terça-feira, 7 de outubro de 2008

DUAS CRISES NECESSARIAS.

Por: Tomaz Germanovix 21/09/2008
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. 1 Pedro 1:3 e Tiago 1:21.

A obra da cruz é o marco central da redenção do homem. Através dela, Deus proporcionou plena e suficiente salvação ao pecador. Além disso, por meio desta tão gloriosa obra do Calvário ficou assegurado que, o eterno propósito de Deus estabelecido antes da fundação do mundo, teria o seu pleno cumprimento. Esta verdade está revelada em Efésios 1:9-10: Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra.

É da vontade de Deus que Cristo encabece, de modo absoluto, este universo. Isto é uma realidade gloriosa, e que em nada nos surpreende, pois Ele é o Senhor dos senhores e Rei dos reis. O livro de Romanos 11:36 testifica esta verdade: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

Porém, as Escrituras revelam algo totalmente admirável, pois foi do agrado de Cristo, em sua infinita e incompreensível graça, manifestar através da Igreja, por todo este universo, a multiforme sabedoria de Deus. Constatamos este fato lendo Efésios 1:22-23 e 3:10-11: E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. Para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Voltemos novamente a nossa atenção à cruz, pois ela está diretamente atada à realização deste plano eterno. Há duas crises fundamentais pelas quais cada um de nós precisa passar. Ambas as crises, envolve uma experiência com a cruz de Cristo. A Primeira delas é única e jamais se repetirá - a crise do novo nascimento. A segunda implica num processo, numa caminhada - a crise do “tomar a sua cruz”.

O novo nascimento é uma necessidade imperiosa para todos os homens. Todos nós nascemos neste mundo portadores de uma natureza perversa, independentemente se somos pessoas morais, religiosas, pervertidas ou atéias. À luz da palavra de Deus, a morte espiritual é uma realidade que atinge toda a humanidade. O livro de Efésios 4:18a aponta: Obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus.

Por causa do pecado, o nosso espírito encontra-se morto, separado de Deus, daí a necessidade urgente de sermos vivificados. Como é preciosa a Escritura sagrada quando afirma: Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. Efésios 2:1. Nascemos do alto quando, em nosso espírito é dispensada a própria vida de Cristo, pois Ele morreu e ressuscitou para ser a nossa vida.

A obra de Cristo é totalmente perfeita, pois envolve a nossa identificação com Ele em sua morte e ressurreição, como nos destaca Romanos 6:5: Porque, se fomos unidos com Ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição.

Um importante ponto desta primeira crise é destacado pelo apóstolo Paulo em Efésios 2:8: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Ninguém precisa fazer absolutamente nada para alcançar a regeneração, ela é gratuita. Cabe ao homem recebê-la graciosamente pela fé.

Por fim, nascer do alto é gozar da certeza da vida eterna. Nascer de cima significa que o Espírito Santo habita em nosso espírito. Somente o regenerado pode dizer: Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

A nossa atenção se volta agora para a segunda crise: “tomar a sua cruz”. Uma vez vivificados em nosso espírito pelo novo nascimento, precisamos agora tratar do caminhar do regenerado, do seu andar como discípulo. O texto a seguir está relacionado com este fato: Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23. Jesus convida a todos os que ganharam vida no espírito a serem seus seguidores.

Segundo o livro de 1 Tessalonicenses 5:23, o homem é um ser tripartite: O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Sem esta revelação bíblica, teremos grandes dificuldades para compreender a obra da cruz em nossas vidas.

Sendo o homem um ser tripartido, a salvação precisa atender estes três aspectos. A regeneração, que compreende a vivificação de nosso espírito. Ela acontece quando nos rendemos incondicionalmente ao que Cristo já fez no Calvário. No momento em que cremos na suficiente obra de Cristo, ganhamos vida em nosso espírito. No que concerne à redenção do corpo físico, somos ensinados que o mesmo será transformado, como nos mostra Filipenses 3:21a: O qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória.

Contudo, quando a Bíblia trata do assunto - salvação de nossa alma, ela fala de um processo. No espírito, somos salvos instantaneamente, porém, isto não ocorre com a nossa alma. Neste caso, a salvação é um “tomar a sua cruz”, e isto diariamente. Vejamos o que o Senhor Jesus disse: É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma. Lucas 21:19. Obviamente, Ele não está falando de regeneração, pois o novo nascimento é obtido pela graça, através da fé e não por perseverança.

A alma é a sede de nossa vontade, mente e emoções. Devemos saber que a expressão total da natureza humana está na alma. Originalmente, o primeiro homem, Adão, foi criado alma vivente, com um espírito interior para ter comunhão com Deus, e um corpo físico para ter contato com o mundo material. Watchman Nee nos ajuda neste assunto: Adão tornou-se uma personalidade, uma entidade viva no mundo, movendo-se por si mesmo e tendo poderes de livre escolha. Assim, visto como um todo, ele era um ser com consciência e expressão próprias, uma alma vivente.

Além de uma raça que participaria de um mesmo sangue, Deus desejava que os homens compartilhassem de Sua própria vida. Isto significa que Deus, ao criar o homem, buscava ter uma família que expressasse a Sua vida. O livro Gênesis 2:9 revela que esta vida divina estava representada no Éden pela árvore da vida. Adão tinha toda a liberdade para comer do fruto da árvore da vida e, agindo assim, estaria “ingerindo” a vida de Deus em seu interior. O resultado seria glorioso, pois o homem seria inundado da presença divina em todo seu ser.

Mas o que aconteceu? Adão que tinha liberdade de escolha poderia, como o fez, seguir em direção contrária à vontade Deus. Infelizmente, a trágica decisão do primeiro homem trouxe um dano terrível, não só a ele mesmo, mas também a toda a raça a qual encabeçava. Ao ingerir do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, sobre a qual havia uma proibição divina, segundo Gênesis 2:17, o homem escolheu ser “livre”, ou seja, independente de Deus. Esta atitude de rebelião provocou a morte espiritual em Adão, consequentemente em toda a raça humana.

Separado de Deus, o homem passou a viver de sua própria alma - vontade, mente e emoções. Outrora, Adão recebia em seu espírito toda a orientação de Deus, e assim, executava através de sua alma, todo propósito divino. As faculdades da alma agiam, originalmente, como servas do espírito. Podemos afirmar que o espírito era a fonte animadora da alma.

No entanto, devido à rebelião, a morte entrou no espírito do homem. A partir de então, Adão ficou separado de Deus. Doravante, o homem viveria a partir de sua própria alma. De que modo? Uma vez que Adão morreu para Deus, sua alma se tornou a fonte originadora de seu viver.

Depois do pecado, Adão não somente expressaria uma vontade, mas passaria a decidir por si mesmo. A sua mente, que deveria manifestar os pensamentos de seu espírito, agora produziria o seu próprio modo de pensar. Suas emoções que deveriam expressar os desejos do alto, agora seriam manifestações do próprio homem. Em outras palavras, o homem passou a viver independente de Deus; passou a viver de sua própria alma.

Da queda até os nossos dias, o homem tem sido guiado por si mesmo. Um olhar à nossa volta e podemos testificar este fato: guerras, mortes, corrupção, egoísmo, orgulho, separações, mentiras, busca de poder, maldade, engano, arrogância, ingratidão, crueldade, desequilíbrios emocionais, traições... . Este é o resultado do homem dirigindo a si mesmo. Que mecanismos humanos poderiam ser usados para libertar o homem de tamanha corrupção? É um absurdo pensarmos que, um homem de mente caída e morto para Deus, tenha solução para um outro homem caído!

Por isso a primeira crise, o novo nascimento, se torna fundamental para a vivificação do nosso espírito. Segundo as Escrituras, Deus começa a sua obra em nosso espírito. E, em seguida, começa a tratar com a nossa alma. Esta é a segunda crise.

Por sermos centrados em nós mesmos, nos tornamos escravos dos caprichos do nosso ego. Acrescente o fato de que, ao longo de nossa vida muitas marcas foram impressas em nossa alma. Nascemos neste mundo escravos de nossa própria vontade, mente e emoções. A nossa alma se tornou uma verdadeira zona de conflitos. Por isso, é muito comum encontrarmos pessoas enfermas em suas almas.

Uma vez que fomos vivificados no espírito, agora podemos ser tratados em nossa alma. Deus não quer aniquilá-la, Ele quer libertá-la de sua própria escravidão, deseja cativá-la, conquistá-la para Ele mesmo. O Senhor quer que expressemos a sua vontade, não a nossa, que é egoísta. Ele deseja que a nossa mente seja a expressão da mente de seu Filho, não da nossa, que é corrompida. O Altíssimo não quer que sejamos governados por nossas desajustadas emoções, Ele anseia que sejamos canais de seus saudáveis sentimentos.

Como dissemos, esta segunda crise implica num processo. Este caminhar está relacionado com o “tomar a sua cruz”. Diariamente precisamos ser quebrantados em nossa alma. Sendo filhos de Deus, tenhamos a certeza de que Ele arranjará as devidas circunstâncias para tratar com o nosso terrível ego.

Consideremos Romanos 8:29a: Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho. O propósito maior de Deus é ver o seu amado Filho formado em cada um dos regenerados. O que Deus está buscando ver na alma dos novos nascidos? A doçura de seu Filho, a cordialidade de Cristo, a mansidão do Cordeiro, os pensamentos divinos, o equilíbrio celestial..., ou seja, Ele busca ver o seu próprio Filho nos regenerados. Que o Senhor continue a quebrantar as nossas almas!
A DEUS TODA A GLÓRIA!

O MODELO DO ESVAZIAMENTO DA VONTADE.

Por: Glenio Fonseca Paranaguá
05/10/2008

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2:5-8.

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. João 1:1-2. Cristo, o eterno Logos, o Verbo que estava com Deus, é absolutamente Deus. Ele estava com Deus, mas é o Filho eterno do Pai e eternamente Deus, por isso não teve princípio e não terá fim. Ele é gerado eternamente Filho, uma vez que na eternidade não há nem passado nem futuro. O presente eterno é o eterno presente da Trindade eterna.

A linguagem do apóstolo aqui é temporal. João fala da eternidade com uma visão dimensional e cronológica. A mente humana não consegue pensar sem as categorias de espaço e tempo, logo todos os idiomas têm idiotismos para tentar esclarecer a magnitude do infinito, sem, contudo poder defini-lo de fato. Se alguém pudesse definir o infinito, ele já não seria mais infinito.

Deus é infinito e incognoscível para a razão humana, pela simples razão de que a razão não consegue explicar a infinitude da divindade. Mas Deus é cognoscível, isto é, pode ser conhecido pessoalmente através da revelação que ele dá de si mesmo ao espírito do ser humano. A estatura enigmática da divindade que se torna mais compatível com a compreensão humana é a grandeza da encarnação de Cristo. Mesmo sem condições de elucidar o mistério da pessoa teantrópica de Cristo, Deus no calibre de um homem, esse é o tamanho adequado para se conhecer a Deus. "Se você quiser saber o que Deus tem a lhe dizer, observe o que Cristo foi e é: tão inteiramente Deus como se não fosse homem, tão inteiramente homem como se Deus não fosse".

Cristo é totalmente Deus, Jesus é homem por inteiro. Cristo Jesus é o Deus-Homem que veio revelar a grandiosidade divina no seio da humanidade corrompida pela teomania. Cristo teve que se esvaziar da plenitude da glória, sem perder nada da sua natureza. Eu, o Senhor, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o Senhor, o disse. Ezequiel 34:24.

O pecado tem como base de lançamento a proposta de fazer do ser humano um deus. Adão e Eva foram feitos à imagem e semelhança de Deus, todavia a serpente inoculou seu veneno, dando a entender que eles poderiam ser iguais a Deus. Assim, a queda foi muito grande. A criatura despencou-se quando escalava o trono da divindade. "O pecado é a declaração de independência de Deus feita pelo homem". Nos termos bíblicos, a pretensão de ser Deus é a fonte do pecado.

O pecador é um infrator pervertido pelo pecado de autonomia, praticando os pecados de rebeldia. O pecado no singular é o que somos e os pecados no plural é o que fazemos. O que somos determina o que fazemos. Se formos independentes de Deus, agiremos por conta própria, infringindo as ordens de Deus. Mas se formos dependentes do Pai, seremos submissos à sua vontade.

Cristo Jesus veio a terra para salvar e libertar o ser humano do seu pecado de insubmissão. "O pecado é a raiz e os pecados são os frutos". A questão do pecado é a emancipação da criatura do Criador e a arrogância em viver a sua vida indócil à vontade de Deus. Porém, o assunto da salvação é o contrário da presunção antropolátrica: Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. João 6:38.

Como Salvador dos pecadores, Cristo não se agarrou à sua condição gloriosa de Deus. Sendo Deus, ele se despejou num vaso de barro, a fim de viver a vida de servo obediente. O pecado propõe tornar o homem em Deus. A salvação reduz Deus à condição de homem e homem totalmente submisso à vontade do seu Pai. O Senhor se revela como um servo subordinado. Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. João 5:30.

Adão foi uma criatura que desejava ser o Criador e sua raça ficou infectada pelo vírus titular, agente do inchaço. Cristo é o Criador se constituindo em criatura, para viver em dependência total da vontade do Pai. Para ele havia um só prato no seu cardápio: Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. João 4:34.

"O pecado é o antepassado, os pecados são os descendentes". Adão é a causa da altivez e a matriz de uma existência ensimesmada. Ele é o caudilho da tropa humanista e cabeça dos autônomos. Mas Cristo Jesus é o esvaziamento da divindade e a exaltação da humanidade ao mesmo tempo, e os filhos de Aba têm o mesmo desprendimento daquele que é a vanguarda da humildade.

O que governava a andança do Cristo encarnado na terra era o prazer da obediência a Deus. Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Salmos 40:7-8. A vontade contente do Filho submisso é fazer a contento a vontade do seu Pai soberano. A vida cristã é uma peregrinação dentro do perímetro da vontade de Deus, por aqueles que foram conquistados pelo Espírito Santo, para fazerem de boa vontade a vontade do Pai celestial. Ora, se o pecado é a autonomia da criatura em relação ao Criador, a salvação, necessariamente, será a dependência total da nova criatura à vontade divina. Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano. Salmos 143:10.

Cristo é a incorporação da vontade do Pai e o canal de propagação desta vontade na vida dos filhos legítimos de Aba. Ninguém poderá fazer a vontade de Deus, sem antes ser convencido pelo Espírito Santo do seu autonomismo. Se o pecado for autocracia, a salvação consistirá na vinculação total do pecador autônomo e respectivamente teomaníaco à pessoa de Cristo. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; João 16:8-9. Crer é mais do que acreditar. Crer é confiar e depender somente de Cristo.

Nós somos dotados de instintos, desejos e vontade. Nossos instintos são animais, nossos desejos psicogênicos e a vontade é de caráter espiritual. Em razão do pecado todos estes itens estão poluídos pelo exclusivismo. Mas quando o Espírito Santo convence a nossa vontade e, pela graça, nos rendemos à vontade de Deus, então uma nova vontade assume o controle da antiga vontade e passamos a orar deste modo: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; Mateus 6:9-10.

Ruth Paxson afirmava: "desejar fazer a vontade de Deus é o maior privilégio do homem e sua mais divina prerrogativa. Viver inteiramente dentro da vontade de Deus é ter justiça, paz e harmonia reinando em todo lugar". Contudo, só uma pessoa quebrantada e desprendida de sua vontade pode ter vontade de fazer a vontade de Deus de boa vontade.
"A vontade é a força fundamental, a base da personalidade". Quando a nossa vontade é convencida pelo Espírito Santo e vencida pela pessoa e obra de Cristo, o nosso ego é conquistado. A vontade é o fator decisivo em tudo o que fazemos. Toda iniqüidade deve-se à disposição da vontade rebelde à vontade de Deus, e toda santidade à vontade conquistada pela vontade de Deus, pois, o que Deus espera ver é a nossa vontade segundo a sua vontade.

O esvaziamento da alma é a desocupação eletiva da própria vontade, enquanto a plenitude da vida espiritual é a apropriação da vontade de Deus, acima de tudo. Quando a nossa vontade egoísta é recrutada pela vontade de Deus e, voluntariamente, almejamos fazer a vontade divina de todo o nosso coração, então entramos no lugar sagrado da maior relevância espiritual. Como ensinava o cardeal François Fenelon, "faça desta regra simples o guia de sua vida: não ter vontades, a não ser a vontade de Deus", pois ela é a única capaz de nos manter realmente satisfeitos.

Cristo é o modelo da plena satisfação à vontade do Pai. Sua vontade pessoal foi posta no curso da vontade do seu Pai de tal modo, que era impossível desejar algo fora desta vontade suprema. No momento crucial da sua agonia, orou: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. Mateus 26:42. Foi William Temple quem disse: "a satisfação com a vontade divina é o melhor remédio que podemos aplicar aos infortúnios".

Para seguir a Cristo precisamos, antes de tudo, desistir de comandar a nossa história e estar sujeito à revelação da vontade de Deus. A fé cristã não é uma turnê movimentada por decisões pessoais. Ainda que tenhamos disposições e deliberações particulares, nossos anseios foram depositados aos cuidados da soberania divina. "A vontade de Deus não é um itinerário, mas sim uma postura em todo o trajeto". Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo. João 7:17.

O esvaziamento pronto, franco e sem reservas da minha vontade ambiciosa, calculista, mas fraca como a minha carne, e "uma perfeita conformidade com a vontade de Deus é a única liberdade soberana e completa" que posso experimentar na minha jornada de peregrino. A fórmula, segundo Jesus, é simples, mas é radical: Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

O querer do verdadeiro discípulo de Cristo implica na renúncia definitiva e irrevogável de si mesmo, na operação diuturna da cruz em seu ser e na disposição de acompanhar a marcha do Senhor sob a consciência, o controle e o comando da vontade soberana da Trindade divina. M. Guyon dizia: "há pessoas que querem dirigir a Deus, ao invés de resignarem-se com a direção divina. Insistem em indicar ao Todo-Poderoso o caminho a seguir, sem se deixarem conduzir por ele". Mas a vida cristã é sumariada nestas palavras: "não eu, mas Cristo".

"Minha vontade seja feita, e não a tua" – foi o que transformou o Jardim do Éden em deserto. "Tua vontade seja feita, e não a minha" – foi o que fez do deserto o Jardim das Oliveiras e do Getsêmani a sublime portaria da glória de Deus. Seja feita a tua vontade, Senhor, visto que esta é a minha única vontade. Amém
A DEUS TODA A GLÓRIA!