sábado, 20 de setembro de 2008

FÉ NÃO FINGIDA.

---A expressão "fé não fingida" aparece duas vezes nas epístolas do Paulo a Timóteo. A primeira está se referindo a Paulo, a segunda a Timóteo e a sua família. A expressão pode se entender como "fé genuína" em contraste com a fé "aparente".
---Como podemos diferenciar a fé genuína da fé fingida? A fé fingida:
---a) Se evidencia na maneira de relacionarmos com Deus. Ainda vemos a Deus longínquo, temos temor dele, não podemos lhe dizer "Pai". Podemos crer nele, e até defender sua existência nas discussões com os ateus ou agnósticos; mas não podemos dizer que somos "filhos" de Deus, e que ele é nosso "Pai". Um crente genuíno recebeu o Espírito Santo para a filiação, e por meio dele clama "Abba, Pai". Goza do fato de ser um filho de Deus, e pode reconhecer o Espírito dentro dele, lhe guiando, lhe consolando, lhe ensinando.
---b) Desconhece a Jesus Cristo. Fala de Deus, mas não de Jesus Cristo. Muitos falam de Deus, no sentido geral, mas não de Jesus Cristo como o Deus encarnado. O Senhor disse: "Ninguém vem ao Pai senão por mim", "Eu sou o caminho". Muitos crêem em Deus, oram a Deus (a "Deusinho"), mas não conhecem a relação com Jesus Cristo. Um crente genuíno sabe que por meio de Jesus Cristo tem conhecido a Deus. Valora sua morte na cruz, e seu sangue derramado para o perdão de seus pecados.
---c) Baseia-se na herança, não na conversão. É uma herança cultural, é a religião dos pais, não uma experiência individual. Agora, a fé genuína não está alheia aos antepassados, à família, mas procede de uma experiência pessoal, individual. A fé genuína não é herdada biologicamente, porém, pode-se dar testemunho dela por meio da pregação e do exemplo dos mais velhos. A fé não fingida de Eunice, Lóide e Paulo teve muito a ver na fé não fingida de Timóteo.
---d) É mental, não espiritual. Se for mental está no plano da alma, cambaleante, insegura; só se for espiritual tem a firmeza do céu.
---e) É propenso às disputas doutrinais e ao palavrório (1ª Tim. 1:3-7). A fé fingida é tão fraca que precisa reafirmar-se diante de si mesma. E então luta e discute, normalmente a respeito de questões externas, da lei, dos mandamentos, das doutrinas. Um crente genuíno não precisa demonstrar nada para crer, porque sua fé lhe foi dada do alto e está além das opiniões humanas.
---f) Não produz nenhuma mudança real na maneira de viver. A fé fingida faz promessas, projetos, mas nenhuma mudança de vida real. Como não há novo nascimento, trata-se do mesmo homem velho que cuida em emendar-se. O crente genuíno, em troca, pode comprovar em si mesmo uma nova maneira de ver a vida, de ver o mundo. Dá-se conta que o mundo está caminhando no sentido equivocado, ele sabe que não pertence ao mundo.
---Qual dessas duas é a fé que você tem? Se tiver uma fé fingida, não serve nem servirá para nada no futuro. É como um fundamento de areia movediça. Agora é o tempo de pedir a Deus e assegurar-se de ter uma fé genuína.


Há DEUS toda a Glória.

UMA CASA PARA DEUS (2°PARTE)

Gino Iafrancesco
Publicação: 08/07/2008
A obra do tabernáculo no deserto como alegoria da edificação da Igreja.
As tábuas

E "farás para o tabernáculo tábuas de madeira de acácia, que estejam retas" (Ex 26:15). Isto é bem complicado, pois as acácias são bem tortas - como nós. Mas o Senhor toma torto, e o endireita. Graças a Deus que ele não esperou que fôssemos retos - nos tomou tortos como somos, mas ele nos endireita.

"O comprimento de cada tábua será de dez côvados, e de um côvado e meio a largura". Aqui torna a aparecer o número 10, que fala da universalidade. Cada tábua tem dez côvados de comprimento, e um côvado e meio de largura. Todas as tábuas são iguais. Deus não faz acepção de pessoas. Não importa a raça, a classe social, a nacionalidade, a cultura. Isso não conta para ele. O que o Senhor valoriza é que pertençam a ele. Deus quis ter toda classe de seres humanos. Para ele, cada homem tem o mesmo valor.

Mas agora aparece um problema. Diz: “... e de um côvado e meio a largura". Vemos que a largura não é uma medida completa. O número ´um e meio´ é um número imperfeito. O número de Deus é 3, um número completo, perfeito. Mas ´um e meio´ quer dizer que não está completo, que essa tábua tem que estar com outra tábua. Juntos, temos três.

Essas tábuas nos falam dos crentes. Os crentes são membros de um corpo; não podemos ser completos em nós mesmos; necessitamos dos nossos irmãos. Por isso, o Senhor Jesus disse: “... onde estão dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18:20).

Há promessas que foram dadas à igreja. Por exemplo, o Senhor Jesus disse: “... as portas do Hades não prevalecerão contra ela" (Mt 16:18), contra a igreja. Se eu, como indivíduo, segundo o meu pensamento e parecer, pretendo me abrigar debaixo dessa promessa, ela não é para mim. As promessas dadas às pessoas, são para as pessoas; mas as promessas apresentadas à igreja, somente como igreja podemos obtê-las.

Então, a promessa de que as portas do Hades não prevalecerão, é uma promessa feita à igreja, como igreja. Temos que ter consciência de igreja, quer dizer, que não é você sozinho, nem eu sozinho, nem a soma de dois sozinhos, mas sim Cristo entre os dois. “... se dois de vós concordarem na terra a respeito de qualquer coisa que pedirem, ser-lhes-á feito" (Mt 18:19). Temos que nos pôr de acordo, e esse acordo é o próprio Senhor Jesus, porque ele é a nossa paz. Por isso as tábuas não têm a largura suficiente em si mesma; têm uma meia medida, nos mostrando que temos que estar em comunhão com o outro, para fazer a medida completa.

Deus quer que estejamos em comunhão. Por isso, Eclesiastes 4 nos fala que "o cordão de três dobras não se rompe logo" (V. 12) e que "Melhor são dois do que um; porque têm melhor paga do seu trabalho" (V. 9).

O irmão Watchman Nee nos recordava este principio naquela passagem onde diz que um perseguirá mil, e dois perseguirão a dez mil. Se eu, por meu lado, persigo mil, e ele, por seu lado, persegue mil, nos escapam oito mil. Mas se juntos perseguimos o inimigo, vencemos a dez mil! Não é um mais um. Não, aqui não é uma questão de somar.

O irmão Nee também dava um exemplo: Se você tiver um copo, e esse copo se quebra em pedaços, e em cada pedacinho você coloca a máxima quantidade de água possível, ao juntar todos os pedacinhos, essa quantidade de água será pouca. Mas se todos eles formam um só copo, o copo pode conter mais água. Por isso, um perseguirá mil, mas dois não só a dois mil, mas sim a dez mil. "Porque onde estão dois ou três congregados em meu nome, ali estou eu...", diz o Senhor. Esse é o princípio da igreja.

Verso 17: "Duas espigas terá cada tábua, para as unir uma com a outra; assim farás todas as tábuas do tabernáculo". Deus quer que as tábuas estejam unidas uma com a outra. Esses encaixes nos falam de como são unidas uma tábua com a outra. Cada tábua está sobre bases de prata, e se une mediante uma espiga, um entalhe, com a tábua que está a sua direita e com outra espiga que está a sua esquerda. As tábuas estão unidas uma com a outra. Somos uma mesma coisa - somos o seu Corpo.

Continuemos lendo. Diz o verso 18: "Farás, pois, as tábuas do tabernáculo...". Teria que prepará-las; eram acácias. João Batista disse: "O machado já está posto sobre a raiz das árvores; portanto, toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo" (Lc 3:9). Ou seja, que essas árvores representam os seres humanos, bem tortos, como as acácias. Mas diz: "Farás, pois, as tábuas para o tabernáculo...". Ou seja, evangelizarás às pessoas, as discipularás e, dessas acácias tortas, farás tábuas para o tabernáculo.

E agora, diz o seguinte: “... vinte tábuas para o lado meridional, ao sul. E farás quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas; duas bases debaixo de uma tábua para as suas duas espigas, e duas bases debaixo de outra tábua para as suas duas espigas. E do outro lado do tabernáculo, do lado do norte, vinte tábuas, e as suas quarenta bases de prata; duas bases debaixo de uma tábua, e duas bases debaixo da outra tábua". Já são quarenta tábuas e oitenta bases.

A prata, na Bíblia, representa a redenção. O siclo do resgate, a moeda do templo, era de prata. Cada um devia pagar um siclo de prata por seu resgate. Quer dizer que a redenção é o preço que o Senhor pagou para nos recuperar, e está representada pela prata. Portanto, uma tábua sobre bases de prata quer dizer que são pessoas redimidas. E quando são duas bases, é confirmação, é segurança, é verdade: essas pessoas são salvas, e pertencem à casa de Deus.

Em cada base, há uma espiga a sua direita, e uma espiga à esquerda. Isto quer dizer que temos que nos unir não só com os da direita, mas também com os da esquerda; com estes irmãos... e com aqueles irmãos. Naturalmente, nós, às vezes, temos preferências; mas na comunhão nunca devem prevalecer as preferências humanas.

O ser humano, em si mesmo, tem simpatias e tem antipatias; mas, na casa de Deus, nem as simpatias, nem as antipatias devem ter lugar. Na casa de Deus, a inclusividade de Cristo: todos os que ele recebera são nossos irmãos. Nós não podemos escolher os irmãos; temos que aceitar os irmãos que o nosso Pai gerou. Não somos nós que dizemos quais irmãos nós gostamos; é Deus que diz quem são os nossos irmãos.

Deus quer que tenhamos irmãos com narizes largos, que às vezes se metem onde as pessoas não querem, e também irmãos com narizes chatos... Deus gerou toda classe de filhos, e são nossos irmãos. Por isso, cada tábua deve estar disposta a ser unida com as demais tábuas, por um lado, e por outro lado.

Eu sei que exercer a prática de estar unido com pessoas que nos são simpáticas, é fácil. Mas, em Cristo, devemos nos exercitar em ter comunhão com os irmãos que para a carne são antipáticos. É fácil abraçar os que nos agradam, mas devemos abraçar a todos, porque isto agrada a Deus; devemos ter como irmãos aos que Deus tem como filhos. A quem o Senhor recebeu, nós devemos recebê-los.

A nossa receptividade com os filhos de Deus deve ser a mesma de Deus. A igreja não pode ser menor do que é. Tampouco pode ser maior. As tábuas têm que estar em bases de prata - têm que ser pessoas redimidas. Mas, todos os redimidos, todos os que o Seu sangue limpou, e os que o Seu Espírito regenerou, são nossos irmãos. Nosso coração deve alargar-se para que possa caber todos os que cabem no coração do Senhor.

Deus ordenou vinte tábuas para o norte, vinte tábuas para o sul, seis para o ocidente e duas tábuas nas esquinas. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo...". Posterior, porque o Senhor começou no oriente, porque o sol sai no oriente. O lado posterior é no ocidente, porque o sol circula para o ocidente. “... farás seis tábuas. Farás também duas tábuas para as esquinas do tabernáculo nos dois cantos posteriores...".

No oriente, Deus não colocou nenhuma tábua. No ocidente colocou seis, e na esquina entre o ocidente e o norte, e na outra esquina entre o ocidente e o sul, colocou uma tábua e outra tábua. As tábuas do norte e do sul têm esta direção, e as do ocidente esta outra direção; mas as tábuas das esquinas não têm nem uma nem a outra, mas sim são oblíquas, mas unem às duas. 20 + 20 + 6 + 1 + 1 = 48 tábuas.

Deus escolheu que em sua casa houvesse quarenta e oito tábuas - o corpo de Cristo representado em quarenta e oito tábuas. 48 é o resultado da multiplicação de 6x8. O número 6 é o número do homem, criado no sexto dia. Mas o 8 é, depois do 7, um novo começo; representa a ressurreição. O homem foi feito no sexto dia. Depois da queda, converteu-se em um velho homem. Mas, ao ser redimido, ressuscitado juntamente com Cristo, é um novo homem. Portanto, as 48 tábuas representam o novo homem, que é o corpo de Cristo. (Ver Efésios 2:11-16).

Vejamos por que no oriente não há nenhuma tábua: porque o Senhor é zeloso. Por um lado, ele disse: "Não terás deuses alheios diante de mim" (Ex. 20:3). E também o Senhor Jesus disse: "Nem sejais chamados mestres..." (Mt 23:10). A palavra ali não é didaskalos como aparece em Efésios 4, que se traduz como mestres ou tutores. Em Mateus 23, onde a tradução Reina-Valera diz mestres, a palavra é cateketes, de onde deriva ´catequista´, que significa modelo. Podemos ter irmãos que nos ensinem, mas não podemos tê-los como modelos.

Muitos irmãos nos podem ensinar. Deus quer que na igreja ensinemo-nos uns aos outros, exortemo-nos uns aos outros, e que aquele que tem esse dom de ensinar, ensine. Pode ser um didaskalos, mas não um cateketes; não um mestre no sentido de modelo. A ninguém chameis mestre no sentido de modelo, ao qual se deva amoldar, porque só um é o seu cateketes, só um é o seu catequista, só um é o seu modelo, o Cristo.

Por isso, no oriente não pode haver nenhuma tábua, porque não há outro mediador entre Deus e os homens. Todas as tábuas estão ao redor, todos juntos fazemos recepção ao Senhor, todos olhamos para o oriente. Orientamo-nos pelo oriente, e o Sol da justiça é o Filho de Deus. Sai pelo oriente, tem entrada direta, sem mediadores, no corpo de Cristo. Na porta do oriente, só podia entrar Deus. O príncipe entrava por um flanco. Hoje em dia, a porta do oriente está fechada. Ninguém pode entrar por ela, só o Messias.

No lado da porta do oriente, há uma porta estreita por onde o príncipe - por representar autoridade - tem que passar com cuidado; porque pela porta do oriente só pode entrar o Senhor. Por isso diz: "Porque há... um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1 Tm 2:5). “... ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jo 14:6).

Todas as tábuas têm a mesma medida, e estão aos pés do Senhor, rodeando-O; mas ninguém pode ficar nesse lugar. O que se põe como cabeça, fica sem cabeça. "E também àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, tragam para cá, e decapitai-os diante de mim", diz o Senhor (Lc 19:27). Todos os que se puserem por cabeça, ficarão sem cabeça.

As tábuas de esquinas

Vejamos outros detalhes destas tábuas que rodeiam ao Senhor. Verso 22: "E para o lado posterior do tabernáculo, ao ocidente, fará seis tábuas". Então, aqui são vinte; por este outro lado, vinte, e por lá, seis. Mas o número 20 é um número incompleto. Se fosse 21, ou seja, 3x7, então seria algo bonito. E se fosse 7... Deus completa a sua obra em sete, mas não em seis. Mas ele completa este seis, e completa estes vinte, colocando tábuas de esquinas.

Note que, no povo de Deus, às vezes, uns filhos de Deus caminham numa direção. Por exemplo, os calvinistas têm uma direção, e os arminianos têm outra; às vezes os pentecostais têm uma direção e os não pentecostais tem outra. E, se continuarem assim, se chocam. Então, o Senhor tem que ter alguns filhos que são como catalisadores.

Vocês sabem o que, na química, é um catalisador? Por exemplo, um elemento que, por si só, não se pode mesclar com outro elemento. Não se suportam, resistem-se; pode haver uma explosão. Mas, então, há um terceiro elemento que pode ter comunhão com este elemento e pode ter comunhão com aquele outro elemento, e assim permite que os outros dois elementos, que não podem se ver nem pintados, estejam juntos.

Na casa de Deus é necessário essa classe de irmãos pacificadores, que procuram que os irmãos não caiam nos extremos, mas sim completem os vinte para que sejam vinte e um, e completem os seis para que sejam sete. As tábuas de esquinas! "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mt 5:9). Na casa de Deus é necessário irmãos conciliadores, irmãos que procurem evitar os extremos, que procurem ver o lado bom de cada um e possam assim estar juntos.

O 6 se completa por um lado: 7; pelo outro lado: 8. Números de Deus. E o 20 se completa com o 21. Às vezes, nós somos um pouco quadrados, às vezes não aceitamos outro tipo de pensamento que seja um pouco diferente do nosso e, se seguirmos nessa direção, vamos nos chocar constantemente com os nossos irmãos.

Estamos analisando as coisas; não chegamos ao fim. Cada um tem o direito de procurar entender da melhor maneira possível, e pode contar aos outros o que parece estar vendo; mas nada disso é definitivo, nada disso é dogmático. Temos que seguir entendendo juntos, porque a palavra do Senhor diz "compreendendo com todos os santos" as riquezas de Cristo. O que me falta, você o tem; o que você não tem, outro o tem, e, entre todos, temos tudo.

O corpo tem que ser como um grande pijama. Um irmão gordo tem que ter um pijama grande, porque se for pôr o pijama de um menino, não vai caber o pé. Necessita um que seja para ele. Assim também, o Senhor Jesus é muito grande, e a sua plenitude necessita um grande pijama, que é o corpo de Cristo. Nossa estreiteza denominacional ou de escola não permite que caiba a perna do Senhor. Ele tem que caber na plenitude dos irmãos.

A inclusividade do corpo de Cristo significa, no mínimo, três coisas. Primeiro, o corpo deve receber tudo o que é de Cristo, todas as riquezas de Cristo. Pode ser que alguém não goste dessas línguas tão estranhas, que alguns interpretem; mas o Senhor deu o dom de línguas também. Então, todos os dons, todos os ministérios, toda a Palavra, todos os aspectos da Palavra; claro, cada coisa com a sua importância.

Os instrumentos do ministério têm cada um, a sua importância. Há colheres pequenas, há garfos, há grelhas para assar carne... Não vamos pôr a colher no lugar da arca. Não, ela tem o seu lugar. É necessário pôr cada coisa em seu lugar, dar a cada coisa a sua medida: o que é primário, em primeiro; o que é secundário, em segundo, e o que é terciário, em terceiro. A palavra de Deus diz: Primeiro, segundo, terceiro. O Senhor diz o que é maior e o que é menor.

Às vezes, irmãos, no povo de Deus, têm desordenado a hierarquia de valores. Então, os irmãos que tomam esta linha se chocam com aqueles que tomam aquela outra linha, e Deus tem que pôr amortecedores, nas esquinas e dizer: "Espere irmão. Sim, sim, é evidente que o irmão é pós-tribulacionista, ou pré, mas é irmão! É evidente que aquele duvida das línguas, e diz que isso era para o tempo dos apóstolos, mas é irmão!

Há coisas que são primárias, que são maiores, que são mais importantes, que são camelos! E há coisas que são mosquitos. Quando temos a consciência distorcida, coamos o mosquito, e engolimos o camelo. Então, irmãos, necessitamos do corpo de Cristo - irmãos que nos ajudem a colocar cada coisa no seu lugar.

Às vezes, nós, que estamos entendendo a igreja, pomos o candeeiro no Lugar Santíssimo. E vem por aí alguém apresentando a outro Jesus. Mas, como diz que ele também entende a igreja, então, metemos na panela sapos e cobras. Vocês estão se dando conta, irmãos? Primeiro é a arca. Se não apresenta o mesmo Jesus dos apóstolos, Deus e Homem verdadeiro, o Filho de Deus... Isso é o que está em primeiro, a arca.

A primeira coisa fundamental é o próprio Senhor. Deus trino. O Filho, Deus com o Pai, e Homem verdadeiro, tentado em tudo, semelhante a nós; no propiciatório, morto por nossos pecados, para que sejamos justificados pela fé. A essência do evangelho, o que primeiro Paulo pregou: que Cristo - a arca - morreu pelos nossos pecados. “... primeiramente lhes ensinei o que também recebi: Que Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras; e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras" (1 Co 15:3-4).

Esse é o fundamento, é o principal. A isso se refere a arca, a isso se refere o propiciatório: à pessoa e obra do Senhor Jesus, a essência do evangelho, que é sobre o Filho, que morreu por nossos pecados. "Palavra fiel e digna de ser recebida por todos: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro" (1 Tm 1:15). O primeiro é primeiro. Quando começamos a pôr ordem em nossa escala de valores, começamos a ver o precioso dos irmãos, e podemos passar por cima dos mosquitos.

Necessitamos de tábuas de esquinas, irmãos que ajudem à pacificação, à reconciliação, a acalmar os ânimos; catalisadores, pacificadores.

Os gonzos

Êxodo 26:24: "...as quais - as tábuas - se unirão desde baixo...". Quer dizer, edifica-se de baixo para cima. “... e deste modo se juntarão por seu alto com um gonzo". O gonzo (argolas) está em cima, ou seja, que Deus exerce certa pressão para que mantenhamos o nosso lugar em conformidade com as demais tábuas. Não podemos ir para lá ou para cá; necessitamos uma pressão divina. É como se fosse outra espécie desses colchetes de ouro que sustentavam os tecidos do interior, e os colchetes de bronze que sustentavam a cobertura de pêlo de cabra.

O amor de Cristo nos constrange, mas a disciplina está representada no bronze. Então, vemos também a mão corretora de Deus. E agora vemos também outra espécie de colchete, mas que é um gonzo. Que já não é para as cortinas, mas sim para as tábuas, para retê-las em seu posto, para que não se adiantem, nem se atrasem, nem se entortem para um lado nem para o outro.

Por exemplo, uma vez, Paulo estava em uma cidade; foi-lhe aberta uma porta ali, mas não teve descanso em seu espírito, por não ter achado o seu irmão Tito. Há coisas que têm que ser feita com outros, e se não estiver o outro, a coisa fica torcida. Precisamos ter sensibilidade no espírito, para saber que devemos estar com um irmão. Às vezes, Pedro fala, e os Onze o respaldam; às vezes, João fala; às vezes, Paulo. Qualquer um que fale, os Onze estão detrás. Levantou-se Pedro com os Onze, ou seja, eles tinham consciência do corpo, consciência de colegiado.

Iremos ver essa conscientização em Atos 1, do 15 em diante. Aqui estão os apóstolos no cenáculo, orando para que viesse o Espírito Santo. Eles são a igreja, eles são como o tabernáculo. E o dia de Pentecostes, a nuvem de glória vai descer sobre o tabernáculo e vai enchê-lo. Mas então, o tabernáculo tem que estar preparado. Mas por lá há algo que falta.

Então diz: "Naqueles dias Pedro se levantou no meio dos irmãos (e os reunidos eram como cento e vinte em número) - como os cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas quando Salomão inaugurou o templo, quando foi colocada a arca no Santíssimo - e disse: Varões irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura em que o Espírito Santo falou antes por boca de Davi a respeito de Judas, que foi guia dos que prenderam a Jesus...". E olhem o verso 17, como fala Pedro: “... e era contado conosco, e tinha parte neste ministério...".

Olhe a consciência de Pedro: eles contavam um com o outro. Não era André sozinho, não era Tiago sozinho, não era Pedro sozinho. Pedro contava com eles, e eles contavam um com o outro. Quando uma pessoa via a Pedro, lembrava-se que João estava associado a ele, e o completava, o protegia, o ajudava. E também se cuidavam mutuamente. Era consciência de colegiado, consciência de equipe.

Em outro capítulo, diz que há diversidade de ministérios; cada qual tem o seu próprio serviço. Isso, por um lado. Mas, por outro lado, todos juntos têm o ministério da Palavra do Novo Pacto, do Espírito, da justificação, da reconciliação.

Eles eram muitos, mas o Novo Pacto é um só, a Palavra é uma só, o Espírito é o mesmo, a justificação que todos anunciam é a mesma, a reconciliação que todos promovem é a mesma. Ou seja, que o ministério do Novo Testamento é um bolo completo. Mas Pedro tinha um pedaço, João outro, Tiago outro, André outro, Bartolomeu outro.

Aí temos a plenitude de Cristo no corpo: tudo o que é de Cristo, em todos os irmãos, e cada irmão funcionando na plenitude da sua função. Mas as vezes, bem, como Saul, dizemos: "Ai! Este Davi! As pessoas estão dizendo que Davi matou dez mil e que Saul só mil. Vou cravar-lhe uma lança! Davi me incomoda".

Mas, quando viu o corpo, você sabe que tudo o que tem de Cristo é só uma parte, e que necessita tudo o que todos têm de Cristo, para que, como igreja, tenhamos o pijama grande, para que o Senhor caiba. Porque se o Senhor vai pôr o seu pé neste meu pijama, não lhe basta. Ele é muito grande e muito rico; cabe a samaritana por aqui, Nicodemos também, e o zelote, e o publicano; todos cabem.

"Judas", diz Pedro, "tinha parte neste ministério". Quando ele diz: “... este ministério", e em seguida diz no verso 23 da mesma maneira: "E assinalaram a dois: a José, chamado Barsabás, que tinha por apelido Justo, e a Matias. E orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces os corações de todos, mostra qual destes dois escolheste, para que tome parte neste ministério e apostolado...". O ministério, o apostolado, é o bolo completo. E Judas tinha uma parte, da que caiu, e então a ocupou Matias.

Mas, note a consciência colegiada que tinha Pedro: “... e era contado conosco, e tinha parte neste ministério". Olhe como também Paulo falava, em 2 Coríntios 4:1. No capítulo 3, tinha falado já do ministério da justificação, e no capítulo 5, vai falar sobre o ministério da reconciliação. Esse, o ministério da justificação, o da reconciliação, o do Espírito, o da Palavra, o do Novo Pacto, é o bolo completo.

"Pelo qual, tendo nós este ministério, segundo a misericórdia que recebemos, não desmaiamos". "Tendo nós este...". Não você, o teu e eu o meu, que, por um lado, também é certo, mas não o podemos levar ao extremo do individualismo. O seu pedaço e o meu pedaço, e o pedaço de todos, é este ministério que nós temos. Por isso, as tábuas têm que estar uma com a outra, unidas por encaixes, mas também por gonzos e por barras. E todas as barras têm a mesma direção, e todas mantêm ajustado e aperfeiçoado o mesmo tabernáculo.

As barras

Êxodo 26:26. "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas de um lado do tabernáculo". Ou seja que por aqui, pelo sul, operam os cinco ministérios. Também são de madeira de acácia; são seres humanos. Mas Deus as desenhou para que, em comunhão com as outras barras, mantenham estas tábuas em ordem. Ou seja, que há três maneiras de manter as tábuas em ordem: por baixo, através dos encaixes; por cima, através dos gonzos, e pelo meio, através das cinco barras.

"E ele mesmo constituiu a uns, apóstolos...", que é a barra do meio, que vai de um extremo ao outro. Esses são os apóstolos. E há também profetas, evangelistas, pastores e mestres. Cinco barras, também de madeira; também terá que cobri-las de ouro, como as tábuas. Então, diz assim: "Farás também cinco barras de madeira de acácia, para as tábuas". As barras são para as tábuas: o ministério é para a edificação do corpo de Cristo, para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério.

“... e cinco barras para as tábuas do outro lado do tabernáculo, e cinco barras para as tábuas do lado posterior do tabernáculo, ao ocidente". Pelo sul, estão os cinco ministérios, pelo norte também, pelo ocidente também. No oriente, está só o Senhor, porque o que orienta a todos é a Cabeça.

Mas o Senhor quis que a sua Casa fosse aperfeiçoada, edificada, pelos ministros que ele deu à igreja. Então, diz no verso 28: "E a barra do meio passará pelo meio das tábuas, de um extremo ao outro". Das cinco barras, ressaltou esta, porque diz a Palavra: “... primeiramente apóstolos, em seguida profetas, em terceiro mestres, em seguida os que fazem milagres, depois os que curam, os que ajudam, os que administram..." (1 Co 12:28).

Verso 29: "E cobrirás de ouro as tábuas...". Terá que cobrir as tábuas com ouro e também as barras. Não temos que ver a tábua, só o ouro que a cobre. Revestidos de Cristo, escondidos nele. A barra não se vê, a tábua não se vê; se vê o ouro. Deus nos esconde, para que nós não apareçamos, mas sim apareça somente o ouro.

"E cobrirá de ouro as tábuas, e farás suas argolas de ouro para colocar por eles as barras; também cobrirá de ouro as barras". Observem que diz que as tábuas têm suas argolas. A cada tábua correspondem cinco argolas de ouro. Claro que da madeira não brotam argolas; é do ouro que saem as argolas. E, para que são as argolas? Para colocar as barras por elas, quer dizer, para assentar, apoiar e sustentar o ministério.

Cada tábua, junto com a que está ao lado e a do outro lado, todas as vinte daqui, recebem as cinco barras. Cada barra recebe a plenitude do ministério. Não há tábua que tenha uma só argola, ou só duas argolas; todas têm cinco argolas, porque o Senhor quer que recebamos todo o bolo.

Os véus

Verso 30: "E levantará o tabernáculo conforme o modelo que te foi mostrado no monte". Vamos nos deter nesta última frase. Não podemos edificar a igreja como imaginamos, conforme o nosso parecer - como faziam os israelitas no tempo dos Juizes, em que não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem lhe parecia. Devemos edificar a casa conforme o modelo.

Se Deus foi tão minucioso com a tipologia, com Moisés, e Moisés foi fiel, fez todas as coisas como o Senhor lhe tinha mandado; então não podemos cooperar com a casa de Deus sem ter em conta o modelo de Deus. Se a tipologia foi minuciosa, e se encarregou com cuidado, quanto mais a realidade!

Depois nos fala de dois véus. Agora vemos que essa casa tem várias instâncias: tem um átrio, um Lugar Santo e um Lugar Santíssimo. E há um véu para entrar, tanto para a casa em geral, como um véu para passar do Lugar Santo ao Santíssimo, e aqui se descrevem os dois véus.

No átrio, se está em contato com o mundo. O mundo chega até o átrio. No átrio estavam aquelas cortinas de linho branco torcido. A Palavra diz que o linho fino são as ações justas dos santos, e as pessoas do mundo, quando olham para o tabernáculo, a única coisa que vê são as boas obras do povo de Deus. “... para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus". Eles não vêem a arca, não vêem nada lá dentro. O que o mundo vê por fora é o linho torcido, as boas obras de um povo zeloso de boas obras.

Depois, passa-se do Santo ao Santíssimo. Aqui descreve primeiro o véu que está no interior. Este véu, esta porta, refere-se ao Senhor Jesus. Por meio do Senhor Jesus, saímos do mundo e entramos na casa de Deus. De perdidos, a salvos. Mas também os salvos têm que passar da vida natural para a vida no Espírito. Uma pessoa pode ser salva e não ser espiritual. Você se está perdido, será salvo, entrando pela primeira porta. E se for salvo, seja prudente e entre para a vida do Espírito.

Ou seja, há um véu que nos faz passar da perdição para a salvação, e o outro véu que, para os salvos, os faz passar da vida natural para a vida no Espírito. Os dois véus são dois aspectos da porta que é Cristo. Cristo é o que nos salva, e também o que nos aperfeiçoa. Faz-nos salvos, e nos faz vencedores.

"Também farás um véu de azul" - que se refere à divindade, ao celestial. João nos mostrou o Verbo de Deus como o Filho de Deus - púrpura - Mateus nos apresentou o Senhor como o Rei - carmesim - Lucas apresentou o Filho do Homem, em sua humanidade, como ele se encarnou para derramar o seu sangue - e linho torcido..." - Marcos o apresentou como o servo: a atividade, os milagres do Senhor Jesus. Aqui temos o testemunho dos quatro evangelistas a respeito de um só véu que é o Senhor Jesus.

E diz: “... será feito de obra primorosa, com querubins...", porque aquela casa, o tabernáculo, está destinado à reunião com o céu. Anjos sobem e descem. Então, está este acampamento, que somos nós aqui, e está por aqui mesmo o outro acampamento. Quando Jacó saiu do seu acampamento, para dar uma volta pelo lado, Deus abriu-lhes os olhos, e viu o outro acampamento. E disse: "Este lugar será chamado Maanaim - Dois acampamentos".

Mas também: "O anjo de Jeová acampa ao redor dos que o temem" (Sl 34:7). Eliseu o via; Geazi, não. Mas Eliseu orou para que Deus abrisse os olhos de Geazi, para que ele visse os carros de fogo rodeando aquele acampamento. Por isso, por todo o templo, aparecem querubins: no véu, dentro e nas portas, porque esta casa é de reunião do céu com a terra, e estes seres angelicais são ministradores para os que hão de herdar a salvação.

Verso 32: “... e o porás sobre quatro colunas de madeira de acácia cobertas de ouro; seus colchetes serão de ouro, sobre bases de prata". Quatro colunas aparecem aqui; mais fora aparecem cinco. Agora, de dentro para fora, aparecem quatro. Por fora é mais largo, por dentro é mais estreito; na medida em que se avança, é mais estreito. Essas quatro colunas, que eram de madeira, representam a Humanidade, e estavam sobre bases de prata. Fora, estavam sobre bases de bronze; mas dentro, sobre bases de prata, porque há uma hierarquia. Bronze, prata e ouro. O ouro nos fala da natureza divina; a prata, da redenção, e o bronze, do juízo de Deus.

"E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levará para dentro do véu a arca do testemunho; e este véu fará separação entre o lugar santo e o santíssimo" (V. 33). Deus quer marcar muito bem a separação entre o Lugar Santíssimo e o Lugar Santo. Por isso, em Hebreus diz que: "a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que toda espada de dois fios; e penetra até partir - separar - a alma e o espírito" (Hb. 4:12).

Ou seja, que no Lugar Santíssimo está o Senhor, e se refere ao espírito. A alma é o Lugar Santo, e entre o espírito e a alma tem que haver uma separação. Quando estamos fora, não entendemos isto, mas quando vamos avançando mais, diz: "Isto, ainda é da sua alma; agora tem que passar da alma para o espírito".

Diante do véu estava o altar de ouro, com um incensário. O altar de ouro estava no Lugar Santo, de frente ao véu do Santíssimo. Hebreus diz que o incensário pertencia ao Santíssimo, porque, embora estivesse no altar de ouro, começava o trabalho no Lugar Santo, começava o incenso a subir. O Lugar Santíssimo é o lugar próprio do incensário. Ele descansa no altar de ouro, no Santo, mas ali, apenas é aceso, em seguida no ministério, na liturgia sacerdotal, é conduzido pelo sacerdote do Santo ao Santíssimo.

Às vezes começamos a orar, e estamos em nós mesmos tratando de invocar ao Senhor. Mas, com a ajuda do nosso Sumo sacerdote - porque não sabemos orar como convém - o seu Espírito nos ajuda e nos introduz no espírito. Começamos na carne, ou na alma, confundidos, não sabemos o que fazer; mas, à medida que oramos, com o socorro do Senhor, o incensário é deslocado do Lugar Santo para o Lugar Santíssimo.

Em Êxodo aparece o incensário no Santo, mas em Hebreus 9 aparece como se pertencesse ao Santíssimo, porque realmente pertence aos dois. O sacerdote, no Santo, acende-o e o introduz. Quer dizer que nós somos transladados de nós mesmos, de nossa alma, dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, através do véu rasgado, através da morte juntamente com Cristo, para a vida no espírito, para a revelação.

"E pendurarás o véu debaixo dos colchetes, e levarás para dentro do véu a arca do testemunho...". A arca tem que ser entronizada. Primeiro temos um conhecimento exterior do Senhor. Como diz, antes conhecemos o Senhor segundo a carne; mas agora já não lhe conhecemos assim, agora temos o testemunho em nós mesmos. A arca é introduzida no Santíssimo, Cristo é formado em nós, conhecemos o Senhor por revelação. No princípio não é assim. Estamos no natural, e somos transladados para o espiritual.

Outros detalhes do tabernáculo

"Porás o propiciatório sobre o arca do testemunho no lugar santíssimo" (v.34). O sangue, que era derramada no átrio, deve ser introduzido no Lugar Santíssimo. Do objetivo, do histórico, tem que passar à experiência espiritual subjetiva. A pessoa tem que estar na presença do próprio Senhor, apresentando o sangue do Cordeiro, e ter em seu espírito o testemunho de que é um filho de Deus. "O Espírito mesmo dá testemunho a nosso espírito, de que somos filhos de Deus" (Rm 8:16).

O sangue de Jesus Cristo nos limpa de toda a má consciência. A consciência é uma função do nosso espírito. A Bíblia diz, mas também o Espírito diz ao nosso espírito. E o sangue foi introduzido do altar de bronze do átrio até o mais íntimo da casa de Deus - o Lugar Santíssimo, o nosso espírito.

"E porás a mesa fora do véu, e o candeeiro em frente da mesa do lado sul do tabernáculo...". Uma vez que temos a prioridade com Cristo, a respeito de quem é a doutrina dos apóstolos, então vem a comunhão uns com outros e o partir do pão; temos a mesa e o candeeiro, e depois vêm as orações.

Em Atos 2 diz: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos...", que é a respeito de Jesus Cristo. Não cessavam de ensinar e de pregar a Jesus Cristo; não pregavam a si mesmos, mas sim a Jesus Cristo como Senhor. Primeiro Cristo, a arca, morto por nossos pecados. Aí está a arca. “... na comunhão uns com os outros, no partir do pão...". Essas duas coisas estavam uma frente à outra, equivalentes, uma ao norte e outra ao sul. A mesa dos pães da proposição e o candeeiro. E por último diz: "E perseveravam... nas orações". Ou seja, no incensário, a mesa do altar de ouro, onde o incenso era preparado, era aceso e era introduzido.

"Farás para a porta do tabernáculo uma cortina de azul, púrpura, carmesim e linho torcido, obra de bordador" (V. 36). Esse é também o Senhor Jesus, e o bordador é o Pai, que faz a obra primorosa através do Senhor Jesus.

"E farás para a cortina cinco colunas de madeira de acácia, as quais cobrirás de ouro, com os seus colchetes de ouro; e fundirás cinco bases de bronze para elas" (V. 37). O véu interior, que separa o Lugar Santo do Santíssimo, tinha quatro colunas. Portanto, entre a coluna 1 e 2 há um espaço, entre a coluna 2 e 3 há outro espaço, e entre a coluna 3 e 4, outro espaço. São quatro colunas, que fazem três seções, porque a casa de Deus é a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. Portanto, esse véu contém a divindade completa, a Trindade.

Jesus disse: "O Pai que mora em mim" (João 14:10). Mas também Pedro diz que o Filho de Deus foi um varão cheio do Espírito Santo. Portanto, o véu cobre uma Trindade, porque o Pai está no Filho, e o Espírito Santo também ungiu ao Filho com poder, e fez maravilhas.

A seção do meio, entre a segunda e a terceira coluna, era onde estava aberto o véu. Entrava-se pelo espaço do meio, porque não foi o Pai nem o Espírito Santo quem morreu por nós, mas sim o Senhor Jesus. Quando o Filho de Deus morreu, a seção do meio do véu foi rasgada.

Mas agora, a porta de fora tem cinco colunas, ou seja, quatro espaços. Quer dizer, agora nós temos que caber também aí. O número 5 é o número da graça e o 4 é o número da criação. Se aqui tem quatro e aí cinco, fora é mais largo e dentro é mais estreito. "Segui o caminho estreito". Cada vez que avançamos, faz-se mais estreito, até que não caiba senão somente o Senhor Jesus.

(Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).

Fonte: Revista Águas Vivas: Ano 8 - Nº 43. Janeiro - Fevereiro 2007

Site: www.aguasvivas.ws
Há DEUS toda a Glória.

UMA CASA PARA DEUS( 1° PARTE).

Gino Iafrancesco
Publicação: 05/06/2008
"Todos somos pecadores e miseráveis na carne, mas o Senhor nos dá vida por dentro, e disciplina por fora; para edificar Sua casa conosco..."
Vamos a Gênesis, o livro dos princípios. No capítulo 2, desde o verso 4, nos mostra como foi desenhado o homem. No capítulo 1 nos fala da missão do homem. E agora, no capítulo 2, para que tal missão possa ser cumprida, nos mostra a constituição do homem. A constituição do homem é segundo a missão do homem.

Deus quer ser contido e expresso. Deus quer delegar autoridade, dar sua própria vida, e que nós sejamos seus colaboradores. Então, ele fez um homem tripartido, com espírito, alma e corpo. É o templo para Deus, é o vaso para Deus. Nosso espírito é o Lugar Santíssimo, nossa alma é o Lugar santo, e nosso corpo é o átrio.

Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; farei uma ajudadora idônea para ele". Em Romanos diz que Adão é figura do que havia de vir, e em 2ª Coríntios que Eva representa à igreja. Então, vamos nos concentrar um pouquinho nesta parte.

Casamento e edificação

Gênese 2: 18: "E disse o Senhor Deus, não é bom que o homem esteja só; lhe farei...". Que descanso saber que é Deus que diz: "lhe farei...". Não foi um problema de Adão, foi um presente de Deus. Eva não podia se fazer sozinha. Assim, Deus decidiu fazer também para o seu Filho Jesus Cristo uma ajudadora idônea. O Rei quis fazer as bodas para o seu Filho. É Deus que determinou isto, e ele tem todo o poder, e ele está fazendo, e o levará totalmente a concretização.

A palavra que em Gênese 2:22 se traduz como ´fez´, pode-se traduzir mais exatamente como ´edificou´. Aqui começamos a ver pela primeira vez a união de edificação e esposa. "Edificou-lhe uma mulher". Sua companheira, que tem que ser sua esposa, é uma edificação. Ao longo de toda a palavra do Senhor, encontramos sempre este duplo motivo: casamento e edificação. Ao longo da Bíblia, vemos muitos casamentos: o casamento de Adão e Eva, de Jacó e Raquel, de Abraão e Sara, de Isaque e Rebeca. Através dessas relações de casais, Deus está revelando algo a respeito de si mesmo e de sua relação com o seu povo. Por toda a Bíblia vemos este motivo de casal desde o princípio e até o final de Apocalipse. Ali aparece também um casal - o Cordeiro e a esposa do Cordeiro.

Quando o Senhor se revelou a Jacó em um sonho, este viu uma escada que ligava o céu com a terra. Acima estava o Senhor, e abaixo estava Jacó, com a sua cabeça sobre a pedra de cabeceira, e anjos subiam e desciam, ligando o céu com a terra. Quando Jacó despertou, assustou-se e disse: "Quão terrível é este lugar! Não é outra coisa que a casa de Deus e porta do céu" (Gên. 28:17). Neste lugar, que ele chamou Bet-el (Casa de Deus), o céu e a terra se unem. E aí encontramos outra vez, intercalado com a edificação, o casal.

O tabernáculo se chama ´tabernáculo de reunião´; a arca se chama ´arca da aliança´. E aliança e reunião nos falam de casal, nos falam de comunhão, e também de edificação. Então, na edificação de Eva, no nome que Jacó colocou àquela pedra naquele lugar, Bet-el, vemos que Deus começa a introduzir o motivo da edificação da casa de Deus.

A palavra "casa" também tem a conotação de "família". Por exemplo, a casa de Leví se refere à família de Leví; a casa de Jacó, a casa de Israel, tem a conotação de família. Assim casal, família, edificação, casa, todas estas coisas, estão relacionadas.

A graça e a responsabilidade

Em Êxodo 25, Deus diz a Moisés que peça ao povo, a aqueles que de coração, voluntária e espontaneamente, queriam colaborar com Deus, para fazer para ele o santuário, para que ele possa morar entre nós como um Pai no meio de sua família, sendo nosso Deus, e nós sendo seus filhos e filhas.

"O Senhor falou com Moisés, dizendo: Diga aos filhos de Israel que tragam para mim uma oferta; de todo varão cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta". Claro que, para vir voluntariamente, precisamos ser sustentados pela graça, e a graça sustentará a nossa vontade. O Espírito revela qual é a vontade de Deus. Agora podemos olhar para o Senhor e dizer-lhe: "Senhor, desejo poder, desejo querer; necessito sua graça para fazer a sua vontade". E o Senhor disse: "Aquele que vem a mim, não lhe lançarei fora" (Jo. 6:37).

Então, aqui, Deus pede certos materiais especiais ao seu povo, para levantar-lhe um santuário. Ele nos pede o que devemos lhe dar. Não é o que nós queremos lhe dar, mas sim o que ele nos pede. Ele edifica a sua casa com o que ele nos pede, e é claro que ele tem provido o que nos pede. Mas ele não vai vir e te dizer: "Bom, faz o que você achar melhor", mas sim dirá a você: "Quer cooperar comigo? Coopera nisto, me traga isto, me entregue isto". Todas estas coisas que ele nos pede, é a provisão de Deus em Cristo; ele faz sua casa com tudo àquilo que ele nos proveu em Cristo, e ele proveu para todos, com um coração sincero.

Deus quer colaboradores, e nenhum colaborador pode fazer nada sem a graça. Mas a graça não quer fazer nada sem os seus colaboradores. A graça capacitará por graça os colaboradores, para que eles colaborem responsavelmente, esforçando-se na graça.

Então, para começar a casa de Deus, temos que entender que esta casa é de uma reunião, um tabernáculo de reunião, arca da aliança. Reunião e aliança é matrimônio. Como um homem pode casar-se com uma mulher que não quer casar-se com ele? Agora, ele quer casar-se. A pergunta não é se ele quer. Ele já disse que quer. Agora, você quer? Essa é a pergunta: Também você quer?

A visão da Casa de Deus

Agora, vamos dar uma olhada panorâmica neste capítulo. Depois de nos dizer o que Deus quer, de nos mostrar o seu desejo de contar com a nossa responsabilidade, e nos prover a graça, - isto é, Cristo - que nos capacita para sermos responsáveis; então ele começa a descrever a casa de Deus de dentro para fora, e começa descrevendo primeiramente a arca do pacto.

Esta arca, dentro do Santíssimo, representa a formação de Cristo na igreja. Depois ele descreve a mesa dos pães; continuando, o candelabro; em seguida, o tabernáculo e posteriormente o altar. O primeiro que ele descreve tem haver com a casa. Depois, a partir do capítulo 28 e o 29, descreve o sacerdócio, a consagração sacerdotal, as vestimentas sacerdotais, e prossegue com o altar do incenso, a pia de bronze. E assim, continua descrevendo os exercícios sacerdotais.

Vejamos 1ª Pedro. No versículo 2:4, encontramos o seguinte. "achegando-vos para ele, pedra viva, desprezada certamente pelos homens, mas para com Deus escolhida e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados...". "achegando-vos para ele ... sois edificados". As frases ditas depois de "achegando-vos para ele...", são frases explicativas. Quem é ele? A pedra viva.

A maneira de sermos edificados é achegando-nos a ele: "Sois edificados como casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus...".

Notemos que Pedro está sintetizando em três assuntos -casa espiritual, sacerdócio santo e sacrifícios espirituais- o que o Espírito Santo tinha desenvolvido com detalhes em Êxodo. Nos capítulos 25, 26 e 27 temos a descrição da casa; nos capítulos 28 e 29, a descrição do sacerdócio, e no restante de Êxodo, em Levítico e em outros lugares, temos a descrição dos sacrifícios.

Vamos nos deter um pouco na primeira: "achegando-vos para ele... sois edificados como casa espiritual". A descrição da casa espiritual aparece muitas vezes na Bíblia. Já vimos que Eva é uma edificação de Deus para Adão. Em seguida vemos Deus revelando-se a Jacó; e Jacó compreende a revelação, e vê que Deus quer uma relação celestial com a terra. E ele colocou um nome que expressa a síntese dessa revelação: Bet-el, casa de Deus.

Ou seja, que essa mulher edificada por Deus corresponde a Bet-el, e Bet-el corresponde a este santuário, e o tabernáculo corresponde depois ao templo, e corresponde à visão de Ezequiel. A Ezequiel foi mostrada a casa de Deus quando o povo estava sendo infiel e estavam cativos na Babilônia. Deus seguia sonhando com a sua casa, e apesar da cidade e do templo estar arrasado, Deus disse a Ezequiel: "Se eles se arrependerem dos seus pecados, mostra-lhes o desenho da casa".

Deus sempre quis essa casa, porque ela é a esposa do seu Filho. O Rei quis fazer as bodas para o seu Filho. Deus fez tudo para Cristo; Deus deu tudo ao seu Filho. Mas o mais precioso que lhe quis dar, junto com a sua plenitude, é uma esposa, uma ajudadora idônea que seja como ele, feita do próprio material dele, para que ele pudesse dizer o que não podia dizer da girafa, nem da galinha: "Isto é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne". Ou seja: "Esta é como eu". Ele se reconhecerá nela, e estará sempre com ela, e fará tudo com ela. Esse é o presente que o Pai quis dar ao Filho. Agradou ao Pai dar ao Filho toda plenitude; mas toda a plenitude do Pai, que está no Filho, pelo Espírito passou à igreja, para que essa plenitude divina, que passa pelo Pai, o Filho e o Espírito, agora retorne ao Filho em forma de igreja.

Então, quando diz: "Casa espiritual", quando diz os detalhes do tabernáculo, a edificação do templo, a restauração do templo, a visão do templo, e em seguida o Senhor Jesus e a edificação da igreja, tuda fala da mesma coisa. De maneira que, quando vemos a edificação de Eva, vemos a Bet-el, vemos o tabernáculo, o templo, o cativeiro e a destruição, a diáspora ou dispersão, a restauração, a visão; tudo isso está falando da mesma coisa, e fala a nós. Fala do mistério de Cristo.

Duas leituras: cristológica e eclesiológica

No santuário, vemos que Deus começa a revelar de dentro para fora. Passa do Santíssimo, da arca, ao santo, a mesa e o candelabro, e depois segue para o átrio, o altar. Há um altar de ouro, outro altar de bronze no átrio, e em seguida revela-se o sacerdócio, as vestimentas, a constituição sacerdotal, o altar do incenso, e distintas classes de sacrifícios em Levíticos. Casa, sacerdócio e sacrifícios espirituais.

Ainda que primeiro refere-se à arca, que tem haver com Cristo, porque primeiro é a cabeça e depois é o corpo, no entanto, primeiro Deus vai edificando o tabernáculo, e quando já está terminado coloca o arca no Santíssimo. Poderíamos começar a estudar a arca, mas primeiro teria que levantar o tabernáculo para colocar a arca.

Na revelação, primeiro é a arca, e depois o tabernáculo; mas na prática é necessária a edificação do tabernáculo, para a entronização da arca. Foi depois que Salomão terminou o templo, que a arca foi entronizada.

Sempre antes de descrever a arca, a mesa, o candelabro, o altar, o tabernáculo, Deus diz a seu povo: "Farás...". "Farás uma arca desta maneira ... Farás uma mesa para os pães da proposição; a farás assim ... Farás um candelabro; o farás assim ... Farás um santuário, um tabernáculo, conforme o modelo que te mostrei no monte ... Você faz tudo, mas conforme o modelo que eu te mostrei".

O modelo é mostrado por Deus, as provisões vêm de Deus. Mas quem tem que fazê-lo somos nós.

Há vários níveis de leitura deste capítulo 26 de Êxodo. Em primeiro lugar, há uma leitura histórica; se desejar, arquitetônica. Você lê sobre o passado, como era construído o templo. Trata-se do aspecto físico; do véu para fora, por assim dizer.

Para Paulo, que foi escolhido por Deus para trazer a revelação do mistério de Cristo, para administrar o que é o corpo de Cristo, Deus o preparou como um artesão de barracas. Ele sabia como se unia uma cortina com a outra. Paulo tinha que edificar o corpo de Cristo, e a edificação do corpo de Cristo está tipificada no tabernáculo. Paulo tinha que ser um fabricante de tendas para entender este capítulo.

Mas, toda a Palavra do Senhor, nos fala do mistério de Cristo. E a primeira parte do mistério de Cristo fala da Cabeça. Portanto, há uma segunda leitura, cristológica. Quer dizer, podemos ver em todos esses detalhes da casa de Deus, no tabernáculo, o Cristo de Deus.

O verbo ´tabernaculizou entre nós´, essa palavra foi usada oportunamente pelo Espírito Santo (João 1:14). A tradução diz ´habitou´, ´morou´. Mas o grego diz ´tabernaculizou´, e também João nos faz lembrar quando o Senhor Jesus disse: "Destruí este templo, e em três dias o levantarei". Eles diziam: "Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e você em três dias o levantará?". Mas ele falava do templo do seu corpo, e quando ressuscitou, levantou em três dias o templo.

E esse templo refere-se em primeiro lugar ao Senhor Jesus. Mas todos aqui sabemos que o templo também abrange a igreja, e o que aconteceu com Cristo, aconteceu a favor da igreja. Se ele morreu, é para que morrêssemos com ele. Se Cristo morreu por todos, logo todos morreram. Então, do nível de leitura cristológico, devemos passar a um segundo nível, agora eclesiológico, sem negar o nível cristológico.

Cristo também tem corpo, e, portanto, também à expressão de Cristo como um corpo que tem muitos membros. Cristo (1ª Cor. 12:12) é como um corpo que tem muitos membros, e embora sejam muitos os membros e têm distintas funções, são um só corpo, assim também Cristo.

O corpo de Cristo é a segunda parte do mistério de Cristo. Portanto, tem que ter também, junto com a leitura cristológica, uma leitura eclesiológica.

Inclusive, há outra leitura depois, que é escatológica. Acaso não fala também Apocalipse do "tabernáculo de Deus com os homens"? Mas agora estamos no tempo eclesiológico. Não vamos negar uma nem a outra. Vamos ler esta, mas não vamos ler tudo. Não vamos dizer tudo; nenhum de nós pode dizer tudo.

A construção do tabernáculo

Então, vamos a Êxodo 26:1. "Farás...". Isto tem que ser feito assim. "...o...". Não "...um dos...". Não há senão um só templo de Deus, um só corpo de Cristo. Por toda parte, a Bíblia fala do corpo de Cristo. Todos os ministros de Deus sejam apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres foram postos por Deus para aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo.

Você é pastor no corpo de Cristo e para o corpo de Cristo, ou é algo inferior? De que você é membro? Do corpo, ou de algo inferior? É um dos mestres do corpo de Cristo para ensinar o corpo de Cristo? Ou você não se deu conta que é do corpo e está trabalhando em algo inferior?

Todos os membros do corpo de Cristo pertencem ao corpo, formam um só corpo com todos os outros, e devem edificar um só corpo. Fará um só tabernáculo, uma só tenda. É claro que, enquanto se constrói, vemos tábuas por aqui, estacas por lá; mas isso não é para sempre. Tudo isso tem que unir-se para, juntos, edificarmos uma só tenda.

"Farás o tabernáculo de dez cortinas de linho torcido, azul, púrpura e carmesim; e o farás com querubins de obra primorosa". Os materiais que aparecem aqui nestas cortinas nos falam de Cristo. O azul nos fala do celestial, fala-nos do Verbo de Deus que estava com Deus, e era Deus, mas também se fez homem. Encarnou-se para derramar o seu sangue; por isso, aparece a cor vermelha, o carmesim ou escarlate. E o mesmo que se humilhou foi exaltado sobre todas as coisas, e aparece o púrpuro real.

Quando se mescla o azul com o vermelho, dá o púrpuro. E o Senhor Jesus se humilhou, encarnou-se, mas foi exaltado novamente. Voltou para a glória. "Pai, glorifica-me tu ... com aquela glória -azul - que tinha contigo antes que o mundo existisse". Mas o azul descendeu, vestiu-se de vermelho, e subiu roxo, a realeza. Agora ele voltou a tomar a sua glória, mas agora em humanidade. Antes tinha sua glória em divindade, e voltou a tomá-la, agora em humanidade. Glorificou a humanidade com a sua glória.

Por isso diz Paulo: "...aos que de antemão conheceu, também os predestinou ... E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Rom. 8:29-30). Quando ele glorificou nossa humanidade? Quando ele se vestiu de nós. Nós fomos postos nele, e ele se vestiu de nossa humanidade; passou-a pela morte, pela ressurreição, e a glorificou. Nossa glorificação se deu em sua glorificação. E agora o Espírito Santo toma o que é dele e passa a nosso espírito, e o está passando a nossa alma, e o está passando a nosso corpo, e terminará de passar totalmente.

Nele fomos glorificados. Por isso é que aparecem estes tecidos aqui. Só que agora são dez. Dez cortinas de linho torcido, que fala da justificação, das ações justas dos santos, de azul, de púrpura e de carmesim. Mas agora não é uma só cortina, mas dez. As cortinas do tabernáculo se referem à edificação do corpo de Cristo. Cristo em nós, o que ele é e o que ele conseguiu, formando-se em nós. Estas cortinas são as mais interiores; referem-se ao novo homem. Mas, por que são dez? O número dez é o número da generalidade.

Em Gênesis capítulo 10 aparece a lista das nações. Todas as nações estão representadas nesse dez. Quando aparece o governo mundial, que abrange todo mundo, são dez chifres os que lhe dão o seu poder. E agora os globalistas dividiram a terra em dez regiões. Uma federação de dez porções está destinada a ser a federação do governo mundial.

O número 10 na Bíblia representa esta generalidade. Por exemplo, os filhos de Deus esperando a Cristo eram dez virgens. A generalidade está representada em dez.

Seguimos lendo no versículo 2: "O comprimento de uma cortina será de vinte e oito côvados, e a largura da mesma cortina de quatro côvados ...". O comprimento de uma cortina, de vinte e oito côvados, ou seja, sete por quatro. O sete é o número da obra perfeita de Deus. Deus faz todas as coisas em sete: sete selos, sete trombetas, sete taças. Mas o número da criação é o quatro. Porque Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, além disso, Deus quis fazer a criação. Então, o número da criação é o número quatro.

Por isso os querubins ou serafins que representam a criação, os querubins, com quatro asas, têm quatro rostos, representando a criação, os quatro ângulos da terra. Em Apocalipse 4 Deus é adorado pela criação, "...porque tu criastes todas as coisas, e por sua vontade existem e foram criadas". O quatro é o número da criação, e o número de sete por quatro é a obra de Deus na criação. Por isso, as cortinas tinham que ter vinte e oito côvados.

E diz: "...todas as cortinas terão uma mesma medida" (V. 2). Não há uma raça superior a outra. Aos olhos de Deus, todos somos iguais; Deus não faz acepção de pessoas. "Cinco cortinas estarão unidas uma com a outra". Uma com a outra: Colômbia com o Chile, Chile com o Brasil... Todas as nações, as etnias, as raças, as classes sociais, todas as cortinas.


Primeiro, começa por um lado: cinco por aqui, cinco por lá. Mas, ao final, os mais opostos, são unidos. "Cinco cortinas estarão unidas uma com a outra..." (v.3). Uma com a outra; não sem a outra. Com a outra. E as outras cinco cortinas, unidas uma com a outra. Sim, o Senhor tem uns e outros. "...por meio dele ambos temos entrada por um mesmo Espírito ao Pai" (Ef. 2:18). Ambos, os judeus e os gentis. "Também tenho outras ovelhas que não são deste redil; aquelas também devo trazer ... e haverá um rebanho, e um pastor" (Jo. 10:16).

Claro, o Senhor tinha feito promessas aos judeus, terei que ir "primeiro aos judeus, e depois também aos gregos". Primeiro, trabalhava com uns por aqui, depois com outros por lá. "Pedro, você é apóstolo da circuncisão, trabalha por lá. Paulo, você é apóstolo dos gentis, trabalha por lá. Quantos anos esteve trabalhando, Paulo? Vêem, vou dar uma revelação, Gálatas 2. Vais subir a Jerusalém e, em particular, vais conversar com Tiago, com Cefas e João". E então, Deus promoveu a comunhão de uma equipe com a outra, e depois que se reconheceram mutuamente, deram-se a destra de companheirismo, para edificar um mesmo tabernáculo.

Não é que uma equipe de servos de Deus edifica uma denominação, e o outro edifica a rival, e todas ficam mortas no campo de batalha. Não, uns e outros. Devem deixar-se unir com outros irmãos, umas equipes com outros, chegar a reconhecerem-se como membros do mesmo corpo. Diz que Tiago, Cefas e João, "...vendo a graça que nos tinha sido dada", porque o que atuou por lá, atuou também por aqui. Porque o que importa é o atuar de Deus.

Então, segue dizendo aqui: "Cinqüenta laçadas..." (v.5). Pentecostes, cinqüenta. Laçadas: Enlaçados pelo Espírito, são de azul. "Cinqüenta laçadas farão na primeira cortina...". Aqui os judeus primeiro. "...e cinqüenta laçadas farão na orla da cortina que está no segundo grupo (a dos gentis); as laçadas estarão contrapostas uma à outra". Os cinqüenta laços de azul, celestiais, falam da comunhão, no Espírito, de um mesmo corpo. Ainda os mais contrapostos são entrelaçados para formar, com todas as cortinas, uma só tenda.

"Fará também cinqüenta colchetes de ouro..." (v.6). por que "também"? Porque as laçadas unem, mas os colchetes apertam. E há colchetes de ouro, mas também tem de bronze. Os de ouro unem as cortinas de dentro, e os de bronze unem as cortinas de pêlo de cabra. A casa de Deus é feita com seres humanos. Por dentro, lindas cortinas de linho azul; por fora, cortinas de pêlo de cabra, tratado. Porque nós somos pecadores que somos salvos, incorporados na casa de Deus, e o pecado é tratado na casa de Deus.

Os colchetes que unem as cortinas de linho são de ouro. Diz: "...o amor de Cristo nos constrange" (2ª Cor. 5:14). São colchetes de ouro. Mas o pêlo de cabra, a do homem exterior, requer colchetes de bronze. O bronze representa disciplina. Às vezes não queremos discernir o corpo de Cristo, e então cometemos juízo. Não o juízo eterno. Ah, uma enfermidade, ou até morreu antes de tempo. Colchetes de bronze. Não seria melhor nos entendermos?

Sabe o que diz Paulo aos santos? "...ninguém defraude nem engane em nada a seu irmão; porque o Senhor é vingador de tudo isto, como já lhes temos dito e testificado" (1ª Tess. 4:6). "Lhes ensinamos e lhes demos exemplos concretos". O Senhor é vingador das ofensas que se fazem aos irmãos. Necessita-se de colchetes de bronze para mantê-los unidos. Porque as cabras não andam unidas; elas andam saltando daqui para lá. Por isso são necessários colchetes de bronze, a mão poderosa da disciplina de Deus, para manterem juntos a irmãos que não podem estar juntos.

Mas isso é depois. Primeiro descreve as de dentro. "...colchetes de ouro, com os quais enlaçará as cortinas uma com a outra, e se formará um tabernáculo" (v.6). Ah, alguém poderia pensar: "Bom, já se formou, no número 6", mas o Senhor sabe. "Fará deste modo cortinas de pêlo de cabra para uma cobertura sobre o tabernáculo; onze cortinas fará" (v.7). E são mais largas. Estas de pêlo têm trinta côvados. É uma carga; seu pecado é uma carga da igreja, mas na igreja se trata o pecado dos membros da igreja. Sim, na igreja se cometem pecados, e se tratam, pois é uma carga.

Então disse Deus: "O comprimento de cada cortina será de trinta côvados, e a largura de cada cortina de quatro côvados; uma mesma medida terão as onze cortinas" (v.8). Aqui há algo adicional. A outra é de vinte e oito côvados, esta de trinta. As outras eram dez, estas onze. Terá que tratar isto na igreja. Então diz assim: "E unirá cinco cortinas aparte e as outras seis cortinas aparte; e dobrará a sexta cortina na frente do tabernáculo" (v.9). Ou seja, é a porta.

A cortina número onze está na porta, mas não é deixada pendurando como as demais, mas sim é enrolada e lançada para trás, igual o Senhor Jesus tomou os nossos pecados, e os lançou para trás. Por isso, na porta, a cortina não está pendurada, mas sim enrolada para trás, porque o Senhor Jesus condenou o pecado na carne, e ele tratou com o pecado. E quando alguém entra pela porta, trata-se o pecado. Era a cortina número seis. A onze, que era a seis, cinco e seis. A onze era a seis, o número do homem.

Deus faz sua casa com seres humanos, conosco, os que temos caído, e em nossa carne temos a lei do pecado e da morte operando.

Mas o Senhor, agora por cima dessa cortina, põe outra, Aleluia!, e diz: "E fará cinqüenta laçadas na orla da última cortina do primeiro grupo, e cinqüenta laçadas na orla da primeira cortina do segunda grupo" (v.10). Já explicamos a primeira vez, é o mesmo para aqui. "Fará deste modo cinqüenta colchetes de bronze..." (v.11). Você pode notar? Para tratar o homem interior, é de ouro, a natureza divina; o amor de Cristo nos constrange. Mas, para tratar com o velho homem, é de bronze - disciplina.

"...os quais colocará pelas laçadas; e enlaçará os grupos para que se faça uma só coberta" (V. 11). O Senhor tratará conosco, com nossa natureza de cabra, para fazer uma só cortina, com todos os nossos irmãos, que também em sua carne são tão fracos como nós. Porque são do mesmo comprimento, também têm trinta côvados. Todos somos igualmente pecadores e miseráveis na carne, mas o Senhor nos dá vida por dentro, e disciplina por fora. A casa de Deus se edifica com vida e disciplina; vida para o homem interior, e disciplina para o homem exterior.

E diz mais: "E a parte que sobra das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobra, pendurará nos fundos do tabernáculo. E um côvado de um lado e outro côvado do outro lado, que sobra ao longo das cortinas da tenda, pendurará sobre os lados do tabernáculo a um lado e ao outro, para cobri-lo" (vv. 12-13). Na igreja se cobrem os pecados. Tiago diz: "...cobrirá multidão de pecados". Quando fala com o seu irmão, quando trata com a situação de seu irmão com o objetivo de ganhá-lo, é proteção para a igreja.

E diz: "Fará também para a tenda uma coberta de peles de carneiros tingidas de vermelho..." (v.14). Em cima da cobertura de pêlo de cabra, o Senhor põe peles de carneiro tingidas de vermelho. O carneiro é o macho das ovelhas, é o Senhor Jesus. "...tingidas de vermelho...", porque os pecados são cobertos, até os pecados que se cometem na igreja. O Senhor pagou por eles. As peles de carneiro se referem ao seu próprio sacrifício. "...de vermelho...", nos falando do sangue. Ele purifica à igreja. Não somente morreu pelos pecados individuais; ele se entregou pela igreja, para santificá-la, e apresentar-se a si mesmo uma igreja pura, santa, sem mancha e sem ruga. O Senhor cobre à igreja.

E a última cortina de fora, diz assim: "...e uma coberta de peles de texugos em cima" (v.14). Os texugos não são muito bonitos. Lá nos desertos de Israel e do Sinaí, são como uns ratos grandes, de pele grossa; peludos, feios. No entanto, isso era o que se via do tabernáculo. O bonito estava por dentro: o ouro, a glória. Por fora, parecia um rato imenso. Já somos filhos de Deus!, mas o mundo não nos conhece. A Jesus não o conheciam, foi menosprezado. Homem de dores, o vimos, mas não o estimamos.

"Ah, não é este o filho do carpinteiro, cujo pai e mãe nós conhecemos? Conhecemos tudo dele!". Não conheciam nada! Mas pensavam que conheciam. Menosprezaram-no. "Sem atrativo para que o desejássemos". A glória estava por dentro; por fora, ele era humilde. "Tivemos-lhe por açoitado, por ferido, por abatido". Por fora, era uma aparência de rato, de texugo.

E a Escritura também diz o mesmo de nós. "Agora já somos filhos de Deus -diz João- mas ainda não se manifestou o que havemos de ser". Por isso o mundo não nos conhece, o mundo nos vê por fora. Narizes longos, chatos, sem um olho, coxos... Mas por dentro, a glória de Deus! Gloria ao Senhor!

(Síntese de uma mensagem ministrada em Rucacura (Chile), janeiro de 2006).

Fonte: Revista Águas Vivas: Ano 7. Nº 42. Novembro - Dezembro 2007

Site: www.aguasvivas.ws
Há DEUS toda a Glória.

A CURA DE CRISTO

A idade dos milagres ainda não passou e a cura do corpo faz parte do ministério de Cristo nos nossos dias, porque “Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo e o será para sempre”. (Heb. 13.8)

Deus nos fez grandes promessas em suas escrituras, o que devemos estar finalmente convencidos de que elas foram feitas para você pessoalmente: “Nenhuma palavra de Deus é vazia de poder” (Luc. 1.37); “Se me pedirdes alguma coisa em meu nome eu o farei” (Jô. 14.14), “Eu sou o Senhor que te cura” (Ex. 15.26); “Quem sara tuas enfermidades” (Sal. 103.3).

Milhares de pessoas morrem prematuramente pro acharem que Deus pode ter algum objetivo, no seu sofrimento, mas precisamos entender que a doença é de Satanás e não de Deus.

“Então saiu Satanás da presença do Senhor e feriu Jó de tumores malignos” (Jô 2.7); “Trouxeram-lhe um endemoninhado cego e mudo e de tal modo o curou” (Mat. 12.22); “Jesus andou...curando a todos os oprimidos do Diabo” (Atos 10.38).

Devemos expulsar esse mal em nome de Jesus porque ele nos diz: “E este sinais seguirão aos que crêem: em meu nome expulsarão demônios” (Mar. 16.17).

Deus prometeu nos curar, devemos crer que Ele o fará, porque “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rom. 10.17).

Se você quiser sarar no corpo, você precisa estar disposto a receber a cura da alma, covê precisa permitir que o curador entre em sua vida. Deste modo, ao procurar a cura de Cristo, você precisa permitir que Cristo viva em você, não mais você, mais Cristo; “ E assim se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (II Cor. 5.17).

Este é o milagre do novo nascimento, Cristo entra de fato em nossas vidas e nos tornamos novas criaturas porque Ele começa a viver em nós. Isto não é aceitar uma religião; é entregar-se a Cristo: “Aquele que não nasceu de novo não pode ver o reino de Deus” (Jô. 3.3).

Isto é para você, exija-as em oração sincera, com fé, não duvide, creia na sua palavra, ela é como se Ele estivesse pessoalmente falando em você. “Se podes, tudo é possível ao que crê” (Mar. 9.23)

O homem natural rebela-se e argumenta, se não puder senti-lo, não crerei, mas Deus muda a ordem natural e diz: “Crer é ver”.

“Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerdes em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (Jô.15.7). Se você entregou-se realmente a Cristo e creu nas promessas de Deus, ore assim: “Senhor estou permanecendo em ti, e tuas palavras estão permanecendo em mim. Entrego o meu caso inteiramente em tuas mãos e te peço, de todo o meu coração, quem me cure”. Portanto, a partir deste momento devemos declarar “Estou curado porque Deus assim o afirma”; “Guardemos firme a confissão da esperança sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Heb. 10.24).

Portanto devemos a partir daí, louvar a Cristo pela resposta e sua oração e confiar na sua promessa, agradecer-lhe a cura e utilizar-se da sua saúde, pondo-a em ação.
Antônio Abuchaim.
A ELE,toda a Glória.

A REGENERAÇÃO OU NOVO NASCIMENTO.

Duas coisas são absolutamente essenciais para a salvação: a libertação da culpa e da penalidade do pecado e a libertação do poder e da presença do pecado. A primeira é assegurada pela obra mediadora de Cristo, a outra é realizada pelas operações eficazes do Espírito Santo. A primeira é o bendito resultado do que o Senhor Jesus fez para o povo de Deus, a outra é a gloriosa conseqüência do que o Espírito Santo faz no povo de Deus. A primeira acontece quando, tendo sido trazido ao pó como um mendigo de mãos vazias, a fé é capacitada a se apegar a Cristo; Deus então o justifica de todas as coisas e o pecador tremendo, penitente, mas crendo, recebe um completo e gratuito perdão. A outra acontece gradualmente, em distintos estágios debaixo da divina benção da regeneração, santificação e glorificação.

Na regeneração, o pecado recebe seu golpe mortal, ainda que não seja sua morte. Na santificação, à alma regenerada é mostrada a fossa de corrupção que habita dentro dele, e ela é ensinada a desprezar e odiar a si mesma. Na glorificação, tanto a alma como o corpo são libertos para sempre de todo vestígio e efeito do pecado.

A regeneração é indispensavelmente necessária para que uma alma possa entrar no Céu. Para poder amar as coisas espirituais um homem deve ser feito espiritual. O homem natural pode ouvir sobre elas, e ter uma idéia correta da doutrina delas, mas ele não pode amá-las (2 Tessalonicenses 2:10), nem encontrar seu gozo nelas. Ninguém pode morar com Deus e estar feliz eternamente em Sua presença até que uma mudança radical tenha sido operada nele, uma mudança do pecado para a santidade; e essa mudança deve acontecer aqui mesmo na terra.

Como pode alguém entrar no mundo da santidade inefável depois de ter gastado toda a sua vida no pecado, isto é, agradando a si mesmo? Como pode cantar o cântico do Cordeiro se o seu coração não está sintonizado nEle? Como pode suportar o contemplar a grande majestade de Deus face a face sem nem sequer havê-Lo visto "como por espelho em enigma" com o olho da fé? Assim como é uma tortura excruciante para os olhos contemplar repentinamente os raios brilhantes do sol do meio-dia após estar confinado por muito tempo numa escuridão lúgubre, assim também será quando os inconversos contemplarem Àquele que é Luz. Em vez de receber com prazer tal visão, "todas as tribos da terra se lamentarão por causa dEle" (Apocalipse 1:7); sim, tão devastadora será sua angústia que clamarão às montanhas e às rochas, "Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro" (Apocalipse 6:16). Sim, meu querido leitor, esta será tua experiência a menos que Deus te regenere.

O que acontece na regeneração é o contrário do que aconteceu na queda. A pessoa que nasce de novo é restaurada a uma união e comunhão com Deus através de Cristo e da operação do Espírito Santo: o que antes estava morto espiritualmente, agora está espiritualmente vivo(João 5:24). Da mesma forma que a morte espiritual foi produzida pela entrada de um princípio de maldade no ser do homem, assim também a vida espiritual é a introdução de um princípio de santidade. Deus comunica um novo princípio, tão real e tão potente como o é o pecado. A graça divina é agora impartida. Uma santa disposição é infundida na alma. Um novo temperamento de espírito é concedido ao homem interior. Porém, não são criadas novas faculdades dentro dele; ao contrário, suas faculdades originais são enriquecidas, enobrecidas e capacitadas.

Uma pessoa regenerada é "uma nova criatura em Cristo Jesus" (2 Coríntios 5:17). Isso é verdade sobre você? Que cada um de nós prove e examine a si mesmo na presença de Deus sobre essas questões. Como está meu coração em relação ao pecado? Existe uma profunda humilhação e uma tristeza piedosa após eu pecar? Existe um ódio genuíno contra o pecado? Tenho uma consciência sensível, de forma que minha paz é disturbada por aquilo que o mundo chama "falhas triviais" ou "pequenas coisas"? Sinto-me humilhado quando estou consciente dos surgimentos de orgulho e obstinação? Aborreço minhas corrupções internas? Estão meus desejos mortos para o mundo e vivos para com Deus ? Qual é minha meditação nos tempos de recreação? Os exercícios espirituais me dão prazer e alegria, ou são tediosos e como cargas pesadas? Podes verdadeiramentedizer, "Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais doces do que o mel à minha boca" (Salmos 119:103)? É a comunhão com Deus meu gozo maior? É a glória de Deus mais preciosa para mim do que tudo o que o mundo contém?
Arthur W Pink
A ELE,toda a Glória.