segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O TÚMULO VAZIO PREENCHENDO A VISÃO MISSIONÁRIA.

A morte é o fim da esperança. O crepúsculo da sexta-feira trouxe as densas trevas de uma noite carregada e pôs uma pá de cal na expectativa dos discípulos. Oscar Cullman sugere que a traição de Judas era conseqüência da desilusão. Um Messias mortal se revelava como um beco sem saída. Judas, provavelmente membro de um partido político de esquerda, viu a sua perspectiva de libertação atirada no lixo.

Muita gente trai quando se sente traída. Quando Jesus começou a falar de sua morte na cruz, os seus discípulos começaram a encrencar com essa proposta. Pedro, por exemplo, ficou irredutível e procurou dissuadir Jesus da estranha idéia de ir para a cruz, a fim de ser espetado num espetáculo trágico. E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mateus 16:22.

Um Cristo morto representava a falência do projeto que apontava em direção à redenção de Israel. A morte de Jesus cheirava a fracasso. Ninguém poderia admitir o triunfo de um líder crucificado, por isso a reação contrária de todos os discípulos de Jesus.

Mas a morte de Jesus Cristo na cruz tinha outro proponente, com um enfoque diferente. Deus estava por trás da tragédia do Calvário. Jesus era o representante federal de uma humanidade decaída e a sua morte abrangia a totalidade dos eleitos que o Pai quer salvar. A sombria tarde daquele dia sinistro tinha as marcas da justificação do pecador.

A morte de Cristo Jesus era uma morte globalizada que incluía todos os pecadores escolhidos pelo amor soberano do Pai. Mas os discípulos não entendiam o segredo da graça e ficaram desanimados com o episódio da cruz.

A sexta-feira foi o fenecimento da esperança. A tristeza tomou conta da primeira turma e as portas da academia da fé ficaram trancadas com medo dos judeus. Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! João 20:19.

A tristeza e o medo abafaram a missão do colégio apostólico. Eles haviam perdido o rumo. Uma pessoa consternada e tímida não tem nada a dizer. O mutismo dos discípulos vem da falta de uma visão clara da tumba vazia.

A ressurreição é o motivo principal da pregação do evangelho, ainda que a cruz seja a causa da comissão evangelística. O evento que encheu o coração dos discípulos de esperança e os tornou mensageiros do evangelho da graça foi a visão do sepulcro vazio. A aurora do primeiro dia suscitou um novo ânimo aos decepcionados. Ora, se Cristo ressuscitou de fato, então há perspectiva para uma humanidade transtornada pelo pecado.

As portas da casa onde se reuniam os primeiros membros da igreja ficaram fechadas até que o Senhor da vida trouxesse luz ao episódio da ressurreição. Jesus entrou na casa sem abrir a porta, causando espanto aos incrédulos, mas também abrindo o coração deles para o grande triunfo sobre o pecado e a morte.

Jesus Cristo ressuscitado é o Senhor e Salvador dos pecadores desenganados. A ressurreição de Cristo Jesus é a prova evidente que a morte foi vencida e o pecado perdeu a sua força de condenação. A história da crucificação não termina com um funeral, mas com um festival de aleluia. O anjo anunciava às mulheres com júbilo: Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia. Mateus 28:6.

O ponto de vista da tumba desocupada foi o fato que deu a abertura para a visão missionária. As mulheres saíram do cemitério com o coração repleto de alegria, ainda que assustadas com o lance, mas cheias da mensagem alvissareira do evangelho da graça. E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos. Mateus 28:8.

A pregação verdadeira do evangelho começa com a visão convincente da morte e ressurreição de Cristo. As testemunhas são as únicas pessoas que podem, falar de fato, daquilo que presenciaram. Pedro e João, quando estavam sendo ameaçados pelas autoridades judaicas, para que não pregassem a Jesus ressuscitado, disseram: pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos. Atos 4:20.

Somente as testemunhas podem testemunhar. No plano da evidência histórica, apenas os discípulos que viveram no tempo de Jesus são as testemunhas oculares. Todavia, do ponto de vista teológico e espiritual, todos aqueles que, pela fé, estiverem envolvidos no sacrifício de Jesus são testemunhas da experiência. Só pode testificar do evangelho quem participa, mediante a fé, da morte e ressurreição juntamente com Cristo.

A melhor notícia que o mundo já ouviu veio de uma sepultura vazia, de onde Deus encheu os corações de esperança, com a mensagem viva da ressurreição. O cristianismo tem a sua base alicerçada na cruz e na ressurreição, e esse túmulo vazio serve como berço para a igreja nascente.

James Denney afirma: O Novo Testamento prega um Cristo que esteve morto e está vivo, não um Cristo que esteve vivo, mas está morto. A seqüela do pecado é a morte, mas o resultado da salvação é a vida eterna, através do Cristo que morreu e ressuscitou.

Se a morte de Jesus trouxe desesperança para os seus discípulos, sua ressurreição originou uma torrente de esperança, capaz de enxergar através de nuvens espessas. Já que Cristo ressuscitou não há mais barreira que impeça a efetivação de suas promessas.

Da cova despovoada nasce uma nova raça dotada de um entusiasmo sem fronteira. O cristão é filho da vida que brota da morte. Ele é a síntese da cruz e da tumba vazia.

A preleção do evangelho sintetiza-se na morte e ressurreição de Cristo Jesus. Uma vez que Cristo morreu para nos levar a morrer em união com ele, e ressuscitou para ser a nossa vida, então nada pode nos angustiar, desanimar, desamparar ou destruir. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; 2 Coríntios 4:8-9.

O cristão legítimo é herdeiro do legado de um túmulo vazio, vivendo cheio da visão excelente da graça plena, que o faz parceiro na divulgação das boas novas do evangelho da esperança. E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo. Romanos 15:13.

Todo aquele que foi alcançado pela mensagem suficiente da graça, através da morte e ressurreição de Cristo, torna-se também, por meio dessa mesma graça, um mensageiro eficiente do recado mais animador que se pode dar a alguém. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15.

Um sepulcro desabitado transforma-se na mais eloqüente pregação da esperança que se tem conhecimento. Por outro lado, se não houver a ressurreição de Cristo, o cristianismo torna-se na mais espetacular fraude que já existiu, e nós, cristãos, nos tornamos os mais desventurados seres da face da terra. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. 1 Coríntios 15:19.

Ora, se Cristo não ressuscitou, o cristianismo é uma tramóia e a fé cristã, uma imbecilidade sem grau. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; 1 Coríntios 15:14. Mas se Cristo ressuscitou, como disse J C Ryle, a certeza da esperança é mais que vida. É saúde, força, poder, vigor, atividade, energia, coragem, beleza.

Creio que um embuste não traria tantos bens a tantos maus. Ian Barclay sustenta que uma das características da rebelião espiritual é trilhar caminhos escusos. O cristianismo de Cristo é muito claro, pois não há vestígio de falsidade no Novo Testamento. A autoridade da fé é a revelação de Deus, e se a Bíblia encerrasse algum equívoco, ela não seria a palavra de Deus, por mais confiabilidade que tivesse.

A ressurreição de Cristo não é uma farsa montada pelos discípulos, mesmo porque uma mentira não conseguiria transformar positivamente o caráter mentiroso dos seus próprios proponentes. Se homens fracos e infiéis, capazes de negar o seu Mestre em uma rodinha de prosa, pudessem ser convertidos em mártires, por meio de uma mentira inventada por eles, teríamos que admitir um milagre maior que a própria ressurreição de Cristo.

Só o milagre do túmulo vazio poderia encher o coração dos discípulos da certeza da salvação. A regeneração do homem pecador é um produto da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. 1 Pedro 1:3.

A visão espiritual do túmulo vazio, que é produzida pela fé, através da Palavra de Deus, nos garante uma certeza inconfundível de que a nossa salvação é dom gracioso, que nos motiva ao testemunho. Como insistia Thomas Brooks, uma alma dominada pela certeza não está disposta a ir para o céu sem companhia.

A falta de convicção inabalável da obra salvadora por meio de Cristo Jesus é o principal agente da apatia na pregação. Sem a firmeza do evangelho não há como se pregar, com confiança, a sua mensagem. Muitos apregoam um sistema religioso com a presunção de estar pregando o evangelho. Mas somente a segurança da ressurreição de Cristo, bem como da nossa ressurreição com Cristo, pode assegurar uma pregação legítima do evangelho autêntico.

As mulheres que foram ver o sepulcro onde Jesus havia sido sepultado, saíram de lá ao romper da manhã, ainda que atônitas, com duas certezas: primeiro, não havia cadáver na tumba. A fé cristã começa no primeiro dia da semana, nas primeiras horas do dia, com uma certeza da vitória. A morte foi vencida e o Salvador não é um defunto.

A segunda convicção: esse fato precisa ser anunciado a mais pessoas. Quem tem a visão do sepulcro vazio acaba transbordando-se da incumbência indispensável na proclamação dessa mensagem aos outros. A fé cristã não é esotérica nem exclusivista, e a igreja não é uma sociedade secreta. Não podemos levar todos a Cristo, mas podemos levar Cristo ao maior número de pessoas ao nosso alcance.

Mas lembre-se: só a revelação do Espírito Santo nos leva a crer em nossa morte e ressurreição com Cristo, e só a visão do túmulo vazio pode nos encher com a mensagem do evangelho que graciosamente precisa ser anunciada.

Contudo, é bom que se diga ainda: a missão mais elevada da igreja não é o bem-estar das pessoas aqui na terra, nem mesmo a salvação eterna que os pecadores gozarão no céu, mas a glorificação de Deus acima de tudo e de todos. Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo. Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.
1 Coríntios 6:20 e 10:31.
A Deus Toda a Honra e Glória.
Estraido do site:www.palavradacruz.com.br(Londrina - PR).
Pr:Glenio FOnseca Paranagua.

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