segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CRISTO - TUDO EM TODOS.

por T. Austin-Sparks.
Cl 1:18 = “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia”.
Cl 3:11 = “no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos”.

Muito tem sido feito nos últimos dias para trazer as grandes magnitudes do universo à compreensão do homem e mulher comuns. Isto significa que muitas pessoas estão interessadas na explicação do universo e, sem dúvida alguma, do curso desta Terra e da criação e história do homem; mas cremos ter a resposta final e positiva para esta investigação. Para nós há somente uma definida e conclusiva explicação do universo, e esta explicação é uma Pessoa – o Senhor Jesus Cristo, com tudo que é eternamente relacionado a Ele. Não importa quanto leiamos e estudemos, nunca teremos a explicação do universo, no todo ou em parte, até que venhamos a enxergar o lugar do Senhor Jesus no eterno propósito de Deus. As simples contudo abrangentes palavras “Cristo é tudo em todos” resumem toda a matéria desde a eternidade, através de todos os estágios de tempo, até a eternidade.

Primeiramente, então, vemos que “Cristo é tudo em todos” significa:

1. A explicação da própria criação

Esta carta aos colossenses faz esta mesma declaração em outras palavras. Ela nos diz que “pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (1:16-17). Esta é uma declaração abrangente, e claramente mostra que Cristo sendo tudo em todos é a explicação de toda a criação. Por que foram todas as coisas criadas? Por que Deus por meio dele trouxe o universo à existência? Por que este grande sistema universal existe e se mantém? Qual é a explicação do mundo? A resposta é para que Cristo possa ser tudo e em todos.

A intenção no coração de Deus ao ter trazido este universo à existência era que, ao final, toda a criação pudesse apresentar a glória e a supremacia de Seu Filho, Jesus Cristo. E este específico pequeno fragmento “e nele tudo subsiste” diz muito claramente que, se não fosse o Senhor Jesus Cristo, o universo inteiro se desintegraria, desmembrar-se-ia; ele estaria sem seu fator unificador; ele cessaria de ter uma razão para ser mantido como uma completa e concreta unidade. Seu subsistir, sua falha em se desintegrar e acabar é por causa disto: Deus tem determinado que o Senhor Jesus será o centro – o centro governante – deste universo inteiro, e Ele, o Filho de Deus, é a explicação da criação. Se não fosse por Ele, nunca teria havido uma criação. Tire-o fora e a criação perde seu propósito e seu objeto, e não precisa mais ir adiante. “Cristo é tudo, e em todos” era o pensamento – o pensamento dominante – na mente de Deus durante a criação do universo.

Isto pode deixá-los indiferentes em certa medida e não levá-los muito longe, mas eu arrisco pensar que o que irei dizer irá levá-los um pouco mais adiante e aquecerá seus corações. Pois a perspectiva é esta, que quando Deus tiver as coisas como na eternidade passada determinou tê-las – e Ele irá tê-las assim – cada átomo deste universo inteiro irá mostrar a glória de Jesus Cristo. Vocês não serão capazes de olhar para algo ou alguém sem ver Cristo glorificado. Uma abençoada perspectiva!

É algo feliz quando, como um grupo de filhos do Senhor, nós podemos estar juntos por horas a fio ou mesmo dias a fio; quando nós estamos ocupados com o Senhor como nosso único interesse comum e todos estão enlevados nele. Quando temos um tempo como este e voltamos ao mundo, que atmosfera diferente encontramos! Como nos sentimos frios! É algo agradável encontrar o Senhor em seus filhos e estar enclausurado com Ele desta forma; contudo mesmo isto é apenas em parte. Todavia o eterno dia está chegando quando não haverá o voltar para o mundo em uma manhã de segunda-feira depois de um dia nos átrios do Senhor; quando estaremos tocando ninguém mais além do Senhor, e o universo inteiro estará cheio dele – “Cristo, tudo em todos”! Este é o alvo de Deus. Isto é o que Ele tem determinado; tudo mostrando o Senhor Jesus; tudo para Ele.

Agora vemos uns nos outros muitas outras coisas que não o Senhor Jesus; o dia está chegando quando vocês nada verão exceto o Senhor Jesus em mim, e eu nada verei exceto o Senhor Jesus em vocês; nós seremos “conformados à imagem do Seu Filho”: Sua glória moral brilhará e será mostrada; Cristo será “tudo em todos”. Deus o determinou, e o que Deus determinou, Ele terá. Esta, então, é a explicação da criação, que Cristo seja tudo, e em todos, e sobre tudo tenha a preeminência.

Em Romanos, o apóstolo Paulo tem uma declaração muito notável dentro deste contexto: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (8:19-22).

Notem o que isto realmente diz e implica. A criação está imbuída por uma expectativa ardente. Esta expectativa é com gemidos tais como em árduo trabalho, uma expectativa de esperança – não da dissolução do universo, sobre o quê certos cientistas tanto falam. Contudo, a esperança e os gemidos até o momento estão deliberadamente colocados sob um reinado de vaidade – feitos para ser tudo em vão – até um tempo e alvo fixados. Este clímax é em duas partes: uma, a revelação dos filhos de Deus; a outra – ligada com aquela – o livramento da criação de estar sujeita à corrupção.

Tudo isto é levado de volta à eternidade passada e unido com o Senhor Jesus como Filho: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (8:29).

Na passagem anterior há uma declaração definida e uma clara implicação. A declaração é que a criação estava sujeita à vaidade, e seu estado é o cativeiro da corrupção. Claramente, a implicação é que houve um tempo definido quando, por causa de sua corrupção, a criação inteira foi levada a uma condição na qual é forçada a gemer e se esforçar em direção a um alvo que não pode ser alcançado. É em conexão com isto que surge espaço para toda a gama e a natureza da interferência satânica na criação, a qual objetiva a desafiar o propósito divino final na criação e a frustrá-lo ao trazer corrupção. Tão universal foi esta corrupção que uma sentença de vaidade foi pronunciada sobre “toda a criação”. O efeito disto foi, e é, que a criação nunca pode atingir o objetivo de sua existência, salvo no campo da santidade e semelhança divina.
Aqui também se encaixa toda a gama da “redenção que está em Cristo Jesus”; a obra universal que Ele consumou por meio de Sua cruz destruindo a obra do diabo e, potencialmente, o próprio diabo; com todo o poder destruidor do pecado e destruidor da corrupção advindos de Sua natureza e vida sem pecado, a eficácia de Seu incorruptível sangue, e a provisão de justificação e santificação para todos os que crêem, estes por regeneração se tornando uma nova criatura em Cristo Jesus (2Co 5:17).

Apenas por este meio a criação pode ser liberta. Quando estes filhos de Deus forem manifestos – seu número completo – e todos que têm recusado esta salvação forem rejeitados do domínio de Deus, então a criação será liberta e sua intenção original será atingida, Cristo sendo tudo, e em todos.

2. A explicação do homem

Depois, em seguida, como uma parte central da criação, temos o homem. Qual é a explicação do homem? Qual é a explicação de Adão como o primeiro homem? Há uma pequena passagem da Escritura que responde a isto: “... Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir” (Rm 5:14), que é Cristo. Uma figura daquele que havia de vir; esta é a explicação do homem. Deus planejou que cada homem ingresso neste mundo seja conformado à imagem de Seu Filho, Jesus Cristo. Multidões perderão isto, mas haverá multidões tais que nenhum homem poderá enumerar, de cada tribo, raça, nação e língua, que alcançarão isto. Que alto chamado! Que concepção diferente do homem esta é daquela que é popularmente aceita, e que tremenda coisa a ser perdida! E ainda assim, há muitos que dizem reclamando que se tivessem podido escolher, nunca teriam vindo a este mundo. Tem havido aqueles que, numa hora de eclipse, maldizem o dia em que viram a luz. Ah! Mas algo deu errado aí; isto não é como o Senhor planejou que fosse. E não importa quantos dias depressivos tenhamos: quando nos perguntarmos depois de tudo se realmente vale a pena, retornemos em nosso íntimo ao pensamento de Deus. É nosso tremendo privilégio, a mais alta honra que podia ser conferida a nós do ponto de vista divino, que tenhamos nascido.

Nem sempre nos sentimos ou falamos deste jeito, mas constantemente somos compelidos a nos voltarmos ao ponto de vista de Deus sobre isto e a nos lembrarmos que Seu propósito é o de ter um universo povoado com tais que sejam conformados à imagem de Seu Filho, Jesus Cristo, um povo que é uma manifestação universal do Cristo glorificado com a glória do Pai. Este é um privilégio, uma honra, algo para o qual vale a pena ter nascido! Esta é a explicação do homem.

Podemos apenas tocar levemente muitos destes assuntos, e caminhar adiante.

3. A explicação da redenção

Além disso, esta palavra “Cristo é tudo em todos” é a explicação da redenção. As coisas, é claro, deram errado: o propósito de Deus sofreu interferência. Ele não poderia nunca ser frustrado completamente, mas houve outro que determinou, tanto quanto estivesse em seu poder, que aquela apresentação universal de Jesus Cristo – o “ser-tudo-em-todos” do Senhor Jesus – nunca acontecesse. Houve alguém que desejou ter aquilo para si mesmo – que ele pudesse ser o senhor universal da terra e céu. Esta interferência tem feito uma grande diferença por certo tempo. Ela tem interferido com o homem e o transformado em outro, aquém do que Deus pretendia que ele fosse. Ela tem arruinado a imagem.

No entanto, há redenção através da cruz do Senhor Jesus. Qual é a explicação da cruz? Por um lado, qual é a explicação de toda aquela expiação, aquela obra redentiva do Senhor Jesus ao tratar com o pecado, em tomar o pecado universal sobre Si, e ser feito uma maldição por nós, em nosso lugar?

E ainda, por outro lado, como complemento disto, qual é a explicação daquela cruz sendo operada no crente de forma que o crente se torne unido com Ele na semelhança de Sua morte e enterro como uma experiência espiritual? – toda aquela aplicação do Calvário que é tão dolorosa, tão terrível de passar através: sim, a desintegração do “velho homem”, o cortar fora do “corpo da carne”, aquele conhecimento interior do poder da cruz, tão terrível à carne. Qual é a explicação? Amados, é que Cristo seja tudo, e em todos.

Por que somos quebrados? Para dar lugar ao Senhor Jesus. Por que somos trazidos ao pó pelo Espírito Santo quando Ele opera a morte do Calvário sobre nós? De forma que o Senhor Jesus possa tomar o lugar que nós na carne temos ocupado. Algumas vezes entendemos errado esta aplicação da cruz. O inimigo está sempre em nosso ombro, insinuando e sugerindo a inclemência de Deus em nos esmagar, nos humilhar, nos reduzir a nada, e dizendo que não há fim nisto, tentando assim nos derrubar.

Amados, a cruz foi pretendida somente para fazer o Senhor Jesus tudo em todos, para nós. Devido ao modo como o Senhor tem tratado conosco, o modo pelo qual Ele tem aplicado a cruz, nos plantando naquela morte e enterro, não é verdade que nós O conhecemos de um modo que nunca O conhecêramos antes? Não é por este modo que Ele tem se tornado o que é para nós, cada vez mais e mais amado dos nossos corações? O aumento do Senhor Jesus em nós e para nós é pelo caminho da cruz. Sabemos muito bem que o nosso principal inimigo é o nosso eu, a nossa carne. Esta carne não nos dá descanso, nem paz, nem satisfação; não temos alegria nela. Ela é obsessiva, nos absorve, constantemente se pavoneia atravessando nosso caminho para nos roubar a verdadeira alegria de viver. O que deve ser feito com ela? Bem, na cruz e pela cruz somos libertos de nós mesmos; não apenas de nossos pecados, mas de nós mesmos; e sendo libertos de nós mesmos somos libertos para Cristo, e Cristo se torna muito mais que nós.

É um processo doloroso, mas gera um fim abençoado; e aqueles dentre nós que tenham tido a maior agonia ao longo deste caminho testificariam, eu creio, que o que isto nos trouxe do conhecimento e das riquezas do Senhor Jesus faz todo o sofrimento valer a pena. Assim é a obra do Senhor por nós! E a obra do Senhor em nós, pela cruz, somente é pretendida no pensamento divino para abrir espaço para o Senhor Jesus.

O altar de bronze do tabernáculo, assim como o do templo, era um altar bem grande. Era possível pôr toda a mobília restante do tabernáculo inteiro dentro dele. Sim, o altar tem que ser bem grande; deve haver um grande espaço para Cristo Crucificado. Ele irá preencher todas as coisas e Ele será a plenitude de tudo, e não haverá lugar para nós no final de tudo. Isto o deixa atônito? Certamente não. Assim a cruz, a obra de redenção através daquela cruz, tem como sua explicação simplesmente isto, que Cristo seja tudo, e em todos; que em todas as coisas Ele possa ter a preeminência.

Isto, pois, é a explicação de nossas experiências – o porquê do Senhor tratar conosco como Ele trata; o porquê dos crentes passarem através das experiências que atravessam; o porquê eles passam por coisas que ninguém mais parece chamado a atravessar; o porquê de algumas vezes eles quase invejarem os incrédulos pela vida fácil que tantos deles têm. Isto explica os tratamentos do Senhor com Israel no deserto. Mesmo após sua libertação do cativeiro e tirania do Egito, houve quebrantamento de corações e agonia. Por que esta disciplina? No deserto, eles ainda pensavam no Egito. A obra que o Senhor estava fazendo neles era de forma que Ele pudesse ser tudo neles e para eles. Se Ele cortava seus recursos naturais, era apenas para mostrar quais eram seus recursos celestiais. Se Ele cortava seu poder natural, era para que eles pudessem vir a conhecer o poder dos céus. O que quer que seja que Ele pudesse tirar deles ou os conduzir a, era com vista a tirá-los de si mesmos e com vista a que Ele mesmo pudesse ser tudo em todos.

Esta é a explicação de nossas dificuldades. O Senhor conhece como melhor tratar com cada um de nós, e Ele não usa métodos padronizados. Ele trata com você de um modo e comigo de outro. Ele sabe como nos conduzir a experiências que são bem calculadas para nos trazer à posição aonde o Senhor é tudo e em todos.

4. A explicação do crescimento cristão

O que é crescimento espiritual? O que é maturidade espiritual? O que é caminhar no Senhor? Temo que tenhamos idéias embaralhadas sobre isto. Muitos pensam que maturidade espiritual é um conhecimento mais abrangente da doutrina cristã, uma compreensão mais larga da verdade das Escrituras, uma ampla expansão do conhecimento das coisas de Deus; e muitas destas características são registradas como marcas de crescimento, desenvolvimento, maturidade espiritual. Amados, não é nada disso. A marca distintiva do verdadeiro desenvolvimento e maturidade espiritual é esta: que nós tenhamos crescido bem pouco e que o Senhor Jesus tenha crescido muito mais. A alma madura é aquela que é pequena a seus próprios olhos, mas em cujos olhos o Senhor Jesus é grande. Isto é crescimento. Nós podemos saber muitas coisas, podemos ter uma maravilhosa compreensão da doutrina, do ensino, da verdade, até mesmo das Escrituras, e ainda ser espiritualmente muito pequenos, muito imaturos, muito infantis. (Há muita diferença entre ser infantil e ser semelhante a uma criança). O crescimento espiritual real é somente isto: eu diminuo, Ele cresce. É o Senhor Jesus se tornando mais. Vocês podem testar o crescimento espiritual através disto.

Então, de novo, esta palavra é

5. A explicação de todo o serviço

O que é o serviço cristão de acordo com a mente de Deus? Não é necessariamente termos uma programação cheia de atividades cristãs. Também não é que estejamos sempre ocupados naquilo que denominamos “coisas do Senhor”. Não é a medida e a quantidade de nossa atividade e trabalho, nem o grau de nossa energia e entusiasmo nas coisas do reino de Deus. Não são nossos esquemas, nossos projetos para o Senhor. Amados, o teste de todo serviço é seu motivo. Será que o motivo é, do começo ao fim, que em todas as coisas Ele possa ter a preeminência, que Cristo possa ser tudo em todos?

Vocês conhecem as tentações e a fascinação do serviço cristão; a fascinação de estar engajado, de estar ocupado com muitas coisas; ter sua programação, esquemas, projetos; estar envolvido nestas coisas e sempre presente a elas. Há um perigo aí que tem apanhado multidões dentre os servos do Senhor. O perigo é que isto os leva à projeção, torna a obra deles; é a obra deles, interesses deles, e quanto mais governam e caminham nisto mais satisfeitos ficam.

Não, há uma diferença entre passar o dia no serviço cristão como mero desfrutar da atividade, com a fascinação disto e todas as vantagens e facilidades que isto provê para nós mesmos, e a gratificação disto à nossa carne – há uma grande diferença entre isto e “Cristo, tudo em todos”. Algumas vezes este último é alcançado ao sermos postos fora de ação. Pois então, este é o teste: se estamos ou não completamente satisfeitos de sermos colocados totalmente fora de ação para que tão somente o Senhor possa ser mais glorificado deste modo. Se tão somente Ele puder vir ao que é seu, não importa nada se somos vistos ou ouvidos. Estamos alcançando um lugar, na graça de Deus, aonde ficamos bem contentes em ser largados num canto, sem ser vistos ou notados, se deste modo o Senhor Jesus puder vir para o que é seu mais rápida e completamente.

De algum modo temos sido pegos nisto e pensamos que o Senhor somente pode vir ao que é Seu se nós formos o instrumento. A rivalidade na plataforma e no púlpito; a sensibilidade porque um é posto antes do outro, porque o sermão de um recebe mais atenção que o do outro; os comentários favoráveis feitos todos em uma só direção, etc! Conheço bem tudo isto. Afinal de contas, o que nós estamos buscando? Estamos buscando impressionar nossa audiência pela nossa habilidade ou fazer conhecido nosso Senhor? É uma grande diferença! Algumas vezes o Senhor ganha mais de nossos maus momentos do que pensamos, e pode ser que quando temos bons momentos Ele não tenha obtido o máximo. É por causa disto que há a necessidade de sermos postos de lado, mantidos fracos e humildes, para que Ele possa ter a preeminência.

O desafio do serviço conforme o pensamento de Deus é somente este – por que o estamos fazendo? Queremos estar na obra porque gostamos de estar ocupados? Ou é absolutamente e somente para que, por qualquer meio, Ele possa vir ao que é Seu, para que o alvo de Deus possa ser concretizado? Se Ele puder ser tudo, e em todos, pela nossa morte assim como pela nossa vida, será que chegamos ao ponto onde realmente desejamos que “Cristo seja glorificado em meu corpo, quer pela vida ou pela morte” (Fp 1:20)? Esta é a explicação do serviço do ponto de vista de Deus.

É claro, isto é a explicação de muitas outras coisas. É também...

6. A explicação de todo o Antigo Testamento

Nós não nos demoraremos examinando em detalhes como é isto, mas apenas o indicaremos e passaremos adiante. O que é o Antigo Testamento? Ele está todo resumido em grandes representações de Jesus Cristo. Veja as duas principais, o tabernáculo e o templo. Estas são representações abrangentes do Senhor Jesus tanto em Sua pessoa como em Sua obra e elas ocupam, desta forma, o lugar central na vida do povo escolhido, cuja vida é unida a elas. As duas são uma. Enquanto o povo eleito se mantém num relacionamento correto com aquele objeto central (o tabernáculo ou o templo), enquanto lhe dá seu lugar de honra e reverência e o mantém em seu lugar da mais alta santidade, enquanto eles são verdadeiros ao seu espírito, suas leis e seu testemunho, e embora sejam entre todos os povos da terra os menos capazes naturalmente de cuidar de seus próprios interesses, ainda assim são o povo supremo da terra: não há uma nação ou povo na terra capaz de permanecer diante deles. Eles nunca foram treinados na arte da guerra, não têm uma longa história de armas e estratégia militar, e são em si mesmos um povo indefeso, ainda assim eles tomam ascendência não apenas sobre nações individuais maiores e mais fortes que eles, mas sobre uma combinação de nações. E embora todos se unam contra eles, enquanto verdadeiros àquele objeto central, eles são supremos. Aquele objeto central é uma representação do Senhor Jesus em Sua pessoa e obra.

A interpretação espiritual disto é que quando o Senhor Jesus tem Seu lugar há supremacia; há absoluta supremacia quando Ele em todas as coisas tem a preeminência em, através e por meio de Seu povo. “Cristo é tudo em todos”. Quando isto é verdade em Seu povo não existem forças capazes de lhes resistir. O segredo da absoluta supremacia e soberania é o Senhor Jesus ter Seu lugar nas vidas e nos corações, em todos os afazeres e relacionamentos do Seu próprio povo; então os portões do inferno não poderão prevalecer.

Além disto, é também...

7. A explicação do Novo Testamento

O Novo Testamento traz diminutos grupos, pequenos entre os povos da terra, desprezados, expulsos, dificilmente permitidos a falar sem serem amargamente molestados, e sobre os quais eventualmente vinha a ira e o ódio organizado das nações deste mundo, culminando em que todos os recursos do grande império de ferro foram explorados e postos em operação para destruir a memória deste humilde e desprezado povo.

A história é exatamente esta, que os impérios quebraram, e os poderes mundiais cessaram de existir. Nós rodamos o mundo agora para olhar as relíquias e ruínas destes grandes impérios; mas onde está aquele povo do Caminho do desprezado Nazareno? Uma grande multidão que nenhum homem pode numerar! O céu está cheio deles, e aqui na terra há dezenas de milhares que conhecem e amam o Senhor Jesus, que são deste Caminho. A explicação é que Deus determinou que Seu Filho seja tudo, e em todas as coisas tenha a preeminência.

Tenha um relacionamento vivo com o Filho de Deus, e homens e inferno podem fazer o que quiserem – Deus irá atingir Seu alvo e tal povo será triunfante.
Uma palavra mais. Isto também é...

8. A explicação da Igreja

O que é a igreja? O pensamento de Deus não é o Cristianismo; não é o de ter igrejas como centros organizados do Cristianismo; não é a propagação do ensino e empreendimento cristãos. O pensamento de Deus é o de ter um povo na terra no qual, e no meio do qual, Cristo é tudo em todos. Esta é a igreja. Temos que revisar nossas idéias. No pensamento de Deus a igreja começa e termina com isto – a absoluta supremacia do Senhor Jesus Cristo. E o que Deus está sempre buscando é juntar aqueles de Seu povo que mais completamente concretizarão este pensamento dele, e serão para Ele a satisfação de Seu próprio desejo eterno: o Senhor Jesus em todas as coisas tendo a preeminência e sendo tudo em todos. Ele ignora a grande instituição, a assim chamada “Igreja”, e está com aqueles que em si mesmos são de um humilde e contrito espírito e que tremem diante de Sua palavra, e nos quais o Senhor Jesus é o único objeto de reverência e adoração. Estes satisfazem o coração de Deus. Estes, para Ele, são a resposta à Sua eterna busca.

Vocês percebem que a Palavra de Deus diz isto. Vejam novamente Cl 3:11: “no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos”. Eles têm se revestido “do novo homem, que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”. Observem atentamente estas palavras e vocês entenderão que este é o homem corporativo, a Igreja, o Corpo de Cristo, “a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1:23). E ali, naquele homem corporativo, não pode haver grego ou judeu. Note as palavras. Não diz que gregos e judeus se unem em uma abençoada comunhão. Não, não há nacionalidades na igreja; temos nos livrado de todas as nacionalidades, e agora temos um novo homem espiritual, uma nova criação, onde não pode haver grego, judeu, escravo, livre. Todas as distinções terrenas se foram para sempre – é um novo homem. O braço direito não é um judeu e o braço esquerdo um grego!

Não, isto passou. Nesta Igreja há apenas um novo homem – não uma combinação onde anglicanos, metodistas, batistas, congregacionais e todo o resto se juntam e esquecem suas diferenças por um tempo; isto não é a Igreja. Na Igreja estas diferenças não são meramente cobertas por um tempo – elas não existem. Há um Corpo, um Espírito. A Igreja é isto, “Cristo é tudo em todos”. Tenha isto e tem-se a Igreja. Chamar qualquer outra coisa de Igreja e deixar isto de fora é uma contradição. Testem-na através disto.

Se é verdade que a vida cristã conforme o pensamento e a mente de Deus é somente isto, “Cristo, tudo em todos”, então somos eu e você verdadeiros cristãos? Pois temos visto que mediante a cruz nós desaparecemos para dar lugar para o Senhor Jesus. Agora, se professamos ter vindo pelo caminho do Calvário até o Senhor, a implicação é que desaparecemos por intermédio desta cruz, para que Cristo seja tudo em todos.

O que pensar? Queremos nós um pedacinho do mundo? Nós ainda voluntariamente nos apegamos a esta ou aquela coisa fora do Senhor, porque o Senhor Jesus não tem nos satisfeito plenamente e precisamos ter um contrapeso? Um cristão mundano é uma contradição de termos. Ter um pouquinho de algo fora de Cristo é negar o Calvário e permanecer diretamente em oposição ao eterno propósito de Deus referente a Cristo. Você assume esta responsabilidade? Deus determinou isto desde toda a eternidade no referente a Seu Filho. Podemos nós professar pertencer ao Senhor Jesus e ao mesmo tempo ainda não ser verdade que Ele é tudo em todos para nós? Se podemos, há algo errado, há uma negação, uma contradição. Estamos nos opondo ao pensamento e propósito de Deus. É verdade que Ele é tudo em todos? Ele será isto se tomarmos todo o caminho.

Oh! Estas sugestões sutis que estão sempre sendo sussurradas em nossos ouvidos, que se desistirmos disto ou daquilo iremos nos arruinar, e a vida será mais pobre, e seremos reduzidos até que nada tenha restado. É uma mentira! É isto que contrapõe o grande pensamento de Deus sobre nós. O pensamento de Deus sobre nós é que alguém, nada menos que Seu Filho, Jesus Cristo, em Quem toda a plenitude da divindade habita em forma corpórea, seja a nossa plenitude. Toda a plenitude de Deus em Cristo para nós! Você nunca obterá isto ao rejeitá-lo. A vida será muito menos do que precisa ser se você não for até o fim com o Senhor. E o que se obtém em matéria de nossa consagração ao Senhor, nosso inteiro e completo abandono a Ele em nossa vida, nosso deixar completamente tudo que não é do Senhor, isto se obtém no domínio do serviço. Esta carne ama se jactar na obra cristã, e nos diz que se passarmos a ser dependentes do Senhor nós passaremos a ter um tempo de ansiedade. Mas uma vida de dependência de Deus pode ser uma vida de contínuo romance. É ali que fazemos descobertas que são constantes maravilhas.

Você pode estar quase morto num minuto e no seguinte o Senhor lhe dá algo para fazer e você fica muito vivo, dependendo dele para cada respiração sua. Assim você vem a conhecer o Senhor. Mas, depois daquela experiência, você se torna de novo inútil e morto por um tempo, contudo você se lembra de que o Senhor fez algo. Então Ele faz de novo; e a vida se torna um romance. Ninguém pensaria que você estava dependendo do Senhor para sua própria respiração. É algo muito abençoado saber que o Senhor está fazendo isto, quando você não pode fazê-lo de jeito nenhum – é humana e naturalmente impossível, mas o Senhor o está fazendo!

Prossigamos, amados, no assunto da Igreja. Apliquem o teste. Não estou falando com julgamento ou censura, nem tenciono discriminar num sentido errado, mas deixe-me ser fiel – para nós, nossa comunhão deve estar onde o Senhor Jesus é mais honrado. Nossa comunhão deve estar onde Deus tem o que é seu mais plenamente, onde Cristo é tudo em todos. Nós não podemos estar presos por tradições, por coisas que levantam um clamor e assumem uma denominação. Onde o Senhor é mais honrado, aí é onde nossos corações devem estar; onde tudo o mais é feito subserviente a apenas isto: “Cristo, tudo em todos”. Este é o pensamento de Deus sobre a Igreja, e este deve ser o lugar aonde nossos corações gravitam. O lugar onde Deus vai registrar Seu testemunho e trazer o impacto deste testemunho sobre outros será encontrado onde o Senhor Jesus é mais honrado. E vocês perceberão que onde houver pessoas famintas vocês terão oportunidade de ministério se vocês estiverem completamente em acordo com o propósito de Deus referente a Seu Filho.

9. Vivenciando tudo

Lembre-se que tudo relacionado ao cristão é experimental. Tudo em relação ao Senhor Jesus é essencialmente experimental. Não é apenas doutrina. Não é questão de credo. Não é que aceitemos certas declarações de doutrina ou credo, e que somente por isto sejamos trazidos a um relacionamento com o Senhor Jesus. Nós não nos tornamos cristãos por aceitar declarações doutrinárias ou credos ortodoxos, ou fatos sobre o Senhor Jesus. A Igreja não se constitui sobre estes parâmetros, embora a Igreja defenda certos princípios. A experiência tem que ser operada na vida, você deve ser tornar parte dela e ela parte de você. Não é suficiente crer que Cristo morreu na cruz. Isto deve se aplicar aqui em nossas vidas tornando-se uma experiência, uma poderosa e operante força e fator em nosso ser. A igreja não é constituída sobre uma base de declarações doutrinárias. Você não pode juntar pessoas e dizer: “isto parece perfeitamente confiável, constituiremos nossa igreja sobre esta base”. Você não pode fazer isto.

A Igreja é aquela na qual a verdade tem sido operada, na qual ela tem se tornado experimental. Credos não podem nos manter juntos quando o inferno se levanta para nos dividir. Não, o credo mais ultra-fundamentalista não tem conseguido manter as pessoas juntas. A unidade do Espírito é algo trabalhado lá dentro. A menos que seja assim, nada pode resistir contra os espíritos de divisão e cismas que estão por aí. Tudo precisa ser experimental, não apenas doutrinário ou confessional.

Agora, é aqui onde você chega à realidade de Deus. É uma coisa cantar hinos sobre Cristo ser tudo em todos, olhar para isto como algo objetivo e concordar com isto; mas é outra coisa ser trazido experimentalmente ao lugar onde a verdade realmente opera. Há muitos que dirão hoje “sim, isto está certo. Cristo é tudo em todos”, e amanhã de manhã, quando você os toca sobre algum assunto melindroso em que suas preferências estão envolvidas, você percebe que Cristo não é tudo em todos. Temos que chegar a isto pela experiência. Que o Senhor nos dê graça para isto.

O apelo final que faço é que nós todos busquemos novamente a entronização do Senhor Jesus como supremo Senhor em nossos corações, em cada parte de nossa vida, em todos os nossos relacionamentos; que se houver algo que temos segurado, que deixemos ir; se temos tido qualquer reserva, que a quebremos agora; se temos sido menos que completamente comprometidos com Ele, de agora em diante isto não seja mais assim, mas que Ele seja tudo em todos, a partir de agora. Este deve ser nosso entendimento, nosso compromisso com o Senhor. Fará você isto? Peça ao Senhor para quebrar cada amarra que está no caminho de Ele ser tudo em todos. Estamos preparados para isto?

Que o Senhor nos dê graça.
A DEUS toda a Glória!

VOCÊ É BODE OU OVELHA?

E todas as nações serão reunidas diante dEle, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. - E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.
Mateus 25. 32 e 33 (veja dos versos 31 a 46) (arc).

O Senhor Jesus, no final do sermão profético, mostra quem estará na vida eterna com Ele e quem sofrerá o castigo eterno. A metáfora usada, foi a do pastor separando os bodes das ovelhas. A Palavra nos mostra o Senhor colocando as ovelhas à sua direita e dizendo, "Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo".

Adam Clarke escreveu acerca das ovelhas e dos bodes: "As ovelhas, que sempre foram consideradas um emblema de suavidade, de simplicidade, de paciência e de utilidade, representam aqui os discípulos genuínos de Cristo. Os bodes, que naturalmente são briguentos, lascivos e excessivamente mal cheirosos, eram considerados como os símbolos de homens violentos, profanos e impuros. Aqui representam todos os que têm vivido e morrido em seus pecados".

Deus, na sua onisciência, sabe perfeitamente qual o comportamento que estamos tendo, se é de ovelha ou de bode. E nós como responderemos a estas perguntas: Sou pacífico ou briguento? Encaro as dificuldades com paciência para superá-las, ou impaciento-me excessivamente? O meu cheiro é de bode ou de ovelha? Que possamos dizer: Eu sou o bom cheiro de Cristo. Eu sou ovelha de Jesus.

PARA REFLETIR: Ando à direita do SENHOR JESUS?






Pr. João da Cruz Parente
Ministério Itinerante
Email: prparente@hotmail.com

A PRINCIPAL NECESSIDADE DO PECADOR.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Salmos 51:10.

Há certos passos necessários antes que alguém se torne cristão, e o primeiro é que o homem precisa parar e pensar. Afirmo que é impossível ser cristão sem reflexão. Reconheço que há muitas pessoas que acham que um homem é cristão justamente porque ele não pensa e que aqueles que estão sem Cristo têm o monopólio do pensamento. Todavia, a Bíblia toda afirma que um homem não pode tornar-se cristão até que ele pense. E acerca do que ele deve pensar? Deve pensar acerca de si mesmo. Davi havia cometido um pecado terrível, um crime terrível. Ele foi culpado de homicídio, de adultério, e ainda se comportava como se não tivesse feito absolutamente nada. E teve que ser confrontado pelo profeta Natã, que mostrou-lhe o que havia feito e obrigou-o a encarar a si mesmo. Foi então que ele percebeu exatamente o que havia feito. Esse é sempre o primeiro passo. Se você é uma pessoa que não tem se detido e olhado a si mesmo, seja o que for a verdade sobre você, posso lhe dizer que ainda não é um cristão. É impossível ser cristão sem encarar a si mesmo e olhar para a sua própria vida. O mundo se esforça para impedir-nos de fazer isso. Com seus prazeres organizados e todas as suas atrações sugestivas, ele faz de tudo para impedir as pessoas de se deterem, pensarem e encararem-se a si mesmas e suas próprias vidas. Entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Efésios 2:3.

Mas aquele que é cristão já ultrapassou tudo isso. Ele tem parado e olhado, tem examinado, reconhecido certas coisas acerca de si mesmo, e feito uma confissão definida. Você encontrará isso no primeiro versículo deste Salmo. Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Salmos 51:1.

Então, o segundo passo é que um homem que se torna cristão é alguém que percebe sua total incapacidade. Ele reconhece sua necessidade de misericórdia e de perdão. É aquele que diz: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões". Ele é alguém que tem visto que não pode livrar-se do sentimento de culpa, não pode encontrar paz e descanso para seu coração e mente como resultado de qualquer coisa que faça. Em desespero ele volta para Deus, o Deus que ele tem ofendido, e diz a si mesmo: "Minha única esperança está em Deus. O único que pode me dar paz é Aquele que mais tenho ofendido". Então ele se lança sobre o amor, compaixão e misericórdia incomparável desse Deus único. Portanto, o ponto ao qual temos chegado é que o homem que não percebe que necessita de perdão não é cristão. Davi reconhecia que era um pecador e admitiu isto: Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos. Salmos 51:4a.

Contudo, observem que Davi não parou aí. Ele foi além disso. E quero enfatizar que todo verdadeiro cristão invariavelmente deve sentir sempre a necessidade de ir além desse ponto. A primeira coisa é que um homem se torna consciente da necessidade do perdão. Tenho certeza que todos nós sabemos algo acerca de uma consciência acusadora e atormentadora, do sentimento que temos errado e que queremos ficar livres daquele sentimento de culpa, a qual nos traz infelicidade. Queremos sentir descanso e paz. Esta é a primeira coisa que o pecador convicto pelo Espírito Santo sempre sente. É por isso que Davi orou: Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. Salmos 51:7.

Isso é algo que está sempre presente em todo verdadeiro cristão. Ele reconhece sua necessidade de uma nova natureza, ele reconhece a necessidade de um novo nascimento, de regeneração. O verdadeiro cristão é alguém que reconhece que não basta ser perdoado e decidir viver uma vida melhor; ele percebe que precisa ser criado de novo. A não ser que Deus faça alguma coisa no íntimo do seu ser ele está totalmente perdido. Ele reconhece que necessita nascer de novo, ou seja, ser criado novamente. Entretanto, deixem-me dizer de passagem que nada é tão estranho como a maneira que o homem, por natureza, sempre rejeita esta doutrina da regeneração. Às vezes eu penso que não há nada que demonstre tanto a profundidade do pecado no coração humano como essa rejeição da doutrina do novo nascimento. Quando nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo falou sobre isso, sempre foi perseguido. Certas pessoas não gostavam dEle porque mencionava isso. Quando Ele começava a expor a profundidade da iniqüidade no coração humano e falava acerca de um novo nascimento, elas invariavelmente não O compreendiam. Quando Jesus pregava o Evangelho (morte e ressurreição) aos discipulos, a reação deles era simplesmente esta: Eles, porém, nada compreenderam acerca destas coisas; e o sentido destas palavras era-lhes encoberto, de sorte que não percebiam o que ele dizia. Lucas 18:34.

O homem natural, o coração humano natural, não regenerado, rejeita esta grande e maravilhosa doutrina bíblica do novo nascimento e regeneração. E isso é igualmente verdadeiro hoje. As pessoas se assentam e ouvem um discurso ou sermão sobre o que é chamado de paternidade de Deus, ou a fraternidade do homem, e nunca rejeitam isso. Quando elas são exortadas a viver uma vida melhor, nunca fazem absolutamente nenhuma objeção. Elas dizem que isso é perfeitamente correto, e mesmo que sejam repreendidas por não viverem uma vida melhor, elas dizem que isso é perfeitamente verdade, totalmente justo e que poderiam melhorar. Mas se um pregador se levanta perante o homem natural e diz: "Você precisa nascer de novo, você precisa receber uma nova vida de Deus," ele questiona: "Que doutrina estranha é essa?" O homem natural está preparado para admitir que ele não é cem por cento um santo; entretanto se você disser que ele que está absolutamente corrompido, e que não apenas carece ser cem por cento santo, mas se ele não nascer de novo então não pode ter esperança, ele ficará ressentido e perguntará: "O que você está sugerindo?" Ele sentirá que você o está insultando. O homem, como resultado do pecado e da Queda, certamente não perdeu sua capacidade para tirar uma dedução correta das afirmações que são feitas; e essa é precisamente a implicação da doutrina do novo nascimento. Nicodemos era mestre em Israel, no entanto perguntou a Jesus: Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? João 3:9a.

Vocês se lembram do diálogo que se seguiu. Claramente, no pensamento de Nicodemos havia alguma coisa como isto: "Eu O tenho observado e ouvido, e tenho chegado à conclusão que o Senhor tem alguma coisa que eu preciso. Eu sou um mestre em Israel, tenho um bom conhecimento, mas estou bem certo que o Senhor possui algo mais que eu. O que tenho de fazer para me tornar como o Senhor?" Nosso Senhor lhe disse: "Não é uma questão de acrescentar algo ao que você já tem; você precisa nascer de novo, você tem que voltar diretamente ao fundamento; não é adição, e sim, regeneração". Mas nós não gostamos disso, não gostamos por natureza, de uma doutrina que afirma que estamos sem esperança, que somos tão pecaminosos, tão corrompidos, que não podemos ser aperfeiçoados, visto que devemos ser literalmente criados novamente. Rejeitamos a doutrina do novo nascimento porque é a doutrina que nos fala muito claramente, por implicação, que realmente não podemos corrigir a nós mesmos. Necessariamente precisamos nascer de novo. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. João 3:7.

Por que devemos nascer de novo? Eis a questão. O que torna o novo nascimento uma necessidade absoluta se queremos verdadeiramente ser um cristão? A primeira resposta é esta: a infidelidade e a insinceridade da nossa natureza. Davi admitiu isso com estas palavras: "Eis que te comprazes na verdade (ou sinceridade) no íntimo". Esse é o problema. Vocês percebem os passos que Davi deu. Ele examinou a si mesmo, reconheceu seus pecados, as coisas que praticou. Então deu mais um passo e disse: "Há alguma coisa podre dentro de mim, em meu coração, e em certo sentido não posso fazer nada a esse respeito, porque tenho visto que não posso confiar em mim mesmo. Careço de sinceridade nas profundezas da minha verdadeira natureza e ser". Que confissão terrível para um homem fazer acerca de si mesmo! E mais, é algo que todo cristão necessariamente deve fazer. Jeremias colocou isso nestas palavras: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Jeremias 17:9.

Você confia em si mesmo? Se confia é porque não conhece a si mesmo. Você ainda não descobriu as contradições, as distorções e a perversão em seu próprio coração? Você não chegou a ver a insinceridade que está bem no centro? Todos nós somos hipócritas, todos nós somos simuladores, todos nós aparentamos ser aquilo que não somos. Estaria eu exagerando ou estaria afirmando a pura verdade? Estaríamos felizes se nossas imaginações e pensamentos secretos fossem passados numa tela para que todos pudessem ver? Nenhum homem é um verdadeiro cristão até que reconheça que conhecimento humano, sabedoria humana e entendimento não são suficientes; até que ele chegue a ver como Pascal, um dos maiores filósofos de todos os tempos, que o supremo empreendimento da razão é conduzir um homem a enxergar os limites da razão e fazê-lo clamar por revelação. Eu preciso de sabedoria, necessito de luz. Necessito de luz sobre o meu próprio coração. Sou um mau terapeuta de mim mesmo, pois reconheço que não sou honesto comigo mesmo. Eu não encaro as coisas corretamente, sempre quero defender a mim mesmo; então não posso tratar a mim mesmo. Necessito de luz sobre mim vinda de fora. Necessito de mais sabedoria com respeito à minha verdadeira condição. Preciso de luz acerca da santidade, como viver uma vida santa. Eu preciso de luz sobre Deus, preciso da sabedoria que não posso prover a mim mesmo. Porque fazes resplandecer a minha lâmpada; o SENHOR, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas. Salmos 18:28.

O Filho de Deus desceu à terra e tomou sobre si a natureza humana a fim de que pudesse começar uma nova humanidade, uma nova raça de pessoas para formar um novo reino. E o que Ele faz é isto: àqueles que vêm a Ele e reconhecem que necessitam de uma natureza pura dentro de si mesmos, Ele dá Sua própria natureza. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; Gálatas 2:20a. Eu ficaria muito triste se alguém pensasse que o evangelho diz aos homens: "Sim, Deus é amor, e porque Deus é amor, Ele perdoa você em Jesus Cristo. Muito bem, por causa disso, vira-se uma nova folha e se começa a viver uma nova vida". Isso seria para mim uma negação do evangelho. Não, o evangelho não simplesmente perdoa você e insta com você a voltar e viver uma vida melhor. Ele te dá uma nova vida. Ele propõe fazer-nos filhos de Deus, e nos tornar co-participantes da natureza divina. Sua mensagem é que Deus vem habitar em nós.Você não está entregue a si mesmo, você não está sendo enviado novamente à tarefa de tentar melhorar a si mesmo. Deus dá a você uma nova vida, um novo começo, um novo princípio. Você se torna um novo homem, e se verá num novo mundo, com um novo poder e uma nova esperança. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. 2 Coríntios 5:17. Amém.






Pr Claudio Morandi
prclaudiomorandi@hotmail.com

A DEUS toda a Glória!

SUBIR AO TOPO OU DESCER DE LÁ?

"O fruto do justo é árvore de vida; e o que ganha almas sábio é" (Provérbios 11:30).

Certo dia, em uma reunião dirigida pelo evangelista Moody, um homem se levantou para contar sua experiência com Deus. "Eu tenho estado por cinco anos no Monte da Transfiguração." "E quantas almas você levou a Cristo no ano passado?" perguntou-lhe Moody, logo a seguir. "Eu não sei," respondeu o homem com surpresa. "Você levou pelo menos um?" insistiu Moody. "Eu não sei se levei ou não," respondeu o homem. "Bem, disse Moody, esse tipo de experiência no alto do monte não tem valor algum. Quando um homem se coloca em posição tão elevada que não consegue descer e salvar os pobres perdidos, alguma coisa está errada."

Qual tem sido o nosso propósito principal na obra de Deus? Qual o alvo de nossa busca maior? Temos nos apresentado a Cristo oferecendo a vida para servi-lo e engrandecer o Seu nome ou almejamos alcançar um lugar cada vez mais alto para que sejamos vistos e reconhecidos como cristãos ativos e consagrados? Sonhamos com uma posição mais alta ou com o lugar que o senhor nos quer colocar, mesmo que seja o mais baixo, humilde e aparentemente sem importância?

Muitas vezes nos empenhamos tanto em mostrar nossa capacidade de atingir metas e vencer desafios que esquecemos de procurar saber se é isso mesmo que Deus quer de nós. Uma grande conquista fora da vontade de Deus pode representar um grande fracasso espiritual. A maior vitória que um cristão pode alcançar é aquela obtida em obediência à vontade do Senhor.

Achamos que somos vencedores quando ultrapassamos obstáculos e atingimos o pico de nossas realizações, mas, talvez, a grande conquista esteja exatamente em fazer o caminho inverso. Afinal, os perdidos quase sempre não estão no ponto mais alto de nossa caminhada.

Deus deseja que sejamos sábios e a maior sabedoria consiste em ganhar almas para Jesus Cristo.





Referência: Paulo Roberto Barbosa, Email: tprobert@terra.com.br
A DEUS toda a Glória.