resposta. Se um homem não for escolhido ele nunca virá. Quando ele vem é uma prova segura de que foi escolhido. Outro diz: "Suponha que alguém vá a Cristo, e que não tenha sido chamado pelo Espírito". Espere, meu irmão, essa é uma suposição que você não tem o direito de fazer, porque tal coisa não pode acontecer; você só diz isso para me embaraçar, mas não vai fazer isso agora. Eu digo que cada homem que vem a Cristo será salvo. Eu posso dizer isso como um calvinista, ou como um hiper-calvinista, tão claramente quanto você pode dizê-lo. Não tenho nada que estreite o evangelho que você tem; somente meu evangelho está sobre uma fundação sólida, enquanto o seu está edificado sobre nada além de areia e corrupção. "Cada homem que vem será salvo, porque ninguém pode vir a mim se o Pai não o trouxer" (Jo. 6:44). "Mas", diz alguém: "suponha que todo mundo viesse, Cristo iria receber a todos?" Certamente, se todos viessem seriam todos recebidos; contudo eles não virão. Mas, lhe digo que todos os que vêm - são recebidos; mesmo que fossem tão maus quanto demônios, Cristo os receberia; mesmo se tivessem todos os pecados e imundícies correndo em seus corações, como dentro de um esgoto comunitário do mundo inteiro, Cristo ainda assim os receberia.

Cristo recebe somente os que vêm
Outro diria: "Quero saber sobre o restante das pessoas. Posso sair e dizer-lhes - Cristo morreu por cada um de vocês? Posso dizer - há justiça para cada um de vocês, há vida para cada um de vocês?" Não, você não pode dizer isso. Você pode dizer - há vida para cada homem que vier. Mas, se você disser que há vida para cada um daqueles que não crêem, você está proferindo uma perigosa mentira. Se você disse a eles que Jesus Cristo foi punido por seus pecados, e ainda assim eles se perderem, você intencionalmente disse algo falso.

Pensar que Deus poderia punir a Cristo e depois também punir a eles - surpreendo-me com seu atrevimento em dizer isto com tal descaramento! Certa vez um homem estava pregando que haveria harpas e coroas no paraíso para toda a sua congregação; e então ele concluiu de uma forma muito séria e triste: "Meus queridos amigos, há muitos para os quais estas coisas estão preparadas, mas que não chegarão lá". De fato, ele fez uma narrativa tão lastimável, que de fato deveria ter chorado; mas eu lhes digo por quem ele deveria ter chorado - deveria ter chorado pelos anjos do paraíso e por todos os santos, porque isto teria arruinado o paraíso completamente.

Quando vocês se reúnem no Natal, se tivessem perdido seu irmão Davi, e seu assento estivesse vazio, vocês diriam: "Bem, nós sempre gostamos do Natal, mas agora há um lado negativo nele - o pobre Davi está morto e enterrado!" Agora, imaginem os anjos dizendo: "Ah! Este é um belo Paraíso, mas não gostamos de ver todas aquelas coroas lá com teias de aranha; não suportamos ver aquela rua desabitada! Não podemos olhar para além e ver os tronos vazios!" E então, aquelas pobres almas, poderiam começar a dizer umas às outras: "Nenhum de nós está a salvo aqui, porque a promessa foi - Eu dou às minhas ovelhas a vida eterna - e há muitas delas, às quais Deus deu vida eterna, no inferno; há um número delas, pelas quais Cristo derramou seu sangue, que estão queimando no abismo, e se elas podem ser mandadas para lá, nós também podemos. Se nós não podemos confiar em uma promessa, não podemos confiar em outra". Deste modo, o Paraíso perderia sua fundação e desabaria. Fora com seu evangelho sem sentido! Deus nos dá um evangelho seguro e sólido, construído sobre os procedimentos e relacionamentos da aliança, sobre propósitos eternos e cumprimentos seguros.

4. Isto nos traz ao quarto ponto, QUE POR SUA PRÓPRIA NATUREZA, NENHUM HOMEM VIRÁ A CRISTO,
Porque o texto diz: "Não quereis vir a mim para terdes vida". Afirmo sob a autoridade da Escritura registrada em meu texto, que vocês não irão desejar vir a Cristo, para que tenham vida. Eu lhes digo, que eu poderia pregar a vocês pela eternidade a fora, e poderia tomar emprestada a eloqüência de Demóstenes ou de Cícero, contudo vocês não viriam a Cristo. Posso implorar a vocês de joelhos, com lágrimas em meus olhos, e lhes mostrar os horrores do inferno e as delícias do paraíso, a suficiência de Cristo, e sua própria condição de perdidos, mas nenhum de vocês viria a Cristo por si mesmo, a não ser que o Espírito que está em Cristo o atraísse. É um fato que nenhum homem em sua condição natural virá a Cristo.

Mas, parece que estou ouvindo outro destes faladores perguntando: "Mas, eles não podem vir se assim quiserem?" Meu amigo, vou lhe responder isto em outro momento. Porque esta não é a questão desta manhã. Estou tratando de se eles quereriam vir, não se poderiam vir. Vocês notarão que sempre que falarem sobre livre-arbítrio, o pobre arminiano, em dois segundos começará a falar sobre poder, é que ele mistura dois assuntos que deveriam estar separados. Nós não iremos tomar dois assuntos ao mesmo tempo; se possível, declinamos de lutar com dois ao mesmo tempo. Outro dia nós pregaremos sobre este texto: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer" (Jo. 6:44). Assim, é somente sobre a questão da vontade que estamos tratando agora; e é certo que os homens não querem vir a Cristo, para que tenham vida.

Podemos provar este ponto a partir de muitos textos das Escrituras, porém usaremos uma parábola: Vocês se lembram da parábola onde um certo rei deu uma festa para seu filho, e convidou um grande número de pessoas para vir; os bois e os animais cevados foram mortos, e ele enviou seus mensageiros chamando a muitos para a ceia. Eles foram à festa? Ah, não! mas todos eles, à uma, começaram a se desculpar. Um dizia que havia se casado, e portanto não poderia vir, mesmo considerando que ele poderia ter levado a esposa consigo. Outro havia comprado uma junta de bois, e foi experimentá-los; mas a festa era à noite, e ele não poderia experimentá-los no escuro. Outro havia comprado um pedaço de terra, e desejava vê-lo; mas não creio que ele tenha ido vê-lo com uma lanterna. Assim, todos deram desculpas e não foram. Bem, o rei estava determinado a ter a festa; assim, disse: "Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e..." convide - espere! não disse convide - mas "traze-os aqui"; porque mesmo os mendigos de rua jamais teriam vindo se não fossem compelidos.

Tomemos outra parábola: - Um certo homem tinha uma vinha; na estação determinada ele enviou um de seus servos para receber o aluguel. O que fizeram com ele? Espancaram aquele servo. Ele enviou outro; e eles o apedrejaram. Ele enviou outro ainda e eles o mataram. E, por fim, disse: "Vou enviar-lhes meu filho, eles o respeitarão". Mas, o que fizeram? Disseram: "Este é o herdeiro, matemo-lo, e o lancemos fora da vinha". E assim fizeram. É o mesmo que acontece, por natureza, com todos os homens. O Filho de Deus veio, entretanto os homens o rejeitaram. "Não quereis vir a mim para terdes vida".

A doutrina da Queda
Tomaria muito tempo mencionarmos ainda outras provas das Escrituras. Vamos, contudo, nos referir à grande doutrina da queda. Qualquer um que acredita que a vontade do homem é inteiramente livre, e que pode ser salvo por meio dela, não acredita na queda. Como eu algumas vezes lhes tenho dito, poucos pregadores crêem plenamente na doutrina da queda, ou então crêem que quando Adão caiu quebrou o dedinho, e não que quebrou o pescoço e arruinou sua raça. Porque, amados, a queda quebrou o homem inteiramente. Ela não deixou nenhuma estrutura intacta; todas foram quebradas, degradadas, e manchadas; como em um templo poderoso, os pilares precisam estar lá: a coluna, o pilar, e a pilastra devem estar lá; mas foram todos quebrados, ainda que alguns deles ainda retenham seu formato e posição. A consciência do homem algumas vezes retém muito de sua ternura - mesmo tendo caído.

A vontade, também não ficou isenta. E se ela for o "Senhor Governador da Alma Humana" como Bunyan a chamava? - O Senhor Governador erra. O Senhor Vontade-Seja-Feita está continuamente errando. Sua natureza caída está enguiçada; sua vontade, entre outras coisas, tem claramente se afastado de Deus. Mas, lhes digo qual será a melhor prova disso: é o fato relevante de que, em suas vidas, vocês nunca encontraram um Cristão que lhes tenha dito que veio a Cristo, sem que antes Cristo tivesse ido a ele.

Não há orações arminianas
Vocês têm ouvido uma quantidade grande de sermões arminianos, ouso dizer, mas vocês nunca ouvirão uma oração arminiana - porque os santos em oração se mostram iguais em palavra, ação e mente. Um arminiano de joelhos orará tão fervorosamente, quanto um calvinista. Ele não pode orar sobre o livre-arbítrio; não há espaço para isso. Imagine-o orando: "Senhor, eu te agradeço porque não sou como aqueles pobres e presunçosos Calvinistas. Senhor, eu nasci com o glorioso livre-arbítrio; Nasci com o poder pelo qual posso me voltar para ti por mim mesmo; tenho acrescido minha graça. Se todos tivessem feito com suas graças o mesmo que fiz com a minha, todos poderiam estar salvos agora. Senhor, eu sei que o Senhor não nos faz propensos a ti se nós mesmos não nos dispusermos a isto. Deste graça a todos; alguns não a cultivaram, mas eu a cultivei. Há muitos que irão para o inferno, mesmo estando tão comprados pelo sangue de Cristo quanto eu estou; tiveram tanto do Espírito Santo quanto me foi dado; tiveram uma boa chance, e foram tão abençoados quanto eu fui. Não foi a tua graça que nos fez diferentes; sei que ela fez muito, mas eu é que mudei de direção; eu fiz uso do que me foi dado, e os outros não - esta é a diferença entre mim e eles".

Esta é uma oração do diabo, porque ninguém mais ofereceria uma oração como esta. Ah! Quando estão pregando e falando bem devagar, podem apresentar uma doutrina errada; mas quando vêm orar, a verdade escapa; eles não podem evitar. Se um homem fala bem devagar, ele pode falar de modo sofisticado; mas quando começa a falar rápido, o velho sotaque da sua região, de onde nasceu, escapa. Pergunto-lhes novamente, vocês já encontraram um Cristão que tenha dito: "Eu vim a Cristo sem o poder do Espírito agir!"? Se vocês em algum momento o encontrarem, deverão dizer sem hesitação: "Meu caro senhor, creio que isto aconteceu - e creio que você se afastou Dele também sem o poder do Espírito, e que você nada sabe sobre este assunto, e que está em fel de amargura e em laço da iniqüidade".

Cristo nos amou primeiro
Será que eu ouviria um Cristão dizendo: "Eu busquei a Jesus antes que ele me procurasse; Fui ao Espírito, e o Espírito não veio a mim"? Não, amados. Somos obrigados, cada um de nós, a colocar nossas mãos em nossos corações e dizer:

"A graça ensinou minha alma a orar,
E fez meus olhos transbordarem;
Foi a graça que me susteve até este dia,
E não me abandonará".

Há alguém aqui - um que seja - homem ou mulher, jovem ou velho, que possa dizer: "Eu busquei a Deus antes Dele me procurar?" Não, mesmo você que é um pouco arminiano, cantará:

"Oh sim! Eu amo a Jesus -
Porque ele me amou primeiro".

Então, mais uma questão. Não descobrimos, mesmo depois de termos vindo a Cristo, que nossa alma não é livre, mas é guardada por Cristo? Não há ocasiões, mesmo agora, quando o querer não está em nós? Há uma lei em nossos membros, que se opõe à lei de nossas mentes. Agora, se aqueles que são vivos espiritualmente sentem que sua vontade é por vezes contrária a Deus, que dizer dos homens que estão "mortos em ofensas e pecados"? Seria um enorme absurdo colocar os mortos acima dos vivos. Não; o texto é verdadeiro, a experiência o tem marcado em nossos corações: "E não quereis vir a mim para terdes vida".

Porque os homens não vêm
Agora, devemos lhes dizer as razões porque os homens não vêm a Cristo. A primeira é que nenhum homem por natureza pensa que deseja a Cristo. Em sua natureza o homem entende que não precisa de Cristo; pensa que tem uma veste de justiça em si mesmo, e que está bem vestido, que não está nu, que não precisa que o sangue de Cristo o lave, que não está preto ou vermelho, e que não precisa da graça purificá-lo. Nenhum homem sabe da sua necessidade até Deus apresentá-la. Até o Espírito Santo revelar a necessidade de perdão, nenhum homem busca por perdão. Eu posso pregar a Cristo para sempre, mas, a menos que vocês sintam que precisam de Cristo vocês nunca virão a ele. Um doutor pode ter uma boa farmácia, mas ninguém comprará seus medicamentos até que sinta que precisa deles.

A próxima razão é que os homens não gostam da forma como Cristo os salva. Alguém dirá: "Eu não gosto porque ele me faz santo; não poderei beber ou xingar se ele me salvar". Outro dirá: "É requerido que eu seja muito formal e puritano, e eu gosto de ter mais liberdade de ação". Outro não gosta dela porque é muito humilhante; ele não gosta dela porque os "portões do paraíso" não são suficientemente altos para sua cabeça passar levantada, e ele não gosta de se curvar. E esta é a principal razão pela qual vocês não vêm a Cristo: é que vocês não podem chegar a ele com as suas cabeças erguidas, porque Cristo faz vocês se curvarem quando vêm. Outro não gosta do fato de ser a graça do início ao fim. "Oh!", dirá, "Se eu pudesse ter um pouco de honra". Mas quando ele ouve que tudo é feito por Cristo, ou nada de Cristo, um Cristo inteiro, ou nada de Cristo, ele dirá "não virei", e vira-se nos calcanhares e vai embora. Ah! Orgulhosos pecadores, vocês não querem vir a Cristo. Ah! Pecadores sem instrução, vocês não querem vir a Cristo, porque não sabem nada sobre ele. E esta é a terceira razão.

Os homens não sabem o valor dele, porque se soubessem viriam a ele. Porque os marinheiros não foram para a América antes de Colombo? Porque não criam que havia uma América. Colombo tinha fé, logo foi. Aquele que tem fé em Cristo vai a ele. Mas vocês não conhecem a Jesus; muitos de vocês nunca viram sua bela face; vocês nunca viram quanto seu sangue é aplicável a um pecador, quão grande é sua redenção, e quão plenamente suficiente são seus méritos. Portanto, "vocês não querem vir a ele".

Conclusão
E, ó meus ouvintes, meu último pensamento é muito sério. Tenho pregado que vocês não querem vir. Mas alguns dirão: "é por causa do pecado deles, que eles não vêm". É ISTO MESMO. Vocês não vem, mas é porque sua vontade é uma vontade pecaminosa. Alguns pensam que "cozemos almofadas para todas as axilas" (Ez. 13:18), quando pregamos esta doutrina, mas não o fazemos. Não colocamos isto como sendo parte da natureza original do homem, mas como pertencente à sua natureza caída. É o pecado que os trouxe a esta condição pela qual vocês não virão a ele. Se vocês não tivessem caído, vocês viriam a Cristo no momento em que ele lhes fosse apregoado. Mas vocês não vêm por causa da sua pecaminosidade e delito.

Pessoas usam a desculpa de terem corações maus. Essa é a desculpa mais fraca do mundo. O roubo e o furto não provêm de um coração mau? Imagine um ladrão dizendo ao juiz: "Não pude evitar, é que eu tenho um coração mau". O que o juiz diria? "Seu tratante! Se o seu coração é mau, eu tornarei a sua sentença ainda mais pesada, porque você é verdadeiramente um vilão. Sua desculpa não vale nada". O Todo-Poderoso irá "rir deles, e os terá por escárnio". Nós não pregamos esta doutrina para desculpar vocês, mas para torná-los humildes. Possuir uma má natureza é minha culpa tanto quanto minha terrível calamidade. É um pecado que sempre será imputado aos homens; quando eles não querem vir a Cristo é o pecado que os mantêm afastados. Aquele que não prega isto, temo que não seja fiel a Deus e à sua própria consciência. Vá para sua casa, então, com este pensamento: "Eu sou em minha natureza tão perverso que não quero vir a Cristo, e que esta maldosa perversidade da minha natureza é meu pecado. Mereço ser mandado para o inferno por isto". E se este pensamento não o humilhar, com o Espírito o usando, nenhum outro poderá fazê-lo. Esta manhã não exaltei a natureza humana, mas rebaixei-a. Que Deus nos humilhe a todos nós. Amém.



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* Sermão de nº 52 - Pregado na manhã do domingo (Sabbath) de 02 de dezembro de 1855, na New Park Street Chapel, Southwark.
1 Todos os textos bíblicos citados neste estudo foram extraídos da tradução de João Ferreira de Almeida - Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF), editada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.
2 Uma prisão na Inglaterra.
3 Lugar no vale de Hinon onde se realizavam sacrifícios a Moloque. Foi profanado por Josias (II Rs 23:10), e a seu respeito Jeremias profetizou (Jr.7:32; 19:1-13).

A Deus toda a Honra e Glória.
Maranata,vem Senhor Jesus.

O PECADO DOS PECADOS 3.

Por: Glenio Fonseca Paranaguá
08/03/2009

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! João 1:29.


As Escrituras descrevem que o pecado entrou no mundo através de um homem. Penetrou na raça humana por meio da incredulidade de Adão diante da palavra de Javé Elohim. Contudo, no mesmo instante em que João Batista viu Jesus, teve a revelação de que se encontrava diante daquele que veio como o Cordeiro de Deus, a fim de tirar o pecado do mundo.

Já vimos em estudos precedentes, que o pecado é antes de tudo a descrença perante a palavra de Javé Elohim. A transgressão da ordem Divina só foi possível porque Adão não creu na ordem que lhe fora dada. O ato de desobediência foi antecedido por uma atitude de incredulidade.

Ressaltamos, também, que Jesus definiu o pecado como sendo ausência de confiança em sua pessoa. Para Jesus o pecado é não crer nele. (João 16:9). Entendo que esta é a definição mais ajustada de pecado que temos na Bíblia. Primeiro, porque esta acepção dimana daquele que fez o ser humano. Segundo, porque as outras se explicam por meio desta.

A incredulidade subjetiva envolvendo a pessoa e a palavra de Javé Elohim é a causa objetiva da iniqüidade, da transgressão ou desobediência, da rebeldia, da omissão, bem como de todas as atitudes e de todos os atos pecaminosos de um ser finito e presumivelmente autônomo. Como afirmou Stephen Charnock, "a incredulidade foi o primeiro pecado, e o orgulho, seu primogênito".

Ora, se a descrença ante a palavra de Javé Elohim é o pecado dos pecados, então a fé em Jesus e sua obra, fé essa, produzida através da palavra viva de Aba, apregoada pela graça no poder do Espírito Santo é a salvação do pecado e o triunfo sobre os pecados na vida dos filhos de Deus.

Quando Javé Elohim se encarnou no Jesus histórico ficamos diante da dimensão humana da Divindade e diante do mistério inexplicável da fé, onde Deus e o Homem convivem reunidos numa mesma pessoa. Deste modo, assim como Adão teve a chance de crer na palavra de Javé Elohim diante daquela árvore, nós também a temos na presença da pessoa e obras de Jesus.

Certa ocasião, quando Jesus explicava o problema da incredulidade e rebeldia do mundo contra ele, disse algo muito interessante em relação aos seus feitos: Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez, pecado não teriam; mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai. João 15:24.

Qual a afinidade entre as obras que Jesus realizou e a existência do pecado? Como é que os judeus contemporâneos de Jesus não creram em Jesus diante dos seus feitos inigualáveis?

A obra que Jesus realizou entre eles ninguém conseguiu realizar antes dele. Nem Moisés, nem Elias, nem qualquer dos profetas fizeram algo parecido com o que Jesus fez no meio do seu povo, mas, mesmo assim, eles não creram nele. Se Jesus não tivesse feito o que fez, eles não teriam o problema com a incredulidade, mas agora não havia desculpa. Deus estava entre eles realizando feitos notáveis, contudo não puderam crer ou não quiseram crer.

A fé é um assunto ligado unicamente à pessoa de Javé Elohim, seus atos e a sua palavra. Fé não é um sentimento, nem uma explicação lógica. Apesar da fé não ser ilógica, nem irracional, ela transcende à compreensão humana, ultrapassando todas as evidências dos sentidos.

Há três tipos de gente no mundo: os caçadores de sinais, os pesquisadores alucinados e ensoberbecidos, e os crentes. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. 1 Coríntios 1:21-24.

Jesus fez sinais inéditos na presença da sua raça encachaçada por prodígios. Os judeus viram estes portentos incomuns, mas ao invés de crerem em Jesus, eles passaram a odiá-lo, além de odiarem a seu Pai. Eles não conseguiam enxergar além das evidências, pois viviam no pecado. Neste sentido, viver no pecado é conviver com a incredulidade. O perímetro do pecado é o ateísmo prático, o ceticismo birrento, a dúvida pirrônica e a descrença soberba.

O apóstolo Paulo falando das questões relacionadas às dietas desaprovadas por alguns e consagradas por outros, sustenta que a fé é uma medida particular de certeza, ligada à revelação de Deus para cada um, individualmente. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Romanos 14:22. A fé está sempre vinculada à pessoa e palavra de Javé Elohim, por isso, não existe fé desconectada de Cristo Jesus.

Deste modo, o apóstolo conclui categoricamente expondo o que é o pecado do seu ponto de vista, ao demonstrar o papel da dúvida diante da certeza espiritual. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Romanos 14:23. Para ele o pecado é a infidelidade ou não viver pela fé na palavra de Deus.

Um dos profetas menores ofereceu ao povo judeu um dos maiores conceitos da legitimidade daquele que de fato é justo. Esta mesma consideração foi reiterada três vezes no Novo Testamento, reforçando a idéia da verdadeira realidade espiritual. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Habacuque 2:4. Para alguém ser justo é preciso ser justificado.

Viver com Jesus é andar por fé crendo em sua pessoa e em sua palavra. Viver sem Jesus, por conta própria, é viver no pecado. O soberbo anda sozinho achando que é deus. O pecado é a arrogância de uma vida independente de Javé Elohim. É uma carreira solitária, sem comunhão dependente de Jesus. É uma obstinada passeata do humanismo na estrada pedagiada para o inferno.

Uma criança, explanando à mãe o que aconteceu com Enoque, depois do seu aparente seqüestro, disse que ele andou tanto com Deus e por tanto tempo, que Deus achou melhor levá-lo para sua casa, ao invés de deixá-lo voltar. A versão bíblica apresenta esta narração: Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. Hebreus 11:5.

Desagradar a Deus é viver no pecado. Agradar a Deus é andar por fé. Ainda assim, como disse Charles Hodge, "não há mérito em crer. Trata-se apenas do ato de receber um favor oferecido". Viver pela fé é andar na contramão do pecado, fora da fronteira do humanismo asfixiador e destituído de qualquer merecimento, ainda que suprido, suportado e sustentado pela suficiência da graça incondicional de Javé. Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. Romanos 1:17.

Ora, se o justo for aquele que vive pela fé doada por Jesus, a fim de fazê-lo crer em Jesus, isto é, confiar exclusivamente na palavra de Jesus que o justificou perfeitamente, o injusto, por sua vez, será aquele que jaz em seu pecado de incredulidade perante a vida de Jesus. Permanecer no pecado é viver num estado de descrença em relação à pessoa e obra de Jesus, e, neste caso, o justo que vive pela fé em Jesus, não continuará vivendo no pecado.

O soberbo é um autônomo, andando por conta própria em descrença permanente, enquanto o justo, justificado pela fé em Jesus, dependente da palavra do Senhor, viverá pelo crédito que o Senhor lhe concede em sua palavra. A Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem. Gálatas 3:22.

A vida no pecado é uma biografia desconectada da fé na suficiência da pessoa de Cristo Jesus. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, além do que, é o Autor e o Consumador da fé. Como pode aquele que tira o pecado do mundo, gerando fé nos filhos de Deus, permitir que os filhos de Deus crentes em sua pessoa vivam no pecado de incredulidade em relação a ele?

O escritor da carta aos Hebreus, no capítulo onze, apresentou uma galeria enorme de personagens que viveram pela fé. Em seguida ele faz uma declaração curiosa: Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hebreus 12:1-2.

Aqui, vemos algo conveniente, convincente e compatível com a salvação de Deus. O desembaraço da carga pesada da religião e o desemaranhamento do pecado dos pecados são possíveis quando, com desenvoltura, mas sustentados pela graça, corremos a maratona rumo à nova Jerusalém, olhando fixa e atentamente em Jesus, autor, aperfeiçoador e finalizador de nossa vida de fé.

Extraido do site:www.palavradacruz.com.br

A Deus toda a Honra e Glória.
Maranata,vem Senhor Jesus.