quarta-feira, 3 de setembro de 2008

NÃO EU,MAS CRISTO VIVE EM MIM!

Por: Tomaz Germanovix 09/04/2006 iGREJA BATISTA DE LONDRINA.
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Romanos 7:18-19
Nesta passagem está registrada uma profunda verdade que todo cristão deve aprender: em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum. Este assunto é de difícil discernimento, contudo, ao ganharmos a revelação deste fato, começamos a contemplar um pouco do significado da caminhada cristã. O Senhor Jesus falou certa feita: Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. João 15:5.
O projeto do Senhor para a nossa vida visa, por um lado, revelar quem nós somos, e por outro, mostrar quem Ele é. Por desconhecermos esta verdade, o nosso viver diário é marcado por constantes fracassos. Estes fracassos ocorrem, principalmente por desconhecermos por completo quem somos. O novo nascimento não implica simplesmente numa transformação de vida, mas numa real substituição de vida: a nossa pela de Cristo. No livro de Gálatas 2:19b e 20 está escrito: Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé do filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.
Na esfera da vida natural o viver cristão é impraticável. É loucura e perda de tempo o homem tentar imitar a Cristo. O texto é claro: em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum. No entanto, mesmo a Bíblia nos ensinando este fato, continuamos gastando tempo e mais tempo tentando servir a Deus; tentando fazer a obra de Deus e imitar ao Senhor pela nossa própria carne. É interessante observar que o apóstolo Paulo admitiu que nele havia um desejo de fazer o bem, contudo, foi categórico quando afirmou: em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum. Por mais que ele, mesmo regenerado, tentasse agradar a Deus com a sua vida natural, o resultado era sempre o mesmo: fracasso total. Será que é diferente conosco? Buscar agradar a Deus na força da nossa carne é insensatez.
Por que havia em Paulo este desejo de fazer o bem? De onde ele herdou este querer o bem? No livro de Gênesis 2:16-17 encontramos a resposta: E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Observemos que a árvore proibida, da qual o cabeça federal da raça humana – Adão – tomou o fruto e se alimentou, chamava-se árvore do conhecimento do bem e do mal. Herdamos de nossos primeiros pais uma natureza caída e rebelde. Contudo, precisamos lembrar que não só a maldade faz parte da constituição humana caída, existe uma bondade natural também. O velho homem é composto não só de incredulidade, maldade, corrupção, impureza, mentira, engano..., ele também se expressa muito bondoso, alegre, humilde, paciencioso, generoso, cavalheiro, religioso... . Estas atitudes, por mais louváveis que sejam, partem da vida natural do homem, ou seja, é herança da árvore proibida. Na Cruz, o nosso velho homem foi crucificado com Cristo. O mal e o bem foram cravados em Cristo, em sua morte. (Romanos 6:6). Agora sabemos de onde Paulo herdou o querer o bem!
Jamais poderemos agradar a Deus com a nossa vida natural. Nada do que a carne possa produzir será aceito por Deus. Voltando a Paulo, concluímos que, mesmo admitindo o seu desejo em fazer o bem, ele reconheceu que havia em seu íntimo uma inclinação natural para o mal. Daí o seu grande grito de desespero: Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Romanos 7:24.
A resposta a este clamor vem em seguida: Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Romanos 7:25a. É bom observar que, quem liberta é uma Pessoa e não um conjunto de ensinos religiosos. Somente Cristo pode viver a vida cristã em nós. É pura presunção tentar viver a vida cristã na força carnal.
O problema é que muitos crêem que são intrinsecamente bons ou morais. Pelo menos, dizem: não somos tão maus quanto os outros. Mas aqueles que foram chamados por Deus, sabem claramente que a suas justiças são abomináveis aos olhos celestiais. O profeta maior aponta: Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapos de imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam. Isaías 64:6.
Muitos filhos de Deus pensam que podem servi-lo com as suas vidas naturais. São extremamente ativos, dedicados, zelosos e cheios de boa intenção, no entanto, o Senhor não pode aceitar nada de suas mãos, pois o que realizam são suas próprias obras, não as de Deus. Está escrito em Efésios 2:10: Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. A vida natural é tremendamente forte em todos nós por isso, o Pai, em sua graça, precisa soprar sobre nós, os seus suaves ventos de tribulações. É o tratamento da cruz. As provações e os sofrimentos sobre os santos têm como finalidade leva-los ao fim de si mesmos. Qual é o único lugar existente neste universo capaz de lidar com o nosso ego? A cruz. Deus não está interessado no quanto podemos produzir para Ele, Ele quer contemplar o seu Filho bendito em cada regenerado. Pense nisto: Se o Senhor Jesus "desistiu" de você lá no Calvário, por que você não faz o mesmo?
Recentemente aprendi algo muito precioso. Há quatro tipos de relações entre uma pessoa e Cristo. A primeira diz: Tudo eu e nada de Cristo. A segunda: Eu e Cristo. A terceira: Cristo e eu. A quarta: Não eu, mas Cristo. É exatamente esta última que apresenta a expressão genuína do cristianismo. O apóstolo Paulo afirmou: Porquanto, para mim, o viver é Cristo. Filipenses 1:21a.
Paulo não está dizendo aqui que ele tem como alvo o ser igual a Cristo. Ele também não diz que Cristo é o seu padrão maior de imitação. Ele simplesmente afirma: Para mim, o viver é Cristo. Em outras palavras, Paulo está afirmando que Cristo é a única razão do seu viver. Se não podemos dizer: Já não sou eu quem vive, Mas Cristo vive em mim, não sabemos nada sobre o cristianismo. Irmãos, Deus não está interessado no melhor que cada regenerado pode oferecer a Ele, o seu desejo é que o seu Filho cresça e nós diminuamos. Crescimento espiritual é o acréscimo de Cristo e o decréscimo de cada um de nós. O Pai celestial busca uma única coisa nos seus santos: Contemplar o seu Filho amado. O livro de Colossenses 3:11 aponta: No qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos. Ninguém que se encontra cativo pelo seu próprio ego pode ser usado por Deus. Os que vivem centrados em seu próprio eu se encastelam em suas próprias justiças, se exaltando quando conseguem algum sucesso, ou buscando um culpado quando os fracassos batem em suas portas. Somente a operação da cruz pode tratar deste maldito ego dominador. Por sermos tão amantes de nós mesmos, Deus precisa ordenar circunstâncias especiais para tratar com o nosso eu. Deus, em sua providência, sabe como lidar conosco.
O princípio da cruz não é um assunto temporal, ele atravessa o véu do tempo e repousa na eternidade. A cruz é o único meio pelo qual o homem pode encontrar a libertação do seu pecado, do mundo, do diabo, da carne e do eu. Precisamos da graça para compreender que a cruz é um principio que governa a Trindade santa. Necessitamos de revelação para vermos que a Igreja só pode se expressar como uma realidade espiritual, se a operação da cruz for um fato real no viver de cada santo. O texto de 2 Coríntios 4:10 diz: Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Que se frise bem: à parte da operação da cruz, é impossível tocarmos a realidade espiritual do Corpo de Cristo. Cada regenerado foi chamado para viver para uma única Pessoa. A Igreja, o Corpo de Cristo, também tem um único chamado: viver exclusivamente para agradar ao seu Senhor. O texto de 2 Coríntios 5:14-15 revela: Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. Cristianismo é poder afirmar com convicção: Não eu, mas Cristo vive em mim. A melhor coisa a se fazer é: "jogar a toalha", ou seja, render-se completamente, desistir de nós mesmos. Permita que o doce Espírito Santo aplique profundamente a cruz em sua vida. O tratamento da cruz é doloroso, pois ele toca no âmago do nosso ser, e mexe com todas aquelas coisas, que por nós mesmos, jamais tocaríamos. Só seremos transformados à imagem do Filho de Deus na medida em que a cruz realizar a sua obra em nós.
Para sermos bênçãos na vida de outros, a cruz é um principio insubstituível: Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida. Lucas 9:23 e 2 Coríntios 4:12. Que Deus, em sua graça, revele a sua palavra no coração de seus santos

O PERDOADO PERDOA.

Por: Tomaz Germanovix 29/11/2005
Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Mateus 18:23-24 e 27.
Prisioneiros não são somente aqueles que estão detidos atrás das grades de aço de uma penitenciária. Há muitos que, mesmo não estando presos em uma cadeia pública, estão detidos atrás de grades invisíveis. São pessoas que, ainda que caminhem livremente pelas ruas, andam acorrentadas no passado curtindo a fossa de suas mágoas. Vítimas de sentimentos de amargura, culpa e autocomiseração vivem entoando o cântico das lamúrias. Encontram-se tão centralizadas em seus próprios sentimentos amargos que se vêem sempre como vítimas de tudo e de todos. São muitos os sentimentos que paralisam as pessoas e as mantêm imobilizadas. Porém o que se percebe é que a falta de perdão está envolvida com quase todos eles. Quando o perdão não é aplicado, seja qual for a situação, a pessoa entra num processo de tortura interior. Seu humor será afetado, possivelmente sua saúde sofrerá danos, sua alma ficará amarga, e, por fim, poderá experimentar o esmagamento provocado pelo sentimento de culpa.
O quadro é pesado, porém muitos são os que entram por este caminho e se atolam em seus próprios sentimentos pecaminosos. A palavra de Deus nos mostra no livro de Salmo 32:3 a seguinte verdade: Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Devemos encarar os fatos. Os sentimentos que destróem os outros e envenenam a nossa própria alma nunca fizeram parte do plano original de Deus para o homem. Eles acompanham o homem desde a queda no jardim do Éden. O pecado trouxe essa herança terrível. Imediatamente após a queda já percebemos a ação do pecado nos sentimentos do homem. No livro de Gênesis 3:9-12 lemos: E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a Tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo e me escondi. Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Neste trecho podemos enumerar os vários tipos de sentimentos que Adão experimentou. Sentimento de culpa, medo e vazio. Numa tentativa de se justificar, transferiu a sua responsabilidade ou culpa ao próprio Deus e à sua mulher. Também demonstrou que nele havia um problema em relação à compreensão do perdão. O pecado trouxe conseqüências graves ao homem. É por isso que muitas pessoas se tornam escravas de seus próprios sentimentos. Billy Graham coloca que a inveja é um dos primeiros sentimentos que brotou no coração do homem. É um sentimento que não veio como conseqüência da queda, mas que teve participação ativa no seu processo.
Diante deste diagnóstico tão pesado, a primeira coisa que devemos saber é que não existe remédio algum neste mundo capaz de curar alguém nestas condições. O máximo que se pode conseguir são “pílulas paliativas” para aliviar o sofrimento. A solução não vem deste mundo, mas do Criador do universo. O que precisamos entender é que não poderemos acertar as nossas contas com os homens enquanto não encararmos o Juiz eterno para acertar as nossas diante Dele.
O nosso texto base nos apresenta uma das mais profundas manifestações da graça de Deus em relação ao homem pecador. Diante de um rei foi colocado um homem que lhe devia dez mil talentos. Para termos uma idéia do montante deste valor precisamos pensar um pouco nas comparações que se seguem:
Um denário = Um dia de serviço.
Um talento = Seis mil denários = Seis mil dias de serviço.
Dez mil talentos = Sessenta milhões de denários = Sessenta milhões de dias de serviço.
Todos os impostos anuais somados dos estados da Iduméia, Judéia e Samaria perfaziam o valor de seiscentos talentos.
O Senhor Jesus usou este exemplo para mostrar que, apesar da nossa dívida ser impossível de ser paga a Deus, Ele nos concedeu um perdão eterno. Toda a culpa do nosso pecado e todas as nossas transgressões foram levadas por Cristo Jesus na cruz. A obra de Cristo na cruz foi absolutamente perfeita, não havendo necessidade alguma de muletas humanas para ajudar o homem na sua libertação. No livro de Colossenses 2:14 está escrito: Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz . Satanás tenta de todos os modos cegar-nos para toda esta maravilhosa verdade. Hal Lindsey no seu livreto “A viagem da culpa” escreveu: O motivo número um por que o poder de Deus sofre curto-circuito em nossas vidas é que realmente nunca aprendemos o que significa a cruz de Cristo numa base cotidiana. A cruz é a base contínua de Deus aceitar-nos e perdoar-nos. A graça nos conquistou em Cristo Jesus deixando-nos totalmente livres, isentos de qualquer culpa ou dívida diante do Deus eterno.
Uma vez que já fui redimido em Cristo Jesus, então devo crer e tomar posse deste perdão pleno para a minha vida. Sendo um perdoado, agora posso perdoar. Não sou mais um escravo de meus sentimentos, pois Cristo já me libertou. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. João 8:36.
Os que nasceram de novo já têm um parâmetro para trabalharem na questão do perdão em suas vidas. No livro de Efésios 4:32 está escrito: Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Esta verdade também pode ser constatada em Colossenses 3:13: Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós.
Uma vez que fomos libertos em Cristo Jesus, podemos perfeitamente perdoar a todo aquele que nos ofende. Quando não perdoamos, mas temos um sentimento estranho agindo em nós, devemos encarar isto como um pecado sério diante de Deus. Precisamos confessar este sentimento como um pecado. Em seguida, devemos tomar posse do perdão que já nos foi outorgado por Cristo Jesus. Infelizmente, muitos, por não conhecerem a graça plena de Deus na questão do perdão, sofrem, ora sendo acusados pelo diabo, ora por suas próprias consciências. Esquecem-se de que nós não temos mais dívida alguma para acertar, pois tudo já foi pago completamente pelo Senhor Jesus. O escrito de dívida já foi rasgado, e o próprio sangue de Jesus é o selo da nossa libertação. Não precisamos mais viver escravizados por sentimentos pecaminosos, pois Cristo Jesus já nos deu a vitória. Alguém, acertadamente, disse: A Bíblia nunca diz a um crente, depois da cruz, que peça perdão. Já é um fato acertado com Deus, e Ele simplesmente quer que reivindiquemos o que já é verdadeiro. Não precisamos implorar algo que já nos foi dado em Cristo Jesus. Precisamos tomar posse.
O Senhor nos convida a termos uma vida totalmente liberta. Já fomos perdoados em Cristo, por isso podemos perdoar plenamente

O PERDÃO RECUSADO.

Por: Humberto Xavier Rodrigues 01/09/2000
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. Efésios 2:1.
O homem foi criado à imagem de Deus, foi colocado no lugar perfeito, foi-lhe concedida a oportunidade de ter perfeita comunhão com seu Criador e de participar da glória de Deus. Todavia, tudo isto foi dado sob uma condição, isto é, que o homem exercesse voluntariamente seu livre-arbítrio. Vê-se, pois, que o amor não voluntário não é amor. Deus é amor; Ele criou o homem à sua própria imagem, de sorte que Ele, Deus, pudesse gozar de camaradagem com o homem e ter comunhão com ele. Por isso se fazia necessário conceder livre-arbítrio ao homem como prova de seu amor espontâneo. Por esta razão a "árvore do conhecimento do bem e do mal" foi colocada no jardim e do seu fruto o homem não podia comer. E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2: 16 e 17.
Não obstante, este estado de amor e obediência não durou muito tempo. Satanás tentou o homem a duvidar da palavra de Deus e, assim, Adão usou seu livre-arbítrio para desobedecer à ordem de Deus. Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Gênesis 3:1. Por dar ouvidos a Satanás, o homem caiu. Por causa do pecado, o homem ficou sujeito à morte. Assim, a morte veio sobre todos os homens. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Romanos 5:12. Esta é, pois, a condição em que o homem se encontra. Ele é culpado e inapto para permanecer diante de Deus. Ele não tem meios de apagar o passado e não tem capacidade de obedecer ao padrão de santidade de Deus. Somos culpados por aquilo que somos e estamos separados do nosso Deus, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Romanos 3:23.
Nascemos em uma geração contrária a Deus. Não optamos por ser pecadores, não é uma questão de escolha, já nascemos com esta herança; nascemos gênero humano, nascemos no pecado, herdamos, assim, esta natureza de nossos pais. Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51:5.
Do céu Deus olha para a terra e procura se há um que entenda, um que O busque, e Ele mesmo responde: Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem sequer um. Salmos 53:3.
Quando a Palavra de Deus faz o diagnóstico sobre o pecador, o trata com toda firmeza, mas nosso Deus jamais deixou de buscar o homem para livrá-lo desta condição de membro de uma geração contrária a Ele. Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para a condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens, para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. Romanos 5:18 e 19.
O diagnóstico é verdadeiro e parte de um Deus cheio de graça, disposto a nos buscar. O pecado entrou por meio de um só, mas o perdão também entrou por meio de um só: Jesus, o Filho de Deus, que foi dado a nós para nos resgatar desta geração à qual pertencemos. Salvai-vos desta geração perversa. Atos 2:40b.
Não há outro meio de sairmos do que herdamos de Adão a não ser pela morte; somente com a morte deixamos de ser geração perversa.Mas o Senhor dos Exércitos se declara aos meus ouvidos, dizendo: Certamente, esta maldade não será perdoada, até que morrais, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos. Isaías 22:14.
Por que muitos não aceitam o perdão de Deus? No ano de 1829, George Wilson, um homem da Filadélfia, foi julgado pelos crimes de homicídio e roubo de malas postais dos Estados Unidos. Constatada a sua culpa, foi condenado à forca. Os seus amigos recorreram ao presidente americano, que tem o poder de perdoar um condenado à morte e obtiveram dele, presidente Jackson, o perdão. Porém, George Wilson recusou-se a aceitá-lo! Criou-se um impasse. O que fazer quando alguém que é condenado à morte recusa o perdão? O governador hesitou! Como poderia mandar enforcar um perdoado?
Assim, o presidente ordenou ao Supremo Tribunal Americano que resolvesse a questão. E o juiz respondeu: Um perdão é um documento cuja validade depende de ser aceito pela entidade à qual diz respeito. Pode-se compreender que, quem tenha sido sentenciado à morte se recuse a receber o perdão; porém, se recusar, já não é perdão. Importa, pois, que George Wilson seja enforcado. Assim, ele foi executado, apesar de seu perdão estar sobre a escrivaninha do governador. O condenado da história, mesmo tendo sido perdoado, escolheu a morte. Cristo já veio e trouxe tudo que precisamos para não sofrermos a condenação do pecado. Ele nos livrou da morte eterna. Mas, infelizmente, muitos recusam o perdão de Deus e preferem a morte e não a vida. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência. Deuteronômio 30:19. O perdão de Deus já está disponível. E nós, o que vamos escolher? Não endureçamos os nossos corações pois, segundo a Palavra de Deus, ele já é de pedra, e, se recusarmos a obra de Cristo em nosso favor, ele se tornará em uma pedra das mais duras que conhecemos. Eles, porém, não quiseram atender e, rebeldes, me deram as costas e ensurdeceram os ouvidos, para que não ouvissem. Sim, fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito. Zacarias 7:11,12a. Com Cristo morremos para nós mesmos, para o pecado e recebemos o perdão de Deus. Cristo, agora, é nossa vida, Cristo vive em nós.

PERDÃO POR NÃO PERDOAR!

Por: Julio Cesar Lucarevski 30/08/2008
Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Mateus 18:21.

Certa ocasião C. S. Lewis disse: “Todos consideram o perdão uma idéia muito bonita até precisarem perdoar alguém”. Ray Pritchard, em seu livro O poder terapêutico do perdão conta que recebeu um e.mail de um desconhecido que estava lutando para perdoar aqueles que o feriram. Tratava-se de uma pessoa que, por causa de fatos ocorridos em sua infância, vivia nutrindo raiva e ódio em seu coração. Era um homem que havia sido abusado por um vizinho quando criança. Esse trauma, aliado ao fato de não ter recebido carinho e atenção de seus pais, transformou a sua vida num caos.
Eis um trecho daquilo que estava no e.mail: “Só este ano, por meio da oração e da ajuda de um conselheiro cristão, é que estou começando a deixar o passado para trás. Ainda tenho dificuldade de lidar com a raiva, e talvez até do ódio, que sinto do meu pai. Precisei ir ao cemitério visitar o túmulo dos meus pais e ter uma conversa de cerca de duas horas com eles para começar a deixar para trás essa raiva que me manteve num estado de tristeza constante ao longo de grande parte da minha vida adulta”
Ray relata que este homem tinha prazer em ajudar as pessoas. Porém, julgava-se capaz de “consertar” pessoas e problemas. Foi somente quando começou a confrontar os fatos de sua infância, sem poder negá-los ou consertá-los é que pôde reconhecer que só Deus poderia fazer isso. Esta foi sua primeira lição para aprender o que é perdoar.
Essa história ilustra muito bem como o perdão é uma questão de disposição interior. O perdão é fundamentalmente uma decisão interior de recusar-se a viver no passado. É uma escolha consciente que nos levar a cortar os fios que nos prendem ao passado e que, conseqüentemente, nos impedem de estar inteiros no presente. Esses fios podem ser tão sutis, que nem nos damos conta de que eles ainda nos mantêm ligados a um passado recente ou muito remoto. Experiências antigas deixam marcas tão profundas em nossas vidas de tal modo que, mesmo não tendo consciência delas, interferem em nossas ações cotidianas.
Na realidade, o perdão é uma questão espiritual. O perdão começa no íntimo do coração para depois se manifestar exteriormente. Em sentido profundo, todo perdão, mesmo aquele oferecido a alguém que lhe causou grande mágoa, é algo entre você e Deus. As pessoas podem ou não entender ou reconhecer esse fato. A questão do perdão é como um espelho fiel do estado do nosso coração em relação à compaixão, sensibilidade interpessoal e misericórdia. Por esta razão, é um assunto tão importante para todo cristão se aprofundar. Neste texto vamos analisar principalmente dois aspectos do perdão. Primeiro, porque devemos perdoar e, segundo, porque podemos perdoar.
O Senhor Jesus ensinou preciosas e redentivas instruções sobre o perdão. Para os rabinos da época de Jesus, o perdão deveria ser concedido a uma pessoa até três vezes. O apostolo Pedro querendo ser mais generoso arriscou um novo parâmetro: até sete vezes. Porém Jesus demonstrou o poder ilimitado do perdão, setenta vezes sete. Em seguida contou essa história.
Um homem que devia uma quantia enorme (10.000 talentos) ao rei foi convocado para fazer um acerto de contas. Com pernas trêmulas, dirigiu-se ao palácio, certo de que sairia de lá para a prisão ou para o cativeiro. Devia ao seu senhor uma quantia que jamais poderia pagar. As perspectivas mais sombrias se projetavam sobre ele e toda a sua família. “Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.” Mateus 18:25. Sua única esperança era saber que o rei gozava de merecida fama por ser um governante misericordioso e justo. Então decidiu clamar por misericórdia para que protelasse a cobrança de sua dívida.
O rei fitou-o com profunda compaixão, bem consciente de que o homem jamais conseguiria quitar a enorme quantia, “mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida”. Mateus 18:27. Saindo do palácio, encontrou um companheiro que lhe devia uma pequena soma. De repente, foi tomado de uma fúria incontrolável, “e, agarrando-o, sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves.” Então a cena se repetiu. O seu companheiro clamou por misericórdia e pediu que prorrogasse a cobrança de sua dívida. “Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida”. Mateus 18:31.
Algumas pessoas, que presenciaram as duas cenas foram procurar o rei para relatar o acontecido. A reação do soberano não se fez esperar. Mandando chamar de novo o homem que havia perdoado, confrontou-o com sua maldade. “Que grande mal você praticou! Quando me suplicou, perdoei a enorme quantia que me devia. Não seria de esperar que mostrasse a mesma compaixão para com aquele que lhe devia uma quantia muito menor?” Mateus 18:32-33. Assim, o rei ordenou aos guardas, que entregasse aquele homem aos torturadores até que toda a divida fosse paga. O Senhor Jesus conclui a história dizendo: “Assim também meu Pai celeste vós fará, se do intimo não perdoardes cada um a seu irmão”. Mateus 18:35
Essa história, registrada em Mateus 18:23-35, foi contada por Jesus para ilustrar a importância do perdão. Não era a primeira vez que Jesus usava o conceito de dívida ao ensinar sobre o perdão. Em Mateus 6:12, ele mostrou como devemos orar dizendo: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.” No final da oração Ele deixa bem claro as conseqüências de não perdoarmos a quem nos ofende. Se não perdoarmos, não seremos perdoados. E como vimos na história do credor incompassivo, nosso destino será o de viver nas mãos dos atormentadores.
Esta história revela a natureza e o modo de agir de Deus. Expõe o coração cheio de misericórdia e compaixão de Deus em comparação ao coração insensível, impiedoso e sem compaixão daquele que não perdoa. A Bíblia demonstra que “Deus é grandioso em perdoar” Isaías 55.7. No salmo 130 lemos a seguinte indagação: “Se tu, ó Senhor, observares as iniqüidades, ó Senhor, quem subsistirá? Mas contigo há perdão; portanto és temido.” Salmo 130:4. O coração de Deus expressa a graça que perdoa. Sendo assim, os filhos de Deus devem ser imitadores do Pai e do Filho, sempre dispostos a perdoar. Como está a sua vida neste momento? Seu coração está cheio de amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, mansidão e domínio próprio ou está cheio de inquietação, angústia, raiva, ressentimento, amargura?
Na Sua parábola, Jesus mostrou claramente que o homem não desejou perdoar seu conservo. Ele estava ensinando que não perdoamos porque não queremos. “Querer” diz respeito à nossa vontade, à maneira como agimos. Quando isso acontece estamos bloqueando a ação do Espírito em nossa vida. A inquietação, a angústia, a raiva, o ressentimento e a amargura são os atormentadores que se instalam em nosso coração para nos perturbar, e nos impedir de gozar a liberdade que o perdão traz. Ressentimento ou raiva é o “veneno” que mais tem destruído vidas no mundo em que vivemos.
Muitos dos problemas existentes a nossa volta tais como: desentendimento familiar, falta de unidade e harmonia entre cônjuges, pais e filhos, problemas de solidão, depressão, descontrole emocional, vários casos de enfermidades psicossomáticas e até loucura, podem ser conseqüências diretas da falta de perdão na vida de uma pessoa. “Perdoar é libertar um prisioneiro e depois descobrir que esse prisioneiro é você mesmo.”
Se quisermos ser verdadeiramente inteiros e portadores de uma vida que expresse a vida de Cristo temos que reavaliar os nossos sentimentos em relação aos outros. Quando Jesus usou a palavra dívida, quis mostrar um aspecto fundamental do ato de perdoar. A palavra grega traduzida como “perdoar” significa literalmente cancelar ou remir. Significa a liberação ou cancelamento de uma obrigação. Por isso, foi algumas vezes usada no sentido de perdoar um débito financeiro.
Se pensarmos em termos de dinheiro, fica mais fácil entender exatamente por que Jesus usou essa expressão. A escritora Wanda de Assumpção, exemplifica com as seguintes palavras: “Suponhamos que você me peça 5000 reais emprestados, prometendo pagar-me em dois meses. Esse dinheiro é meu por direito e posso dispor dele como quiser, mas estou contando com ele para saldar meus próprios compromissos no final dos dois meses. Se, passado o prazo, você não me pagar, quem sairá perdendo? Você usou o dinheiro que não era seu como quis e agora não tem como pagar. Eu fiquei sem algo que era meu, a que tinha direito, e que agora me faz muita falta. Se eu perdoar a sua dívida, ficarei mais pobre na mesma quantia que você me deve.”
Em outras palavras, perdoar é doar a perda. É aceitar o prejuízo. É privação de algo que, por direito, era meu. Tenho que absorver a perda daquilo que faria uma diferença grandiosa em minha vida. E se eu vier a passar fome ou outra necessidade básica por sua causa, ficará ainda mais difícil me conformar com essa perda. Toda vez que a fome apertar ou o frio me incomodar, vou me lembrar de que você usou como quis aquilo que agora me faz tanta falta.
Vejamos por que é tão difícil perdoar. Usando essa analogia, vamos pensar agora em termos de alguma mágoa ou ofensa que alguém tenha cometido contra nós. O que acontece na área financeira acontece também na área pessoal. Todos nós temos certas necessidades básicas que precisam ser satisfeitas. Da mesma forma que precisamos de água e alimento para sermos saudáveis, nossa alma precisa de amor e afeto para sermos emocionalmente saudáveis. Todo ser humano precisa da segurança de sentir que alguém o ama incondicionalmente, e que o valoriza por ser quem é, não por alguma coisa que possa fazer. Assim, quando alguém me rejeita, de alguma forma maltratando, desprezando, abandonando, gritando comigo, cobrando ou criticando, está tirando um pouco da minha segurança e do significado da minha vida.
Quando alguém tira algo precioso de mim, quando não sou amado, quando não me tratam bem, é normal me sentir diminuído, com medo, confuso e sozinho. Fico então diante de duas alternativas. Na primeira, exijo que o meu devedor devolva aquilo que me tirou. Afinal, dívida é dívida! Por isso, fico agarrado ao pescoço do devedor até que devolva o que me tirou, remoendo vez após vez a ofensa cometida contra mim. Na segunda alternativa, decido perdoar, abrindo mão do que me é devido e até desejando que a outra pessoa possa fazer bom uso daquilo que é meu. Mas, muitas vezes dizemos: “Sim, sei que devo perdoar. E quero perdoar. Mas não consigo.”
Nós somente podemos perdoar, porque fomos perdoados, aceitos e reconciliados. A boa nova do evangelho é que Jesus pagou o preço por nossos pecados com sua morte na cruz. O perdão, então, é um ato no qual o ofendido livra o ofensor do pecado, liberta-o da culpa pelo pecado. Este é o sentido pelo qual Deus “esquece” quando perdoa, como diz Hebreus 8:12: “Pois serei misericordioso para com suas iniqüidades, e de seus pecados e de suas iniqüidades não me lembrarei mais” .
Entretanto, Deus já nos deu o suprimento que precisamos para perdoar. Deus por meio do Seu Filho Jesus Cristo, já proveu tudo o que precisamos para usufruir de uma vida plena de alegria e gozo, abundante em realizações. Esta é a vida que Jesus prometeu nos dar. Primeiramente, Deus perdoou todas as nossas dívidas e nos vivificou por meio de Cristo Jesus. “E a vós outros que estáveis mortos nos vossos pecados... vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os nossos pecados, tendo cancelado o escrito de divida que era contra nós...” Colossenses 2:13-14a. Deus aceitou a morte de Jesus como o pagamento de nossos pecados e nos transferiu para uma outra esfera de vida, mediante a nossa união na morte e ressurreição com Cristo. Em segundo lugar, Nele temos a satisfação de todas as nossas necessidades. “…pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2 Pedro 1:3, grifo meu). Assim, em Jesus, temos o amor incondicional por que tanto anelamos.
Como disse Henri Nouwen. “O Evangelho liberta-nos da cadeia de ferimentos e necessidades, revelando-nos uma compaixão que pode fazer mais do que apenas reagir fora das necessidades que brotam de nossos ferimentos. Faz isso trazendo-nos a uma aceitação que antecede a qualquer aceitação ou rejeição humana. E esse amor original a tudo abrange; detém o poder de amar inimigos tanto quanto os amigos; o poder de permitir-nos amar desse modo. Esse é o amor que nos faz filhos e filhas do “Altíssimo”’. Esta é nossa verdadeira identidade. Nada pode nos tirar desta posição de aceitos e amados de Aba.
Por pertencermos ao reino dos céus, já ganhamos crédito ilimitado para perdoar todas as ofensas, feridas e prejuízos desta vida. Além disso, toda vez que perdoamos uma dívida, recebemos imediatamente a mesma quantia multiplicada na nossa conta. Esse crédito, nada mais é do que o amor de Deus que temos em Cristo Jesus