quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

CRISTO:A OBEDIÊNCIA DO PECADOR.

Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. Romanos 5:19.

Estas palavras nos revelam o que recebemos graças à obra de Cristo. Da mesma forma como o fato de estarmos em Adão nos torna pecadores, por estarmos em Cristo somos feitos justos. Essas palavras também nos revelam exatamente o que é em Cristo que nos torna justos. Assim como a desobediência de Adão nos deu a natureza de pecador, a obediência de Cristo nos faz justos. Nós devemos tudo à obediência de Cristo. Entre todos os tesouros da nossa herança em Cristo, este é um dos mais ricos. Quantas pessoas nunca o estudaram, a tal ponto de amá-lo e se deleitar nele, e assim obter dele a bênção completa! Ao estudarmos o papel da obediência de Cristo na sua obra para nos salvar, veremos nela a verdadeira raiz da nossa redenção e saberemos dar-lhe o devido lugar no nosso coração e na nossa vida. A única coisa que Deus pediu a Adão no paraíso foi obediência. A única coisa através da qual uma criatura pode glorificar a Deus ou gozar do seu favor e sua bênção é a obediência. A única causa do poder que o pecado conseguiu no mundo e da ruína que ele desencadeou; é a desobediência. Toda a maldição do pecado que recai sobre nós é devido à desobediência a nós imputada. Todo o poder do pecado que opera em nós nada mais é que isto: que ao recebermos a natureza de Adão, herdamos também a sua desobediência e, conseqüentemente, nascemos já como "filhos da desobediência". Efésios 2:2. Nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência.

É evidente que a única obra para a qual seria necessário que Cristo viesse era, precisamente, remover essa desobediência. A desobediência é a raiz de todo pecado e miséria. O primeiro objetivo da sua obra salvadora foi cortar de vez a raiz do mal e restaurar o homem para o seu destino original: uma vida em obediência ao seu Deus. Mas como o nosso Senhor Jesus Cristo fez isso? Em primeiro lugar, ele o fez vindo como o segundo Adão para desfazer o que o primeiro tinha feito. O pecado nos fez acreditar que era uma humilhação sempre ter que buscar e fazer a vontade de Deus. Cristo veio para nos mostrar a nobreza, a bênção, o caráter celestial da obediência. E o que nos deixa assombrados é que o próprio Cristo aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Hebreus 5:8. Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.

Quando Deus nos deu o manto de criatura para usar, não sabíamos que sua beleza, sua pureza imaculada, era a obediência a Deus. Cristo veio e vestiu aquele manto para nos mostrar como usá-lo e como, através dele, podíamos entrar na presença e glória de Deus. Cristo veio para vencer e, assim, carregar para longe nossa desobediência, substituindo-a com sua própria obediência sobre nós e em nós. O poder da obediência de Cristo seria tão universal, tão poderoso e tão profundamente arraigado quanto à desobediência de Adão? Podemos afirmar com base nas Escrituras que sim, e muito mais ainda! O objetivo da vida de obediência de Cristo era triplo:

(1) Como um exemplo, para mostrar-nos o que é a verdadeira obediência;
(2) Como nossa garantia, satisfazendo pela sua obediência toda a exigência da justiça divina por nós;
(3) Como nossa Cabeça, para preparar uma natureza nova e obediente a ser comunicada para nós, ou seja, a nossa obediência mora dentro de nós que é Cristo. E levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, 2 Coríntios 10:5b.

Cada pessoa que quiser compreender plenamente o que é obediência deve considerar bem o seguinte: é a obediência de Cristo que é o segredo da justiça e da salvação que encontro nele. A obediência é a verdadeira essência dessa justiça: obediência é salvação. Em primeiro lugar, precisamos aceitar, confiar e regozijar-nos na obediência de Cristo para cobrir, engolir e aniquilar terminantemente toda nossa desobediência. Essa precisa ser a base inabalável, invariável, jamais esquecida, da nossa aceitação por Deus. E, depois, a obediência dele torna-se o poder de vida da nova natureza em mim, assim como a desobediência de Adão era o poder que me governava até então. A minha sujeição à obediência é a única maneira que posso manter a minha relação com Deus e com a justiça. A obediência de Cristo à justiça é o único começo de vida para mim; minha obediência à justiça é sua única continuação. Há somente uma lei para a cabeça e para os membros. Tão certamente como a desobediência e a morte foram à lei para Adão e sua semente, a obediência e a vida o são para Cristo e sua descendência. Nós que fomos incluídos em Cristo em sua morte e ressurreição temos toda a suficiência para sermos obedientes em tudo. 2 Coríntios 2:9. E foi por isso também que vos escrevi, para ter prova de que, em tudo, sois obedientes.

O único vínculo, a única marca de semelhança, entre Adão e a sua semente é a desobediência. O único elo de ligação entre Cristo e sua semente, a única marca de semelhança, é a obediência. Em Cristo, essa obediência era um princípio de vida. A obediência para ele não era um ato individual de obediência de vez em quando, nem mesmo uma série de atos, mas o espírito de toda sua vida. Ele veio ao mundo com um único propósito. Ele vivia somente para fazer a vontade de Deus. O poder supremo, a força mestre de toda sua vida, era a obediência. Vamos ler em João 6:38. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. Ele deseja produzir o mesmo em nós. Foi isso que prometeu quando disse: Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe. Mateus 12:50. O vínculo dentro de uma família é a vida comum compartilhada por todos e uma semelhança familiar. O elo entre Cristo e nós é que ele e nós juntos fazemos a vontade de Deus. Em Cristo, essa obediência era uma alegria, pois vemos isso claramente em Salmos 40:8. Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei.

Nossa comida é refrigério e revigoramento. O homem saudável come seu pão com alegria. Mas comida é mais do que prazer, é uma necessidade vital. Da mesma forma, fazer a vontade de Deus era a comida da qual Cristo sentia fome e sem a qual ele não podia viver. Era a única coisa que satisfazia sua fome, que o refrescava, o fortalecia e o tornava feliz. Foi o Jesus quem disse em João 4:34. Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.

Em Cristo, essa obediência levava a uma espera pela vontade de Deus. Deus não revelou toda a sua vontade a Cristo de uma só vez e, sim, dia a dia, de acordo com as circunstâncias da ocasião. Na sua vida de obediência, havia crescimento e progresso; a lição mais difícil veio por último. Cada ato de obediência o preparava para a nova descoberta do próximo comando de Deus. É quando a obediência se torna a paixão da nossa vida que nossos ouvidos serão abertos pelo Espírito de Deus para aguardar os seus ensinamentos, e não nos contentaremos com nada menos que uma orientação divina para nos conduzir à vontade de Deus para nós. Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos. Salmos 40:6a.

Em Cristo, essa obediência foi até a morte. Quando ele disse: "Eu não vim para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou", ele estava pronto para ir às últimas conseqüências para negar a sua própria vontade e fazer a vontade do Pai. Ele não estava brincando. "Em nada a minha vontade; a todo custo a vontade de Deus". Esta é a obediência para a qual ele nos convida e nos capacita. Essa entrega de coração à obediência em tudo é a única verdadeira obediência, a única força capaz de nos levar à vitória. Quem dera que os cristãos compreendessem que nada menos do que isso é o que traz alegria e força para a alma! Em Cristo, essa obediência nascia da mais profunda humildade. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2:5,6 e 8.

Ao homem que está disposto a se esvaziar por completo, a se tornar e a viver como servo, "um servo obediente", a se humilhar profundamente diante de Deus e dos homens, é para este homem que a obediência de Jesus descortinará toda sua beleza celestial e seu poder constrangedor. Pode ser que haja em nós uma vontade muito forte que secretamente confia em si mesmo e que falha nos seus esforços para obedecer. É quando caímos cada vez mais baixo diante de Deus em humildade, em mansidão, em paciência, em total resignação à sua vontade, dispostos a nos curvar em absoluta incapacidade e dependência dele, que nos será revelado que a única obrigação e bênção de uma nova criatura é obedecer a este glorioso Deus! Veja onde está o prazer de Deus em cada um de seus filhos que passaram pela cruz: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. 1 Samuel 15:22.

Em Cristo, essa obediência provinha da fé e em total dependência da força de Deus. Lembram do que Jesus disse: "Eu não faço nada por mim mesmo." "O Pai que está em mim é quem faz as obras". A resposta à entrega sem reservas do Filho à vontade do Pai foi a concessão ininterrupta e irrestrita pelo Pai de todo o seu poder para operar nele. Assim também será conosco. Se aprendermos que a proporção em que desistirmos da nossa própria vontade será sempre a mesma medida da concessão do seu poder a nós, veremos que uma rendição à obediência total nada mais é que uma fé completa de que Deus haverá de operar tudo em nós. Vamos fixar a nossa atenção em Cristo, examinando-o como servo obediente e confiando nele como nunca antes. Seja este o Cristo que recebemos e amamos, e com quem procuramos nos parecer. Como a sua justiça é a nossa esperança, deixemos que a sua obediência seja nosso único desejo. Que nossa fé nele, com sinceridade e confiança no poder sobrenatural de Deus operando em nós, receba Cristo, o obediente, verdadeiramente como nossa vida, aquele que habita em nós. Pois como disse François Fenelon: Paz e consolo não podem ser encontrados em lugar algum senão na simples obediência. Eu e você não somos obedientes, mas quando ganhamos a experiência com o Senhor Jesus Cristo, O obediente vem habitar dentro de cada um de nós e nos tornando suficientes para a obediência. Em nós não há nada que nos permita afirmar que somos capazes de fazer esse trabalho, pois a nossa capacidade vem de Deus. 2 Coríntios 3:5 (LH). Amém.






Pr Claudio Morandi
prclaudiomorandi@hotmail.com

A DEUS toda a Glória!

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