quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PORTANTO...

PORTANTO...
Por:Pr Humberto Xavier Rodrigues
01/12/2008

Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes,e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Romanos 5:2.


"Portanto", conjunção conclusiva que contém a conclusão de um raciocínio ou exposição de motivos anterior; pois, logo, por conseguinte, conseqüentemente, etc. As duas palavras gregas para "portanto" são "oun e ará". Ao lermos cuidadosamente a carta de Paulo aos crentes de Roma, encontraremos os três mais importantes "portantos". O primeiro está relacionado à nossa justificação: Tendo sido, portanto, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. Romanos 5:1. Considerando o significado da nossa conjunção, fica evidente que a nossa justificação está fundamentada na ressurreição, visto que o assunto abordado anteriormente é sobre a ressurreição. O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. Romanos 4:25.

A morte e a ressurreição de Cristo são inseparáveis porque formam um único ato redentor; uma não tem sentido sem a outra, de modo que sempre que uma é mencionada, a outra está implícita. Também, a nossa atenção é dirigida para a ação de Deus Pai em entregar Seu Filho para fazer expiação por nossos pecados e em ressucitá-Lo para nossa justificação. Nós somos assim ensinados a atribuir toda a glória de nossa salvação a Deus, que planejou, providenciou e executou essa grande obra de redenção. O apóstolo Paulo diz que Cristo foi ressuscitado para nossa justificação, porque a justiça pela qual somos justificados está intimamente e permanentemente ligada ao Cristo vivo, através da graça que nos foi concedida. Mas seria igualmente legítimo dizer que Ele morreu para nossa justificação, pois Sua morte redentora foi a base de nossa reconciliação com Deus. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Romanos 5:9-10.

"Portanto", diz o apóstolo, " temos paz com Deus" . Isto significa que a ira de Deus não mais nos ameaça, porque fomos aceitos em Cristo. É também pela mediação de Cristo que tivemos nossa "entrada" pela fé nessa graça justificadora, na qual passamos a ficar firmes. Tendo sido uma vez introduzidos nesse estado de graça e favor, é nosso privilégio imutável desfrutar de plena comunhão com Deus. E esta paz subjetiva com Deus foi adquirida tão-somente pelo sangue de Cristo, fruto de Sua mediação. Na justificação o nascido de novo é introduzido na presença de Deus, como se nunca tivesse cometido pecados. A justificação é um ato, seguido de um processo, processo este que chamamos de santificação.

O segundo "portanto": Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Romanos 8:1. Do capítulo 3 ao capítulo 6, encontramos a doutrina da nossa justificação. A partir deste capítulo, o assunto é santificação. Novamente encontramos a presença da conjunção "portanto", e isto nos leva a ver o assunto abordado anteriormente. Depois de falar da luta do regenerado com a lei, o apóstolo Paulo passa a falar da nossa libertação de uma vez por todas do senhorio da "lei". Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus. Romanos 7:4.

A graça age na nossa justificação, e continua agindo na nossa santificação. Santificação sem justificação é hipocrisia. Podemos ilustrar estes dois fatos na experiência do filho pródigo. O fato de retornar para o seu pai e ser beijado significou a sua conversão, a sua aceitação e perdão. Podemos dizer que neste momento ele foi justificado. E ao tirar os farrapos e vestir novas roupas, deu-se o início da sua santificação. Não podemos perder de vista que a santificação é um processo longo, gradativo. Scofield define a santificação como: A obra de Deus no crente pelo Espírito Santo e pela Palavra, transformando-o progressivamente na imagem de Cristo. A santificação é o processo espiritual pelo qual a imagem de Cristo é manifestada nos que foram justificados. A justificação e a santificação procedem da misericordiosa vontade de Deus, porém são realidades diferentes. A justificação é um ato único e definitivo pelo qual Deus, por Sua graça, imputa no injusto a justiça de Cristo. A santificação é um processo contínuo pelo qual Deus, por Sua misericórdia, muda o nosso fútil procedimento. Na justificação, Deus nos livra da condenação futura; na santificação, Ele nos livra do poder do pecado que nos assedia. Os fariseus, muito zelosos, criaram regras e mandamentos de santificação, que o nosso Senhor Jesus chamou de "mandamentos dos homens". Eram eficientes para limpar o exterior do copo, mas se esqueciam do interior; os rostos eram santos quando jejuavam, e o olhar tornava-se imponente ao toque das trombetas. Ser honesto nos negócios e na vida moral, dar os dízimos, cuidar da vida religiosa, são aspectos positivos de uma existência, mas perdem a essência se não partirem de dentro pra fora. Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Mateus 23:26-27.

Sem a justificação, o que se pode alcançar é somente aparência de santidade. Os judaizantes queriam impor aos nascidos de novo muitas obrigações religiosas na nova vida: " não proves, não toques, não manuseies". O apóstolo Paulo diz que tais preceitos tem, na verdade, certa aparência: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. Colossenses 2:21-23. Muito ponderado e significativo foi o que disse João Wesley sobre santificação: A religião não consiste de negações, nem de moralidade exterior, nem de opiniões ortodoxas; é a criação de uma nova natureza em nós.

A santificação começa pelo coração. É uma obra divina, sobrenatural, conforme a expressão de Spurgeon: A verdadeira religião é sobrenatural no seu começo, sobrenatural na sua continuação e sobrenatural na sua conclusão. É obra de Deus do começo ao fim. O que a lei não pode fazer e os esforços dos homens realizarem, a graça faz. Observamos um fenômeno interessante: as folhas murchas e amareladas nas árvores, que os vendavais não conseguem derrubar, caem com naturalidade. Depois a abundante seiva começa a vitalizar a árvore.

O terceiro "portanto": Rogo-vos, portanto, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Romanos 12:1. Do capítulo 3 ao capítulo 12,encontramos o que Deus fez por nós em Cristo. Do capítulo 12 ao capítulo 16, temos o nosso viver prático como cristãos. E este viver está intimamente ligado à nossa entrega total ao Senhor, porque dependemos completamente do Senhor. Não se vive a vida cristã sem a vida cristã para viver. O novo nascimento é o começo da caminhada cristã. Pela porta, dá-se o início de uma longa caminhada.

O que é consagração? Consagração é um ato voluntário daquele que foi salvo pela graça, para ser trabalhado por Deus. O crescimento de um regenerado está profundamente ligado a este ato de entrega. O holocausto exemplifica perfeitamente este ato. O ofertante entregava a oferta para o sacerdote, e este, por sua vez, matava o animal e o colocava sobre o altar. E CHAMOU o SENHOR a Moisés, e falou com ele da tenda da congregação, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de rebanho ou de gado miúdo. Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem defeito; à porta da tenda da congregação a oferecerá, de sua própria vontade, perante o SENHOR. E porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação. Depois degolará o bezerro perante o SENHOR; e os filhos de Arão, os sacerdotes, oferecerão o sangue, e espargirão o sangue em redor sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação. Então esfolará o holocausto, e o partirá nos seus pedaços. E os filhos de Arão, o sacerdote, porão fogo sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo. Também os filhos de Arão, os sacerdotes, porão em ordem os pedaços, a cabeça e o redenho sobre a lenha que está no fogo em cima do altar; Porém a sua fressura e as suas pernas lavar-se-ão com água; e o sacerdote tudo isso queimará sobre o altar; holocausto é, oferta queimada, de cheiro suave ao SENHOR. Levítico 1:1-9.

Há uma riqueza de detalhes nesta oferta. O holocausto representa Cristo oferecendo-se a Si mesmo para o cumprimento perfeito da vontade de Deus. "O macho sem defeito" era uma figura do Senhor Jesus sem pecado. "Porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto" tipifica nossa identificação na morte e ressurreição.
A DEUS toda a Glória!

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