segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

EVANGELHO - OBRA DIVINA.(GÁLATAS1:11-17).

“Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo. Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a Igreja de Deus e a devastava. E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco.”

EXÓRDIO:

Evangelho, obra da revelação divina. Fruto da Graça de Deus. Iniciativa de Deus. Poder de Deus. O homem não tem participação alguma no Evangelho, pois o evangelho retrata a pessoa e a obra do Senhor Jesus: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” Romanos 1:16-17.

NARRAÇÃO:

Sendo fruto da revelação divina, segue-se que o homem natural não pode recebê-lo: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” I Coríntios 2:14.

O apóstolo Paulo relata que era religioso; que era zeloso das tradições de seus pais. E mais, que na sua idade, avantajava-se a muitos, quer dizer que estava na frente de muitos, mas não tinha conhecimento do evangelho. Não sabia quem era Jesus. Desconhecia por completo a obra consumada na cruz do calvário.

O seu depoimento é marcado por alguém que, de coração sincero, confessa que não conhecia a pessoa do Senhor Jesus, pelo contrário, perseguia a Igreja de Deus, perseguia os cristãos e os encarcerava; tudo isso, em nome do judaísmo (13).

Sua vida mudou, sua posição mudou, sua visão mudou, quando Deus lhe revelou a pessoa do Senhor Jesus e a obra do calvário (15-16).

FUNDAMENTAÇÃO:

A partir daí podemos extrair as seguintes lições:

1) O EVANGELHO É FRUTO DA REVELAÇÃO DIVINA (vv.11-12):

Quem revela a pessoa de Jesus é Deus, por mais que as pessoas sejam religiosas, se não houver a revelação vinda dos altos céus, ela continuará na ignorância espiritual.

É do apóstolo Paulo esta afirmação: “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos”. Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.” Romanos 10:1-4.

É Deus quem revela a justiça executada na cruz em Cristo, levando o pecador a morrer com Jesus no mesmo sacrifício consumado no calvário: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele fôssemos feitos justiça de Deus.” II Coríntios 5:21.

A lei do pecado e da morte cobrava a pena para o pecador e Deus a executou em Cristo na cruz. Nenhum ser humano de forma natural pode acreditar nessa justiça. É preciso revelação divina e Deus só revela a quem quer e a quem Ele quer: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” Mateus 11:25-27.

2) O EVANGELHO ROMPE COM A TRADIÇÃO RELIGIOSA (vv.13-14):

O segundo ponto que merece destaque no texto lido é que a tradição religiosa impede o reconhecimento da pessoa de Jesus Cristo. Tapa a visão para que o religioso não veja a obra do calvário. Entorpece os sentidos, cega o entendimento e não permite discernir o natural do sobrenatural.

O Senhor Jesus mesmo, arrazoando com os religiosos de sua época os censurou por causa das tradições religiosas: “Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim; esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.” Mateus 15:5-9.

O ser humano mergulhado na tradição religiosa fica entenebrecido e com os olhos vendados para a luz do evangelho de Cristo. É preciso Deus abrir-lhe os olhos para que ele veja, tal como o moço que acompanhava o profeta Eliseu quando se viu cercado pelo exército Sírio que ameaçava invadir Israel e viu o morro cercado por forte aparato militar, não conseguia ver os anjos do Senhor que acampavam ao redor do profeta em número muito maior.

Foi preciso o profeta orar para que Deus abrisse os olhos do moço e visse que maior era o exército do Senhor: “Tendo-se levantado muito cedo o moço do homem de Deus e saído, eis que tropas, cavalos e carros haviam cercado a cidade; então, o seu moço disse: Ah! Meu Senhor! Que faremos? Ele respondeu: Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu.” II Reis 6:15-17.

O mesmo se deu com Lídia, a vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira que estava em Filipos quando o apóstolo Paulo pregava. Ela era temente a Deus, mas foi preciso Deus abrir-lhe o coração para atender e entender a pregação do evangelho: “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso.” Atos 16:14-15.

A tradição religiosa cega os olhos da fé e invalida a palavra de Deus, pois para aquele que guarda a tradição, ela tem mais valor do que aquilo que está escrito. Foi isso que o Senhor Jesus condenou. Como vimos acima no texto de Romanos 10:1-4, o apóstolo Paulo dizendo que sua oração a Deus era para que seus patrícios, seus conterrâneos fossem salvos, embora tivessem zelo de Deus, faltava-lhes o entendimento.

Isto quer dizer que a tradição embrutece, entorpece e ensoberbece. Toda pessoa arraigada em suas tradições é destituída de entendimento, de humildade e do conhecimento da verdade, seja em que área for. O conhecimento da verdade liberta o homem da escravidão do EU. Precisamos ser libertos de nós mesmos para sermos cheios da graça de Deus: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32.

3) O EVANGELHO É FRUTO DA MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS (15-16):

Diz o apóstolo no versículo 15 que sequer havia nascido e Deus já o havia separado para o evangelho. Foi a graça de Deus que o alcançou quando sequer existia para mundo e foi buscá-lo no calabouço da ignorância quando perseguia os cristãos. Foi da vontade de Deus revelar Jesus em sua vida. Foi da vontade de Deus que ele apóstolo Paulo passasse a pregar o evangelho entre os gentios.

Não vemos aqui nenhuma ação ou iniciativa vinda do apóstolo, pelo contrário, ele testemunha que toda ação veio de Deus.

Assim acontece com todo aquele que é nascido de novo. Jesus disse que o vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde veio e nem para onde vai. Assim, disse Jesus, é todo aquele que é nascido de Deus.

O novo nascimento é fruto da graça de Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8-9.

O ser humano em sua arrogância natural, prepotência normal e soberba descomunal, se pudesse comprar a salvação ou se tivesse fé para acreditar na justiça de Deus, se auto-intitularia dono do universo. Contudo, o evangelho é fruto da graça de Deus e é revelado, de fé em fé, e até esta fé é Deus quem dá para que o homem não se ensoberbeça.

O apóstolo Paulo experimentou na carne o freio colocado por Deus por causa da grandeza das revelações que recebera: “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.” II Coríntios 12:7.

A consciência dessa graça deve nortear a conduta daquele que por ela foi alcançado. O regenerado lança na coluna do crédito da graça tudo quanto ela proporciona, na certeza de que não é ele quem faz ou age, mas a graça de Deus em sua vida: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.” I Coríntios 15:9-10.

A graça de Deus age silenciosamente, num processo contínuo, transformando vidas aqui, ali e acolá, acrescentando pessoas que vão sendo transformadas pelo poder do Evangelho, dia a dia: “Diariamente perseveram unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”Atos 2:46-47.

O Senhor acrescenta os salvos ao Corpo de Cristo, à Igreja de Deus. Ele não acrescenta quem não é salvo e não deixa o salvo fora do Corpo de Cristo, Sua Igreja.

CONCLUSÃO (vv.16b-17):

A conclusão que extraímos do texto é que o apóstolo, uma vez recebida a revelação, tendo-lhe sido revelado Jesus e a obra da cruz, ele foi impulsionado pelo Espírito Santo a anunciar as boas novas, dar a boa notícia de que o mundo tanto carece.

Ele não foi consultar pessoas para saber se estava correta a visão e a revelação. Ele não foi consultar os demais apóstolos; ele foi fazer um estágio de três anos com o Senhor Jesus (vv.18) na escola espiritual do deserto da Arábia.

O deserto é o lugar da dependência da graça divina, pois o deserto nada tem a oferecer, mas é o lugar onde se aprende a depender 100% da graça de um Deus gracioso que gratuitamente tudo dá a quem nada merece.

Louvado seja o Senhor.

Amém e amém
Extraido do site:www.igrejasimportarenascer.org.br
Pr Nilton.
A Deus Toda a Honra e Glória.

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