terça-feira, 11 de novembro de 2008

A IGREJA,NOIVA (1° PARTE)

“Cristo se entregou pela igreja, por amá-la incondicionalmente.”
Vamos abrir as nossas Bíblias na carta de Paulo aos Efésios, cap. 5. Vamos ler alguns versos a partir do 25. Efésios 5:25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, 26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. 28 Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. 29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; 30 porque somos membros do seu corpo. 31 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. 32 Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.


Ainda outro texto, no livro de Gênesis, Gn 2:21: Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a (ou seguindo a tradução original, edificou-lhe uma mulher) e lha trouxe. 23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. 24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.


Irmãos, na reunião anterior, nós falamos sobre a segunda metáfora a respeito da igreja. Nós nos propomos a enfocar com os irmãos, cinco delas que sem dúvida são as mais enfáticas usadas por Paulo nas suas epístolas para nos ajudar no nosso entendimento a respeito da igreja. Temos dito aos irmãos que esse assunto Igreja, constitui um dos grandes fundamentos da revelação de Deus. Um dos grandes fundamentos da revelação de Deus é a revelação a respeito da igreja. O Senhor não nos deixou de tal forma que precisássemos estar vasculhando num canto aqui e em outro ali, para encontrarmos alguns difíceis ensinos a respeito da igreja. Não. O ensino da igreja é tão sólido que nós vamos encontrá-lo em todas as epístolas do Novo Testamento. O próprio Senhor Jesus em carne, Ele fez questão de mencionar a centralidade desse assunto no seu próprio coração. Os irmãos se lembram? Mateus 16, o que foi o que o Senhor disse, depois que Pedro foi contemplado com aquela visão do alto da parte do Pai, e confessou quem era o Senhor Jesus: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, os irmãos lembram na seqüência o que o Senhor falou, o que Ele disse a Pedro? Sobre esta rocha, o alicerce dessa revelação que Ele é o Cristo, o Filho de Deus - sobre esta rocha, Eu edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não hão de prevalecer contra ela. O próprio Senhor foi o primeiro a mencionar a igreja no Novo Testamento em Mateus 16, porque a igreja não é um assunto escondido naquilo ali, nas doutrinas do Novo Testamento, mas é um assunto central. Como eu disse na reunião anterior, da mesma maneira que nós falamos sobre a centralidade de Cristo, nós precisamos falar sobre a centralidade da igreja. Mas assim como o sol e a lua, na sua ordem, não podendo colocar a lua na frente do sol, a igreja na frente de Cristo, para que nós não tenhamos um eclipse, para que nós não tenhamos trevas, mas colocando o sol na frente da lua, para que a lua possa resplandecer a luz do sol. Assim é a igreja com relação a Cristo. Mas a centralidade do assunto da igreja é extremamente importante de ser recuperado nos dias em que vivemos. Por que? Porque muito tem sido falado sobre esse assunto e para de modo geral falando, para vergonha nossa, coisas horríveis, deturpadas, tão distantes da verdade tem sido ditas a respeito da igreja. Em primeiro lugar a própria igreja tem sido assunto de pregação. A própria igreja tem sido pregada como um objeto salvador, como a igreja que salva, a igreja que transforma, a igreja sendo colocada no lugar de Cristo. Nós precisamos recuperar, com urgência, nos dias em que temos vivido, a genuinidade da revelação de Deus, também nesse assunto a Igreja.


Irmãos, nós temos dito então, para retomarmos o assunto, que o Senhor usou, o Espírito Santo usou três homens em especial dado o assunto ser tão abrangente, usou os três que escrevem o maior número de textos no Novo Testamento, exatamente Pedro, Paulo e João, os três mais extensos autores bíblicos, inspirados, movidos, pelo Espírito Santo. Pedro nos ajuda a entender o fundamento sobre o qual a igreja está assentada. Nunca perca isso de vista, aquela linda visão de Atos 10, quando Pedro teve aquele êxtase, e viu aquele grande lençol sendo baixado do céu pelas quatro pontas. Que linda visão sobre o que é a igreja. O que Deus purificou, não consideres comum. Pedro nos ajuda na visão do fundamento da igreja, um povo santificado, purificado, separado, celestial, escolhido no coração de Deus antes da fundação do mundo. Aquele lençol descia à terra, baixado pelas quatro pontas. Paulo vai nos dizer em Efésios, a igreja é Efésios 1:4 assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor. A igreja é um povo que tem natureza celestial, e vai dizer em Filipenses que a nossa pátria, ou a nossa origem, a nossa cidadania, está nos céus. Filipenses 3:20 Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Então essa cidadania celestial da igreja é muito importante. Antes de você ser um cidadão terreno, você é um cidadão celestial, e a sua pátria está nos céus. E você é um representante, um embaixador, de um tipo de vida que tem origem celestial. Você não é guiado por regras exteriores, nem exteriormente falando, da própria bíblia como livro de regulamentos, mas nós somos dirigidos pela vida de Cristo em nós, que confere com as instruções da sua palavra. Mas nós não somos um povo que anda por regulamentos externos, mas um povo que anda pelo princípio de vida celestial, recebido do próprio Senhor. Cristo está em nós. Cristo é a nossa vida, Paulo nos diz em Colossenses. Cristo em nós é a esperança da glória. Cristo, não vivo eu, mas Cristo vive em mim. Então a vida cristã é esse Cristo vivendo em nós que nos torna então representantes, embaixadores, dessa cidade celestial. Irmão, isso tem um impacto tremendo na nossa vida na medida em que vamos vendo. Nós somos governados por leis celestiais; nós temos um princípio de vida que é celestial; a nossa vida só pode ser nutrida pelo céu, estritamente falando, pela pessoa do Cristo celestial, do Senhor Jesus, morto, ressurrecto e entronizado. Só uma relação com Ele pode nutrir essa nossa vida. Então essa é a origem da nossa vida como igreja, nós somos um povo celestial.


Depois o Senhor usou o apóstolo Paulo, ainda para nos falar sobre esse assunto igreja tão importante, tão central. Ele usou Paulo para falar sobre edificação. Paulo é esse construtor, é esse que fala muito sobre essa superestrutura da igreja. Ele também fala do alicerce que é Cristo. Ninguém pode lançar outro fundamento além do que foi posto o qual é Cristo. (1 Coríntios 3:11). Mas, sobretudo, Paulo nos fala a respeito dessa superestrutura de como a igreja é edificada. Ninguém como Paulo nos dá tantos detalhes. E para resumirmos essa chamada visão de Paulo, visão pela qual, diante do rei Agripa ele fez aquela declaração em Atos 26, nós já lemos, onde ele diz: rei Agripa - dando o seu testemunho quando aprisionado no seu caminhar, na sua vida, no seu ministério, ele disse - Atos 26:19 Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial, Ele coloca no singular. Então o apóstolo Paulo nos ajuda com duas figuras de linguagem, duas metáforas, nós separamos cinco, para nos mostrar como a igreja é edificada, o que é que a igreja significa no coração de Deus e em quer forma ela está sendo edificada para Deus. Como a visão da igreja ela é multifacetada, então Paulo usa várias metáforas.


Nós já falamos sobre a metáfora da família, Paulo enfoca essa metáfora muitas vezes de que a igreja é como uma família para o Pai. Linda metáfora. Então ela tem um governo celestial, nosso Pai celestial. Ela tem um relacionamento de amizade, de companheirismo, porque família fala disso. Ela tem, acima de tudo, um partilhar de natureza, porque família fala disso. Nós não somos apenas imitadores de Deus. Ninguém teria condição de fazer isso. Paulo fala em Efésios que nós somos imitadores de Deus, como filhos amados. Você vê a diferença? Você não imita a Deus como um servo apenas, como um empregado de Deus. Você imita a Deus como um filho amado. Um filho imitar o Pai é muito mais fácil, porque ele participa da mesma natureza. Não é como um vizinho imitar o outro. Então essa metáfora da família é muito importante. Você imita Deus porque você nasceu de Deus. Você não pode tentar imitar a Deus por si mesmo, senão você vai ser um religioso e apenas um religioso. Nada mais do que isso. E a religião é do homem, não agrada a Deus. Nós só podemos imitar a Deus como filhos amados. E precisamos nascer de novo, em primeiro lugar. Quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. Não pode entrar no reino de Deus. Quem não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus. O Senhor foi tão claro com Nicodemos, não é? Então a metáfora da família fala em primeiro lugar disso: nós participamos da natureza do Pai. O Pai gerou muitos filhos através de um Filho. O grão de trigo foi semeado na terra, morreu e produziu muito fruto. Você e eu. Para a glória de Deus, participamos da natureza de Deus, somos família. Já exploramos um pouco dessa primeira metáfora que Paulo usa e é óbvio que a figura da família fala de edificação. Uma família é edificada. Família fala de edificação. É claro. A família não é estática. Ela é dinâmica, ela cresce. Então família fala de edificação. Edificação de uma família para Deus. Paulo usa essa metáfora e todas as outras cinco que nós vamos enfocar, todas falam de edificação. Então, e primeira foi família.


Depois examinamos a metáfora corpo. Corpo também fala de edificação. E nós enfocamos Efésios 4, e hoje nós vamos falar sobre o 5. Paulo usa todas essas cinco metáforas em Efésios e também em outras epístolas, mas em Efésios ele faz uso das cinco e isso não acontece em nenhum outro lugar senão em Efésios. Veja que essa carta é singular. Paulo usa todas as cinco metáforas. Então a primeira é família e a segunda é corpo. Efésios 4 ele diz que o corpo é um em primeiro lugar. Ele diz que o corpo é um. Lembra? A unidade é a primeira característica do corpo. Nós não temos muito corpos. Nós não temos irmãos disso, irmãos daquilo, irmãos rotulados de uma forma ou de outra. Irmãos presbiterianos, metodistas. Nós somos irmãos em Cristo. Nós temos uma única confissão. Nós somos batizados em nome de Cristo e em nenhum outro nome. Então aqueles que genuinamente nasceram de novo, eles são irmãos em Cristo, porque participam de uma única natureza: natureza de Cristo e são habitados por um mesmo Espírito. O Espírito de Cristo. Então nós somos irmãos em Cristo e nós queremos então, no que concerne a nós, estarmos livres de qualquer rótulo e queremos amar aos nossos irmãos, verdadeiramente amá-los e servi-los, aqueles que porventura estejam presos a qualquer tipo de rótulo. Amá-los, incluí-los, acolhe-los, serví-los porque nós somos membros de um único corpo. Como isso é importante irmãos, essa segunda metáfora: o corpo. A primeira questão ligada ao corpo, já falei estou só repetindo, é a unidade. O corpo é um. Depois mostramos no capítulo 4 que Paulo passa imediatamente do verso 6 para o 7, de Efésios 4, ou seja, ele passa da unidade para a diversidade. Efésios 4:7 e a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Cada um fala de diversidade. Paulo sai da unidade e vai para a diversidade. Olhe a beleza disso. Ele está dizendo que assim como o corpo é um, ele tem muitos membros. Ele fala assim também em Coríntios. Mas essa diversidade enriquece o corpo. Nós não estamos aqui tentando fazer fotocópias uns dos outros. Eu não tenho que ser igual a vocês e vocês igual a mim. Vocês tem de desenvolver plenamente a vocação de você em Cristo e aquele talento especial que o Senhor depositou em você, você é responsável e ninguém além de você. E você vai então negociar com ele como diz a parábola dos talentos e vai produzir mais um talento, mais outro talento, mais cinco talentos, e mais quantos forem, por você entregar para a glória do seu Senhor. Essa é a diversidade do corpo e o Senhor concedeu a cada um uma medida da graça segundo o dom de Cristo. Então essa é outra marca dentro da metáfora do corpo que nós já estudamos. O corpo é um sim. Mas o corpo também tem diversidade. Ele tem diversidade de ministério. Coríntios diz que ele tem diversidade de realizações. (1ª Coríntios 12) Diz ainda que tem diversidade de serviços, mas o Espírito é o mesmo e o Senhor é o mesmo. Então veja a beleza da diversidade na unidade e a diversidade enriquece a unidade. Esse é o ensino que nós já vimos e pertence à metáfora do corpo, por isso ele é tão importante. E Paulo não pára na adversidade. Ainda dentro da metáfora do corpo como já vimos, Paulo diz que o corpo além de ser um, além de ter diversidade, o corpo também tem o chamado de Deus para a maturidade. É claro. Nenhuma criança permanece criança. Toda criança se torna adulta. O natural nos ajuda a entender o espiritual. Deus não tem prazer em uma família espiritual de eternas crianças. Paulo diz assim: 1 Coríntios 13:11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. O quê na sua vida cristã é próprio de menino que você não tem desistido? O corpo é chamado para a maturidade. Desista das coisas de menino. Desista de ficar procurando aquilo que te agrada simplesmente. Caminho por visão, caminho por fé, caminho por compreensão que o Senhor tem te dado, porque o corpo é chamado para a maturidade e esse é o terceiro ensino de Efésios 4. O corpo tem unidade, o corpo tem adversidade e o corpo é chamado para a maturidade. Efésios 4:15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, Efésios 4:13 Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, Se lembra dessa expressão? Varonilidade. Plenamente varonil, ou adulto, maduro, plena varonilidade, na medida da estatura da plenitude de Cristo. Aí ele diz: 14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Qual que é a doutrina nova agora? Qual que é a unção nova agora? Isso é atitude de menino. Se nós temos uma visão formada, uma visão clara a respeito do propósito de Deus, nós não somos levados para lá e para cá por novas modas, por novos pregadores, por novas unções, por nada dessa confusão que tem havido no meio da igreja. Nós porém, temos uma visão formada do Supremo Propósito de Deus em Cristo. Então corpo é chamado para a maturidade. Unidade, diversidade e maturidade. Essas três questões estão ligadas ao corpo. Agora vamos dar mais um passo hoje. Vamos ver a metáfora da noiva.


Terceira metáfora: Noiva. Depois vamos examinar a metáfora do Templo primeiro, o edifício de Deus. Paulo usa muitas vezes. E por último a metáfora do exército que ele usa em Efésios 6, falando sobre aquela armadura de Deus que nós precisamos, como igreja, nos revestir para ficar firmes quanto à cilada do diabo. Cinco metáforas. A família, o corpo, a noiva, o templo e o exército. Cinco metáforas que nos ajuda na visão de edificação. Todas elas tem a ver com a edificação, todas elas seguem o mesmo foco de Paulo. Edificação. Então vamos examinar hoje um pouquinho da terceira, dentro de Efésios cap. 5. Volte a sua bíblia, por favor, nesse texto. Efésios cap. 5, a partir do verso 25. Texto tão conhecido com relação ao assunto vida conjugal. 25 Maridos, amai vossa mulher. Um assunto tão conhecido. Hoje nós vamos enfocar esse assunto não no que diz respeito à vida conjugal. Mas no que diz respeito ao que em primeiro lugar ele significa. Esse assunto diz respeito em primeiro lugar a Cristo e à igreja. E por inferência, por conseqüência, ao relacionamento conjugal. Nós sabemos disso pelo versículo 32, quando Paulo diz assim: 32 Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja Está falando do casamento, porque no 31 ele falou: deixe o homem pai e mãe. Então ele diz: grande é esse mistério, mas, eu me refiro a Cristo e à igreja. Então na verdade, há duas coisas nesse verso 32. Primeiro é que em primeiro lugar essa metáfora do noivo e da noiva se refere a Cristo e à igreja. Em segundo é que nós temos o privilégio de experimentar a realidade do significado dessa tão linda figura, em realidade espiritual, na nossa vida conjugal. Então quando você vê essa expressão “grande é esse mistério”, você tem que responder de duas formas. A que isso se refere? O 32 diz que “me refiro a Cristo e à igreja”. Mas no contexto dos versos 25 em diante, você vai ver que ele se refere à vida conjugal, com muita clareza. Ele fala dos maridos amar as suas mulheres, para cuidarem delas como cuidam dos seus corpos. Ninguém odeia o seu próprio corpo. Antes o alimenta e dele cuida. Ele vai misturando a metáfora. Cristo e a igreja, marido e mulher. Cristo e a igreja, marido e mulher, porque a vida conjugal tem exatamente essa finalidade. Se a vida conjugal perde essa finalidade, ela perde propósito. O propósito da vida conjugal é refletir, mesmo que palidamente. Irmão, a minha vida conjugal, e a sua, são um pálido reflexo disso. Muito pálido. Assim como a minha vida pessoal é um pálido reflexo a respeito de Cristo. E a vida de minha esposa é um pálido reflexo a respeito da igreja. Isso é verdade com todos os casais. Mas mesmo que pálido reflexo, nós temos a graça, o privilégio de crescermos nessa experiência. Que as nossas vidas possam refletir mais de quem Cristo é, mais do que a igreja é, mais desse relacionamento de amor, mais dessa proteção da cabeça sobre o corpo, mais dessa submissão do corpo para o cabeça, mais desse amor sacrificial que vai até o fim, mais desse cuidado, desse alimento, desse cuidado, como diz esse contexto. É um desafio para nós cônjuges, nosso casamento tem propósito que está muito além do próprio casamento. Se não for visto assim, o casamento é um lugar de solidão a dois. Solidão a dois, se nós não estamos compartilhando esse propósito. Nosso casamento tem o propósito de refletir quem Cristo é.


Eu quero colocar isso só como pano de fundo porque esse não vai ser o nosso assunto hoje nessa noite: vida conjugal. Nós vamos falar de Cristo e da igreja mesmo, porque nós estamos tentando escrutinar um pouquinho dessa metáfora da noiva. Então os irmãos observem em primeiro lugar. Olhe o versículo 25. Vamos devagar aqui. 25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, A palavra “amai” aqui em Efésios é Agapal, ou Ágape. Não Fileo. Mas Ágape. Um amor de entrega total. Um amor de entrega incondicional. Não é um amor que olha para pessoa e diz que: “vou dar, mas espero receber”. Não é um amor de via dupla. É um amor de via única. Ágape. Um amor até o fim, um amor até a morte, um amor como João 13 diz, quando o Senhor chamou os discípulos para a última ceia, e Ele coloca aqueles discípulos para dentro e diz assim: João 13:1 Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. Lembra? Amou-os até o fim. Aquele versículo é uma ilustração muito linda do significado dessa expressão de Efésios 5:25. Maridos amai. Amai como? Que tipo de amor? Amai até onde? Amai quando? Tudo isso pode ser respondido com aquela frase de João 13:1. Tendo amado os seus - Cristo é nosso modelo - Ele amou os seus que estavam no mundo até o fim. Então não há fim de paciência. Então não há fim de cuidar. Então não há fim de atenção. Porque em Cristo nós temos toda a provisão para amar até o fim, ou plenamente, completamente. Amai as vossas mulheres como Cristo amou - a palavra Ágape, de novo, duas vezes - a igreja. Agora eu quero enfocar aqui alguns versos com os irmãos. Se estamos examinando a metáfora da noiva, vamos procurar explorar alguma coisa desse texto. Olhe o versículo 25, a prova primeira de que Cristo amou a igreja. Efésios 5:25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, Irmãos. Todas as metáforas estão ligadas à edificação e então vamos com calma aqui. Pense com cuidado junto comigo. Qual foi a primeira atitude de Cristo para que a sua igreja fosse edificada? Ele não olhou para a sua igreja e disse assim: Olha, eu estou disposto a fazer uma aliança com vocês. Se vocês forem até aqui, então eu vou até ali. Cristo não fez contrato com a igreja. Isso é um contrato. Ele fez uma Aliança com a igreja. Quando na última ceia ele tomou aquele pão, ele falou: “bebei dele. Porque esta é a aliança que eu firmo convosco. “Eu”. Veja que é uma aliança unilateral. Incondicional. Aquele lagar como diz Isaías, se referindo à cruz, o Senhor pisou sozinho. Você não participou em nada. Não há um contrato entre você e Cristo. Você não andou uma parte do caminho e Ele foi te pegar no meio. Ele foi te buscar onde você estava. Você não se converteu a Cristo. Você foi convertido a Cristo. Você não foi ativo nesta situação. Você foi passivo. No seu coração foi gerado tudo o que era necessário, gerado a vontade, gerado o desejo, gerado a busca, gerado a fé. É isso que a Bíblia ensina. Em primeiro lugar gerado a vida, porque nós estávamos mortos nos nossos delitos e pecados. Então irmãos a salvação é um ato incondicional da soberana graça de Deus, livre, gratuita. Cristo amou a igreja e se entregou. Se nós queremos que a igreja seja edificada no sentido agora prático, no sentido de testemunho, no sentido de expressão local do que Cristo é, a primeira atitude que nós precisamos ter: entrega. Cristo amou a igreja e se entregou. Se você não tiver esse coração, primeiro com aquela parcela menor da igreja que está dentro de sua casa. Se você não tiver, na sua casa, um coração de se entregar, a igreja não pode ser edificada na sua casa. Isso é verdadeiro para marido, para mulher, para filho. Se nós não temos esse mesmo coração no viver do corpo, no nosso viver coletivo, corporativo, a mesma coisa. Se nos entregar não é uma marca nossa, a igreja não pode ser edificada. Nós teremos trezentas pessoas juntas, cada uma cuidando dos seus próprios interesses. Não é verdade? Cristo amou e veja a primeira atitude: e se entregou. Lembra de Paulo, esse apóstolo que enfoca a edificação como eu tenho falado? Lembra o que ele disse aos Coríntios, já citei isso aqui várias vezes. (2 Coríntios 12:15 Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol (ou seja, para edificação) da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?) Isso é ministério cristão. Isso é serviço no corpo de Cristo. Não é tentar de alguma forma angariar alguma coisa dos santos. Nem glória pessoal, nem prestígio, nem sucesso, nem fama, dinheiro, posições, mas eu me gastarei e me deixarei gastar. Esse é ministério. Irmãos, será que os ministros de Deus hoje, tem tido esse tipo de ministério? Será? Cristo amou e se entregou. Essa expressão “se entregou”, ela é muito significativa, no uso que Paulo faz dela. Só para citar um exemplo para os irmãos, em Romanos 4. Só um exemplo, do mesmo uso que Paulo faz agora em Romanos, dessa significativa palavrinha, entregou. No verso 24, ele diz que a justiça, que é Cristo, será imputada a nós que cremos Nele. Não é isso? O contexto aqui é o exemplo de Abraão - isso foi feito com Abraão. Romanos 4:24 mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, No final diz: a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor. Agora olhe o 25. 25 o qual foi entregue (essa palavrinha. Paulo usa várias vezes) por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação. Paulo usa várias vezes e é muito significativa. Entregue. Fala de uma rendição total. Hebreus diz assim que quando Ele considerou a cruz, não fez caso da vergonha que Ele iria passar. Hebreus diz que Ele olhou para a cruz e não fez caso da vergonha. Que lindo aquele texto irmão. Lá diz que nós devemos correr essa carreira, olhando firmemente olhando para Jesus. Foi isso que Ele fez para edificar a igreja. Não é? Semeando a sua própria vida e ressuscitando dos mortos para conduzir muitos filhos à gloria, como diz Hebreus. E foi isso que Paulo fez também seguindo o exemplo de Cristo, e pela vida de Cristo. Não é apenas imitando Cristo. Ninguém tem condição de imitar Cristo. Paulo viveu através da vida de Cristo. Não vivo eu, disse Paulo, mas Cristo vive sua vida em mim. Então Hebreus diz assim: Hebreus 12:2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Qual alegria? Duas alegrias. Na verdade uma que tem duas facetas. Qual é essa alegria? Esse era o desejo eterno do coração do Pai. Uma família de filhos iguais ao seu Filho. Então para que Ele pudesse obter isso Ele tinha que plantar o seu Filho na morte. Se o grão de trigo caindo em terra não morrer, fica só. Mas, se morrer produz muito fruto. Então em primeiro lugar essa alegria que lhe estava proposta, era a satisfação do coração do Pai. Segundo lugar. Essa alegria que lhe estava proposta é obter para si mesmo, Filho, uma noiva. Você vê as metáforas? Em primeiro lugar, uma família de filhos para o Pai. Em segundo lugar, uma noiva para Ele mesmo. Cristo se entregou pela igreja. Ele não morreu por toda a criatura. Ele morreu pela igreja. João 17 Ele diz assim: João 17:9 É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; A morte do Senhor foi muito especial, muito dirigida: àqueles que no coração que no coração eterno de Deus Ele havia escolhido antes da fundação do mundo. Cristo morreu pela igreja.


Irmão, você não acha que isso confere à nossa auto imagem uma condição maravilhosa? Você acha que nós podemos ganhar uma auto imagem equilibrada de uma outra maneira qualquer senão através dessa? Cristo amou você. Ele singularizou você. Ele tirou você do supermercado de mercadoria estragada. Comprou você como um vaso precioso e colocou Seu nome em você. Ele singularizou você. Lembra da visão de Pedro? “Ao que Deus purificou, não consideres comum”. Você e eu éramos comuns. Totalmente comuns, perdidos, entregues, escravizados. Mas Deus nos purificou. Pedro teve dificuldade com aquela visão diante de tanto animal imundo, ele como um bom judeu, tanta imundice, aves, quadrúpedes, répteis, muita imundice. Então Pedro falou. Atos 10:14 Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. Mas o Senhor falou: 15 Segunda vez, a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não consideres comum. O Senhor singularizou você, achegou você a Ele mesmo como propriedade particular. E Pedro aprendeu essa lição e lá na epístola ele escreve. 1 Pedro 2:9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; Você vê? Então irmão, o Senhor entregou. Ele não fez contrato com você. Ele não pediu que você andasse um pouquinho, pelo menos desse um sinal de vida para Ele, pelo menos demonstrasse que você queria Ele. O Senhor não fez coação emocional com nenhum de nós. Nenhum tipo de jogo. Ele se entregou por nós na cruz do Calvário. Incondicionalmente. E a sua morte tem valor expiatório para aqueles que pela graça e pela fé o contemplam. Salmos 34:5 Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame. Irmãos, nós somos salvos por essa entrega. Foi assim que o Senhor começou a edificação da sua igreja. Por aí que Ele entrou. Ele não fez propostas, acordos. Ele se entregou. Veja como que essa metáfora tem tudo a ver com a edificação. Como que a igreja pode ser edificada pela entrega de Cristo? Como que a igreja pode ser edificada, na prática agora, pela entrega de todos nós uns aos outros, servindo uns aos outros em amor, exortando uns aos outros cada dia durante o tempo em que se chama hoje, cuidando pelo bem estar das almas uns dos outros, vivendo como corpo e família, nós podemos ser edificados, porque foi isso que Cristo fez incondicionalmente. Você não vai servir quem te agrada. Você não vai servir quem bate com o seu temperamento. Temperamento tem de ficar do lado de fora da vida da igreja. Nós servimos com Cristo através de nós, seja o nosso temperamento qual for. Seja ele introvertido, extrovertido, esquisito, consertado, equilibrado, não importa. Cristo não vai fazer uso de nossos temperamentos, no que eles são por natureza. Cristo vai ser formado em nós, e vai santificar esse temperamento complicado que nós temos, porque não tem nenhum bom temperamento. Todos são pecaminosos. Então nós precisamos deixar de fora essas coisinhas, e aprendermos a estar servindo no corpo de Cristo em entrega, entregando pelos irmãos, amando os irmãos, servindo os irmãos, aprendendo a conviver com as diferenças dos irmãos. Tem pessoas que acham você tão difícil quanto você acha os outros. Não é? Porque essa questão de difícil é totalmente relativa. Você tem um juízo baseado na sua própria estrutura, na sua formação, na sua cultura, na sua personalidade. Não é? Então tem pessoas que acham você muito difícil, assim como você acha os outros. Isso não importa. Cristo se entregou. Os discípulos também não eram fáceis. João não era fácil, Pedro não era fácil. Cristo se entregou por ela, incondicional.


Olhe a segunda expressão. Vou enfocar para os irmãos, me veio aqui na memória, um texto muito significativo sobre isso, e eu não queria passar para o próximo verbo aqui, sem te dar uma ilustração sobre o próprio Senhor sobre esse “a si mesmo se entregou por ela”. Final do verso 25. O que é que será que significa isso? Vamos usar a linguagem de João para nos ajudar um pouquinho mais. Abra a sua Bíblia, por favor, em João 17, o que é chamada a Oração Sacerdotal do Senhor. Veja que lindo irmão, esse versículo 6, por exemplo. Ele se entregou pela igreja. Irmão. Antes do Senhor morrer pela igreja, antes da sua entrega ser completa, absoluta, ali na cruz, uma entrega até a morte, como Paulo diz em Filipenses - (2:8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.) - Ele se entregou pela igreja, desde quando foi endossado pelo Pai para exercer o seu ministério terreno, a partir do batismo no rio Jordão. Este é o meu filho amado, em quem me comprazo. A partir do rio Jordão, o Senhor saiu para exercer o seu ministério, fazendo o quê? Os evangelistas dizem assim: pregando o evangelho do Reino. Arrependei-vos porque está próximo o reino. O próprio Rei que estava pregando o reino. O reino era Ele mesmo. Antes Dele se entregar lá na cruz para os seus discípulos, ele se entregou durante todo os três anos e meio que ele viveu com Ele viveu com eles e eu queria que você notasse um pouquinho disso para que você não ligasse essa palavra “se entregou” apenas à cruz, embora se o Senhor tivesse se entregado aos seus discípulos três anos e meio, mas não fosse à cruz, de nada nos serviria, porque nós precisávamos ser justificados à vista de Deus e para sermos justificados à vista de Deus nada é suficiente, a não ser a morte do Salvador, para que da própria pessoa de Deus, O Filho, o pecado seja julgado. Nós já falamos isso quando compartilhamos o fundamento da Justificação pela Fé. Na pessoa do próprio Deus, o Filho, o pecado tinha que ser julgado. Jesus não era um mártir, um modelo, um exemplo, de como se vive a vida, de como se morre dignamente. Nada disso. Jesus é o Deus Filho que assumiu a natureza humana, semelhante a mim e a você, mas sem pecado e por isso mesmo pode ser sacrifício pelos nossos pecados. E nós pudemos ser adequadamente, justamente, justificados diante de Deus de uma forma que ninguém pode imputar acusação sobre nós, nem anjos, nem homens e nem demônios. Romanos 8:33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Então se o Senhor Jesus não tivesse morrido, de nada adiantaria, mas eu queria que você visse que isso, que culminou com a sua entrega, aconteceu desde que Ele iniciou o seu ministério terreno. Ele guardou os seus discípulos. Ele se entregou por eles dia a dia, irmãos. Eu queria que você visse como Ele ora pouco antes da cruz para resumir tudo o que Ele fez. Vamos dar uma olhada. Em João 17, olhe o versículo 6. João 17:6 Manifestei o teu nome. É o Filho orando ao Pai. Então Ele diz. Manifestei o teu nome – o nome do Pai - aos homens – Todos os homens? Não. Aos homens que me destes do mundo. Tem maneira mais clara de dizer que o Senhor viveu e morreu por um povo especial? Será que há alguma dúvida no seu coração? Que o Senhor Jesus tanto viveu quanto morreu por um povo especial? Aqueles que no coração eterno de Deus, Ele soberanamente quis escolher antes da fundação do mundo como Paulo fala em Efésios, manifestei teu nome aos homens que me destes do mundo. Agora veja aqui. Eram teus. Nós vamos destacar aqui pelo menos duas coisas. Primeiro “eram teus”. tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra.


Primeira verdade importante: a igreja ela é uma dádiva, uma doação, extremamente significativa, porque ela é um presente, uma dádiva de Deus o Pai, para quem? Para Deus, o Filho. Você vê a igreja assim? Você acha que a igreja começou a sua história na terra? No que concerne à nossa experiência, sim. É claro. Nós não vivemos mais de uma vida, não cremos na reencarnação, somos cristãos, então a nossa história com o Senhor começou na terra, mas a história Dele conosco começou nos céus. Eleitos em Cristo antes da fundação do mundo. Então o Senhor está dizendo, aludindo exatamente a isso no verso 6. Eu manifestei o Teu nome aos homens que me destes do mundo. Olhe que povo especial. Eram teus. Quando que eles eram teus? Faça essa pergunta. Jesus está orando ao Pai e dizendo: eram teus. Então faça a pergunta. Quando? Quando que aconteceu esse “eram teus”? Quando será? Quando Jesus começou a chamá-los ali para Pedro: “Vinde a mim e Eu vos farei pescadores de homens”. Chamou Mateus na coletoria, e etc. Não irmãos, não. A Bíblia vai nos ensinar em muitos textos que esse “eram teus”, significa “eterna eleição”. Eleição incondicional. Hoje o povo de Deus em geral, o cristianismo em geral tem gracejado dessa verdade da eleição. Feito piadas dela. “Você crê na eleição? Na predestinação?” Eles tem brincado em torno de verdades santas da palavra de Deus. A Bíblia é tão clara quanto a essas verdades, que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, que Ele nos predestinou para Ele, para adoção de filhos. Paulo fala em Efésios, em Coríntios. Que Deus nos escolheu como fracos, pobres, desprezíveis, como loucos do mundo para confundir aqueles que são nobres, sábios, poderosos. Ele escolheu deliberadamente porque Ele tem direito de fazer isso e Ele fez. Então irmão, essa verdade da eleição tem sido motivo de piada no meio de muitos círculos evangélicos, mas ela é uma verdade santa de Deus. Ele fez e Jesus está dizendo: eram teus. Está vendo? Eram teus. Antes deles terem qualquer escolha, antes do Senhor falar para Pedro para largar as redes e vir até mim. Pedro respondeu a este chamado exatamente porque ele era Teu, porque ele era do Pai, eleito em Cristo antes da fundação do mundo. Eram teus. Tu mos confiastes e eles tem guardado a tua palavra. Irmão. Se uma só alma, pela qual Cristo morreu, pudesse ir ao inferno, a morte de Cristo não seria absoluta no seu escopo, na sua abrangência, porque está no inferno uma alma pela qual Cristo morreu. Então você tem que saber que no inferno não haverá uma só alma dos eleitos de Deus, porque Cristo morreu por eles e a sua obra foi absoluta. Se você creu no Senhor Jesus pelo chamado da graça isso prova que você é um eleito de Deus. E por que é que o evangelho tem que ser pregado a toda criatura sem discriminação, até os confins da terra? Porque nós não sabemos onde estão os eleitos de Deus, quem são os eleitos de Deus. Há pessoas que rejeitam o Evangelho até o leito de morte e no leito de morte, recebem Cristo, porque são eleitos de Deus. Então não importa o tempo, não importa a hora. Você deve pregar a tempo e fora de tempo, até a morte do indivíduo, porque você não sabe quem são os eleitos de Deus, mas o fato é que nenhum só dos eleitos de Deus irá se perder na condenação eterna, porque Cristo morreu pela igreja e porque Ele não teve contrato com eleito nenhum, porque a sua morte foi incondicional. Quando você vê o sumo sacerdote entrando no Santo dos Santos, você tem que ver uma figura dupla e não simples. Você tem de ver que o sacerdote levava as doze tribos de Israel naquelas duas pedras, nos seus ombros. Você conhece Levítico? Conhece Hebreus? Ele entrava com duas pedras de Ônix nos seus ombros. Seis nomes em cada pedra, gravados, um para cada tribo e Israel. São doze tribos. Seis nomes de cada lado. Mas também o sumo sacerdote entrava com os doze nomes no peito. Agora irmão. Para que o povo estivesse representado naquela pessoa do sumo sacerdote, bastava uma das pedras. Ou no ombro ou no peito. Por que é que tem que ser no ombro e no peito também? Não é? São os mesmos nomes, as mesmas tribos, as mesmas pessoas. O que é que a Bíblia quer nos ensinar na figura? E eu não estou usando um símbolo para estabelecer doutrina. Isso é um erro. Você não pode estabelecer doutrina através de um símbolo. Você tem que ver a doutrina clara do Novo Testamento e então interpretar o símbolo. Essa é a maneira correta e é isso que eu estou fazendo. Quando você olha João 17, Efésios, Coríntios, o contexto do Novo Testamento, você vai poder interpretar esse símbolo que eu vou interpretar para você agora. Esse símbolo do sumo sacerdote, levando as tribos nos ombros e no peito significa que Jesus Cristo, que é o nosso Sumo Sacerdote - não é isso que Hebreus diz - Ele é o nosso Sumo Sacerdote, que penetrou os céus, está na presença imediata de Deus, Ele o Senhor Jesus, aqueles mesmos pelos quais Ele morreu, Ele deu a sua vida, o seu coração, as tribos no peito, os mesmos pelos quais Ele morreu, são os que ele intercede, que é o tema do livro de Hebreus. Hebreus 7:25 diz assim: que o Senhor Jesus, vive, porque Ele ressuscitou, Ele vive para interceder por nós e a figura é essa. Ele coloca o seu ombro debaixo do nosso, aquelas tribos estavam no seu ombro. Por quem que Ele intercede? Por toda criatura, por todo o mundo? Não. Ele intercede pelos mesmos pelos quais Ele morreu. Os mesmos pelos quais Ele realizou Expiação são aqueles pelos quais Ele realiza Intercessão. Quais são os dois temas chaves do livro de Hebreus? Não são esses? Hebreus é o livro da Expiação, por excelência. É a mensagem chave de Hebreus: Cristo é o nosso grande Expiador, aquele que foi à cruz por nós, aquele que é o verdadeiro Sumo Sacerdote, aquele que entrou no Santo dos Santos. É o tema de Hebreus. E o tema paralelo, Ele é o nosso intercessor. Ele não é o intercessor do mundo. Ele é o intercessor da igreja. Ele vive para interceder por nós, e quando você lê João 17, você vê o Senhor falando no versículo 9 É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; É por eles que Eu rogo, porque é por eles que o Senhor morreu. Aí você diz: “então ele morreu só por onze”, porque Ele vai dizer mais para frente que um dentre eles era filho do diabo: Judas. Então ele morreu só por onze. Não. Porque se você ler o texto todo você vai ver no versículo 20. No 9 Ele diz: 9 É por eles que eu rogo; Eles quem? Os onze. Judas já tinha ido embora aqui. Agora no 20: 20 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; Não rogo somente pelos onze, estes, mas também por quem mais? Por aqueles que vierem a crer. Quem são aqueles que vêem a crer? Os eleitos de Deus. O evangelho é pregado pelos enviados e é recebido pelos chamados. Não esqueça isso: o evangelho é pregado pelos enviados e recebido pelos chamados. Abra no cap. 10 de João, versículo 24. 24 Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? (Olhe o problema dos judeus com Cristo). Se tu és o Cristo, dize-o francamente. Que coisa não é irmãos? O que é que está registrado em João 6? O Senhor fez nada mais nada menos do que multiplicar o pão e servir para cinco mil pessoas. Não é? Ele é o Pão da Vida. O Senhor já tinha feito muitos milagres até esse momento. Aqueles judeus estavam vendo e acompanhando o Senhor. Eles ainda tem a ousadia de falar como no verso 24. Até Quando nos deixará a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. Que coisa é a incredulidade, não é? Eles não conseguiam ver nada em Cristo, senão quem sabe até agora, primeiro ele era só filho do carpinteiro. Agora quem sabe ele era o milagreiro. O multiplicador de pães. Mas só até aí. Mas ainda não era o Messias. Então eles disseram: dize-o francamente. Agora olhe o verso 25, o que o Senhor respondeu: 25 Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Está vendo? Mas eles não podiam ver irmãos, porque eles tinham um véu no coração deles. Lembra quando Pedro fez aquela confissão, “tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, o Senhor não aplaudiu Pedro, dizendo “Pedro que beleza. Estou tão surpreso. Depois de tanto tempo, como foi que você chegou a essa convicção?”. O Senhor coloca Pedro lá no zero, porque Ele disse: Não foi carne nem sangue quem te revelou. Olha bem o que o Senhor disse. Ele está dizendo: Não foi a tua condição, tua percepção, mas o Meu Pai que está nos céus quem te revelou. Os irmãos estão vendo? 25 Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Olhe agora, vá com calma, vá lendo, deixe o Senhor falar ao teu coração. Você pode ter ainda alguma dúvida com relação à verdade da eleição. Você pode ter algum problema com a verdade da predestinação. Deixe o Espírito te falar. 26 Mas vós não credes. Por que é que eles não creram irmãos? Olhe qual a explicação: Porque não sois das minhas ovelhas. Não tem jeito de ser mais claro. Bode não pode crer. Só ovelha. O Evangelho é pregado pelos enviados e recebido pelos chamados. Irmão, se você tiver algum problema com essa verdade, converse com Deus, porque foi Ele que fez. Foi Ele que desde a eternidade quis escolher alguns no seu coração. Eleitos em Cristo, antes da fundação do mundo. E Cristo se encarnou para morrer por este povo. É por eles que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste do mundo, porque estes são os teus. Isso foi o que Ele falou em João 17. Mais claro não tem jeito. Então, aqui ele está dizendo para os judeus: 26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna; Estão vendo? Ele não está dizendo que fez acordo com as ovelhas, que fez um contrato com as ovelhas. Não. Ele está dizendo: Eu dei a minha vida para as ovelhas. É incondicional, é unilateral. Eu lhes dou a vida eterna. Eles jamais perecerão. Você não está pendurado num fio de segurança entre o céu e o inferno. Você foi tornado noiva, porque Ele te amou. Paulo diz assim: Cristo me amou. Ele singularizou você. A Bíblia diz nos Salmos que Ele te chamou pelo nome assim como Ele conhece as estrelas pelo nome. Nenhum astrônomo que jamais viveu conhece todas as estrelas pelo nome, mas o Senhor sim, porque a Bíblia diz que Ele conta as estrelas e as chama pelo seu próprio nome. Muito mais os seus santos que são objeto da sua graça. Se você está aqui hoje, se você nasceu de novo é porque você ouviu a voz do Pastor. Ele te falou. Nenhum outro pastor te chamou a não ser este Pastor Celestial. Não foi o teu marido quem te chamou; não foi a tua esposa quem te chamou. Você ouviu a voz do Pastor. Ele falou seu nome, Ele chamou o seu nome. “Vem, fulano. Vem. Segue-me. Eu me entreguei por você. Eu te procurei, Eu te amei”. Paulo diz: Cristo me amou a Si mesmo se entregou por mim. As minhas ovelhas ouvem a minha voz. Eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna. Eu, Eu, Eu. Quando nós falamos eu, isso é a nossa vergonha. Quando Cristo fala Eu, isso é a sua glória, porque Ele é igual ao Pai. No versículo 30 Ele diz: 30 Eu e o Pai somos um. Ele usa cento e vinte vezes nesse Evangelho a palavra Eu. Ele sua cento e vinte vezes a palavra Pai. Mesmo número de vezes que Ele fala Eu, Ele fala Pai, porque Eu e o Pai somos um. Não é um em propósito apenas não. É um em natureza, em essência. Ele é Deus com Deus. João 10:28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Não foi você quem cavou a sua salvação, não foi você quem conquistou a sua salvação, então você também não pode perdê-la. Uma verdade decorre da outra. Não é? Veja a importância irmãos, de termos uma fé sólida na verdade de Deus. Se foi Ele quem te achou, você está achado. Se foi Ele quem te deu um nome, então você tem um nome diante Dele. Jamais perecerão eternamente e ninguém os arrebatará da minha mão. Eu li tudo isso para chegar no verso 29.


A igreja como noiva de Cristo, ela é então como eu falei uma dádiva do Pai para o Filho. Uma dádiva eterna. Uma dádiva que foi escolhida na eternidade e foi dada ao Filho. Irmão, você acha que o pai dá qualquer coisa para o filho? Você acha? Você acha que o pai dá um monte de lixo para o filho? O Pai deu o que Ele considerou mais precioso: nós. Isso é o que a Bíblia ensina. Nós que, por natureza, no que concerne a nós, éramos filhos da ira, como também os demais, mortos em delitos e pecados e em corrupção, no que concerne a nós. Mas isso aconteceu exatamente para que ficasse provado o grande amor eletivo de Deus. E que Ele não fez isso porque Ele encontrou um bem em nós. Mas Ele fez isso porque Ele quis fazer isso. Ele nos amou, e onde abundou o pecado, superabundou a graça, para que o caráter de Deus ficasse ainda mais evidenciado. Ele não se entregou pelos santos. Ele se entregou pelos pecadores e os tornou santos. Então o versículo 29 agora vai concluir onde eu então intentava. Olhe o que o Senhor Jesus fala sobre esse dom. 9 Aquilo que meu Pai me deu. Você precisa ler esse versículo com cuidado. O que é que é o “aquilo que meu Pai me deu”? O que é que é isso? Esse “aquilo” é pessoal, esse aquilo é um corpo de redimidos. Esse aquilo são as ovelhas, esse aquilo é a igreja, esse aquilo é o mesmo aquilo que Ele ora em João 17. “Eram teus. Tu nos confiastes e eles tem guardado a sua palavra. É por eles que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste do mundo porque são teus”. E aqui Ele diz: “Aquilo que meu Pai me deu”. É maior do que tudo.

Irmão, a primeira voz que nós precisamos ouvir como noiva é essa. Não tenha dúvida no seu coração. A primeira voz que nós, como noiva, precisamos ouvir é essa. Você precisa ouvir. Não importa a sua condição espiritual. Não importa se você está em lutas, em dificuldades, em aflições, em temores, em dúvidas, confuso. Não importa que tipo de dificuldade você está enfrentando. Essa voz é incondicional. Ela não está dependendo do que você é, pensa, faz ou não faz. Ela depende do que Cristo fez, integralmente por você. Aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo. Você ouve essa voz diariamente na sua comunhão com o Senhor? Você ouve no seu espírito diariamente: aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo. Você ouve no seu coração diariamente: filho, eu morri por você, eu te amo. Se você não entende os meus caminhos, fique sem entender. Apenas permanece junto de mim. Você não precisa vislumbrar um passo além. Você precisa apenas estar comigo. Aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Primeira coisa que nós precisamos ver sobre a igreja, sobre a figura da noiva, é esse relacionamento incondicional. Extraímos esse contexto lá de Efésios 5. Cristo amou a Igreja. Ele amou. Não a igreja amou. Cristo amou, e a Si mesmo Ele se entregou. Primeiro verbo. Depois nós vamos examinar os outros. Ele não só entregou. Ele fez mais coisas. Ele a santificou, a purificou, e Ele vai apresentá-la para Si mesmo, perfeita.


Irmãos, esse capítulo de Efésios, você vai lendo, orando, meditando e você fica sem ar. Você sobe em alturas muito elevadas do que o Espírito Santo quis dizer através de Paulo. Você se sente ali, verdadeiramente privilegiado, porque você faz parte desse povo. Não porque você escolheu, mas porque Ele te escolheu, porque Ele se entregou, porque Ele te santificou, porque você ouviu a sua voz, a voz do Pastor e você passou a segui-lo. Porque ainda hoje você tem aprendido a discernir a sua voz da voz dos estranhos, porque afinal de contas, a voz Dele é a voz do noivo, e noivo só tem um, como diz o livro de Cantares. Uma voz doce, uma voz aprazível, uma voz distinguível entre dez mil, como diz o livro de Cantares. Então seria bobagem nós ficarmos chovendo encima dessa metárora da noiva, noiva, noiva, sem vermos que em primeiro lugar essa metáfora fala de amor. Se família fala do que nós falamos compartilhar de natureza, se corpo fala dessa unidade orgânica, noiva fala de amor. É a primeira verdade relacionada a essa metáfora. Irmão, você foi chamado para vivenciar o amor do Senhor. Ele não fez, quero repetir para você, não fez nenhum tipo de coação por você, Ele não fez nenhum tipo de tratado com você, Ele não fez nenhum tipo de jogo dizendo: Venha, arrume isso na sua vida primeiro, dá conta daquilo primeiro, conserta primeiro esse ou aquele assunto, e depois venha a mim. Os sãos não precisam de médico e sim os doentes. Eu não vim chamar justos ao arrependimento, mas sim pecadores, foi o que o Senhor falou em Lucas. Esse é o nosso Senhor. Ele amou a igreja e a Si mesmo se entregou. Você não vai conseguir segurança em outro lugar a não ser nesse amor e você não vai conseguir alegria em outro lugar a não ser nesse amor. Eu já disse algumas vezes aqui, e eu posso profetizar de olhos abertos. Tudo na sua vida vai acabar, menos Cristo. Saúde vai acabar, os relacionamentos vão acabar, tudo passa, mas Cristo permanecerá relacionando-se com aquela alma pela qual Ele se entregou eternamente no seu leito de dor, de morte, de aflição, de doença, seja o que for, você vai conhecer aquele que te guia pela sombra do vale da sombra da morte: Tu estás comigo. Comigo. Então irmão, em primeiro lugar, nós precisamos capturar dentro dessa metáfora da noiva, o relacionamento de amor. Cristo te amou, Cristo te chamou e agora você pertence a Ele baseado no que Ele fez. Você não tem outra alternativa. Ou você rende o seu coração a esse amor, ou você estará tentando negociar este amor por toda a sua vida de uma forma ou de outra. Só há duas alternativas: ou você se prostra diante Dele e adora diariamente porque Ele amou, porque Ele fez, porque Ele ganhou e ganha mais Senhor! Senhor, eu quero experimentar mais do seu amor, Senhor me limpa pelo teu amor!
Romeu Bornelli.
A DEUS toda a Glória!

O PECADO ANTE DO PECADO

Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. Ezequiel 28:15.


Tudo o que Deus criou era perfeito. Elohim é o nome do Criador que jamais será uma criatura. Este nome é o plural da Divindade. A Bíblia aponta para um Deus triúno ou o ser coletivo do Divino. Deus é único, mas não é solitário, além de ser eternamente solidário. A Trindade é o plural das vontades e o testemunho de uma unidade governamental. Há um só Deus manifesto em três pessoas vivendo um só propósito. O Deus trino, se bem que triúno, nunca foi criado. Se ele fosse criado não seria Criador e sim criatura. A causa que tem causa nunca será uma causa não causada. Ora, se não houver a causa que cause tudo sem que tenha uma causa que lhe tenha causado, então não haverá o Criador, pois tudo será criatura, já que toda causa tem a sua causa. Elohim é a causa sem causa e o Criador de tudo. Sendo ele perfeito como Criador só poderia criar uma criatura perfeita, como criatura. Mas a criatura perfeita, dotada de vontade própria, poderia querer ser como o Criador. Ela nunca poderá ser o Criador, pois ela é de fato uma criatura, embora possa desejar ser como o Criador.

O Criador será sempre o Criador, uma vez que, por necessidade ontológica, isto é, do ser enquanto ser, neste caso, o ser Criador não poderá ter causa, e ainda, por imperativo lógico, é uma causa sem causa causando todas as causas, pois se tivesse alguma causa seria uma criatura causada e não o Criador causador.

Por outro lado, a criatura sempre será criatura, já que é uma causa causada e não a causa causadora. Contudo, a criatura em sua presunção conta com a chance de se apresentar na pretensão de equivalência ao Criador. Mesmo sendo uma criatura, ela tem a faculdade de ambicionar ser como o Criador.

Antes da concepção do átomo houve a criação sem retoque do mundo imaterial. A realidade espiritual precede a realidade física. Os seres angélicos foram criados primeiro do que a matéria. Deus evidenciou uma ordem de tronos antes de criar a ordem dos elétrons, prótons e nêutrons. A existência incorpórea vem antes da mecânica quântica.

Na hierarquia da organização espiritual foi criado um Querubim guardião dos arranjos celestiais, um ente luminoso cheio de sabedoria e formosura. Entretanto, este ser denominado de Lúcifer, movido por sua ambição pessoal e não satisfeito em ser criatura, tenta escalar o trono do Criador e assentar-se como Deus. Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Isaías 14:13-14. Sua idéia é subir, ascender, exaltar-se.

Este personagem angélico lindo e pleno de predicados foi criado perfeito como criatura, mas ele não era o Criador. Como já vimos e por exigência ôntica, isto é, do ser em si mesmo, só o Criador não tem causa. Mas Lúcifer não aceita a sua condição de criatura e quer ser o Criador.

Além do que este assunto é também difícil de entender. Como um ser perfeito, vivendo num ambiente perfeito em companhia de seres perfeitos poderia ficar insatisfeito em ser o que era? Parece que o problema encontra-se na vontade. Ele ficou inconformado por ser uma criatura e quis ser o Criador. Ele foi criado como um Querubim de alto nível, mas quer ser o Criador Supremo e a causa de todas as causas.

Uma criatura perfeita querendo ser a perfeição do Criador triúno faz aparecer em si mesma a iniqüidade, ou seja, o inconformismo de ser o que é querendo ser o que nunca será de fato, a ponto de se insurgir e comandar uma rebelião que arrastou um terço dos anjos. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais ele lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse. Apocalipse 12:4.

Antes de haver o ato de rebeldia, Lúcifer fez nascer e cultivou uma atitude arrogante de insatisfação ingênita, isto é, gerada por ele próprio e em si mesmo, que desencadeou a obstinação hostil de uma criatura inconformada e incontida. Esta pose atrevida pode ser designada como o princípio da iniqüidade e a madre enrustida do pecado. Antes do seu ato de oposição houve um anseio de auto-coroação e independência do Criador.

A Bíblia é categórica quando afirma que o pecado surgiu em razão de uma tentação e que esta nasce dos desejos incontroláveis do ser tentado: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 1:13-15.

Ora, se Deus não pode tentar a ninguém e por isso não poderá ser um tentador, e se não havia ninguém para tentar naquela ocasião, logo a tentação deste Querubim foi auto-induzida pela sua condição de criatura volitiva que desejava ser o Criador. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. Ezequiel 28:16.

Não aceitando ser quem era como criatura, Lúcifer se propõe a ser quem por essência nunca poderá ser. Essa sua inclinação soberba o transformou em Satanás, a raiz da tentação e o tentador por natureza. A iniqüidade financiou a corretagem do negócio e a selvageria interna desencadeou a transgressão. O pecado é um ato de atrevimento pirracento proveniente de uma atitude de inconformidade arrogante.

A inveja da criatura que deseja ser o Criador acabou por convertê-la num ser maligno e astuto. Lúcifer era muito inteligente, mas pouco sábio. A inveja é a negação da providência divina e a afirmação da calamidade. A. W. Tozer dizia: "na Bíblia, há referências aos ardis e à astúcia de Satanás. Mas, quando ele arriscou-se a destronar o Todo-Poderoso, tornou-se culpado de um ato de juízo tão terrível quanto imbecil". A loucura pela grandeza e a inveja por não ser o único são as causas da queda luciferiana.

Só Deus é o único, mas a sua singularidade não é uma só pessoa. A grandeza e beleza da Trindade é a sua unidade na pluralidade. Ter uma única vontade numa coletividade é muito maior do que ser singular sob o perfil da individualidade.

A essência do pecado é a exaltação do invejoso. Assim, nos termos de Deus, o desejo de ser independente de Deus é a matéria prima do pecado. Aquele que ambiciona o trono da Divindade cai do mais alto pedestal que alguém poderia subir. A inveja do invejoso é o veneno que o intoxica lentamente até à sua ruína. A altura, a grandeza e a glória são as plataformas mais perigosas para o desfile de uma criatura ambiciosa. Nenhum dos seres criados conseguiu passar por estas vias sem o risco do orgulho particular e o tombo vertiginoso do pecado. Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus escolheu para sua habitação? O SENHOR habitará nele para sempre. Salmos 68:16.

A inveja do anjo iluminado causou um desarranjo na ordem angelical e uma hecatombe cósmica. O plano da vida invisível agora estava poluído pelos desejos arrogantes de comparação, competição, complicação, condenação e conspiração. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor. Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários. Ezequiel 28:17a, 18a.

A atitude de insatisfação promoveu o ato de inobediência que vazou numa anarquia egoísta e universalmente interesseira. A oposição torna-se um fato na criatura volitiva. Se não sou o Criador, agora eu tenho o direito de não me conformar em não sê-lo, pois há um selo de rebelião instaurada no Cosmo. O Criador não criou a rebelião do pecado, mas criou um ser que não sendo o Criador quis ser igual a ele sem poder ser, já que era uma criatura. E querendo ser o Criador sem poder ser a causa não causada, acabou sendo a causa maligna de todas as causas que causam o mal no seio das outras criaturas que podem querer ser algo que não são.

Foi assim que o pecado entrou na raça humana. Deus criou Adão como homem e lhe deu uma vontade capaz de decidir. Uma criatura só será livre e responsável se puder deliberar aceitando sua condição de criatura, ou não se conformando com esta categoria.

Toda decisão exige alternativa. Se não houver opção não haverá liberdade e se não houver deliberação não existirá inocente nem culpado. Se não tenho escolha não tenho livre-arbítrio. Se me falta a capacidade de arbítrio, falta-me a competência para escolher e se estiver ausente a possibilidade de optar, então não serei livre nem responsável.

O Criador deu a Adão a condição de ser homem e a liberdade de aceitar esta característica humana ou não se afeiçoar à sua humanidade. Com estas qualidades, o Criador apresentou o cardápio para estabelecer a preferência. E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:16-17.

Diante da alternativa a decisão pode ser tomada. A diferença entre o pecado de Lúcifer e o pecado de Adão é que o primeiro foi sem tentação externa, mas inerente ao próprio ser inconformado com o que era, enquanto o segundo foi consumado pela tentação do tentador que despertou no gênero humano o desejo de ser como Deus. Assim o pecado de Lúcifer é uma aversão ínsita e endógena, isto é, incitada e gerada pelo ser da própria criatura, mas o de Adão foi por sedução exterior. Todavia os resultados são sempre os mesmos, morte ou separação de Deus. O diferencial neste caso é que para a raça humana há recurso através da encarnação do Verbo divino. O Deus-Homem pode desfazer na cruz o que Satanás incorporado na serpente fez no Jardim. O pecado no plano espiritual não tem acordo. O inferno foi preparado para o Diabo e os seus anjos. O pecado no terreno da carne tem o seu Cordeiro expiatório. No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! João 1:29.

O pecado antes do pecado é a inveja, o orgulho e a arrogância de ser o que não é, e, ao mesmo tempo, agir por conta própria como se fosse Deus. O pecado depois do pecado é a tentação teomaníaca que nos leva a presunção da independência de Deus, tentando-nos como se fôssemos deuses. O pecado anterior não tem Salvador nem salvação. O pecado posterior tem a manifestação do Deus que se fez Homem para libertar o homem que aposta ser como deus, assumindo o controle de sua existência. Graças ao Pai pela encarnação do Filho e pela revelação do Espírito Santo na vida dos seus filhos, que foram salvos da condenação do pecado, estão sendo salvos do poder do pecado e serão salvos da presença do pecado. Aleluia.
Pr Glenio Fonseca Paranagua / 30/10/2008
A DEUS toda a Glória.